Erin já não me fitava mais, nem dizia uma só palavra; Apenas olhava para a lua, como se estivesse procurando alguma resposta por lá. Eu sabia que, ao contrário dela, sua mente estava barulhenta e transbordava em pensamentos.

– Me trouxe aqui pra me dizer algo, né? – perguntou, quebrando o silêncio, segura do que estava dizendo. Meio sem jeito, respondi:

– Como sabe? Você nunca me disse que conseguia ler mentes... – brinquei.

– Seus olhos te denunciaram. Suas mãos estão inquietas e parece tenso desde quando entramos no carro. Não preciso ter nenhum dom sobrenatural pra perceber isso Logan. – ela riu. – Apesar que seria muito útil poder ler sua mente de vez em quando.

Encarei Erin com os olhos semicerrados por um tempo, dizendo:

– Você me conhece mais do que eu imaginava, garota. – Erin sorriu com os olhos, um jeito só dela de aprovação. Ah como eu amava aquilo.

Ela se acomodou novamente no tronco que servia de banco, e me cutucou com o cotovelo para que eu começasse a falar. Dei um suspiro e atendi seu pedido.

– Bem, talvez você deve me achar um idiota antiquado por te trazer aqui, a essa hora da noite, só pra te dizer isso, mas foi a melhor maneira que pensei. Esse lugar é muito importante pra mim, e não sei o porquê, mas algo me dizia pra te trazer aqui. Prometi pra mim mesmo que deixaria tudo claro entre nós antes que eu viajasse e não me perdoaria nunca se eu fosse pra Inglaterra amanhã sem falar com você. – Ela me ouvia, atenta, com um "semi sorriso" formado no rosto. Satisfeito com a reação dela, continuei. – Desde aquela sexta-feira que nos beijamos no set, fiquei com medo que me entendesse errado, que eu estivesse aproveitando do que tinha acontecido entre você e John; mas confesso que você tirou um fardo enorme das minhas costas sábado, lá na festa.

– Pra falar a verdade Logan, não queria ir para sua casa naquele dia, fiquei pensando mil coisas e só fui porque a Katelyn me convenceu.

– Preciso agradecer a Kate urgentemente! – Ela riu.

– Por falar nisso, Foi você que mandou a Malese dizer pro Stephen que eu tinha ido dormir na casa da Kate? – Erin perguntou, com as sobrancelhas arqueadas.

– Precisava de pensar em algo pra tirar o mala do Stephen da sua cola, pelo pouco que eu sei dele, sabia que viria atrás de você, e não te achando aqui, iria direto pra sua casa. Então, inventei qualquer coisa e contei com a ajuda da Malese. Simples assim. – Disse, com um sorriso sarcástico no rosto.

– Sabe... – Erin disse, depois de uma pausa. – já que estamos numa noite de '' confissões'' digamos, aqui vai uma, fiquei com medo que se afastasse de mim depois das coisas que eu disse pra você hoje cedo. Não quero que me leve a mal mas, eu precisava dizer aquilo.

– Tudo bem, eu lido muito bem com esse tipo de coisa e sei melhor do que ninguém que eu precisava ouvir daquilo de alguém. Prefiro que seja você do que algum site de fofoca ou um paparazzi – disse, sério. – sei que Tô agindo como um adolescente imaturo, sem regras e limites.

– Não é assim também vai, você só tem a personalidade forte, e sempre quer agradar todo mundo mesmo que isso te prejudique de alguma forma.

Deixei escapar um riso com aquilo, e imediatamente Erin questionou:

– Por que riu?

– Como você consegue isso? Acho que sabe mais da minha vida do que eu mesmo!

– Trabalhamos juntos faz anos, te conheço desde os 19 e ainda fazemos um par romântico em uma série de TV. É mais do que justificável eu saber um pouco mais sobre você do que imagina. Posso fazer um livro das coisas que já me contou sobre sua vida e vender caro! – Erin disse, em tom debochado.

– Tenho saudade de 2009 sabia? – disse, recordando. – Foi lá onde tudo começou...

– Bons tempos. – Erin concordou, fazendo um movimento com a cabeça.

– Um dia desses me peguei lembrando do começo de tudo. Da primeira temporada da série, das primeiras músicas e da nossa primeira cena juntos. Lembrei das coisas da época e percebi que está se repetindo a mesma coisa entre nós dois novamente. – Fiz uma pausa para que Erin absorvesse as coisas até ali. Olhei para ela, mas o sorriso havia desaparecido de seu rosto. Ela fechou os olhos e, depois de um pesado suspiro, disse:

– Você sabe que está quebrando uma promessa, não sabe?

Sabia, e como sabia disso. Em casa, entrei em guerra comigo mesmo, sem saber se devia tocar nesse assunto. Sabia também que falando disso, quebrando essa tal promessa, colocaria em jogo minha amizade de tempos com a Erin. Era um preço alto a se pagar, mas estava disposto a enfrentar e correr os riscos. No final talvez, valeria a pena.

– Sim, eu sei que prometemos um ao outro nunca mais tocar nesse assunto. Prometemos que em hipótese alguma deixaríamos acontecer novamente, mas aconteceu. Me apaixonei por você novamente Erin, como a três anos atrás.

– Não Logan... Isso não pode acontecer. Tudo novamente, os mesmo erros, as mesma mágoas, tudo ainda está vivo em mim. – ela estava com a voz tremula, mas se esforçava pra não deixar transparecer isso. – Aquele ódio vindo de todos os lados, as pessoas me julgando; Todas aquelas críticas que me destruíram. Tudo isso porque você estava apaixonado por mim, e eu ainda mais por você.

– Você sabe que nunca foi minha intensão. Sabe melhor que ninguém como a culpa por aquilo acontecer com você acabava comigo. Não foi fácil pra mim concordar em me afastar de você de uma certa forma, quando o que eu mais queria era ficar com você. Só aceitei cumprir aquela promessa idiota, por você.

– Jamais coloquei a culpa em você Logan, muito pelo contrário, não havia culpados. O destino nos pregou uma peça; Se foi difícil pra você, imagine pra mim que tinha que conviver com você todos os dias, só como amigos de trabalho, meros conhecidos. Como se tudo o que a gente tinha vivido juntos não tivesse passado de um sonho. A cada cena de beijo de Camille e Mitchell era uma tortura. – Ela parou por um segundo, mas logo continuou: – Lembra daquela cena no Big Time Girlfriends? Era um abraço, uma troca de olhares e um beijo demorado. Todo o set em silêncio, e nunca saia como Scott queria. – Erin soltou um riso leve, olhando pro nada, como se estivesse vendo a cena. – Tivemos que repeti-la várias vezes.

– E só nos dois sabíamos que não tinha nada de beijo técnico naquilo. – Completei.

– Quando terminou aquela cena, fui correndo pro camarim e me tranquei lá e chorei. Sai de lá com meus olhos vermelhos e algumas olheiras. Depois disso, prometi trancar o passado e o meu sentimento por você. Daquele dia em diante, consegui cumprir minha promessa, te via como nada além de um velho amigo e toquei minha vida em diante. Conheci John e achei que estava tudo perfeitamente sob controle. Até sexta-feira, claro.

O silêncio que caiu sobre nós era mais pesado que toneladas de chumbo. Queria dizer algo, mas as palavras se negavam a sair. Então Erin começou a chorar. Não um choro qualquer, mas como o de uma criança que é acordada em meio a um pesadelo. Percebi que qualquer palavra que fosse dita, por mais profunda e sincera que fosse, seria praticamente inútil. A única coisa que fiz foi abraça-la o mais forte que pudesse, como se estivesse segurando meu mundo.