Disclaimer: Twilight e seus personagens não são meus. Pertencem a Stephanie Meyer, Intrínseca e a Summit Entertainment. Estou apenas me divertindo.
LIGHTS WILL GUIDE YOU HOME
Capítulo 20
The long and winding road, that leads to your door will never disappear[...] You left me waiting here a long long time ago. Don't keep me standing here - lead me to your door.
(A longa e sinuosa estrada que leva até sua porta, jamais desaparecerá [...] Você me deixou esperando aqui há muito tempo atrás, não me deixe aqui esperando - guie-me à sua porta).
-The Long and Winding Road, The Beatles
Vancouver, Washington, 20 de Março de 2011
No dia da nossa partida, Renée e Phil me levaram para conhecer a cidade e, pela primeira vez desde que estava em Vancouver, me distraí o suficiente para conseguir aproveitar a viagem. Charlie se recusou a nos acompanhar, dizendo que pretendia dormir até a hora de irmos embora, mas eu sabia que tudo o que ele queria era assistir um pouco de TV e pedir comida no quarto. Seu dinheiro nunca pareceu tão bem empregado.
Era minha primeira vez em Vancouver e, apesar de ter muito para ver, nós passamos a maior parte do nosso tempo almoçando em um restaurante perto do Esther Short Park. Eu estava tentando não deixar meus sentimentos arruinarem o último dia que eu passaria com minha mãe, mas ela não parecia muito disposta a ajudar. Enquanto Phil e eu votamos por uma fatia gordurosa de pizza, Renée nos convenceu a entrar em um restaurante francês onde tudo parecia 'demais', exceto as porções minusculas de comida. Ela falou durante todo o momento enquanto estudávamos o cardápio, dizendo que a comida daquele lugar era maravilhosa e traduzindo todo o blablabla em francês como se fizesse aquilo todos os dias, e percebi, sem surpresa, que Phil estava tão entediado quanto eu.
Mais cedo, enquanto eles discutiam sobre uma bobagem qualquer, a realização de que Phil só fazia a maioria daquelas coisas chatas e ostentosas porque minha mãe gostava, me abateu. Durante nossa conversa no dia anterior, eu entendi que ele tinha crescido em uma família tradicional e com muitas posses (e com isso eu quero dizer realmente rica), mas ele não parecia dar muita importância pra isso. Phil era uma daquelas pessoas que nunca tinha visto dinheiro como um problema, mas que também não pensava muito sobre as milhares de vantagens que ele proporcionava. Parecia irônico que ele tenha se apaixonado por alguém que parecesse gostar tanto de ostentar o que tinha e, de uma maneira estranha, me senti um pouco mal por ele.
Depois de sairmos do restaurante (e de distrairmos Renée tempo suficiente para comermos um cachorro quente), andamos mais um pouco pelo parque. Infelizmente, o mercado dos agricultores não parecia interessante o bastante para minha mãe, e logo fomos obrigados a deixar o parque para ver vitrines. Eu estava acostumada a ser arrastada para compras por Angela e Esme, então não parecia tão ruim. Até Renée decidir me comprar presentes.
-Ora, vamos, Bella! Vai ser divertido! – ela grasnou, ignorando meus protestos, enquanto me rebocava para dentro de uma loja. Olhei suplicantemente para Phil, esperando que ele pudesse me salvar das garras de sua esposa, mas ele apenas deu de ombros, me olhando de um jeito que dizia claramente que aquilo estava fora de seu alcance.
Então, pela próxima meia hora, eu fui arrastada de um lado para o outro enquanto deixava que ela escolhesse algumas peças pra mim. Phil deu a desculpa de que precisava fazer algumas ligações para não nos acompanhar, mas o olhar que ele me lançou antes de ir embora deixava bem claro que ele esperava que eu me esforçasse um pouco. Me esforçasse para não morrer de tédio enquanto estava ali, mas, principalmente para me sentir a vontade com ela. Era difícil ficar brava com Phil agora que eu já o conhecia um pouco e realmente o via como algo mais além do cara que deveria ser meu padrasto, então eu decidi fazer aquilo.
Experimentei vestidos, saias e calças mais justas do que eu estava habituada a usar. Sofri em silêncio com os preços exorbitantes nas etiquetas e me esforcei muito para não parecer estar ali de má vontade. Em certo ponto eu comecei a me perguntar o que estava fazendo, e então ela fez aquilo. Era fácil me sentir culpada quando ela sorria daquele jeito. Como se estar ali, dentro de um provador apertado enquanto me empurrava outro vestido, fosse a coisa mais incrível do mundo e ela não quisesse estar em outro lugar. Foi impossível não me lembrar de Esme fazendo o mesmo. Correndo pra lá e pra cá, comigo e Rosalie, de loja em loja enquanto eu sofria - parte de mim. Secretamente feliz, entretanto, por ter alguém que fizesse aquilo.
Não foi tão difícil reconhecer que eu estava secretamente feliz agora.
.
.
Uma hora depois, estávamos de volta pra casa e eu finalmente tive chance de verificar meu celular. Na noite anterior ele finalmente tinha ficado sem carga nenhuma e eu me dei conta de que tinha deixado o carregador em casa. Felizmente a viagem de compras me serviu para que eu encontrasse uma loja e comprasse um novo. Agora eu tenho sete ligações perdidas e uma mensagem de texto de Edward para responder.
Franzi o cenho quando vi que tinha uma foto anexada na mensagem. E morri rapidamente quando abri o arquivo.
A primeira coisa que eu notei foi o rosto inchado de sono de Edward sorrindo minimamente. Os cabelos, se é que isso é possível, ainda mais bagunçados que o normal enquanto os olhos verdes, encapuzados e miúdos de sono, encaravam a câmera preguiçosamente. E então eu percebi a segunda pessoa na foto. Não tive nem mesmo a chance de surtar antes de perceber que aquela pessoa era eu.
Com os cabelos espalhados em uma bagunça cheia de nós pelo travesseiro e claramente em sono profundo. O queixo de Edward descansado no topo de minha cabeça e o ângulo em que ele tinha tirado a foto foi bom o bastante para pegar a minha mão descansando em seu peito - coberto pelo moletom que agora estava dentro da minha mala.
A realização de que ele tinha tirado aquela foto na manhã em que foi pra Seattle me bateu, e por um momento eu não sabia como agir. Eu finalmente rolei a mensagem pra baixo e vi a legenda.
De: Edward
Recebida: 09:58
Nada como acordar ao lado de uma garota bonita, uh?
Bom dia :)
Eu sorri, pronta para responder aquela mensagem, quando lembrei das sete chamadas perdidas e cheguei a conclusão de que ele não deveria estar muito feliz com a espera. Disquei seu número o mais rapidamente que meus dedos permitiam e ao segundo toque sua voz afobada soou do outro lado da linha.
-Hey! Está tudo bem? – eu sorri, me abaixando apenas o suficiente para pegar a mala debaixo da cama e jogá-la em cima do colchão.
-Desculpe, meu celular ficou sem bateria. – me apressei em explicar, tentando fazer minha voz soar normal, e durante o que me pareceu um minuto inteiro, ouvi o suspiro aliviado do meu melhor amigo do outro lado da linha.
-Você esqueceu o carregador em casa, não esqueceu? – ele perguntou, sua voz soando de maneira divertida, e eu corei imediatamente.
-Talvez. – respondi, na defensiva.
Sua risada baixa e contida, cheia com o que eu supus ser diversão e convencimento (por me conhecer tão bem como ninguém mais) soou em meus ouvidos, e imediatamente eu me senti estupida.
-Como foi seu dia?
Uma das minhas coisas favoritas em Edward, era o fato de que ele dizia exatamente o que queria dizer. Que ele sempre fosse tão sincero em tudo o que fazia, mesmo que muitas vezes isso exigisse que ele saísse de sua zona de conforto. Eu amava saber que ele realmente queria saber como eu estava – que sua voz, soando em meus ouvidos naquele tom baixo e carinhoso, fazendo minhas mãos soarem e o sangue subir para meu pescoço e bochechas, porque eu entendia que ele realmente se importava.
O negócio é que, ao contrário de Edward, eu não podia responder aquela pergunta com sinceridade. Não sem correr o risco de soar patética, quando contasse que passei o dia inteiro pensando nele e sentindo sua falta. E, o mais importante, é que ele nunca saberia que, enquanto minha mãe me obrigava a experimentar aquelas roupas, eu imaginei sua reação quando me visse vestida daquele jeito – usando um vestido vermelho rubi que provavelmente era dois números abaixo do que eu estava habituada a comprar e muito mais revelador que tudo o que eu já tinha usado na vida.
-Estranho. – foi o que eu me limitei a dizer, porque não passava da verdade. – Renée e eu fomos as compras. – eu me preocupei, por um momento, quando nem a respiração de Edward podia ser ouvida do outro lado. Antes que eu tivesse a ideia de cogitar que a ligação tinha caído, porém, uma risada baixa e contida soou em meus ouvidos.
-Como isso aconteceu? – perguntou, em meio as risadas. Eu rolei os olhos, me ocupando em abrir o zíper da minha mala e tentar organizar a bagunça de roupas la dentro.
-Ela e Phil me levaram pra um passeio pela cidade, e quanto eu notei, já estava experimentando vestidos e pedaços minúsculos de pano que deveriam ser calcinhas. – respondi, vomitando aquele monte de informação sem nem mesmo parar pra pensar. Só quando uma espécie de ruido estrangulado soou em meu ouvido, eu percebi que tinha acabado de dizer ao meu melhor amigo que fui comprar calcinhas com minha mãe.
-Uh... – ele soou tão embaraçado quando eu, e mesmo estando mortalmente envergonhada, fiquei momentaneamente feliz por estar longe de Edward. E então, quando eu achei que as coisas não podiam ficar mais estranhas: - Que tipo de calcinhas?
Eu arfei, sentindo minha pele queimar e meu estômago cheio de pedras de gelo.
-O que... Edward! – foi minha resposta brilhante, porque eu não podia acreditar que estávamos mesmo tendo aquela conversa. Ele riu.
-O que? É brincadeira. – ele rebateu com firmeza, sua voz soando divertida, embora eu não pudesse deixar de reparar que também parecia um pouco mais baixa e rouca. – Então, a que horas vocês saem daí? – se apressou a perguntar, claramente notando meu desconforto. Eu me apressei a responder, sentindo um nó se formar em minha garganta, embora não soubesse porque.
É claro que, se tratando de Edward, não demorou muito para que demorássemos e encontrar um ritmo normal e confortável em nossa conversa novamente. Não muito obstante, estávamos rindo e fazendo planos para quando estivéssemos juntos em Forks, dali há alguns dias, embora o incidente das calcinhas ainda fizesse minha pele ficar vergonhosamente vermelha. Eu terminei de fazer minha mala durante nossa conversa, o que foi um alivio dando-se em conta que era uma tarefa extremamente chata de se fazer, e por algo que só poderia ser considerado um milagre, eu não precisei de outra mala pra colocar as novas roupas (embora tenha me esforçado muito para evitar olhar mais uma vez para as etiquetas que ainda estavam nas peças).
-Eu preciso tomar banho. – disse, olhando de relance para o despertador em cima do criado mudo. – Ainda precisamos pegar Charlie no Hotel. Você sabe como ele é com horários. – resmunguei e Edward se limitou a rir, porque nós tínhamos todo um histórico de desastres baseados em atrasos com Charlie.
-Tudo bem. Você me avisa quando estiverem deixando Vancouver?
-Pode deixar. – respondi, sorrindo, e ouvi seu suspiro do outro lado da linha.
-Mal posso esperar pra ver você. – sua voz soou baixa, mas cheia de expectativa, embora ligeiramente tensa. Eu não perguntei 'porque'.
-Eu... – murmurei, deixando toda a saudade que eu estive sentindo através dos dias em que ele esteve fora ecoar em minhas palavras. E, mesmo que eu corresse o risco de soar ridícula e patética, acrescentei: - Sinto sua falta, Edward.
Outro suspiro, dessa vez longo e tortuoso, entrou em meus ouvidos e fez cada pelo da minha pele se eriçar.
-Bella... você não faz ideia. – murmurou, pausadamente, e eu grunhi.
-Odeio quando você faz isso. – ele não pareceu surpreso, completamente consciente do que eu estava falando, embora tenha insistido em continuar fazendo aquilo.
-O que você dizer, Bella? – suspirei, porque ele sabia exatamente o que estava fazendo comigo.
-Eu preciso ir. – tirando uma muda de roupa de mala e fechando, logo em seguida. Ele riu baixinho, murmurando algo que eu não fui capaz de ouvir. – Tchau, Edward.
-Até mais, Bella. – não consegui reprimir um sorriso diante daquele até logo; eu não podia deixar de notar o que aquilo implicava. Estava pronta pra respondê-lo quando sua voz se fez ouvir novamente – breve, mas cheia de humor e malícia. – Eu adoro bagunçar com você.
Foi minha voz de suspirar, resignada, enquanto ouvia sua voz se distanciar e então a ligação ficar muda; ignorei os saltos que meu coração estava dando na minha caixa torácica e a ponta do iceberg no meu estômago. Rolei as minhas mensagens de texto, até encontrar a foto anexada que Edward me enviou mais cedo e naveguei através do menu rapidamente até tornar aquela foto o meu papel de parede.
Alguns minutos depois, enquanto ajustava a temperatura do meu banho, me limitei a sorrir, com o pensamento inquietante de que ele sempre soube exatamente o que fazer comigo.
.
.
Enquanto eu, Renée e Phil fazíamos o percurso até o hotel de Charlie, eu tentava desesperadamente me distrair e ignorar os olhares que ela me lançava de vez em quando. Principalmente o modo como seus olhos muito azuis de repente pareciam tão marejados.
É claro que isso, somado aos suspiros e grunhidos estranhos que ela soltava de vez em quando, não tornava a tarefa muito fácil.
Depois que desci com minha mala, devidamente arrumada e pronta para viajar, o clima tinha ficado pesado e melancólico entre Renée e eu. Eu sabia que ela queria que eu ficasse mais tempo (ou, como ela muito arduamente sugeriu mais cedo, que eu terminasse o ensino médio ali, em Vancouver) pra conhecer-nos melhor e, talvez, recuperar o tempo perdido, mas a verdade é que eu estava louca pra voltar pra casa. Eu nunca achei que fosse sentir tanta falta daquela cidade úmida e verde e também nunca tinha me dado conta do quanto amava a pequena e desbotada casa de Charlie, mas a verdade é que eu amava. Eu tentei explicar aquilo a ela, e eu não me surpreendi quando ela não entendeu. Eu também não podia culpá-la.
Eu não podia negar que, olhando atentamente pra nós, se podia encontrar algumas semelhanças, mas, felizmente, isso era tudo.
Renée fugiu de Forks, porque a cidade nunca foi grande o suficiente para suas expectativas e todos os sonhos que ela sempre teve. Eu não sabia se algum dia chegaria a entender porque uma pessoa parecia precisar de tantas coisas pra se sentir completa, mas eu podia lidar com o fato de que ela era feliz com sua vida.
Charlie já estava nos esperando na porta do hotel quando chegamos, o que nos poupou algum tempo, e então seguimos direto para a rodoviária. É claro que seu instinto policial estava alerta no momento e ele não deixou de notar o clima tenso no carro.
-Tudo bem, garota? – ele perguntou baixinho, perto o bastante para que ninguém mais ouvisse, e eu me limitei a acenar brevemente com a cabeça, sorrindo de maneira hesitante quando seu bigode se retorcia em suspeita. Felizmente eu não precisei me preocupar com uma cena no carro; sua expressão se suavizou lentamente e então o marrom de seus olhos pareceram se tornar chocolate derretido enquanto depositava um breve beijo na minha têmpora. – Senti sua falta, Bella.
Eu sorri, sentindo uma súbita onda de gratidão por tê-lo ali comigo, e beijei sua bochecha, sob o ralo pelo de sua barba por fazer. Ele suspirou, passando um braço sob o meu ombro e me puxando para perto até que minha cabeça estivesse confortavelmente deitada em seu ombro. – Eu também senti sua falta, pai.
.
.
Eu observei o estranho momento em que meu pai e Renée se despediam com menos estranheza do que quando tínhamos chego, e senti uma mão invisível descer rasgando por minha garganta até agarrar meu coração e apertar com pouca pressão. Ela tinha puxado Charlie para um canto e estava segurando suas mãos enquanto ele corava e assentia, ouvindo tudo o que ela dizia em meio ao que eu suspeitava ser apenas o começo de uma torrente de lágrimas.
-Bella. – olhei para o lado, encontrando o olhar de Phil em mim; de repente aquele homem forte e engraçado que eu tinha conhecido há alguns dias, me olhava de maneira tímida e insegura e eu me senti dividida entre a vontade de rir e chorar.
-Ei, Phil. – murmurei, ignorando o que pareciam milhares de pequenas agulhas atrás dos meus olhos.
-Eu realmente espero que você acredite que eu falo por mim, e não por sua mãe, quando eu digo que gostaria muito que você voltasse. – ele começou, de maneira firme, embora parecesse estar pisando em ovos. – Mas eu não sei como você se sente em relação a isso. – ele acenou brevemente com a cabeça na direção onde meus pais ainda estavam conversando, e eu me permiti sorri um pouco.
-Eu estou... bem... em relação a isso. – respondi, com toda a certeza e firmeza que eu consegui reunir, e me senti imediatamente mais leve.
Phil riu, tornando meu sorriso um pouco mais firme, e então me olhou com os olhos brilhando, enquanto me puxava para um rápido abraço.
-É estranho eu dizer que era exatamente o que eu esperava de você? – perguntou, me apertando brevemente antes de me soltar, segurando minhas mãos frias e úmidas entre as suas. Eu ri baixinho, negando com a cabeça. – Obrigada, Bella. Isso significou muito pra sua mãe.
Eu permiti que meu sorriso se afrouxasse um pouco, mas não deixei de fazê-lo com menos entusiasmo e sinceridade.
-Foi importante pra mim também, Phil. – respondi, sentindo o aperto do meu peito diminuir a medida que eu me permitia dizer tudo o que precisava ser dito. – Eu preciso ser honesta e dizer que ainda não entendo porque ela precisou agir da maneira como agiu... mas, de certa forma, eu entendo que ela nunca seria feliz em Forks.
O humor desapareceu de seus olhos, embora um sorriso bonito ainda estivesse adornando seus lábios, de maneira quase melancólica.
-Sei. – ele assentiu, me olhando de jeito que me fazia ter certeza de que ele entendia o que eu estava dizendo; uma compreensão que ia muito além das palavras. – O que não significa que você a perdoou, não é? – felizmente eu não precisei responder. Ele suspirou, balançando a cabeça em compreensão, e então apertou minhas mãos entre as suas. – Eu entendo. Mas, você precisa saber de uma coisa Bella; sua mãe ama muito você. Eu não estou dizendo que todas as suas ações foram altruístas e nem que elas podem ser justificadas algum dia, mas eu vi a maneira como ela sofreu, e continua sofrendo, com todas as consequências que elas trouxeram a sua vida. – eu engoli em seco, suspirando profundamente enquanto as palavras de Phil viajavam tortuosamente em minha mente, e ele se limitou em apertar mais uma vez minhas mãos. – Eu não estou tentando fazer você se sentir mal; só estou dizendo que não foi fácil pra ela também. Por favor, não a culpe por tentar recuperar o tempo perdido.
Senti meu corpo estremecer, e o braço de Phil me sustentou, me apertando brevemente enquanto depositava um beijo no topo de minha cabeça.
-Certo. – consegui dizer, em um murmurio, enquanto desviava de seu braço apenas para me virar, e abraçá-lo pela cintura, em um abraço tão firme quanto a tremedeira permitia. – Obrigada Phil. Obrigada por fazê-la feliz. – terminei, em um fio de voz, e ri nervosamente ao ouvi-lo fungar uma e outra vez.
-Acredite ou não, ela me faz muito feliz, Bella. – ele respondeu, com a voz entrecortada e rouca, e eu ri mais uma vez. Ele resmungou baixinho, algo sobre parecer uma moça chorando, e então me soltou, no mesmo instante em que Charlie e Renée se voltavam para nós.
-Precisamos ir, Bells. – Charlie começou, a voz rouca e baixa, e com grande surpresa notei grandes lágrimas não derramadas no canto de seus olhos. E então olhei para Renée e notei que ela estava em um estado muito pior. – Espero você no ônibus. - Contive um gemido exasperado, quando imaginei o que viria a seguir, e observei enquanto ele e Phil agarraram as malas e caminhavam tranquilamente em direção ao portão do nosso ônibus, conversando como dois velhos amigos, embora estivesse completamente vermelhos e chorosos.
-Bella. – me virei para encontrar Renée me encarando firmemente; o nariz vermelho como o de Rudolf e o rosto branco completamente manchado de lágrimas. Os olhos encapuzados e vermelhos. Eu senti o café da manhã e meu almoço querendo voltar, e engoli em seco, tentando me acalmar. – Obrigada por ter vindo. – ela começou, me puxando para o abraço mais apertado que eu já tinha experimentado em muito tempo. – Me desculpe por ter sido uma péssima mãe. Me desculpe por não ter estado lá quando você precisou de mim, mas principalmente pela maneira como eu fui embora. – meus braços, até então imóveis e pesados como chumbo, se permitiram abraçar sua cintura, de maneira hesitante e quase dolorosa
-Mãe...
-Me desculpe, Bella. Eu sei que eu não posso voltar atrás e desfazer a bagunça que eu fiz, mas eu quero ter você por perto. – ela murmurou, contra meu cabelo, e eu senti quando suas lágrimas me molharam. – Eu quero estar com você no seu aniversário e no dia de Ação de Graças e Natal e eu quero estar la, torcendo por você, na sua formatura. – tão rápido quanto seu abraço começou, terminou, e suas mãos frias apertaram meus braços, me forçando a manter o olhar focado em seu rosto.
Eu queria conseguir desviar o olhar; para meus sapatos, o teto ou para qualquer um a minha volta, mas era simplesmente impossível ignorar o olhar de angustia, remorso e principalmente desespero que estava cravado em mim. Pela primeira vez, desde que toda aquela loucura tinha começado, eu tive certeza de que ela estava arrependida. Por um momento eu realmente, realmente, desejei que as coisas fossem mais fáceis. Que eu pudesse deixar todos aqueles anos pra trás e conseguisse começar uma vida nova sem que aquele peso terrível de duvida, medo e rejeição tomasse cada centímetro das minhas costas... e eu me perguntei porque era tão difícil.
-Você acha que pode fazer isso, Bella? – sua voz, quebrada, mas esperançosa (ainda que cheia de duvidas) foi como uma sacudida. – Você pode me dar uma chance?
Eu ignorei todos os protestos que de repente haviam surgido na minha cabeça. A voz estridente que dizia que nada seria diferente com ela, que eu só ia conseguir me decepcionar de novo. Eu me permiti deixar que as barreiras caíssem um pouco e deixei o ritmo constante no meu peito ditarem as regras por um pequeno momento. Eu tive medo que ela não tivesse ouvido o tímido e inseguro 'sim' que saiu dos meus lábios e que eu tivesse que repetir aquilo de novo, mas seus braços se fechando ao meu redor mais uma vez, me puxando contra seu corpo pequeno e magro, foi o suficiente para saber que nós tínhamos chegado a um acordo.
-Eu te amo, Bella. Deus, eu te amo tanto, tanto. – ela murmurou, repetindo uma e outra vez enquanto beijava repetidamente o topo da minha cabeça.
De repente, eu tive aquela sensação de que, mesmo sem saber como, eu tinha feito algo ótimo. E, ao mesmo tempo, dado um grande passo em direção ao que eu supus que só poderia ser um lugar feliz.
Eu abracei Phil e Renée mais uma vez, antes de subir no ônibus, e, pela janela, observei o modo como eles se abraçavam e ele a consolava, enquanto partíamos. Eu suspirei, observando a expressão neutra de Charlie, lendo uma revista de esportes, ao meu lado, e sorri diante de sua capacidade de agir como se nada importante tivesse acabado de acontecer. Quando nosso ônibus finalmente fez uma curva, e a rodoviária ficou pra trás, eu pesquei o celular no bolso da minha mochila, e digitei uma rápida mensagem para Edward, dizendo que tínhamos acabado de deixar a rodoviária. Alguns minutos depois, ele me respondeu brevemente, dizendo que esperava que eu fizesse uma viagem fácil e rápida, e eu sorri, desejando o mesmo, mas principalmente que o final de semana chegasse depressa.
Me detive por um momento, olhando a nova imagem do papel de parede do meu celular, e observando o sorriso preguiçoso de Edward. Eu não sabia se era apenas porque eu realmente desejava aquilo, ou se, de alguma maneira, eu tinha certeza de que as coisas podiam mudar, se eu quisesse - mas, mais uma vez, eu tive a sensação de que estava indo para um lugar feliz.
Tudo parecia bem.
N/A: Depois de meses sem atualização, eis que o remorso bateu mais alto e eu terminei o que provavelmente é o capitulo mais longo da fanfic em tempo record.
SE VOCÊ NÃO GOSTA DE LER O 'MIMIMI' COM TODA A DESCULPA DOS AUTORES, PULE ESSA NOTA.
Eu não faço a menor ideia de como começar a me desculpar pelo atraso. Eu não esqueci dessa fanfic, nem de outros projetos que eu comecei a escrever há algum tempo, mas eu não tinha inspiração nenhuma pra escrever. É isso. Eu abria os arquivos, ficava olhando pra eles, tentava espremer meu cérebro e não saía nada. Podem me culpar e esculhambar a vontade se quiserem. É tudo o que eu tenho a dizer pra vocês: mil desculpas. Mesmo.
Eu acabei de terminar esse capitulo (dei uma revisada bem por cima, então me perdoem os possíveis milhares de erros que vocês encontrarem ao longo da história) e corri pra postar. Eu agradeço muito o carinho de vocês. De verdade. Eu ja disse e repito: se eu ainda não desisti dessa história foi por vocês. Vocês tem todo o meu amor.
Eu gostei muito de escrever esse capitulo, porque foi como se eu tivesse acabado de libertar a Bellinha de uma tortura sem fim e agora ela finalmente está mais leve pra seguir com sua vida. Como ela disse, não vai ser fácil perdoar sua mãe, mas as coisas vão ficar MUITO mais fáceis.
Já comecei o próximo capitulo (que eu achei que ja tinha escrito, como esse, mas não tinha) e já tenho uma boa idéia do que eu vou querer fazer daqui pra frente, então provavelmente eu não vou mais demorar meses pra atualizar \\o/
Nem sei se ainda tem gente disposta a ler isso aqui, mas, por favor, se alguém ainda estiver disposto a saber como essa história termina, me mande um 'olá!'. Vocês querem que eu continue? Ainda tem gente interessada na história? Preciso de opiniões sobre o enredo e sobre o que vocês esperam que aconteça.
Ah, não esqueci dos extras, ok?
Mil beijos estalados! E muitíssimo obrigada a todos que comentaram no capitulo anterior e a todos que favoritaram a fic. Sintam-se mordidos e abraçados!
Sam.
