JESSICA – PDV
Fui do 220 à 0 em pouco tempo. Sara que em pouco tempo saiu de uma declaração de amor para um "Oh, não sei... acho que sim". Eu fiquei completamente confusa. Eu a amava e ela disse sentir o mesmo, eu não queria que ela fosse embora e nem ela queria ir, e ai agora isso.
Depois que ela saiu, voltei pra sala e me deitei no sofá e comecei a pensar em tudo tentando achar alguma explicação lógica para mudança repentina de humor dela. Sem perceber devo ter pegado no sono, por que acordei um tempo depois com o tocar desenfreado da campainha. Pela pouca claridade que entrava pela janela, eu imaginei que já devia ser umas 17:00 horas. Vou até a porta e me deparo com minha amiga completamente esbaforida.
- Como é que eu recebo uma notificação no meu e-mail em que minha melhor está em uma situação um pouco sugestiva e eu não sei disso? – pergunta a mulher já passando pela porta sem me cumprimentar direito.
- Oi pra você também Sasha. – debocho fechando a porta e seguindo-a até a sala.
- Nada de "oi", você pode me explicar o que é isso? – ela pergunta e me mostra seu celular. Eu estranho, mas pego o aparelho tentando saber do que se tratava.
- Ah, é isso? – digo depois de ver do que se tratava.
- Você me fala isso assim? Com essa calma toda? Desde quando você gosta de ser o assunto dos tabloides e dos blogs de fofoca? – ela me metralha com suas perguntas.
- Fica tranquila ok? Eu já sabia que isso aconteceria. – digo simplesmente me jogando de volta no sofá. – E não me pergunte mais nada porque não posso falar. – digo enfática.
- Como é que é? Jessica, tem uma foto sua com a Sara em um momento um tanto quanto delicado e você me vem com essa calma toda me dizendo que está tudo bem? – ela continua os questionamentos me encarando em pé a minha frente.
- Se bem te conheço, se eu não te der uma explicação você não vai parar não é? – pergunto me sentando novamente no sofá.
- Com certeza. – responde ela firmemente.
- Ok, então sente-se aqui e me escute com atenção. E principalmente, NÃO CONTE NADA PRA NINGUÉM. – peço firmemente e lhe indico a mesa de centro para se sentar.
Comecei a contar a ela tudo desde o começo. Sara chegar debaixo de chuva, ela se trocar e me contar sobre a deportação. A nova noite de amor que tivemos, poupando apenas alguns detalhes que não eram necessários. Sobre a pequena discussão na cozinha e eu ter saído na chuva e ter quase morrido.
- Por que você não me ligou? Por que ela não me ligou? – ela pergunta preocupada.
- Bom, eu não poderia ligar já que estava totalmente apagada. – digo em tom zombeteiro. – E ela não deve ter ligado por não ter pensado nisso, pelo que o médico falou, se ela não tivesse sido rápida, o pior teria acontecido. Acho que nem minha mãe deve ter ficado sabendo. – finalizo.
- Ela pode não ter ficado sabendo disso, mas com certeza vai ver essa foto de vocês, que aliás você ainda não me explicou. – ela diz.
Retomei as explicações e contei como tudo até ali havia sido mal explicado entre ela e eu. E por ela ter aberto o jogo sobre seus sentimentos por mim. Quando finalmente comecei a explicar a ela o qual meu envolvimento naquela foto, pedi ainda mais explicitamente para que ela não contasse nada a ninguém, caso contrário, tudo poderia ir por água a baixo.
- Devo concordar com Mike, finalmente vocês enxergaram as coisas. – diz ela me dando um sorriso amigo. – E apesar de achar muito louco essa coisa toda de você se arriscar nisso tudo, eu te dou meu total apoio e me ofereço para ajudar no que for necessário para fazer esse casamento parecer ainda mais real. – ela completa entusiasmada.
- Eu sei Sáh, por isso resolvi te contar, sabia que você iria entender. – digo tentando dar um riso sincero.
- Mas você não me parece muito bem. – ela afirma me encarando. – Quero dizer, vocês finalmente se entenderam e mesmo não sendo da melhor maneira, vocês vão se casar e poder viver esse amor. – ela explica.
- Pois é, eu também pensava a mesma coisa, mas a Sara... – hesito por um instante e ela acena para que eu prosseguisse. – Ela não parece muito entusiasmada com a ideia, não sei, só esperava outra reação dela.
- Esperava que ela saísse por ai pulando saltitante gritando aos quatro ventos que se casaria? – pergunta num tom irônico. – Jessica, você é daquele tipo de pessoa que vive animada e feliz com tudo e isso é bom, mas às vezes essa sua super dose de energia é meio chata. – ela explica e eu a encaro com um olhar incrédulo.
- Não sou assim. – digo tentando parecer convincente e ela me dá um olhar provocante. – Ok, talvez um pouquinho. – digo.
- Você é completamente assim. – ela diz soltando uma gargalhada divertida. – Mas você já parou pra pensar que é coisa demais pra ela ter que absorver? Num momento ela está em festa com o lançamento de um novo trabalho e no outro ela está sendo ameaçada de deportação e pra evitar isso vai se casar com uma mulher que ela nem sabia que amava. – ela completa num só fôlego.
As palavras da Sasha me fizeram pensar em como a latina talvez estivesse se sentindo. Ela me ama, só não queria ter que se casar ainda. Não assim. Eu conhecia a Sara e sabia o quanto ela gostava das coisas claras, do quanto presava pela verdade em tudo na sua vida e de certa forma, esse casamento, que é um passo importante na vida de qualquer um, era uma mentira.
- Você está bem? – pergunta Sasha ao perceber meu transe.
- Estou sim, só estava pensando no que você me disse e você está certa. – digo depositando minhas mãos sobre as dela.
- Nesse momento você precisa desacelerar esse seu frisson e ser a segurança dela Jes, ela precisa disso agora. – ela diz calmamente.
- Lembra quando te falei aquela vez em que conversamos sobre o Chris e eu disse que faltava algo? – pergunto e ela acena em sinal de afirmativo. – Pois é, o que faltava era Sara. Eu não lembrava disso até ter passado a noite com ela no dia da festa. Não posso perde-la Sáh. – sinto as lágrimas começarem a brotar no canto dos olhos.
- Eu sei querida. – diz ela vindo sentar-se ao meu lado no sofá. – E vai dar tudo certo, vocês vão casar, começar a história de vocês, ela não será deportada e ficarão juntas como já deveriam estar. – ela diz abraçando a lateral do meu corpo.
- Obrigada. – agradeço sincera. – E por favor, não conte mesmo nada a ninguém sobre a deportação. – peço preocupada.
- Ei, fica calma ok. Não vou falar nada. – ela diz olhando nos meus olhos e eu pude sentir a sinceridade de suas palavras. – Mas todos sabem como somos amigas, vão me perguntar sobre vocês. – ela explica
- Droga, isso é verdade. – fico pensando por um momento. – Já sei, mais tarde depois das gravações acho que vamos ao escritório do Mike saber o que precisaremos fazer, você virá comigo. – digo a ela.
- Por mim tudo bem. Tenho que ir gravar agora também, mas estarei livre lá pelas 20:30, ai posso ir te buscar e irmos juntas, pode ser? – ela pergunta.
- Tudo bem. – confirmo. – Você me espera? Preciso de um banho antes de sair. – digo já me levantando do sofá.
- Desculpe querida, mas já está em cima da minha hora. Te encontro mais tarde, ok? – ela pede me dando um abraço amigo.
- Certo então, até mais. – digo acompanhando-a até a porta. – Se cuida.
Entro no banheiro e deixo que a água quente deslize pelo meu corpo me relaxando. Minha cabeça dava voltas e voltas. Sasha tinha razão, foram coisas demais pra um curto espaço de horas. Eu mesma me sentia meio atordoada as vezes com tanta coisa que aconteceu.
Tento afastar todos os pensamentos e me entregar totalmente ao banho. Me perco naquela sensação não sei por quanto tempo. Saio do banho e sigo pro quarto para me vestir. Escolho uma roupa casual pra vestir. Um jeans claro, com botas de cano médio pretas, uma blusa de manga curta com estampa discreta, um cardigã azul escuro e uma echarpe de algodão num tom neutro. Arrumo minhas coisas na minha bolsa e saio do quarto indo em direção à saída.
Assim que chego ao estacionamento percebo que Sara havia deixado seu carro ao lado da minha vaga. O que eu estranho de imediato, já que vaga dela não era tão próxima a minha e estava desocupada. Desço e vou em direção ao meu trailer para começar a me preparar.
- Ei, você está aqui. – cumprimento assim que entro e encontro a latina me esperando. - Aconteceu alguma coisa? – pergunto preocupada diante do semblante dela.
- Na verdade não. – responde ela se aproximando de mim e selando nossos lábios. Apesar da surpresa com a atitude da morena não demoro em retribuir e logo começo a acariciar seu lábio superior com minha língua pedindo passagem para tornar mais intenso o contato.
De imediato ela permite que eu avance ainda mais e ao sentir o contato de nossas línguas um gemido de aprovação e prazer sai da boca da latina o que me faz sentir um calor diferente por todo meu corpo. Eu aproximo ainda mais nossos corpos, puxando-a pela cintura e pela nuca. Ela faz o mesmo, me prendendo ainda mais em seus braços.
Sem pensar em mais nada apenas começo a nos guiar pelo trailer em direção a uma pequena cama que havia ali. Caminhamos atrapalhadas e esbarrando em algumas coisas. Sinto as mãos da latina começarem a tocar a bainha da minha blusa, tentando algum contato maior com minha pele. Meu corpo se arrepia ainda mais.
Ela estava de vestido o que facilitava muito as coisas pra mim, sem qualquer aviso prévio giro nossos corpos no ar deixando com que ela ficasse entre mim e a lateral da cama. Nosso beijo estava ainda mais intenso e apaixonado. Nossas línguas se entrelaçavam mais e mais. Seguro seu quadril com firmeza e separo nossos lábios, percebo ela estranhar a separação, mas sem dar tempo para que ela dissesse algo a empurro contra cama e me deito sobre ela.
O cheiro do seu perfume já me era tão familiar que só em senti-lo meu corpo respondia. Sua pele suave e reluzente, me deixavam ainda mais louca de tesão. SARA É MUITO GOSTOSA, geme meu cérebro. Volto a unir nossos lábios e deslizar minhas mãos sobre seu corpo. As mãos dela tocavam o meu corpo reconhecendo cada parte como sua.
Desço minha mão direita até sua coxa esquerda na tentativa de levantar seu vestido, mas sinto algo me barrar. Interrompo nosso beijo tentando entender o que houve. Meus olhos se deparam com um castanho-chocolate tão intenso que sinto como se um raio atravessasse meu corpo.
- Está tudo bem? – pergunto curiosa. Ela me dá seu melhor sorriso e levanta um pouco sua cabeça para que pudesse depositar um beijo nos meus lábios.
- Hunrum. – responde ela simplesmente ainda me encarando.
- Então, por que você segurou minha mão? – pergunto ainda hipnotizada por seus olhos que demonstravam muito luxuria.
- Porque gosto de te provocar. – ela diz arqueando uma das sobrancelhas e me lançando um sorriso travesso. Não resisto e volto a lhe beijar. Um beijo calmo e apaixonado. – Mas também porque acho que aqui não é o melhor lugar para fazermos isso. – completa ela depositando selinhos pelo meu queixo.
- Você nunca ouviu falar em correr riscos? – pergunto lançando um olhar provocador. – Você não sabe o que está perdendo, acredite em mim. – digo mantendo o olhar de insinuação.
- Ah, então você já andou correndo riscos por ai Jessica? – pergunta ela curiosa. – Hunrum, e foi muito bom. Foi no banheiro de uma festa que estava... – começo a contar, mas ela me interrompe.
- Preciso ir. – ela diz tentando se levantar, mas eu não permito prendendo seu corpo ainda mais contra a cama.
– Ei, o que foi? – pergunto tentando entender a reação dela.
- Nada. – diz ela tentando parecer natural. – Só não estou mais afim dessa conversa. Não resisto e começo a sorrir.
- Você está com ciúmes Sara Ramirez? – pergunto provocando-a.
- Eu? Com ciúmes? Me poupe Jessica. – diz ela séria e levemente irritada.
- Está sim. – respondo rindo ainda mais. Percebo que ela estava realmente incomodada e resolvo parar de provocar. – Ei... - chamo-a tentando fazê-la voltar a olhar pra mim.
- O que? – responde secamente.
- Me desculpe, não queria te deixar com ciúmes ou zombar de você. – digo sincera.
- Já falei Jessica, não estou com ciúmes. – ela responde mantendo o tom.
- Tudo bem, mesmo assim me desculpe. – completo depositando o beijo leve em seu queixo. – Só quero que você saiba, que tudo é passado. Meu mundo agora é você, sempre foi e eu não tinha me dado conta disso. Eu. Te. Amo. – finalizo selando nossos lábios. De inicio ela não responde, mas acaba cedendo ao beijo.
- Ok, eu estava com ciúmes. – ela diz com um riso envergonhado. – É bom que você saiba logo disso antes de casarmos, eu sou ciumenta. – ela afirma. – E só de pensar que outras pessoas te tocaram, isso me dá muita raiva.
- Mas você não precisa, eu sou sua. – respondo. Me aconchego em seu corpo e ela me abraça. – Sara... o que aconteceu com você hoje? Você mudou. – digo a ela.
- Me desculpe. – pede ela. – Vim aqui conversar com você sobre isso. – Ela diz calmamente.
