Review:
Marie E. Malfoy:
Aah, fico feliz que esteja gostando *-* Beeijos
Capítulo 20: A mudança de rumo
Maria POV:
- Acho que estou ficando paranoica – Lily disse à mesa do café. – James está diferente. Será que ele ainda não me desculpou daquele dueto?
- Depois daquela música que você cantou pra ele? Até Lúcio Malfoy se derreteria por você – comentei com uma risada.
- Não sei – Lily franziu a testa. – Só tenho medo de ele ainda guardar alguma angústia. Mas ele realmente está diferente.
- Diferente como? – Alice perguntou.
- Meio avoado, seco... – Lily disse com um suspiro. – Parece que ele ainda não me perdoou completamente.
- Lily, faz dois dias que você cantou aquela música pra ele – Sophie comentou, comendo bolas de chocolate. – E que eu me lembre, durante esses dias, vocês estavam fofos e super apaixonados!
- Começou ontem de noite. Ele chegou meio avoado na sala comunal – Lily contou. – Aposto que ele tinha acabado de voltar das aulas com Gravelle.
- Lily, não começa – avisei. – Se continuar com esse ciúmes, vocês vão brigar de novo!
Lily gemeu, então Alice se virou para mim.
- Falando em brigar... E quanto a você?
- Eu o quê? – perguntei olhando pro meu prato.
- Você, Remo e Jason. O que está acontecendo? – Alice insistiu. – Aconteceu alguma coisa que você não quer contar pra gente?
Suspirei.
- Ouvi uma conversa entre os dois.
- Ahá! Sabia que tinha alguma coisa estranha na última edição do MMM – Alice exclamou. – Mas continue.
- Parece que Remo quer se livrar de mim. Sabe... Achar alguém pra me fazer esquecer o que aconteceu entre a gente no baile, ou coisa do tipo – suspirei novamente. – E ele chamou Jason pra isso.
- O Remo fez isso? – Lily arregalou os olhos. – Impossível!
- Eu ouvi – confirmei.
- Ele não pode ser assim... Ele, ele... Ele é o Remo! – Lily continuou.
- Não é porque ele é um lobisomem que ele é bonzinho.
- Quem é lobisomem? – quase caí da cadeira quando a voz chegou ao meu ouvido.
- Meu Deus, que susto! – falei, acariciando o peito. – Isso não é da sua conta, Gravelle.
- Estão mexendo com lobisomens? – Gravelle parecia chocada com a descoberta, e sorria abertamente.
- Estamos sim – Lily respondeu seca. – Eu vou pegar um lobisomem bem grande e enfiar no seu...
- O que Lily quis dizer é de um livro que estamos lendo – Sophie disse sorrindo. – Crepúsculo, conhece? É ótimo...
Gravelle pegou o livro e folheou.
- Do que isso fala? – ela perguntou, olhando para o livro com nojo.
- É de romance. Um romance entre uma humana e um vampiro. É muito bom – Sophie sorriu. Fiquei impressionada com sua facilidade em mentir.
Por fim Gravelle devolveu o livro e saiu caminhando com o nariz em pé.
- Essa foi boa – elogiei.
- Vaca – Lily murmurou, olhando pra loira que se afastava.
- Mas estávamos falando de você, de Jason e de Remo, Maria – Alice disse. Argh. – Por acaso você está gostando de algum deles?
- Alice, não adianta. Ficar com essa sua cara maliciosa e fazendo essas perguntas bestas não vai fazer com que eu fique com alguém e desencalhe, que é o seu desejo – cortei. – Agora dá licença. Tenho redações pra fazer.
Dizendo isso, me levantei e saí do Salão, fugindo.
Gostar de Remo ou Jason... Pffff. Alice e suas loucuras.
Emelina POV:
- Vamos lá garotas! Se mexam! Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro! Um, dois, três, quatro! – Dorcas continuava a gritar, passando pelas garotas, enquanto fazíamos os passos. – Lily, dá pra mexer menos o quadril? Alice, você não é uma minhoca, firme mais seu corpo! Luana, abaixa essa saia mulher, dá pra ver até a estampa da sua calcinha!
- Dorcas, não acha que está puxando demais? – Sophie reclamou, arfando, enquanto suávamos por causa dos exercícios. O dia nem ensolarado estava, ao contrário, estava até um pouco fresco. Mas Dorcas estava nos segurando faz uma hora, o que estava nos cansando a ponto de suar mesmo assim.
- Mas é claro que estou puxando demais! – Dorcas disse, inflexível. – Lembram do que aconteceu no nosso último jogo? Apesar da vitória, todas fomos parar na enfermaria!
- Porque você nos forçou a fazer uma pirâmide mesmo sabendo que tínhamos treinado pouco pra aquilo – respondi.
- Por causa da falta de treino – Dorcas disse. – Agora com bastante treino, melhores resultados. Vamos lá! Um, dois, três, quatro!
- Fala sério – Lily bufou para mim. – Acho que preciso me dividir em duas, porque além da Dorcas encher o saco, ainda tenho monitoria, o coral e os NIEM's!
- E eu tenho o jornal – Maria comentou do outro lado, ouvindo a conversa.
- Acho que Dorcas precisa de um namorado – Alice também entrou no assunto, enquanto Dorcas ralhava com uma garota um pouco longe, porque ela tinha engordado um pouco. – Só assim pra ela se ocupar um pouco e esquecer de nos forçar tanto!
- Falando em namorado, como anda você e Benn, Lina? – Lily me perguntou, e eu suspirei, ainda fazendo os exercícios propostos por Dorcas.
- Normal – falei. – Depois do baile tudo voltou ao normal, mas nossas discussões são mais frequentes, e todas por motivos bobos.
- Sei como é – Lily fez uma careta. – Estou assim com James também. Ele anda estranho, e eu não sei porquê. Anda se distanciando. Tenho medo de falar isso pra ele e gerar mais discussão, já que brigamos tanto por causa de Gravelle – Lily terminou a frase sussurrando, pois a loira estava um pouco a frente de nós.
- Ele não ficou melhor nem mesmo com aquela música fofa que você cantou pra ele? – perguntei com um sorriso.
- Durou pouco – Lily deu de ombros. – Pelo visto vou precisar de cantar uma música a cada três dias, se for assim.
- Eu tenho ótimas sugestões – Alice entrou na conversa de novo.
- Tudo menos músicas deprimentes demais. De deprimida já basta eu – Maria disse.
- Vocês aí, vão conversar ou praticar os movimentos? Não quero saber de fofocas! – Dorcas xingou.
- De fofocas já basta seu jornal, não é mesmo Dorcas? – Sophie comentou com uma risada, mas Dorcas a ignorou.
- Um, dois, três, quatro!
- Pelo visto eu não tenho muito o que fazer aqui – uma voz meio infantil, fina e ao mesmo tempo baixa chegou a nossos ouvidos.
Espera, da onde essa mulher tinha surgido? Ninguém nem havia notado sua aproximação, e lá estava ela, trajando vestes esportivas pretas coladas ao corpo, seu cabelo numa cor tão estranha que quase chegava ao verde, e tinha olhos grandes demais. Ela tinha um sorriso meio enviesado, enquanto brincava com o apito em suas mãos.
Ninguém respondeu à ela, e Dorcas se virou, ao mesmo tempo em que parávamos com os movimentos.
- Er... Desculpe a pergunta, mas... – Lily começou hesitante. – Quem é você?
- Oh, não me apresentei ainda? – a mulherzinha se aproximou. Apesar de seu aspecto meio frágil, ela ainda conseguia passar algum tipo de autoridade. – Sou Susan. Susan Bronwen.
Nos entreolhamos novamente, ainda confusas. A mulher se aproximou mais, e quando o pouco sol bateu direto nela, tive certeza da cor verde de seus cabelos. Estranho.
- Sou nova por aqui, como percebem. E vou exercer vários papéis – ela continuou. – Serei a segunda coordenadora do coral da escola, serei a nova juíza da competição de corais e a nova professora de Estudo dos Trouxas.
- E quanto a Stanley? - perguntei com um pingo de esperança. Será que a víbora tinha saído da escola?
- Bom, pelo visto há mais interessados em saber dos trouxas do que Dumbledore pensava. Estou aqui para ajuda-lo com isso – ela disse. – E, o mais importante, sou a nova treinadora de vocês.
Silêncio.
Até Dorcas tossir.
- Treinadora? – repetiu.
- Exatamente – a mulher de cabelo verde disse. – Fiquei sabendo do acidente que aconteceu com vocês, então vocês precisam de uma coordenadora mais experiente e mais madura, para certificar que nada mais perigoso acontecerá com vocês.
- M-Mas... – Dorcas gaguejou, se esforçando pra não demonstrar sua raiva e choque. – Isso é impossível. As líderes de torcida, nós, as Griffies, foi uma criação minha, e a escola e nem a direção está envolvida nisso.
- Depois de tudo, agora está – ela sorriu. – Mas não se preocupem. Não sou uma pessoa agradável, e vamos ser ótimas amigas.
Dorcas bufou.
- Eu coordeno tudo por aqui!
- Fique a vontade. Mas será eu que vou treiná-las.
Não adiantou discutir. Dorcas estava visivelmente surpresa, e a gente também. Treinadora? Desde quando Dumbledore chama treinadoras pra esse castelo?
E se tínhamos pensado que teríamos paz com a "saída" de Dorcas, nos enganamos feio. Aquela mulher queria acabar com a gente! Cem flexões e mais uns movimentos esquisitos, além de dizer que as garotas teriam que aprender espacate. Eu demorei séculos pra aprender a fazer! As garotas estão totalmente perdidas.
Muito estranho, mesmo. E Dorcas dizia que logo reclamaria com Dumbledore, enquanto voltávamos do campo praticamente nos arrastando por causa das dores musculares. Ela disse que também usaria o argumento de que Bronwen poderia "trair" as equipes, já que treinará as líderes das outras casas também. Tenho certeza que nada que Dorcas disser ou fazer mudará alguma coisa, mas eu prefiro ela do que aquela mulher de cabelo verde. Quero dizer, eu mal estava conseguindo andar! Isso que ela nos treinou apenas por meia hora, e nos fez fazer movimentos terríveis com o corpo. Sem falar no suor, e sem falar na dor nas costas.
Merlim, estou me sentindo uma boneca de pano torturada por um bebê de dois anos.
Lily POV:
- James, até que enfim te achei! – encontrei o moreno na sala comunal. Ele lia um livro qualquer de quadribol, e sorriu fraco quando me viu, quase culpado. E quando fui o cumprimentar com um beijinho, ele virou o rosto. Grrr.
- Er... Algum problema? – perguntei.
- Não, nenhum – ele não ergueu os olhos do livro.
Suspirei, estressada.
- Não te vi ontem depois do treino das Griffies – falei tão seca quanto ele.
- É, eu... Estava ocupado – ele disse, a voz longe.
- Com quê?
James não me encarou novamente, e apenas sorriu bobamente. Muito, muito bobamente.
- Estudando, depois fui treinar quadribol... – ele parou.
- E sua aula particular pra Gravelle – completei trincando os dentes. Minhas narinas inflaram ao ver James sorrir mais um pouco. Tentei me controlar pra não soltar alguma coisa, tudo para não ter brigas novamente, mas estava extremamente difícil.
- É – disse simplesmente, e voltou a atenção a seu livro.
Merlim, me acalme, me faça não chorar ali na frente, me faça perder essa raiva que estava subindo...
Respira Lily, bem fundo.
Suspira.
Se abana, mas não olha para o garoto estranho que estava sentando na sua frente.
E agora diga com calma.
- James, você está estranho – consegui falar com a voz rouca, mas consegui.
- Estranho? – ele finalmente me olhou, então engoliu em seco.
- É... Diferente.
- Não começa Lily – ele disse com um suspiro, e se voltou para o livro. – Eu só estou tentando me concentrar no livro.
Não respondi. Voltei à técnica de controlar meus impulsos, e com isso comecei a ficar vermelha, e minha mão começou a suar.
- Está com algum... problema? Está acontecendo alguma coisa, James? – perguntei.
James fechou o livro, e se pôs de pé.
- Estou simplesmente lendo – ele disse com pressa. – Acho que está um pouco paranoica, Lily. Ou com TPM, não sei. Mas agora tenho que ir. Hoje é o jogo da Lufa-Lufa contra Sonserina, e tenho que estar lá pra torcer contra.
Ele deu um pequeno e curto beijo na minha testa e saiu, enquanto mais gente também saía em direção ao campo. Meus olhos já começaram a lacrimejar, e eu não fiz mais nada a não ser correr em direção ao meu dormitório. No caminho, esbarrei com Sophie e Alice.
- Lily? – Alice perguntou surpresa quando me viu correr, e ouvi as duas atrás de mim quando cheguei ao dormitório e me joguei na cama, soluçando.
- Lily, o que foi? – Sophie disse, sua voz e seus passos chegando perto. Senti o colchão afundar, mostrando que as duas tinham se sentado ao meu lado.
Demorei muito tempo pra responder, muito mesmo. As garotas esperavam, acariciando minha cabeça, e eu sabia que ambas trocavam olhares confusos enquanto eu enterrava meu rosto no travesseiro.
Meu Deus, isso não podia estar acontecendo. Eu simplesmente... Estava atônita, e sentia uma dor tão profunda que acho que estava me corroendo. Não conseguia nem pensar, muito menos parar com o choro; era incontrolável.
Ciente de que as garotas ainda esperavam pela minha resposta, apenas consegui gaguejar, os soluços bem altos:
- Ele... E-Ele... Está me traindo!
David POV:
- Moreau, é incrível o tanto que você consegue se superar com esse cabelo, sinceramente – Stanley veio me dizer enquanto saíamos da sala de professores. – Já pensou em passar uma máquina nisso aí?
- Não sei porque insistiu em vir me atormentar novamente, Stanley, mas eu tenho certeza de uma coisa – parei, apontando para ela com um sorriso desafiador. – Você está se mordendo de raiva por causa da nova professora de Estudo dos Trouxas. Não gosta de ser substituída, não é?
- Substituída! – ela bufou. – Nunca. É claro, não posso negar que Dumbledore está cada dia mais louco, inclusive por causa dessa ideia estúpida de complementar a matéria com outro professor, mas eu nunca serei substituída, nunca. Sou bem capaz de dar aulas pra quantas pessoas eu quiser.
- Bom, parece que não – continuei com o desafio. – Tanto é que Dumbledore teve que ir atrás de uma nova professora.
- Porque ele está caducando, simplesmente isso! – ela exclamou com raiva. – E você não pode dizer nada. Seus alunos não aprendem nada com DCAT.
- Acha é? Pois eu estou entre os professores que ajudou no desempenho escolar dos alunos desde o ano de 1935.
- Erro! Lista fajuta!
- Mas você entrou nela – zombei. – "As professoras que tiveram que ser substituídas por incapacidade de ensino".
- Você se acha o engraçado, não é? – ela disse com rispidez enquanto eu ria. – Pois eu vou tirar esse seu sorriso da cara na próxima competição. Você não tem ideia do que estou preparando.
- Veremos lá, não é mesmo?
- Sim, veremos. E eu vou te derrotar e massacrar cada um de seus alunos estranhos – ela falou entre os dentes. – Aquela ruiva sem sal da Evans, aquela magrela McKinnon e outros que estão na minha lista negra.
- Vejamos, você selecionou Lily porque ela acabou com sua tentativa de desafio na música do The Human League, e Sophie porque ela jogou na sua cara que você é... O que mesmo? Ah sim, mocreia oxigenada – ri novamente. – Encantador.
- Você vai se arrepender tanto por cada palavra que está dizendo... – ela balançou a cabeça, os olhos estreitos de fúria.
Eu estava prestes a responder, quando alguém disse alguma coisa que me fez simplesmente me calar.
- Mister D!
Me virei lentamente, surpreso, quando dou de cara com uma mulher de grandes olhos, e conhecidos cabelos verdes.
- Meu Deus! Suzz! – exclamei chocado, então nos abraçamos, rindo. – Mas o que está fazendo aqui?
- Ora, eu sou a nova professora de Estudo dos Trouxas ao lado de outra mulher por aí – ela riu, sorrindo abertamente. Sorri de volta, ainda boquiaberto.
- Essa mulher sou eu – Stanley cortou, até eu perceber que acompanhava a cena com olhos arregalados. – Espera aí, vocês se conhecem?
- Mas é claro que nos conhecemos! – exclamei olhando para Suzz com afeto. – Eu e Suzz estudamos até o quinto ano em Beauxbatons, até ela se mudar pra Hogwarts.
- E acabei que nem terminei aqui. Me mudei novamente no sétimo ano e fui para uma escola bem pequena na Suíça – ela contou. – Não acredito que você está aqui, Mister D!
- Mister D? – Stanley fez uma careta.
- Apelidos de adolescência – Suzz contou, rindo. – Merlim, ainda é inacreditável te encontrar aqui!
- Nunca vi tanta coincidência em toda minha vida! – falei, rindo.
Passamos o resto do tempo livre juntos, já que todos começavam a ir para o campo ver o jogo de Lufa-Lufa contra Sonserina. Suzz contou que deveria estar no jogo, mas não custava nada matar o primeiro dia de trabalho. Isso me fez lembrar de todas as tardes que matávamos aula no lago, roubando botes e indo para a Lagone (uma lanchonete que ficava no centro do lago que rondava a escola). Conversamos um bocado, relembramos mais um pouco, e eu contei como andava minha vida, e também mostrei o castelo para ela. Nem percebemos que já estava na hora do jantar, e todos já estavam no Salão Principal comentando sobre a vitória da Sonserina sobre a Lufa-Lufa.
Suzz se despediu, dizendo que tinha ainda que arrumar as coisas em sua nova sala, e foi assim que Stanley conseguiu se aproximar para falar mais uma de suas marolas.
- Quer dizer que você e a tal da Bronwen já se conheciam? – ela disse com os olhos brilhando. – Moreau, isso não é nada bom.
- Não vejo importância nisso. É bom que ela se enturma facilmente – falei, comendo despreocupadamente da minha sopa.
- Não vê? Quando o castelo souber, vão começar com as fofocas de que já namoraram, ou já tiveram algum caso ou coisas do tipo! Sabe o escarcéu que vai fazer? – ela continuava, e eu apenas ria.
- Primeiramente, eu nunca namorei Suzz. Éramos melhores amigos, quase irmãos. E por isso nos distanciamos muito quando ela mudou, e agora estamos relembrando os velhos tempos e matando a saudade. E segundo, a escola inteira já sabe disso, porque todos já viram eu conversando com ela, e, "sem querer", Dorcas escutou uma conversa nossa sobre os velhos tempos de Beauxbatons, e por isso todo mundo já sabe.
Stanley se calou, e pelo visto foi o bastante para ela desanimar. Porém, ela ainda insistiu.
- Pois eu sou muito capaz de fazer essa simples amizade se tornar algo que os pais não vão gostar nada de saber. Já que querem um ambiente... Decente para os filhos – ela disse num sussurro.
- Vai inventar histórias, Stanley? Vai jogar tão sujo assim?
- Essa história não pode continuar, Moreau – ela sorriu perversamente. – Imagina que maravilha seria, os dois expulsos. Eu me livraria de dois problemas ao mesmo tempo fácil, fácil.
Ri novamente, então me virei pra ela com um sorriso natural.
- Ainda não sabe, Stanley? – falei. – Eu não tenho medo de você.
Alice POV:
- Lily, pare com isso! Você nem tem provas que James está realmente traindo você! – exclamei, enquanto eu e Maria caminhava com Lily em direção à sala de música.
- Eu tenho certeza – Lily falou baixo. – O jeito como ele falava de Gravelle, das aulas com ela, e... e... Ele está muito estranho. Ele está seco, não é mais o mesmo. Antes eu achava que ainda era por causa do dueto com Sirius, mas eu sei que não é isso. Ele está me traindo.
- Você não tem certeza, Lily. Pode estar errada, sabe! – Sophie instou. – James batalhou pra finalmente ficar com você, como ele mesmo disse. Por que te trairia assim? Ele não é garoto de fazer isso, e se ele quisesse ficar com outra, primeiro terminaria com você, não é?
- E ele não vai terminar – concluí.
- Acho que foi um erro eu ficar com ele – Lily falou roucamente, a cabeça baixa. – Era como eu temia. Eu sou mais uma. Um desafio pra ele, e agora que ele me conseguiu, se cansou de mim e quer outra. E essa outra é Gravelle, porque é um tipo de garota que ele nunca "experimentou".
- Mas é claro que não! – eu e Sophie dissemos ao mesmo tempo.
- Claro que sim! Tem outra explicação pra isso? Não! – Lily disse, quando já tínhamos nos sentado. – Eu até culparia a Lua Cheia, mas eu já conferi isso com Remo, e não está na época dos quatro saírem por aí.
- Tente conversar com ele. Acho que James não seria capaz de fazer isso, Lily – eu disse.
- Oi, Lily – Maria se aproximou, sendo uma das últimas a chegar. – Fiquei sabendo que agora você é corna.
- Maria, você não está ajudando – Sophie falou depressa.
- Brincadeira, ruiva – Maria suspirou. – Não resisto a fazer brincadeiras infames. Mas e aí, quem é ela?
- Quem seria? – Lily disse com raiva.
- Minha priminha querida? – Maria perguntou com sarcasmo. – Ai Lily, você ao menos tem certeza? Gravelle é insuportável aos olhos de todo mundo.
- E lembra quando você contou pra gente que James tinha até a xingado uma vez? – falei.
- É, mas com essas aulas particulares visivelmente ele mudou de opinião – Lily disse.
- Ainda acho que você está exagerando – Sophie respondeu. – Vocês não se falaram desde essa conversa?
- Não, e pelo visto ele nem está sentindo minha falta – Lily disse, olhando pela sala. – Ele não chegou ainda.
- Nem ele, nem Sirius – Sophie disse. – Viu, ele está com amigos. Decerto ele quer um tempo só pra ele e os amigos. Sabe como homens são.
- Eu duvido – Lily suspirou, derrotada.
Pouco depois de James e Sirius chegarem (James se sentou longe de Lily, pro seu desespero), Moreau foi entrando. Dorcas foi a primeira a exclamar.
- Fala aí, Mister D! – ela disse desafiadoramente. – Professor, quem diria que você já conhecia a... Treinadora Bronwen.
- Acho que você já sabe, Dorcas, e que inclusive já espalhou pra todos que queria ouvir que nós éramos grandes amigos – Moreau sorriu. – Foi uma surpresa reencontrar Suzz por aqui.
- Suzz – Dorcas bufou. – Não gostei daquela mulher. Acredita que ela foi se intrometendo nas Griffies! E no treino ela destroçou a gente!
- Só está cumprindo ordens – Moreau continuou. – E isso não me surpreendeu, já que Suzz era bem esportista na escola.
- Sabia que você ia defender aquela Cabeça-Verde – Dorcas disse com asco. – Só acho que ela deveria parar de se achar a capitã. Mulher desprezível.
Moreau apenas a ignorou, dando uma risada.
- Bom, pessoal – ele começou, começando a remexer em algumas partituras em sua maleta. – Acho que já passou da hora de escolhermos nossas músicas pra próxima competição.
- Sou a favor de um solo para mim – Dorcas disse depressa.
- Podemos por um pouco de rock dessa vez – Sirius sugeriu.
- Ou mais dança – John disse.
- Depois do sucesso que foram os duetos, acho que devemos apostar mais nisso em competições – Moreau falou. – Vocês foram incríveis, e a meta de agora é ganharmos alguma competição com um dueto.
- Acha bom arriscar, Mister D? – Sophie perguntou, risonha.
- Com certeza, Carol – Moreau riu. – Eu achei o mais justo que o dueto vencedor, no caso Alice e Franco, fizessem o dueto da vez. Mas Franco já me adiantou que não quer.
- O que eu acho um desaforo – olhei irritada para meu namorado, que mordeu o lábio.
- Por isso já estou pensando em alguns duetos – Moreau disse, lendo um pergaminho. – Eu pensei em Remo e Maria, Jason e Dorcas e Lily e James.
- Ah, é claro. Tinha que ter o casal maravilha no meio – Dorcas revirou os olhos. – Sou totalmente a favor de um dueto meu com Jason.
- Eu não – Jason disse.
- Mister D, posso? – Maria se pôs de pé, então caminhou até o centro da sala. – A minha opinião é que devemos cantar novos estilos de música dessa vez. Já cantamos jazz com Valerie, rock com Somebody To Love... É um rock diferente, mas é rock. Cantamos pop, cantamos de tudo. Mas estamos nos esquecendo de um que é fundamental. R&B.
- Não gosto muito – Sirius comentou.
- Bom, por isso preparei uma amostra, pra quem não gosta, como o Sirius, ver o tanto que é legal – Maria sorriu, então fez um gesto para os músicos.
O som dos instrumentos de R&B encheram a sala, junto com o bater de palmas de Maria.
If I could give you the world
On a silver platter
Would even matter
You'd still be mad at me
If I can find in all this
A dozen roses
That I would give to you
You'd still be miserable
Cause in reality
I'm gon' be who I be
And I don't feel no faults
For all the lies that you bought
You can try as you may
Bring me down but I say
That it ain't up to you
Go on and do what you do
Já tinha chegado o refrão e todo mundo já cantava e dançava pela sala junto com Maria, e John fazia uns passos esquisitos que conseguia animar todo mundo. De um canto, Moreau cantava junto também.
Hate on me hater
Now or later
Cause I'm gonna do me
You'll be mad baby
(Go head and hate)
Go head and hate on me hater
Cause I'm not afraid of
What I gotta I paid for
You can hate on me?
E Dorcas cantava junto também, fazendo questão de erguer sua voz ao tom de Maria. Quero dizer, as duas não brigavam mais, mas Dorcas não se importava se era Maria, Emelina ou até mesmo Bronwen. Ela tinha que ter destaque em sua voz.
(You cannot hate on me)
Now or later
Cause I'm gonna do me
You'll be mad baby
(So shall it be)
Go ahead and hate on me hater
Cause I'm not afraid of
What I got a pay for
(So shall it be)
You can hate on me
Pelo visto Sirius tinha mudado de ideia, pois logo lá estava ele rebolando com Maria e Sophie, e Franco também cantava, o que me fez sorrir. Talvez eu conseguisse convencê-lo a ter nosso dueto na competição...
Hate on me hater
Now or later
Cause I'm gonna do me
You'll be mad baby
Go ahead and hate on me hater
Cause I'm not afraid of
What I gotta pay for
You can hate on me
Yeah
Foram aplausos gerais no fim da música, mas isso não tirou minha atenção de uma cena que eu achei bem curiosa. De um lado, Jason, Jason McKinnon, sorria abertamente para Maria. Do outro lado Remo, Remo Lupin, não tirava os olhos dela, como se hesitasse.
Hum.
Maria MacDonald... Você me deve alguma explicação.
Lily POV:
- Lily, eu já disse pra você parar com isso – Alice insistiu. – Já estou ficando cansada de ficar presenciando essa deprê.
- Afinal, hoje é sexta! Vamos dormir até meio dia amanhã, e hoje não tem o treino das Griffies – Maria disse.
- Não estou animada, porque estou morrendo aos poucos – falei com tristeza. – Vocês tem ideia do que é isso? Eu não falo com James há dias! E ele nem se dá o trabalho de me procurar e... e...
- Estamos no corredor, não comece a chorar aqui, por favor – Maria falou depressa.
- O pior é que... – falei, gaguejando. – É que ele nem me explica o porquê desse afastamento. Nem parece que somos namorados, e nem parece que ele me ama como ele disse. E eu sou tão TÃO idiota...
- James que é um idiota. É lei. – Maria falou com simplicidade. – Quando uma garota começa a namorar, o que os pais perguntam? "Quem é o idiota?". E quando um garoto começa a namorar, o que os pais perguntam? "Idiota, quem é a garota?". Moral da história: garotos são idiotas.
- Bela tese, Maria – Alice disse, rindo.
- Eu só queria entender, entender! O que eu fiz pra ele estar agindo assim comigo? Ou o que eu fiz pra ele me trair? Será que foi tipo uma vingança por causa daquele dueto meu com Sirius?
- Fala sério, o dueto nem foi tão romântico assim – Alice exclamou.
- Afinal, nada seria romântico com você com uma peruca a la Gravelle – Maria deu de ombros.
- Será que ele ficou bravo por eu pegar tanto no pé dele por causa da Gravelle que aí é que ficou com ela mesmo? – perguntei com um tremor.
- O quê, como se você tivesse empurrado ele pra ela? – Maria disse. – Nunca. É sério, se o James tiver traído você com Gravelle, eu vou dar uma surra nele. Quem aguenta aquela matraca? Ele pode te trair até com a Madame Pince, mas não com a Gravelle...
- Só pare de pensar nisso Lily, e converse como duas pessoas maduras – Alice falou.
- ... se bem que isso não é impossível, já que James está indo pra biblioteca dar aulas pra Gravelle. Aí a convivência com a bibliotecária faria ele se apaixonar por ela. Eu sei que é impossível, mas esse mundo anda tão louco que...
- James não tem um bom motivo pra te trair. Ele disse que te ama, e só a você ele te deu essa linda pulseirinha no seu braço – Alice continuava.
- ... e também seria uma prova que ele te ama, já que quando o quesito é grito, você e Madame Pince são ótimas competidoras!
- Pare e pense por um minuto, você acha que James deixaria de sentir algo por você assim, do nada? – Alice concluiu.
- E os gritos de Madame Pince seria uma ótima lembrança de você, assim ele nunca te trairia! – Maria riu.
- Maria, você nunca falou tanta bobagem em toda a sua vida, garota – Alice disse para ela.
- Estou tentando ajudar. Não deve ser tão ruim ser traída por seu namorado com uma bibliotecária velha, chata, feia e que tem um caso com o Filch. Eu sei que eles tem um caso, sim!
- Aham, Maria. Toma aqui um galeão pra você parar de sonhar... – Alice revirou os olhos.
- E por falar em biblioteca... – minha voz foi morrendo.
Sem perceber, tínhamos passado perto da biblioteca, e de lá dava ter uma ampla visão do seu interior. E no seu interior tinha um casal que ria sem parar, sentados em uma mesa bem no centro. O garoto ria, pegando um pedaço de um bolinho de chocolate e lambuzava o nariz da garota. A garota ria descontroladamente e xingava o garoto, e depois pegava outro bolinho e levava à sua boca.
James e Gravelle trocavam olhares profundos.
Enquanto o meu olhar se enchia de lágrimas.
- Oh. Meu. Deus – Alice disse, olhando a cena boquiaberta.
- Mas que diabos... – Maria murmurou, chocada.
- Ainda duvidam, ou eu preciso de prova maior que esta? – falei, a voz já embargada, e a seguir, simplesmente corri.
Eu nem sabia pra onde, mas meus destinos possíveis eram poucos. O Salão Principal estava lotado, a Sala Comunal também. O banheiro dos monitores era suspeito demais, então eu lembrei do banheiro da Murta. Descartei esse lugar porque eu ouvia Alice e Maria correndo atrás de mim, gritando para eu esperar. Eu sabia que a fantasma odiava quando tinha mais gente lá do que simplesmente eu, e pra evitar confusão, decidi mudar o rumo. Afinal, o rumo já estava completamente mudado, não é?
Então fui parar no auditório, o que foi a melhor coisa que eu fiz. Estava vazio, completamente vazio. Nenhuma alma, nem fantasma, nem Pirraça, nem ninguém. Apenas eu. Eu e o silêncio, e a única coisa que me reconfortava.
No palco, me ajoelhei e deixei as lágrimas começarem a banhar do meu rosto pra roupa, e meu cabelo grudar na cara, e o eco do auditório preencher o silêncio com meus soluços. Ali foi o lugar perfeito que eu tinha achado.
Maria e Alice tinham se perdido de mim, mas eu sei que elas me encontrariam uma hora ou outra. Por isso aproveitei para chorar sem parar enquanto isso não acontecia. O torpor me invadia, e a dor e a raiva se misturavam numa frequência louca dentro do peito, e foi assim que o tempo passou, eu tentando controlar minha vontade de gritar.
Minutos depois, consegui me controlar, e olhei ao redor. Eu só via as milhares de poltronas vazias, e de repente me senti sozinha e vazia. Senti frio. Até que olhei para o lado, onde tinha uma mesa que eu não tinha percebido que estava ali. E sobre a mesa, estava o velho rádio mágico de Moreau, aquele que parece tocar todas as músicas que você quer, porém com certa dificuldade, e apenas quando ele quer, e seu uso é indispensável. Será que ele funcionava?
Caminhei até ele e tirei minha varinha da mochila. Pensei na primeira música que me veio à cabeça, e quando bati com a varinha, a mesma música começou a tocar instrumental.
Eu sabia que era estranho, mas eu queria cantar agora. Respirei fundo e pigarrei antes de começar a cantar...
You look so dumb right now,
Standin' outside my house,
Tryin' to apologize,
You're so ugly when you cry,
Please, just cut it out
Don't tell me you're sorry 'cause you're not,
Baby when I know you're only sorry you got caught...
Ouvi alguns passos atrás de mim; é claro, Maria e Alice. Elas tinham uma expressão de consolo, e até de pena quando viram meu estado. É claro, meu rosto enchia feito balão quando eu desatava a chorar.
E não demorou para elas cantarem comigo, como voz de fundo.
But you put on quite a show (oh),
You really had me goin',
And now it's time to go (oh),
Curtain's finally closin',
That was quite a show (oh),
Very entertainin',
But it's over now (but it's over now),
Go on and take a bow, ohh ohh.
Era impossível não chorar, ainda mais me lembrando daquela cena… Aquela cena que chegava a me enojar, a me dar ânsia, e até mesmo uma raiva inimaginável. Raiva de James, raiva de Gravelle...
And the award for the best liar goes to you (goes to you),
For makin' me believe that you could be faithful to me,
Let's hear your speech out?
Minha voz saiu numa longa nota, o eco do auditório aumentando-a cada vez mais, e as vozes de Alice e Maria continuavam ao fundo, e as lágrimas continuavam a descer, e minha raiva continuava a aumentar...
(But you put on quite a show
You really had me goin'),
And now it's time to go (oh),
Curtain's finally closin',
That was quite a show (oh),
Very entertainin',
But it's over now (but it's over now),
Go on and take a bow!
But it's over now?
Terminei minha última frase com um simples sussurro, e despenquei, me ajoelhando no chão frio do palco novamente. Enquanto eu soluçava, só sentia os braços de Alice e Maria me envolverem.
Sophie POV:
Tanta coisa estava acontecendo...
Primeira e principal: Lily e James. Eu, Dorcas e Emelina fomos chamadas com urgência para o dormitório das garotas, Dorcas com sua prancheta em mãos. Pelo visto Lily tinha quase certeza que James a estava traindo, e Maria e Alice contaram o que viram na biblioteca. Que desaforo!
Corri pra falar com Sirius.
- Qual o problema do seu amigo? – perguntei, irritada, enquanto estávamos abraçados na poltrona em frente à lareira.
- O Aluado? Ele fica meio alterado perto da Lua Cheia e...
- Não é dele que estou falando – suspirei impaciente.
- De quem então? – Sirius perguntou confuso, e eu suspirei novamente.
- James. Por que ele está tratando Lily desse jeito? – falei. – Ele por acaso está com outra...?
- O quê? – Sirius arregalou seus olhos acinzentados que eu tanto amava. – Eu nem estou sabendo disso!
- Não?
- Não – ele franziu a testa. – Pontas está normal comigo. Mas ele está traindo a ruiva?
- Lily e as garotas viram ele e Gravelle juntinhos na biblioteca – contei. – É muito estranho.
- Pontas não faria isso, eu acho – Sirius disse, apertando seu abraço. – Eu sei que ele era tão galinha quanto eu era, mas nunca seria capaz de uma traição. Ainda mais com Lily! Ele é obcecado por ela!
- Pelo visto isso passou – falei, emburrada. – Não acho isso certo, sabe. Eu sou super amiga de James e amo ele, e o mesmo com Lily. Se ele estiver mesmo com Gravelle é claro que vou ser contra ele! Traição é a pior coisa do mundo...
- Vou falar com o quatro-olhos – Sirius disse com firmeza. – Não estou percebendo nada, nem Rabicho ou Aluado. Na verdade, ele não passa tanto tempo com a gente...
- Não? – perguntei espantada. – Mas ele não passa muito tempo com Lily também. Aliás, Lily diz que ele só anda com vocês ultimamente.
- Não anda não – Sirius respondeu.
- Meu Merlim, então se James não anda com você e nem com Lily...
- Será? – Sirius parecia tão surpreso quanto eu. – Conheço o cara, acho que ele não faria isso...
- Poderia averiguar pra mim, por favor? – pedi. – Não aguento mais ver Lily angustiando por aí.
- Vou falar com ele – Sirius afirmou, em seguida me dando um beijo carinhoso na testa.
E outras coisas também estavam acontecendo. Envolvendo meu irmão. Percebi que ele também andava diferente – será uma epidemia? E isso só acontecia em dias que tínhamos coral.
É claro, eu perguntei pra ele o que estava acontecendo. E a resposta era sempre a mesma:
- Está vendo coisas onde não existem, So...
Ótimo, agora a louca sou eu. Mas deixei isso pra lá. Bom, até eu perceber que ele olhava para Maria enquanto conversava com Geovana – ele tinha conseguido se reaproximar dela, pro desagrado de Dorcas. E também Maria parecia fugir de Remo. Será que está se formando um triângulo amoroso por aqui? Mas Remo não gostava da Lina?
Certo, acho que eu deveria ter uma coluna no MMM pra competir com a da Dorcas. Quero dizer, eu sabia demais! Por exemplo, que Emelina está completamente desconfortável perto do Benn, porque ele propôs pra ela "dar um passo na relação". Merlim, ilumine a cabeça dessa garota. Não quero uma amiga com gravidez precoce.
Mais uma onda de acontecimentos notáveis que eu estava presenciando: Susan Bronwen. Ela estava DEFINITIVAMENTE acabando com a gente. Eu precisava de massagens de Sirius todo dia – o que não era de lá tão mal – enquanto Alice teve de ir pra enfermaria porque teve uma câimbra terrível na coxa. Aquela mulher era o inferno! Mas não por ela ser quem é (ela até que era legal e bem humorada, chegava até ser amiga e contar algumas piadas ridículas com a gente – e contar de suas travessuras com Moreau em Beauxbatons), e sim pelo tanto que ela nos forçava a fazer exercício atrás de exercício. Aquilo estava nos matando. E nem sua personalidade legal batia o tanto que ela exigia da gente. Enquanto ela aumentava o número das nossas flexões, todas ficavam com raiva daqueles olhos grandes e daquele cabelo verde. E isso foi um motivo pra Dorcas fazer um abaixo-assinado pra mandar pra Dumbledore, já que ele não tinha ouvido seus protestos anteriores. O abaixo-assinado também não resolveu.
E por falar em Dorcas, ela estava ficando louca. Porque queria Jason. É, e ela não hesita nenhum pouco em dizer isso. Até disse isso pra McGonagall durante uma aula, quando a professora chamou sua atenção.
- Senhorita Meadowes, será possível que não pode parar de conversar um minuto?
- Desculpa, McGonagall diva, mas é que estou meio deprimida – Dorcas disse com um suspiro. – Preciso de um namorado. Preciso de Jason.
A professora não chamou mais sua atenção durante o resto da aula.
E Dorcas continuava a engrolar, dizendo que todas as garotas arranjaram ou estão dando um jeito de arranjar namorados, menos ela. Desconfio até que a garota está fazendo macumba, pois outro dia achei várias peles de cinzácaro no fundo de seu malão. Ela estava surtando.
E Lily estava surtando, por causa de James.
E Emelina estava surtando, porque estava tendo pesadelos com DST's.
Eu estava surtando.
O MUNDO ESTÁ SURTANDO!
Sirius POV:
Todos os garotos estavam no dormitório no momento. Então aproveitei a oportunidade.
- Ei, galhudo – chamei James, que estava absorto demais em algum livro que ele lia.
James não me ouviu, ou pelo menos fingiu que não ouviu. Olhei indagador para Remo deitado em sua cama, que deu de ombros.
- Ei, Pontas – chamei novamente.
Ele nem ergueu a cabeça, então parti para o modo mais óbvio. Peguei um travesseiro e joguei diretamente em sua cara.
- Ei! – ele protestou, quando o livro caiu de suas mãos para o chão. – Sirius!
- Estou te chamando há horas – falei irritado. – Estava com a cabeça aonde?
- Estava lendo – ele disse, pegando o mesmo livro de volta do chão.
- Lendo? Desde quando você lê? O que está lendo? – fui perguntando, antes que ele voltasse a ler de novo.
- É sobre quadribol.
- E da onde esse livro surgiu? – continuei o interrogatório, curioso.
- Biblioteca – respondeu com um tom enigmático.
- James Potter pegando livros da biblioteca? – falei em tom de desafio. – Essa é nova. Talvez esteja aprendendo com a namorada...
James nem percebeu minha intenção, e eu suspirei impaciente, olhando para Remo, que ainda não parecia entender. Rabicho e Franco também trocavam olhares, confusos.
- Pontas – chamei novamente.
- Hum – ele resmungou, já de volta à leitura.
- Faz tempo que não te vejo com Lily – falei cautelosamente. – Aconteceu alguma coisa que você não contou pra gente?
- Não, nada – ele respondeu, sua voz despreocupada e longe.
- Tem certeza? Porque não parece, sabe – eu disse, ao mesmo tempo em que Remo se remexia na cama, já compreendendo. – Faz muito tempo que não vejo vocês juntos, sempre andavam grudados feito chiclete no cabelo do Ranhoso e...
- Escuta, Sirius. Por que você não começa desde agora a cuidar somente da sua vida? – James cortou, ainda sem tirar os olhos do livro, porém com a voz um pouco alta e irritada.
- Só estou tentando entender! – exclamei, aborrecido. – Acho que está acontecendo alguma coisa estranha, então...
- Guarde suas opiniões pra você, tá legal? – James respondeu, e em um simples salto pôs-se de pé. Ainda sem largar o bendito livro, saiu porta afora, sem ao menos olhar pra trás.
Ficou um silêncio enquanto ouvíamos seus passos distanciarem, até Rabicho ser o primeiro a dizer.
- Que bicho mordeu ele?
- Eu também queria saber – murmurei com raiva, enquanto Remo voltava a se remexer na cama, afim de me encarar.
- Por acaso James está pensando em largar da Lily? – ele perguntou.
- Foi o que eu soube – dei de ombros. – Não estão achando isso esquisito? Durante parte da vida desse cara ele passou correndo atrás de Lily e sair com ela. Agora que eles estão NAMORANDO, ele nem ao menos fala dela!
- Deve ter enjoado dela – Rabicho arriscou. – Talvez ela seja chata e estressada.
- Lily não é chata, estressada talvez, mas é uma ótima pessoa e duvido que os dois estejam assim por causa dela – Remo rapidamente a defendeu. – Prova disso é como estavam antes, e agora...
- Pontas simplesmente está pirando – concluí, e os outros três suspiraram simultaneamente.
Eu tinha quase certeza disso. Que cara que sempre correu atrás de uma garota simplesmente passa a ignorá-la por motivo algum? Será que ele estava com outra...?
Esse Pontas! E ainda não conta nada pra mim. Mas eu vou descobrir. Ah, se vou.
Lily POV:
Eu até estava me sentindo culpada.
Culpada mesmo.
Ou não.
Quero dizer, eu estava – quase certa – de que estava sendo traída! Por que eu iria me culpar por uma simples conversa?
Foi assim: depois do café da manhã de sábado, decidi fazer alguma coisa pra sair do Salão Principal. Tudo porque James estava lá, e o mais estranho, sozinho. Nem com Sirius e os outros ele estava! Nem Pedro ou Remo! Achei bem estranho. Mas mesmo assim, não quis ficar ali. Porque eu sentia ele me olhar, e a única vez que nossos olhares se encontraram, eu podia ver a culpa ali. Eu sei, é meio difícil de se ver... Mas eu vi. Eu senti. Culpa misturada com pena. Pena! Acho que eu realmente estava paranoica. E James logo abaixou o olhar, e nosso contato durou menos de segundos. Quero dizer, nós namorávamos ou não? Que tipo de namorados não olham na cara do outro sem nenhum motivo? Isso não era mais do que suficiente pra dizer que ele está me traindo, e por isso está longe de mim porque se sente culpado? Não é?
Enfim, eu saí dali. Dei uma desculpa esfarrapada ao pessoal, gaguejando, e corri. Decidi ir pra biblioteca, pois tinha certeza que eu estava controlada suficiente para não chorar na frente de quem estivesse lá. Eu tinha quase superado esse fato, e quanto a James... Eu não sabia. Eu até poderia conversar com ele mais tarde. Eu sentia que ainda não estava acabado, e a gente até podia voltar ao normal, por qualquer que seja o motivo do nosso afastamento. E descobrir de uma vez por todas se ele estava com outra ou não – pois como as garotas disseram, eu não tenho provas. Tentei esquecer aquela cena com Gravelle e ele na biblioteca, eu não quero pensar muito sobre aquilo.
Chegando na biblioteca, decidi ir na seção do quadribol. É, uma seção que acho que nunca visitei, acho que só na detenção de Sean. Sempre foi bem desinteressante pra mim, mas eu precisava. Quero dizer, James vivia com um livro de quadribol dessa vez. Quero saber porque diabos esses livros andam chamando a atenção dele, já que os livros que ele lê são sempre os mesmos.
Acontece que me arrependi depois.
Pois encontrei alguém lá.
Alto, loiro, numa posição de modelo de uma capa de revista – e não é exagero. Pois era assim que Jessie estava.
Fiquei presa ao chão quando o vi, e tentei me afastar de mansinho, mas não deu. Jessie se virou e me viu ali, e sorriu.
- Lily! – exclamou, e me abraçou como se fosse uma criança abraçando o Papai Noel.
- Er... Oi, Jessie – falei enquanto ele me soltava do abraço.
- Caramba! Quanto tempo! – ele dizia com um grande sorriso. – Sabe quanto tempo faz que não conversamos?
- Desde o baile – falei com uma voz meio seca. – E você estava bêbado.
- Espere, eu te vi no baile? – ele franziu a testa. – Sério?
- Aham – mordi o lábio.
- Por acaso eu... Fiz ou disse alguma coisa? – ele parecia realmente preocupado, o que me aliviou completamente.
- Estava falando besteiras, mas ainda bem que estava bêbado! – exclamei soltando o ar.
- Me desculpe... Por qualquer coisa que eu disse – ele disse baixo, envergonhado.
- Tudo bem. Não foi nada grave – falei, voltando ao tom normal. Pelo menos uma boa notícia! Ele estava bêbado!
- Por acaso foi por causa de alguma coisa que eu disse que você ficou longe de mim? – ele perguntou, cauteloso.
- Não, claro que não – menti, rindo.
- Então por quê?
Suspirei, então me sentei no chão frio da biblioteca, como sempre fazíamos, porém na seção das enciclopédias. Jessie se sentou ao meu lado.
- Muita coisa anda acontecendo, Jessie – falei, baixo, controlando pra não desatar a chorar de novo. Odeio essa minha mania idiota de chorar por tudo. – Coisa demais.
- Com Potter? – ele disse, e quando olhei pra ele surpresa, ele deu de ombros. – Algumas vezes eu vi ele por aqui, com uma garota. E quando eu te via de longe, geralmente estava meio aborrecida, e não estava com ele.
- Que garota, Jessie? – perguntei, mesmo já sabendo a resposta.
- Oh – ele me olhou profundamente. – Não quero ficar dedurando ou...
- Pode contar. Você não pode piorar a situação – ri com sarcasmo.
- Uma loira – ele respondeu, e senti uma pontada no peito. – Tem uma voz incrivelmente irritante, mas é bonita.
Bufei com raiva.
- Gravelle – falei, minha voz saindo ríspida. – Pelo visto James gosta mesmo da nova amiguinha.
- Lily, o que está acontecendo? – Jessie perguntou.
Aí já viu. Desatei a contar, e quando começo é difícil parar. Contei tudo sobre James, Gravelle, a suposta traição, tudo. Todos os detalhes. E Jessie era um bom ouvinte. E um bom secador de lágrimas. Claro, o que é um desabafo de Lily Evans sem um bom choro?
Demorei mais tempo que o previsto, e quando saí de lá, estava muito mais aliviada. Por saber que Jessie estava bêbado quando disse aquelas coisas, e por ter desabafado com ele, retomando nossa amizade. Jessie adiantou que eu poderia voltar à seção das enciclopédias quando eu quisesse, que ele sempre estaria lá. Fiquei feliz com isso, e por isso mais um motivo pra minha animação.
Eu achava que nada podia destruir essa sensação de felicidade, mas eu estava completamente enganada. Mais adiante, enquanto eu caminhava num corredor vazio qualquer – parecia até ser intencional – me encontrei com James. Ele estava encostado perto de uma armadura, as mãos no bolso, o olhar perdido. Quando me viu, caminhou até a mim, um olhar sério.
Primeiro pensamento: como James era lindo.
Segundo pensamento: aí vem coisa.
Terceiro pensamento: ele vai passar reto por mim.
Quarto pensamento: estou com medo desse olhar.
Quinto pensamento: ordinário! Estou desconfiando de você e Gravelle, seu filho da...
Sexto pensamento: será que ele me viu conversando com Jessie?
Sétimo pensamento: acho que eu vou chorar.
Oitavo pensamento: ele está perto o bastante de mim, sem dúvidas não vai passar reto.
- Oi, Lily – ele disse em um tom de voz que chegava até a ser despreocupado. Depois de tanto sofrimento que passei, ele está despreocupado? Jegue! – Precisamos conversar.
Nono pensamento: oh-oh. "Precisamos conversar" nunca foi sinal de coisa boa.
- Fala James – falei com um nó na garganta, fingindo segurança. Mas na verdade eu queria era pular nele e abraça-lo sem parar. Ou então soca-lo até a morte, também serviria.
- Lily – ele deu um passo a frente. – Tudo o que aconteceu com a gente foi muito, muito bom. Você sabe disso. Eu sei. Mas é difícil.
Ele parecia procurar por palavras, provavelmente pra não acabar comigo. Mas isso já estava acontecendo, pois eu estava prevendo tudo o que vinha a seguir.
- É difícil explicar o que está acontecendo, Lily – ele continuou. – Eu não... Posso te culpar. Acho que estou fazendo algo errado ficando com você, mas isso me deixa fora do lugar. Simplesmente não encaixa.
Não respondi, e nem me movi. Seu olhar era calmo, mas pra mim era mais do que mortal.
- Não posso negar que eu te amava. Eu realmente te amava. Mas passou tão rápido que... Que eu nem percebi – ele foi dizendo, e cada palavra triturava alguma coisa dentro de mim. E doía, é. Doía mesmo. – Entenda que... O problema não é com você, é comigo.
Pela primeira vez, consegui emitir algum som. E era um bufo, um bufo misturado às primeiras lágrimas que brotavam.
- A desculpa oficial do dicionário de casais – falei com sarcasmo. James não alterou sua expressão, e continuou a falar como se eu continuasse naquela posição imóvel.
- Eu... Me sinto péssimo com isso. Me sinto péssimo por fazer isso com você.
- Não, não sente – cortei. – Aposto que assim que terminar essa conversa tão TÃO casual, você correrá pra se encontrar com Gravelle, não é? – fui usando meu amável sarcasmo. Era a única coisa que eu tinha agora.
James me ignorou novamente. Qual o problema dele?
- Foi bom enquanto durou – disse. – E você vai encontrar alguém melhor que eu, tenho certeza.
Lágrimas já desciam, e eu fungava baixinho. James nem ao menos sentiu pena. Nunca, eu nunca tinha pensado que ele podia ser tão frio e duro desse jeito.
- Então... Está terminando comigo. De uma vez – eu disse com a voz rouca.
James abaixou a cabeça, então assentiu.
- Lily... – ele disse, baixo. – Sabe... Não dá mais pra continuar.
Ergui os olhos para ele, e me veio mais dor.
- Por quê, James? – falei, soluçando. – Por quê?
James deu um suspiro, e olhou direto em meus olhos para dizer:
- Porque não te amo o bastante. Desculpe.
James se aproximou e deu um leve beijo na minha testa, e eu nem percebi quando ele saiu. Só me deixou ali, estática, sozinha, petrificada.
Eu nem sabia o que fazer. Nem sabia o que dizer e pra onde ir. Era muita dor. Acho que sofrer de amor é a pior coisa que existe. Se cortar, quebrar algum osso? Nem chega perto. Porque você cura aquilo, mas essa dor demora, e você sente a dor pensando. Pensando no desgraçado que te magoou. No meu caso, pensando naquele maroto. E eu o odiava muito mais do que eu sempre pensava que o odiava, quando ele me enchia o saco pra sair.
E agora! Não está mais do que provável que eu, enfim, era um desafio pra ele? E agora que ele conseguiu, ele simplesmente me abandonou? Ótimo, eu caí feito uma idiota.
Agora eu sentia raiva. Muita, muita raiva. Por que ele não jogou na minha cara que agora estava com Gravelle? Que havia me traído com ela, que havia usado desculpas nojentas e infantis para terminar comigo e ficar com ela sem ter peso nenhum na consciência? POR QUE ELE SIMPLESMENTE NÃO DISSE O QUE ERA PRA SER DITO?
E por quê eu, que pensava ser tão inteligente, fui acreditar em tudo o que ele dizia? Naquelas palavras bonitas, nos gestos, em tudo...
Eu sou tão burra. Tão burra. Acho que eu odiava mais a mim do que ele. Por que ele é esperto, e eu sou burra. Simples assim.
Era uma mistura de sentimentos, raiva, ódio, rancor, nojo, dor, desespero, torpor. É, isso se resumia.
Demorei tanto pra voltar ao lugar, e perceber que eu chorava ali sozinha naquele corredor... Mas pra onde mais eu iria?
Ah, é claro. Meu amado banheiro da Murta.
Era pra lá que eu tenho que ir. Porque eu preciso gritar, chutar, quebrar alguma coisa. Aquele banheiro era mais do que perfeito.
Saí correndo, mal me importando se eu empurrava pessoas, se transpassasse fantasmas ou não sei o que mais. Eu só queria chegar e chorar. Era mais do que perfeito.
Mas topei com alguém. E esse alguém parecia realmente assustado com minha situação.
- Lily? – Sirius perguntou, arregalando os olhos aos poucos. – Lily, o que aconteceu?
Fiquei parada ali, sem dizer nada, olhando ao redor com raiva, elétrica pra chegar ao meu destino. Sirius me sacudiu, então eu fiz uma coisa que devia ter feito a muito tempo.
Puxei com força aquela pulseira do meu braço, o que quase me cortou. Mas é claro, eu não liguei. Afinal, eu estava atordoada.
- Entregue isso a seu amigo... – falei com raiva, o que assustou o pobre Sirius, acho. Coloquei a pulseira com fúria em sua mão, as lágrimas ainda descendo. – E diga a ele pra enfiar naquele lugar!
E corri. Chorando, soluçando, sofrendo.
Sofrendo por um idiota.
Uma idiota sofrendo por outro.
Não é esplêndido?
Décimo pensamento: esse mundo é idiota.
Maria POV:
- Como ela está? – os garotos perguntaram assim que eu e as garotas descemos do dormitório feminino. Todos estavam na Sala Comunal que estava um pouco vazia por já estar tarde. Passamos o resto do nosso sábado consolando a pobre ruiva.
- Dormiu – informei. – Finalmente.
- Coitada da Lily – Alice disse desolada, se sentando pra se abraçar com Franco. – Ela gosta tanto de James... Ela ama ele!
- Estranho mesmo – Sophie concordou, então se abraçou com Sirius. Ótimo, os casais ficam, eu sobro. – Sirius, tem alguma explicação a nos dar sobre seu amigo?
- Pontas está estranho – Sirius disse de testa franzida. – Sinceramente? Até agora não acredito que ele terminou com Lily! Quero dizer, depois de eu ver a situação dela quando tive que correr até ela e impedir que ela trombasse com Hagrid, o que na velocidade que ela estava seria um grande acidente, eu duvido que ele a deixaria daquele jeito!
- Não sei qual o problema do Pontas – Remo disse. – Ele só falava dela, todo santo dia. Tem até uma foto dela no criado-mudo, mas provavelmente tirou.
- Lily está aturdida, e com razão – Lina comentou. – Todo mundo sabe o porquê! Gente, vamos raciocinar! James cantou aquela música super fofa pra Lily, depois passaram o Natal grudados e fazendo coisas fofas, depois foi a vez de Lily cantar pra ele e... Terminaram! Não tem algo errado nisso!
- Concordo com Lina – Remo disse. Ah, mas é claro que ele tinha que concordar! – Será que Pontas não gostava tanto dela assim?
- Não sei, viu – Alice disse. – Mas o certo é: Gravelle está metida nisso. Acho que James, afinal, gosta dela.
- O que ela vê naquela garota? – perguntei. – Ela é falsa, uma chata, oxigenada, irritante e todo mundo odeia ela. Duvido que James se interessaria por ela!
- James tem um gosto meio excêntrico pra garotas – Sirius riu. – Lily, por exemplo. Lily é o oposto dele, mas mesmo assim ele gosta dela, ou pelo menos gostava. No final eles ficaram bem juntos.
- Mas com Gravelle é diferente – insisti. – Ela é uma vaca.
- Falando em vaca, cadê a Dorcas? – Sophie perguntou com humor.
- Provavelmente escrevendo um artigo de três páginas sobre o romance Pevans – falei com sarcasmo. – Falando nisso, preciso de sugestões pra minha coluna. Que tema vocês acham que eu deveria usar?
- Que tal... "O que você acha do canalha do James Potter?" – Alice disse, aborrecida. – É sério, gente. Eu amo o James de coração, mas ele fez essa barbaridade com a minha amiga, e é imperdoável! Ele a iludiu completamente, e isso merece um belo soco na cara.
- Estou aberta a negociação – falei, estalando os dedos. Remo sorriu para mim.
- Acho que nem violência fará a gente entender o que se passa na cabeça de James.
- Não importa, é só pra descontar a raiva e vingar nossa amiga – eu falei com determinação.
Depois disso, ficamos um bom tempo fazendo especulações do maldito motivo pelo qual James terminou com Lily. Acabou que eu e Alice começamos a xingá-lo de todos os nomes possíveis, o que foi um motivo pra Sirius e Sophie decidirem se beijar por causa de seu desinteresse. Eu e Lina fomos nos afastamos aos poucos, e ela anunciou que ia dormir quando Alice e Franco imitaram o casal se engolindo ao lado. Sobrou eu e Remo, é claro. Sabe, o destino não anda ajudando muito, e eu quero socar ele, já que não dá pra socar o James.
- Eu realmente quero bater no seu amigo – falei pra ele, enquanto nos afastávamos. – Você permite?
- A vontade. As vezes quero fazer isso também – Remo riu. – Fico feliz que esteja bem, Maria.
Argh. Aquele assunto.
- Felizmente, não sou como a Lily – falei, suspirando. – Consigo esquecer facilmente dessas coisas.
- Fico feliz – ele sorriu.
- É por isso que não me envolvo com ninguém, em tese – comentei. – O que adianta você gostar de uma pessoa, aí ela vem e te magoa desse jeito. Você sofre, sofre, sofre... E a pessoa está lá. Feliz e curtindo a vida, e você aí, chorando sem parar. Acho que Lily precisa aprender sobre isso.
- Por acaso você está falando de você, nessa sua tese? – Remo perguntou, se aproximando.
- Talvez – dei de ombros. – Mas você não está incluída nela.
- Jason?
Bufei.
- Quero ver meu pescoço livre da Dorcas.
- Então você não investe em Jason por causa da Dorcas?
- Eu não disse isso. Eu não gosto do Jason, mas não tento gostar por causa de Dorcas – falei com simplicidade. – E você? Ainda não perdeu as esperanças com Emelina?
- As vezes você tem que admitir que perdeu – Remo soltou um riso baixo. – Eu perdi.
- Talvez não – sorri para ele. – Ainda acho o Benn um tapado.
- Concordo – ele riu novamente.
No momento em que percebi que estávamos realmente perto da poltrona, chegou alguém e se sentou bem no meio, me fazendo ser quase arremessada pro outro lado do sofá.
- Oi, pessoal – Jason disse, sorrindo amarelo. – Fiquei sabendo de Lily e James. Estranho como eles terminaram, né? Eles se gostavam tanto.
- Garoto, da onde você surgiu? – perguntei.
- Do dormitório – ele respondeu. – Mas então, do que vocês estavam falando?
- Sobre como eu odeio pessoas que querem te matar sufocadas sentando quase em cima de você – falei irritada. Jason riu.
- Maria, adoro seu bom humor – ele disse. – Ei Remo, como anda a monitoria?
Quem disse que deu pra conversar depois disso? E o que diabos Jason tinha? Parecia ter tomado um litro de café, credo!
Nossa, é loucura demais pra um dia só.
E eu já sou louca, então não vai dar certo.
E eu precisava dormir. Mas como eu conseguiria isso com Lily fungando a noite inteira?
Ótimo, lá vou eu aturar mais drama de novo.
Alice POV:
Dias se passaram, e... Bom, vamos resumir tudo pra facilitar.
Lily chorou três dias seguidos, ainda mais quando via James por aí. Ele sempre estava sozinho, ou então com os marotos, que depois de encostá-lo na parede constataram que ele provavelmente não contaria nada o que estava acontecendo. Lily parou, finalmente, de ficar emotiva depois de uma longa conversa que teve com Jessie na biblioteca – ela nos contou. Até nós, amigas fiéis e de longa data não consegue acalmar a mulher, mas um garoto qualquer da Sonserina consegue? Intriga! Enfim, foi isso. Quando Lily vê James, antes que era um olhar de dor e desespero, virou raiva e rancor. Eu até previa ela pular em cima dele e furar o olho dele com um garfo durante as refeições, mas isso não acontecia. E quando eles se cruzam, ela torce o nariz e olha em outra direção. James nem ligava muito, eu percebi. Que canalha! Mas Lily foi voltando ao normal aos poucos, era só não dizer "James Potter" na frente dela e estava tudo certo.
Eu e Franco continuávamos firmes e fortes, com a graça de Merlim. Acho que éramos o único casal que não tinha essas discussões – e, por enquanto, Sirius e Sophie. Eu fiquei sabendo que Emelina e Benn andaram discutindo com mais frequência, o que fez Maria ficar serelepe. Aquela garota era outra incógnita. Não sei o que estava acontecendo entre ela e Remo, ou entre ela e Jason – porque já vi os dois conversando normalmente uma vez ou outra. Quando pergunto, ela simplesmente ri e muda de assunto. E quando ela começa a conversar com Jason e Dorcas se aproxima, ela começa imediatamente a xingar o garoto, é incrível isso. E estranho. E quando ela está com Remo, sempre é aquela conversa que você vê que envolve piadas e tudo o mais. E quando se aproximou a Lua Cheia, Maria sempre ia visita-lo na enfermaria. Sério, estou perdida.
Quanto às outras atividades, outra coisa anda dando o que falar na escola ultimamente: a rixa do professor Moreau com a professora Stanley. Estão brigando agora pra escola inteira saber. E as vezes envolve a Treinadora Bronwen. Primeiro foi as discussões deles nos corredores, depois nas salas de aula, depois o bafafá na sala de Dumbledore e depois nas refeições. E sempre eram assuntos polêmicos, como o fato de Stanley estar inventando coisas sobre Moreau e Bronwen terem namorado na adolescência, ou então Stanley ter tentado sabotar uma aula do professor Moreau atiçando uma das criaturas que ele tinha levado para a aula dos alunos do primeiro ano. Francamente, que mulher horrorosa! Por que ela não sossega e deixa o pobre Mister D em paz?
No coral, nada estava indo muito bem também. Além de Lily começar a irritar todo mundo cantarolando "Gives You Hell" baixinho em toda santa aula, ainda não tínhamos ideia do que escolher pra cantar na próxima competição. Maria ficara irritada com aquilo, já que dera uma grande sugestão anteriormente. Moreau, por causa das brigas constantes com Stanley, sempre chegava estressado nas aulas, e apenas nos mandava aquecer a voz, o que era um saco. Nem John conseguia desestressá-lo com suas piadas. É, a situação estava crítica.
Muito crítica, aliás.
O que ia piorar, e eu nem imaginaria.
Maria POV:
Devo dizer que eu estava ferrada? E que eu queria ter uma arma pra atirar em todos os professores dessa escola?
Pois é, eu estava pirando. Certo, eu tinha prometido a mim mesma que me dedicaria mais aos estudos daqui pra frente, mas a promessa fica difícil quando os professores simplesmente querem acabar com a sua vida!
Francamente, eu não tenho tempo nem pra respirar. Redações de metros, trabalhos, pesquisas, mais redações, mais trabalhos, milhares de pesquisas de Herbologia, Transfiguração, História da Magia, Adivinhação, Defesa Contra as Artes das Trevas... AH! Vou pirar, vou caducar.
- Vou pirar... – continuei a repetir em voz alta, diante de pilhas de livros e pergaminhos na minha frente. – Vou pirar.
- Quer ajuda? – Remo se aproximou, rindo. – Pelo visto você precisa.
- Preciso – falei desesperada. – Tem ideia da quantidade de redações que eu tenho pra fazer? Isso que eu tenho poucas matérias inscritas!
- É só você fazer um calendário pra cada matéria, é assim que eu vivo – Remo disse. – Veja bem, separe algum tempo exato pra cada matéria em cada dia, de acordo com as próximas aulas. Anote tudo o que os professores passarem e vai encaixando em seu horário. Você vai ver que dá certo, e você não vai pirar.
- Isso é... organizado demais – respondi, franzindo a testa. – Acho que não consigo seguir isso.
- É só tentar. Quando ver você vai ter tempo até de aprender a jogar quadribol.
- Ah, quem me dera – bufei. – Já fico quebrada demais por causa das loucuras de Bronwen, obrigada.
- Como vai nos treinos? – ele me perguntou, começando a me ajudar e empilhar os livros.
- A mesma. Uma loucura – suspirei. – Dorcas continua a querer matar a Treinadora. Quase chutou a cara dela esses dias, alegando que foi sem querer. Eu prefiria Dorcas, ela não queria quebrar nossos ossos.
- Mas pelo menos vocês melhoram o desempenho de vocês, não?
- Sim, mas eu prefiria como antes. Cair de uma pirâmide humana mal feita nem chega perto dos exercícios dolorosos daquela mulher.
Remo riu novamente.
Ele me ajudou com uma das redações de Poções que eu ainda não tinha feito, e logo tínhamos terminado. Agradeci ele milhares de vezes, até ele puxar um assunto que me deixou surpresa.
- Maria, tenho uma proposta pra te fazer – ele disse. – Já faz um tempo que eu pensei nisso, mas ainda não tive coragem pra dizer.
Olhei para ele desconfiada, e ele continuou a me fitar.
- Diga – falei, um pouco temerosa.
- Eu... Sinto alguma coisa por Emelina. O que não é bom, porque ela está perdidamente apaixonada por outro cara – ele começou, quase hesitando. – E você está solteira, e eu... Sei que isso te incomoda.
Estreitei os olhos, querendo saber aonde ele queria chegar.
- Então... – agora sim ele hesitou, e passou alguns segundos antes de soltar a bomba. – Você quer namorar comigo?
...
...
...
...
Comecei a gargalhar.
Muito alto.
Alguns calouros ficaram com medo.
- Como... É... Que... É? – exclamei, rindo. Remo também ria.
- Maria, é sério! – ele disse. – Troca de favores! Eu posso esquecer Emelina ficando com você, e você não fica solteira ficando comigo!
- Essa foi a maior loucura que eu já ouvi em toda a minha vida! – ri novamente.
- Bom, seria ótimo se você levasse a sério – ele deu de ombros, e corou.
- Falando sério, essa ideia não pode ter partido de você – eu disse, ainda me sacudindo. – Quem foi? Sirius?
- É... Foi – ele mordeu o lábio, corando mais um pouco. – No momento eu achei engenhosa...
- Agora é um fiasco – respondi, secando as lágrimas.
- Mas Maria, eu... – ele engoliu em seco. – Gosto de você. Talvez não só como uma garota pra chegar ao ponto de eu propor um namoro de fachada, mas algo a mais. No baile eu...
- Ah, não, não, não, não comece por favor! – pedi com urgência.
- Eu não esqueci, certo? – ele disse, sério. – Não esqueci do beijo. Afinal, foi significativo para mim.
- Significativo?
- É. Você não é qualquer uma que eu beijei. Foi... a Maria – ele disse meio embolado, totalmente sem graça. – Não sei explicar, mas... Foi significativo.
Não respondi de imediato, apenas fiquei o fitando.
- Remo... Eu capitei direito aquilo que você me disse, no baile – eu disse lentamente. – Não acho que estava mentindo.
- Eu mudei minha opinião – ele olhava pra baixo. – Sobre você. Sobre mim. Sobre Emelina. Não vale a pena esperar e esperar, sabendo que a pessoa nunca estará com você como você espera.
- Ah... – procurei palavras, mas estava difícil. – Não acho certo a gente... Namorar por causa disso. Não faz sentido.
- Eu sei. É patético – ele suspirou.
- E eu não estou tão desesperada assim pra arranjar namorado... – falei com sarcasmo. Então suspirei. – Mentira. Estou sim.
- E eu estou desesperado. Desesperado pra tirar Emelina da cabeça. E quando estou com você... Eu consigo.
Acabei por sorrir para ele.
- Sabe, isso é loucura – ri, balançando a cabeça. – Mas ok. Eu aceito.
Remo me olhou depressa.
- Aceita essa coisa patética e absurda?
- Aham.
- Essa coisa sem sentido e sem cabimento?
- Sim.
- Sério? Mas... – ele me olhou profundamente. – Não está planejando alguma coisa ou...
- É claro que não! – exclamei. – Só estou com vontade de experimentar coisas novas. Fazer loucuras. É a vida, não é?
- É – seus olhos brilhavam para mim. – Então... Somos oficialmente namorados?
- Que assim seja – sorri.
E aí aconteceu aquele momento tenso e sem graça, aquele que a gente ri e não sabe mais o que dizer. Remo parecia tenso, eu parecia uma estátua. Nem olhávamos um para o outro. E quando um começava a falar era no mesmo tempo que o outro, e os dois se calavam.
- Remo... – comecei bem baixo.
- Maria... – ele também disse. – Sabe... Namorados fazem certas coisas.
- Eu sei – falei, então tomei coragem. E relaxei. Remo me imitou.
- Vamos lá... – suspirei, e Remo também. Meu Merlim, que coisa mais... insana!
- Isso aí – Remo disse.
Então fui fechando os olhos aos poucos, e vi Remo se aproximar, e eu aproximei, e aproximamos, e estávamos perto o bastante para encostar nossos lábios.
Foi um beijo bem terno, e igual àquele do baile. Quase consegui ouvir a música ao fundo, como no baile. Remo tinha sua maneira especial de beijar, porque te deixava a vontade, sabe. E eu aproveitei cada momento, apesar de ser a coisa mais confusa que eu já fiz...
Quando nos separamos, a primeira coisa que eu fiz foi sorrir, e Remo fazia o mesmo.
Suspirei, sem graça.
- Foi estranho – comentei.
- É – ele concordou, rindo nervosamente.
- Por isso... Temos que praticar – falei, e Remo não pensou duas vezes antes de me puxar para um beijo novamente.
Oh Merlim, acho que eu endoidei. Porque eu estava ali beijando Remo Lupin, tendo plena certeza que não é o certo a fazer.
Mas quer saber? Dane-se. Desde quando eu faço a coisa certa a se fazer?
Sophie POV:
Quando eu achava que esse castelo estava enlouquecendo e a cada dia eu recebia notícias "bombásticas", usando as palavras de Dorcas, aí é que mais notícias chegavam a meus ouvidos.
A de agora, que estava dando o que falar, era o recente namoro de Maria e Remo. E, é claro, nós garotas fomos as primeiras a saber.
Alice estava chocada.
Dorcas estava alegríssima.
Lily surpresa.
Eu boquiaberta.
Emelina sorria.
E Maria estava totalmente risonha.
- Como assim, você está namorando com o Remo? – Emelina perguntou. – Nunca vi vocês juntos...
- Francamente, Emelina. Seu namorado te impede até de saber das fofocas desse castelo? – Dorcas disse com secura. – Não se lembra que ela e Remo se beijaram no baile?
- Ah? É... – Emelina franziu a testa, tentando se lembrar.
- Mas conte-nos. Como foi? – Alice pediu, agitada.
- Bom, já fazia um tempo que eu e Remo percebemos que... rolava uma química – Maria estava prestes a rir. – Então ele me pediu em namoro. E eu aceitei.
- Que lindo! – exclamei, e Maria sorriu.
- Nunca imaginaríamos, é – Lily suspirou. Pelo visto estava triste por James ainda, supus. Enquanto isso, Dorcas escrevia.
- Então você não gosta do Jason? – ela perguntou pra Maria.
- Você sabe que não, Dorcas – Maria olhou pro teto.
- E Remo não gosta de Emelina? – Dorcas disse, causando aquele enorme silêncio. Emelina apenas ergueu as sobrancelhas.
- Isso você deve perguntar a ele – Maria tinha adquirido uma expressão tensa.
- Remo... Gostava de mim? – Emelina perguntou, meio corada.
- Você nunca lê meu jornal, não? – Dorcas parecia ofendida, e Emelina deu de ombros.
- Tenho coisa mais importante pra fazer – ela respondeu. – E se Remo gostava de mim, tenho certeza que não gosta mais. Fiz coisa demais pra ele... E Maria, sem dúvidas, é a melhor companheira que ele poderia arranjar.
Maria sorriu grata pra Emelina.
E foi isso. Hogwarts ferveu com a notícia durante todo o dia, e logo vi Maria e Remo juntinhos nas refeições ou em algumas aulas. E no coral também. Mas era a única coisa que se via lá, os casais. Porque de música não tinha nada. Era só aquecer a voz e mais nada. Por isso decidimos juntar ideias pra dar um jeito nisso.
Nos reunimos todos na Sala Comunal para discutir sobre o coral. Apenas quem estava ausente era James, já que ele vivia ausente. Quero dizer, ele faltou umas duas vezes no coral, e foi preciso Moreau o questionar sobre suas faltas.
Precisávamos urgentemente de canções para a próxima competição, e com Moreau alterado do jeito que ele estava por causa das brigas com Stanley, mal se lembrava de que ainda tínhamos essa preocupação na cabeça.
- Gente, falta um pouco mais de uma semana já! – falei, exasperada. – E a gente não tem nada pronto.
- Eu sou a favor do R&B – Maria se adiantou. – Ninguém me ouviu quando eu sugeri, não foi?
- Eu gostei da sua sugestão, Maria – Sirius disse. – Mas Moreau nem ao menos se manifestou...
- Ele não anda se manifestando. Toda sua carga de brigas com Stanley anda caindo sobre a gente – respondi. – Temos que pensar em alguma música boa o bastante pra abater a Lufa-Lufa desta vez.
- Na última competição arrasamos – Alice disse. – Foi a melhor apresentação que já fizemos. Temos que fazer algo semelhante.
- Mas o quê? – John perguntou.
- Simplesmente não consigo pensar em mais nada – Sean suspirou.
- E se a gente... – Dorcas começou, mas foi totalmente interrompida por duas pessoas que adentravam a sala comunal, rindo alto a ponto de chamar a atenção de quem quisesse ouvir.
Todos ficamos imóveis quando vimos Gravelle e James andarem pela Sala Comunal, de mãos dadas, rindo de alguma coisa sem dúvida desinteressante. Olhei rapidamente para Lily, e esta tinha uma expressão detonada, o que chegava até doer em mim. E piorou, quando James nos avistou e carregou Gravelle com ele.
- Oi, pessoal – ele disse todo sorrisos. – O que é isso, uma reunião?
- Sim, pra discutir sobre o coral – Alice falou, deixando nítida sua raiva. – E mesmo que seja o certo, você não foi convidada pra ela.
James franziu a testa pra Alice, mas por fim deu de ombros.
- É uma pena – ele disse. – Bom, vamos ao que interessa. Quero que conheçam minha namorada, Verônica.
Oh.
Meu.
Merlim.
Nem ousei olhar pra Lily, eu sabia que ia acabar chorando só de ver sua expressão. Alice e Emelina tinham ofegado, Sean bufou, enquanto Dorcas tirava sua prancheta sabe-se lá como.
- N-Namorada? – Franco gaguejou.
- Mas já? – Jason arregalou os olhos.
- Não se pode esperar, não é mesmo? – James sorriu afetuoso pra Veronica, que riu.
- É um prazer conhecer vocês, mas eu sei que vocês me conhecem e eu meio que conheço cada um de vocês também – ela disse com aquela voz irritante. – E como vai o coral? Estão se dando bem?
- Isso não é da sua conta – Maria retrucou.
- Ah, oi prima – ela sorriu para Maria falsamente. – Não tinha te visto aí.
- Como sempre – Maria murmurou.
- Bom, estamos indo. Vamos, Vê? – James se virou pra ela, que assentiu.
- Tchauzinho – acenou, e então se viraram pra sair buraco do retrato afora.
Um longo silêncio depois, Sirius foi o primeiro a falar.
- Mas que diabos está acontecendo com aquele cara? – perguntou.
Lily se pôs imediatamente de pé, e sem dizer mais nada, apenas saiu também pelo buraco do retrato. Nossos olhares acompanharam a ruiva, que tinha o rosto pálido.
- Deixem, eu vou falar com ela – Sean disse, então se levantou e foi atrás dela.
- Gente, que terrível – Alice murmurou.
- Espero que Lily fique bem – comentei, me aconchegando em Sirius.
Depois disso nem conseguimos continuar com a reunião. Não tínhamos nem vontade para isso. Ficamos mais um tempo ali, fazendo comentários entrecortados, xingando James e penando Lily.
Coitadinha. Eu nem tinha palavras pra consolá-la, apenas torcer pra que ela esquecesse de James. É o melhor que ela pode fazer agora.
Sean POV:
Encontrei Lily no lugar menos óbvio. Primeiro fui direto para o banheiro da Murta, mas fui expulso pelo fantasma, e constatei que lá Lily não estava. Depois fui pra cozinha, mas ela não estava lá também, então aproveitei pra pegar algumas guloseimas que a ajudariam mais tarde. Pensei que ela talvez estivesse no banheiro dos monitores, e como eu não tinha acesso ali, tentei em outro lugar. Demorei um pouco, mas acabei por encontra-la na Torre de Astronomia.
Me aproximei devagar, tomando o cuidado pra não assustá-la ou incomodá-la. Depositei a cesta cheia no chão, e eu já tinha certeza que Lily sabia que eu estava ali, por causa do barulho que eu havia feito.
- Oi, Lily – falei baixinho. Ouvi Lily fungar, e me pus a seu lado. Lily deixava as lágrimas descerem, enquanto o vento balançava seus cabelos.
- Oi – disse com a voz fraca.
Deixei o silêncio se prolongar um pouco, antes de puxar mais conversa.
- Não vai adiantar alguma coisa se eu disser que sinto muito, vai? – falei com uma risada baixa.
Lily sorriu um pouco, mas balançou a cabeça.
- Eu sou estúpida. Estúpida por estar aqui – ela disse, roucamente. – Me faz lembrar dele.
Senti uma forte pena, e busquei a resposta correta.
- Então saia daqui.
- Não. É bom pra tomar um ar – ela deu de ombros.
- Os jardins também são ótimos – comentei.
- É, são.
Esperei Lily voltar a falar desta vez, e quando disse, sua voz estava totalmente embargada.
- Eu estava certa, Sean – ela disse, fungando mais alto. – Sobre os dois. Estavam juntos. James me traiu.
- Não diga isso, Lily – respondi. – Não estou tentando defender James, pois ele está muito errado. Mas como você pode ter certeza que ele não te traiu, e esperou terminar com você pra ficar com ela?
- Você acha? Acha que ele esperaria? – Lily bufou. – Homens não são assim, Sean.
- Nunca se sabe – sorri para ela. – Mas Lily, entenda. Não se abale por isso, não fique triste por isso...
- Eu queria Sean! Queria ignorar isso, queria conseguir ser fria! – ela se virou para mim, os olhos inchados. – Mas é horrível, horrível você pensar que sempre confiou naquela pessoa, sempre pensou que ela nunca faria nada disso com você, e de repente... Ela te trata assim. Chega a ser tão doloroso, que é quase impossível você ignorar.
- Não é questão de ignorar, Lily – peguei em suas mãos, e a fitei bem em seus olhos verdes. – Não é ignorar. É pensar que mesmo com isso que aconteceu, você tem coisas boas em sua vida também. Você tem seus amigos, sua família, suas ótimas notas! Por que não tenta focar apenas no que você gosta, do que ficar remoendo algo que agora é passado?
Lily abaixou a cabeça, e lágrimas desciam junto.
- Eu vou ficar bem – ela suspirou. – Tentar, pelo menos. Você está certo.
- Claro que estou! – ri para ela. – Qual é, qual foi a Lily Evans que eu conheci, hein? Aquela monitora determinada, cheia de alto astral, humorada, cheia de vida! Ainda está aí?
Lily riu pelo nariz, e começou a secar as lágrimas.
- Está – disse. – Meio ausente, mas está. Ela vai voltar logo, logo.
- Todo mundo sente falta dela – falei, secando outra lágrima que descia por seu rosto.
- Obrigada, Sean. Eu nunca consigo retribuir tudo o que você faz por mim – Lily pegou em minha mão com força. – Obrigada.
- Estou aqui por isso – sorri. – Mas você promete? Promete que vai jogar na cara daquela Gravelle e na cara de James que você superou, e que nada nesse mundo vai te desanimar mais?
Ela assentiu, então secou as lágrimas rapidamente e adquiriu uma postura ereta e hilária.
- Eu, Lílian Evans, prometo de pés juntos que eu vou socar a cara de James Potter e Veronica Gravelle algum dia – ela disse.
- Bom, não foi isso que eu pedi, mas... – falei, coçando a cabeça, enquanto Lily ria, felizmente. – E você promete que vai ser daqui pra frente a garota mais alegre desse castelo?
- Prometo.
- Promete que quando ver os dois juntos, simplesmente vai continuar a viver sua vida, e esquecer do passado?
- Prometo – ela hesitou.
- Lily?
- Tentarei – ela remendou.
- Promete que vai fazer minha redação de Poções?
- Prom... Ei! – ela deu um tapa em mim, brincando. – Sean McBouth, você tem que fazer sua redação, senão você não aprende!
- É, a velha Lily está de volta – falei, e Lily acabou por gargalhar.
Voltamos rindo para a sala comunal depois de ficarmos um bom tempo comendo tudo o que eu havia pego na cozinha enquanto conversávamos e ríamos, e chegando lá todo mundo a recebeu de braços abertos, contentes pela sua melhora. Emelina disse que queria me contratar pra alegrar ela quando ela brigava com Benn.
O dia correu normal, e só pra conferir, não desgrudei de Lily. A sorte estava ao nosso lado, pois não víamos o casal "Pravelle" (Dorcas já tratou de inventar) o dia inteiro. Mas uma hora ou outra eles apareceriam, e foi bem durante o jantar. Lily ria de alguma bobagem que Sophie tinha dito, e quando eu vi os dois pombinhos adentrarem o salão, fiz um gesto urgente para Sophie pra continuar a entretê-la. Ela entendeu o recado, e continuamos a impedir que ela visse os dois, quando o dom de James para chamar a atenção falou por ele. Todos se viraram, chocados, quando James pegou Gravelle no colo e saiu correndo pelo salão. Gravelle ria e dava tapinhas em James enquanto isso, e, é claro, Lily já tinha visto a cena.
Sua expressão desmoronou, e era nítida sua força pra não chorar.
- Lily... – comecei.
- Eu não consigo, Sean. Simplesmente não consigo – ela começou a se por de pé. – Desculpe, quebrei minha promessa.
E saiu correndo pelo salão, e mais pessoas acompanharam sua corrida desembestada pra fora. Sophie disse para eu não segui-la desta vez, e foi o que fiz. Maria e Alice logo chegaram, dizendo que quase foram derrubadas por Lily. Suspirei.
Só espero que ela não vá pra Torre de Astronomia dessa vez.
Lily POV:
- Sinto muito por você, Lily – Jessie disse, quando nos encontramos novamente na biblioteca no dia seguinte ao da minha correria louca pra não continuar presenciando aquela cena ridícula entre James e Gravelle. Dessa vez eu corri para a biblioteca, porque os dois ficavam trocando mimos próximos demais de mim na sala comunal. – Consigo imaginar como está se sentindo.
- É, estou péssima – falei, suspirando. – Mas vai passar, não é?
- Sim. E o que seu amigo Sean disse está corretíssimo – Jessie sorriu. – Tem que parar de se importar com isso, e pensar nos seus amigos e na sua família, que dão de dez a zero em qualquer outra coisa.
- É, o Sean é ótimo – respondi com um sorriso. – E ele tem razão.
- Então, passe a ouvi-lo – Jessie disse.
Ficamos um pouco em silêncio, eu brincando com uma pena que eu havia levado acidentalmente pra lá, durante minha fuga descontrolada. Depois disso, me virei para Jessie.
- Quero que seja sincero comigo – falei com firmeza. – Eu sei que você fica bastante tempo aqui, e provavelmente já viu James e Gravelle juntos muitas vezes.
- Vi – ele assentiu.
- Então... Você já deve ter visto se... Se eles já... – engoli em seco.
- Lily, não posso te dizer nada – Jessie falou depressa. – Eu só via eles conversando, e mais nada.
- Jessie, você sabe de mais coisa. Eu sei que sabe – fixei meus olhos nos dele, e ele suspirou.
- Eu não...
- Estou ciente de que a resposta pode ou não acabar comigo, mas eu não ligo. Eu quero muito saber, Jessie – implorei.
Jessie olhou para o teto, provavelmente querendo que eu esquecesse o assunto. Mas eu continuei a encará-lo.
- Apenas uma vez... Vi os dois se beijando – ele contou. – Foi antes de quando voltamos a conversar, Lily.
Despenquei no chão, arfando. Jessie imediatamente se aproximou de mim, e segurou minha mão com firmeza, me lançando um olhar de culpa.
- Viu? Não era para eu ter falado nada, olha só o que aconteceu! – ele reclamou. – Lily, você por acaso é masoquista?
- Só queria ter certeza que... que ele me traiu – engoli em seco, e consegui controlar meu impulso nervoso de chorar.
- Lily, por favor, eu não... – ele disse, desesperado. – Por favor, estou me sentindo uma pessoa terrível! Lily...
- Estou bem – soltei o ar. – Só sou meio idiota e estranha. É que quando eu sinto alguma dor no peito, dá uma vontade de chorar e...
- Idiota sou eu. Não deveria ter te contado – ele disse, ofendido. – Há alguma coisa que eu possa fazer? Não quero te ver assim, é doloroso até pra mim.
- Estou bem – menti. Era uma dor inexplicável, a dor da traição. James havia me traído, e estou prestes a cair aos prantos.
Até Jessie se por de pé num salto.
- Tenho uma ideia – ele disse, ficando animado. – Uma vez você me disse que gostava de cantar porque alivia sua dor, sua preocupação... E que gosta de se expressar, não é?
- É – confirmei, franzindo a testa. O episódio até me fez esquecer do motivo pelo qual eu estava quase chorando.
- Então vem comigo – ele me estendeu a mão, eu a peguei e ele me pôs de pé. Logo começou a me puxar pra fora da biblioteca.
- Jessie, aonde estamos indo? – perguntei, surpresa, enquanto ainda corríamos pelo corredor.
- Vou te fazer cantar, só assim pra te animar – ele sorriu para trás. – E vou te fazer companhia.
- E desde quando você canta? – indaguei, mas ele não me respondeu, pois tínhamos chegado a seu destino: o Salão Principal. Estava um pouco vazio, mas as pessoas que Jessie procurava visivelmente estavam ali.
Jessie me levou até a mesa da Sonserina, e nos aproximamos de três garotos da casa. Dois deles não era tão desconhecidos, pois eu me lembrava deles andarem com Jessie. Até me lembrava do mais alto, que uma vez sorrira pra mim.
- Lily, esses são meus amigos, Adolphus, Bob e Sidney – ele apresentou, e eu cumprimentei um em um, sem graça. Eles sorriram e me cumprimentavam com um beijo no rosto. – Pessoal, essa é a Lily. A garota da biblioteca.
- Ah, finalmente estamos te conhecendo! – o Bob sorridente disse, amigável. – Jessie fala de você, mas nunca nos apresentou a você.
- É um prazer – falei timidamente.
- Te conhecemos bem, Lily – o Sidney disse, alegre. – Por causa do MMM.
- Argh. Aquele jornal é desprezível – gemi.
- Eu totalmente concordo. Mas mesmo assim leio – Bob riu.
Por enquanto o único que não havia dito nada era o tal do Adolphus. Parecia o mais mal humorado e carrancudo do grupo. Jessie pigarreou.
- Enfim, eu trouxe minha amiga aqui porque ela precisa de uma ajudinha – ele disse. – Está meio tristonha, e precisa cantar.
- Mas ora, você já não tem o coral? – Sidney perguntou.
Fui responder, mas Jessie falou no meu lugar.
- Sim, mas dessa vez eu quero ajuda-la – ele disse. – Que tal aquele número que estávamos ensaiando outro dia?
- Jessie, desde quando você canta? – repeti a pergunta, me virando pra ele. Jessie piscou pra mim.
- Desde sempre.
- Você nunca me contou – olhei-o desconfiadamente.
- Porque você nunca me perguntou – ele deu de ombros. – Minha mãe é uma cantora, se lembra? Acho que está no meu sangue.
- Nunca imaginaria que você canta! – exclamei.
- É claro que canto!
- Canta até demais – Bob interferiu. – No chuveiro, principalmente. Isso que eu não durmo no dormitório dele.
- Haha, muito engraçado você – Jessie riu com sarcasmo pro amigo. Era um grupo animado até. Sem dúvidas, o preconceito contra os sonserinos era muito grave. Bom, não posso dizer o mesmo sobre o tal de Adolphus... – Então Lily, topa cantar com a gente?
- Aonde, aqui? – olhei ao redor, assustada. Tinha poucas pessoas, mas acho que se cantássemos ali com música provavelmente chamaria a atenção delas.
- Claro, por que não? Precisamos te animar – Jessie sorriu.
- Ahn... Mas não temos música – me esquivei. Jessie bufou.
- Por que acha que chamei meus amigos aqui? – ele disse, pondo a mão no ombro de Sidney. – Nossos pequenos números nunca tem música, e são ótimos, modéstia a parte.
- Modéstia mesmo – Bob riu.
- E eu vou te provar que eu canto bem – ele disse, pondo o dedo no meu nariz de brincadeira. – Meus amigos fazem coro. Certo Bob, Sidney, PH?
PH supus ser o tal do Adolphus rabugento. Ele simplesmente deu de ombros.
- Conhece Rolling in the deep, Lily? – Jessie olhou para mim.
- É claro – falei.
- Então, comece quando quiser – ele disse.
Olhei para o rosto de cada um deles, que sorriam – exceto o Adolphus, ou PH, que seja –, esperando eu começar. Corei um pouco só pra não perder o costume.
Soltei um pequeno pigarro, e comecei a cantar.
There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch, it's bringing me out the dark
Aí foi quando Jessie cantou. E se eu estivesse sentada, provavelmente cairia do banco ao ouvir aquela voz.
Finally I can see you crystal clear
Go head and sell me out and I'll lay your shit bare
No momento seguinte os garotos começaram a fazer o coro, e Jessie continuou a cantar, abrindo um enorme sorriso para mim. Só faltava eu babar, porque minha boca já estava aberta e meus olhos arregalados. Aquela voz era simplesmente...
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do
There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch
And its bring me out the dark
Essa provavelmente era a parte que eu deveria cantar novamente, mas eu não conseguia. Os outros não sabiam se riam da minha cara ou continuavam com o coro, mas não os culpo. Eu não conseguia fazer mais nada a não ser ouvir a voz de Jessie a cantar, e era uma voz simplesmente...
Simplesmente...
Fantástica.
The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love they leave me breathless
I can't help feeling
Eu já tinha arranjado tempo pra voltar pra Terra, e foi a tempo de cantar o refrão junto com aquela voz linda e perfeita dos anjos.
We could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
With the beating
Os amigos de Jessie faziam um coro perfeito e afinado, provavelmente fizeram esse "pequeno número" várias vezes. Agora eu sorria para Jessie, a excitação tomando o lugar do choque.
Throw your soul through every open door
Count your blessings to find what you look for
Turned my sorrow into treasured gold
You pay me back in kind and reap just what you sow
Cantávamos cada um um verso, e o coro não desanimava. O Adolphus tinha uma expressão entediada, mas Sidney e Bob pareciam animados com o dueto tanto quanto eu.
We could have had it all
We could have had it all
It all, it all, it all
Ei!
We could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
To the beat
Nossas vozes se encaixavam perfeitamente, e, nessas alturas, eu e Jessie estávamos um de frente para o outro, muito próximos, cantando, sorrindo e trocando olhares. Não, nada romântico. Apenas a animação da grande parceria, e da grande combinação que era nossas vozes.
We could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside of your hand
And you played it
You played it
You played it
You played it
To the beat
No fim da música eu não tive mais nada pra fazer a não ser abraçar Jessie, aos risos, enquanto ele também ria. Os garotos riam e aplaudiam, entusiasmados.
- Isso foi incrível! – Sidney exclamou.
- Sem dúvidas, nosso numerozinho era nada sem a voz de Lily – Bob disse, todo sorrisos.
- Ficou muito legal! – falei contente.
- Viu? Consegui te animar – Jessie disse.
- Obrigada – o abracei mais uma vez.
E não é que funcionou? Eu me sentia tão aliviada, que eu não me importaria agora se James aparecesse anunciando o noivado com Gravelle. Eu nem ligaria. Porque eu estava completamente extasiada depois desse dueto. Foi incrível!
Fórmula oficial para animar Lily Evans: cantar, cantar, cantar.
Jason POV:
MacMcMea
As principais notícias de Hogwarts!
Décima segunda edição.
Cantinho da Dorcas
(por Dorcas Meadowes)
Olá meus bons e amados leitores! Estamos de volta com mais uma edição do nosso querido jornal MMM para contar as fofocas bombásticas que rondam esse castelo!
E que fofocas! Gente, eu tenho muita coisa pra contar. Sim, os acontecimentos mais pops do castelo vão deixar todos de cabelos em pé. É muita coisa, galera, e tenho certeza que vocês vão ficar boquiabertos com as notícias – mesmo que metade do castelo já saiba parte delas.
Vamos começar com o novo casalzinho que já caiu na boca de muita gente por aí. MacLupin! Isso mesmo, foi oficializado o namoro de Maria MacDonald e Remo Lupin, ambos sétimo ano da Grifinória, e ambos do coral da casa. Todos sabem que eles foram vistos aos beijos no Baile de Natal, e pelo visto agora foi o anúncio oficial do namoro. E já temos provas: eles já foram vistos aos beijos, e ouvi da boca da própria MacDonald a confirmação do fato. "Bom, já fazia um tempo que eu e Remo percebemos que rolava uma química", MacDonald disse, durante uma reunião particular com as amigas – entre elas, eu. " Então ele me pediu em namoro. E eu aceitei." Não é lindo? Pelo visto muita gente já concordou que os dois ficam bem juntos, e que assim seja. Quando perguntei a ela sobre o fato dela ter alguma queda por Jason McKinnon, ela se apressou a negar, e quanto ao fato de Remo Lupin ter uma queda por Emelina Vance, a mesma disse que nem ao menos sabia disso. E logo se declarou a respeito: "Se Remo gostava de mim, tenho certeza que não gosta mais. Fiz coisa demais pra ele. E Maria, sem dúvidas, é a melhor companheira que ele poderia arranjar." O que será que Emelina quis dizer com "Fiz coisa demais pra ele"? Deve-se ao tempo que ambos ficaram sem falar, e Lupin teve uma breve discussão com seu namorado, Benjamin Chapman? Se você aí tem alguma fofoca, ou sugestões sobre o que Vance estava se referindo, não hesite, MANDE-NOS CORUJAS!
Outro assunto que anda gerando uma grande balbúrdia no castelo é a questão Stanleau. Sim, os professores David Moreau (professor de Defesa Contra as Artes das Trevas) e Nina Stanley (uma das professoras de Estudo dos Trouxas) andam numa discussão constante por todo lugar. É impossível colocar os dois numa mesma sala sem acabar com brigas. E chegaram a tal ponto que foram parar na sala do diretor Dumbledore por causa da rixa. O motivo foi Stanley espalhar pelo castelo a fofoca de que Moreau e a nova professora de Estudo dos Trouxas e treinadora das líderes de torcida das casas Susan Bronwen tiveram alguma relação amorosa no passado. Pra quem não sabe, a treinadora e o coordenador do coral da Grifinória estudaram juntos por um tempo na escola francesa Beauxbatons. Moreau já deixou bem claro que isso nunca aconteceu, e pelo visto Stanley apenas quer acabar com a reputação do seu concorrente nos corais. Outro fato curioso foi Stanley ter sabotado uma das aulas do professor, colocando fogo na gaiola de vários diabretes que serviriam de aula para alunos do primeiro ano. Stanley foi chamada na sala do diretor quando foi provado seu ato, e testemunhas contam que a briga foi feia. É, Stanley, abra os olhos! Se não aprender a perder, vai perder até afundar!
E por falar em Bronwen, eu, Dorcas Meadowes, constatei que seu caso é bem confuso. Como uma perfeita jornalista que sou, pesquisei mais a fundo sobre a vida da nova "treinadora" de Hogwarts. Pelo visto ela saiu da escola Beauxbatons em seu quinto ano, depois veio estudar em Hogwarts e por fim foi morar um tempo na Suíça, estudando na escola de lá. Muito curioso, não, essa troca de lugares constantes? Será que temos algum motivo secreto por trás disso? Ela passou algum tempo morando na América, fazendo estágios de Educação Física (uma matéria trouxa especializada em exercícios físicos) e agora está de volta em Hogwarts. E quanto a sua família? Bronwen não é casada ou tem filhos? Nada foi confirmado, porém, ela parece ter idade suficiente para ser avó. Se souber algo interessante sobre o novo membro do corpo estudantil, mande-nos corujas correndo!
Agora eu deixei a melhor para o final. Preparem-se, é bem chocante! E é uma grande, ENORME mudança de rumo na nossa história, gente. Estou até extasiada de escrever sobre isso. É sobre o (ex) casal que todos – ou quase todos – amam. Claro, Pevans. Mas anuncio a partir de agora que esse casal acabou. Isso mesmo, eles terminaram e dessa fez OFICIALMENTE! Definitivamente, é o fim do casal mais popular do castelo! Pevans deixou de existir, minha gente, mas em seu lugar entrou...
PRAVELLE!
Isso mesmo! James Potter maroto como é, não esperou muito tempo pra logo correr atrás de um novo rabo de saia, e agora já está comprometido com a garota do engano, Verônica Gravelle. Não estão lendo errado, é a mesma, aquela que já foi vista algumas vezes discutindo com a própria Lily Evans tempos atrás. A loira já foi vista com o maroto várias vezes, e agora estão juntos oficialmente. James Potter não quis nos dar detalhes do assunto, mas quem precisa disso quando está tão na cara assim? Pelo visto as aulas particulares de Transfiguração que Potter estava dando à Gravelle aproximou os dois, acarretando numa paixão maior do que a que Potter supostamente sentia por Evans. Agora o que todos se perguntam: Potter traiu Evans? Sim, porque os dois não haviam terminado anteriormente, tanto que foram vistos juntos depois da décima edição do MMM. Será que Potter havia pulado a cerca mesmo ainda namorando com Evans, e se agarrou com Gravelle por aí? Bom, isso depende da opinião de cada um. Mas fontes confiáveis – eu – podem afirmar que Evans ficou completamente arrasada com o fim do relacionamento, e ainda mais com o fato de seu ex estar com sua inimiga de tanto tempo. Aliás, quem ficaria feliz?
E se você acha que acabou por aí, estava enganado. Avistados: Lily Evans andando por aí toda sorrisos com ninguém mais ninguém menos do que o loiro e sonserino do sétimo ano, Jessie St. James. Sim, isso mesmo! Antes havíamos citado uma possível amizade, e também sobre nossa leitora C. M. ter me perguntado sobre o suposto romance dos dois (ler décima edição). Eu suponho que com o término do namoro com Potter, Evans estava carente e correu para os braços de seu recente amigo. Não é confirmado algum envolvimento romântico entre eles, mas é certeza que eles retomaram a amizade. Será que dará namoro, e o casal Pevans seguirá rumos diferentes? Só vendo pra saber!
E agora a opinião de nossos leitores a respeito do fim de Pevans.
Cantinho do Leitor:
- Uma porcaria! Sinceramente, eu adorava ele com a Evans, eles sim combinam tanto na voz quanto no amor. Minhas amigas estão me segurando para eu não atacá-lo! Posso não conhecê-los, mas sei o que ela está passando, todas nós garotas já passamos alguma vez por isso. – R. B.
- Eu só gostaria que o James abrisse os olhos e caísse na real, porque pra namorar uma vadia dessas tem que ser cego mesmo! Ele mesmo dizia que amava a Evans. Correu atrás dela por nada? Usou e enjoou? As mulheres não são como troféus a ser possuídos, se é que me entendem. Parabéns Potter, seu inútil ridículo. – A.M.
- James é um perfeito idiota, eu o admirava pelo que era, mas depois do que fez com a Evans... PUF! E outra Potter, você acha realmente que Gravelle gosta de você, queridinho, ela só quer estraga a vida da Evans e estar com você porque você tem dinheiro e é bonito, idiota. – P.R.
Pois é, pelo visto nossas leitoras estão completamente a favor de Lily Evans quanto ao término do romance, e ainda estão incrédulas quanto ao acontecimento. E você, o que acha disso? Concorda com as leitoras acima ou tem sua própria opinião formada?
Encerro o Cantinho da Dorcas desse edição. Não esqueçam: CORUJAS!
Pergunte para Dorcas
(por Dorcas Meadowes)
Vamos com as perguntas!
- Dorcas, eu queria saber por que diabos McKinnon ainda está com Black. Eu simplesmente não consigo entender, já que antes ele fez tanta coisa pra ela, e vice-versa! – K. E.
É uma boa questão a ser levantada, mas já adianto: coisas do coração. Acho que apesar de tudo os dois gostam um do outro e aprenderam a se aceitar com seus defeitos e atos.
- Dorcas, quando você pensa em desencalhar? – Q. F.
Eu não penso, eu espero. Uma hora ou outra, a pessoa que eu quero vai acabar aparecendo e vindo para meus braços. É uma questão de lógica, querida (o). Eu só espero que essa pessoa seja bonita e use roupas de marca.
- Já vi muitos lufanos xingando vocês do coral da Grifinória de perdedores. Se o coral é de perdedores, por que você, Dorcas Meadowes, ainda permanece nele? – N. P.
Acorda pra vida, seu imbecil. O coral é de perdedores? Pelo que eu saiba, a competição está empatada em dois a dois. E provavelmente ganharemos a competição da semana que vem, ou seja, eu não sou uma perdedora. E você deve ser da Corvinal, cujo placar no quadribol está uma vergonha.
- Sou do time de líderes de torcida da minha casa, e estou quebrada por causa de Bronwen. Eu sei que você também é líder de torcida da sua casa, então o que você tem a dizer sobre isso? – S. L.
Que Bronwen é uma brutamontes sem cérebro. Francamente, qual o propósito de fazer "exercícios quebra-costela" conosco sendo que ficaremos quebradas e impossibilitadas de fazer algo bom durante o jogo se estamos QUEBRADAS? É triste nossa vida, colega, nas mãos de uma ditadora nazista disfarçada.
- E o que você achou do fim de Pevans? – S. C.
Quero deixar minha opinião em sigilo, mas te adianto uma coisa: JAMES POTTER, SEU PERFEITO RETARDADO!
Encerro minha parte no jornal dessa edição. Mandem-me cartas, indiquem o jornal para amigos de dentro ou fora do castelo e continue a nos acompanhar! Obrigada a todos vocês que leem!
Xoxo.
Dorcas Meadowes.
Maria Entrevista
(por Maria MacDonald)
Olá! Cá estou com mais uma série de entrevistas com perguntas para matar a curiosidade de vocês, leitores. Eu sempre faço perguntas irreverentes e descontraídas, mas agora eu decidi focar em algo específico e um tema muito comentado na sociedade no quesito relacionamento.
Bom, vamos lá!
- O que tem a nos dizer sobre traição?
- Pode ser a coisa mais dolorosa e mais massacrante em todo relacionamento. É como se você se sentisse sozinha, porque quando é traída é como se a pessoa em que você sempre confiou simplesmente parasse de existir – Lily Evans.
- Uma dor sem tamanho. Acho que nunca fui vítima de traição muito grande, geralmente é traição de jogos ou brincadeiras de infância. Mas realmente deve ser algo insuportável, um sentimento que acaba com a confiança numa pessoa pra sempre – Remo Lupin.
- É como diz aquela frase "Confiança é algo difícil de conquistar e muito fácil de perder". Ou seja, traição é um fim. Você nunca conseguirá confiar naquela pessoa como antes, nunca mais – Sophie McKinnon.
- Já fui traído. Minha namoradinha do jardim dizia que me amava e que íamos no casar. Isso até o dia em que vi ela repartindo seu lanche com o garoto novato. Foi uma dor que partiu meu pobre coração infantil – John Khan.
- Deve ser horrível. Você pensa que aquela pessoa te ama e confia nela mais que tudo, aí ela vem e te apunhala pelas costas. Sem dúvidas, um horror – Jason McKinnon.
- Um sentimento que eu nunca senti. Mas o desgraçado que um dia tentar me trair, vai se arrepender pro resto de sua mísera vida – Dorcas Meadowes.
- Nunca traí ninguém, e nem pretendo. Gosto que as pessoas tenham confiança em mim, para que assim eu tenha alguma confiança nelas também. – James Potter
Que tal para a próxima edição: "O que você tem a dizer sobre mentiras?"
Encerro aqui minha pequena participação no jornal (ando tentando convencer Dorcas a me dar outra coluna, mas ela não deixa).
Um abraço para todos, e obrigada por lerem. Se quiser sugerir ou criticar, mande-me sua carta via correio-coruja.
Até a próxima.
Maria MacDonald.
Quadribol com Jason
(por Jason McKinnon)
Olá fascinados por quadribol! Como vão?
Estou aqui abrindo mais uma coluna do Quadribol com Jason, trazendo pra você informações do Campeonato de Quadribol da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Obrigado por você que lê e nunca me deixa de me mandar suas cartas. Eu realmente agradeço!
Vamos ao que interessa. A novidade do quadribol não para!
Depois da vitória da Sonserina pra cima da Lufa-Lufa no último jogo, o capitão do time da Grifinória, James Potter, ficou preocupado quanto ao desempenho da sua maior adversária. Provavelmente é a preocupação quanto ao placar, que segue abaixo:
1º Grifinória (6 vitórias – 0 derrotas)
2º Sonserina (5 vitórias – 3 derrotas)
3º Lufa-Lufa (2 vitórias – 5 derrotas)
4º Corvinal (1 vitória – 6 derrotas)
Sonserina encostou com a Grifinória depois de sua ótima partida contra a Lufa-Lufa, e lembrando que as derrotas são ignoradas, Sonserina tem fortes chances de ganhar a competição. Sonserina ainda tem mais dois jogos, contra a Corvinal e a Grifinória, e se ganhar ambas poderá ser campeã. Grifinória, por sua vez, tem que ganhar o jogo contra a Sonserina e o jogo da semana que vem, contra a Corvinal.
O capitão maroto da Grifinória tomou uma atitude curiosa no último sábado: abriu, novamente, testes para novos membros. Muitos pensavam que ele estava necessitando de novos jogadores para o time, mas estavam enganados. Os jogadores oficiais ficaram confusos quando James dispensou todos os esperançosos para entrar no time, deixando no campo apenas sua nova e recente namorada, Veronica Gravelle, para fazer o teste. Pelo visto a garota não sabia controlar bem uma vassoura, e acabou na enfermaria por ter torcido o pulso. O capitão, de acordo com fontes, ficara com pena da garota e a adicionou no time. Depois de muita confusão e protestos dos outros jogadores – inclusive muita discussão com seu melhor amigo e batedor Sirius Black – Potter mudou de ideia, dizendo não permitir que Gravelle entrasse para o time para sua própria segurança.
Agora um assunto que não pude deixar de comentar: o árduo treinamento da Treinadora Bronwen sobre as líderes de torcida. Muitas delas já foram para a sala dos diretores de suas casas reclamar de seu treinamento pesado, chegando até mesmo a fazer outro abaixo-assinado (depois do fracassado feito por Dorcas Meadowes) para tirar a treinadora, ou, pelo menos, obriga-la a abaixar o nível de seus treinamentos. A treinadora Bronwen já se manifestou, e adiantou que se as garotas pedissem diretamente a ela, ela abaixaria os exercícios sem problemas. O embaraçamento já foi resolvido, e boatos dizem que as líderes de torcida ficaram envergonhadas depois da resposta da treinadora.
Encerro por aqui a coluna Quadribol com Jason. Sugestões e críticas? Correio-coruja!
Mais uma vez, obrigado pelo apoio.
Um abraço.
Jason McKinnon.
Franco POV:
Sabe aquela sensação de tranquilidade, que você acha que tudo está entrando nos trilhos e as coisas vão finalmente se acalmar?
Eu não sei.
Ou melhor, eu sabia, até momentos atrás. Isso me fez acreditar que finalmente teria tranquilidade. Eu e todo mundo, aliás.
Estávamos na sala de música, esperando por Moreau e James – ele andava se atrasando ultimamente. O professor logo veio entrando, e dessa vez sorrindo, o que era um bom sinal.
- Pessoal, sei que devo desculpas a vocês pelo meu alienamento nos últimos dias – ele disse, passando a mão pelo cabelo, sem graça. – E sei que estamos realmente atrasados quanto à seleção de músicas.
- Bota atrasado nisso! – Dorcas exclamou.
- Sim, sim – Moreau assentiu. – E já tenho muitas ideias na cabeça. Sei que foi um erro misturar assuntos particulares com o coral, mas isso está tendo um fim agora.
- Aleluia! – Maria disse, rindo, bem sentadinha ao lado de Remo.
- Bom, então vamos começar. John, tenho várias ideias de passos que podemos fazer. Pode me ajudar com isso? – Moreau sorriu. O garoto se pôs de pé e fez um gesto de soldado.
- É pra já!
Então Moreau olhou ao redor pela primeira vez, e seu olhar bateu em Lily.
- Lily, onde está James? – perguntou.
- E eu devia saber? – Lily ergueu as sobrancelhas.
- Creio que sim, já que são namor...
- Pelo visto o Mister D está por fora dos assuntos – Sophie sorriu amarelo.
- Ainda não sabe, professor? – Dorcas disse. – James rompeu com Lily pra ficar com Gravelle.
Moreau franziu a testa.
- Por que ele faria isso?
- Porque ele é um idiota – Alice cortou.
Moreau não insistiu no assunto, até ele voltar feito um jato. Pelo mesmo motivo que me fez acreditar que não teríamos tranquilidade tão cedo. James irrompeu pela sala, rindo como sempre andava ultimamente, e grudado com Gravelle, como sempre ultimamente. Todos ficaram em silêncio, e observaram ambos.
- Desculpem o atraso! – James disse, ofegante. – Eu estava convencendo Vê a vir.
- Por que ela está aqui? – Sean perguntou casualmente. Provavelmente evitando que Lily fizesse a pergunta com seu tom cortante.
- Estou pensando em entrar para o coral também – Gravelle deu um pequeno sorriso.
Maria caiu da cadeira. Lily começou uma tosse frenética, e Sean ergueu seus braços, tentando desengasga-la.
- Não é incrível? – James parecia uma criancinha contente.
- Er... Querido professor? – Sophie perguntou com um sorriso amarelo. – Está aberta inscrições para novos membros no coral?
- A não ser que a pessoa tenha talento – Moreau parecia perdido.
- Com essa voz irritante que ela tem? Bom, adeus queridinha – Maria disse, depois de Remo ter a ajudado a se levantar.
Enquanto isso, Sean abanava Lily.
- E... Você tem talento, Gravelle? – Sean perguntou, hesitante.
- Não sei – ela deu de ombros. – Provavelmente. Sou uma pessoa extremamente talentosa.
Lily bufou tão alto que quase derrubou Sean da cadeira. James não parava de sorrir.
- Bom, se ela tem talento ou não, veremos depois – ele disse. – Trouxe Vê só para ela ver um pouco de como as coisas funcionam por aqui, e ver se ela se interessa.
- Apenas um teste. Não tenho certeza se fico por aqui permanentemente – Gravelle comentou.
- Já pensou em ficar permanentemente no inferno, que é da onde você veio? – Lily perguntou.
Silêncio mortal, exceto pelas risadas abafadas de Dorcas e Maria, e outras risadas de lugares desconhecidos.
- Lily – Moreau ralhou.
- Então professor, o senhor permite? – James perguntou, quase que se implorasse. – Permite que Vê fique por aqui somente essa aula?
Moreau olhou de Lily, que tinha uma expressão assassina para Gravelle, que sorria sem parar. Por fim suspirou.
- Só por hoje – respondeu, e Lily bufou novamente, balançando a cabeça, incrédula.
- Gostei do lugar – Gravelle disse animada, olhando ao redor. Os olhos de James brilharam.
- É ótimo, não é? – ele disse. – Meu amor, quero muito que você entre. Ficará mais próxima de mim!
- Argh, que nojo – Lily se pôs de pé. Todo mundo a fitou, e Moreau suspirou. – Quer saber? Que tal fazer uma pequena demonstração de música pra nossa visitante? Afinal, o que é um clube do coral sem uma música? E talvez isso até entre na cabeça de... Certas pessoas.
Ai Merlim. Era o que faltava. Troquei um olhar rápido com Alice, que tinha uma expressão incomodada. Lily cochichou algo com os músicos, e quem pensava que a seguir viria mais uma rodada de Gives You Hell, se enganou completamente.
- Agradeço a um amigo meu, que me ensinou que cantar é o melhor remédio pra aturar certas coisas – Lily disse.
Então a música começou, e de princípio não a reconheci, até Lily começar a cantar, olhando pra nenhuma direção a não ser diretamente para o rosto de James.
Do you ever feel
Like a plastic bag
Drifting through the wind
Wanting to start again
Do you ever feel
Feel so paper-thin
Like a house of cards
One blow from caving in
James no começo mal acreditava, depois começou a ficar desconfortável, e olhar para outra direção para não olhar para Lily. Enquanto isso, Gravelle fazia uma imensa cara de desagrado, como se tivesse pisado nas fezes de algum animal nojento.
Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under
Screams but no one seems to hear a thing
Do you know that there's
Still a chance for you
'Cause there's a spark in you
You just gotta
Ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July
A voz da Lily era simplesmente incrível e afinada, e ecoava por toda a sala. O casal a frente, ao qual Lily se direcionava enquanto cantava, não tinha mudado de posição. James tentando olhar pra outro lado, Veronica com uma cara de quem comeu e não gostou.
'Cause baby, you're a firework
Come on show 'em what you're worth
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
As you shoot across the sky
Baby, you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
You're gonna leave them all in awe, awe, awe
Olhei ao redor pra ver a expressão de cada um. Os garotos se mexiam ao ritmo da música, enquanto as garotas sorriam de orgulho. Sophie até tinha se inclinado na cadeira.
Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon
It's always been inside of you, you, you
And now it's time to let it through
Agora Lily tinha mudado o alvo, e cantava pra cada uma das garotas, andando pela sala, sorrindo e soltando o que tinha melhor em sua carisma. Até Moreau aprovava, provando que não tinha se arrependido de ter deixado ela começar com a música.
'Cause baby, you're a firework
Come on show 'em what you're worth
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
As you shoot across the sky
E nessa parte Lily foi puxando cada uma das meninas sentadas. Primeiro Maria, depois Sophie, Alice e Emelina. Puxou até mesmo Dorcas e Sean, e as garotas logo se juntavam para cantar o resto da canção com Lily. Lily, porém, fizera questão de deixar Gravelle no mesmo lugar em que estava. Esta fazia uma expressão de que queria sair dali o mais rápido possível.
Baby, you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
You're gonna leave them all in awe, awe, awe
As garotas dançavam, pulavam, cantavam no centro da sala, e nós garotos apenas observávamos batendo palmas. Era uma ótima cena de se ver. Lily exalava uma animação que faz tempo que eu não via ela, e as garotas (e Sean) estavam unidas como nunca – até mesmo Dorcas, que ultimamente vinha irritando todo mundo com a mania de ter sempre sua prancheta em mãos.
Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon
Boom, boom, boom
Even brighter than the moon, moon, moon
No fim da música, todas as garotas aplaudiram, animadas, e abraçavam Lily, que não se continha de alegria. Nós garotos ficamos de pé para aplaudir, e John tratava de nos deixar surdos com seus assobios agudos.
Acho que nenhuma das garotas percebeu, mas Gravelle saiu assim que a música acabou, puxando James consigo. E, na minha opinião, acho que naquela sala ela nunca mais voltaria.
Músicas:
1- Hate On Me
2- Take A Bow
3- Rolling In The Deep
4- Firework
