Capítulo 18 – Muitos anos de vida
"Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu"
A idade do céu – Paulinho Moska
A semana se passou bizarramente tranqüila, já que eu fingia não ver ou sentir Chastity, e Julia aparentemente arquitetava um planinho maléfico para me pegar na hora da saída com suas amigas. Tive que faltar dois dias seguidos na escola, culpa do sol forte que fazia, mas Henri sempre pegava carona com Moory e Blanche, que ia buscá-la na escola, e vinha passar a tarde comigo. Ele pareceu estranhar um pouco o fato de que todos os jovens da casa (exceto Moory) tinham perdido a hora dois dias seguidos, mas não falou nada. Quando me dei conta, era sábado. Meu aniversário.
A casa amanheceu enfeitada de azul e branco, minhas cores prediletas. Balões, flores, enfeites diversos na sala de jantar. O bolo, de três camadas exageradamente grandes, (já que só duas pessoas iam comê-lo de verdade), chegou por volta do meio-dia, assim como os vários tipos de docinhos e salgadinhos. Os refrigerantes estavam na geladeira desde o dia anterior. E então a noite chegou, para o meu azar.
"Feliz aniversário!", Koko me desejou pela milésima vez.
Apenas revirei os olhos.
"Claudia, você está tão entusiasmada que me dá até medo.", Caled brincou enquanto tirava as pétalas de uma rosa branca.
"Você vai ver o entusiasmo quando eu te jogar pela janela.", revidei.
Blanche entrou na sala. "Crianças, não briguem! Caled, dá pra parar de estragar a decoração?", e então olhou pra mim "Você não vai se arrumar?"
"Pra quê? É só uma festinha aqui em casa..."
Ela e Koko trocaram olhares significantes, e eu apenas boiei no significado deles. Indo para onde estavam, resolvi me inteirar dos assuntos.
"O que eu perdi?"
Koko sorriu. "Os pais de Henri virão!"
Fala sério! "E vocês só me avisam isso agora?"
Subi correndo para o quarto, não sem antes dar uma batidinha na porta do quarto de Sam, já que Moory estava lá dentro. Ela abriu a porta.
"Oi Clau."
"Dá pra você me dar uma ajudinha?", perguntei "Preciso me arrumar decentemente."
"Claro...", respondeu, mandando um beijo para Sam e fechando a porta atrás de si, para me acompanhar até meu quarto.
Entramos lá, eu sentei na cama e ela foi direto para o closet, escolher a roupa que eu usaria na festa.
"Nada muito chique, ok?", pedi "E anda logo, estou escutando o carro dos pais de Henri entrando na propriedade."
Pondo a cabeça pra fora, ela me mandou uma olhada mortal. "Se você esperar, dondoca, talvez eu ache alguma coisa nesse mar de roupas."
Não revidei, e tive que esperar mais dois minutos até que ela saiu com um vestido tomara-que-caia azul-marinho, balonê, de seda e na metade das coxas. Nem protestei, apenas o vesti o mais rápido que pude: já podia escutar Henri e seus pais sendo recebidos por minha família no andar debaixo. Anne-Marie elogiava a decoração enquanto François conversava com Einar. Henri já estava falando com Koko e Caled, que informaram que eu estava me arrumando.
Depois, foi a vez do cabelo. Moory foi correndo até seu quarto, onde pegou o babyliss, e fez cachos grossos em minhas madeixas escorridas, colocando, no final, uma presilha de prata com pedras azuis que eu havia ganhado de Blanche no natal anterior. A maquiagem também foi por conta dela, e, ao me olhar no espelho depois que a garota terminou, eu poderia jurar que aquela ali era qualquer pessoa, exceto Claudia Oleander. Muito arrumada pra ser eu mesma.
"Uau, você fez mágica, Mary Oleander."
Ela sorriu. "Eu sei.", e saiu do quarto para ir terminar de se arrumar.
Então eu respirei fundo para me acalmar, e comecei a caminhar no corredor em passos lentos. A sandália prateada que usava me deixava vários centímetros mais alta, e era de um salto finíssimo. Sorte a minha de ser equilibrada. Qualquer humano que usasse aquilo cairia pelo menos umas duas vezes. Quando cheguei na escada, olhei para baixo, e vi Koko e Caled sentados no sofá, com Henri sentado no braço do sofá, Einar e François tomando aquilo que eu julguei ser refrigerante, e Blanche mostrando os quadros da sala para Anne-Marie. Blanche foi a primeira que me viu.
"Oh querida, você está linda!"
Depois desse comentário nem um pouco baixo, todos os olhos se voltaram pra mim, e eu continuei descendo as escadas como se nada tivesse acontecido. Henri se levantou do lugar onde estava sentado com um sorriso estampado no rosto e um embrulho nas mãos. Quando finalmente terminei de descer as escadas, ele me abraçou.
"Feliz aniversário.", murmurou em minha orelha, para logo depois me dar um beijo e voltar a falar "Muitos anos de vida."
Você nem imagina quantos, Henri.
Sorri e beijei seu nariz. "Obrigada."
"Você está maravilhosa."
Escondi meu rosto em seu ombro. "Oh, por favor... Pedi pra Moory fazer uma coisa simples, mas ela exagerou... Como sempre!"
Todos riram por conta de meu comentário, e logo Moory estava ao meu lado, lindíssima em uma calça jeans super justa e uma blusa frente única preta. Também usava uma sandália prateada, mas sem salto nenhum: ela já era mais alta que todos nós sem precisar de saltos extra.
"Tudo bem, Claudia, também não te arrumo mais!", brincou.
Sam estava de mãos dadas com ela, sério e com a mesma expressão de dor que tinha quando sentia o cheiro dos humanos. Apertou a mão de Henri assim que Moory o largou do abraço, e então seguiu para cumprimentar os pais de meu namorado.
"Pra você.", Henri disse ao estender o embrulho pra mim.
Mordi os lábios. "Não precisava."
Ele sorriu largamente. "Quem foi que disse que não tinha nada contra presentes?", ao que eu fiz cara feia "Será que dá pra você abrir?", pediu, impaciente.
Peguei o pacotinho de suas mãos e desatei o laço habilmente, para depois abrir o embrulho sem rasgar o papel. E então estava com uma caixinha preta nas mãos. Todos na sala olhavam para mim quando levantei a tampa e encontrei uma gargantilha de prata, delicada, com um pingente do mesmo metal, em forma de flor, trançado de uma forma muito complexa. Minha garganta apertou.
"Gostou?", ele perguntou, parecendo preocupado.
"É lindo.", respondi sem tirar os olhos de meu presente.
E ele me abraçou. "Bom, então agradeça à minha mãe, foi ela quem escolheu."
Fui cumprimentar e agradecer os pais de Henri pelo belo presente, e então minha família também me entregou os que tinham comprado para mim. De Einar e Blanche ganhei uma máquina digital, que filmava e tirava fotos; Koko me deu uma calça jeans justíssima e uma bota sem salto, cano médio, preta; já Caled me deu um livro de piadas ("Quem sabe você aprenda a ser engraçada, Clau, porque do jeito que 'tá não dá!") e uma caixa com jogos para computador (que eu tinha certeza que ele ia usar); e Sam e Moory me presentearam com um par de brincos lindos.
Depois de abrir os presentes e agradecer à todos, tive que comer um docinho, um salgadinho e tomar um gole do copo de refrigerante (o restante joguei disfarçadamente em um vaso de flores) apenas para manter as aparências, até que chegou a hora do bolo, e de cantar o parabéns. A pior hora de qualquer aniversário. Todos olhando pra você. Cantando pra você. Batendo palmas pra você. E você pateticamente parado atrás do bolo com um sorriso amarelo, querendo explodir de vergonha. E torcendo pra abrir um buraco debaixo de seus pés que te puxe pra longe dos convidados.
Quando terminaram de cantar o parabéns, meu moral estava no chão e eu decididamente queria sumir dali. Parti o bolo, dando o primeiro pedaço para Henri, tive que comer um pedaço (e depois ia fazer papel de bulímica, vomitando o que havia comido), e finalmente consegui fugir para fora de casa com Henri.
Estava uma noite estrelada, e nós dois começamos a andar de mãos dadas sem falar nada, quietos e pensativos.
"Se amanhã tivesse aula você não iria à escola.", ele observou.
Mas eu realmente não entendi o motivo daquela observação.
"Por quê?"
"Vai estar ensolarado."
Wow. Então ele havia reparado. Eu repentinamente parei de andar, olhando para seus olhos. O quanto ele sabia sobre o fato de eu não sair de casa nos dias de sol?
"Um ótimo dia para ir à piscina.", tentei mudar de assunto.
"Por que vocês não vão pra escola quando faz sol?"
Dei de ombros, parecendo despreocupada. "Preguiça?", sugeri com um sorriso pouco convincente. Oh droga!
"Não é só isso.", não acreditou na minha falsa explicação "Você tem alergia ao sol?"
Nessa, eu gargalhei. Alergia ao sol? Fala sério! Uma alergia que faz você brilhar como um anúncio em néon.
"Não, não é alergia.", me recompus "Nós perdemos a hora, bobo. E da última vez estávamos doentes, lembra? Também gostamos de acampar, reunir a família... Temos um bosque enorme, e durante os dias de sol é praticamente impossível resistir a uma caminhada."
Ele não pareceu convencido, mas não tocou mais no assunto. Voltamos a andar em silêncio, até que parei debaixo de uma árvore e sentei, e ele fez o mesmo, pondo a cabeça em meu colo.
"Você vai estar aqui amanhã?", perguntou.
"Vou."
Silêncio.
"E vai para a escola na segunda-feira?"
"Vou, mas terça não."
"Por quê?"
Porque eu vou estar caçando com Sam e Einar. Porque Sam já está com as íris negras e representa um perigo para cada ser humano daquela escola. "Eu e Sam temos umas coisas para resolver fora da cidade, mas os outros vão estar aqui. Se quiser vir para ver Caled..."
"E quarta-feira vocês vão na escola?", me interrompeu.
Suspirei. "Eu provavelmente ainda não terei voltado."
"E Sam?"
"Também não.", murmurei ausentemente, e comecei a mexer no cabelo dele "Einar também vai conosco, acho que é alguma complicação sobre a adoção de Sam."
"E por que você tem que ir junto?"
"Porque sim, Henri.", fiz uma careta "E vamos parar de falar nisso, por favor, hoje é meu aniversário, não me deixe zangada."
Ele sorriu, aparentemente aceitando o fato de ser meu aniversário, e se sentou, chegando mais perto de mim, para me dar um beijo. No começo, foi um beijo calmo, delicado, depois nossos lábios se tornaram urgentes, e uma confusão de mãos tocando os corpos se juntou aos suspiros e gemidos. Ele era muito bom em estar comigo. Bom demais. Minhas mãos geladas ficaram em seu pescoço. Já estava bastante frio para que eu colocasse-as dentro de sua camiseta. Henri estava com uma mão em minha cintura, e a outra passeava por minha perna descoberta pelo vestido.
"Vou sentir sua falta..."
"Mas nós vamos nos ver na segunda ainda, seu bobo.", beijei seus lábios delicadamente "E amanhã."
"Amanhã não.", discordou.
"Por quê?"
"Tenho um trabalho, fotos, sabe?", ah, o trabalho. Ás vezes eu me esquecia que as outras pessoas tinham que trabalhar, já que própria não trabalhava "Preciso arrumar dinheiro, ou vou morrer de fome!"
Revirei os olhos. "Você é muito exagerado!"
Ele riu, colocando a mão que estava na perna descoberta pelo vestido dentro do vestido, e eu parei de respirar. Por um instante, nossos beijos se tornaram urgentes, até que ele parou.
"Claudia?"
"Oi?"
"Pensei que não estivesse mais escutando sua respiração."
"Impressão sua.", e voltei a beijá-lo.
Já haviam se passado vinte minutos, e as coisas tendiam a ficar mais quentes, até que os pais dele buzinaram, avisando que era hora de ir embora. Relutantemente, nos separamos. Ele se levantou e ajeitou a camiseta, enquanto eu fazia o mesmo com o vestido. Sorri ao notar seu pescoço marcado por meus chupões leves.
"O que foi?", ele quis saber.
"Acho que vai ter que passar pó no pescoço amanhã."
Entendendo o motivo da brincadeira, ele fez uma cara de horror muito falsa, e depois desatou a rir e tentou deixar uma marca em meu pescoço em vão.
"Garota, você é tenebrosa!"
Abracei-o com carinho. "Só estou marcando o meu território."
Sorriu para mim, e, juntos, andamos até o local onde os pais dele já esperavam com o carro ligado. Nos beijamos mais uma vez, até que ele entrou no carro, e fiquei na escadaria até que não pudesse mais escutar o barulho do motor.
Muitos anos de vida, ele tinha dito. Muitos anos de vida ao seu lado, Henri, corrigi mentalmente. Muitos e muitos e muitos anos.
-
N/A - milhões de desculpas por postar o cap repetiiido {thanks à Iziie Lestrange por me aviisar o miico! valeew!} o pc da minha madrinha está mancomunando contra mim. estou aqui a meia hora respondendo as reviews atrasadas e ele simplesmente desliga, então desisti de respondê-las hoje, sorry.
Notiicia quentiinha: quem tiver a fim de ser minha assistente aquii, to precisaaando. essa pessoa faria tipo: postar a fic, responder as reviews quando eu não puder, atualizar o perfil de Renascer no orkut, mandar os caps pra ´Thá {minha beta} corrigir,etc, etc. pq eu to realmente sem tempo nesse comecim de ano!
Thá, preciiso de vc corrigindo pra mim, please.
Liih, quero flar com vc, divididora, eu te amo!
meniinas, eu amo muuito voces, e não vou responder se o Henri vai virar vampiro, leiam! {principalmente vc, Bella Giacon, meniina curiosa! huahusahusa}
quem tiver interessada, deixe review, e-mail, scrap ou me contate por msn.
thanks,.
Salut!
