CAPÍTULO 21

Fogo na neve

Desejo ardente...

-Veja se também estou quentinha...

-...colarmos nossos corpos. Um colado ao outro.

-Qual desses será que é páreo com o do Juca?

...intrigas e tramas que aquecem as emoções...

-Faço questão de apresentá-las à nova inspetora.

-Frieda... – murmurou Lanísia, abismada.

...Essa Fogueira das Paixões não pára de pegar fogo.


-Rebecca? Tem certeza disso?

Augusto olhava desconsolado para a diretora. A sugestão de Frieda fora aceita com entusiasmo por Minerva, e todos os outros professores também acharam uma ótima idéia ter uma inspetora de alunos na escola. A reunião havia sido encerrada em seguida, e, assim que todos os professores saíram, Augusto aproximara-se de Minerva para demonstrar sua insatisfação.

-Sim, tenho certeza – respondeu Minerva. – Rebecca é uma ótima inspetora de alunos, assim como uma bruxa adorável.

-Eu não sei...

-Professor, sei muito bem que essa hesitação diz respeito ao passado que existe entre você e Rebecca. Porém, ter Rebecca aqui, pelo menos por um lado, será ótimo para você, afinal, junto a ela, virá a sua filhinha. Teremos o maior prazer em reservar um espaço para Karen.

-Sim... Não havia visto por esse lado... – Augusto estava perplexo consigo mesmo; nem por um segundo lhe viera a lembrança de Karen. Na verdade, nos últimos dias, nem pensava na filha direito; na maioria das vezes, até esquecia que tinha uma filha. Efeito-Lanísia...

-Viu como não será tão ruim? A presença de Rebecca aqui será muito importante. Nos ajudará a manter os alunos sob controle. Talvez Frieda a tenha sugerido pelo parentesco que existe entre as duas, mas, mesmo assim, foi uma ótima idéia. E eu que pensava que passaríamos horas nessa sala discutindo centenas de idéias diferentes...

Augusto deu uma risadinha. Duvidava muito que Frieda tivesse dado aquela idéia pensando no bem estar da sobrinha. Velhas brigas familiares lhe vieram à memória como provas de que Frieda não caía de amores sobre a sobrinha, e vice-versa. Algumas pessoas podiam mudar com o tempo, esquecerem antigos rancores, mas não Frieda Lambert.

Minerva bocejou.

-Acho que vou dormir um pouco. Essa foi uma das madrugadas mais movimentadas da minha vida...

-Da minha também – Augusto falou, sorrindo; ela nem fazia idéia de quão movimentada havia sido.


-Pronto! Tome essa poção por dois dias, e estará novinha em folha!

Dito isso, Madame Pomfrey despediu-se de Clarissa e saiu da sala comunal. O local já estava deserto, de modo que Joyce, Lanísia e Mione foram até a amiga, conversar um pouco sobre as suspeitas de Hermione.

-Qual seria esse caminho imprevisto pelo qual Frieda pode agir? – perguntou Joyce.

-Não sei – respondeu Mione. – Se é imprevisto é porque não pode ser previsto!

Joyce franziu a testa.

-É. Realmente – disse, pensativa.

-Não se esqueçam do que ela falou... Sobre aquele tal de "efeito dominó" – disse Mione. – Cai uma, caem todas. Eu não sei por qual meio ela vai agir, mas acredito que escolherá uma de nós como vítima, pelo menos para começar.

-Será que é preciso mexer com uma de nós? – indagou Clarissa. – Não basta a pesquisa que ela já vai se empenhar em fazer?

-Não. Os livros não são claros o suficiente, até mesmo para alguém tão inteligente quanto Frieda. Ela encontrará diversos rituais. Precisa ir mais longe para identificar qual foi o que praticamos.

-Bom, se ela quer identificar, então ela também concentrará as atenções nos rapazes? – perguntou Lanísia.

-Sim – respondeu Mione. – Acho que mais neles do que em nós. Talvez analisará o nível de paixão que existe neles... Como se comportam diante de algumas situações... Para ir eliminando ritual por ritual, até chegar a Fog...

-Shhhh... – fizeram as outras, alarmadas.

-Desculpem... Esqueci. Agora não podemos mencionar esse nome nem em cochichos.

-Nossa...

-O que foi, Lanísia? – Joyce ficou assustada com a expressão de surpresa da amiga.

Havia esquecido de devolver a lingerie "emprestada" do Bruxetes.

-Nada... Não estou me sentindo muito bem, só isso. Acho que vou ao banheiro...

-Não acho uma boa idéia ficar zanzando pelos corredores depois de uma noite tão agitada como essa – disse Clarissa.

-Se alguém aparecer, precisa entender que não estou bem!

-Você estava bem até agora...

-Enjôo súbito, Joyce, nunca ouviu falar? – Lanísia exaltou-se. – Vem de repente mesmo... Ah, deixa pra lá. Não me esperem, posso demorar.

-Tudo bem – respondeu Mione por todas, enquanto Lanísia saía do salão.

-Vamos dormir um pouco? – perguntou Joyce, bocejando em seguida.

-Acho que será um pouco difícil pregar os olhos com a ausência da Alone, justamente na madrugada em que nos defrontamos com a ameaça de Frieda, mas, tudo bem, podemos tentar – disse Mione.

-Com certeza ela está melhor do que a gente – falou Clarissa. – Deve estar se divertindo com o Potter... Andem, meninas, me ajudem. Também preciso dormir um pouco. Essa noite não foi das melhores.

Apoiando Clarissa, Mione e Joyce foram para o dormitório junto à amiga.


Deitados no colchão, cada um apoiado em sua respectiva almofada, Harry e Alone conversavam, tranqüilos...

-Por que acha que alguém denunciaria o Lorenzo? – perguntou Alone. – A festa estava tão boa... Não acha estranho? Poderia até ser uma pessoa que estivesse irritada por não ter ido a festa, talvez alguém do primeiro ano, mas Clarissa ouviu a pessoa batendo a porta do bar antes de derrubá-la, ou seja, foi alguém que estava lá dentro.

-Talvez tenha acontecido algo ruim para essa pessoa, enquanto ela estava na festa. Pode ter levado um fora, por exemplo. Ficou irritada e resolveu estragar a noite de todos.

-É, pode ser. Só espero que eles tenham conseguido ocultar tudo.

-Conseguindo ou não, a pessoa que tentou estragar tudo não teve o poder de estragar a noite de todos. A minha, por exemplo, está sendo maravilhosa.

Alone sorriu.

-É, mas graças apenas a um pouco de sorte e de sua persistência, mais à sorte, eu diria. Neve acumulada nos impedindo de sair, varinhas perdidas, colchões e almofadas dentro dos armários para nos acomodar e cobertores para nos aquecer...

-Mas, sabe, existem coisas que aquecem mais do que todos esses cobertores. Aquece todo o corpo mesmo, não só por fora. Também cria calor interno.

-Humm... Corpo todo pegando fogo em meio à neve. Um choque térmico muito interessante... – disse Alone, maliciosa, estendendo a mão para o cobertor e, deslizando-a por baixo, alcançando o corpo de Harry. Ela ergueu um pouco da blusa dele e começou a acariciá-lo na barriga. – Nossa... Você já está quente...

Harry arrepiou-se com as carícias de Alone.

-Desse jeito... Ficarei ainda mais quente... – disse, entre prolongadas tomadas de ar.

-Quer conferir se estamos em sincronia quanto à temperatura dos nossos corpos, Harry??

Ela viu os olhos verdes do rapaz se arregalarem de surpresa diante da proposta; adorou a reação dele.

-Posso... conferir?

-Mas é claro! – ela se ajeitou um pouco mais para o lado dele; ergueu os braços acima da cabeça, para deixar-se totalmente à mercê das mãos de Harry. – Veja se também estou quentinha...

Harry foi mais rápido do que ela esperava. Enfiou a mão por baixo do cobertor e logo encontrou o corpo de Alone. Sua mão, ágil, ergueu a blusa da garota e explorou a barriga e a cintura.

-E então? – perguntou Alone.

-Quente... Bem aquecida... – Harry deu uma risadinha. – Sim, estamos em perfeita sincronia.

-Será mesmo?? Ou será que um de nós está mais quente do que o outro? Pode ser... Uma mínima diferença pode existir... – ela estalou os dedos. – Ah! Só há uma maneira de verificarmos se nossas temperaturas corporais são realmente as mesmas: colarmos nossos corpos. Um colado ao outro.

-Sim... Acho que é uma ótima idéia, Alone! Precisamos ter certeza, claro...

-Então...

Ela ergueu-se um pouco e, girando o corpo, parou bem em cima de Harry. O rapaz, perplexo, ficou imóvel, as costas ainda apoiadas sobre as almofadas azuis. Alone ficou agachada, um joelho de cada lado de Harry, fechando o corpo do rapaz.

-Vamos verificar...

Alone deitou-se e, num movimento sensual, começou a esfregar a barriga sobre a barriga de Harry, bem de leve. Harry fechou os olhos e seu corpo moveu-se um pouco com a surpresa do contato.

-Já deu pra sacar se estamos envolvidos na mesma onda de calor, Harry??

-Ainda não... Precisa de mais contato...

-Humm... Contato maior do que esse... – Alone ergueu-se e fingiu que pensava.

-Não, não pare... – Harry tentou puxá-la para junto dele novamente, mas Alone afastou o braço.

-Calma! Controle-se! Estou pensando em algo mais preciso... Mas é claro!! – ela acariciou o rosto dele. – Já que com a barriga não foi suficiente...

Alone retirou a blusa e, em seguida, o sutiã negro que usava e, jogando-o longe, inclinou-se sobre Harry – que a essa altura estava com a boca meio aberta e um pouco mais branco, tamanho o assombro com a rapidez dos atos de Alone.

Seus olhos registraram rapidamente o belo par de seios que quase tocaram o seu rosto – mas foi uma breve visão, já que Alone só parou de inclinar-se quando seus seios tocaram o peito dele. Harry perdeu o fôlego; aquilo era demais...

Sentia a carne quente e firme dos seios de Alone, espremidos contra o seu corpo. A pressão exercida por aquelas duas montanhas calorosas o deixaram alucinado; Harry encolheu os dedos dos pés e contorceu-se um pouco, tomado por um calafrio prazeroso.

Alone, demonstrando indiferença quanto às reações do garoto, colocou as mãos sobre os ombros dele e o olhou bem nos olhos.

-Agora deu pra conferir direitinho, não?

-Sim... Se a temperatura ainda não era a mesma, agora ficou – disse ele, gotículas de suor se formando sobre a testa. – Aumentou uns dez graus com o contato com os seus peitos...

-Gostou, não é?? – ela balançou-os um pouco; Harry contorceu-se outra vez. – Interessante o efeito provocado por eles...

-Sem dúvida... – balbuciou ele.

-Mas, Harry, começamos esse papo sobre calor dos corpos quando você mencionou que existia algo que criava, além desse calor que estamos sentindo por fora, um calor interno. O que seria?? Mostre-me como deixar nossos corpos ainda mais quentes, queimando em fogo por todos os lados!

-Vou lhe ensinar esse truque, antes que você me enlouqueça...

Ele puxou o rosto dela para mais perto e beijou-a, sôfrego. Enquanto se beijavam, Harry foi levantando-se e mudando de posição, de modo que, quando o beijo foi encerrado, ele estava sobre Alone, agora sentindo aquele belo par de seios sob o peso de seu corpo. Olhando-a com malícia, Harry desabotoou a calça e jogou-a para o lado; em seguida, sem pestanejar, desceu a cueca. Alone levou o dedo indicador à boca e o mordeu.

-Nossa... Pelo que vejo, o fogo do seu corpo foi até mais embaixo...

-É, está bem aquecido também. Acho que mais do que o resto do meu corpo. Você... Quer sentir como está quente?

-Ah, não sei... – ela ergueu os olhos, pensando...

-Bom, se você não pegar, vou ter que fazer você sentir o quanto ele está quente de outra forma...

-Acho que prefiro dessa outra maneira. Veja bem, são partes importantes de nossos corpos! Podemos verificar se estão na mesma temperatura... Você sabe do que estou falando...

Ela tirou a calça, arremessou-a e, com a mão, indicou a calcinha negra que estava usando.

-Sei muito bem. Era o que eu estava pensando... – disse Harry, estendendo a mão e, sem delicadeza, retirando a calcinha de Alone.

Desfrutou a visão da intimidade da garota, bem ali, diante dele, oferecendo-se. Ele aproximou-se mais do corpo de Alone...

-Agora, além de vermos se eles estão na mesma temperatura, é chegada a hora do fogo interno arder – disse Harry.

-Isso!! Meça a nossa temperatura!

-Pode deixar, baby! Sinta o seu termômetro!

O "termômetro" invadiu Alone; ali, naquele contato, foi constatado que, também internamente, os dois estavam na mesma temperatura. Abraçados, os dois se amaram, alucinadamente, o fogo interno crescendo a cada segundo, gotas de suor escorrendo de ambos os corpos. Era de surpreender que, ao redor daqueles dois amantes calorosos, a neve não derretia...


Lanísia, dentro do Bruxetes, retirou a lingerie que vestia, colocando-a no mesmo manequim de onde a retirara. Vestindo-se novamente, deu uma conferida em Ted; o bruxo continuava dormindo.

-A poção era potente mesmo – disse ela, para si mesma. – Aprontaria comigo horrores se eu não tivesse percebido... Ah, pobre Ted, achou que mexia com uma menina ingênua, se danou...

Ela examinou-o por um momento.

-Até daria pro gasto, se não fosse tão mesquinho... – ela olhou para o manequim, que agora usava a lingerie. – Quando acordar, nem notará que uma de suas lingeries especiais já foi utilizada!

Lançando um último olhar de desprezo para o bruxo, Lanísia saiu da loja. O amanhecer já dava seus sinais – o tom negro do céu noturno começava a clarear. Ela entrou por uma das ruas de Hogsmeade – uma das muitas que dava acesso à estrada que levava ao castelo – e, durante a caminhada, virou-se sem motivo. Aquele olhar que lançou para trás lhe revelou algo inesperado...

Uma figura descia a rua que levava ao Bruxetes, de cabeça baixa. Mesmo àquela distância, a maneira de andar era inconfundível.

-Frieda... – murmurou Lanísia, abismada.

O que Frieda fazia em Hogsmeade àquela hora? Lanísia não conseguia entender... A única possibilidade que lhe passou pela mente foi descartada imediatamente, que foi uma possível visita de Frieda ao Lorenzo´s, por conta da acusação lançada sobre o bar – não fazia sentido, pois o Lorenzo´s não ficava daquele lado do povoado.

Intrigada e sem capacidade para conter sua curiosidade, Lanísia voltou, correndo. Não podia perder Frieda de vista; ela era agora uma inimiga das Encalhadas, e saber onde aquela megera colocava os pés era muito importante. Quando se aproximou da esquina, Lanísia diminuiu os passos e, com o coração em disparada, esticou o pescoço para espiar a rua.

O que viu fez o seu coração bater ainda mais rápido...

Frieda continuava descendo a rua e ia diretamente ao Bruxetes...

-Mas... Por que? – sussurrou a garota.

Ela continuou de olhos fixos em Frieda, que, ao chegar diante das portas da loja, deu três batidas. Em seguida, Frieda olhou ao redor, feito que obrigou Lanísia a recuar por um momento. A garota aguardou cerca de dez segundos e, em seguida, temendo que Frieda estivesse olhando para trás, esticou o pescoço novamente.

Frieda, provavelmente percebendo que não ia ser atendida, girou a maçaneta da porta e entrou na loja, encostando a porta atrás de si.

-Que audácia... – comentou Lanísia. – Difícil de entender isso... O que ela foi fazer lá?? Será que sabia que eu estava lá? Ai... Preciso passar isso para as Encalhadas, para pensarmos todas juntas!

Ela lançou um olhar curioso para o Bruxetes.

-Podia tentar espiar, mas... Não! Melhor não! Confusões demais por hoje! Só vou comunicar as garotas e pronto! É... Só...

Lutando contra a sua curiosidade, Lanísia retomou a caminhada em direção a Hogwarts. O que quer que Frieda tivesse ido fazer no Bruxetes, com certeza não demoraria, ao ver que o dono da loja estava em um sono terrivelmente profundo. Era melhor se apressar para que a professora não a visse...


Às oito horas da manhã, Hermione já estava acordada, apesar da noite movimentada. Acordara cerca de meia hora antes e ficara aguardando, de olhos bem abertos, o horário combinado finalmente chegar. Afinal, não podia perder aquele encontro de maneira nenhuma. Seria ótimo começar o dia ao lado de Rony, entregue aos seus beijos, abraços, carícias e declarações de amor. Um breve, mas maravilhoso, instante de verdade em sua vida, que seria, na maior parte do dia, constituída de mentiras.

Era importante também ter momentos Weasley antes dos momentos Malfoy, para que lembrasse o quanto Rony significava mais. E, claro, Rony era o namorado de verdade, Draco era o de mentira, mas todos deviam pensar que o de mentira era o namorado verdadeiro, enquanto o verdadeiro era apenas um ex-namorado e... Mione respirou fundo. Não seria nada fácil...

O relógio que ela fitava finalmente chegou às oito horas. Animada, Mione deu um pulo da cama e, em disparada, saiu do dormitório.

Ela saiu do salão comunal e, virando à esquerda, caiu diretamente nos braços de Rony. Ambos riram e, abraçando-se, se beijaram.

-Quanta pressa! – brincou Rony, fazendo-lhe caricias no rosto.

-Foi uma contagem interminável de segundos!! É nosso primeiro encontro depois da reconciliação...

-Sim, e o nosso primeiro encontro às escondidas... – Rony respirou fundo. – Será que teremos que viver assim para sempre? Você vivendo uma farsa ao lado de Draco, precisando enganá-lo, enquanto nos encontramos em segredo, como se eu fosse seu amante?

-Espero que não... Temos quase certeza de que o poder do ritual não pode ser desfeito, mas já iniciei uma busca na biblioteca, procurando uma maneira de quebrar o encantamento. Voltarei lá hoje. Agora que estamos juntos torna-se ainda mais importante para mim me livrar desse encantamento maldito.

-Para ficar ao seu lado, eu seria capaz de me esconder de Malfoy pelo resto da vida, mas... Se não precisássemos nos esconder, tudo seria bem mais fácil.

-Pode deixar... Mergulharei de cabeça nos livros hoje à noite. Se existir uma maneira de acabar com o poder do encantamento, eu irei descobrir.

-Claro que vai... É a garota mais inteligente desse castelo – ele abraçou-a. – Agora, que tal deixarmos o papo um pouco de lado e fazermos certas coisas que não precisam de palavras?

-Humm, acho ótimo!!

Os dois não se desgrudaram mais. Beijos, toques, carinhos, abraços...

Até se esqueceram de que aquele era um encontro secreto, e que ninguém poderia vê-los. Assim, quando deram conta de passos se aproximando, já era tarde demais.


Serena, atormentada pela recente perda dos pais, e também preocupada com a ameaça que Frieda representava desde a noite passada, não conseguira dormir muito bem. A insônia finalmente vencera a batalha, de modo que ela desistiu de tentar dormir novamente e, pegando um de seus livros, sentou-se em uma cadeira que havia no dormitório para ler um pouco.

Por algum tempo, só o que ela ouviu foi a respiração regular de Lewis, que dormia na cama em frente. Ocasionalmente, lançava olhares para o rapaz, admirando-o. A tranqüilidade do dormitório foi quebrada quando um ruído somou-se à respiração de Lewis; alguém girava uma chave na fechadura da porta. Serena conteve um palavrão; só podia ser ela...

Frieda abriu a porta e trancou-a assim que entrou. Serena, por cima do livro, a olhava, intrigada: onde Frieda estava? Depois que trancou a porta, Frieda finalmente percebeu que Serena estava acordada.

-Perdeu o sono, garota? – perguntou, com desprezo.

-Não. Estou morrendo de sono, mas achei que seria mais divertido ficar sentada aqui, lendo um livro – respondeu Serena, irônica.

-Não me irrite – disse Frieda, fria. – Não estou para brincadeiras agora.

-Mas quem disse que estou brincando com você?

Num piscar de olhos, Frieda avançou até Serena e deu um tapa no livro, derrubando-o no chão; contra a sua própria vontade, Serena arregalou os olhos e sentiu um sopro de ar frio invadir-lhe a garganta.

O rosto de Frieda, tão próximo do seu, era uma máscara de fúria.

-Estou falando sério, garota. Não-me-irrite. Deu pra entender agora?

Olhando para a face da professora, Serena percebeu algo que lhe chamou a atenção... Um sinal do lado direito, acima da sobrancelha; uma mancha arroxeada, como se Frieda tivesse batido a cabeça em algum lugar...

Frieda, acompanhando o olhar intrigado de Serena, levantou-se imediatamente e deu as costas.

-Pare de me olhar desse jeito, garota irritante!

Ela bateu a porta que dava acesso ao seu dormitório; o impacto foi tão grande que conseguiu retirar Lewis de seu sono tão profundo.

-O que aconteceu? – ele perguntou, esfregando os olhos. – O castelo está caindo?

-Não – respondeu Serena. Depois, mais baixo, disse para si mesma. – Mas talvez a casa esteja caindo para algumas pessoas...


-Uau! Mas o que estou vendo?

Mione e Rony, com os corações em disparada, olhavam para Alone. A garota sorria, surpresa, com as mãos na cintura. Eles ouviram novos passos e uma sombra surgindo atrás de Alone. Rapidamente, Mione levou um dedo à frente dos lábios e pediu silêncio, enquanto afastava-se para o lado com um pulo.

Era Harry quem surgia atrás de Alone, parecendo animado e distraído. Ele vinha caminhando com as mãos nos bolsos, olhando para baixo, e trombou com Alone.

-Ai! – reclamou. – Por que parou...? – finalmente ergueu os olhos e viu Rony e Mione, desconfiados, pálidos e com os corpos imóveis, rígidos, como se, com um movimento, pudessem acabar com suas vidas. – Rony? Mione? Algum problema??

Mione tentou sorrir.

-Nenhum! Por que teria algum problema?

-Não sei... Vocês estão esquisitos – Harry franzia a testa enquanto falava, analisando-os de cima a baixo.

-Imagine! Nunca estive tão bem! – ela olhou para Rony. – E você, Rony?

-Também estou ótimo! Aliás, estamos tão bem, mas tão bem, que nos levantamos bem cedo para aproveitar essa linda manhã em uma bela caminhada, debaixo da linda luz do sol desse lindo dia!

Mione olhou-o de esguelha.

-E calando a bela boca para não cair numa linda situação ridícula!

-Exagerei, desculpe... – Rony murmurou, corando.

-E iam juntos? – indagou Harry.

Hermione e Rony se entreolharam; em seguida, tiveram um ataque de risos.

-Eu? Saindo com ele? – perguntou Mione, antes de cair em novas gargalhadas. – Por favor, Harry! Tenho respeito por mim! Vivi os piores dias de minha vida amorosa ao lado desse cara para sair a sós com ele! Os piores beijos que já experimentei.

-Você experimentou outros?

A pergunta de Harry fez Rony mergulhar em um acesso de risos – dessa vez, verdadeiros.

-Claro que já – disse Mione, séria.

-De quem? – perguntou Harry.

-Antonio Goldstein, por exemplo.

-Nãããão! – Rony parou de rir, pasmo.

Mione voltou-se para ele.

-Você sabia que eu tinha ficado a sós com ele no início do ano.

-Sim, mas para treinar um dever de Feitiços!

-Ah, em uma sala escura, só nos dois, você achava que a única coisa que tinha sido praticada ali era o feitiço?

-Devia ser! Não me lembro de Flitwick ter incluído certas "coisinhas" dentro do dever. Aliás, quais foram as "coisinhas"?

-Só o básico.

-Acho bom... – ele cruzou os braços; ao olhar para Harry, viu que o amigo o encarava, aturdido; Rony descruzou os braços e, sem graça, coçou os cabelos. – É, acho bom ter sido só o básico, afinal, vocês estavam em uma sala, e não é lugar para esse tipo de coisa, não é?

-Sim, claro! Poderíamos ser flagrados!

-Exatamente! Mas, por sorte, Mione, juízo é o que não falta a você – Rony fechou a cara ao concluir a frase.

Hermione não respondeu.

-Bom, não tenho pique para uma caminhada, senão acompanhava um dos dois – disse Harry, espreguiçando-se. – Nossa, dormi bastante, mas não foi o suficiente.

-Atividade física em excesso, queridinho! – falou Alone, sorrindo.

Hermione captou a malícia que havia naquela frase...

-Dormiram fora, não foi? – perguntou.

-Sim – respondeu Alone. – Fomos conversar no vestiário do campo de quadribol e ficamos presos. A neve cobriu a saída, tivemos que esperar que ela derretesse.

-E dormiram, né?

-Sim, Mione.

-É evidente, quando vemos o estado do Harry – zombou Mione, enquanto Harry se espreguiçava e bocejava. – Acho que nem dá mais para passear. Vou entrar e ajeitar as minhas coisas.

-Eu vou cochilar um pouco... Até mais, Alone! – falou Harry, afastando-se.

-Eu vou dar a minha volta – disse Rony. – Bom dia para vocês!

Foi só ele desaparecer de vista para que Alone puxasse Hermione pelo braço, ansiosa.

-Hermione, conta tudo! Que beijo era aquele, mocinha?

-Fala baixo! – Mione censurou-a, olhando ao redor. – É exatamente o que você viu! Rony e eu estamos juntos de novo!

-Mas você estava muito irritada com ele ontem à noite! Havia se decidido pelo Malfoy!

-Tudo mentira! Uma farsa! Eu e Rony resolvemos namorar em segredo!

-Segredo até para as Encalhadas? – Alone ficou indignada. – Achei que não havia segredos entre nós!

-Eu ia falar para todas, mas Joyce disse que achava melhor não falar nada, pelo menos por enquanto... Mas, não importa, o fato é que eu e Rony estamos juntos novamente, sim, e você é uma das poucas pessoas que sabe disso. Preciso que mantenha isso em segredo, Alone, não comente com as garotas.

-Tudo bem, pode deixar.

-Hoje à noite faço uma nova busca na biblioteca. Preciso encontrar a maneira de reverter o poder do encantamento, para que eu e Rony possamos namorar em paz novamente.

-Tem certeza de que vale a pena continuar procurando? – perguntou Alone, tentando disfarçar sua preocupação. – É quase certo de que não existe maneira de reverter o que fizemos, e...

-Você falou bem: é quase certo. Deve haver uma maneira! Não posso desistir sem procurar.

-Já que você insiste em fazer essa busca, posso ir com você novamente... – ela balançou os ombros.

-Obrigada, Alone, vai me ajudar, e muito. Agora, fale pra mim: você e Harry, sozinhos dentro de um vestiário, isolados pela neve... Rolou, não rolou?

-Sim!! – os olhos de Alone brilharam só com a lembrança. – Ah foi fantástico, Hermione! Melhor do que eu esperava, foi maravilhoso! Harry foi simplesmente perfeito, era como se eu estivesse dentro de um sonho...

"Será que você não está dentro de um? Ou Harry continuará sendo o garoto perfeito depois que descobrirem uma forma de aniquilar o poder da Fogueira? Descobre-se a maneira de encerrar o poder do ritual e tudo não passará de um sonho...".

Alone tentou afastar aqueles pensamentos de sua mente – pensamentos que tiraram o ar de seus pulmões por alguns segundos...

-Ah quero detalhes!! Ou melhor, todas nós vamos querer detalhes! Vejo que a reunião de hoje também terá assuntos muito quentes em pauta! Você e Lanísia aprontaram na mesma noite!

-Foi tão bom aprontar, Mione... – Alone se abanou com a mão, enquanto as duas começavam a caminhar rumo à sala comunal. – Você nem tem idéia do quanto...


Organizar a reunião daquele dia não foi nada fácil – seria a primeira reunião a ser realizada depois que Frieda Lambert começara a atormentar as Encalhadas. Primeiramente, era preciso encontrar um lugar que não fosse muito movimentado; uma reunião na biblioteca, por exemplo, fora descartada imediatamente. Quando foi decidido o lugar – a Sala Precisa – foi armado um esquema de segurança para que cada Encalhada fosse até a sala com diferença de alguns minutos, e por caminhos distintos, sem deixar de olhar para todos os lados e se certificar de que não estava sendo seguida – com exceção de Clarissa que, com a perna ainda em recuperação, precisou subir com a ajuda de Joyce.

Era hora do jantar e Hermione, que no sorteio realizado durante o intervalo do almoço retirou o papel que a definia como a última a ir para a sala, chegava nesse momento no corredor. Teve que segurar o riso ao se deparar com as garotas espremidas e mal escondidas atrás de um vaso de plantas.

-É, se fosse a Frieda, ela realmente não conseguiria ver vocês! – zombou.

Elas deixaram o esconderijo, parecendo aliviadas.

-Eu não disse, Joyce, que não adiantava nada se esconder? – perguntou Clarissa, limpando a roupa.

-Era melhor do que ficarmos expostas! Acho que Frieda é um pouco míope, talvez nem percebesse que estávamos ali atrás.

-Chega de papo! – pediu Serena. – Vamos, Mione, faça a entrada para a sala surgir!

Mione seguiu o procedimento, concentrando o pensamento. Precisamos de uma sala para uma reunião das Encalhadas... Precisamos de uma sala para uma reunião das Encalhadas...

A porta surgiu. Mione abriu-a e entrou na Sala Precisa, sendo seguida pelas garotas. Quando fitaram a sala que tinham diante de seus olhos, todas ficaram boquiabertas.

-Mione, o que você desejou? – perguntou Lanísia, indignada. – Uma sala para piranhas?

-Ou uma sala para vadias? – indagou Clarissa.

-Uma sala para as Encalhadas! – respondeu Mione.

A sala era um misto de centro de reuniões e loja de artigos sexuais. Havia uma mesa rosa, rodeada por seis cadeiras; sobre as paredes, cartazes com fotos de casais na cama, "em ação"; a pior parte se encontrava em um canto: diversos brinquedos, muito parecidos com o órgão masculino, de vários tamanhos.

-É como um parque de diversões!

-Joyce!! – exclamaram as outras, espantadas.

-Ai, desculpem!

Mione avançou pela sala. Havia também uma prateleira carregada com pergaminhos de auto-ajuda.

-"Como conquistar um homem"... "Não fique para titia, no fundo, no fundo (mas bem no fundo) você vale a pena!"... "Guia da mulher encalhada"... "A varinha amante"... Nossa! – ela arregalou os olhos. – Cada idéia absurda...

-"A varinha amante"! Imagine o que eles não ensinam a fazer com a varinha... – falou Alone, rindo.

-Então essa é a idéia que a Sala Precisa faz de nós? – indagou Lanísia, espantada. – Será que merecemos isso?

-Estão reclamando do quê? – perguntou Joyce, realizando-se em meio aos "brinquedos". – Estou adorando... Quem precisa de um homem tendo um desses??

-Pra você, Joyce, um homem é só um pênis?

-Não é? – perguntou ela para Alone, franzindo as sobrancelhas.

-Bom, ou a Sala só levou em conta a Joyce ou levou a palavra encalhadas ao pé da letra – disse Mione. – Acho que foi a segunda opção.

-Qual desses será que é páreo com o do Juca? – perguntou Joyce, fitando os brinquedos com atenção.

-Joyce! A reunião! – avisou Mione.

-Ah, claro! – ela pigarreou, afastando-se dos artefatos com certa relutância. – Então, vamos nos sentar ao redor da mesa... Aí não, Clarissa, prefiro ficar sentada aí, de costas para os... Os brinquedinhos, sabe? Senão não conseguirei me concentrar... Surgem lembranças, idéias...

-Tudo bem, Joyce, não precisa entrar em detalhes! – disse Alone, deixando o lugar para ela.

Cada uma das Encalhadas ocupou uma das cadeiras. Assim que todas já estavam sentadas, Joyce iniciou a reunião.

-O tema principal de nossa reunião é, claro, Frieda Lambert. Já viemos discutindo nas entrelinhas sobre isso, tentando descobrir por qual maneira ela começará a agir, mas ainda não fizemos isso na presença de todas. Por isso, peço que manifestem suas opiniões agora.

-Frieda fará as buscas nos livros e com certeza armará situações para identificar qual foi o ritual que fizemos – disse Mione. – Só que, como eu já disse, não podemos prever como ela armará essas coisas!

-Será bom ficarmos de olhos grudados nela – falou Lanísia. – Enquanto ela tenta descobrir o que fizemos, nós tentamos descobrir o que ela vai aprontar! Se estivermos preparadas para cada cartada de Frieda, ela nunca conseguirá o que quer.

-Isso! – concordou Joyce. – Devemos ficar bem atentas...

-Comunicar sobre qualquer ato de Frieda que chame a atenção, mesmo que pareça insignificante à primeira vista – disse Clarissa.

Serena ergueu a mão.

-Eu já vi um.

-Ah, querida, eu já vi vários... – falou Joyce, rindo e fazendo um gesto vago na direção dos "brinquedos".

-Não estou falando desse órgão, Joyce! – o rosto de Serena corou um pouco. – Eu quis dizer que já vi um ato de Frieda que me chamou a atenção... Na verdade, nem foi um ato, foi algo nela.

-Nela? – indagou Alone. – Como assim?

-Hoje de manhã. Eu perdi o sono por causa de tantos problemas, e resolvi ler um livro. Frieda apareceu de repente. Já achei estranho ela ter saído tão cedo, e mais estranho ainda o comportamento dela. Claro que ela não é um doce de pessoa, é amarga por natureza, mas, além da amargura que faz parte dela, percebi outra coisa. Raiva.

-Raiva?

-Sim, Mione. Como se tivesse acabado de passar por uma situação que a deixara enfurecida. Mas não foi só isso. Quando ela se aproximou mais, vi algo no rosto dela, perto da sobrancelha... Uma mancha roxa, ou, melhor dizendo, um hematoma.

-Será que ela não caiu em algum lugar e bateu a cabeça? – sugeriu Clarissa.

-É mesmo! Quedas são normais na terceira idade... – zombou Joyce.

-É, talvez... – Serena balançou os ombros.

Lanísia olhou para as amigas, ponderando se devia ou não falar que havia visto Frieda em Hogsmeade. Se contasse, teria que abrir o jogo sobre seu emprego fracassado no Bruxetes; não queria fazer isso, mas o medo do que Frieda podia ter ido fazer naquela loja era maior...

-Eu vi Frieda em Hogsmeade, hoje de manhã.

Todas se voltaram para ela, pasmas.

-Você foi em Hogsmeade hoje cedo? – perguntou Alone.

-Sim. Vocês não se lembram daquela hora em que estávamos na sala comunal e eu disse que precisava ir ao banheiro?

-Ah é, verdade! Esqueci que o banheiro mais próximo fica lá no povoado! – disse Joyce, irônica.

Lanísia suspirou.

-É, eu menti. Não fui ao banheiro, fui até Hogsmeade. Precisava ir até o Bruxetes, devolver uma lingerie que estava comigo.

-Como pegou uma lingerie do Bruxetes se a loja nem foi aberta ainda?? – indagou Clarissa.

-Eu ia trabalhar para a loja, em segredo – ela parou de falar, enquanto as Encalhadas soltavam o Ohhh de espanto. – Seria a garota que provaria todas as peças, para verificar se eram aprovadas.

-"Ia", "seria", tudo no passado... Você desistiu do emprego? – perguntou Alone.

-Sim. Ted Bacon ia se aproveitar de mim. Colocou poções de sono em uma taça para que eu bebesse e adormecesse, mas fui mais esperta e as troquei. Ele dormiu, peguei uma das lingeries, e fui encontrar-me com o professor. Aí, hoje de manhã, fui devolver.

-Vamos tentar ignorar suas mentiras e nos concentrarmos em nossos problemas – disse Joyce. – Como e quando você viu a Frieda lá no povoado?

-Depois que eu deixei a lingerie. Já tinha saído da loja, estava voltando para o castelo, quando eu a vi. Estranhei muito a presença de Frieda bem ali, então voltei um pouco para ver onde ela ia entrar. Quando espiei, vi que estava indo para o Bruxetes.

-Minha nossa! – exclamou Serena.

-O que ela foi fazer lá? – perguntou Mione.

-Não faço a mínima idéia – respondeu Lanísia. – Mas acho que isso pode ajudar a explicar onde Frieda conseguiu a raiva e o hematoma que Serena viu no rosto dela.

-E também pode indicar um dos meios que Frieda usará para descobrir o nosso segredo – disse Joyce, pensativa. – Ela pode ter ido atrás de Ted Bacon para conseguir um aliado...

-Não entendi...

-Lanísia, Frieda tem que testar os rapazes que estão enfeitiçados. Uma das maneiras poderia ser através do ciúme. Ela já sabe que você encantou o professor Augusto, e pode querer provocá-lo utilizando Ted.

-E ela ia acertar assim, na mosca, que Ted tem alguma ligação comigo? Ela não pode saber que ele "era" meu patrão, ninguém sabe disso!

-Talvez ela não tenha acertado. Talvez ela já soubesse – disse Clarissa.

-O que quer dizer com isso? – Lanísia ficou preocupada.

-Frieda já conhece o Ted. Lembro que em algumas ocasiões a minha família, os Lambert e os Bacon chegaram a se encontrar. Talvez Ted já havia mencionado você para Frieda.

-Não! – Lanísia ficou pálida. – Será que fui a escolhida para ela começar a nos investigar?

-É o que tudo indica – disse Mione. – Mas isso ainda não explica o hematoma...

-Ah deve ter sido um tombinho bobo – falou Joyce. – Não é importante...

-Algo me diz que é sim – Mione disse aquilo com tanto mistério na voz que um silêncio pairou sobre a sala por alguns segundos.

-Finalizando a reunião, alguns lembretes. Lanísia, acho que você já ia fazer isso depois que ele tentou adormecê-la, mas vou alertar: afaste-se do Ted. Ele provavelmente é um aliado de Frieda, melhor ficar longe dele. E, para todas: não fiquem de namorico em qualquer lugar. Frieda estará atenta ao comportamento dos rapazes, então, um simples abraço diante dos olhos dela pode virar motivo de estudo. Não vamos facilitar as coisas para a velha.

Todas concordaram com a cabeça.

-Reunião encerrada!

-Espera aí, não vamos falar das noites especiais da Lanísia e da Alone? – perguntou Mione.

-Claro que vamos. Mas não nessa mesa, e sem o clima fúnebre dessa reunião – disse Joyce. – Vamos para mais perto desses adoráveis objetos... Uma verdadeira sala-ambiente para assuntos depravados! – e ela se largou em meio aos "brinquedos".

As garotas dispuseram-se no chão.

-Doeu muito? – perguntou Serena.

-É, um pouco – respondeu Lanísia. – Mas deu pra suportar...

-Como é essa dor? – indagou Mione, com grande interesse.

-Já fez alongamento alguma vez?

-Já.

-Então, é um pouco parecido. Só que parece que estão alongando outras coisas, se é que você me entende.

-E de certa forma estão – disse Joyce. – A minha amiguinha já foi tão alongada que está mais aberta que...

-Pára com isso, Joyce! – Lanísia riu.

-E para você, Alone, como foi? – perguntou Serena.

-Um pouco dolorido, mas maravilhoso. Nunca houve medição de temperatura com um termômetro mais gostoso do que aquele.

As jovens não entenderam muito bem porque Alone comparara certas partes de Harry com um termômetro, mas resolveram não questionar.

Joyce acariciou um dos "brinquedos".

-Estou com saudades do Juca...

-É engraçado ver o que faz a Joyce lembrar do garoto – disse Clarissa.

-Acho que vou parar de enrolá-lo, sabe... Já fiz todos os treinamentos possíveis, tudo o que podia fazer para me preparar. Está na hora de encarar o facão.

-Você podia tirar uma foto quando visse o tal facão – falou Alone. – Queria ver como é essa anomalia.

-Isso se caber tudo no ângulo de uma máquina fotográfica comum – disse Joyce, séria, enquanto as outras riam. – É sério! Pode ser que não dê.

-Bom, de qualquer forma, tente, Joyce.

-Tentarei, Lanísia. Só não garanto que conseguirei...

-Ainda dá tempo de pegarmos o final do jantar – falou Clarissa, consultando o relógio que trazia no bolso da calça. – Que tal irmos ao Salão?

Todas concordaram e levantaram-se. Encaminharam-se para a porta da sala, com exceção de Joyce, que continuava no meio dos "brinquedos".

-Vamos, Joyce!

-Não dá, Mione. Não quero abandoná-los... Eles precisam de mim...

-Joyce!!

-Não posso levar um??

-Não, deixe aí! – Mione foi até a garota e a puxou pelo braço. – Você logo terá um bem real. Não vai precisar desses...

-Mas seria bom um amiguinho como esse e...

-Não! – Mione empurrou-a para o corredor e encostou a porta da Sala Precisa.


Assim que chegaram ao Salão Principal, as Encalhadas perceberam uma estranha movimentação bem na mesa dos professores.

-O que está acontecendo ali? – perguntou Mione, intrigada.

As garotas aproximaram-se da mesa da Grifinória e cutucaram Harry.

-Pode nos dizer o por que daquela agitação toda? – indagou Alone.

-Chegou uma nova funcionária. Será inspetora de alunos. McGonagall disse que será importante para evitar fugas como a da noite anterior.

-Quem será essa tal inspetora? – perguntou Joyce.

Do meio dos professores, Frieda Lambert as olhou; todas estremeceram. O sorriso largo no rosto de Frieda as incomodou demais; era como se ela estivesse preparando uma surpresa desagradável... Para espanto das meninas, ela as chamou em voz alta.

-Venham até aqui, garotas! Não estavam presentes no momento da apresentação da inspetora! – elas hesitaram por alguns segundos, mas todos os olhares no Salão estavam concentrados nelas, de modo que não viram como recusar. Lentamente, e coladas umas nas outras, as Encalhadas avançaram pelo Salão, até se aproximarem dos professores.

Quando chegaram, o sorriso de Frieda estava dez vezes mais largo e o desconforto também.

-Faço questão de apresentá-las à nova inspetora – disse Frieda, estendendo a mão para o meio do amontoado de professores e puxando alguém pelo braço. – Dêem as boas-vindas à Rebecca Lambert!

Foi como se entornassem um balde de gelo dentro dos pulmões de Lanísia. O ar desapareceu, e ela teve de se apoiar em uma das meninas para não cair. Aquele nome... Aquele rosto... Era ela, a ex-mulher de Augusto.

-Muito prazer – cumprimentou Rebecca.

-E ela tem uma filhinha adorável, que veio com ela! – Frieda apontou para uma garotinha sentada no chão, atrás de todos os professores. – Linda, não é? Ah! É filha do professor Augusto, vocês sabiam disso?

Foi a vez do restante das Encalhadas estremecer; agora, todas compreendiam o sorriso de satisfação de Frieda e a vontade em apresentar a inspetora.

-Com licença – disse Rebecca, juntando-se aos professores.

-O professor Augusto com certeza ficará muito mais contente agora, não acha, Lanísia? – indagou Frieda, cínica.

A jovem não disse nada; estava transtornada.

Mione, ao lado, pensava rapidamente... Isso queria dizer que Frieda não ia agir usando Ted Bacon; a mira realmente era Lanísia, mas a arma era outra. Então, Frieda não fora ao Bruxetes para usar Ted como um aliado; o motivo era outro. Motivo que a deixara muito irritada, e que a fizera voltar para o castelo com um hematoma.

Frieda tinha seus segredos, assim como as Encalhadas tinham o delas.

-Se descobrimos um podre dela, a temos nas mãos e vencemos a parada! – disse Mione, distraída, em murmúrios.

-O que disse, garota? – perguntou Frieda.

Mione a encarou, séria.

-Nada. Só estava pensando nessa mancha em seu rosto. O que aconteceu, Frieda? Algum problema em sua visita ao Bruxetes?

E foi a vez das Encalhadas presenciarem o rosto de Frieda contorcer-se de surpresa.


N/A: Comentem!!!!!! Obrigado, e até o próximo capítulo:-)