Charlie PV
-Pelo amor de Deus, homens! – eu gritei na minha sala quando Mike e George entraram quase carregando um burguesinho com a cara enxada e o nariz sangrando – Esta merda de lugar tem nove celas e ninguém sabe que não se pode deixar o Smith com um menino? Porra, dá merda!
Olhei para o garoto e me lembrei do quão longe de tudo aquilo eu estava há apenas um mês atrás. Em Whashington, trabalhava no principal prédio policial da cidade, às vezes entrava algum encrenqueiro, mas já não lidava mais com aquilo, o cara-a-cara tinha ficado pra trás junto com minha juventude. Nenhum policial de cinquenta anos aguenta o tranco de bater de frente com o crime, não quando quase tinha perdido a vida com uma maldita bala. Lembro perfeitamente do Brooks, meu superior, surgindo na minha aba pedindo para falar comigo.
"Charlie, quero você no meu escritório agora. Importante.", eu levantei, peguei meu distintivo e minha arma, que agora era apenas parte do uniforme, e o segui. "Preciso que você assuma uma delegacia no interior, você deve saber qual é, 25641."
"É de lá que vim" respondi um pouco confuso. "Porque precisam de mim lá?"
"Recebemos muitas denúncias de corrução, meu velho. Precisamos de alguém limpo lá, entende? Alguém que o departamento confie. E eu te indiquei"
"Agradeço a consideração, amigo, mas eu passo. Sabe que não lido mais com essas coisas há muito tempo".
Claro que Brooks não ia se contentar com aquilo. Depois de uma semana me barganhando e me perturbando, peguei minhas malas, meu aumento e meu saco cheio e voltei pras minhas origens.
-Quem colocou esse moleque lá?
-Carlos – Mike respondeu.
-Alguém limpa esse menino e o coloca numa cela separada enquanto esperamos a mamãe dele vir busca-lo?
Saí pela porta procurando por Carlos e quando cheguei à recepção, não precisei perguntar nada.
-Carlos está em patrulha do centro. Volta pra base de noite. – Ian, o rapaz prodígio recém-contratado era o único fruto novo entre os antigos. De primeira mão, era em quem eu podia confiar.
-Resolvo isso quando ele voltar, então. Ian, pelo menos as mulheres estão em uma cela separada, né?
-Sim, três já foram transferidas para a penitenciaria, duas já foram liberadas e temos apenas a menor esperando que o responsável venha busca-la.
-Já contatou os pais da menor? Ótimo – sorri aliviado que agora tinha menos problemas pra resolver. Não bastava lidar com os problemas atuais, eu ainda tinha que investigar os antigos e constatar alguma prova concreta de suborno ou corrupção por parte dos meus colegas de trabalho, e sobre isso, nem Ian podia saber.
-Charlie? – uma voz feminina me chamou e eu demorei um segundo para olhar a mulher e reconhece-la.
-Reneé? – a olhei das pontas dos pés, pintados com aquele vermelho sangue aparecendo entre as tranças das sandália cara, até os fios de cabelo que emolduravam seu rosto – O que faz aqui?
-Minha mãe comentou que você havia voltado para a cidade – ela estava loira, um pouco mais velha, o rosto mais maduro, mas aqueles olhos... Sim, daqueles olhos infantis eu lembrava bem. Foi aquele olhar que me fascinou anos atrás – Preciso conversar com você. – ela olhou para Ian – em particular.
-Claro. Vamos para minha sala, lá poderemos falar. – Graças a Deus, quando chegamos, Mike e George já tinham levado o menino pra longe – Não esperava vê-la por aqui, Reneé. Do que precisa?
-Eu não sei nem por onde começar... – ela puxou a cadeira velha e desbotada em frente à minha mesa e sentou-se como uma dama completamente deslocada naquele ambiente – Ontem eu briguei com o menino...
-Gostaria de prestar queixa? – eu me sentei pesadamente em minha cadeira e cruzei os dedos sobre a mesa.
-Não... – ela sacudiu rapidamente as mãos e soltou um risinho – Ele é namorado da minha filha – Ual... ela tinha uma filha – Ela tem dezoito anos, sabe... Arrumou o primeiro namorado e... – Reneé mudou a fisionomia e apertou as mãos tão fortes que os nós dos dedos estavam amarelos – Charlie, ela sofreu um acidente, está de cadeira de rodas. Está horrível! – ela engoliu seco algumas vezes e passou as mãos trêmulas sobre o cabelo, colocando uma mecha atrás da orelha – Precisa de ajuda pra tomar banho, pra sair da cama, pra se locomover, pra ir de um lugar a outro... Precisa de ajuda pra tudo.
-Eu sinto muito – fiquei chocado. Reneé sempre foi alegre, ativa, elétrica. Uma faísca de energia como poucas pessoas que eu já conheci. Imaginar que os anos a levaram aquele destino, era realmente uma pena.
-Eles arquivaram o caso por falta de provas – Ela me olhou triste – Não descobriram quem causou o acidente. Ontem o namorado dela jogou na minha cara que não estava fazendo nada para ajuda-la, nada pra aliviar seu sofrimento.
-Isso é muita indelicadeza da parte dele – ponderei, um pouco desajeitado em consolá-la, como sempre ficava quando ela desabafava sobre algo– Tenho certeza que você está sendo uma mãe incrível para sua filha.
-Não estou, Charlie – ela fungou, como fazia quando tinha apenas 20 anos – Eu a esqueci na fisioterapia, só fiquei sabendo do acidente meses depois, pois estava viajando e não me preocupava em ligar pra cá. Eu sou uma mãe horrorosa, mas então eu pensei que pelo menos isso eu poderia fazer, entende? Pelo menos ajudar a encontrar o responsável por isso. – ela me olhou suplicante, as mãos com unhas compridas alcançaram as minhas e me agarraram com força, como fazia anos atrás. Um arrepio me percorreu e eu me afastei, limpando a garganta.
-Reneé, eu entendo sua intenção, mas como você mesma disse, você não estava aqui durante o acidente, não testemunhou nada. O caso foi arquivado por falta de provas. – eu comecei a gesticular – Reabrir um caso desse tipo teria de passar por uma série de burocracias e não vai levar a nada. Realmente não há o que fazer.
-Charlie, você precisa fazer o impossível! - ela elevou a voz, quase chorando e me olhou suplicante – Você não entende, sou uma péssima mãe, mas...
-Reneé, é complicado, mas prometo que v-
-Charlie, a Bella precisa de você, o pai dela! – Reneé falou tão alto que acho que a delegacia inteira ouviu. Mas o que ela disse? A menina se chamava Bella. Isabella... Minha mãe se chamava Isabella. Que interessante. Bella era minha o que?
-Como disse? – senti o sangue começar a latejar em minhas orelhas, meu coração disparou uma descarga de adrenalina como fazia quando eu ia invadir uma casa cheia de traficantes.
-Bella é nossa filha – Reneé tinha os olhos cheios de água, o lábio inferior tremia na iminência do choro. Ela levantou-se da cadeira e veio até mim, tentando segurar minha mão. – Eu sinto muito, Charlie.
-Ela não pode ser minha filha – falei rapidamente e ela recolheu a mão cheia de anéis dourados estendida segundos atrás e eu levantei, perambulando pela sala minúscula – Ora, Reneé, o que é isso? – com uma mão na cintura e outra passando nervosamente sobre meu cabeço, falei num tom debochado, expressando todo meu desprezo por aquela tentativa ridícula de sei lá o que essa mulher estava pensando – Dezoito anos depois você quer bater no meu trabalho pra dizer que uma menina que cresceu nesta cidade, perto da minha própria mãe, é minha filha?
-Você não lembra? - seus olhos eram quentes na lembrança de um passado distante – Lembra que eu estava grávida?
-Reneé, foi um exame de gravidez – eu balancei minhas mãos – Logo depois você disse que menstruou que devia ter perdido o bebê, ou sei lá o que!
-Mas eu não perdi – ela estava vermelha, fosse vergonha, nervosismo, ou ansiedade, eu já não podia decifrar – Quero dizer, eu achei que tinha perdido, mas então eu senti mais e mais sintomas, até que fiz outro exame, mas você já tinha ido embora para Washington.
-E não me ligou? – eu gritei, não podia acreditar.
-Você estava com raiva de mim, - ela levantou o tom, e estendeu a mão para mim – acha que não sei que foi para Washington pra fugir de mim?
Dessa vez, eu corei. Eu era jovem, impulsivo. Com vinte e dois anos, o menino tímido tinha acabado de entrar para a polícia, e de repente, aquela menina que admirara o colegial inteiro veio se sentar com ele numa manhã ao tomar seu café. Não pude afogar a mágoa que senti quando, depois de finalmente ter tudo que eu queria, aquele raio de sol alegre que era Reneé, ela me largou pouco depois de imaginar nosso futuro juntos, um bebê que estava por vir, uma casa, eu já estava procurando, tinha tudo planejado.
-Não estava com raiva de você – menti – Foi uma oportunidade aproveitada, afinal, já não tinha nada que me prendesse aqui.
-Charlie, eu sinto muito. Você me conhecia, mas aquela história de casamento, um bebê... Não era o que eu queria, não queria passar minha vida presa numa casa, limpando e cozinhando esperando você chegar em casa, sabendo que você estaria arriscando sua vida e poderia não voltar. Não era minha vida, não era o que eu queria pra mim.
-Foi por isso que não me avisou sobre a menina? – eu perguntei com raiva, batendo com as mãos na mesa – Achou que eu voltaria e te prenderia numa casa pra ser minha esposa?
-Eu... Eu não sei... – ela me olhava assustada, seus olhos escapavam de mim, como um rato ansioso por uma escapada, como Reneé quando tinha que confrontar uma discussão.
-Claro que sabe! Se essa menina for mesmo minha filha, você me tirou dezoito anos! Perdi dezoito anos de experiências que eu tinha o direito de ter participado. – e então eu conseguia imaginar um bebê aprendendo a andar, aprendendo suas primeiras palavras, uma menina caindo da bicicleta e correndo em minha direção com o joelho ralado, chorosa por um abraço. Todas as imagens que eu tinha criado há dezoito anos com a suposta gravidez perdida, voltando como um fato concretizado, uma oportunidade perdida, um passado não vivido.
-Eu sinto muito...
-Claro que não sente – eu bufei – Você pode ter envelhecido, mas não amadureceu, continua sendo aquela garota mimada. Como pôde? Como pôde esconder uma filha de mim? Minha mãe morreu sem saber que tinha uma neta.
-Charlie, não vim aqui pra remoer o passado – ela veio em minha direção e ignorou minha intenção de me afastar. Reneé agarrou a gola da minha camisa e as lágrimas escorriam pelos seus olhos claros como o céu. – Por favor, só me ajude a encontrar quem fez isso com a Bella.
Nos encaramos por um momento, nossos rostos tão próximos como há anos não estiveram. Houve um segundo de tensão entre nós, eu podia sentir sua respiração próxima de mim, mas acima de tudo, eu senti o peso do mundo sobre nós. Todos os problemas dos quais Reneé fugiu há vinte anos atrás a alcançou e lá estávamos nós, juntos, com um problema que nenhum de nós, agora ou há 20 anos, poderia prever. Eu suspirei, não podia acreditar. Minha cabeça latejou e por um segundo, eu só queria uma aspirina.
-Espera aí – me afastei dela e me rastejei para a porta, esfregando os olhos de cansaço.
Andei pelo arquivo morto da secretaria. Seria um inferno encontrar uma única pasta sobre o acidente se fosse antes, mas depois de tanto fuxicar os arquivos mortos da delegacia atrás de sujeira dos meus companheiros de trabalho, consegui encontrar uma lógica naquelas caóticas prateleiras e enfim encontrei a pasta escrita "Isabela Marie". Voltei para a minha sala e Reneé ainda estava lá, imóvel.
-Essa é a pasta dela, vou ler sobre e te ligo mais tarde – eu não me dei ao trabalho de olhá-la quando entrei na sala – Algum problema?
-Não – ela passou os cabelos para trás da orelha e se levantou, um pouco sem graça – Então eu espero você me ligar, e... Obrigada, Charlie. Eu realmente... Quero dizer... Sinto muito por tudo e... – eu balancei minha mão, não queria ouvir mais nada por enquanto, precisava do silencio, pensar sobre tudo isso. Mas havia uma coisa que eu precisava que ela me dissesse:
-Reneé, como faremos? – passei a mão pelo cabelo e limpei a garganta.
-O que? – ela parecia genuinamente confusa.
-Bella... Ela sabe que sou seu pai?
-Não, não sabe – ela suspirou – Bella nunca perguntou sobre seu pai, pelo menos não pra mim...
-Quero que ela saiba – eu falei sem realmente pensar no peso daquela revelação – Quero que ela saiba que sou seu pai.
-Temos que ter calma – ela suspirou, ansiosa novamente – Não é o tipo de notícia que se dá do nada. Olha, vamos resolver uma coisa de cada vez, tudo bem? Deixa eu preparar a Bella, ir aos poucos...
Realmente, Bella devia estar muito fragilizada com todas as dificuldades que estava enfrentando. Talvez Reneé estivesse sendo um pouco sensata mesmo. Suspirei e concordei.
-Tudo bem, mas quero conhece-la. Mesmo que não seja como seu pai. Eu quero conhece-la – Reneé assentiu e se levantou, colocando a bolsa sobre o ombro.
-Passa hoje lá em casa – ela limpou a garganta – Ela deve chegar de noite.
-Obrigado, Reneé.
Ela assentiu, o rosto em branco e saiu pela porta, fechando.
Reneé podia ter todos os defeitos do mundo, mas ninguém poderia negar que ela era autêntica, independente e acima de tudo, que amava sua vida. Amava tanto quando se fechou para os outros, outros mais tímidos e menos audaciosos. Ela foi, ela viveu. Quem ficou, os pequenos, como eu e Bella, nós ficamos apenas com a lembrança daquele trovão que passou em nossas vidas, e abriu uma rachadura em nosso chão que nunca se fechou.
Olhei Reneé caminhar pelo corredor apertado através do vidro da minha sala e suspirei. O quão sozinha aquela mulher havia se tornado... O quão amada ela poderia ter sido... Quando ela desapareceu, meus dedos correram automaticamente para a primeira gaveta da minha escrivaninha e meus olhos focaram o lindo tom de azul na foto. Seus olhos, infantis e cheios de vida, como ainda eram depois de tantos anos. Uma Reneé mais nova me contemplava com um sorriso no rosto e eu me lembrei do momento em que a bala entrou na falha do meu colete. Depois de tantos anos, pude ouvir claramente sua risada chamando meu nome, fechei os olhos e lembrei dela deitada na minha cama, a luz do sol batendo na sua pele pálida e dos grandes olhos azuis me olhando sobre o ombro enquanto jogava o cabelo escuro para longe do rosto.
Sim, depois de quase vinte anos, eu só pude pensar que não queria morrer, pois não queria me esquecer daquilo, não queria perder aquela lembrança que havia anos eu não a buscava, mas me agarrei a ela e desde então Reneé voltava na minha mente.
Suspirei e voltei meu olhar para as fotos da pasta de Bella. O carro estrangulado contra o muro, as marcas de sangue espalhadas pela lataria e uma foto de Bella, aquelas clássicas do anuário do colégio. Passei o polegar sobre o seu rosto no papel, pude notar a discreta pinta na base do pescoço. Inconscientemente levei a ponta dos meus dedos para o mesmo ponto em meu pescoço e não podia sentir, mas sabia que aquela mesma pinta estava lá, mas foi com aqueles olhos castanhos, os meus olhos castanhos que me derrubaram o coração e a emoção transbordou em meus olhos.
Eu tinha outro motivo pra viver, não apenas a lembrança feliz da mulher que amei, agora eu tinha alguém, realmente tinha alguém. Bella, minha filha.
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BPV
Eu não podia acreditar. Lá estava o policial que faria tudo andar. Quando me disseram que meu caso havia sido arquivado por não ter como resolverem, eu fiquei devastada. O desgraçado que provocou meu acidente não seria punido, eu nunca poderia olhar no fundo dos seus olhos e fazê-lo me encarar nessa maldita cadeira de rodas. Mas lá estava a minha chance de fazer tudo aquilo mudar.
-Você vai conseguir encontra-los? – eu não conseguia esconder a esperança na minha voz. Eu sabia que prendê-lo não me faria voltar a andar, mas pelo menos seria uma satisfação dar um rosto ao meu ódio.
-Vou fazer o possível, Isabella – O policial Charlie tinha um olhar tímido, mas caloroso. Eu estava em boas mãos.
-Você já tem algum suspeito? – A voz de Edward soou estranha, eu até tinha esquecido que ele estava lá. Olhei para Edward e ele estava pálido como uma cera, a mandíbula travada e o olhar fixo no policial.
-Edward, você tá bem? – perguntei assustada. Nunca havia o visto daquele jeito.
-Tô, tô sim – ele me olhou e sorriu duro.
-Ainda não – Charlie respondeu, se endireitando e perdendo o contato comigo – Baseado no testemunho que Bella deu na época do acidente, recolhi as informações que poderiam ser úteis. Como a cor do carro.
-Bom, poderia ser qualquer carro – Edward falou novamente – Quero dizer, ela mesmo disse que não havia nenhum carro nas proximidades.
-Claro que não vamos chegar ao cara certo de primeira, mas eu já restringi o número de carros, você pode ficar tranquilo, garoto – Charlie parecia orgulhoso do que ia dizer – Peguei a lista de todos os carros prateados que foram parados naquela noite.
-Mas e se ele não tivesse sido parado? – Edward interrompeu novamente.
-Bom... - Charlie limpou a garganta. – Claro que existe essa possibilidade, mas devido à hora do acidente e o grau de imprudência do outro condutor, é difícil não acreditar que ele estivesse alcoolizado. Se temos uma coisa boa nessa cidade é a nossa Lei Seca, então tenho confiança de que esse é um caminho promissor, e se eu chegar ao fim da linha e não encontrar algo, prometo que vou investigar outros meios.
-Muito obrigada – eu sorri, simpatizando com aquele policial empenhado.
-Bom, eu acho que por hoje é tudo – Charlie passou a mão pelo cabelo pouco grisalho e olhou para minha mãe – Reneé, eu já estou indo, mas antes preciso falar com você.
-Precisa ser agora? – minha mãe parecia desconfortável, tinha os braços cruzados e mexia nervosamente no cotovelo, gesto herdado da minha avó – Podemos nos encontrar amanhã pra conversarmos com mais... Privacidade. Prometo que resolverei tudo no melhor momento possível.
Okay, havia alguma coisa no ar, na tensão súbita da minha mãe, no jeito que Charlie me olhou antes de sair pela porta e no jeito quieto que Edward se despediu, parecendo estar num lugar muito, muito distante.
Assim que fiquei sozinha com minha mãe, precisava, no mínimo esclarecer alguns pontos. Ela estava sentada no sofá lendo uma revista quando me aproximei e posicionei a cadeira o mais perto possível.
-Ontem fiquei muito chateada com você.
-Eu sei, Bella – ela suspirou, baixando a revista dos olhos e a colocou fechada sobre a mesa de centro – Olha, me desculpa. Eu vim porque precisava vir depois que descobri sobre o acidente, mas... Nós duas sabemos que nunca fui uma boa mãe, por isso deixei você com sua avó – ela colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha – Você é a minha menina de ouro, querida.
-Você ontem só precisava me buscar – eu tentei não parecer brava, porque estava cansada de brigar pelos seus erros, pelas suas falhas, sua desatenção – Como pôde me esquecer? Nem lembrou o motivo de ter voltado? Isso não tem a ver com ser uma boa mãe, tem a ver com respeito e consideração comigo.
-Bella, não quero falar disso – ela tentou se levantar, mas eu a segurei – Me desculpe, mas eu trouxe o Charlie, não trouxe? Ele vai nos ajudar, e ele quer isso mais que qualquer coisa nesse mundo. Ele não vai te decepcionar como eu te decepciono, Bella. Quando ele promete, ele cumpre. Ele vai te ajudar agora como eu nunca te ajudei.
A voz da minha mãe tremia, seus olhos brilhavam e ela começou a chorar descontroladamente. Eu fiquei desconcertada enquanto ela envolvia os braços em minha volta. Não imaginava metade das coisas que poderiam estar passando em sua cabela, mas então, como seu sempre fazia, dei à ela o que ela precisava. Com um suspiro, puxei-a suavemente para meu colo e passei a mão pelos seus cabelos até que ela se acalmasse.
CPV
Eu estava saindo da casa de Reneé e um sentimento complexo crescia dentro de mim. Eu estava revoltado com toda a situação, claro, ver a fragilidade de Bella naquela cadeira me angustiava. Bella era uma menina linda, linda demais, e não merecia viver aquilo, não merecia ter seu mundo restringido pelas dificuldades de um cadeirante, mas então... Quem merece, certo? No seu olhar, havia esperança, quando ela segurou minha mão e olhou em meus olhos, foi como se eu me visse nela, realmente, uma parte de mim estava nela, por mais que ela nunca me viu antes, algo nos seus olhos era meu.
Eu nem podia acreditar que havia feito uma menina tão bonita, tão delicada, tão educada... E então, um desastre quebrou minha menina, minha filha. Não sei se ficou claro para todos, mas os anos de experiência me deixaram afiados em ler as pessoas e aquele garoto, Edward... Esse sim tinha algo de suspeito. Nunca vi um rapaz ficar tão tenso quando era completamente inocente. Será que fica nervoso na frente de policiais em geral?
Cheguei à delegacia e Ian me entregou uma lista de nomes como havia pedido à ele mais cedo.
-Está em ordem alfabética? – sorri quando ele assentiu orgulhoso – Bom trabalho, garoto. Agora vá comprar um café para mim, sim? – abri a carteira e tirei uma nota de lá – Compre algum doce pra você também.
Entrei na minha sala e joguei a lista de nomes e endereços sobre a mesa ao lado da pasta de Bella, suspirando pesado. Estiquei as costas e estalei os dedos.
-Bom, será uma noite longa – falei comigo mesmo e me debrucei sobre a mesa, abrindo para ler a primeira página do revoltantemente fino processo de Bella.
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Nota da Autora:
FÉÉÉRIAAAAS!
Pronto, gente! Meu semestre acabou e eu fui bem em todas as matérias [ atchim, mentira!] rs
Mas férias estão aí e agora vou ter bastante tempo livre.
Espero que vocês Gostem desse capítulo e continuem gostando a história tanto quanto eu ainda gosto de escrever.
Vamos juntos nessas férias e já estamos na guinada para o final de HC.
Muitas tinham comentado sobre como achavam que Charlie seria o Pai de Bella, e vocês acertaram. E então? Espero que tenham gostado! O que vocês acham que vai acontecer a partir de agora? O que torcem pra ver?
O próximo capítulo já está na metade, então não deve demorar pra sair.
Beijooooos!
