"O telefone chamado encontra-se desligado ou fora da área de..."

Alex desligou o celular com raiva e logo em seguida o aparelho foi arremessado sobre o sofá enorme da sala. Com ainda mais irritação, ele se movimentava pela sala, sem nenhum propósito a não ser mesmo o de se movimentar. Não demorou a alcançar a parede... e pelo que lhe pareceu a octogésima vez, a mão direita golpeou a alvenaria fria. O dedo mínimo latejou em resposta, e uma vez mais, foi ignorada.

Maldita mulher!

Enfiou as mãos nos cabelos loiros, puxando-os para trás enquanto tentava conter a vontade de gritar.

Dianna não ia brincar com ele.

Ninguém brincava com ele... Olhou para o celular uma vez mais, enquanto a mente disparava em milhares de possibilidades sobre o que ele poderia fazer para que ela soubesse que com ele não se brincava.

E ela ia saber... ele se certificaria que ela ia aprender bem a lição.

Aos mesmos passos fortes, ele ganhou o quarto. A caixa escondida no fundo do guarda-roupas foi jogada sobre a cama. Caiu semi-aberta. A arma de fogo foi pega também com irritação e ele não voltou a fechar a caixa.

Quando alcançou a garagem e por fim se meteu dentro do carro, não sabia exatamente para onde estava indo. Não sabia por onde começar. Só sabia que precisava encontrar Dianna, não importava onde.


- Meu anjo, você não vai acreditar no quão bem foram as coisas lá. – Jonathan já entrou no quarto falando. A excitação o impedindo de estranhar o quarto no breu total, a não ser pela luz fraca da televisão. A mão agiu por instinto ao alcançar o interruptor, enquanto ele continuava – As coisas com o visto foram mais rápidas do que eu imaginei. Mas aí eles já aproveitaram que eu estava ali mesmo e me mostraram o outro cont... – A voz morreu tão logo ele se virou na direção do sofá.

Uma Dianna que parecia extremamente sonolenta esfregava o olho direito com a mão fechada, enquanto o outro braço se ocupava em servir de apoio para uma Lea que ainda estava a sono alto.

Jon não falou. Sentiu o próprio cenho se franzindo no que ele classificou como movimento involuntário. Dianna com certeza era a última pessoa que ele esperava encontrar ali, ainda mais naquela situação. Os olhos vagaram pelo apart na procura por Naya.

Traição.

Era a única definição que ele conseguia atribuir ao gesto de Naya de ter revelado o paradeiro de Lea.

O fato de que Dianna a procuraria tão logo recobrasse a razão era tão óbvio que chegava a ser patético. E ambos tinham decidido que no mínimo, Dianna merecia uma sova muito bem dada. Ninguém abriria a boca.

Ele garantira o anonimato quando se registrara no hotel usando um outro nome. Tinham pago o hotel em dinheiro vivo, evitando o uso de cartões de crédito e a gorjeta para o gerente aceitar todo aquele montante em dinheiro vivo tinha sido muito alta.

Esforços em vão.

Bom... Pelo menos no que dizia respeito a manter Lea a salvo de Dianna.

Muito aceitável, não?

Se Dianna queria se casar com Alex, que fizesse muito bom proveito.

Mas que fizesse proveito longe pelo menos algumas dezenas de Lea. Para ele, parecia muito justo.

Caminhou a passos lentos na direção do sofá, sentando-se no outro móvel, par deste primeiro e que estava exatamente de frente à cama improvisada de Lea e Dianna. Ele se lembraria de agradecer em suas orações antes de dormir pelo fato de que as duas estavam vestidas. O choque teria sido irrecuperável se não fosse assim.

Esperou que Dianna falasse... Mas ela simplesmente o encarava. Os olhos arregalados demonstravam que não havia um único sinal de sono nela agora... aliás, a única coisa que Jonathan conseguia definir pela expressão da loira era uma necessidade urgente de fugir dali antes que fosse devorada por um monstro ou algo assim.

A observou engolir em seco e tentar tirar o braço debaixo do pescoço de Lea para conseguir se sentar. Em vão, pois tão logo o movimento foi notado, Lea se agarrou à cintura fina com mais força e deliciado, Jon viu o medo aumentar nas íris esverdeadas. Ela parecia uma criança pega com a mão na lata de biscoitos dez minutos antes do jantar ser servido.

- Eu acho bom você começar a falar. E extremamente baixo, porque eu não sei se você sabe, mas ela não dorme há mais ou menos umas 72 horas.

...

- Você não tem o direito nenhum de me julgar!

- Ela precisou de você! E você não estava lá!

- Minha consciência me diz isso a cada dez segundos. Será que você poderia ser menos cruel e parar de falar isso em voz alta?

- Uma crise de consciência, Dianna? Você quer mesmo que eu seja mais sutil com você por causa de uma crise de consciência?

- Jon, por favor! Eu não sabia o que estav...

- Você não viu que ela estava desacordada?

Dianna suspirou antes de falar. Lea a sentiu enrijecer de imediato. Franziu o cenho, gemendo em protesto a ter o sono interrompido. Os sussurros que Jon e Dianna usavam para se comunicar aos poucos foram se tornando um pouco mais alto. Por uma fração de segundos, ela ouviu sem entender uma única palavra, era como se o cérebro se recusasse veementemente a trabalhar sem pelo menos mais duas horas inteiras de sono.

O silencio repentino a fez abrir os olhos a contragosto.

Dianna e Jon não se encaravam. Jon olhava para o chão... e Dianna desviou os olhos da janela para o corpo miúdo que se espreguiçava embaixo de si. Levou a mão livre para o rosto de Lea, capturando uma das mechas do cabelo castanho e prendendo-a atrás da orelha, livrando os olhos que estavam ainda mais escuros agora, por causa do sono.

- Bom dia, raio de sol... – murmurou, ensaiando um sorriso. Sorriso que não foi correspondido.

Os olhos de Lea vacilavam entre Jon e Dianna. O rosto expressivo não dificultava em nada o diagnóstico da estranheza que se estampava nas feições bonitas.

- Por que vocês estão brigando?

- Por que você está dormindo agarrada a ela? – Foi Jon quem quebrou o silencio constrangedor que se seguiu depois da primeira pergunta e que se estendeu depois da outra.

- Jon...

Ele por fim levou as mãos aos cabelos encaracolados, se levantou, irritado. Buscou a janela.

- Eu não entendo.

- Eu... Eu sinto muito... – Foi Dianna quem murmurou e o tom choroso conseguiu capturar a atenção de Jonathan outra vez.

- É claro que você sente.

- Jonathan, você pode apostar que ninguém, mas ninguém mesmo me culpa mais do que eu mesma. Ninguém. Nem mesmo você.

O incomodo psicológico se fez outra vez físico... E agora, um pouco mais livre, ela se permitiu sentar, enquanto ajeitava o próprio cabelo. Lea a imitou.

- Como se fosse extremamente simples. Como você chegou aqui? Porque você voltou? Porque diabos você voltou?

Ele gritou e Lea se encolheu, por instinto. Foi Jonathan que engoliu em seco dessa vez. Se aproximou apressado, ajoelhando-se à frente da moça que mantinha os olhos no chão. A fez erguer os olhos para ele, antes de beijar-lhe a testa e a acomodar contra o próprio peito, enquanto olhava Dianna nada amigavelmente.

- Eu chantageei Naya. Voltei porque... Porque não consegui me manter longe. E não, Jon. Eu não consegui ver que ela estava inconsciente. – Lea se encolheu no abraço de Jon e outra vez ele extravasou a irritação no olhar que mantinha preso ao de Dianna.

- Eu acho que nós podemos discutir isso depois. No caminho para a delegacia talvez.

Lea se afastou com um único movimento e Dianna chegou a abrir a boca para reclamar. Mas não, não reclamou. Voltou a fecha-la um segundo depois de ter aberto, para então, concordar com um gesto de cabeça firme e nada hesitante.

Dez minutos depois, a campainha do quarto tocava e HeMo foi recepcionada com um beijo carinhoso de Dianna, que ignorou o infinito de perguntas que transbordavam pelos olhos azuis e arrastou um Jon que ainda vestia o casaco para fora, enquanto ele próprio se desculpava com Heather, dizendo em meias palavras que Naya não atendera o telefone e que...

A porta foi fechada antes que a frase fosse terminada.

Em vinte minutos, eles estacionavam em frente ao departamento de polícia de Hernandez. E exatamente às vinte e uma horas e dezenove minutos, Dianna começou o depoimento tão aguardado.

Ao citar que havia entrado no apartamento que dividia com Lea, obviamente omitindo a parte de que Alex praticamente a arrastara de lá, o policial se colocou nitidamente muito irritado, dizendo enquanto olhava na direção de Jon que insistira em acompanhar o depoimento, mesmo que em um outro quarto, protegido por um daqueles vidros que só permitem visualização do outro lado em uma das faces e na companhia de um policial.

Jon deu de ombros, agradecendo a Deus por ter um sexto sentido mais do que eficiente, porque muito provavelmente Dianna não estaria ali agora, se não tivesse achado a maldita câmera fotográfica de Theodore.

Duas horas depois, saíram juntos da delegacia. Jon a odiando um pouco menos... O convite para que tomassem alguma coisa no bar do hotel partiu de Dianna, tão logo voltaram. HeMo se desculpou, dizendo que gravaria logo pela manhã, saindo à francesa com louvável discrição.

E na companhia de uma taça de xerez, ela se abriu para Jonathan como se abrira para Lea... E embora Jon não aceitasse tudo com tanta facilidade quanto Lea, e embora ele ainda estivesse deixando no ar que não aprovava a atitude dela nenhum pouco, ela pode notar no modo que ele lhe ofereceu outro vinho que a revolta do rapaz não era mais tão venenosa quanto era quando ele adentrara o apartamento no início da noite.


Alex levou a garrafa envolta em papel pardo à boca. Franziu o cenho fechando os olhos quando o líquido desceu queimando a garganta, apesar de ser, pelo que ele calculava, a terceira ou quarta garrafa daquela bebida que cheirava tão mal quanto era ruim ao paladar. Secou os lábios com as costas da mão direita, ainda segurando a pistola que o pai lhe comprara no aniversário de dezoito anos.

Estava dentro do próprio carro, parado à frente do prédio de Dianna.

Não fora nada fácil conseguir o endereço da namorada e ele a amaldiçoou alguns pares de vezes enquanto molhava a mão do maldito entregador da lavanderia que ele sabia que ela não trocaria por nada no mundo. Quinze minutos depois, conseguira a informação ao preço de quinhentos dólares que tiveram que ser sacados do banco. A amaldiçoou mais alguns pares de vezes ao notar que Dianna lhe tinha levado todo o dinheiro que tinha na carteira.

Mas ela ia lhe pagar... Ah se ia... Uma hora ela ia ter que sair daquele prédio horrendo em que estava se escondendo, não teria?

Sim, teria.

Para onde mais ela iria? Ela não tinha ninguém.

Os amigos com certeza não estariam lá muito animados em dar abrigo para alguém que tinha fugido e se casado escondido, estariam? Claro que não.

O orgulho de si o fez sorrir, apesar da situação em que ele se encontrava. Sorveu mais um ou dois goles do conhaque barato ainda sorrindo. Seu plano tinha dado muito mais do que certo... Ele era realmente brilhante.

Aquela que Stockman denominara sua agente era mais burra que uma porta e não lhe custou muito para que ele a convencesse de que gravar uma sextape seria um salto e tanto na carreira de Theo. A desconfiança desapareceu no mesmo segundo em que entrou dinheiro na jogada... E o plano acabara lhe saindo melhor que a encomenda. Dianna era muito mais passional do que ele pensava. Sim, ele sabia que ela viria até ele. Para quem mais ela correria? No fundo no fundo, Dianna o amava. Sempre o amara. Desde o segundo em que ela tinha colocado os olhos no peitoral definido, não é? É claro que é.

Alisou o tórax também com as costas das mãos, enquanto pensava.

Tudo teria dado extremamente certo, se Stockman não fosse burro o suficiente para tentar fazer aquilo com Lea desacordada. É óbvio que daria polícia. Óbvio!

Ele tinha sido muito claro quando disse que Lea deveria estar entorpecida... Mas ele realmente tinha imaginado que Theo não fosse burro a ponto de dopar Lea até que ela perdesse os sentidos.

Bem... quem se importava com Stockman afinal?

Quem se importava com Lea?

Gargalhou, sozinho. "Quem se importava com Lea?". Outra gargalhada.

Talvez, fosse melhor parar de beber... ele pensou enquanto dava mais uma golada na bebida da garrafa.

Dianna não demoraria a aparecer e ele não queria estar bêbado para fazer o que ele precisava fazer.

Ela não demoraria a aparecer... Para onde mais ela iria?

... Para onde mais ela iria?...

Para... onde... ela... iria?...

A consciência de onde Dianna poderia estar o frustrou a ponto dele querer gritar. E ele realmente gritou, enquanto terminava com a garrafa de conhaque e a atirava com certa dificuldade para fora do carro, pela janela aberta.

Era muito óbvio, não era?

Dianna fora para casa quando fugira a primeira vez?

NÃO!

Muito provavelmente não iria agora.

Mulheres são criaturas repetitivas. Repetitivas e burras.

Ela ia para onde fora a primeira vez.

Ele arrancou com o carro, pensando que realmente estava um pouco bêbado demais, que da próxima vez não iria beber a ponto de quase não conseguir virar a chave no contato do veículo, e partiu para o único lugar onde Dianna poderia estar, que não a própria casa.

A casa de Lea.

Ryan se aprumou na cadeira exatamente no centro da sala, ao ouvir que finalmente seu convidado estava chegando. Esperara por algumas horas, mas ele realmente não se importava com o tempo... Muitas coisas eram mais importantes agora que uma noite de sono bem dormida.

Alex entrou no apartamento se agarrando à porta recém aberta e o primeiro instinto foi erguer com dificuldade a mão da arma para o vulto no meio da sala.

- Vams mbora, Dianna. Agorra. – Onde por Deus, estava sua maldita capacidade de falar?

Ryan não pode deixar de rir. Alex estava mais bêbado do que um gambá. Aquilo definitivamente não seria nada difícil.

- Baixe a arma, rapaz. Vamos conversar como dois homenzinhos de verdade.

- Quem é você?

Ele se aprumou, firmando a arma em punho e tão logo a porta foi solta, ele a ouviu sendo fechada com um estrondo. Virou-se para ver o que estava acontecendo e antes que seus sentidos nublados pela bebida se dessem conta do que realmente era tudo aquilo, um punho o acertou no rosto com força o suficiente para fazê-lo largar a pistola e se recostar contra outro vulto, que o agarrou pelo pescoço sem dificuldade nenhuma.

- Eu sou alguém cujo nome você não vai esquecer nunca mais. Vamos dar uma voltinha... – Ryan respondeu ainda sorrindo e muito baixo, se aproximando de Alex a passos muito lentos.

O brilho perigoso dos olhos azuis no breu do resto da casa foi a última coisa de que Alex teve consciência, antes de que a cabeça fosse coberta com o que ele julgou ser um saco de pano, enquanto o metal frio de algemas se firmaram contra os punhos.

Se sentiu sendo empurrado para fora do apartamento... Então o carregaram, imobilizando sem esforço nenhum as pernas que ele insistia em agitar para tentar escapar, escadas a baixo. Tão logo o frio da noite se fez sentir, quando ganharam a rua, Alex foi jogado contra a Kombi cujas portas já estavam abertas e que arrancou assim que todos já estavam acomodados dentro do veículo.

Alex não teve nem ideia de quanto tempo havia se passado antes que a perua estacionou outra vez, para ele, parecia uma eternidade.

Foi arrancado do carro do mesmo modo e com o mesmo "carinho" que fora jogado porta adentro.

O fizeram andar. E quando por fim ele se viu sentado em algo que ele achou ser uma cadeira, do modo mais desconfortável possível, o saco foi arrancado da cabeça.

Olhou em volta, desnorteado, muito desnorteado, e quando por fim começou a reconhecer onde estava o rosto foi golpeado uma vez mais, dessa vez por sua própria arma, em punho de Ryan Murphy.

- Isso aqui é um brinquedo perigoso, filho. Muito perigoso. Você sabe usar como se deve? – Outro golpe. Ryan segurava a pistola pelo cano, o golpeava com a coronha, que com a intensidade do golpe, se desenhou com perfeição na bochecha de Alex, que de imediato sentiu o gosto de sangue, engolindo-o com dificuldade e sentindo também de imediato o estomago se revirar em protesto. – Eu não acho que você sabe usar isso aqui... É muito perigoso. Para você e para quem quer que seja que esteja em seu caminho, não? Você é perigoso, Alex? Você se acha perigoso?

Ryan mordeu o lábio inferior, franzindo o cenho ao golpear Alex uma vez mais, dessa vez de cima pra baixo. O cabo da arma trouxe junto consigo um tufo de cabelo loiro e a face já marcada do rapaz se manchou pelo fio de sangue que descia pela lateral do rosto. A cabeça de Alex vacilou e ele sentiu a consciência lhe escapar pouco a pouco, agradecendo aos céus. Mas antes que estivesse completamente desacordado, uma jorrada de água lhe atingiu em cheio o rosto que ele tinha tombado para trás. O líquido gelado entrou-lhe pelas vias respiratórias e ele se sentiu afogar, tossindo e jogando a cabeça para frente, em busca de ar. Outra vez, Ryan aproveitou-se da posição dele. Dessa vez usando apenas a mão protegida por uma luva descartável.

- Vai dormir, neném? Não pode não... Nós apenas começamos a brincar.

Estavam em uma casa, aos arredores rurais de Los Angeles. Afastada da cidade o suficiente para terem certa privacidade. Um dos homens de Ryan se encarregaria do carro de Alex e Ryan sabia que naqueles homens, ele podia confiar. Ser um homem poderoso tinha lá suas vantagens... Poder ajudar uma ou outra família e conseguir a gratidão eterna de gente de bem e principalmente muito leal, era uma dessas vantagens.

Ele puxou a cadeira livre, a única coisa no cômodo limpo além da cadeira do próprio Alex e se sentou exatamente de frente para o rapaz, que lutava para manter os olhos abertos. Os hematomas começavam a aparecer e a pálpebra esquerda estava quase fechada em razão do inchaço do rosto.

- Você não tem filhos, tem Alex? – Ryan esperou com fingido interesse pela resposta do rapaz. Resposta essa que não veio. – É... eu acho que você não tem crianças, né? Mas você tem pais, não é mesmo? Ah sim... Todo mundo tem um papai e uma mamãe. E... Oh, espera. Eu conheço o seu papai e sua mamãe. – Ryan meteu a mão por dentro do grande casaco preto que usava. E do bolso interno, sacou duas fotos. Estendeu-as para um Alex incapaz de segurar qualquer coisa que fosse. – Olha só... Papai e mamãe... E quem é esse? Oh sim, é o pequeno Alex! – Ryan sorriu. Um sorriso cheio de maldade, e Alex involuntariamente se sentiu encolher contra a cadeira. Ryan deixou que ele observasse a foto por algumas frações de segundos antes de guardar as fotografias novamente e continuar a falar. – E como papai e mamãe reagiriam se o pequeno Alex sofresse uma ameaça de morte, hum? Como eles reagiriam, Alex? – Sem esperar realmente pela resposta, Ryan se inclinou, enfiando a mão esquerda por entre os cabelos loiros da nuca do rapaz, forçando-o a erguer o rosto um pouco mais, enquanto ele falava perto e baixo, extremamente baixo. – E como você espera que eu reaja a uma ameaça de morte, Alex? Você é um atorzinho de segunda linha que não entende porra nenhuma de como as coisas funcionam quando você está no auge do sucesso, mas eu vou te contar como as coisas funcionam. Um show precisa de uma estrela... no meu caso, eu tenho duas estrelas. Lea e Dianna. Lea é tão talentosa que eu tenho que me controlar pra não sair por aí tatuando o nome dela nas minhas costas, que nem aqueles fãs malucos fazem, sabe? O meu maior achado. Com certeza o meu maior achado. – Alex gemeu, quando sentiu a cabeça latejando com mais violência que das outras vezes e Ryan se afastou o suficiente apenas para que a mão espalmada alcançasse o rosto disforme do rapaz. – Cala a boca. Cala a boca, seu moleque. Porque é isso que você é, Pettyfer, um moleque! Eu estou falando e se eu tiver que me interromper outra vez por sua causa, vou te dar um motivo real para você se gemer do jeito que está gemendo, eu fui claro? EU FUI CLARO? – Alex concordou com a cabeça, um gesto débil... e a única coisa que ganhou foi outro tapa forte, antes que Ryan enfiasse os dedos por entre os seus cabelos novamente. – Sim senhor.

- S-sim Senhor... – A voz fraca, quase não saiu, mas Ryan se deu por satisfeito.

- Como eu dizia... eu tenho Lea. E eu tenho Dianna. Você tem alguma noção de quantos prêmios nós ganhamos por causa da atuação de Dianna na primeira temporada, Alex? Não, seu animal, você não sabe. Porque apesar de se achar muito inteligente, você tem a cultura de uma lixa de unhas. Você é patético... E com qual direito você se acha para encostar um dedo imundo sequer em qualquer uma das minhas meninas? Com qual direito você se julga para sequer falar que vai matar uma das minhas meninas? Eu te digo o direito que você tem, Alex, com o maior prazer do mundo: Você não tem direito nenhum.

Ryan soltou-lhe os cabelos com igual força que tinha usado para agarrá-los e outra vez, Alex sentiu a cabeça vacilar. Tentou conter outro gemido de dor em vão... e ouviu Ryan gargalhar enquanto se afastava, como se estivesse muito satisfeito com o som.

- O pequeno Alex é desobediente, Rodolph. Além de tudo, o pequeno Alex é desobediente.

De olhos fechados, Alex não pode notar o olhar que o maior dos homens que acompanhavam Ryan lhe enviara. Também não pode notar o sorriso torto que se seguiu logo depois do olhar.

Tentou se ajeitar na cadeira, mas a única coisa que conseguiu, foi cair com um baque surdo no chão sujo e molhado. Tossiu, sentindo o estomago revirar-se uma vez mais. O ferimento na parte interna da boca não parara de sangrar... muito pelo contrário, parecia ainda mais aberto depois dos tapas que havia levado. Encolheu-se no chão... o que só lhe rendeu um chute nas costas, antes que fosse erguido e jogado de qualquer maneira sentado na cadeira outra vez. Ryan continuava de costas, enquanto parecia arrumar alguma coisa que Alex não conseguia ver.

Quando voltou para perto do rapaz outra vez, novamente tinha a pistola automática de calibre 22 em punho. A uma distancia de mais ou menos cinco metros, ele havia pendurado as fotos dos pais de Alex na parede usando fita adesiva e guando voltou a falar, verificava o pente de balas da pistola distraidamente, do modo mais calmo possível.

- O que você fez foi muito feio, pequeno Alex. Quando me contaram, eu realmente não pude acreditar. Onde já se viu, Alex Pettyfer ameaçando a adorada namorada de morte? Com certeza era mentira. Onde já se viu, Alex ameaçando qualquer outra pessoa de morte, não é? Era óbvio que era mentira. Mas então eu vi o rosto de Dianna. E ela estava tão transtornada quando cruzou por mim que sequer me viu. Ela não me viu... mas eu consegui enxerga-la com perfeição... Pude ver inclusive a marca bela que você deixou naquele rosto perfeito. Como pode, Alex? Um rosto tão lindo... – Ryan colocou as balas que tinha tirado da arma no bolso do sobretudo, antes de mirar para um ponto qualquer próximo aos pés de Alex e atirar. O barulho o fez pular na cadeira, quase caindo outra vez... O homem que agora se postara atrás de sua cadeira não precisou mais que uma mão para fazê-lo voltar à posição original. – Olha só, ela funciona! – Ryan sorriu, se referindo a arma e voltando a mirar. Dessa vez para a parede onde estavam pregadas as fotografias. – Juan, certifique-se que ele esteja bem acordado. – Se dirigiu ao brutamontes. Alex não conseguiu ouvir a resposta, nem teve certeza se o homem respondeu, pois quando se deu conta do que acontecia, ele era golpeado de novo. O tapa forte pegou-lhe abaixo da orelha direita e ele achou que fosse cair novamente... mas outra vez foi amparado. Meio zonzo, a consciência voltou-lhe a ponto de ouvir Ryan gargalhar enquanto murmurava algo como "bom menino" para o capanga antes de começar a atirar. Ao todo foram dez tiros. E outra vez Ryan se afastou, na direção da parede. Quando voltou, largou a pistola já sem balas em um canto qualquer do cômodo. Voltou a se sentar na cadeira na frente de Alex. Um Alex que agora olhava com olhos arregalados as fotografias que lhe eram praticamente esfregadas na cara. Fotografias com buracos de bala no lugar que antes estavam seus pais. Ele, ainda menino em ambas as fotos, estava intacto. – Você está vendo isso aqui, pequeno Alex? Está vendo o que aconteceu com o papai e a mamãe, não está? E sabe porque não aconteceu nada com o pequeno Alex? Sabe? – Ryan voltou a agarrar-lhe o rosto. Dessa vez pelo queixo, olhando-o no fundo dos olhos. – Não aconteceu nada com o pequeno Alex porque o pequeno Alex vai estar preso por ser co-autor intelectual de um crime hediondo. Estupro é um crime hediondo, sabia, pequeno Alex? E sabia que não foi nada difícil ligar o seu nome àquela vadia que o Stockman chamava de agente? Vocês se conheciam, não conheciam? Eu sei que se conheciam... Andei falando com ela. Ela me contou umas coisas muito interessantes. Coisas que foram gravadas. E eu tenho muitos amigos psiquiatras, sabia? Com tudo o que eu tenho sobre você, e pode acreditar que é muita coisa, não é fácil te definir como uma pessoa que precisa de cuidados psiquiátricos vinte e quatro horas por dia. É o seu futuro, pequeno Alex. Do manicômio para a cadeia. Da cadeia para o manicômio... sem papai e mamãe que são tão amados... são tão amados e vão estar mortos, porque titio Ryan vai se encarregar disso pessoalmente. Você não tem noção do quanto eu queria matar você agora, Alex... Não tem noção. Só não vou matar porque eu quero que você sinta na pele todos os dias, pelo resto da sua vida, o que fez Dianna passar. Eu vou ser muito claro, para que você e sua pouca inteligência possam entender. Você vai ficar muito longe. Dianna e Lea não vão ver você, não vão ouvir você, não vão nem pensar que você existe. Porque se eu sonhar que você está por perto outra vez, nós não vamos conversar civilizadamente como estamos conversando agora... Não, não vamos...

Ryan sorria quando terminou de falar... E o enjoo de Alex chegou a ponto de fazê-lo ter que virar o rosto para vomitar. O sorriso aumentou, não demorou nada e já era uma gargalhada alta, que foi imitada pelos outros dois homens que também estavam na sala.

- Tragam ele aqui. – Pediu, enquanto se encaminhava para um outro cômodo da casa, aos fundos desse primeiro. Ali, agora, havia apenas uma mesa de pedra fria, também no centro do que Alex julgou ser uma cozinha, enquanto era arrastado para dentro dali e tinha os pulsos livres. Precisou se agarrar à mesa quando o soltaram. As pernas simplesmente não aguentavam-lhe o peso. – Aqui, pequeno Alex. Assine aqui. – Ryan indicou, com a ponta da caneta.

- O... O que é isso?

- Ah, não é nada... é apenas o ingresso para a DisneyLandia.

Rodolph e Juan gargalharam uma vez mais. Alex encolheu os dedos, quando a caneta foi praticamente enfiada em sua mão. Ryan estreitou os olhos, mordendo o lábio inferior outra vez. Mas não precisou falar... O maior dos homens se inclinou para Alex e enquanto ele falava, Alex pode sentir o metal rígido do cano da arma que lhe era espremida por entre as costelas.

- Assina...

Aceitou a caneta, muito a contra gosto. E Ryan tomou o cuidado de não deixa-lo sujar o papel branco.

- Bom menino, Alex... Bom menino... Que tal se você fosse dormir um pouquinho, huh?

Alex sentiu os próprios olhos dobrando de tamanho, enquanto encarava Ryan com a perplexidade estampada nos olhos claros.

- Apaguem ele. – Foi a última coisa que Alex pode ouvir antes de sentir a nuca sendo golpeada.

Como já tinha sido combinado, os homens voltaram a arrastá-lo para o primeiro quarto, se certificando de que ele foi colocado de bruços para não se afogar no próprio vômito caso voltasse a acontecer. Ryan o queria vivo e vivo ele estaria. A pistola foi chutada para um pouco mais próximo do corpo. As fotos foram coladas exatamente onde Ryan as tinha posto a primeira vez. O dinheiro que ainda lhe restava na carteira foi pego e dividido entre os dois seguranças de Murphy. A porta foi arrombada, antes de ser fechada sem cuidado nenhum. O carro de Alex já jazia de qualquer maneira sobre o gramado que um dia fora bem cuidado daquela casa de campo... o dia amanhecia quando Ryan e seus homens entravam em Los Angeles pela entrada oposta à que tinham usado na madrugada.

O plano de Ryan de fazer tudo parecer um assalto e um surto psicótico de Alex executado com precisão cirúrgica.


Hi there...
Eu tive MUITA dificuldade pra escrever esse capítulo. Mas muita mesmo. Demorou mais do que eu previa.
Eu simplesmente não conseguia escrever... e foi por isso que eu não consegui postar antes.
Não revisei. Por favor, ignorem os erros bobos e me falem dos mais gritantes.São cinco e vinte e três e eu acordada...
vida bandida.

Eu preferi não matar ele porque... bom, eu já acho que tem sangue demais por aqui. Originalmente, não era pra ter tanta ação nessa fic.
Mais um único capítulo... o epílogo.
Eu não vou me despedir, não ainda... mas... rs
Com MUITO amor,
Larissa.