Capítulo 20 - A Magia Extrema.
Pansy Parkinson estava diante de Hermione e, silenciosa, olhava para os olhos da grifa, enquanto ainda a prensava contra a parede, como quem tenta tomar uma decisão rápida. Hermione tentou falar, mas a loura apertou mais o seu pescoço com o braço, deixando a grifa impossibilitada até de respirar. Hermione tentava de tudo; afastá-la com magia, empurrá-la com um chute, aliviar os músculos do braço ou até mesmo desaparatar dali, mesmo que fosse impossível. Pansy, no entanto, era incomparavelmente mais forte, não só fisicamente, mas também em relação à magia; dentro de si, carregava o próprio sangue mágico e, desde a batalha de Hogwarts, também tinha nas veias a carga de magia de Severus Snape, que, sabendo que logo teria de morrer, deixara o que tinha de mais bonito para Pansy. O que Hermione nunca entendeu, porém, fora o motivo para que ele tenha feito tudo isso; quem era Pansy na vida dele, afinal? Por mais forte fosse a relação aluno–professor entre os dois, era incomum ver algum bruxo arriscar quebrar um equilíbrio da natureza para deixar o sangue mágico a alguém.
– Pan...sy… – Hermione tentou chamá-la. – Preci…so… respir-
Pansy afrouxou um pouco o modo como apertava o pescoço da garota até que a deixou livre. Em seguida, ela respirou fundo e, embora não pudesse esconder, tentava não deixar que Hermione percebesse as lágrimas que escorriam.
– Pansy, não cho-
– Me deixe em paz. – a loura a cortou; sua face estava mais pálida do que nunca e Hermione teve a impressão de que seus olhos já não pareciam mais tão cinzas…
Pansy não disse mais nada; apenas saiu correndo pelo corredor escuro e desapareceu da vista da grifa, que sabia que ir atrás só deixaria a loura mais irritada. Perdida, Hermione apenas pensou num lugar que pudesse ir e tentou não se desesperar de preocupação com Parkinson. Aproveitando que estava sozinha, ela tirou a varinha do bolso e apontou para o vazio.
– Expecto Patronum!
O fio de luz prateada deixou a sua varinha, mas logo se apagou. Hermione não estava se esforçando o suficiente. Sua lembrança, desde a batalha de Hogwarts, fora o primeiro beijo que dera em Ron depois que Voldemort foi derrotado. Hermione mentalizou de novo a sua lembrança e tentou mais uma vez:
– Expecto Patronum! – ela disse com mais firmeza, apontando a varinha para o ar
Nada aconteceu. Com pouca paciência, ela tentou pensar, rapidamente, em outra lembrança feliz. Após alguns minutos de insistência, lembrou-se da breve sensação de pavor que sentiu ao ver Harry morto nos braços de Voldemort e, em seguida, sentiu um aperto no peito assim que pensou no momento em que ele saltou dos braços do bruxo, vivo e duelando.
– Expecto Patronum! – ela aproveitou o embalo de relembrar aquelas sensações momentâneas.
Finalmente, da ponta da varinha uma luz prata deslizou e formou uma lontra no ar.
– Ok. Certo. – ela disse à lontra silenciosa que a observava. – Preciso encontrar Harry. Encontre-o num momento em que ele esteja sozinho e, por favor, peça que ele me encontre em Hogsmeade urgentemente! Mas que me avise com antecedência quando ele estiver vindo. Eu não tenho permissão para deixar Hogwarts e preciso planejar um modo de sair.
A lontra, obediente, assentiu com a face e desapareceu no ar. Hermione não tinha mais o que fazer a não ser ir à Comunal, ainda mais porque perdera a próxima aula naquela confusão de Pansy. A caminho, entre os corredores vazios, antes mesmo da grifa atravessar as escadas, ela fora surpreendida com uma luz prateada que surgira da janela de um segundo para o outro. A bola de luz, de imediato, transformou-se em um imenso cervo, e ela chegou a se assustar com a rapidez que fora respondida. O cervo, após tomar forma, falou brevemente com a voz de Harry:
– Estou a caminho. Preciso que você vá a Hogsmeade agora ou eu terei de voltar! Consegui despistar Ron, mas só por uma hora. Aguardarei no Três Vassouras.
Hermione deu meia volta; aproveitou que a capa já estava em mãos e a colocou sobre o corpo, torcendo para nenhum pedaço da sua mochila ficar de fora do feitiço oculto. Com certeza seria esquisito demais ver uma mochila passeando por Hogsmeade. Ela não demorou a rumar de uma vez para a saída do castelo, que estava sendo vigiada por Filch. Aquele era o menor de seus problemas. A grifa apenas colocou a mão na boca para abafar o som e sussurrou "Confundus", aproveitando o exato momento em que Filch parecia não saber muito bem onde estava e o que fazia.
Certo. Agora estava nos jardins e precisava escapar dali, mas um grupo de alunos atravessava o local bem próximo aos portões, acompanhados de McGonagall. O que faria? Ao contrário de Filch, Minerva era uma bruxa extremamente perspicaz e entenderia na hora se fosse atingida pelo feitiço Confundus. Hermione tentava não ficar ansiosa, mas coincidentemente, o relógio na torre próxima a onde ela estava batia, segundo a segundo, os ponteiros pesados conforme o tempo passava, só lembrando a grifa de que cada segundo perdido era um tempo a menos com Harry. Ela esperou que cada aluno passasse por ali e, Minerva, que a cada segundo parava para repreender algum bagunceiro na turma, só atrasava mais. Desse jeito, Hermione seria forçada a usar o vira-tempo para falar com Harry e isso era tudo o que ela menos desejava, afinal, mexer com o tempo era absurdamente arriscado. Por fim, após muitos minutos de espera, Minerva e a turma finalmente se afastaram e entraram no castelo, deixando Hermione livre para abrir o portão sem que ninguém percebesse.
– Bombarda! – ela arrombou a fechadura e o portão se abriu.
Quando a grifa atravessou, correu em direção a Hogsmeade, tomando todo o cuidado possível para que não deixasse nenhuma pegada na grama - embora a probabilidade de isso acontecer fosse mínima. A garota se odiou ao ver Hogsmeade um pouco cheia, porque teria que andar cuidadosamente e desviar-se das pessoas. Por que tinha gente ali em pleno dia de semana? Ela desviou-se de todos com cuidado e chegou a esbarrar em um menininho que passava acompanhado com a mãe, mas ele estava tão obcecado com a Dedosdemel à sua frente, que mal percebera que fora empurrado desajeitadamente. Hermione, com muita dificuldade, chegou finalmente ao Três Vassouras e se deparou com Harry parado bem na porta, olhando o relógio impaciente.
– Psiu. – ela sussurrou próxima a ele, evitando rir quando ele quase deu um pulo com o sussurro da garota.
– Droga, Mione! – ele sussurrou e a garota finalmente retirou a capa. – Não, espere, coloque isso!
Ele entregou uma capa preta grande o suficiente para cobrir todo o seu corpo e com um capuz bem largo, que permitiria que ela não fosse vista. Ela retirou a capa do uniforme de Hogwarts, colocou-a dentro da mochila e a enrolou na capa da visibilidade, segurando-a pela alça, porém sob a capa, o que não permitiria ninguém ver; a grifa só não podia perder o objeto de vista. Hermione o abraçou com saudade e, em seguida, entraram no local escurecido e se sentaram.
– Certo. – Harry sussurrou. – O que aconteceu?
Hermione olhou para os lados brevemente e sussurrou de volta.
– Pansy descobriu tudo. – ela falou tudo de uma vez, se sentindo culpada ao lembrar-se do que aconteceu.
– O quê? – ele arregalou os olhos. – Descobriu o quê?
Hermione revirou os olhos.
– Sobre a magia, Harry! – ela sussurrou ainda mais baixo.
Harry pareceu pensativo, mas de um segundo para o outro, arregalou os olhos, se dando conta do que Hermione dizia.
– E como ela soube?
Hermione contou todos os detalhes possíveis para Harry e até chegou a mostrar o pescoço com a marca do braço da sonserina por quase enforcá-la. Como o acordo fora cumprido, Hermione contou também sobre o preparo da Veritaserum e todo o tempo que elas se aproximaram.
– Bom, já que Pansy descobriu tudo… – Harry suspirou, pensativo.
– O quê? – Hermione o fitou com curiosidade.
– Eu volto em cinco minutos. – ele sussurrou e, quando Hermione piscou, ele desaparatou de repente.
Para onde Harry teria ido? Hermione chegou a olhar para os lados para ver se algo incomum acontecia ao redor, mas tudo estava normal. Será que Harry precisava resolver algo urgente? Enquanto ela esperava, o balconista parou ao lado da mesa onde Hermione estava e resmungou qualquer coisa sobre ela estar ali sem consumir nada. Hermione sussurrou "Confundus" de forma discreta e ele saiu dali, voltando ao balcão onde estava. Segundos depois, Harry surgiu, de repende, na cadeira onde estava sentado anteriormente. Hermione quase morreu de susto.
– Pronto! – ele disse enquanto se acomodava no assento.
– Onde você foi? – Hermione perguntou com nervosismo, afinal, acabara de levar um susto enorme.
– Buscar isto. – ele tirou do bolso um frasco e entregou-o à Hermione.
– O que é isso? – ela pegou o frasco e o examinou com cuidado.
Dentro do vidro, um fiozinho prateado balançava suavemente.
– Draco me deu isso no St. Mungos quando eu precisei ir até lá saber do ataque de Avery. – Harry sussurrava com cuidado. – Pediu para que eu entregasse à Pansy, porque ele temia esquecer por conta do feitiço da memória. Eu não sei como ele conseguiu recuperar isso depois de estar internado, mas parecia importante… Ele só deixou claro de que ela só deveria ter isso em mãos depois que descobrisse.
– Isto é... – Hermione ia perguntar.
– Uma memória, sim. – Harry deu de ombros. – Eu só não faço ideia de quem seja. Draco pediu para que eu não a visse, apenas Pansy podia ver.
– Você não tentou, não é? – ela arqueou uma das sobrancelhas.
– Bem…
– Harry! – ela sussurrou, aborrecida. – Isso é particular!
– Eu sou um auror, Mione, não sei se você lembra. – ele revirou os olhos. – Mas de qualquer forma, isso quase me matou quando eu tentei tirá-lo do frasco. Está enfeitiçado para que só Pansy veja.
– Genial! – ela sorriu. – Tudo bem, eu entrego à ela.
Ela escondeu o frasquinho no bolso do casaco que usava sob a capa.
– Bom, preciso ir. – Harry disse depressa, se levantando.
– Mas já? – Hermione sentiu uma pontada de desapontamento.
– Você levou vinte minutos pra chegar, esqueceu? – ele disse com delicadeza. – Não tenho mais como atrasá-los, preciso voltar ao Ministério.
Hermione assentiu com a face, se levantou e eles foram para o lado de fora do Três Vassouras. Só então, Hermione percebeu que Harry estava elegantemente arrumado com terno e gravata. Quando aurores não estavam fora do Ministério, andavam impecavelmente, exceto Olho Tonto, que andava como queria.
A grifa voltara imediatamente ao castelo, com a capa da invisibilidade escondendo e a mantendo protegida. Ela não teve dificuldade alguma de passar pelo portão vazio e, por ser uma aluna de Hogwarts, tinha total acesso à escola em horário de aula. A noite, os portões foram bloqueados por magia para que ninguém entrasse ou saísse, afinal, havia um monstro à solta e ninguém sabia nem como começar a procurar. A garota, no caminho, pensava onde poderia esconder o frasco sem que ninguém descobrisse; na verdade, ela queria que Pansy o visse o mais rápido possível. Mas onde ela estaria? Hermione não fazia ideia, mas aproveitou a própria capa para fazer o que deveria, já que não teria mais nenhuma aula naquele dia: fora para a frente da Comunal da Sonserina, sentou-se no chão e, invisível, passou pelo menos uma hora ali sentada, sem fazer nada além de ler um livro conjurado por ela mesma. Quando Pansy Parkinson se aproximou da Comunal, séria e rápida, Hermione precisou levantar correndo e impedi-la de entrar antes que elas pudessem se falar.
– Pansy! – ela sussurrou, escondendo a capa dentro do próprio bolso com um feitiço indetectável de extensão.
Pansy Parkinson continuou andando e ignorou a grifa.
– Parkinson! – ela falou um pouco mais alto. – Ei!
A loura parou e, num movimento rápido, se virou para Hermione, com a expressão de ódio.
– Eu preciso-
Hermione tentou falar, mas Pansy a cortou com rispidez.
– Eu não me importo. – a voz trêmula de Pansy escapou de seus lábios como pedras de gelo atingindo Hermione até o seu subconsciente.
– O quê? – Hermione balançou a cabeça, confusa.
– Eu não quero e não vou ouvi-la, dar atenção ou sequer perder o meu tempo com você. – ela disse com frieza.
– Mas eu preciso-
Pansy empurrou Hermione agressivamente contra a parede da comunal, sussurrou "Abaffiato" - os retratos tinham ouvidos! - e prendeu-a pelo braço.
– Foi por isso, não é? – a loura disse entre rosnados. – Que toda aquela gente n'A Toca estava agindo com gentileza e hospitalidade. – a loura sorriu com ironia e crueldade. – Foi por isso que você nunca deixou o seu precioso Weasley não tocar um dedo nojento em mim, não é, Granger? DIGA!
Hermione deixou escapar um gemido de dor, enquanto a loura apertava ainda mais o seu pescoço.
– Não… – Hermione sussurrou com uma dificuldade maior.
– Por que ele fez isso? – apesar da frieza na voz da sonserina, por um momento, suas palavras saíram trêmulas. – E não me disse?
– Porque… – Hermione respirava fundo, ainda com dificuldade. – Ele queria proteger… você. Mas você não poderia saber… logo.
– Vulnera Sanetur! – Pansy sussurrou e Hermione se recuperou brevemente da falta de ar. – Por quê?
– Você precisava aprender a lidar com isso sem explicações. – Hermione disse contra a própria vontade, odiando cada vez mais o efeito da poção. – Se conhecer sem nenhuma ajuda. É o segredo de grandes bruxos…
– Snape queria me proteger do quê? – Pansy rosnou.
– Avery! – a grifa disse com pressa. – Eu não sabia até vê-lo tentando te matar, mas aí eu entendi. Snape sabia que você precisaria de muita magia para se defender sozinha; sabia que você não teria ninguém.
A loura não demonstrava nada além da expressão dura e fria.
– Por que você só me disse agora? – Pansy indagava.
– Porque ele pediu que você só soubesse quando descobrisse sozinha o que aconteceu naquela noite. – Hermione sussurrou com sinceridade.
– E foi por isso? – Pansy sussurrou com frieza. – Que você… Me protegeu e me salvou de tudo?
– Não! – Hermione disse por impulso, mas o resquício de poção que restara em seu organismo a obrigava a dizer a verdade. – Digo, no começo, sim. Eu realmente não queria ver ninguém prejudicado, mas depois, Pansy…
A sonserina olhou friamente para Granger.
– Depois o quê? – ela cuspiu as palavras. – Você não me salvou por saber que morrer traria problemas pra todo mundo? – ela deixava escapar um sorriso irônico no canto dos lábios.
– Não! – Hermione fora direta.
– Então POR QUE, Granger? – Pansy voltou a apertar a grifa contra a parede. – Me diga de uma vez, sua sangue-ruim nojenta.
– Porque eu sinto… – Hermione tentou dizer, mas as últimas palavras de Pansy a atingiram como navalhas. – Eu estou…
A grifa não segurou um segundo a mais; seus olhos logo ficaram encharcados e ela começou a chorar.
– Nem você, nem ninguém claramente se importam. – Pansy disse com frieza e calma. – Isso só confirma o que eu sempre achei… Vocês, todos, são sangues-ruins. Todos podres, nojentos, detestáveis e desprezíveis. Principalmente você…
Hermione não dizia nada; seu coração doía, mas não era a humilhação que a machucava mais.
– Você quer saber de uma coisa, Granger? – Pansy sorriu. – Se o monstro um dia ousar pegar algum aluno de Hogwarts… Eu espero que você seja a primeira. – a loura destacou cada palavra com frieza, ódio e com os olhos acinzentados fixos na grifa frágil diante dela.
A loura, num movimento rápido, soltou Hermione e, sem esperar mais um segundo, virou-se para a entrada da Comunal, sussurrando a senha e atravessando-o. Ela se escondeu na capa negra e não demorou a se retirar e a sumir do local em pouco tempo. Granger, agora com a mão no pescoço, sentindo a dor da força que Pansy usou para enforcá-la, tentava respirar e raciocinar. "Todos podres, nojentos, detestáveis e desprezíveis. Principalmente você", as palavras de Pansy repetiam sem parar na mente da grifa; "Eu espero que você seja a primeira", a voz fria de Parkinson a assombrava e apertava o seu peito ao ponto de Hermione precisar de ar, mesmo não estando enforcada. Pansy, definitivamente, a odiava agora. Se antes Hermione conseguira algum respeito mínimo da sonserina, isso agora já não existia. Apesar de tudo, durante todos esses meses a grifa sabia que uma hora Parkinson iria descobrir e não iria aceitar facilmente; mas por que Hermione se importava e isso a afetava? Por que, dentre todas as humilhações que ela já enfrentara na vida, a de Pansy Parkinson fora a que mais lhe machucara? Já não importava; agora ela teria de conviver com a dor daquelas palavras e o desprezo da loura, que agora parecia ser mais real e doloroso do que nunca, embora Hermione não entendesse porque.
Mas antes, ela ainda precisava cumprir a última missão que lhe deixaram, independente de saber se fora Snape a comandar ou não. Já que Pansy Parkinson sequer a ouvira ou lhe deixara dizer que precisava entregar algo, Hermione teria que dar o próprio jeito de fazê-la ver. Ela foi até o corredor da Sala Precisa e, ao parar diante da parede vazia onde ficava a entrada, aproximou as mãos do cimento frio e sussurrou:
– Preciso de um lugar para que Pansy Parkinson encontre uma memória. – ela disse com firmeza. – Um lugar que a atraia para entrar na Sala Precisa assim que ela passe por aqui sozinha. Ninguém mais pode encontrar este objeto.
A sala imediatamente abriu uma passagem e, assim que Hermione entrou, a parede atrás dela voltou a se fechar. O cômodo estava praticamente vazio, exceto que no centro, havia um pedestal com um suporte luminoso e, bem à frente, uma penseira.
– Genial! – ela sussurrou para si mesma.
A grifa pegou o frasco no bolso e o apoiou no suporte, que parecia ter sido moldado para receber aquele objeto. Em seguida, o suporte criou um vidro ao seu redor e, preso a ele, uma plaquinha escrita "Pansy Parkinson" chamava a atenção. Hermione estava deslumbrada, mas antes que pudesse passar mais um segundo ali, feixes de luzes brilhantes se formaram, a envolveram e a jogaram, à força, para fora do cômodo. Hermione tombou ao chão e viu a parede da Sala Precisa voltar a ser apenas um muro vazio, tendo certeza de que aquele vidro só seria exposto novamente à própria Pansy. Agora, era definitivo; Hermione estava livre.
Um mês e, aproximadamente quinze dias, se passaram. A primavera se iniciava e, nos terrenos de Hogwarts, já não possuía mais neve alguma ao redor do castelo. Na verdade, algumas lindas flores já cresciam nas árvores e nos jardins, mas o destaque que chamava a atenção dos alunos estava nas lindas margaridas que cresciam. A única desvantagem de se ter uma primavera adorável em um lugar como Hogwarts, é que àquela altura, os alunos estavam proibidos até de perambular nos espaços externos sem que fosse extremamente necessário ou sem acompanhamento, mesmo durante o dia. As aulas de Trato das Criaturas Mágicas, que antes ocorriam próximas à Floresta Negra, agora eram obrigadas a serem dadas no campo de Quadribol, onde o risco era menor. Todos os passeios à Hogsmeade também foram cancelados e os alunos passavam todos os dias enfurnados dentro do castelo.
Para Hermione, ficar isolada não era um problema; já era o mês de primeira etapa dos N.I. e a atmosfera estressante crescia cada vez mais nas salas de aula, nos ambientes de estudo e até mesmo no Grande Salão, o qual alunos se alimentavam sob estresse e, constantemente, alguma briga acontecia. Hermione agradecia mentalmente por não ter que lidar com Harry, Ron ou Ginny naquele período, porque quando ela não estava em aula, estava estudando sem parar e decorando cada palavra dos seus livros e tarefas, para não correr risco algum de tirar menos que um "Excede Expectativas" nos exames. Ela só interrompia as horas de estudo para comer, banhar-se ou dormir e, mesmo assim, cada vez Hermione dormia menos. Não só porque seu cérebro automaticamente fazia com que a grifa pensasse em cada coisa que ainda precisava estudar, como vez ou outra, pensava na saudade dos amigos e… nas duras palavras de Pansy Parkinson.
Por falar em Pansy, a loura não aparecia mais nem nas aulas de Poções. Vez ou outra aparecia no Clube de Duelos, massacrava algum aluno mais novo com feitiços de ataque e, sem dizer uma palavra, se retirava quando Abeforth lhe dava permissão. Hermione já não a via nas refeições, elas não se esbarravam nos corredores e, de vez em quando, quando a grifa conferia o Mapa do Maroto, Pansy também não estava em lugar algum do mapa. Estaria passando o tempo na Sala Precisa? Não importava; Pansy, no voto perpétuo, prometera deixar a grifa em paz quando a Veritaserum fosse entregue. Apesar de ter sido feito da pior maneira possível, a loura ao menos cumpria a sua promessa. Mesmo se passando quase dois meses desde o dia em que Parkinson descobrira a verdade, a lembrança de tudo o que acontecera ainda machucava Hermione de forma assustadora. Repetidamente, a grifa sonhava com Pansy ameaçando-a ou deixando-a para a morte, assim como tinha sonhos adoráveis em que a sonserina simplesmente perdoava Hermione e voltava a se aproximar, o que a deixava aliviada pelo menos enquanto ainda estivesse dormindo; quando ela acordava, seus olhos enchiam-se de lágrimas e a dor voltava, mesmo sem entender porque a ferida ainda ardia quando tocada após tanto tempo.
Apesar de não ter tempo ou espaço na cabeça para pensar nisso, Hermione ficava levemente preocupada com o fato de que Ron lhe escrevia cada vez menos. Anteriormente, ele lhe escrevia dia sim, dia não. Com o tempo, passou a lhe escrever de três em três dias e, com mais descuido, agora lhe escrevia uma vez por semana ou uma vez a cada quinze dias. Na última carta, ele dizia:
"Mione,
Peço desculpas por não ter escrito mais do que isso. As coisas no Ministério andam um pouco corridas e estamos à caça de alguns Comensais que ainda precisam ser presos, como Avery. Harry mal tem passado o tempo com Ginny também, já que chega cansado e vai logo descansar. Como estão as coisas em Hogwarts? Harry e eu temos tentado de tudo para intervirmos no caso do monstro para procurá-lo nós mesmos, mas o Ministério insiste que este procedimento deve ser feito pelo Departamento de Regulamentação e Controle de Criaturas Mágicas, mas eles parecem esquecer que, por trás da criatura mágica, pode existir uma mente das trevas controlando-o. Continuaremos tentando, apesar de tudo!
Ontem eu e Marie fomos aparar o jardim (mamãe estava estressada) e encontramos pequenos amores-perfeitos nascendo; você gosta dessas flores, não é? Marie tem passado algum tempo conosco para ajudar Fleur e os bebês. Aliás, você deveria ver Fred e Victoire! Estão cada vez mais engraçados. Às vezes Fleur se estressa e os deixa comigo e com Marie, mas ela tem me ajudado a cuidar deles sem deixá-los morrer ou abandonados. Bill trabalha o dia todo, então tentamos ajudar.
Estou ansioso pela Páscoa e espero que o tempo passe logo para que você chegue aqui de uma vez! Sinto saudades. Não sei quando lhe escreverei novamente, mas caso eu não me comunique até o dia de você vir, saiba que lhe esperarei em King's Cross.
Com amor,
Ron."
O que era irônico, é que a carta de Ron, ao invés de alegrar Hermione, só a deixou mais irritada. Primeiro, Harry, por mais ocupado que estivesse, continuou escrevendo a cada três dias como prometera, sem falhar. A única vez que deixara de mandar uma carta no dia que deveria, foi porque ele e Ron passaram a noite prendendo um dos últimos Comensais soltos. Segundo, Ron não tinha tempo para escrevê-la, mas tinha tempo de aparar o jardim com Marie e cuidar dos bebês de Fleur e Bill? E onde ele arrumava tanto tempo para fazer tantas coisas, se passava o tempo ocupado no Ministério? E, em terceiro, por que raios ele não parava de falar dessa Marie? Nas últimas cartas desde o Natal, ele tem citado-a constantemente e sempre destaca o quanto ela tem ajudado. Isso não só deixava Hermione furiosa, mas lhe dava vontade de mandar que Pitchí arrancasse os dedos de Ron quando fosse lhe entregar a resposta da carta.
Era a semana dos N.I.E.M.S. Apesar do padrão de exame ter sido mantido, dessa vez, tudo ocorreria num mesmo dia. Ou seja, em um só dia, Hermione teria de fazer um exame de Poções, Transfiguração e Defesa Contra as Artes das Trevas; um de manhã e dois à tarde. A grifa estava à beira dos nervos e, na véspera do exame, não conseguia parar de pensar que erraria em alguma coisa e acabaria se prejudicando. Ela assistira a uma última aula de Minerva antes do exame e, nela, pôde revisar tudo o que fora passado durante o ano letivo até aquele momento. Tudo estaria indo bem se, no início da aula, Pansy Parkinson não tivesse aparecido na sala para revisar o conteúdo e Minerva, surpreendentemente, não lhe deu uma bronca por ter surgido depois de meses sem aparecer nas aulas. A garota se sentou numa cadeira próxima à Hermione, mas nem lhe deu confiança, o que abalou a grifa, no fundo. Por mais que ela quisesse ouvir o que Minerva dizia e prestar atenção, ela não conseguia desviar o olhar do corpo de Pansy de costas, os cabelos louro-prateados que cresceram bastante naqueles últimos meses e pendiam até o início das costas, a capa escura da Sonserina e uma pose ereta, imóvel e despreocupada. Ela não conseguia entender o motivo, mas desejava, no fundo, que Pansy simplesmente olhasse para trás e lhe desse alguma confiança; ao menos lhe dissesse um oi ou dissesse que sentiu a falta dela. Estaria Hermione obcecada novamente ou aquilo era uma forte sensação de remorso por todos aqueles meses sem contar a Pansy o que estava acontecendo?
No fim da aula, a loura saiu disparada pelo corredor e Hermione, tendo que respeitá-la, apenas ignorou e guardou o seu material, fingindo não ter percebido a presença da sonserina ali. A grifa seguiu o seu caminho para a Comunal e não tinha pressa; por incrível que pareça, embora quisesse ler tudo o que podia das revisões passadas pelos professores, sabia que a véspera do exame era a mais indicada para relaxar e não pegar nos livros. Por isso, ela pensava se leria algum livro que gostasse ou se tentaria puxar assunto com alguma garota da Comunal, embora soubesse que passou pelo menos metade do ano isolada e sem se comunicar com ninguém além de Pansy. A caminho da Comunal da Grifinória, ela precisou passar pelo Grande Salão. Porém, quando foi pegar o atalho para as escadas, se deparou com a estátua em homenagem aos mortos da Batalha, se movendo para alguém. A imagem não era de Dumbledore, como sempre costumava ser; ela parou para olhar melhor, mas logo vestiu a capa, escondendo-se sob o tecido para que não corresse o risco de ser pega. Hermione não se aproximou muito; tomou uma distância de uns três metros e, ao olhar melhor, se deparou com Pansy Parkinson e a imagem de Severus Snape na estátua. Curiosa, ela observava cada movimento dos dois.
Snape sorria… De novo? Em sete anos em Hogwarts, Hermione jamais vira Snape sorrir antes. Ela acreditaria severamente que aquela estátua estaria com defeito se não tivesse sido tão mal recebida pela réplica do professor no início do ano letivo, como o Snape verdadeiro sempre fazia. A grifa não conseguia ouvir se Pansy dizia alguma coisa porque a loura provavelmente lançara Abaffiato ao redor dela, mas percebia que ela tocava o ombro da estátua, que parecia não se incomodar nem um pouco. Era estranho demais ver Severus Snape deixar que o tocassem, ainda mais um aluno. Que tipo de intimidade eles tinham? Hermione teria tentado ignorar se não acabasse de ver com os próprios olhos: agora Pansy se curvava para frente e… Abraçava a estátua? E o mais esquisito, era o fato de que, mesmo rígida e feita de ouro, a estátua conseguia se movimentar o bastante para abraçá-la também. Nada fazia sentido. Por que Snape dera a própria magia para Pansy? Por que ele sorria ao vê-la? Por que eles se abraçavam, mesmo que Pansy estivesse abraçando uma estátua? Hermione chegou a pensar na teoria nojenta de que ambos estivessem envolvidos amorosamente, mas lembrou-se que, até pouco antes de morrer, o Patrono de Severus Snape era o mesmo da mãe de Harry, Lily. Se Snape a amava mesmo após tantos anos, não haveria espaço para mais ninguém, especialmente para uma aluna muito mais nova. Nada parecia se encaixar. Hermione, no fim, resolveu simplesmente acreditar que talvez Pansy estivesse fazendo aquilo por interesse na estátua ou em alguma informação que ela pudesse ter, afinal, em suas intenções, sempre havia algum interesse por trás.
A grifa estava prestes a desistir de presenciar aquela cena, quando Pansy rapidamente soltou e se afastou da estátua, que voltava a assumir rapidamente a forma de Dumbledore. Agora, Hermione ouvia passos logo atrás dela e, não querendo correr o risco de esbarrar em ninguém, desviou-se do caminho. Uma garota baixinha, morena e de olhos azuis passou por ela e foi em direção à Pansy. Mione não fazia ideia de quem ela era, mas sabia que já havia esbarrado com a menina nos corredores ou no Grande Salão. Tudo estava normal até o momento em que a garota se aproximou de Pansy e abraçou-a com uma enorme facilidade, sem que Pansy a afastasse ou ficasse incomodada com isso. Em seguida, a garota ficou na ponta dos pés e, para o horror de Hermione, beijou a loura com a maior naturalidade possível, deixando a grifa tão constrangida e desesperada de estar ali, que ela desejou nunca ter visto aquela cena. Por que diabos aquela garota beijava Pansy Parkinson e, pior, por que ela parecia gostar? E por que Hermione odiava ainda mais Pansy por não afastá-la? Era a primeira vez que Hermione presenciava um beijo entre garotas, mas por mais desacostumada que ela estivesse, não era o beijo homossexual que a incomodava, mas sim quem beijava. A grifa não percebeu, mas as suas mãos estavam fechadas em punho e ela não sabia exatamente o motivo, mas criara uma antipatia imediata com a garota que Pansy beijava. Ela tinha vontade de atrapalhar as duas e denunciá-las à Minerva, assim como queria, mais do que tudo, que Pansy tivesse perdido os dois últimos meses pensando na falta que Hermione, supostamente, poderia fazer, ao invés de beijar garotas por aí. A grifa odiava a si mesma por ter sentido a falta da loura e por ter pensado mais nisso do que no próprio Ron, mas se perguntava, no fundo, o porquê de Pansy Parkinson ainda importar. Não aguentando mais um minuto daquela cena, a grifa fixara os olhos na morena agarrada à loura e mentalizou: "Destruccio!"
A garota imediatamente deu um grito e se afastou de Pansy, levando direto as mãos ao nariz, provavelmente sentindo uma dor absurda pelos ossos do nariz que Hermione acabara de quebrar. Pansy parecia não entender muito o que acabara de acontecer, mas antes que ela pudesse reagir, Hermione não aguentou e resolveu fazer mais uma coisa. Lembrou-se de quando Pansy Parkinson a fez parar na Ala Hospitalar quando elas ainda se odiavam e a vergonha que Hermione sentiu naquele dia. Em seguida, lembrou-se exatamente do feitiço que a loura usara e sussurrou com firmeza, mesmo sem o uso da varinha: "Densaugeo". Como se já não tivesse o nariz quebrado para se preocupar, a morena agora precisava lidar com seus dentes crescendo exageradamente de forma rápida e Hermione deixou escapar uma risada baixinha. A garota correu em direção ao que parecia ser a Ala Hospitalar e, Pansy, apesar de ter ameaçado ir logo atrás, parou, desconfiada e olhou para a direção de Hermione. A grifa se calou imediatamente e permaneceu imóvel, mas Pansy berrou "Aparecium" e a capa de invisibilidade caíra no chão na hora, revelando Hermione com a expressão apavorada. Feitiços como aquele nunca funcionavam com a capa da invisibilidade que era uma relíquia da morte, mas seria a magia acumulada de Pansy forte o suficiente para fazê-la ser revelada? Não importava; Hermione acabara de ser descoberta.
– Você… – a loura sussurrou com frieza e sua expressão era de fúria.
Hermione, subitamente, vestiu a capa novamente e saiu correndo com tanta pressa, que sabia que Pansy não conseguiria derrubar o objeto sem saber em que direção a grifa estava. Ela correu tão rápida e desesperadamente, que assim que olhou para trás e viu o corredor vazio, imaginou que a loura tivesse ido à Ala Hospitalar para acompanhar a garota que, agora, Hermione odiava. Ela fora para a Comunal da Grifinória imediatamente e decidiu que, naquele dia, o melhor que ela fazia era se isolar em seus livros e não sair dali por nada, antes que Pansy a pegasse para castigá-la ou algo do tipo. A única coisa que Hermione não entendia, era o porquê de ter agido daquela maneira e o motivo para ter ficado tão incomodada.
Hermione saíra da Comunal da Grifinória, no dia seguinte, desesperada e agitada, correndo em direção à sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. Ficara até tarde da noite anterior estudando e, por isso, perdera a hora e agora saía atrasada. Hoje faria a primeira parte dos seus N.I. mais importantes e, o que lhe desesperava, é que nem café da manhã ela teria tempo de tomar; se precisasse duelar, estaria encrencada.
Quando chegou à sala de Abeforth, ele a apressou para que entrasse e, após os alunos que vinham antes da letra "G", Hermione fora chamada para fazer o exame. A sala estava dividida. De um lado, havia apenas uma parede e todos os alunos estavam ali sem ver absolutamente nada, enquanto esperavam ser convocados para prestarem o exame. Do outro lado, quando Hermione atravessou a porta no centro da parede, se deparou com um percurso com diversos obstáculos. Era como uma simulação em que Hermione teria de enfrentar monstros, criaturas e algumas maldições falsas e perderia ponto a cada obstáculo não vencido ou mal resolvido. Ela começou enfrentando um trasgo que, aparentemente, ainda não era adulto, mas parecia tão grande e assustador quanto; ela derrotou-o facilmente e, em seguida, enfrentou uma aranha enorme, embora conhecesse os feitiços contra aranhas como ninguém. Ela teve de enfrentar um dementador que quase avançou sobre ela - e seu Patrono quase falhara porque, mais uma vez, a sua lembrança com Ron falhou e ela chegou a não saber no que pensar -, mas, de última hora, conseguiu derrotá-lo com sucesso. Minerva McGonagall não demorou a entrar na sala e dar a notícia de que Hermione fora desclassificada do exame antes mesmo de terminá-lo por perder muitos pontos; de início, a garota quase desmaiou com a notícia, mas desconfiou da diretora porque ela não estava ali em nenhum outro momento; como saberia que Hermione não passou? Dessa forma, a grifa logo se deu conta de que a Minerva, na verdade, era um bicho-papão e ela não demorou a lançar "Ridikullus" sobre ele, derrotando-o na mesma hora. Teve que colocar fogo em um explosivin, se defender de uma maldição escondida e, por fim, escolher entre três objetos para destruir um objeto que parecia ser uma horcrux, mas certamente Abeforth não matara ninguém para criar uma verdadeira. Havia, em cima de uma mesa, uma adaga, uma varinha e uma taça com uma poção fumegante preta e que parecia corrosiva. Onde estaria o dente de basilisco ou a espada de Gryffindor? Como Hermione destruiria o objeto? Ela acabou se dando conta do que teria de fazer; segurou a varinha na mão - que era a sua própria; provavelmente Abeforth a desarmou antes que ela percebesse - e, com firmeza. Lançou o feitiço do fogomaldito em direção ao objeto, que imediatamente pegou fogo e, ao invés de virar pó, simplesmente transformou-se em uma imagem de fogo que Abeforth não deixou ter tempo de se desenvolver, apagando-a antes que incendiasse a sala inteira.
– Excelente, Srta. Granger! – ele disse com firmeza e Hermione mal percebeu que acabara o teste. – Você foi a única a acertar tudo; dez pontos para a Grifinória!
Hermione respirou aliviada. Finalmente tinha se livrado da primeira etapa de uma das matérias que ela considerava mais arriscada, já que não era tão brilhante em Defesa Contra as Artes das Trevas como Harry, por exemplo. Após o exame, a grifa pôde ir ao Grande Salão comer alguma coisa e, com bastante tempo de diferença entre os dois exames, ela pôde almoçar com calma. Ela logo rumou à Comunal da Grifinória para dar mais uma conferida nas poções que Slughorn passara durante o ano e chegou até a tirar um cochilo de meia hora, se sentindo recuperada assim que foi para a sala de Slughorn, sendo a primeira a chegar, recebida pelo professor logo na porta da sala.
– Srta. Granger! – Horace Slughorn sorriu bondosamente. – Eu sabia que seria uma das primeiras a chegar! Eu só posso liberar que faça o exame assim que o relógio marcar exatamente dez e meia, então peço que entre na sala e escolha uma cabine!
Hermione arqueou uma das sobrancelhas, desconfiada.
– Escolha bem! – ele disse apontando o dedo para as cabines coloridas que ocupavam a sala inteira. – A sua escolha definirá o seu exame.
Havia, pelo menos, trinta cabines de diferentes cores, porém do mesmo tamanho e altura. Mesmo que as cores se repetissem, elas apresentavam diferentes tons e, por isso, era possível diferenciá-las. A grifa não quis pensar muito; escolheu uma cabine lilás, que variava entre um tom rosa e um violeta, semelhante à cor do vestido que usara no casamento de Fleur e Bill no último ano. Ela entrou na cabine e, assim que a portinha se trancou, uma placa na parte externa de uma das paredes da cabine ganhara uma placa dourada com o nome "Hermione Granger." Dentro da cabine, havia apenas uma mesinha vazia e uma cadeira.
Após quinze ou vinte minutos, os burburinhos na sala começavam a aumentar e cada vez parecia chegar mais gente, porém a grifa não sabia por não ter como ver nada além daquele cubículo em que se encontrava. Ela ouviu a porta da sala se fechar após algum tempo e, em seguida, Horace desejou a todos uma boa sorte. No mesmo momento, a mesinha fora ocupada com diversos ingredientes diferentes e, assim que se deu conta de qual poção usava especificamente tudo aquilo, letras luminosas surgiram na parede à sua frente e, logo abaixo, ponteiros e números que formavam um relógio luminoso no ar. As letras douradas indicavam: "AMORTENTIA; prepare-a em duas horas e toque no relógio ao acabar. Ps: Não use a sua varinha!" A grifa revirou os olhos, já que no dia que tentou preparar uma poção do amor com Pansy Parkinson na aula, o resultado ficara forte demais. Ela respirou fundo e tentou se concentrar apenas no que fazia, tentando lembrar passo a passo de como prepará-la.
Primeiro, lembrou-se de Pansy tentando amaciar os espinhos e chegando a furar a mão pela falta de paciência, então, pensou que talvez amaciá-lo nas mãos ao invés da mesa, podia funcionar. Após alguns machucadinhos na pele com a falta de jeito com aqueles espinhos, ela finalmente os deixou macios e extremamente lisos, separando-os no cantinho da mesa. Ela picou a menta em diversos pedacinhos e não teve dificuldade alguma nisso, afinal, já havia picado folhas de menta antes. Em seguida, teve a maior dificuldade do exame: dar um jeito de triturar a selenita até que ela virasse puro pó; Hermione usou um pequeno objeto que lembrava muito um ralador trouxa usado na cozinha para ralar alimentos como queijo e levou quase uma hora só tentando acabar com aquela pedra. Porém, assim que obteve sucesso com o que fazia, ela preparou o caldeirão repleto de água fervente. Ela quebrou os ovos de Ashwinder e colocou no caldeirão o líquido espesso que, definitivamente, não parecia uma gema e adicionou os espinhos, misturando-os sem pressa. O tempo fora passando enquanto ela misturava, adicionava o restante dos ingredientes e quase estragou tudo ao tentar extrair da poção a essência de rosa, que acabaria com o líquido se permanecesse mais trinta segundos ali. Faltando apenas dez minutos para o fim do tempo, a poção finalmente assumiu uma cor perolada e ela notou que o vapor do líquido estava em formato espiral, trazendo a conclusão de que ela conseguira. Ela tocou o relógio dourado e luminoso à sua frente e desligou o fogo do caldeirão, notando que o cheiro da poção lembrava o de sempre: grama recém-cortada, pasta de dente de hortelã, pergaminho novo e um certo perfume familiar… Não, não podia ser.
– Srta. Granger, se me der licença… – Horace abriu de repente a porta da cabine e, no próprio caldeirão, serviu um frasquinho e o etiquetou com o nome de Hermione, seguido com o nome da poção. Provavelmente Horace testaria poção por poção de cada aluno e avaliaria conforme o desempenho. Quando Hermione estava saindo da cabine, Horace sussurrou:
– Sei que não gosta de atrasos, senhorita. – ele falou com um sorriso. – Sugiro que se apresse; o exame de Minerva McGonagall começará em dez minutos.
Hermione arregalou os olhos e disparou para fora do cômodo, em direção à sala de McGonagall. Ela nunca correra tanto para chegar em uma conseguiu chegar exatamente na hora do início do exame e, assim como no exame de Abeforth, os alunos eram chamados um a um para fazer o exame. Na sua vez, Hermione fizera o exame mais rápido da turma. Ela precisou realizar diversos tipos de transfiguração que Minerva McGonagall ordenava aleatoriamente, como lançar fogo à uma cobra, conjurar coelhos, lançar cordas nos coelhos conjurados, transfigurar uma pedra em cachorro, fumaça em adagas, um urso de pelúcia em aranha e, por fim, um dos mais difíceis: conjurar uma cobra no ar, que era um animal extremamente independente e que exigia um nível avançado em magia para ser conjurado. Como já era de se esperar, ela acertou todos e, ao terminar, Minerva fez com que a grifa ganhasse o seu dia ao dizer que ela seria uma excelente funcionária de qualquer área do Ministério. No fim de tudo, Hermione se sentiu aliviada ao pensar que pelo menos a parte prática havia acabado; a segunda parte dos exames era apenas teoria e seria muito mais fácil para ela de lembrar-se de tudo. Porém, no meio do seu alívio, Hermione recordou-se de uma coisa: desde cedo, tendo encontrado todos os alunos do sétimo ano duas vezes em dois exames diferentes, a grifa percebeu que, no exame de Minerva, não vira Pansy Parkinson uma vez sequer. Ela esteve no exame da manhã e Hermione tinha certeza de que a loura estava na sala de Horace mais cedo, pois todas as cabines do cômodo foram ocupadas. Onde a garota teria ido, se não estava com os demais alunos no exame de Minerva? Por mais que não conseguisse deixar a curiosidade de lado, sabia que não deveria mais se intrometer na vida de Pansy Parkinson, ainda mais depois de ver que a sonserina já parecia bem acompanhada no dia anterior. Talvez estivesse dando uns amassos pelos corredores e perdera a hora dos exames. A grifa deu de ombros e tentou ignorar aquele fato, rumando em direção a uma janela que dava direto para a vista de um dos jardins que fazia fronteira com a Floresta Proibida.
Hermione sentou-se peitoril da janela e fechou os olhos por um momento, tentando relaxar um pouco de todo aquele estresse e ansiedade que os N.I.E.M.s lhe causaram. Ela adoraria jantar e passar a noite na Comunal lendo, conversando com qualquer aluno que lhe desse confiança e até mesmo escrever algo para Harry e Ron, contando como se sentia bem por ter passado por aquela etapa. Porém, quando a garota abriu os olhos e contemplou a paisagem à sua frente, sentiu o seu corpo congelar e seus olhos se arregalarem com o choque do que acabara de ver: na grama verde, uma trilha de sangue formava um longo caminho até a Floresta Proibida e, bem na entrada, uma poça enorme de sangue ocupava boa parte do espaço. Hermione, de início, não soube reagir, mas quando voltou a se lembrar de que Pansy não estava ausente em um dos exames mais importantes do ano, simplesmente saltou de onde estava e correu em direção às escadas movediça, disparando em direção à entrada do castelo. Hermione não se importava em ser pega; na verdade, sentia que aquilo tinha algo a ver com o monstro e a ausência do Pansy no exame só a deixava mais nervosa.
Na correria para chegar à entrada, quando estava prestes a ultrapassar o portão para o lado externo, Hermione deparou-se com Filch. O homem de cabelos ralos, dentes amarelos e trapos velhos, apenas sorriu de forma cruel e sussurrou:
– Tentando ir para o lado de fora? – ele disse com a voz rouca e o tom de alegria. – Você está encrencada.
Com toda a força do pensamento, Hermione não parava de pensar na palavra "Confundus". De repente, Filch olhou para os lados e pareceu um pouco perdido, confuso de onde estava. Em seguida, novamente sem falar, Hermione pensara em "Petrificus Totalus" e viu, de imediato, Filch ficar com o corpo preso dos pés à cabeça.
– Hoje não, Sr. Filch. – ela sussurrou com educação e simplesmente ultrapassou o portão, ignorando o fato de que acabara de petrificar o zelador e o largou ali para quebrar uma regra.
A garota correra pelos jardins em direção a Campo de Quadribol e, ao percorrê-lo por inteiro, alcançou o jardim que queria. Quando olhou mais atentamente para a grama, notou a poça de sangue que se formava desde o fim do campo de Quadribol e não enfraquecia nem mesmo quando chegava à borda da Floresta, deixando claro que alguém ou algo perdera muito sangue. Assim que Hermione parou diante da Floresta Proibida, sentira seu coração disparar e o seu corpo travar, sabendo até em seu subconsciente que aquele lugar era perigoso e lhe trazia más lembranças. Ela sentia suas mãos tremerem ao mesmo tempo em que pensava em voltar, mas antes que pudesse, de fato, tomar uma decisão, sentira algo golpeá-la forte na cabeça e, segundos depois, ela já não vira mais nada.
Quando abriu os olhos, se deparou com o ambiente escuro estranhamente familiar e quase silencioso que ela já conhecia desde que entrara em Hogwarts. Hermione ouvia sons como as folhas das árvores, o assobio do vento, o som de insetos e pequenos animais noturnos, assim como sentia em suas costas algo desconfortável e áspero. Reconheceu que estava na Floresta Proibida, mas mal conseguia raciocinar com a dor que latejava bem onde Hermione fora golpeada. Quem teria feito isso? E por que ela estava ali? Ela tratou de observar ao seu redor e notou que, um pouco distante, na escuridão, alguém a observava. Ela tentou se mover e, só então, se deu conta de que estava amarrada à uma árvore, de forma que não conseguia desfazer as cordas que a prendiam. Alguém usara o feitiço Incarcerous e, provavelmente, fora a pessoa que a observava de longe, provavelmente lutando para que o feitiço não se desfizesse e a garota continuasse presa.
– Quem está aí? – ela berrou e notou que a pessoa não se moveu. – Quem é você? O que quer?
A pessoa se aproximou um pouco mais e, com uma capa preta, não deixava o seu rosto exposto. Hermione se preparava para berrar novamente, mas sentiu uma dor atingi-la como várias adagas perfurando todo o seu corpo repetidamente e, sem hesitar, ela começou a gritar com a sensação. Ela sentia o corpo doer só de tentar se mover e começou a chorar de desespero, não sabendo o que doía mais: a dor nos músculos, na cabeça ou no coração. Aquela dor era semelhante à que Bellatrix Lestrange causara na Mansão dos Malfoy, quando lançou Crucio. De repente, a sensação parou, mas seu corpo parecia cansado.
– Quem é-
Ela tentou dizer novamente, mas, só de notar que a pessoa a ouviu, ela sentira outra vez a dor insuportável no corpo e berrou tão alto, que esperava que alguém no castelo pudesse ouvir. Quando a dor cessou mais uma vez, ela percebeu que não deveria mais falar nada e, com as lágrimas que escorriam incontrolavelmente por sua face, ela ficou chorando sem emitir um som sequer. Sua visão estava fraca e ela se arrependera plenamente de ter saído do castelo, ficando ainda mais amedrontada de lembrar que havia um monstro em algum lugar da Floresta Proibida e, talvez, ela fosse atacada. Hermione já estava quase desmaiando de fraqueza após quase uma hora ali, presa àquela árvore, quando, de repente, ouviu a pessoa na capa preta sussurrar para a escuridão.
– Finalmente… Eu estava esperando por você. – disse a voz fria.
Outra pessoa surgia nas sombras, parecendo tão calma e segura, que Hermione chegou a ter certeza de que fosse algum amigo ou cúmplice de quem quer que estivesse ali. Ela apoiou a cabeça na árvore e fechou os olhos, sentindo a sua cabeça explodir; a grifa, claramente, não estava interessada em mais nada que acontecia ao seu redor.
– Creio que recebeu a minha mensagem, senhorita. – a voz, agora um pouco mais alta, dizia com ironia. – Eu tenho um presentinho.
A pessoa de capuz, imediatamente, iluminou o espaço onde Hermione estava com a ponta da varinha, deixando-a exposta a quem quer que fosse.
– Você disse ter uma oferta, seu imundo. – uma voz fria e, aparentemente, familiar sussurrou. – Diga.
– Ora, não está óbvio? A pessoa abaixou o capuz, mas Hermione não conseguiu ver quem era. – A vida dela pela sua.
Nesse momento, Hermione sentiu o coração gelar. O que isso significava? Será que era Harry ou Ron ali?
– Você claramente não tem noção alguma das coisas. A vida dela não me importa. – a voz fria disse com crueldade. – Eu mato você e ela.
De repente, na escuridão, um clarão vermelho surgira e lançou uma das pessoas para longe. A grifa não sabia o que odiava mais: o fato de não fazer ideia de quem estava ali ou saber que logo seria morta. Mais lampejos vermelhos e alguns azuis surgiam no ar e a garota ouvia rosnados e sons de quem sofria um impacto, mas não fazia ideia do que acontecia. Em um momento do duelo entre os dois desconhecidos, Hermione vira uma sombra ser lançada para o alto e, com a velocidade e força, caíra bem ao lado da árvore em que ela estava. A garota não hesitou em olhar para baixo e, após muita dificuldade, ver Avery se levantando e se preparando para lançar um feitiço contra. Se Avery estava ali e usava Hermione como refém, a pessoa que duelava só podia ser…
– Pansy Parkinson, você realmente se considera uma bruxa superior só porque tem uma magia acumulada no seu corpo. – o Comensal riu com crueldade. – Crucio!
Hermione ouviu um grito e notou que Pansy agora caía no chão, se debatendo e, obviamente, sofrendo ao extremo. A grifa tentava alcançar a varinha no bolso, mas suas mãos estavam praticamente imóveis. Por isso, ela forçava a se concentrar e, após muito esforço, conseguira desarmar Avery sem usar a varinha. O Comensal se virara para Hermione e, ao notar que ela o desarmou, ficou furioso e lançou uma faísca branca em direção à garota, que apenas sentiu a cabeça bater com força na árvore. Hermione agora sentia a sua cabeça doer tanto, que mal conseguia movê-la. Tinha força apenas para manter os olhos abertos e presenciar o que acontecia diante dela.
– Você é metida a superior como seu pai era, Parkinson! – ele riu com crueldade, enquanto Pansy parecia se contorcer no chão. – A melhor sensação do mundo fora ver implorar para que eu o matasse de tanto sentir dor!
Hermione sentira repulsa com as palavras de Avery.
– E a sua mãezinha nojenta? – ele cuspiu as palavras. – Uma mestiça imunda que escondeu isso do mundo bruxo por anos e deixava Theodore exibir a todos a sua família pura. Ela berrou o seu nome enquanto morria, sabia?
Pansy tentara reagir, mas Avery a impediu com Crucio novamente.
– Ela gritava pela filhinha enquanto eu marcava a sua pele nojenta, com o sangue ruim de mestiça! – ele falava de forma sádica. – Exatamente como eu desejaria ter feito com a pirralha…
Pirralha? Do que Avery falava?
– Você sabe que quem matou a sua irmã, não sabe, Parkinson? – ele sussurrou.
– Eu… – ela tentou dizer, mas parecia fraca.
– Você já desconfiava, não é? – ele sorriu. – Eu matei Daisy, assim como todos os outros Parkinson, assim como vou matar você…
Hermione viu Pansy se contorcer mais uma vez.
– Foi exatamente essa dor que ela sentiu quando tocou aquela flor, Parkinson. Você sabia? – ele voltou a falar com animação e ironia. – E a irmãzinha inútil não conseguiu fazer nada além de gritar para salvá-la. Você não sabe como foi gratificante ver a vida deixar os olhos de Daisy Parkinson. Eu estava ali, com a capa da invisibilidade. Eu estava tão perto e você não me impediu, sua tola. Eu a vi morrer tão perto e ainda quis continuar o trabalho, mas você a protegeu mesmo depois de morta. – ele imitou um tom desapontado. – Uma pena. Eu teria marcado cada parte daquele corpo nojen-
– CRUCIO! – Pansy berrou e saltou de ódio sobre Avery, mas ele fora rápido o suficiente para defender-se do feitiço.
– Eu me preparei, sua idiota. – ele rosnou. – Acha que eu me arriscaria se não fosse mais forte que você? – ele sorriu com crueldade. – Alarte Ascendare!
Pansy fora lançada para o alto violentamente e tombou no chão com ainda mais força. Hermione não sabia se ficava mais aterrorizada com o que acabara de ouvir ou com o que acontecia diante dos seus olhos. Mentalizara, diversas vezes, milhões de feitiços de ataque, mas estava fraca demais; sequer conseguia falar.
– Agora veja, Parkinson, o que eu faço com todos que se aproximam de você. – Avery disse com a voz fria e, de imediato, apontou a varinha para Hermione no tronco da árvore. – Crucio!
A grifa sentiu uma pontada de dor, mas dessa vez, tão intensa e extrema, que ela gritara com toda a força em seus pulmões e desejava, mais do que tudo, morrer ali mesmo. Nem mesmo Bellatrix Lestrange lhe machucara da mesma maneira. Hermione sentia o corpo arder como se pegasse fogo, doer como se adagas afiadas cortassem cada centímetro da sua pele e arranhar como se passasse por um chão repleto de espinhos afiadíssimos. Seu grito fora tão forte, que um bando de morcegos saíra voando da árvore em que ela estava.
– Avada Kedavra! – ele disse com a voz fria e tudo acontecera rápido demais.
Hermione viu o lampejo de luz verde vir rapidamente em sua direção e, quando se preparava psicologicamente para ser atingida - o que não seria nada comparado àquela dor -, sabia que não teria muito mais jeito. Porém, Pansy se lançara contra a maldição que estava prestes a alcançá-la tão rápido e, na mesma hora, apontava a própria varinha para Avery e lançando um feitiço de fumaça negra contra ele. Hermione não fazia ideia de que feitiço ela usava e se lembrava vagamente de já tê-lo visto em algum lugar, mas não tinha certeza. O feitiço o atingiu mais rapidamente do que a própria maldição da morte e, ao mesmo tempo, enquanto Avery perdia parte dos sentidos, o feitiço se desfazia no momento em que ele largou a varinha e tombou no chão. Pansy achou provavelmente que ele caíra inconsciente, mas ele logo se ergueu, fraco, mas insistente. Hermione notou que as cordas ao seu redor sumiram, mas ela não fez um movimento muito brusco, ou eles acabariam percebendo. Ela apenas segurou a varinha e permaneceu imóvel.
– Você não sabia, Parkinson? – ele sorriu com frieza. – Seu precioso Snape me ensinou Oclumência tão bem quanto ensinou a você. – Avada Kedavra!
Ele fora rápido ao lançar o feitiço e Pansy provavelmente não esperava, porque não se defendera a tempo. Porém, Hermione, mesmo fraca, já esperava por aquilo e, no mesmo momento, pela primeira vez na vida, lançara a maldição da morte contra Avery, e, no mesmo momento, ambos os feitiços se uniram e formaram uma linha ligada por ambas as varinhas. Hermione usava toda a concentração para não perder o controle em nenhum momento - ou morreria -, mas sentia que a varinha começava a rachar pela força que fazia ao lançar um feitiço tão forte contra outro do mesmo nível. Ela chegou a pensar que morreria, mas Pansy simplesmente lançara um feixe de luz prateado no meio da ligação dos dois e, em questão de segundos, o feitiço fora direto para Avery, que conseguiu desaparatar milésimos de segundo antes do feitiço atingi-lo. Hermione não sabia que era possível desaparatar em Hogwarts, mas talvez na Floresta Proibida, com alguém tão forte como um Comensal, provavelmente existia alguma brecha. Hermione acabou caindo no chão por causa da força do feitiço e, de imediato, olhou para Pansy ao ver que Avery escapara por poucos. Ela sentia seus olhos encherem-se de lágrimas e, assim que notou que a loura a observava, imaginou que fosse ouvir mais palavras duras e ofensas. Quando estava se levantando e finalmente ficou de pé sob as pernas bambas, a grifa fora empurrada contra a árvore atrás dela e esperou que Pansy a matasse ou algo do tipo. Mas, surpreendentemente, ao invés de qualquer atitude agressiva ou letal, Hermione sentira os braços da loura envolvendo a sua cintura e, de imediato, os lábios de Pansy Parkinson contra os seus, beijando-os tão urgentemente, que a sonserina pressionava Hermione contra o próprio corpo com possessividade e desespero. A grifa não sabia dizer o porquê de retribuir ou simplesmente aceitar que aquilo acontecesse, ainda mais numa hora tão imprópria; mas, de forma inexplicável, Hermione não quis, nem por um segundo, que Pansy se afastasse e, por isso, retribuiu com o mesmo desespero, sabendo que, há segundos atrás, achou que fosse perder a loura para sempre. Ao mesmo tempo em que a grifa sentia ódio pela dor que Pansy lhe causou durante tantos meses, sentia-se irrevogavelmente completa naqueles segundos; já não existia mais Avery, nem monstro, Floresta Proibida e nem mesmo Ron… Apenas Pansy Parkinson.
