No último capítulo…
Os cavaleiros "Formidáveis" se reúnem na taverna Barge para comemorar e divertir-se depois do duelo de Zechs e Decker. Lá, Decker também bebe com sua equipe, gabando-se de resultados e de seus avanços com a Princesa Relena. Seu maior objetivo, além de chamar a atenção, é cutucar Heero. No fim, irrompe uma briga. Heero não admite a calúnia que Decker diz contra Relena e lutam, contagiando toda taverna. Akane ajuda a ele e os demais "Formidáveis" a fugir pelos fundos.
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Capítulo 21 – Manhã de sábado
O Sol nasceu algumas horas mais tarde. Aos poucos seus raios dourados atingiam o veraneio do pacífico Reino de Sanc. Houve quem acordou bem antes, geralmente os criados, que têm de tudo preparar para a hora do amo despertar. O recomeço dos torneios significava a agitação voltar a tomar a cidade. Moviam-se cavalos, o comércio ficava movimentado, as ruas repletas de transeuntes de uma arena para outra, todos se preocupavam em vestir as melhores roupas.
Decker levantou-se do conforto de sua cama forrada de peles assim que o Sol se mostrou completamente acima do horizonte. Já ouvia a movimentação dos criados, bocejou e esticou-se sentado na beira da cama.
Maldita noite que tivera! Não sabia como tinha chegado na tenda, tamanha a tribulação.
Tinha se livrado da prisão graças a sua influência, sua lábia e seu bolso, mas ainda teria de cuidar de liberar outros de seus servos do cárcere naquela manhã, porque eles lhe eram úteis e ele tinha muito a tramar contra o reino de vidro, Sanc.
Mas ainda não tinha se acalmado por causa da maldita noite que tivera, e odiava todos os "Formidáveis" cada vez mais.
_ "Formidável" miserável! –ele praguejou logo cedo, vestindo a casaca, lembrando-se da briga na taverna. Não gostava nem de começar a pensar porque já se enfurecia. Como era petulante aquele Sir Heero, ele pensava, como estorvava!
Ainda tinha sono, bocejou mais, lavou o rosto outra vez e foi pentear seus cabelos.
_Decker, querido, o café está pronto! –ele ouviu a melodiosa voz da prima vir até ele, e Decker olhou para a porta do quarto:
_Já vou, prima Dorothy! –e apanhou o espelho e o pente, e quando se mirou, suas sobrancelhas se curvaram e ela abriu a boca espantado. –Oh, não! Oh, não, "Formidável" miserável! –ele praguejou mais e largou o pente, tocando em volta do olho que estava coberto de uma mancha roxa. Ele olhava o hematoma e meneava a cabeça, indignado. – "Formidável" miserável! –ele gritou ainda mais alto, e largando o espelho também, saiu da tenda para a varanda e olhou Dorothy sentada a mesa.
Ela o olhou suavemente, nem um pouco sobressaltada pela violência dos atos dele, e seus olhos concentrados o fitaram.
_Veja só o que aquele "Formidável" me fez, prima! Veja só! –ele falava indignado e apontava o olho. Ela levantou-se, sorrindo maliciosamente aproximou-se dele, tocando-o no rosto.
_Não há necessidade de tamanho estardalhaço, primo, acalme-se…
_Não, não, Dorothy! Meu dia já começou péssimo, péssimo! Não venha falar mole comigo! –e ele a empurrou para longe dele e foi se sentar.
_Não se estresse tanto, Decker, lembre-se que hoje tem uma justa importante. Não há motivo para tanto, é só um olho roxo, e além do mais, você não me contou a história dele ainda… –ela ia falando mansa e ronronante, debochada, enquanto alisava uma mecha dos cabelos lisos muito longos e louros.
_Ah, Dorothy! –ele reclamou dos modos dela, e ela soltou um riso felino e malicioso, olhando-o. –Você sabe como são estes "Formidáveis" insuportáveis! Este tal Sir Heero! Ele se encrespou quando eu falei sobre Relena, sei lá eu se foi mesmo por isto, e minha paciência extinguiu-se com ele!
_Meu primo precisa aprender a cultivar o autodomínio, senhor… –ela comentou maldosa, sorrindo, antes de tomar um gole de leite.
_Ah, não me venha com reprimendas, prima, que você é afeiçoada àqueles parvos! Está cega! –Decker descartou as palavras dela, acusando-a, mastigando a torrada bruscamente, e ofegando.
_Queira se acalmar, meu primo! –ela pediu mais intensamente, sorrindo para ele ameaçadora de repente. –Se aquiete, senhor. Sabe bem que eu admiro muito os "Formidáveis"; minha admiração não vou esconder, tenho gosto pela habilidade que aqueles rapazes demonstram.
_Você me trai!
_Não se acalore mais, já basta! –ela ia falando cada vez mais dura com ele. –Te dói o olho acertado?
_Não!
_Então não há por que tanto incômodo, o senhor pagou pelo risco que correu! –ela explicou simplesmente, não levava a sério o modo histérico dele. Sabia que desafiar Heero era como colocar a mão dentro da boca do lobo.
_Mas me dói o orgulho, o brio ferido lateja febrilmente! –ele disse exasperado e gesticulou batendo no peito, irritado com o descaso dela, com os sorrisos suaves dela. Sabia o que ela tinha em mente, os elogios a Heero que iam surgindo.
_Não, não há motivos para se sentir assim! O senhor tem confiança em sua vitória, não é? –ela o questionou então. Decker a olhou por um longo tempo, e depois assentiu como um animal arisco, os olhos verdes brilhavam intensos contendo a raiva. E ele tomou um suspiro pesado, e aos pouco serenou. –Por favor, vamos, esqueça tudo isto, a noite já se tornou manhã, não sofra mais por ela! E agora te peço, por favor, me faça saber o que planeja para hoje, meu senhor brilhante.
E depois de meditar mais um pouco, ainda inconformado com o olho roxo, Decker suspirou outra vez e sorriu astucioso finalmente, os olhos brilhavam mais de repente, de maldade.
_A prima vai se agradar, eu sei… Peço-lhe que vá hoje almoçar com a princesa, se ela lhe conceder a honra. Por favor, seu trabalho é importante, vai apresentar as minhas intenções de enlace com ela, confio no teu poder de persuasão.
_Oras, meu primo, sabe bem que a princesa é muito resoluta quando aos ideais dela…
_Mesmo assim, vai e fala tudo a ela com suas palavras amaciadas, prima, e creio que sua flecha há de atingir, se não o centro do alvo, qualquer parte dele que me garanta boa pontuação.
_Tudo pelo senhor, meu primo… –ela comentou, mesurando a cabeça com um sorriso de prazer e ela apanhou a mão dele e beijou.
_Hoje vou justar contra um daqueles desprezíveis… Ah! Criado! Criado! –ele gritava irritante, demandando que o criado soubesse como se materializar instantaneamente diante dele. Quando o rapaz chegou, ofegando, olhou Decker assustado. –Lucifer já está pronto? –e o menino assentiu. –Minha armadura está lustrada?
_Não totalmente senhor, são ainda as primeiras horas desde o amanhecer…
_Sem desculpas! Vá logo terminar isto! E quero minhas lanças todas preparadas antes do almoço também!
Dorothy ia tomando o desjejum, e nem ouvia Decker importunar o garoto com seus pedidos e ordens. Ela estava habituada, e sorrindo consigo mesma, tomando leite, ia segredando o veneno a ser usado na hora do almoço com a princesa.
Para Dorothy, o interessante naquela trama não era que sua família ia alcançar um poder maior, que Decker seria satisfeito pelo menos por um tempo e que ela ia gozar de mais prestígio e luxo. Não, o que a aprazia mais era saber que por meio desta trama teria o privilégio de ver os rapazes "Formidáveis" agirem, exibindo toda a exímia habilidade deles, porque ela amava a batalha e os homens que tomavam parte dela. Ela se deleitava em ver cavaleiros excelentes emanando vigor durante árduas lutas, longos combates. Respirar o ar que eles respiravam, intenso, carregado de tensão, ver os destroços pelo campo de batalha, tudo era agradável para ela.
E enquanto ela alisava o cabelo, ria-se internamente da improficuidade do primo insaciável. Não podia rir na frente dele, mas era patético o barulho que fizera por causa de um olho roxo. Decker sempre fora muito exagerado em tudo, e ela sabia como ele desprezava e invejava os "Formidáveis" e era desgraça para ele ter sido prejudicado por um. Mas ela derivava prazer nisto, era agradável para sua alma saber que Sir Heero se mostrava um cavaleiro de força potente e preparação, e desejava em mente poder ter visto tal briga tola de moleques.
_O que vai a prima fazer agora cedo? –Decker dispensou o rapazinho com uma dúzia de ordens a serem executadas antes do almoço e virou-se para a prima.
_Não sei bem, que horas começam os duelos de espada?
_Ás oito horas. Hoje é a etapa final. –Decker informou, arrancando um grande naco de pão.
_Oh, anseio muito assisti-los! O senhor brilhante me acompanha?
_Temo que não.
_E o que o senhor vai fazer agora então? –ela por sua vez indagou sagazmente e Decker não expressou nada.
_Tenho outros assuntos a resolver, a prima sabe bem. –ele disse com um ar suspeito, olhando-a maldosamente. Dorothy gargalhou elegantemente, olhando-o debochada, e escorria malícia do sorriso dela como veneno. Decker nem sempre gostava da força que Dorothy tinha ao sorrir daquela forma, até ele sentia calafrios às vezes, e suspirando, ele tirou os olhos dela e retornou a tomar o desjejum.
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Akane chegou na mesa do café onde só Heero estava sentado. Os olhos frios dele não se voltaram para ela, que se sentou diante dele, sorrindo contida. E quando finalmente ele olhou para ela, não disse ou expressou nada e deitou a cabeça na mesa, dirigindo-lhe o mesmo olhar feroz de sempre. Ela suspirou, e esticou-se, resmungando um pouco.
_Onde estão os outros? –ela perguntou, olhando-o e parecendo preguiçosa.
_Não sei. –respondeu meneando a cabeça deitada sobre os braços cruzados.
Akane assentiu, apoiando o queixo na mesa com a mão, e olhou o lado oposto enquanto tomava leite. Estava séria naquela manhã, Heero sentia. Era com se ela estivesse se poupando para algo, concentrando-se, apesar de nunca parecer preocupada.
_Vou justar contra Decker hoje. –comentou depois, displicente, e Heero ergueu as sobrancelhas, a única coisa que se movimentou em seu rosto. Ela ergueu-se só um pouco da mesa. –E você? Quem vai pegar?
_Se eu vencer Trowa, terei de justar contra o Random. –explicou rouco, olhando-a com atenção. Ela assentiu outra vez, e terminou de beber o leite.
_Olha, eu não vou dizer que vou torcer por você, já que vai ser desconsideração com o Trowa, mas você sabe… –ela disse depois, sorrindo meiga e espevitada, e ele abriu um sorriso malicioso, meneando a cabeça para ela. –Agora tenho de ir. –informou de supetão, erguendo-se de seu lugar e ele não disse nada, apenas a seguiu com os olhos até não poder mais, sem levantar a cabeça da mesa.
Ele suspirou pesado, e logo depois os outros cavaleiros chegaram, mas ele trocou poucas palavras com os demais rapazes "Formidáveis". Estava cada vez mais difícil para Heero resistir, ele se fazia fechado enquanto tudo nele se abria – sua mente e seu coração, seu espírito. Ele olhou os rapazes sentados com ele, aqueles que agora ele tinha de chamar de companheiros. Ele sabia que precisava chamar cada um assim, mas o motivo, como sempre, não fora explicado. Talvez ele apenas não quisesse ver aquele motivo, mas agora havia muitas coisas que ele desistira de ver e procurar, e entender e questionar. O mais curioso de tudo era que isto fazia a vida ter menos sentido ainda, porque não queria saber por que sentia o que sentia, o que ele queria ele não sabia explicar, e tudo ia passando por ele ainda mais exausto e sem esperança. A confusão de sua mente o desesperava e por isto ele perdera o interesse em justificar tudo em sua vida transformada. Parecia que ele estivera sentado ali naquela mesa com aqueles rapazes debaixo daquele Sol glorioso a vida inteira.
_Agora é quando o torneio se intensifica… –Quatre lembrou, enquanto conversavam. Estavam na fase final, e aquela seria uma bem emocionante.
Dos trinta e dois cavaleiros que justaram naquela segunda fase, apenas dezesseis ficariam. Destes dezesseis seriam selecionados aqueles que passariam para as oitavas de final, até que sobrassem apenas dois cavaleiros. Só os melhores prevaleceriam, mas os "Formidáveis" já estavam acostumados com aquela frase, e também com aquela condição.
Poucos eram iguais a eles, até mesmo os "Magníficos" guardavam reverência por eles, reconheciam uma certa sucessão. A ordem dos cavaleiros "Magníficos" era praticamente acabada, não havia tantos integrantes dela que possuíam ainda possibilidade de duelar. Alguns haviam envelhecido, outros precisaram assumir responsabilidades que consumiam todo seu tempo e outros descansaram no sono da morte. Por isso, os "Formidáveis" era o que havia de melhor na atualidade, o que melhor representava a habilidade e virtude de um verdadeiro cavaleiro.
_Muitos duelos decisivos vão ser travados hoje, é necessário que estejamos prontos. –Duo disse depois, calmamente, e Quatre assentiu, e depois disto eles começaram a discutir os próximos adversários, trocando opiniões e também conselhos.
_Existe algum palpite sobre quem irá vencer o torneio? –Trowa perguntou astutamente, olhando os companheiros felino. Por um momento todos guardaram silêncio.
_Por que você não começa palpitando? –Wu Fei sugeriu com certa arrogância e Trowa o olhou cético.
_Eu não acredito que já seja possível afirmar com certeza o vencedor do torneio. Ainda existem muitas classificações a serem feitas, muita coisa pode mudar até a final. –Quatre foi dizendo calmamente, pensativo. –Tudo sempre foi tão imprevisível.
_Muitas surpresas estão sempre de tocaia, não se sabe certamente o que esperar. –Duo disse com olhos maliciosos e Heero o olhou e suspirou pesadamente.
Todos tinham a esperança de ganhar, mas ninguém queria dar uma opinião. Não sabia se isto era humildade ou soberba da parte deles.
_Me deixem ir que hoje é a final do duelo de espadas. –Trowa murmurou depois, levantando-se, e ninguém se despediu. E não demorou muito tempo para eles saírem da mesa e voltarem para as preparações para seus duelos.
Heero não tinha mais o que preparar, além de Wing, mas depois de preparar o cavalo, vestindo-o e armadurando-o, e tendo o levado para uma baia nos bastidores da arena principal, sobrou-lhe um período livre antes do almoço e ele foi caminhar. O litoral estava vazio, o vento levantava apenas um pouco de areia, e Heero foi caminhando, olhando o horizonte ao seu lado, perdido lá onde acabava o mar aos seus olhos, a água brilhava a cada onda, como se estivesse repleta de diamantes lapidados.
Heero olhava a passividade das águas e a constância das ondas, andando solitariamente a esmo, esperando o momento de terminar logo sua justa contra Trowa. Já esperara demais por ela. Não estava ansioso, mas sim impaciente, quase entediado de tanto esperar. Aconteceram coisas demais até aquele momento e ele queria que elas cessassem, que aquele torneio acabasse, para que mais uma parte da missão cíclica dele se encerasse, e mais uma etapa do duelo infindo fosse eliminada.
Sem perceber, chegou onde Akane tinha instalado o balanço, que ainda estava lá, balançando sozinho preso aos galhos. Ele acabou se sentando, e ficou olhando o oceano volumoso ir e voltar, como se bailasse um passo de quadrilha. Tudo era tão azul, ele não sabia bem onde começava o mar e acabava o céu, tudo parecia ao alcance de sua mão. Era uma infinidade majestosa que o fazia lembrar-se de vida, um infinito vazio nunca a ser preenchido, uma infinita batalha nunca a ser vencida. Ele não sabia ter pensamentos felizes ou otimistas, tudo que Heero podia meditar era em sua vida insignificante e na pobreza de seu espírito. Mas não lamentava, apenas constatava a realidade e se preparava para o próximo passo. Mais uma batalha importante se avizinhava, ele não poderia jamais hesitar. Era a missão dele, e ele não ia fracassar. Ele seria o vencedor, e nem a vida o ia derrotar e por isso seu duelo prosseguiria infindo até o final, quando ele não possuísse mais força para se levantar.
E depois de muito tempo sentado ali, mexendo na areia com os pés, olhando o mar brilhando e as gaivotas voando, ele voltou para o acampamento, só para ouvir o anúncio do almoço. Eram onze horas.
Já estavam quase todos lá quando chegou, faltava Trowa ainda. Heero sentou-se para tomar a refeição, em completa reserva, e Laurell passou por eles e encostando-se ao ombro de Heero, provocou sorridente:
_Como está a expectativa?
Heero apenas o olhou:
_Desencoste.
Laurell ergueu as mãos inculpe, e olhou os outros rapazes ali.
_Que bom que vocês escaparam dos guardas ontem… Os cavaleiros presos foram repreendidos e não poderão participar desta etapa…
_Isto não é tão mal. –Wu Fei disse maligno. –São menos adversários no nosso caminho. –e ele tinha olhos imperativos ao dizer isto.
Laurell se perguntava que sorte de ordem cavalheiresca era aquela. Quatre o olhou e sorriu sem graça, para suavizar a situação. Depois, Laurell foi embora, encontrar Gracchus e Random, olhando para os "Formidáveis" sobre o ombro, inquieto. Não gostava muito do modo deles, eram calados demais, sérios e rudes demais…
_Eis, lá vem o Trowa! –Duo anunciou, vendo o companheiro ao longe, parecia que ele carregava alguma coisa, e ao chega até os rapazes, colocou na mesa um troféu brilhante de ouro puro. E não disse nada, ficou apenas se exibindo, olhando os companheiros do alto de sua estatura elevada.
_Oh, parabéns, Trowa! –Quatre congratulou, sorrindo brilhantemente.
_Ah, vai ser metido assim em outro lugar! –Duo importunou risonho, desdenhando o troféu de Trowa, que não falava nada. –Olhe, os "Impressionantes" ali vão amar babar no seu troféu…
Trowa acabou olhando feio para Duo, que gargalhou maligno e saiu devolver o prato. Trowa estalou os lábios depois e foi buscar um prato de comida, deixando o troféu na mesa.
_Que habilidoso ele é! –Quatre ainda disse contente.
_O ouro parece bom, vamos derreter e vender! –Wu Fei desdenhou sarcástico, e Quatre o olhou assustado, mas Heero riu disfarçadamente:
_Não é má ideia!
_Você dois são muito maldosos. –Quatre os repreendeu, olhando-os seriamente, mas nenhum dos dois se importou.
_O que a Catherine achou dele, Trowa? –Duo veio provocando o amigo e Trowa o olhava desgosto, mas Duo ria bom rir, despreocupado.
_Pára com isso. –Trowa exigiu e se sentou finalmente.
_Ah, conta aí… aposto que um troféu deste faz sucesso com as garotas! Quem sabe eu ganho um ainda, hein? –e acotovelou Trowa que por fim sorriu sagazmente.
_Acho um tanto difícil…
_Ah, agora você me humilhou, cara! Agora você me humilhou! –Duo comentou fingindo-se quebrantado, rindo-se e afastando-se da mesa.
_Sir Trowa Barton, minhas sinceras congratulações. –e todos ouviram uma voz maravilhosamente linda e elegante dizer felinamente ás costas de Trowa. Quatre e Heero já podiam ver de quem se tratava. Era uma moça alta e branca como o leite que bebiam, os cabelos loiros platinados pendiam numa trança elaborada. Atrás dela estavam uma moça e um rapaz vestidos de preto, com os capuzes das capas levantados, deviam ser sua ama e seu guarda. Estava na cara que ela era uma nobre rica.
Trowa virou-se, limpando as mãos nas roupas, terminando de mastigar, e ela sorria com delícia, os olhos enevoados o encaravam absorvendo-o, era uma sensação inquietante.
Ele assentiu em agradecimento, olhando intrigado para aquela moça vestida de nobre usando uma capa azul-marinho. E ela sorria mais, sem dizer mais nada.
_Qual é a graça da milady? –Quatre pediu, a gentileza mascarava a espreita dele.
_Sou Lady Dorothy Catalonia dos Romefeller. –e mesurou graciosamente, mas havia algo nela que lembrava os movimentos sinuosos de uma víbora. Ela não tinha o mínimo temor de se identificar uma Romefeller, e olhava os rapazes como se sua dinastia fosse motivo de orgulho extremo.
Heero olhava aquela moça com a prepotência que dedicava a qualquer desconhecido, e Wu Fei não gostava da presença dela ali. Se achava Akane abusada, então aquela lady era inconveniente e muito pior.
_Eu admiro muito a eficiência de vocês, milordes. –e mesurou outra vez, a voz dela era suave e misteriosa assim como seu olhar.
_Você é a senhorita prima de Conde Decker Evangeline, imagino. –Trowa murmurou depois com descaso, e ela assentiu sorrindo.
_Sim, isto mesmo, milorde. Agora, peço que me desculpem, pois preciso ir, tenho um compromisso. –ela mesurou uma terceira vez e saiu seguida pelos servos.
_Já vai tarde! –Wu Fei exclamou para si mesmo, e depois olhou os rapazes ali, sentindo-se irritado por causa da abordagem inesperada de Dorothy.
Dorothy foi caminhando apressadamente pela área do refeitório, tinha dez minutos para estar no palácio. Ela já havia tratado com Relena durante os duelos, conseguindo aquilo que Decker pediu, e dali dez minutos estaria sentada com Relena numa mesa de refeição. E ao entrar na carruagem, dispensando a ama e o guarda, sorria beirando o maquiavélico, mas parecia sempre contente.
_Ah, Princesa Relena, você não vê como vai mudar a sua vida. –comentou consigo mesma, a caminho do palácio.
Relena acabara de sentar numa poltrona, e olhou Noin com seriedade:
_Não estou gostando muito disto, Noin. Não entendo o que Dorothy pretende em pedindo para almoçar comigo.
_Acautele-se. Dorothy é tão confiável quanto Decker. –Noin aconselhou, sem parecer preocupada, porém.
_Eu sei. Mas tive de aceitar o pedido dela, não quero passar por desagradável nem quero repercussões perigosas.
_A Alteza faz muito bem. Apenas quero saber tudo o que aconteceu neste almoço depois, certo? –Noin piscou com um olho divertidamente para Relena depois de mesurar. –Vou esperar Dorothy, Alteza.
Relena assentiu, e ergueu-se da poltrona. Movimentou-se pelo quarto, arrastando o vestido cor-de-rosa e a capa branca, até que se sentou diante da mesa posta no seu quarto com uma porção da refeição que Zechs ia tomar sozinho na sala de jantar.
Ele nada comentara sobre o pedido de Dorothy nem sobre a disposição de Relena, apenas sorriu debochado, como um verdadeiro irmão mais velho.
Noin caminhava pelo corredor ladeando o jardim, e entre as pilastras via que a carruagem de Dorothy chegava ao pórtico. As trombetas já a vinham anunciando, e por isso, Noin apertou o passo para ir receber a lady. Um criado fez a lady descer, e com os olhos ela procurou Noin no pórtico.
_Saudações. –Noin exclamou, aproximando-se velozmente, recebendo Dorothy sem mesurar.
_Olá, senhorita Noin. –Dorothy ronronou, olhando a ama diretamente.
_Siga-me, por favor. –Noin disse calma e séria e saiu caminhando na frente Dorothy a seguia levantando uma parte do vestido. E logo estava no interior dos aposentos reais.
Relena se levantou quando a porta abriu e Noin a olhou inexpressiva enquanto Dorothy tinha muito para expressar. Relena ficou calada, com os olhos sóbrios parados em ambas e as mãos juntas.
_Boa tarde, Alteza. Perdão se me atrasei. –Dorothy pediu com uma exagerada mesura, devota.
_Não, não se preocupe; por favor, tome assento. –Relena convidou, mostrando a mesa com um gesto.
Noin apenas assistia a cena como ausente, e viu Dorothy agir de acordo com o convite e sentar-se.
_Creio que a Alteza está tendo um bom dia. –Dorothy apenas comentou.
Relena assentiu e sentou, e depois dirigiu o olhar para a ama:
_Pode ir, Noin. Se for necessário, eu lhe mandarei chamar.
Noin mesurou com a cabeça e saiu fechando a porta.
Relena olhou Dorothy e abriu um sorriso tranquilo, e Dorothy lhe olhou felinamente, provocando intrigas. Relena já estava muito incomodada e ansiosa, mas anda demonstrava, e aquele olhar era ainda mais alarmante. O impressionante era, porém, como Relena sabia tudo disfarçar e suprimir, agindo cordial e natural como se nada a preocupasse quanto à presença de Dorothy.
_Existe algum assunto especial te trazendo até mim neste momento, Lady Dorothy? –Relena indagou sugestiva, enquanto começava a tomar a refeição.
_Para ser franca com a Vossa Alteza, existe sim.
_E o que é? –Relena disse, mostrando uma curiosidade moderada, olhando felina com seus olhos azuis luminosos para Dorothy.
_Um assunto muito importante que tem que ver com o futuro seu e do seu reino. –Dorothy explicou, fazendo parecer uma coisa empolgante.
_O futuro? Explique-se.
_Alteza magnânima, a senhora sabe que há a necessidade de que tenha um bom partido para se casar. –Dorothy comentou, a voz suave e risonha.
_Sim, o que não diz respeito algum a você. –Relena redarguiu firme, sem perder a compostura.
_A questão é que isto me diz respeito, na verdade.
E Relena olhava Dorothy insensível, ouvindo, mas não gostando nada do que esta lhe tinha a dizer. O som da voz de Dorothy nunca mudava, prosseguia numa constância suave e inebriante, o que fazia Relena guardar muitas reservas.
Dorothy tinha a capacidade de dizer tudo sorrindo como uma cobra traiçoeira, e ia degustando a refeição exibindo o primor da etiqueta, pois fora muito bem educada. Trocava com Relena olhares dúbios, sem nada entregar, apenas sempre sorrindo, aparentando contrafeita.
_Vossa Alteza merece apenas o melhor, bem como o seu reino.
_É melhor chegar logo ao que importa, Lady Dorothy. –e a firmeza da voz de Relena aumentava, embora sempre parecesse educada.
_Deveras. Venho da parte de meu primo, Vossa Alteza, e ele tem uma proposta tentadora a fazer. Ele tem a disposição de unir-se a ti através de um matrimônio honroso.
_O quê? Quer dizer que você veio até aqui para me dizer isto? –Relena se fez contrariada, mas ainda assim parecia apenas assustada.
_A senhora não concorda, Vossa Alteza, que Conde Decker meu primo é o melhor partido disponível? –Dorothy fez a indireta com ar inocente, olhando Relena sempre com uma serenidade invejável. –Eu sei que o gênio dele pode ser um tanto imprevisível e impetuoso, mas é um rapaz muito bem parecido, ilustre e de posses.
_Como pode vir aqui para este propósito, Lady Dorothy? –Relena disse consternada, olhando a lady com receio, as sobrancelhas curvavam tensas.
_O que há de mal, Vossa Alteza? Meu primo apenas lhe pede que aceite as vitórias que ele te dedica, e os flertes, firmando um compromisso para ser a sua dama. –Dorothy disse como se não houvesse vida melhor a ser desejada, como se Relena não pudesse resistir àquela proposta. Mas lia nos olhos da princesa a desaprovação, e não deixava de sorrir. Sempre soube que seria daquela forma e isto a divertia mais.
_Não vejo vantagem alguma nisto. E além do mais, não é a mim que cabe esta decisão. Decker deve falar no mínimo com meu irmão.
_Mas é fato que o Príncipe Zechs vai aprovar. Alteza, não percebe que este casamento pode ser o fim da inimizade?
_Apesar disto, não me convenço das intenções de seu primo. –Relena já se mostrava aversiva, olhando Dorothy com uma centelha de resistência.
_Alteza, Decker quer estabelecer uma relação de paz com Sanc, e além do mais, tem sentimentos pela senhora, não o trate com tanto descaso, ele é certamente o melhor pretendente para ti.
_Não acredito. Como Decker pode fazer estas coisas? Quem ele pensa que é? Por que ele acha que pode resolver o que é o melhor para mim e me possuir como se eu fosse um bem que se adquire num simples contrato vitalício? Sou mais que isto! Sou a princesa, ele deve respeito a mim! Que audácia! –a voz que saia de Relena era decidida e concentrada, embora elegante e madura.
Ela estava muito estarrecida, já nem comia mais de tanto pasmo e olhava Dorothy que nada parecia de diferente. Sorria enquanto se alimentava, sem mostrar perceber o ultrajo da princesa.
_Sinto muito se estou a desagradar Vossa Alteza. Só vim declarar humildemente as sinceras propostas de meu senhor brilhante. –Dorothy disse como se pedisse desculpas, indicando as melhores das impressões.
_Não acredito e isto não me apraz de qualquer forma. Como pode Decker achar que me casaria desta maneira? Não sinto firmeza ou sinceridade nos pedidos dele, e tenho de duvidar de seus sentimentos. –e a princesa foi firme e dura mais uma vez, a voz saindo imperiosa finalmente.
_Compreendo, Vossa Alteza. Acredito que haja outro na frente de sua lista, um que lhe agrada e lhe é atraente, mostrando-se mais adequado. Não te condeno. –Dorothy disse sugestiva, como se soubesse mais do que devia, e sorriu maliciosa e dúbia, fazendo Relena se ultrajar.
_Do quê pensa estar falando? Não, agora você se excedeu! Dorothy, quero que vá embora.
_Vossa Alteza, peço encarecidamente que, apesar de sua contrariedade, pense no que Decker lhe propõe.
_Não, não penso! Já decidi que não aceito mesmo que me obriguem. Não posso confiar, não sinto firmeza no que me pede! Por que não veio ele mesmo tratar este assunto, tratá-lo em presença de meu irmão?
Dorothy a olhava séria e impaciente, sem entender o motivo da desconfiança e ultrajo de Relena.
_Eu pensei que a senhora quisesse a paz entre nós.
_Sim, mas não deste modo! Esta paz é somente um pretexto para Decker! Ele não a trata honrosamente e não a preza ou pretende manter, eu sinto! Não sou uma tola, Lady Dorothy. Já está decidido, informe a ele que não aceito e não me agrada em nada os pedidos dele. Que indecoroso! Se realmente deseja tudo o que a senhorita me apresentou, aja ele de acordo, venha e trate o assunto com meu irmão. –Relena disse depois, explanando fervorosamente seus motivos, desagradada e insultada, olhando Dorothy fixamente.
Dorothy sempre esperou esta reação de Relena, e por isso sorria aparentemente sem causa, como uma tola, aprazida. Gostava da força de caráter exibida por Relena, a resistência e o apego aos ideais. Eram admiráveis, e esta resolução da princesa fazia com que Dorothy gostasse ainda mais dela.
_Perfeito, Princesa Relena. –Dorothy concordou deleitada, olhando Relena.
_Agora peço que se retire, me amofinaste demais. –Relena demandou exausta.
_Sim, Princesa Relena. –Dorothy soltou os talheres e tirou a toalha do colo, levantando-se, e sorria maligna.
_Um guarda a levará até sua carruagem… –Relena comentou, e não olhava Dorothy partir.
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Depois que Noin deixou Dorothy nos aposentos de Relena, ela desceu para ir até a cozinha e resolveu atalhar pela sala de jantar.
_Senhorita Noin… –logo escutou Zechs dizer e mesurou para ele, sorrindo. –Lady Dorothy já está aqui?
_Sim, Alteza, acabou de chegar.
_Você sabe, me atiça a curiosidade porque aquela Romefeller quer ter com minha irmã.
Noin conteve-se para não rir. Achava Zechs tão burlesco, mas tão sério e charmoso ao mesmo tempo. E ela manteve-se em silêncio, sem querer dividir com ele suas inquietações.
_A senhorita poderia pelo menos me fazer companhia. Este almoço é demais para mim e fica muito menos deleitoso sem uma companhia… –havia malandragem na voz dele e finalmente Noin cedeu a rir.
_O príncipe me pede para almoçar? –ela quis esconder o deslumbramento.
_Oh, como é perspicaz, senhorita Noin! –ela brincou provocando-a e ela o olhou feio, mas divertidamente.
_Ah, é um privilégio que não sei se posso aceitar. –ela disse corando um pouco, abaixando os olhos, lisonjeada.
_Eu sou o príncipe, não sou? E por isso, digo que você pode! Me obedeça: sente-se e se sirva!
Noin riu mais e, vagarosamente, ela foi até a mesa e serviu-se tranquilamente e se sentou numa cadeira à esquerda dele. Zechs achava o riso dela lindo. Gostava como os olhos dela se entrefechavam meigamente, e toda a face dela brilhava de um modo muito especial. Nunca tinha observado nada igual.
_Não te preocupa este súbito interesse dos Romefeller por nós, por Relena? –ele buscou a opinião de Noin, ciente de que ela tinha Relena numa estima muito elevada.
_Sim, muito. É algo anormal. Eles são nada confiáveis e muito astutos. –ela disse séria e concentrada, pensando em seus receios.
_Acho interessante como não tomaram nenhuma ação ofensiva para conquistar-nos. Decker está preparando algo, aquele duelo foi apenas um prenúncio. E, adicionando a todas as turbulências que aconteceram nestes últimos dias, temo pelo que nos espera. –Zechs depois disse preocupado, suspirando. Roubo de cavalos, ataques a viajantes, não passava um dia em que a guarda não reportava um incidente contra a segurança pública.
_Concordo com Vossa Alteza. Temo por Relena especialmente. –Noin adicionou.
Zechs apenas assentiu e ficou silencioso, pensando preocupado.
_É uma pena que o torneio se aproxima do fim. –Zechs demorou em comentar, e Noin prestava atenção nele embora evitasse olhá-lo. –Foram ótimos dias estes… –e sorriu, suavemente, havia algo tão nobre e puro nele que Noin lembrou-se de Relena.
_O senhor sente muita falta de seus duelos, não é?
_E como, senhorita Noin! Eram muito divertidos e agradáveis! Sempre os tratei como queridos e importantes, vivi experiências únicas durante minhas viagens.
_Deve ter sido realmente incrível, conhecer o mundo, ver novas paisagens e pessoas, enfrentar perigos… –ela disse com um ar sonhador, como se desejasse poder fazer isto também. Mas não foi como Relena, melancólica, mas sim alegre, feliz por ele. Zechs sorriu, achando interessante o comentário dela.
_Você desejaria viver estas coisas? –e quis saber, instigado pelo comentário anterior.
_Acho que sim.
_É necessário um espírito muito lutador e resistente para isto, mas não tenho dúvidas de que você o demonstraria.
_É uma pena que esta oportunidade não me será apresentada nunca. –ela disse conformada, olhando-o serena.
Ele não tinha certeza de que ela era triste por aquilo e a olhou fixamente até perder o foco da visão. Mas ela prosseguiu almoçando, silenciosa, quase sem notá-lo.
_Eu já lhe agradeci por tudo que tem feito por Relena?
_Não, Alteza, e nem precisa. Apenas estou cumprindo meu papel.
_Você o cumpre bem demais e merece agradecimentos. Sou feliz por tê-la aqui, sua presença é inestimável.
_Obrigada… –ela disse impressionada, quase sorrindo, encantada pelas palavras dele.
_Não gostaria de imaginar como Relena estaria sem você, sei que ninguém se dedica a ela como tu, e eu te agradeço por cuidar dela melhro do que eu o faria. –ele disse depois, nem prestava muita atenção no que falava, olhando Noin, apenas enxergando ela. –Também devo admitir que não sei como estaria eu sem você.
E ela riu depois, calmamente, achando-o patético, e ele sorriu depois contido, como se de repente se encabulasse.
_Eu confio em você. –ele a olhou e murmurou ao passo que Noin sorriu comovida diante disto, olhando-o insistentemente sem saber se devia, esquecendo um pouco o mundo em que vivia.
_Não sei o que dizer. –ela quase tropeçou nas palavras, querendo baixar o olhar, mas sem conseguir.
_Não fale nada. –ele apenas pediu, olhando-a também, hipnotizado por ela, sorrindo tolo, apenas querendo ficar fitando-a pela tarde afora. Ela era tão bela, ele não sabia parar de admirá-la. Era como uma peça de arte clássica, os olhos tão serenos, o sorriso suave, a pele branca. Havia algo no jeito de ela olhá-lo, meio baixo, que era simplesmente fascinante. Havia algo escrito nos olhos dela que ele não sabia decifrar e aquilo o atiçava a prosseguir olhando-a, até que pudesse desvendar qual era o segredo daquela moça que lhe passava tanta paz, mas ao mesmo tempo tanta força.
Devagar, ela tirou os olhos dele, e ficou pensando, admirada, no que estava fazendo ali, aos poucos se arrepiando, incerta de que o que acontecia era correto. Zechs era um rapaz tão bonito, ele tinha um espírito tão jovial e brilhante, poderoso e cativante, que ela às vezes não sabia se segurar diante do que sentia por ele, embora não entendesse a profundeza deste sentimento. Tinha medo em alguns momentos de se mostrar sem compostura, e ser carregada por algum impulso que a fizesse exceder-se. Mas seu coração batia tão acelerado quando com Zechs, e ela gostava tanto de como ele batia!
_Nem que eu quisesse, eu conseguiria. –ela murmurou depois, olhando-o mansamente. Mas por mais que temesse agir de um modo impróprio, sempre se comportava da melhor maneira, a mais atraente.
E olhando a moça ali com ele, Zechs perguntava-se se algum dia encontraria uma dama, alguém como Noin, tão linda e leal como ela, tão deleitosa. Pois ele achava que só uma mulher assim havia de completá-lo e tornar-se o alvo de sua dedicação. E quanto mais assistia a moça comportar-se mais ele se convencia de que alguém como ela era-lhe o adequado.
_Perdão se lhe roubei as palavras, mas precisava fazer-lhe saber destas coisas. Quero que saiba que te prezo. –ele disse depois, meio como se se desculpasse, e ainda adicionou outro elogio, acreditava no benefício de congratular um bom trabalho.
Ele não poderia ser menos encantador.
Um soldado entrou na sala, e aproximou-se de Noin:
_Venho avisar que Lady Dorothy deixou o palácio.
_Eu lhe agradeço. –ela disse depois, assentindo. O soldado bateu a continência e foi embora. E depois Noin olhou Zechs como se quisesse lhe comunicar algo. Mas ele a olhou de volta, tranquilo, como se o mundo fosse exatamente do modo que ele desejava, tão simples.
Boa noite!
Aproveitando a folga para atualizar. Espero voltar ainda essa semana para postar mais um capítulo e recuperar o tempo perdido.
Capítulo dramático esse, texto de novela mexicana, diálogos exagerados. A melhor cena é a de Zechs e Noin.
Espero que estejam gostando e desconsiderem alguns pormenores.
Deixem comentários.
Beijos e abraços!
27.12.2016
