Ando pela casa de um lado para o outro tentando tomar um pouco de ar.
Não ando me sentindo muito bem ultimamente. Acho que foi alguma coisa que comi.
Só pode ter sido aquele quindim que Molly fez hoje à tarde. Não deveria ter comido aquilo. Estou bastante enjoada.
Lene me segue por todos os lados impaciente. Ela bufa e resmunga várias coisas, está assim desde que apareceu por aqui com um monte de malas. Não entendo essas malas...
Talvez eu devesse me preocupar com isso.
Sinceramente, não estou prestando atenção no que ela diz. Estou concentrada demais em parar de passar mal.
- Lily! – Lene guincha atrás de mim. – Eu quero ir ver o Sirius! Você ouviu o que eu falei?
Ah claro, ela quer ver o Sirius. Mas precisava trazer toda essa tralha?
Ele estava muito estranho hoje, até chorou. Coitadinho. Estava com um pouco de febre e dor de cabeça. É uma judiação ver Sirius assim. Fiquei tão nervosa com isso que devorei o quindim de Molly em questão de segundos.
Ah se eu pudesse voltar no tempo! Não teria comido aquele quindim tão depressa!
- Lene, você não vê que eu não estou me sentindo bem? Vá lá sozinha! Você sabe onde é!
- Não quero ir sozinha! – Lene puxa meu braço com força. - Eu exijo que você vá comigo!
Eu simplesmente detesto quando essa garota fala comigo como seu fosse um dos servos dela. Se ela pensa que estou aqui para fazer tudo o que ela quer está enganada!
Nem penso em disfarçar minha insatisfação com o comportamento infantil e mimado dela. Isso (e minha cara de doente) faz com que a garota abaixe um pouco a bola.
- Não, quer dizer – Ela faz cara de cachorro molhado para mim. – Por favor, lils. Cinco minutinhos!
Ela não vai me deixar em paz até que eu vá com ela até o mar da podridão. Por isso acabo cedendo.
Me arrependo completamente no instante em que coloco os pés naquele lugar. Que cheiro horrível! Parece uma mistura de meias usadas, toalha mofada, batatas fritas e papel, tudo em uma coisa só. Está me dando até tontura.
Estranho, sempre entro aqui e nunca tinha sentido esse cheiro assim tão forte. Parece que grudou no meu nariz.
Não podemos acender a luz, já que estamos entrando clandestinamente na casa dos meninos. A pouca iluminação da sala nojenta, bagunçada e fedida da casa vem dos postes de luz na rua sem saída onde moramos.
Lene é uma curiosa enxerida e fica mexendo nas coisas espalhadas pela sala dos meninos. Sem enxergar direito, ela esbarra em algo que se espatifa no chão.
Ótimo, Lene! Meus parabéns.
Não satisfeita ela resolve mexer na pilha de livros em cima de uma das milhões de escrivaninhas daqui e quase derruba tudo.
- Cuidado... – eu seguro algumas das coisas da pilha impedindo Lene de acordar a casa toda. - Cuidado com isso!
Ela finge que nada aconteceu e simplesmente pega um dos livros e dá uma olhada.
- Nossa, que livro é esse?
Meu Deus! Eu só quero ir embora desse lugar! Esse cheiro está me deixando maluca! Vou desmaiar!
- Deve ser um dos livros que ele está escrevendo, eu acho. – respondo de qualquer jeito. - olha, vamos embora, eu não estou me sentindo muito bem. Esse lugar tem um cheiro horrível, me deixa enjoada.
A Patriarca, obviamente, não se importa nem um pouco com minha situação.
Se eu vomitar, vou vomitar tudo em cima dela. Aí quero ver o que ela vai falar.
- A Fênix Fogosa? Do que isso fala?
Eu estou passando mal! Não estou nem aí para essa porcaria de livro. Só quero ir logo embora.
- Não sei... Vamos embora daqui! Lene, sério, vou passar mal.
Ela me ignora novamente e começa a ler o livro em voz alta. Não sei de onde ela achou luz suficiente para conseguir enxergar as letrinhas pequenas.
- "Ele havia cuidado dela quando a viu toda ferida. E ela não podia lhe mostrar sua forma humana, então a ela só cabia vê-lo e desejá-lo sem poder tocá-lo. Quando o que ela mais queria era sentir o membro e..."
Pelo amor de Deus! Pare de enrolar e vamos logo ver Sirius para eu ir embora desse lugar. Esse cheiro está me matando.
- Pare de ler isso! Merlin!
- Ele deveria estar escrevendo a coluna social do Profeta Diário, ao invés disso fica escrevendo essas coisas? E tem desenhos! Olha...
Affe. Tudo o que eu menos precisava nesse momento era ver esse desenho horroroso e de péssimo gosto que Sirius colocou.
- Pare! Não quero ver uma coisa dessas!
- Unm... Já ouvi conversas suas com James muito mais pornográficas que esse desenho, Lily. Deixe de ser falsa santa!
- Sério? – O vulto de Sirius Black surge do nada atrás de mim. É só falar na praga que ela aparece. – Que tipo de conversa?
Lene larga o livro de qualquer jeito no chão e corre para Sirius feito uma garotinha apaixonada.
Meu estômago está praticamente chorando dentro de mim. Ele realmente não gostou do quindim de Molly. E esse cheiro. Ai que cheiro horrível.
Quando a onda de mal estar se apodera de mim não consigo nem pensar em chegar ao banheiro. Ponho tudo para fora ali mesmo, em cima do tapete fedorento da casa dos meninos.
- ECA!
É o que eu escuto antes de tudo ficar preto e eu sentir o chão se aproximar.
- Lily?
Abro os olhos e vejo me encarando bem de perto duas cabeças embaçadas.
- Ela morreu? – Lene, uma das cabeças, da um peteleco na minha testa. - Não é melhor chamar o Jamie?
Não! James não! Estou brava com ele por causa da brincadeira sem graça que ele fez hoje à tarde.
Sirius estava SUPER mal e ele diz que é manha? E depois ainda da um remédio pra ele dormir. Fiquei furiosa e disse que ele não ia dormir aqui hoje.
O dragão foi embora com o rabinho entre as pernas.
Que dó.
- Não gente! – Me levanto meio tonta e percebo que fui parar de alguma forma na minha própria casa. – Eu estou bem! Estou muito melhor agora sem o quindim dançando no meu estômago e sem aquele cheiro de meia podre da sua sala.
- Minha sala não tem cheiro de meia podre!
Sirius fica revoltado com minha opinião sobre a sala dele. Não tenho culpa se ele larga vários nojos por todos os lados!
- A sala dele não tem cheiro de nada Lily! Você que tem esse olfato estranho. Seu nariz deve estar podre!
- É isso mesmo, seu nariz é podre!
- Podrinho!
- Podrão!
- Podrento!
- Podridão!
- Prodre
- HAHAHHAHAHAHHAHA! Prodre!
Ok. Marlene se mostrou ser um pouco irritante às vezes. Já Sirius sempre foi bastante irritante. Juntos eles foram o poderoso megazorde da irritação. Quero morrer.
Os dois ficam me zoando sem nem se importar com o fato de eu estar doente. Intoxicação alimentar pode ser uma coisa grave sabe? Depois eu morro e aí eles irão chorar no meu túmulo se culpando por terem rido de mim.
Estou ficando super emburrada quando do nada o clima muda...
Os dois malucos param de rir da minha cara e começam a rir um para o outro, feito dois pombinhos apaixonados.
- Ai, Six – Lene se desmancha toda no sofá. (Acho que ela deve chamar isso de fazer um charme. É deve ser isso) – Você ainda me odeia?
Lene pisca os olhos brilhantes dela para Sirius. Não tinha reparado como os cílios dela são imensos, ela nem deve precisar usar rímel.
Sirius, o cachorro mau caráter, se faz de pobre coitado ofendido e cruza os braços com um bico imenso.
Ele então ergue um pouco a manga do pijama dele para deixar o bíceps dele em evidências. Sua tática parece surtir efeito, pois Lene está agora o encarando com olhos gulosos e está mordendo o lábio inferior.
"Por favor, parem com isso!" é o que eu quero dizer, mas não consigo porque Sirius está praticamente com a bunda dele na minha cara.
- Six – Sinto o sofá se mexer e percebo que a Patriarca agora não está mais na altura dos meus pés, mais sim na minha barriga. – Não fique bravo comigo. Você sabe que eu te amo... Te amo mais que todos eles. Todos eles juntos.
Consigo me levantar um pouco e fico em uma posição super confortável: Espremida no cantinho do sofá.
De verdade, o que há entre esses dois?
Esses possuídos são um bando de loucos!
Vejo Sirius se derreter todo do meu lado no sofá. Lene aproveita a deixa e começa a acariciar os cabelos dele, um segundo depois os dois estão no maior Love.
Eu gostaria muito de não estar entre Sirius e Lene nesse momento.
Gostaria mesmo.
Principalmente agora que eles estão se beijando e Lene está praticamente deitada em cima de mim.
O que eu fiz na minha vida para merecer isso?
Eu tento me levantar e sair dali, mas recebo um empurrão por estar atrapalhando os malhos do casal. Estou quase desistindo de viver quando Molly surge na sala.
Molly, amo você!
- Senhor Patriarca! – Ela coloca as mãos na barriga como se assim fosse conseguir proteger o bebê da fúria de Lene.
Não que eu ache que Lene vá fazer alguma coisa.
Aliás, agora que eu a conheço, não consigo imaginar essa garota fazendo as coisas que o pessoal diz que ela faz. A menina é uma mimada meio maluca, mas nunca seria capaz de tamanhas crueldades. Eu já tentei falar sobre esse assunto com ela...
A resposta foi um longo momento de silencio. E dias sem nenhuma visita.
Será que Lene é bipolar?
- Molly! – Marlene larga Sirius e corre para dar um abraço apertado em Molly.
Vejo minha roommate adquirir uma tonalidade vermelho pimentão quando a Patriarca acaricia a barriga dela com os olhos brilhantes.
- Nossa, que belezinha! – Lene ri e coloca o ouvido na barriga dela. – Nunca tinha visto uma mulher grávida! Da pra ouvir o bebe aí dentro?
- Ahhh... na não... – Molly gagueja - Mas ele se mexe!
- Sério? – Lene acaricia novamente a barriga de Molly e então arregala os olhos. – Nossa! Ele se mexe mesmo! Sirius, ele se mexe!
Sirius corre para cima de Molly também.
- Quero ver!
Está aí uma cena que me faz pensar em como o Patriarca que eu conheço pelos olhos dos possuídos não condiz em nada com o Patriarca que eu conheci por meus próprios olhos.
Isso é muito estranho.
Se o Patriarca fosse o mordomo sinistro da mansão, eu não me surpreenderia... Só que... Lene... Ela é tão fofa.
- Vim aqui ver Sirius e te trazer isso aqui. - Lene aponta para as malas que ela largou na minha sala. - São malas para as suas coisas.
Molly arregala os olhos assustada.
- Eu vou me mudar?
- Sim, vai voltar para aquela toca sua. – Lene coloca as mãos na cintura fazendo pose de super heroína - Terça-Feira eu vou largar os moleques lá.
- Os moleques?
- Sim, aqueles cinco meninos ruivos que estão na casa dos Malfoy. São seus não é? A senhora Malfoy não aguenta mais eles... Além disso, você está esperando outro. Se você fez tem que criar não é mesmo?
Agora Molly está com os olhos cheios de lágrimas.
Poxa que coisa boa! Finalmente vão juntar a família dos cabritos tigres novamente.
- Oh. Senhor Patriarca!
- Pare de chorar Molly. Não suporto pessoas chorando na minha frente.
- Sim, senhor Patriarca. – Molly enxuga as lágrimas na barra da saia rodada dela.
- E vou mandar a ovelha lá para a casa também. Uma mulher digna dos Clow não pode ser taxada de mãe solteira. Vou casar os dois no final de semana que vem. Sem discussão.
Dessa vez foi demais para Molly, ela não consegue se segurar e várias lágrimas escorrem de seus olhos.
- Oh. Senhor Patriarca!
- Pare de chorar, Molly. E olhe para mim.
Lene da uma voltinha.
- O que achou do meu vestido?
- " -
Demorou eras para o povo ir embora.
Quando eles finalmente se recolhem eu subo e vou dormir. Meu estômago ainda meio zoado.
Chegando no meu quarto vejo um enorme buquê de flores com uma caixa de chocolates em forma de coração e um cartão.
"Lily,
Não quis te deixar brava. Você sabe que eu nunca faço as coisas com a intenção de te irritar.
Por favor, me perdoe.
Te amo muito e vou dormir triste e sozinho essa noite pensando em você
Com amor,
James"
Ai, James!
Eu acho que talvez eu tenha exagerado com ele. Ando com os nervos a flor da pele ultimamente. É o estresse do trabalho.
Pobre Jay...
Só de pensar nele sozinho e triste naquela mansão me da um aperto no coração.
Pego um papel e uma caneta e começo a escrever uma resposta para ele.
"Jay,
Eu preciso aprender a controlar meus nervos. Não deveria ter sido tão grossa...
No fim das contas quem te deve desculpas sou eu.
Eu é que mereço dormir triste e sozinha pensando em você.
Te amo demais e prometo que vou tentar ser uma pessoa melhor para poder merecer você!
Por favor, não me odeie!
Amor,
Lily."
Mando a carta e me deito na minha cama deprimida. O que há comigo? Porque eu tratei James daquele jeito?
Fui mesmo uma ridícula.
Lágrimas brotam nos meus olhos e quando percebo estou soluçando e tentando abafar meu choro no travesseiro.
- Lils... - Ouço a voz de James e afundo mais minha cabeça no travesseiro.
Ai James, tão fofo e lindo. Veio ver se eu estou bem. Eu realmente não mereço uma pessoa tão boa quanto ele, o que ele viu em mim afinal?
Não tiro meu rosto do travesseiro. Não quero que ele me veja assim, com os olhos inchados e o nariz escorrendo.
- Lils... – Sinto as mãos dele acariciando minhas costas e um arrepio frio toma conta de mim. – Meu amor, não chore.
Ele começa a acariciar meus cabelos bagunçados e então sinto o nariz dele roçar no meu ouvido.
- Querida, não fique assim, por favor.
Coloco meu rosto para fora do travesseiro, olhando para a direção contrária de onde James está.
- Me desculpa Jay. Eu fui uma estúpida...
James suspira do outro lado.
- Olha, não vou mentir, você foi mesmo muito grossa. Mas eu fiz uma piada infame em um momento inadequado, eu faço isso quando fico nervoso. Ver Sirius daquele jeito me deixou nervoso.
- Eu também fiquei. Isso e o trabalho... O trabalho tem me deixado muito estressada. Me perdoa, James, não deveria ter descontado em você.
James da um beijo na minha cabeça, eu ainda continuo virada para o outro lado.
- Agora vem aqui ficar comigo, vem. – Ele pede com a voz embargada.
Me viro e vejo os olhos castanho-esverdeado dele mareados.
- Eu tenho sido tão ruim assim ultimamente? – Coloco minhas mãos no rosto dele.
James está se controlando ao máximo para não chorar na minha frente.
Ele fecha os olhos e fica com eles fechados um bom tempo respirando fundo.
- Jay, me perdoa.
- Não me maltrata mais, Lily! Eu não fiz nada de ruim!
Dou um beijo delicado nos olhos de James e vou traçando o caminho até seus lábios.
- Te amo. – Digo entre um beijo e outro – Não vou mais fazer isso.
- Nunca mais?
- Nunca mais.
Dormimos os dois grudados um no outro como se nunca mais fôssemos nos ver na vida.
Acordo e James já não está mais no quarto. Ele sempre sai bem cedinho e deixa um bilhete para mim me desejando um bom dia. Olho para o lado e ali está meu bilhetinho.
"Você é uma boba, mas eu ainda te amo. Tenha um bom dia"
Sorrio.
James, como eu te amo. Amo tanto que chega a ser ridículo. Nunca senti nada desse tipo por ninguém.
Meu sorriso desaparece do meu rosto quando vem aquela sensação ruim que senti ontem no meu estômago.
Ah não! De novo não!
Corro para o banheiro a tempo de colocar tudo para fora no lugar certo.
Que porcaria! Pensei que eu já tivesse me livrado do quindim.
Eca!
Tomo um banho quente para ver se eu melhoro.
Não.
Agora eu estou é com tontura.
Me sento um instante na privada.
Não quero ter de chamar James! Ele vai ficar todo preocupado e não deve ser nada demais.
Vou melhorar.
Isso Lily! Pensamento positivo!
Acabo pegando no sono sentada na privada.
Cara que ridículo.
Acordo assustada e olho para o meu relógio. Meu Deus! Estou atrasada para o trabalho! Porcaria!
Corro para o meu quarto e termino de me arrumar na velocidade da luz.
Consigo, não sei como, chegar bem em cima do meu horário.
- Nossa, Lily. – Tonks ri para mim quando nos encontramos na porta do banheiro feminino – Você está com uma cara horrível!
Obrigada Tonks. Muito Obrigada. Também amo você.
Apenas resmungo alguma coisa em resposta durante o trajeto até nossa baia. Chegando lá dou de cara com a bagunça de pergaminhos espalhados por todos os lados que deixamos no dia anterior. Suspiro.
- Eita, Lily! Que cara é essa? – Régulus senta-se a mesa dele com um copinho de café. Ele não pode dizer muita coisa, a cara dele também não está das melhores. Nunca vi olheiras tão fundas quanto as dele.
- Você dormiu algum dia desse fim de semana Régulus? – Eu cutuco Regis fazendo uma graça e tentando mudar o assunto.
- E você comeu alguma coisa nesse fim de semana, Lily? – Ele me cutuca de volta com um risinho.
- E vocês trabalharam alguma coisa até agora? – Moody surge atrás de nós como um fantasma.
MEU DEUS! Que susto!
Eu estou mais do que acostumada com os "sempre alerta" de Moody. Mas nunca. NUNCA. O tinha visto desse jeito. Ele está parecendo um zumbi maníaco. Tem um brilho horripilante nos olhos vidrados dele, olheiras roxas imensas, os cabelos desgrenhados e mais grisalhos do que eram sexta feira e deve ter engordado uns 6 quilos só no final de semana. Para melhorar está segurando um sanduíche gigante de atum e fica balançando aquilo de um lado para o outro do escritório.
O cheiro do atum me deixa tonta e enjoada.
Nunca mais na minha vida eu vou comer quindim.
Desse jeito vou morrer de fome, já que toda vez que eu resolvo comer me lembro do quindim e passo mal.
Sério mesmo, esse quindim não sai do meu organismo nunca.
- Reunião AGORA! – Moody aponta para a sala de reunião e corre para lá.
Todos ficam estáticos onde estão sem entender ao certo com quem ele estava falando.
- VENHAM AQUI! TODOS VOCÊS!
Será que dá tempo de eu ir ao banheiro? Quero muito fazer xixi.
- Aiiii! – Eu fico tensa quando Tonks sai me puxando. – Preciso ir ao banheiro!
- Você acabou de ir ao banheiro!
- Mas quero ir de novo!
- Vamos logo meninas! Se não vamos ficar sem lugares!
Talvez eu aguente um pouco. Talvez a reunião não seja tão longa.
Assim que eu passo pela porta da sala de reunião, Moody faz um aceno com a varinha e a porta se fecha com um estrondo atrás de mim. Todos ficam me encarando, já que sou a última a entrar. Sinto meu rosto queimar.
Me sento ao lado de Tonks e Regis com todo o resto de dignidade que sobrou em mim.
Moody faz um gesto brusco com a mão direita, e um enorme telão branco desce do teto. Nele várias imagens dos atentados contra trouxas ocorridos nos últimos três anos aparecem. Além desses, alguns casos de bruxos assassinados também.
Sinto minha bexiga cada vez mais cheia dentro de mim e começo a suar frio.
Talvez essa reunião não seja tão curta quanto eu imaginei.
- Notem o mesmo estilo de morte da senhora Hepzibah Smith...
Perdi metade do discurso de Moody tentando domar minha bexiga e impedi-la de estourar. Infelizmente, não deu certo.
Vou fazer xixi nas calças.
- Vestígios de enxofre e pó de diamante foram encontrados em todos esses casos, ao lado das vítimas – Moody está apontando para minha equipe e todos nos encaram embasbacados.
Eu não faço a menor idéia do que ele está falando, estou concentrada de mais em não fazer xixi nas calças.
- Lily Evans...
Opa! Ele disse meu nome?
Olho para um lado e para o outro e sinto a atenção de todos do departamento em cima de mim.
O que? O que foi?
- EVANS! Mostre o que mais sua equipe encontrou de comum em todos esses casos!
Tonks balança a minha cadeira me fazendo quase cair no chão. Eu levanto como se nada tivesse acontecido, me dirijo até a frente da sala de reunião e subo no palco.
Bom, agora é a hora de falar sobre a trabalheira pesada que minha pobre equipe vem tendo nos últimos meses...
Lanço um feitiço de ilusão e uma caveira enorme surge na tela branca. Uma caveira com uma cobra saindo da boca como se fosse sua língua: a imagem que vem me perseguindo até mesmo em sonhos.
- Encontramos esse padrão em gotículas de mercúrio no atentado da estação King's Cross e depois de uma análise mais profunda nos relatórios dos outros três atentados linkados a esse, descobrimos outros padrões parecidos e... Conseguimos encontrar o que achamos ser o nome da gangue responsável pelos crimes...
As palavras "Comensais da Morte" surgem na tela.
Tonks e Régulus estufam o peito, orgulhosos do trabalho duro que tivemos para descobrir isso.
Quase faço xixi nas calças com o susto que levo quando Moody assume novamente a palavra. Ele tem um tom sinistro na voz que me deixa arrepiada de medo...
- E por fim, eu consegui pegar um desses vagabundos no final de semana. – Todos na sala prendem a respiração – Infelizmente, o imbecil do ministro da magia soltou os dementadores em cima dele. Mas consegui tirar algo desse desgraçado... Um nome...
De repente, uma corrente gelada sai não sei de onde e deixa todos na sala de cabelos em pé. Sinto um frio terrível se apoderar da minha espinha...
As luzes da sala de reunião se apagam.
- Lord Voldemort.
Meu coração quase vai até minha boca.
E então, como em um passe de mágica, tudo se acende novamente.
Olha, isso foi sinistro demais. Quase como se esse tal Lord tivesse enfeitiçado o nome dele para fazer isso toda vez que é pronunciado.
Moody está sentado em uma cadeira de couro na frente da sala de reunião com a mão direita no rosto.
- Não sei exatamente quem é esse tal! E muito menos quem são os comensais da morte. Só sei que eles estão planejando algo grande... Não são uma simples matilha de bruxos puro sangue conservadores. Eles são perigosos, como puderam notar. Quero formar uma equipe de investigações para se dedicar somente a caça desses caras. Levantarei uma lista de nomes, caso o escolhido não esteja interessado, avise logo e eu colocarei outra pessoa no lugar. A lista vai estar na porta da minha sala às 17h00 de Quarta Feira. Agora... Dispensados.
Só escuto a palavra "dispensados", e saio como se estivesse correndo por minha vida em direção ao banheiro.
Não há sensação melhor do que fazer xixi quando sua bexiga está explodindo. Não há mesmo. É quase melhor do que um orgasmo.
O departamento inteiro fica todo em estado de ultra agitação. Nunca vi tanta gente tentando impressionar Moody antes. Todos estão trabalhando loucamente.
Eu é que não quero ficar na equipe de caça aos Comensais da Morte. Não quis ser auror por um motivo: para ficar longe do perigo. O pior é que eu tenho quase certeza de que meu nome vai estar na maldita lista. Droga.
Na hora do almoço encontramos Emme e Alice na nossa mesa de sempre. Alice parece meio desanimada, quase não come nada, enquanto eu estou morrendo de sono. Me levanto para ir ao banheiro e quando volto vejo Emmeline de saco cheio tentando fazer Alice falar alguma coisa...
- Brigou com o Frank novamente?
- Não... Não brigamos.
- O que há então?
- Nada. Só estou cansada.
- E com você? – Emmeline aponta o dedo em minha direção quase cutucando meu olho esquerdo – O que há com vocês duas? Ultimamente estão assim... Bizarras!
O resto do dia se arrasta tranquilamente. Quer dizer, mais ou menos, como todo mundo quer mostrar competência minha pilha de trabalho triplicou. Que beleza! É tudo o que eu precisava, mais trabalho.
À noite eu ajudo Molly a arrumar as coisas dela e depois fico com James no quarto. Ele com a cabeça no meu colo, eu acariciando seus cabelos negros e macios enquanto conto alguns contos de fadas trouxa. Pois é, meu querido James adora histórias. A preferida dele até agora é Peter Pan. Me fez contá-la umas três vezes.
Jay acaba pegando no sono e eu me aconchego nele e durmo tranquila e feliz.
Para acordar enjoada mais uma vez.
Que droga!
Mais um dia cansativo no qual eu quase não como nada. Passo em um mercado para comprar as coisas para a festa despedida de Molly e fico enjoada com a mistura de cheiros do lugar.
Chego em casa pálida e suando frio.
Tomo um banho quente e fico melhor. Faço a janta e depois subo para encontrar minha futura ex-roommate terminando de empacotar umas roupinhas de bebê que eu comprei para o Ronnald.
– Oi Molly!
- Oi querida, está melhor hoje?
- Bem, um pouco. Fiquei ainda um pouco enjoada hoje de manhã, mas depois passou.
Molly me olha de cima para baixo com os olhos estreitos.
- O que foi?
- Querida, eu vou deixar isso aqui para você. – Ela coloca um pacote em cima da cama dela. – Não usei, mas acho que você deveria.
É o teste de gravidez que eu tinha comprado para ela. Essa idéia me parece tão absurda que tudo o que eu posso fazer é dar uma gargalhada.
- Molly! Não tem possibilidade de eu estar grávida!
Molly me olha como se eu fosse uma garotinha burra.
- Claro que não, com James dormindo aqui todas as noites, não tem mesmo possibilidade de você estar grávida.
- Ok. Todo mundo sabe do meu namoro secreto com James é isso?
- Não é por mal, querida. Mas todos na mansão sabem que James é sonâmbulo... Todos, menos ele. Eu sempre o vejo andando de cuecas pela casa. Ele já esbarrou com todos nós no meio da madrugada, uma vez inclusive, ele estava nu.
Droga. Como eu não percebi que James é sonâmbulo?
- Você dorme como uma pedra.
Realmente, eu durmo como uma pedra. Mas... Espera aí... Molly viu meu Jay nuzinho?
- Você viu Jay pelado?
Molly ri.
- Você pode estar grávida e está preocupada com o fato de eu ter visto James nu?
- Molly, não tem como eu estar grávida! Tomo poção anticoncepcional há anos!
- Você sabe que essas coisas têm só 99% de chances de funcionar não é?
- Usamos camisinha!
- Todas às vezes?
- Não todas, mas em grande parte delas!
- Você tem estado enjoada ultimamente, você tem dormido demais, não para de ir ao banheiro fazer xixi, tem cólicas, e sente cheiros absurdos que ninguém mais sente. Seus seios estão doloridos?
Instantaneamente coloco meus braços sob meus seios e sinto uma pontada de dor.
- Um pouco só...
- Sua menstruação desceu esse mês?
- Sim! – Aí está Molly! Não tem como eu estar grávida! - Veio só um pouquinho de nada... Mas veio!
Para minha infelicidade, Molly faz cara de quem sabe muito bem do que está falando. Ela sorri docemente para mim, como se eu fosse uma garotinha que está aprendendo a escrever ou algo do tipo...
- Ah Lily! Quão pouquinho?
Estou começando a ficar desesperada.
- Molly, pare com isso.
- Lily, quão pouquinho? – Ela não desiste facilmente e isso me deixa cada vez mais assustada.
- Molly, é sério. – Começo a implorar por piedade - Pare com isso.
Ela agora fica séria e eu petrificada. Meu Deus! E se eu estiver mesmo grávida?
- Lily, me responda.
- Foi quase nada. MOLLY!
- Vá fazer o teste!
- Não!
- Lily.
Corro para o meu quarto e me enfio debaixo das cobertas em choque. Não posso estar grávida. Não posso estar grávida. Eu NÃO estou grávida.
- Lily, querida, saia daí e enfrente isso como a mulher corajosa que eu sei que você é.
- Não quero estar grávida!
- Não sabemos ainda se você realmente está grávida. E não diga isso, o que o bebê vai pensar?
Coloco minha cabeça para fora das cobertas indignada.
- O que o bebê vai pensar? E eu? Onde eu fico?
- Querida, se você estiver mesmo grávida... Sua vida de EU acabou. Agora é só o bebê que importa.
OH MEU DEUS! Como pode isso?
NÃO!
- Quero minha vida de volta!
- Um bebê seu e de James! – Molly parece sonhadora – Vai ser linda! I Vamos torcer para ela não puxar aqueles cabelos de James não é? Mas o sorriso dele sim! E o nariz, James tem um belo nariz, mas seus olhos e seu cabelo liso... Pode ser da mesma cor que o de James, mas o tipo de cabelo tem que ser o seu. Já imaginou? O contraste desses olhos verdes com os cabelos castanho-escuros de James?! Que princesa... Melanie... Que tal esse nome? Combina com Potter! Melanie Potter! Oh Lily! Ela pode ser casar com meu Ronny!
Estou abismada. Eu posso estar à beira de perder minha vida para sempre e Molly já escolheu o nome do meu carrasco inclusive arranjou um casamento para ele.
Isso só pode ser um pesadelo.
Vamos Lily, acorde!
- Levante daí e faça o teste! Ande logo!
Ela parece estar pensando no casamento do tal do Ronny com a minha Mel. Espero que esse Ronny seja gente boa e um pouco melhor apessoado que o Gorduchinho ou aquele filho nerd dela. Qualquer coisa, Melanie pode escolher se casa com o Gui não é? Ele parece que vai ficar bonito quanto crescer! E poxa, oito anos de diferença nem é tanto assim.
MERLIN! Estou eu agora arrumando marido para o bebê!
E se for um menino?
NÃO! Um filho já é demais.
Um filho HOMEM! É pior do que isso!
Vou morrer... Vou morrer... Vou morrer.
- Molly! Já disse que não estou grávida! Eu tomo a poção anticoncepcional seguindo todas as instruções. E estava menstruada agora a pouco. Não estou grávida.
Para meu alívio, escutamos os guizos da porta da frente fazendo barulho. As pessoas chegaram para a despedida de Molly.
Isso parece distraí-la por alguns segundos. Antes de descermos ela ainda insiste...
- Lembre-se, uma criança é uma benção na vida de uma pessoa.
A festa começa e termina. Eu nem percebo. Estou distraída demais com o pânico...
O que vai ser de mim se eu estiver mesmo grávida?
Sabe? As crianças tendem a me odiar. De verdade...
E se minha filha não gostar de mim? E se James não quiser esse bebê? E se... E se meu bebê for um MENINO?
Ai Meu deus, Lily! Você toma anticoncepcional direitinho como o curandeiro te ensinou... Você NÃO está grávida...
É só uma virose idiota.
E se não for uma virose...
Com certeza é uma menina. Uma menina quietinha, meiga, fofa, super comportada que não vai me dar nenhum trabalho. Tipo a Alice.
E se minha filha for louca como a Emmeline?
MEU DEUS! E se ela for que nem eu?
Coitada, ela não merece que eu passe essa herança maldita para ela.
Pare de pensar nisso! Você não está grávida!
As pessoas vão embora e eu nem percebo.
James vai ter que dormir na mansão essa noite, Lene está resfriada porque ficou outro dia até seis horas da manhã no quintal com Sirius brincando de pega-pega. (ou pega-pega pornográfico, conforme ela me disse e eu fingi não entender do que se trata).
A casa parece tão vazia sem Molly.
Quero chorar.
Entro no quarto dela e fico ali chorando feito uma besta, sentada em sua antiga cama com o teste de gravidez que ela largou ali com um bilhete...
"Ser mãe é uma das experiências mais maravilhosas pela qual uma mulher pode passar."
Ai, Molly!
Pego no sono ali mesmo e acordo com o barulho intenso do meu despertador tocando no meu quarto.
Levo o teste de gravidez comigo para o trabalho, não sei porque.
E mais um dia cheio de pessoas puxando o saco de Moody e se esforçando loucamente para parecerem pró-ativos. Queria saber por que todo mundo está tão maluco para fazer parte do caso dos comensais. Eu mesma nem estou querendo.
Aliás... Se eu estiver mesmo grávida, é uma péssima idéia entrar para essa equipe.
Preciso fazer o teste, mas eu não quero. No fundo eu tenho quase certeza que sei qual vai ser o resultado e vê-lo estampado na minha cara vai fazer com que a coisa toda se torne real.
Estou com mais medo disso do que desse tal Lord Voldemort.
O dia vai se estendendo e a galera vai ficando mais e mais alvoroçada. Moody fica tão mal humorado com os puxa sacos que se tranca na sala dele e pede para que Gideon faça alguma coisa para distrair o departamento enquanto ele foge.
Pobre Gideon!
A lista sai e meu nome está lá... O de Gideon, Tonks e Regis também. Regulus e Tonks estão eufóricos pulando loucamente de alegria como se eles tivessem passado no teste para chear-leader ou algo do tipo. Vejo pessoas afundadas em suas cadeiras de um jeito que parecem estar derretendo de tristeza, outras sendo consoladas por amigos...
- Não fique assim! Você vai ter outra oportunidade.
Minha vontade é dizer: "Calma minha gente, é só uma coisinha de nada!". Acho que eu seria linchada se fizesse isso.
Não posso responder Moody sem saber se estou grávida. Preciso encarar isso de cabeça erguida.
Vamos Lily! Você é corajosa!
Bebo uma garrafa de dois litros de água e me dirijo ao banheiro.
Os minutos que se seguem são os mais perturbadores e longos da minha vida até aqui.
A expectativa é de matar.
Quando olho para o teste estão lá as duas barrinhas. O que isso significava mesmo?
Fiquei tão nervosa que não li a embalagem direito e joguei fora...
Acho que era negativo. Tenho quase certeza de que era negativo.
Era negativo.
De certa forma fiquei um pouco desapontada. Seria até que legal fazer compras ou ir ao salão de beleza com a minha filhinha... Vê-la querendo se vestir que nem eu, usar meus saltos...
Poxa!
Só me resta então aceitar a droga da proposta de Moody.
Me sinto estranhamente desanimada. É muito bizarro se deprimir por ter perdido uma coisa que você nunca teve e que nunca quis ter.
Afasto esse sentimento ruim e tento ver o lado positivo da coisa!
Ai que bom! Duas barrinhas! Negativo! Graças a Merlin.
Dou meu ok na lista e sou seguida por vários olhares invejosos enquanto volto para o banheiro...
Tomei DOIS litros de água afinal!
Chegando lá vejo que na euforia toda larguei meu teste de gravidez na pia pra todo mundo ver!
Pego o teste e vou saindo quando o furacão Tonks esbarra com tudo em mim.
- AIEEEEEEEE! TONKS!
- Calma Lily, foi só um esbarrão.
Vi estrelas com a cotovelada que ela deu nos meus seios.
- MEUS PEITOS DOEM!
- O que é isso na sua mão?
Meu rosto imediatamente adquire uma tonalidade púrpura. Tento parecer casual.
- Ah, é só um teste de gravidez.
Tonks ergue as sobrancelhas roxas delas.
- Um o que?
- Teste de gravidez.
- Você que fez?
- Não, achei no lixo e quis ver se deu positivo. – Respondo sarcástica e acaricio meus seios doloridos. - Meus peitos, Tonks.
- Desculpe, foi só um esbarrão! Nem foi tão forte. – Tonks não tira os olhos do teste de gravidez. - E a pessoa está grávida então não é? De quem será?
Essa Ninphadora às vezes é meio lesada.
- Tonks, você já ouviu falar em sarcasmo? É claro que é meu!
- Bom – Tonks me abraça. - Então você está grávida! Parabéns!
Me afasto dela desconfiada.
- Lógico que não, duas barrinhas quer dizer negativo.
- Não, eu já fiz um desses uma vez e deu negativo e era só uma barrinha.
Enfio a mão na lixeira e tiro a embalagem do teste de gravidez.
Meu Deus, estou grávida!
Esqueço completamente daquele sentimento de perda que tive há exatos 10 minutos...
Vou matar o imbecil que me vendeu aquela poção anticoncepcional!
- Quem é o pai?
NA: Obrigada Beta, por corrigir bem rapidinho meu capítulo. :D
E aí pessoal? Como vão todos vocês?
A fic está caminhando para o final já. Que pena...
Daqui a pouco começam as mega revelações, os atritos, as emoções.
E o Harry! :D
Vão se preparando.
Respondendo a Review da dona Mariana...
- Está mesmo na hora de você criar um usuário no fanfiction não é? Aí você favorita minha fic. :D
Nossa! A Hinata se declarou para o Naruto? Vou voltar a ler só para chegar nessa parte.
A surpresinha está a caminho. Quando a Lily descobrir que foi o Sirius boicotando a poção dela... vai rolar o maior estresse. Hahahhaa
Beijos a todas as leitoras.
Muito Obrigada por acompanhar e mandarem reviews.
Vocês poderiam se empolgar para eu chegar nas 80 reviews né?
Hehehe
Até o próximo capítulo.
;D
