Capítulo Vinte

Sacramento – 7:33 p.m.

01 de novembro de 2011

Quase duas semanas depois que saíram de Washington, a equipe de Cho finalmente tinha chegado à Sacramento em segurança, não antes de sofrerem alguns atentados e assistir a morte de Haffner.

Mas mesmo em meio a toda confusão Abbott tinha conseguido uma casa discreta para eles ficarem hospedados. Assim ninguém desconfiaria.

"Oh, Graça a Deus chegamos. Não aguentava mais ficar correndo de um lado para outro". Disse Rigsby e se sentou no sofá. "Eu estou morrendo de fome".

Van Pelt sorriu e balançou a cabeça, essa frase sempre estaria na boca, no pensamento e principalmente no estomago de Rigsby. Exausta ela sentou ao lado dele e fechou os olhos, o estofado macio do sofá a deixava ainda mais sonolenta.

"Eu preciso de uma cama". Falou Lilly e sentou numa poltrona que estava ali perto.

"Vocês são surpreendentes". Falou Cho e se permitiu ri. "Passaram a viagem reclamando".

"Kimball, passamos uma semana e três dias pulando de hotel em hotel. Achando que qualquer momento o FBI iria aparecer". Disse Lilly enfurecida. "Só agora podemos respirar aliviados".

"Uau... Lilly vá com calma. Eu sei que está cansada, mas não precisa fazer minha autopsia agora". Disse Cho divertido.

"Você tem um péssimo time para fazer graça, Kimball". Disse ela e se levantou. "Vou procurar o quarto, quero tomar um banho e apagar pelas próximas horas".

"Espere por mim, Lilly". Falou Van Pelt "Estou acabada também".

"Ainda bem que Van Pelt os mandou para o Maine". Disse Rigsby e assistiu as duas saírem deixando os rapazes com sorriso nos rostos.

Balançando a cabeça Cho olhou para Rigsby e comentou:

"Mulheres... ruim com elas, pior sem elas".

Rigsby apenas sorriu e concordou. Segundos depois Cho arregalou os olhos, como se tivesse se lembrado de alguma coisa, pegando o telefone descartável ele fez uma ligação. Dois toques depois uma voz doce atendeu:

"Alô?"

"Summer? Oh, graças a Deus. Você está bem?"

"Kimball? Você está vivo?" A voz dela estava embargada e ele sabia que Summer estava chorando.

"Claro que sim. O que foi que houve, por que está chorando?"

"Me disseram que você tinha morrido". Disse ela. "Eu fiquei tão desorientada sem você, até um funeral fizemos".

"Quem foi que te disse que eu estava morto?" Perguntou ele preocupado.

"Um de seus chefes".

"Minelli?"

"Não... Minelli foi demitido do Bureau. Ele está sendo acusado de conspiração". Sussurrou ela. "Kimball, isso tem alguma coisa a ver com você?"

"Talvez, Summer". Sussurrou ele também. "Onde você está?"

"Na casa dos meus pais. Assim como pediu, me mudei definitivamente assim que fizemos o funeral".

"Peraí, quando disseram que eu tinha morrido?"

"Logo depois que me mandou para cá".

"Isso foi a quase um mês". Falou ele pensativo.

"Eu sei, mas aqui eu fico mais segura que em Washington". Disse ela meio desconfiada.

"Summer, o que você não está me contando?"

"Você lembra do Mickey? Aquele que eu namorava antes de nos conhecermos?" Ela falou rapidamente com a voz transbordando ansiedade, Cho sabia que ela escondia alguma coisa. "Ele tem me ajudado muito e eu percebi que..."

"Que? Você sabe que pode me dizer".

"Eu ainda gosto dele".

Cho congelou, não podia acreditar no que estava ouvido. Ele perdeu o emprego, a parceira e agora a mulher. Queria saber o que mais iria perder nessa busca desenfreada.

"Como está minha filha?" Falou baixo.

"Está bem e com saudades".

"Posso falar com ela?"

"Claro que sim". Ela se afastou do telefone e ele pode ouvir uma risadinha infantil. "Vamos Kate, fale com o papai".

"Olá Kate". Disse Cho emocionado, ele estava com tanta saudade da pequena. Fazia quase um mês que não a via. Amava tanto a filha, e saber que ela estava bem era reconfortante. Talvez a vida sossegada de Mickey fosse tudo o que a esposa e a filha precisassem. Sabia que tomaria uma decisão difícil, mas seria o futuro delas.

Com algumas brincadeiras bobas ele se despediu da filha e retornou sua conversa com Summer:

"Summer, você sabe que eu te amo, não é?"

"Claro que sei, Kimball. Eu amo você também".

"Então você entenderá minha decisão". Respirando fundo ele voltou para sua tão costumeira face indiferente. "Continue dizendo que estou morto e não comente com ninguém essa ligação. E seja feliz".

"Mas Kimball, eu vou esperar por você".

"Não, não vai. Você vai viver sua vida e vai ser feliz, não sei quando voltarei e se voltarei". Suspirou derrotado. "Essa ligação será apagada do seu telefone, vai ser como se eu nunca tivesse ligado para você".

"Kimball, eu te amo. Não esqueça disso".

"Não esquecerei. Agora eu tenho que ir. E lembre-se, eu estou morto".

Com isso ele desligou o telefone sem nem ao menos dizer adeus. Rigsby que tinha ouvido toda a conversa não se atreveu a falar. Van Pelt tinha chegado quase no fim e sem dizer muita coisa só estendeu a mão em direção ao celular. Disse que apagaria os rastros e sumiu da sala. Rigsby sabendo que Cho queria ficar sozinho foi para a cozinha, mesmo com toda a tensão ao redor ainda estava faminto.


Enquanto isso, Summer olhava desolada para o telefone. Suspirando e com os olhos cheios de lágrimas ela olhou para o homem na sua frente:

"Ele se foi".

"Foi o melhor para vocês duas". Disse Minelli e sorriu triste. "Agora temos que fazer o que ele pediu. A partir de hoje Kimball Cho está definitivamente morto.


No dia seguinte a chegada deles em Sacramento Abbott bateu a porta da pequena casa com cafés e algumas rosquinhas. Ele estava empolgado em ter novos aliados. Ele tinha uma caixa de arquivo aos seus pés. Mal-humorado Cho abriu a porta.

"São 7 horas da manhã, Dennis".

"7:15, Kimball". Falou ele divertido e debochado. "Vocês federais têm uma vida muito boa, acordam a hora que querem, aqui começamos o dia cedo".

"Pelo menos trouxe comida". Rigsby entrou na sala, rabugento. "A dispensa está quase vazia".

"Você comeu quase tudo ontem, grandão". Falou Van Pelt e bateu na cabeça dele, indo até Abbott ela pegou a comida e indicou o sofá para ele sentar.

"Temos uma pessoa educada aqui. Obrigado senhorita". Comentou cavalheiresco e sentou com os arquivos no colo.

"Para de encher o saco, Dennis. O que você tem ai?" Perguntou Lilly vindo do quarto e pegando um copo de café.

"Paciência, mulher rabugenta".

Lilly se limitou a encará-lo com um olhar gelado e sentou numa poltrona perto de Cho. Van Pelt sentou no tapete de frente para a mesinha de centro, mais interessada na rosquinha que comia.

"Eu trouxe alguns casos que poderia interessar a vocês, é sobre a Visualize". Suspirou Abbott. "Mas não deram em nada".

"Assim como os outros". Comentou Cho.

"Exato". Abbott afirmou . "Mas o que me trouxe aqui não foi isso. Eu fui relatado de um caso que aconteceu em Malibu".

"Na costa?" Estranhou Rigsby. "Vocês têm jurisdição?"

"Claro que sim. Mas não foi isso que me intrigou. Geralmente esses casos são resolvidos por lá e ninguém se mete".

"Mas você foi bisbilhotar". Sorriu Lilly e ganhou uma piscadela de Abbott.

"Sim e não. Os relatórios de Malibu vêm para o escritório e são arquivados lá". Disse ele e deu o relatório a Cho. "Esse é um caso de assassinato, mas temos testemunhas e foi legítima defesa. Porém o que me intrigou foi que o homem que morreu tinha sido preso pelo FBI e estava foragido, depois que fugiu da cadeia. Você que o prendeu, Cho".

"Eu reconheço esse nome, eu e Lisbon o predemos". Olhou Cho intrigado para o arquivo. "Ele disse que não podia ser preso por uma mulherzinha, e ameaçou matá-la".

"E o que aconteceu depois?" Perguntou Van Pelt curiosa.

"Ele foi condenado com a prisão perpétua e não ouvimos mais dele. Até ter fugido. Mas ele nunca avançou ou foi visto". Falou Cho e deu de ombros.

"Cho, olhe a descrição da vítima". Disse Abbott exasperado. "Foi essa vítima que o matou".

Se voltando para o papel e começou a ler, em poucos segundos sua face mudou, boquiaberto ele olhou para Lilly.

"O que foi?" Perguntou ela preocupada. "Qual a descrição?"

"Morena, cabelos preto e olhos verdes. Baixa estatura".

"É a Teresa". Disse ela chocada também.

"Aqui não diz onde ela está". Falou Cho agora totalmente desperto. "Precisamos encontrá-la".

"Só tem um problema, Cho".

"Qual?"

"A delegacia que fez a ocorrência pegou fogo e todos os documentos foram perdidos. A única prova que temos é esse arquivo".

"Podemos falar com o policial que ficou responsável pelo caso".

"Eu já tentei isso. Ele foi transferido". Falou Abbott. "Eles não sabem onde ela está. Ou o homem que estava com ela".

"Eles têm alguma descrição do homem?"

"Não. Só que ele era alto. Ninguém prestou muita atenção".

"Temos que procurar por ela".

"Isso vai levar tempo, Cho. Talvez ela nem esteja mais em Malibu". Disse Lilly racional. "Precisamos focar nesse caso que temos em mãos".

"E Lisbon? Precisamos encontrá-la".

"E vamos. Mas não agora". Disse ela e suspirando pegou a caixa e tirou diversos arquivos de dentro. "Por ora, vamos ficar com esse problema".

Dizendo isso ele distribuiu as pastas entre eles, todos os arquivos que tinham sobre a Visualize, e eles teriam que resolver esse antes de qualquer outro. Eles tinham que dar um passo de cada vez.


Continua...