Capítulo 1

Depois de ser brevemente interpelada, Isabella apressou o passo a fim de se aprontar para Edward. Fez Alice escovar seus cabelos até os cachos brilharem como os raios de sol de uma manhã primaveril. Vestiu com cuidado uma roupa de baixo de fino linho, pensando ao passar o traje delicado pela cabeça que Edward provavelmente o reduziria a trapos quando a despisse. Não importava, decidiu serena. Queria ter a melhor aparência possível, e aquela roupa era uma de suas melhores. Valeria a pena usá-la ainda que fosse arruinada.

Sua face ficou corada pela excitação, e seus olhos brilhavam à luz do fogo que haviam acabado de acender na lareira. Alice cantarolava baixinho e ria, mas Isabella recusava-se a sentir qualquer embaraço. Tratava-se apenas da velha ama brincando com ela, e não podia pensar em nada mais além da excitação provocada pela iminente chegada do marido. Dispensou Alice e sentou-se confortavelmente em uma grande poltrona enquanto o aguardava.

As horas passaram. As brasas brilhavam e Isabella permanecia sentada desanimada, fitando o fogo extinto.

Alice abriu a porta com cuidado, entrou no quarto e veio para junto dela.

— O barão continua junto com seus homens — murmurou.

— É a guerra — Isabella comentou secamente, a voz não mostrando a menor convicção nas próprias palavras. — Não me cabe esperar que ele venha me procurar quando assuntos tão vitais estão à sua frente. Naturalmente, está muito ocupado com esse problema nauseante provocado por lorde Laurent.

— Você pronuncia as palavras, criança, mas seu coração não acredita.

Isabella fechou os olhos. A excitação deu lugar à exaustão.

— Será a batalha? Se não fosse isso, ele viria para mim? — Ela fitou a ama. — Acha que ele me quer, de verdade?

— Com certeza demonstrou que sim — Alice a tranqüilizou. Isabella corou um pouco ante o significado daquelas palavras.

— Mas ele é meu lorde e marido — protestou, teimosa. — É seu dever.

— Dever! Foi como ele fez? — interrogou a ama.

— Não — admtiu Isabella, ruborizando ante a lembrança. — Entretanto, como posso ter certeza de que tudo não fez parte daquele jogo terrível em que estávamos envolvidos? Como posso saber se a gentileza foi real, que meus sentimentos eram correspondidos por ele?

— Ora, criança, você não tem mais esse tipo de dúvida.

— Ele nunca declarou o que sentia em seu coração, nunca me falou sobre seus sentimentos. É um homem perseguido por demônios. Talvez eles sejam mais fortes do que qualquer preocupação comigo. Sim, duvido muitíssimo. Nunca tenho certeza quando se trata de meu marido, pois há tanto que desconheço.

Alice demorou para replicar.

— É claro que não sabe, minha querida. Ninguém jamais pode afirmar o que há no coração de outrem. Deve acreditar.

— Não sei em que acreditar. — Isabella suspirou.

— Não, criança — confortou a ama, sorrindo. — O que se passa é que tem medo de acreditar. — Afastou um cacho brilhante da testa jovem e inclinou-se para dar-lhe um beijo de boa-noite.

Isabella não compreendeu de imediato as palavras da ama mas estava demasiado cansada para refletir. Fechou os olhos, ansiando pelo esquecimento curador do sono.

Antes porém de adormecer, as palavras de Alice ecoaram em seu cérebro. Acreditar.

Se ousasse acreditar, então onde estaria ele aquela noite?

Edward dormitava a um canto do estábulo enquanto esperava por seu cavalo. Sonhava com cachos castanhos caindo sedutoramente em madeixas soltas. Sonhava com lábios rosados, macios e luxuriantes, levemente entreabertos e prontos para seu beijo. No sono, viu-a emergir nua de um lago de águas brilhantes, claras e do mesmo verde-esmeralda de seus olhos. Movia-se com graça provocante. Seus braços se estendiam para alcançá-lo, e ele estava na margem do lago, ansioso para reunir-se a ela, mas não conseguia mover-se. Só podia observá-la, Isabella, sua esposa, acenando para ele.

Despertou com a voz de Jacob a chamá-lo. Resmungando uma resposta em voz sonolenta, surpreendeu-se com a dor em seu corpo. Lembrou-se da cama confortável ali perto, com Isabella, sempre macia e quente, encantadoramente aninhada. Seu mau humor se acentuou ainda mais.

— Bom, está acordado. Não foi um sono muito repousante, não é? Pelo seu modo de olhar, deve estar cheio de espinhos naquele monte de feno.

— Onde está Jasper? — Edward gruniu, passando as mãos pelos cabelos.

— Ele e Emmet foram fazer o reconhecimento da floresta para Thalsbury. Devem voltar à tarde.

Edward anuiu. Sentiu alívio por saber que Jasper estava longe do castelo. E de Isabella. Precisaria tomar cuidado para sempre saber onde estava o cavaleiro.

Deixando de lado as preocupações ele se levantou.

— Muito bem. Vamos tratar dos suprimentos. Quero o arsenal aberto e as armas entregues aos soldados desmontados. Que os homens montados façam as preparações de última hora para seus cavalos e armaduras. Então ficaremos prontos. Quando Jasper retornar com Emmet, mande um deles vir me apresentar seu relatório e depois nos encontraremos para finalizar os derradeiros detalhes de nosso plano. Se tudo correr bem, ficaremos prontos para partir amanhã.

— E quanto às máquinas, vamos levá-las? — interrogou Jacob.

Edward refletiu por um breve momento.

— Não. A estrada para o norte ainda está demasiado traiçoeira devido à lama e o peso em excesso poderia fazê-las atolar. Além disso, não precisaremos delas.

Diante da expressão de dúvida de Jacob, Edward explicou.

— Laurent imagina que atacaremos pelo lado mais fraco, e ele sabe que conheço a localização do portão secreto próximo aos rochedos, junto ao rio. No entanto, do lado leste da muralha há uma torre. A floresta termina bem ali perto. E um lugar que conheço bem desde menino. Costumava me esgueirar para dentro e para fora do castelo à noite até meu pai descobrir e mandar cortar um trecho da floresta. Mas a linha das árvores ainda fica perto o suficiente. Poderemos mandar alguns homens se esgueirarem entre os galhos e abrirem uma passagem para a torre. Um sorriso começou a se abrir no rosto de Jacob.

— Mandá-los por cima da muralha e lançar um ataque do lado de dentro? Que sorte você ter sido uma criança incorrigível.

— Fui bem-sucedido apenas por um curto tempo — Edward disse, lembrando-se de quando um dia retornara de madrugada e encontrara o pai à sua espera.

Carlisle jamais precisara inspirar medo no filho, o grande respeito de Edward pelo pai havia sido suficiente para garantir sua obediência. Aquela noite fora a única vez que seu pai lançou a mão sobre ele e mesmo assim sem grande convicção. Ao se lembrar, Edward sentiu afeto inundar seu coração. Era estranho a dor não existir mais, embora ele ainda sentisse muito a falta do pai.

— Conduzirei o grupo até lá — continuou. — Jasper e Emmet ficarão na parte inferior para garantir a retaguarda, caso sejamos emboscados. Enquanto isso, você espera com o resto do exército junto ao portão no qual imaginam que iniciaremos o ataque. Quando estivermos dentro das muralhas de Thalsbury, levarei os homens para lá e atacaremos as forças deles de ambos os lados.

Jacob deu um suspiro de alívio, acompanhado de uma risada contagiante.

— É um belo plano, de longe é o melhor. Reunirei os homens e explicarei tudo a eles.

— Chame-me quando Jasper e Emmet voltarem. Poderemos então acertar os detalhes.

Os dois homens se entreolharam, um louro, outro moreno. Ambos fortes e de porte atlético, embora o claro fosse mais avantajado que seu companheiro. Já haviam passado por situações igualmente complexas, envolvidos pela excitação da luta iminente. Edward sentia a emoção se avolumar, o sangue ferver nas veias ante o desafio.

Mas daquela vez seria diferente, pois não queria apenas dar vazão a seu ódio mas sim derrotar rapidamente o inimigo. Tinha outros assuntos em sua mente.

A-Viking. — Jacob sorriu. Era uma brincadeira entre eles, o antigo grito nórdico que seus camaradas dinamarqueses costumavam bradar para se envolver com fúria na batalha. Para os dois homens, era uma lembrança de que eram guerreiros, um chamado para trazer o instinto selvagem do homem na batalha.

A-Viking — concordou Edward.

Separaram-se. Começava a amanhecer. Edward encaminhou-se para seu quarto.

Como acontece com as preocupações, após uma noite o ciúme de Edward haviam diminuído. Veria Isabella outra vez antes de partir.

Subiu a escada em silêncio, passando com cuidado ao lado dos servos cobertos por lençóis no chão. O guarda que havia mandado ficar ao lado da porta do quarto estava acordado e Edward acenou para ele, satisfeito. Não deixara mais nada à sorte desde o recente quase-seqüestro de Isabella. Abriu a porta lentamente.

Ela estava aninhada junto ao fogo na grande cadeira de que ele gostava. Parou por um momento para admirar o rosto em repouso. Era tão incrivelmente bela que seu coração quase parou de bater. Os cílios longos contrastavam com o corado da face e os cabelos caíam em cascata em seus ombros, cobrindo-a como um xale de ébano.

Aproximando-se, sua sombra cobriu-lhe a face. Isabella abriu os olhos e o fitou.

Por um momento nenhum dos dois se moveu. Então, Edward se inclinou e aproximou seus lábios dos dela. Ela se voltou e ofereceu seu rosto para o beijo. Saboreando a doce visão, ficou parado.

Um ruído às suas costas o fez endireitar-se de repente, sentindo dores na região lombar devido à noite passada no chão dos estábulos.

— Ah, milorde! — a criada exclamou. — Eu... eu não sabia... de manhã eu pensei...

Isabella estava atrás dele indiferente ao fato de estar com uma roupa provocante. O tecido fino da camisola deixava entrever seus seios, revelando curvas generosas e mamilos firmes e rosados. Edward sentia a testa latejar.

— Está tudo bem, Angela. Milorde acaba de chegar — ela pronunciou em tom suave. E voltou-se para Edward, a imagem da esposa solícita. — Deseja um banho, marido? Posso mandar preparar-lhe.

Ele afirmou com um gesto de cabeça virou-se, consciente do efeito pronunciado da esposa sobre seu corpo e que devia ser aparente a um olhar casual.

Isabella vestiu rapidamente seu pegnoir e mandou a criada preparar o banho. Observou-o com timidez enquanto ele despia o traje empoeirado revelando vagarosamente seu corpo. Sentiu o calor inflamá-la, queimando-a e acelerando seu pulso. Ao ser surpreendida como se fosse uma criança travessa, subindo em uma árvore, desviou o olhar, enrubescendo de imediato.

Homens entraram com a banheira e depois a encheram com baldes de água fumegante. Angela acenou para se retirarem antes de sair ela também.

— Está com fome, milorde? — indagou Isabella. Edward havia despido quase toda a roupa. Ela não conseguia raciocinar claramente diante da nudez próxima do corpo do marido.

— Sim — ele confirmou, queimando-a com o olhar. — Mande um dos criados trazer uma bandeja para cá. Quero que me ajude em meu banho.

Ela sentiu ao mesmo tempo excitação e ressentimento pelo que ouvira. Sempre o senhor.

— Sim — concordou, submissa, voltando-se para atender às instruções.

Encontrou um rapazinho no salão e confiou-lhe a ordem de Edward. Quando retornou ao quarto, ele estava já na banheira, com a cabeça reclinada para trás, os olhos fechados. Não fez movimento algum quando ela entrou. Parecia adormecido.

Com os olhos semicerrados, ele a perscrutou.

— Estou esperando, esposa.

Avizinhando-se ao lado da banheira, Isabella se ajoelhou tomou entre as mãos o sabonete. Ele estava atento a cada movimento, como um gato que parece relaxado exceto pela excitação que o faz mover o rabo.

Esfregando as mãos juntas, ela fez espuma e as colocou sobre o peito másculo. Com vagar, deslizando a mão, ela explorou com os dedos os músculos dos braços, depois o estômago acima da linha d'água. Distraidamente, recomeçou a carícia de espuma sobre o peito, saboreando a sensação da firmeza sob a pele aquecida.

— Acho que essa área está bem limpa, senhora — ele pronunciou suave.

Ela corou, fitando-lhe o rosto, de olhos arregalados agora, a observá-la.

Ela enxaguou as mãos, para depois jogar água em Edward.

— Se se sentar poderei esfregar-lhe as costas — recomendou, enquanto repetia os movimentos.

Uma das mãos calejadas emergiu da água e tocou-lhe a face. Presa ao olhar dele, ficou paralisada enquanto ele se movia devagar em sua direção, a pressão aumentando ainda mais. Isabella fechou os olhos, sentindo a respiração contra seus lábios. De repente, ouviu-se um ruído forte às suas costas, que a fez sobressaltar.

A porta foi aberta e diversos pajens entraram carregando água quente. Angela era a última a entrar.

— Desculpe-me, milorde, mas achei que talvez a água já tivesse esfriado.

— Não esfriou — Edward murmurou, afundando o corpo.

Um pouco preocupada que o marido pudesse se zangar com a intrusa inocente, Isabella apressou-se em agradecer e deu-lhe ordem para sair, garantindo que tudo estava bem. Resolvida a ser útil, a jovem criada fez sua senhora prometer que chamaria imediatamente se ela ou o senhor precisassem de algo. Isabella assim o fez e fechou a porta com um suspiro de alívio.

— Basta! — Edward exclamou, saindo da banheira.

A água escorria profusamente por seu magnífico corpo. A pele brilhava à luz matinal. Isabella tentou apanhar uma toalha de linho, mas ele estendeu um braço e outra vez ela se viu contra ele. Os lábios de Edward estavam próximos ao seu ouvido.

— Tranque aquela porta, esposa — sussurrou. Ele a soltou abrupto, apressando-a a obedecer.

Com a tranca no lugar, voltou-se outra vez a seus afazeres. Ele havia apanhado a toalha e estava se secando depressa. Seus olhos a fitavam. Ela sentiu uma convulsão no estômago, vivaz e exigente ao mesmo tempo.

— Venha — Edward ordenou em voz rouca.

Isabella obedeceu logo, envolvendo-lhe o pescoço com os braços. Seus lábios encontraram os dele e ela não se intimidou ao abrir a boca para a língua exploradora. Ardia em brasa, em um estado de desejo quase desesperado, indiferente a qualquer regra. Ele a desejava. A dureza de sua masculinidade comprimia-se acaloradamente contra o quadril arredondado, enquanto era novamente enlaçada, ajustando-se com perfeição ao peito musculoso.

Passou as mãos pelos cabelos em cachos, cobriu-lhe a boca de beijos, os olhos, o ouvido, mordiscando o lóbulo com seus dentes fortes. Ela estremeceu violentamente com o prazer que a dilacerava, sussurrando seu nome e ele repetia o dela. Começou a repetir o nome da esposa sem cessar, como uma oração ao se ajoelhar à sua frente, desatando suas vestes com impaciência até Isabella ficar nua como ele.

Edward admirou os seios perfeitos, segurou-os com as mãos e acariciou-os, possessivo. Eram tão perfeitos, com os mamilos avermelhados como amoras e que se endureciam sob seu olhar. Com um gemido, ergueu-a do chão e carregou-a para o leito. Deitando-a, deteve-se um momento para fitá-la, sua esposa, seu prêmio, mais do que tudo ela era simplesmente Isabella e ele a desejava com uma ferocidade que não podia ser contida.

Um som alto fez-se ouvir na porta novamente, atingindo seus sentidos entorpecidos. Edward ergueu a cabeça.

— Quem é? — rugiu.

— Edward, é Jacob.

Isabella se moveu como se pretendesse levantar-se. Edward a impediu com seu braço.

— Vá embora! — ele gritou rouco. Voltou-se para a mulher amada, mordiscando a pele macia. Isabella gemeu nervosamente e só voltou a relaxar quando não se ouviu mais som algum do viking.

— E agora, minha esposa, não há viva alma para salvá-la — resmungou Edward.

Isabella suspirou, envolvendo o pescoço do marido com seus braços.

— E se eu não desejar ser salva? — perguntou sem fôlego, sentindo a mão fechada sobre o mamilo intumescido. Gemendo, levou as mãos à cabeça do marido e passou os dedos pelos cabelos. Respirava cada vez com mais dificuldade.

Uma vez mais, Edward moveu-se sobre ela, deslizando dentro dela com movimento suave. Ela gemia baixinho ao acompanhar o ritmo das investidas profundas. Ele a penetrou inúmeras vezes enquanto um som primitivo, gutural, saía involuntariamente de sua garganta pelo puro êxtase físico de sua união. As sensações os arrastaram para a conclusão inevitável, uma explosão física que culminou em um clímax brilhante, luminoso, que a deixou tremendo, débil, fraca, mas ainda não inteiramente saciada.

Incansavelmente, Edward acariciou-lhe a pele macia. Se tivesse tempo, exploraria, elevaria a tensão até ela ficar pronta para ser outra vez tomada. Queria tocar cada centímetro dela, saboreá-la, sentir a textura das diferentes partes de seu corpo.

Mas ele se lembrava dos deveres que o aguardavam e sabia que hoje nada mais seria possível.

— Preciso ir — ele murmurou. Virou a cabeça para fitá-la. Isabella mantinha a cabeça de lado, os cabelos cobriam-lhe o rosto. Gentilmente, ergueu-lhe o queixo com a ponta do dedo e confrontou-se com o glorioso olhar esmeralda. — Preciso ir tratar de uma batalha. — Ele tentou sorrir, mas sem sucesso.

Segundos depois, que pareceram uma eternidade, ela anuiu. Com relutância, Edward rolou para longe dela e começou a se vestir.


Nosso guerreiro partindo novamente.

Resposta de Review

Lorena

O ciúme não estraga não, pode ficar tranquila! xD

Beijos

Tatianne Beward