Aquela era a última prova a ser entregue. Ayame enfileirou todas, olhando as notas.
- Nada como não ter qualquer progresso… – se Ryuu estivesse ali, ela entenderia o real significado por trás daquelas palavras. Mas ela não estava.
- O que foi, Aya-chan? – Tamaki debruçou sobre a mesa, olhando as provas da prima com curiosidade – Oh, você tirou a mesma nota em todas as provas!
A ruiva suspirou.
- Pois é… Bom, eu vou pentelhar a Ryuu-chan um pouco. – ao terminar de falar, a ruiva se levantou e saiu da sala.
- Ah, Ryuu-san é mesmo inteligente! – Haruhi parecia realmente impressionada com as notas da loira.
- Bom… Tanto estudo tinha que dar em algo, ne…? – a Suou não sabia se via aquilo como um elogio, mas, conhecendo Haruhi e sabendo que suas frases eram ditas na inocência…
- Ryuu-chan! – Ayame apareceu de repente na porta da sala do primeiro ano, assustando as pessoas presentes.
- Ah, Ayame. – a loira se levantou de seu lugar e foi até a prima – O que houve?
- Minhas notas… Caíram.
- … O QUE? – os gêmeos, ao ouvirem o comentário, se exaltaram mais do que as Suou gostariam – Como assim?! Um Suou nunca ficou com notas baixas!
- EU DISSE QUE CAÍRAM, NÃO QUE FORAM BAIXAS! – Ayame arremessou os dois no chão.
- Olha só, fazia tempo que eu não via essa cena. – Ryuu riu – Mas, Ayame, explique isso direito.
No Host Club, após o período de atendimento, enquanto todos conversavam sobre as próximas atividades, Kyouya parecia distante. Ryuu, sentada ao seu lado, olhava curiosa para o anfitrião, se perguntando o que teria acontecido. Até onde ela sabia, no máximo aquilo seria pela queda das notas de Ayame (em comparação com seu desempenho na França), mas o que aquilo poderia ter a ver com Kyouya?
- Kyo-chan parece distante. – a voz de Hani fez todos despertarem para o fato.
- Estava pensando sobre as notas da Ayame. Os Suou geralmente mantém um bom desempenho, ela parecia decepcionada por não conseguir. Não acha que o diretor pode ver isso como um problema? – o moreno ajeitou os óculos, olhando para os irmãos Suou em seguida.
- Falando nisso… Onde a Aya-chan está? – Hani olhava ao redor, sem ver a ruiva em questão.
- Ela disse que iria para casa descansar. Como ela mesma disse, "a fadiga mental do período de provas é muito grande". – Ryuu deu de ombros.
- Mas as notas dela caíram tanto assim? – a pergunta veio de Kaoru, que parecia sinceramente preocupado.
- Eu não cheguei a vê-las (e nem sei a divisão desse colégio), mas… Dependendo de como for, ela pode ir para a turma B ano que vem, não pode? Mesmo tendo dinheiro de uma pessoa da turma A… Na verdade, se pararmos para pensar, se não fôssemos da família Suou, é provável que tanto eu quanto a Ayame tivéssemos ficado na turma C ou D. – a pequena Suou debruçou sobre a mesa, pegando um lápis que estava abandonado por lá e começando a brincar com ele. (N/A: se eu não estou enganada, precisa ter abaixo de 7 e acima de 5 para ficar na turma B)
- A Aya-chan na turma B?! – Tamaki parecia horrorizado com a situação.
- Tamaki-nii, você viu as notas dela, não viu? Aposto que não foram suficientemente baixas para ela mudar de sala. Ainda tem a questão do prestígio da família. Ela continua sendo da família Suou. – Ryuu abaixou o lápis que tinha em mãos – E ainda faltam as outras provas. O ano ainda não terminou.
Aquilo pareceu aliviar o rei do Host Club, mas alguém continuava inquieto. A loira olhou para o lado, percebendo que a caneta de Kyouya balançava de um lado para o outro. Estaria digerindo a informação sobre elas ficarem na turma D se não fossem parentes de Tamaki…? Ryuu suspirou. Não adiantava pensar naquilo. O jeito era estudar mais para as próximas provas. Só assim fariam uma boa viagem à França no fim do semestre. Somente os quatro. Para visitar Frederick e Matheu. "Por favor, Chantal, não estrague tudo…".
- Bom, eu também vou para casa. – enquanto falava, Ryuu se levantou e começou a andar em direção à porta.
Ayame estava esparramada no sofá, lendo um livro qualquer de sua coleção pela enésima vez, quando Ryuu entrou na casa. Atrás dela, vinha a avó e o pai. Chantal se sentou de imediato, ajeitando a roupa e o cabelo. O livro repousava em seu colo, com a página devidamente marcada. Ryuu, ao ver a prima, deu levemente de ombros, como se dissesse que fora surpreendida pelos dois. A ruiva não respondeu. Não tinha como. Então as duas sentaram-se lado a lado, com o pai de Ryuu em uma cadeira ao lado de Ayame e a avó em pé diante das duas.
- Baa-sama, a senhora não gostaria de se sentar? – Ayame sorria cordialmente, fazendo menção de se levantar para ceder o lugar.
- Fique quieta, Ayame. – a frase veio acompanhada de um olhar severo, fazendo a ruiva se calar de imediato – Vejo que está lendo algo bom dessa vez.
A garota se apressou em concordar, segurando mais firmemente o livro no colo.
- Mas não é do hábito literário de vocês que eu vim falar. Seu pai – o olhar caiu sobre Ryuu, que engoliu em seco – me informou que vocês pretendem viajar para a França no final do semestre.
Chantal lançou um olhar repreendedor para a prima.
- Bom, vovó… – Ryuu começou, falando com cautela. As duas sabiam o quanto a avó odiava o país em que elas nasceram – Pensamos em fazer uma visita aos nossos amigos de lá.
- Aqueles arruaceiros? Que nem parecem filhos de famílias de renome? Esses amigos? – o olhar passou para Ayame – E ainda vão levar o idiota do meu neto?
- É… Achamos que seria bom ele ver como outras pessoas vivem. Entender melhor o mundo. Afinal, mesmo quando estávamos lá, ele não conhecia muito o estilo de vida de nossos colegas. – Ayame sorria de canto ao falar, esperando que o tom sério da avó sumisse.
- Hm. – novamente o olhar sobre Ryuu – E pretendem levar mais alguém?
- Pensamos em levar o Kyouya-senpai. Ele é da mesma sala que Ayame e Tamaki-nii, mas é muito mais sério que meu irmão. – Ryuu esperava que aquela informação servisse para algo. Ao ver que a avó não diria nada, a garota se apressou em explicar – Pensamos que ele poderia nos ajudar a colocar mais juízo na cabeça de Tamaki-nii. Que, se o idiota do meu irmão visse como Kyouya-senpai é uma pessoa séria e centrada mesmo fora de sua zona de conforto, ele entendesse que é assim que deve agir. Em vez de ser a criança que ele é.
A avó sorriu brevemente de canto.
- Vejo que pensaram bastante a respeito. – o olhar caiu novamente sobre Ayame – E há mais algum motivo ou é apenas esse?
- Apenas esse, vovó. – a ruiva sorriu tão natural e largamente que a senhora logo aceitou o argumento, de forma que o clima ruim pareceu se dispersar.
- Nesse caso, se esforce para poderem fazer uma boa viagem. – ela sorriu, se retirando da casa em seguida.
- Bom trabalho, meninas! – o pai de Ryuu sussurrou logo antes de sair, indo atrás da mãe.
Aurore suspirou quando as duas ficaram sozinhas.
- Eu achei que ela fosse arrancar minha cabeça no carro.
- Imagino… Ela não gosta mesmo da França, hein? Aposto que, se fôssemos para a Coréia, ela nos daria dinheiro sem pensar duas vezes. – Ayame jogou o corpo para trás, relaxando.
- Bom, considerando que eu e Tamaki-nii somos "bastardos" – a loira tinha um ar de repulsa ao pronunciar a palavra – de uma francesa com papai e que a sua família se mudou para a França para ajudar a minha mãe, acho que é normal ela rejeitar o país.
- É… Talvez… Mas, mudando de assunto, como foi no Host Club?
- Kyouya-senpai estava preocupado com a queda das suas notas. – Aurore sorriu como se aquela informação valesse ouro.
- Hm. Será que não é por que isso prejudicaria o Host? Afinal, eu sou parente daquele lá. Isso poderia afetar a imagem dele e do clube. – Chantal deu de ombros.
- Não chame o Tamaki-nii de "aquele lá", coitado. – apesar do comentário, Ryuu ria.
A ruiva riu também.
- Ok, ok… Vou chamá-lo sempre de Tamaki-baka então.
N/A: eu pessoalmente não gostei muito desse capítulo... Acho que é porque agora chegou numa parte em que nada demais acontece. Preciso pensar em uma reviravolta antes da viagem deles! Sugestões são aceitas!
