Capítulo 21
Passed tonight

Antes de a lua estar alta no céu um toque estridente ecoou pelo quarto, interrompendo a disputa de Draco e Harry que estavam abraçados num beijo longo e tentavam descobrir quem poderia ficar mais tempo sem fôlego e não quebrar o beijo. O que começou inocentemente logo era questão de honra. Draco tinha ganhado uma vez e Harry duas, mas nenhum dos dois estava muito preocupado com isso enquanto enroscava sua própria língua na do outro e com satisfação recebia pequenos e curtos gemidos de aprovação.

Resmungando, Draco foi em busca de seu celular. Era Narcissa pedindo gentilmente que Draco voltasse pra casa antes do jantar. Insatisfeito, o loiro desligou o aparelho telefônico e o jogou de lado, avançando nos lábios de Harry mais uma vez, mas dessa vez não fazia parte da competição, e sim Draco dizendo que não queria ir embora.

A verdade era que Draco era um completo refém dos toques de Harry e ele sempre se rendia sem protestar ou parar para pensar. Harry o apertou mais em seu abraço e os girou na cama, prendendo Draco com o peso de seu corpo, sem parar de beijá-lo.

- Não vou deixar você sair daqui. – Harry disse escondendo o rosto na curva do pescoço do loiro, aplicando pequenos beijos na área enquanto Draco entrelaçava suas pernas, deixando-os mais confortáveis.

Era engraçado pensar que ele, que nunca em sua vida duvidara de sua sexualidade, podia se sentir tão bem estando nos braços de outro garoto. Ou talvez fosse apenas com Harry, por que ele não se via interessado em mais nenhum outro.

- Eu não queria ir, mas não se desobedece Narcissa Malfoy. – Ele disse com um risinho, afagando os cabelos negros e rebeldes de Harry.

- Não é justo. Ficamos separados o que pareceram décadas e não tive mais do que alguns minutos com você. – Harry disse pausadamente, ainda aplicando beijos carinhosos pela extensão do pescoço e maxilar de Draco.

- Harry, tudo o que fizemos ontem não aconteceria em minutos nem se quiséssemos. – O loiro lembrou com um sorrisinho malicioso.

Harry corou furiosamente e afundou mais o rosto no pescoço do loiro, ouvindo-o rir baixinho.

- Você fica com vergonha? Impressionante. Quantas personalidades você tem, Potter? – Draco perguntou ainda com ar de riso. – Eu sinceramente prefiro o Harry selvagem que me levou ao céu algumas horas atrás.

- Esse só aparece com você. – Harry respondeu ao pé de seu ouvido, mordiscando seu lóbulo em seguida. – É o efeito que você tem sobre mim.

- Tenho que aprender a provocá-lo, então. – Ele respondeu após abafar um gemido em sua garganta.

- Não precisa de muito. – O moreno levantou o rosto para tomar os lábios ainda inchados de Draco.

Draco enterrou os dedos nos cabelos de Harry e deixou suas línguas brincarem lentas e calmas por algum tempo antes de sair do abraço quente e confortável para procurar seus sapatos.

- Seu pai está lá em baixo? – Draco perguntou tentando não fazer careta.

- Acho que sim. – Harry respondeu rolando na cama e se espreguiçando.

- Ah meu deus, eu sou jovem demais pra morrer. – O loiro disse dramaticamente, pousando o dorso da mão na testa, num ato teatral.

- E muito lindo também, mas nós temos que descer mesmo assim, ou você pretende sair voando pela janela? – Harry perguntou com tom jocoso e Draco pegou um travesseiro para batê-lo com força na barriga do moreno.

Harry esperou Draco terminar de amarrar os cadarços e o acompanhou escada a baixo. No andar inferior uma corte os esperava. Lily, James, Sirius e Remus estavam na sala de estar em uma conversa animada. Quando os dois se aproximaram, os olhos verdes de Lily brilharam em direção aos dois. Sirius parecia querer rir e Remus tentava segurar uma expressão séria que valesse pelos dois. James tinha uma expressão ilegível digna de um Malfoy.

- Draco, querido. – Lily adiantou-se em direção ao loiro e o abraçou rapidamente, mas foi o suficiente para deixá-lo desconcertado. – Eu fico muito feliz em saber que você e Harry se acertaram. Se você soubesse como ele ficou mal... Eu não sabia mais o que fazer.

- Eu também não estava no meu melhor, Sra. Potter. – Draco sorriu abertamente quando Harry segurou sua mão e entrelaçou seus dedos firmemente.

- Não gostaria de jantar conosco? – A ruiva perguntou simpaticamente.

- Oh, eu agradeço o convite, Sra. Potter, mas minha mãe pediu que eu fosse pra casa.

- Eu compreendo. – Ela sorriu e virou-se para seu filho em seguida, segurando seu rosto entre as mãos e ficando de ponta de pé para dar-lhe um beijo na testa. – Você parece ótimo, querido.

- Estou me sentindo ótimo. – Harry assentiu e sentiu o olhar pesado de seu pai sobre si. Suspirando ele desviou os olhos de sua mãe para encontrar os castanho-esverdeados o observando atentamente, mas se tranqüilizou ao ver que a pose de seu pai estava relaxada.

- Bem vindo de volta, Malfoy Miniatura. – Sirius cumprimentou. – Se eu tivesse que enxugar mais uma lágrima do Harry, eu enlouqueceria.

- Você está exagerando, Padfoot. – O moreno de revirou os olhos verdes.

- Não estou. – Ele riu. – Eu senti sua falta, priminho. Como vai Cissy?

- Muito bem, obrigado. – Draco segurou um sorrisinho de canto e Harry soube que ele estava tentando não rir. – Vou dizer a ela que o senhor mandou lembranças. Sei que ela ficará muito feliz em recebê-las.

- Oh, por favor. Agora eu gostaria de saber como vocês se acertaram.

- Acho que todos nós gostaríamos. – James soou pela primeira vez.

Harry bufou, mas Draco apenas apertou sua mão mais forte e o puxou mais para dentro da sala, sentando numa das poltronas. O moreno sentou no braço da poltrona onde o loiro estava e escutou enquanto ele falava.

Quando a história chegou ao fim, Harry queria rir da expressão incrédula de seu padrinho, enquanto Remus parecia analisar o que foi contado atentamente. James, por sua vez, tinha um pequeno sorriso nos lábios e a mesma pose de antes.

- Eu não sei se vou atrás do Malfoy e acabo com a raça dele ou se o parabenizo por ele ter percebido, pelo menos uma vez na miserável vida dele, que fez merda. – Sirius disse secamente.

- Levando em conta que para um Malfoy é extremamente difícil reconhecer, aceitar e consertar seus erros, acho que ele merece algum crédito. – Disse Draco. – Eu tenho certeza que o orgulho dele está ferido. E bem, um Malfoy ter seu orgulho ferido é punição suficiente, deixe-me dizer.

- Então você espera que eu dê tapinhas nas costas do Malfoy e agradeça por ele ter resolvido não ser um bastardo uma vez na vida dele? – Sirius perguntou soando indignado.

- Não, Padfoot, o que Draco está querendo dizer é para deixarmos Lucius viver com isso por que já ruim o suficiente. – James explicou com certa impaciência. – E eu devo concordar.

- Você não pode estar falando sério, James. – Sirius olhou para o amigo como se este houvesse enlouquecido. – Parece que você não viu como o Harry ficou...

- Claro que vi. – James interrompeu. – E Lucius deve saber como Draco ficou também. Estou certo de que ele tem consciência do mal que fez ao próprio filho. E eu também posso garantir a você que para ele, Harry estar bem ou não é indiferente. Talvez dizer a Lucius que seus atos nos incomodaram faço-o acreditar que ter feito isso não foi de um todo ruim.

- Você parece ter pensado bastante sobre isso.

- Não, na verdade não. Lucius é bem fácil de entender quando se tenta compreender o porquê dos atos dele. – James olhou para Draco. – Sem ofensa.

- Não ofendeu. – O loiro respondeu, intrigado.

- Acho que estamos de acordo que Lucius já está pagando pelo próprio erro. – Disse Remus. – Não é, Sirius?

Sirius resmungou alguma coisa e fez um gesto displicente com a mão, torcendo o rosto em uma careta insatisfeita.

- Eu tenho que ir. – Draco sussurrou para Harry.

- Certo, vou levá-lo até o carro. – O moreno levantou-se sem soltar a mão de Draco.

- Sr. e Sra. Potter, Sr. Black, professor Lupin. – Draco despediu-se com um aceno de cabeça. – Obrigado.

- Não precisa agradecer, querido. Volte quando quiser. – Lily disse sorrindo. – Mande lembranças à Narcissa, por favor.

Em resposta Draco sorriu e assentiu, deixando-se levar até a porta por Harry. Em nenhum momento o moreno soltou sua mão, nem mesmo quando ele abriu a porta e o vento gelado entrou, cortando sua pele, congelando seus ossos. Ao seu lado, Draco tremeu.

- Você não precisa ir comigo até o carro, está congelando lá fora. – Draco disse, sua voz sendo levada pelo vento, fazendo-a soar como um sussurro.

Harry pareceu considerar a proposta do loiro e depois assentiu fracamente, como se ainda estivesse pensando em negar. Só então ele soltou a mão de Draco e o frio instantâneo naquele ponto incomodou o loiro profundamente. Harry tirou seu próprio casaco, tremendo, e entregou a Draco.

- Você vai precisar mais que eu. Depois você me devolve. – Harry sorriu.

Draco sorriu de volta e vestiu o casaco sem protestar, apreciando o perfume do moreno que veio com ele. Antes de sair para enfrentar os flocos de neve que caiam lá fora, o loiro observou Harry por alguns segundos antes de se aproximar. O moreno permaneceu esperando que Draco acabasse logo com a distância entre eles, mas o garoto parecia hesitar.

- Seus pais... – O loiro sussurrou esperando que Harry compreendesse sua insegurança.

- Eu não me importo.

E foi o suficiente. Se Harry não se importava, Draco muito menos. O loiro puxou-o para um beijo que deveria ser inocente, mas não era fácil manter o controle quando suas línguas pareciam tão ávidas a manter aquela dança pelo máximo de tempo que pudessem.

- Se seu pai resolver causar problemas, pode me ligar. Eu estarei lá para enfrenta-lo junto com você. – Harry disse, apertando Draco em seu abraço, ambos sem fôlego.

- Acho que já passamos dessa fase. – Ele sorriu. – Meu pai não é mais problema.

- O que parece um tanto quanto surreal. – O moreno disse bobamente.

- De fato. – Draco concordou capturando o lábio inferior de Harry entre os seus por alguns segundos antes de voltar a olhá-lo.

- O que foi?

- Nada. – Draco balançou a cabeça e deu uma risadinha. – É só que... Eu te amo, Harry.

Um sorriso enorme abriu-se no rosto de Harry e seus olhos brilharam com algo que Draco fez questão de gravar em sua mente. No segundou seguinte o moreno o apertou mais em seus braços e escondeu o rosto na curva de seu pescoço, sorvendo de seu perfume profundamente, ainda sorrindo.

Harry levantou a cabeça apenas para encostar seus lábios na orelha de Draco.

- Eu também te amo. – Ele sussurrou.

O moreno roçou o lábio por todo o maxilar de Draco, descendo até chegar em seu queixo e subir para sua boca, tomando-a em mais um beijo.

Com certa dificuldade – já que Harry não queria que ele fosse embora e ele também não queria ir, muito menos enfrentar o frio lá fora, os braços de Harry eram muito mais confortáveis – Draco se afastou e sorriu mais uma vez antes de murmurar um "até mais" e dar as costas. Harry ainda permaneceu ali, observando Draco acelerar os passos em direção a seu carro, olhando para trás antes de passar pelos portões. O moreno acenou e só fechou a porta quando o veículo já não estava mais visível no final da rua.

Sorrindo bobamente, Harry voltou à sala para encontra-la vazia. O moreno jogou-se no sofá, fechou os olhos e suspirou longamente. Talvez não fosse normal ele ficar tão mole assim. Ou talvez fosse, levando em conta a noite anterior. E Harry sorriu com a lembrança.

Negando-se a pegar no sono antes de ter alguma notícia da chegada de Draco em casa, Harry ligou a televisão e passou pelos mesmos canais pelo menos três vezes antes de parar em um programa qualquer.


Um Sirius Black um tanto quanto transtornado passou pela sala de estar onde Harry estava vendo TV. O garoto observou o padrinho passar por ele sem nem lhe dirigir um olhar sequer. Uma das empregadas que fazia o almoço na cozinha gritou de susto e Harry escutou o barulho de vidro quebrando. Logo depois a gargalhada de Sirius preencheu o ambiente. Um sorriso tomou conta do rosto de Harry ao som, a risada de Padfoot era uma das coisas mais engraçadas que já havia escutado.

Assim que notou o padrinho voltando para a sala, Harry controlou as feições e encarou a TV, fingindo que nada acontecera. Sentiu quando o sofá afundou ao seu lado e lançou uma olhadela para Sirius. O homem ainda tinha um sorriso nos lábios, mas sua testa estava vincada de modo preocupado. Coisa que Harry raramente via. Com um suspiro resignado, ele abriu a boca para perguntar o que estava acontecendo.

- Acho que você gostará de saber que Tonks vai voltar para o Natal. – Sirius disse antes que Harry tivesse tempo de questionar qualquer coisa.

- Isso é uma boa notícia, certo? – Perguntou, confuso.

- Claro que é. – Assegurou. – Principalmente para Remus, ele só faltou soltar fogos quando eu contei. – Sirius fez um som aborrecido.

Alguma coisa na cabeça de Harry fez click e um segundo depois, ele estava gargalhando o mais alto que podia. Não conseguia acreditar como um homem lá pelos 40 anos ainda poderia ter ciúmes dos amigos, nem ele sentia mais esse tipo de coisa! Sirius o olhava com as sobrancelhas erguidas e os braços cruzados, como se ele fosse louco.

- Ah, Padfoot! Não precisa ter ciúmes! – Disse entre uma risada e outra, soando meio engasgado. Sirius rolou os olhos, impaciente. Demorou mais alguns minutos para Harry recobrar o controle. – Ora, vamos, Padfoot. Você não tem ciúmes do papai.

- Seu pai não é o Moony. – Resmungou, mal humorado.

- Obviamente, mas é seu amigo do mesmo jeito, não é? – Harry arqueou as sobrancelhas ao ver o padrinho rir com vontade.

- Não mesmo, se Prongs escuta uma coisa dessas é capaz de ele ter um enfarto. – Sirius sacudiu a cabeça, rindo. – Deixa pra lá. – Disse ao ver o olhar confuso que Harry lhe dirigia.

- Não, agora me explica que história é essa! – Harry teimou, batendo o pé.

- Bem, - Suspirou, preparando-se. – sabe, Harry, faculdade, todo mundo está atrás de novas experiências. Principalmente eu e o Moony. – O garoto ainda o encarava daquele jeito confuso. – Eu não vou explicar isso em detalhes pra você, moleque! – Era estranho como o mais velho parecia quase envergonhado.

- Você está querendo dizer que... Você e... – Harry gaguejou, gesticulando. - Padfoot! Você e Moony? – Gritou.

- Que é isso, menino? Quer que o resto da vizinhança fique sabendo? – Repreendeu, mas não pôde não rir da cara de Harry. Os olhos do garoto estavam arregalados e ele tinha levado uma das mãos à boca escancarada em choque.

- Desculpe, foi só... Como isso aconteceu? – Indagou, sem tirar a mão da boca.

- Não sei. Só aconteceu. – Deu de ombros. – Um pouco como você e o Malfoy-miniatura, acho.

- Eu sinceramente espero que não! – Apressou-se em falar. Sirius riu.

- Bem, eu garanto que não fazia a casa de ninguém de motel. – Um sorriso vitorioso iluminou seu rosto.

- Sirius! Você está me traumatizando! – Exclamou, escondendo o rosto nas mãos.

- Deixa disso, moleque! Até parece que você é uma criança inocente. – O rosto já corado de Harry parecia que ia explodir naquele momento.

- Mas você dois não... Têm nada agora, não é?

- Quem não tem o que? – A voz de Lily soou atrás deles.

Harry pulou de susto e virou-se para ver o sorriso zombeteiro no rosto da mãe. Sirius deu uma risadinha e se mexeu desconfortável no sofá.

- Estava apenas contando a Harry sobre os tempos de faculdade, Lily. – Explicou Sirius com um sorriso sugestivo no rosto.

- Oh, como você e Remus sumiam pra fazer Deus sabe o quê de vez em quando? – Lily e Sirius riram enquanto Harry gemia, indignado.

- Isso mesmo. – Levantou o polegar para a ruiva e virou-se para o afilhado. – Respondendo sua pergunta, Harry, não, nós não temos nada.

- Não por falta de tentativas, não é Sirius? – Disse Lily num tom brincalhão, passando direto para a cozinha. Novamente, Padfoot se mexeu desconfortável.

- É o que? – Perguntou um Harry indignado. – Você anda investindo no Moony, Sirius?

- Não precisa falar assim, como se fosse um crime. – O mais velho deu de ombros.

- Só estou surpreso. – Resmungou Harry. – Depois desse tempo todo? Não me diga que você só sentiu a necessidade quando viu que ele estava se interessando na Tonks? – Sirius fez o possível para parecer culpado. – Não acredito nisso, Padfoot!

- Seu pai também não gostou muito disso. – Resmungou, brincando com as próprias mãos.

- Bem, ele está certo. E Moony provavelmente viu isso também. – Harry cruzou os braços, encarando o padrinho como se ele fosse uma criança que havia feito algo errado.

- Eu só... Não sei, comecei a sentir todas aquelas coisas de novo, Harry. E você sabe que eu sou tão desajeitado com isso quanto você. Moony nem parece se lembrar de que aconteceu alguma coisa entre a gente. – Sirius suspirou e, de repente, Harry teve de se controlar para não abraça-lo.

- Talvez ele ache que você não se lembra. Você sempre andava pra cima e pra baixo com não sei quantas mulheres, queria o quê?

- Chega dessa conversa, moleque. Eu não vou receber conselhos amorosos de um pirralho como você. – Harry riu ao que o padrinho rolava os olhos.

- Pelo menos eu tenho namorado. – Deu de ombros.

- Ah, agora é namorado, é? Dá pra ser mais gay? – Bagunçou ainda mais os cabelos do garoto.

- Dá pra ser mais chato? – Retrucou, dirigindo-lhe um olhar assassino e tentando inutilmente ajeitar os cabelos. – Se a Tonks vem passar o natal aqui, isso significa que vamos ficar em casa?

- Eu sinceramente não sei. – Sirius deu de ombros. – Sua mãe não está se mexendo pra fazer a ceia e arrumar a casa, então eu acho que não.

- Por que todo ano ela faz isso? – Harry bufou. – Nós sempre ficamos sabemos no último minuto.

- Por que a preocupação, Harry? Está planejando fugir pra ficar com seu namorado? – Sirius perguntou sugestivamente.

- Dificilmente. – Harry amuou-se. – Os pais dele vão dar uma festa.

- Claro que vão. – O mais velho fez uma careta. – Enquanto isso nós vamos para não sei onde, ficar presenciando as falhas tentativas do Moony de chamar atenção da Tonks.

Harry quis dizer alguma coisa para confortar o padrinho, mas por não saber o quê e por medo de piorar a situação, não disse nada. E, para intensificar seu silêncio, o moreno tinha acabado de sentir seu celular vibrar. Draco mandara uma mensagem dizendo que havia chegado em casa e já estava cotado por Narcissa para ajudar na organização da festa. Harry sorria bobamente quando recebeu um tapa na nuca do padrinho, que estava falando alguma coisa, mas o garoto não ouvira.


No domingo de manhã Harry havia acabado de tomar banho e saído do banheiro quando seu celular – esquecido sobre a mesinha de cabeceira – começou a tocar. Ele queria que fosse Draco e até pensou que fosse mesmo, mas o nome de Ron era o que piscava na tela.

- Alô? – Do outro lado da linha tudo o que o moreno ouvia eram risadas, vozes misturadas e ele podia jurar que havia alguém cantando. – Alô? Ron? Ron!

- Harry? É o Ron! – A voz conhecida finalmente soou.

- Eu sei. O que está acontecendo? – Harry falava alto, duvidando que o amigo podia escutá-lo apropriadamente.

- Harry, você perdeu o jogo hoje! Ganhamos de Beauxbatons e agora Hogwarts está em primeiro lugar! Você sabe quando foi a última vez que isso aconteceu? Provavelmente na época em que seus pais nasceram! – Harry riu da animação evidente do ruivo.

- Isso é ótimo, Ron! – Ele disse ainda rindo.

- Ouça, estamos saindo do colégio agora e indo pra casa de Seamus para comemorar. Você devia ir também. – O barulho ao redor parecia ter diminuído e a voz de Ron de repente estava mais séria. – Sabe, estamos todos indo. Vai ser divertido e talvez ajude você a se sentir melhor.

- Me sentir melhor? – Harry franziu o cenho. – Ron, eu estou ótimo!

- Harry, todo mundo sabe como você está e é longe de ótimo. – Ron suspirou. – Depois da sua briga com Malfoy você tem estado muito mal, não precisa fingir que não.

- Oh! – Harry riu ao entender. – Está tudo bem, Ron. Draco e eu já acertamos tudo. Nós conversamos sexta-feira e ele explicou tudo. Acontece que o pai dele que contratou aquela mulher e... Enfim, é uma longa história.

- Isso quer dizer que está tudo bem entre vocês dois? Vocês estão juntos de novo?

- Estamos. – O moreno sorriu bobamente.

- Ah, mas que ótimo! Mais um motivo para comemorar! Posso dizer ao pessoal que você vem, então?

- Pode. – Harry riu.

- Vou mandar o endereço pra você por SMS. Até logo, Harry.

- Até.

O moreno teve que trocar a roupa que havia acabado de vestir e desceu as escadas contente, mas apenas para parar em choque ao entrar na sala e encontrar visitas. Tonks falava animadamente com Sirius, que tentava manter a mulher longe das vistas de Lupin, mas o choque maior foi ver sua mãe conversando com a tia de Draco, Bellatrix.

Harry quis gritar. Mas que diabos aquela mulher estava fazendo ali? O moreno analisou a cena por mais alguns instantes. Havia algo errado. Ele não lembrava de Bellatrix ter uma pose tão correta, que o fez lembrar de Narcissa automaticamente. Harry também sabia que Bellatrix tinha uma expressão mais maníaca no rosto e os cabelos mais fora de ordem, mas ela estava ali, aparentando estar extremamente confortável sentado no sofá ao lado de outro homem.

- Harry! – Tonks exclamou e levantou-se para abraçar o garoto. – Que bom ver você. E não sendo no hospital dessa vez.

- É ótimo ver você também, Tonks. – Harry sorriu ainda intrigado com a presença de Bellatrix.

- Venha, deixe-me lhe apresentar a meus pais. – A mulher, que dessa vez tinha os cabelos azuis, o puxou para o centro da sala. – Esse é meu pai, Ted, e essa é minha mãe, Andrômeda.

Harry olhou fixamente para Andrômeda, piscando repetidamente. Ela sorriu para ele e o moreno começou a notar mais algumas diferenças entre ela e Bellatrix. A cor dos cabelos, por exemplo, era mais claro e o comprimento um pouco mais curto, como o de Narcissa. E, bem, ela estava sorrindo.

- Andrômeda? – Harry piscou novamente.

- Prazer em conhecê-lo, Harry. Sirius e Dora me falaram muito de você. – Ela disse simpaticamente. – E Sirius estava me contando sobre você e Draco também. Eu, infelizmente, nunca tive a chance de conhecer meu sobrinho, mas tenho certeza que ele é um ótimo garoto.

- Não tenha dúvidas. – O moreno assegurou sorrindo enquanto apertava a mão que Ted havia lhe estendido. – É bom poder conhecer a prima preferida de Sirius.

- Oh, então você conheceu Bellatrix? – Andrômeda perguntou com uma expressão zombeteira e olhou para Sirius. Harry apenas piscou confuso.

- Muito engraçado. – Sirius revirou os olhos e soltou um muxoxo.

- Na verdade, tive sim o prazer de conhecer Bellatrix também. Por um momento confundi a senhora com ela. – O mais novo da sala explicou. – E, claro, conheço Narcissa também.

- Não tenho notícias de nenhuma das duas há anos. – A voz de Andrômeda tremeu um pouco, mas sua pose permaneceu inabalada.

- Não troquei mais de meia dúzia de palavras com Bellatrix, mas se for para julgar pelo sarcasmo, ela está maravilhosa. E a senhora Malfoy é sempre muito gentil e compreensiva.

- Elas sempre foram assim. – Andrômeda sorriu nostálgica. – Você lembra, Sirius?

- Ah, como esquecer? Bellatrix sempre tão inconveniente, me colocando em problemas que nunca foram meus, como colocar fogo no jardim da casa. – Ele disse e todos riram.

- Acidentalmente, segundo ela. – Andrômeda lembrou. – Ainda me lembro da reação de Narcissa após ver suas flores completamente destruídas. Aquele certamente foi um lado raro de se ver vindo de Cissy.

- Nem um pouco gentil ou compreensível. – Sirius concordou.

- Mas Narcissa sempre foi encantadora. Era ela quem sempre chamava atenção das nobres famílias que procuravam por mãos de jovens para serem oferecidas aos seus filhos. – Ela suspirou nostálgica.

- Eu realmente adoraria ouvir mais de suas histórias e talvez possa convidar Draco para vir conhecê-la e ouvi-las também, mas tenho que ir agora. – Harry avisou, olhando para seus pais em busca de algum protesto.

- Aonde vai, querido? – Lily perguntou.

- Hogwarts ganhou de Beauxbatons e Ron me chamou para comemorarmos todos juntos na casa de Seamus. – Ele explicou rapidamente.

- Tudo bem, mas esteja de volta antes do jantar.

- Juízo. – Disse James. – Divirta-se.

- Obrigado. – O moreno acenou para os outros e saiu.


A casa de Seamus não era longe dali e foi fácil para Harry encontrá-la. Em frente à casa de fachada verde-escura havia um jardim pequeno com uma fonte, algumas cadeiras e um balanço branco de madeira. Harry caminhou pelo curto caminho de pedra que levava à porta da frente e tudo parecia tranquilo até que a porta foi aberta e o moreno foi puxado para dentro pelo irlandês.

- Harry! Que bom que você veio. Ron disse que você viria, mas ninguém quis acreditar, então ele teve que dizer que você e Malfoy estão juntos novamente e todos ficaram tão aliviados e animados. Os irmãos de Ron, George e Fred, devem estar chegando a qualquer minuto com as bebidas. – Seamus falava enquanto empurrava o moreno pela casa e o barulho ia crescendo conforme eles adentravam o local. – Vamos, o pessoal está todo reunido perto da piscina. Cedric está aqui. Theodore Nott também. Ele substituiu um dos jogadores pouco antes do jogo começar e ele e Cedric formaram um time e tanto! Ele é amigo do Malfoy também, eu acho.

Harry não se lembrava de Draco mencionando nenhum Theodore Nott, mas assim que eles adentraram o jardim de trás – que era maior que o da frente – o moreno avistou o garoto conversando com Cedric e lembrou-se de tê-lo visto na mesa a qual Draco sentava no almoço.

- Harry! – Ele ouviu a voz de Hermione antes de a garota jogar-se em seu abraço e sua visão foi obstruída pelos seus cabelos castanhos. – Oh, Harry, eu fiquei tão feliz de saber que você e Malfoy se acertaram.

- Obrigado, Hermione. – Harry abraçou a menina com força e viu Ron sorrindo pra ele.

- Tudo bem, parceiro? – Ron perguntou com um aceno de cabeça.

- Tudo ótimo. – O moreno respondeu sorrindo de volta para ele.

Quando Hermione se afastou Harry pode olhar ao redor. Estavam lá Seamus, Dean, Parvati e Padma Patil, Lavender Brown, Hermione, Ron, Cedric, Theodore, Neville e Luna. Pouco tempo depois Fred e George apareceram, juntamente com a namorada de Fred, Angelina e, é claro, as bebidas.

Algumas horas mais tarde, metade da turma estava bêbada e a outra já se encontrava bastante alegre. Lavender e as gêmeas Patil conseguiram encurralar Harry e faziam todo tipo de pergunta embaraçosa sobre Draco, enquanto Ron ria do pânico do amigo. Cedric estava em um canto conversando animadamente com Seamus, Dean e Theodore Nott sobre os jogos e sobre como era certo que eles ganhariam esse ano. Neville e Luna estavam – pasmem! – aos beijos no sofá de Seamus, assim como Fred e Angelina. Enquanto George e Hermione observavam tudo, rindo para si mesmos de vez em quando.

Foi observando o estado de embriaguez dos amigos que George teve a ideia de juntar todos para brincar. O jogo seria "Eu Nunca" e todos estavam muito animados, já que era uma ótima chance de descobrir os podres uns dos outros. George explicou rapidamente como seria a brincadeira para aqueles ainda um pouco confusos: eles se sentariam no chão, formando um círculo e alguém falaria uma coisa que nunca tivesse feito e se uma pessoa no círculo tiver feito tal coisa, teria de beber um gole de vodka pura. E então, seguiria a brincadeira no sentido horário.

Todos se organizaram em círculo, como George havia dito, e este foi o primeiro a dizer algo que nunca havia feito:

- Eu nunca beijei um cara. – Falou, rindo.

Todas as meninas do grupo, juntamente com Harry, Cedric e, para a surpresa de todos, Theodore Nott beberam. O próximo seria Fred.

- Reformulando a frase: eu nunca me interessei por ninguém do mesmo sexo. – E fez um high five com o irmão, arrancando risadinhas das meninas.

Harry soltou um longo suspiro, pegou a garrafa e bebeu, passando-a para Cedric, Theodore, Seamus e Dean. Estes dois últimos estavam mais corados do que jamais estiveram na vida.

- Eu não estou interessada por ninguém do mesmo sexo neste momento. – Disse Angelina e novamente todas as meninas estavam soltando risadinhas.

- Essa é minha namorada! – Exclamou Fred, a abraçando enquanto George se inclinava para fazer outro high five.

Theodore Nott olhou discretamente para Cedric, que lhe devolveu o olhar e os dois beberam. Harry, Seamus e Dean também.

- Deixa eu pensar... – Disse Ron.

- Pensar? Por que, Ron? Existem poucas coisas que você nunca fez, né? – Cedric zoou, arrancando risos de todos ali.

- Muito engraçado, Cedric. – Ron lançou um olhar assassino para o amigo. – Eu nunca... beijei o Harry.

E de novo, todos caíam na gargalhada enquanto apenas Cedric pegava a garrafa de vodka e bebia sozinho. Harry corava furiosamente, procurando um lugar para se esconder.

- Eu nunca tirei nota baixa. - Falou Hermione, recebendo olhares assassinos de todos no grupo.

- Você não é nem um pouco divertida, Hermione. – George resmungou revirando os olhos.

- Ei, cale a boca. – Ron defendeu a namorada. – Você devia tomar essa garrafa toda pela quantidade de notas baixas que já teve.

- Ah, e você também é um grande gênio, irmãozinho. – Fred brincou, bagunçando os cabelos do irmão mais novo.

A garrafa passou de mão em mão enquanto todos bebiam.

- Eu nunca tirei dez em química. - Pronunciou-se Neville, tímido.

- Ah, Neville, aí é sacanagem! - Exclamou Fred.

Desta vez, até Hermione bebeu, mesmo que um tanto inconformada. Alguns resmungaram baixinho sobre o professor Snape.

- Eu nunca fui abduzida. - Disse Luna, olhando para o nada. A gargalhada que Harry soltou contagiou o resto e todos passaram um bom tempo rindo.

A garrafa permaneceu intocada e Luna pareceu um pouco desapontada.

- O quê? Minha vez, já? - Theodore perguntou. - Okay. Hm… Eu nunca… beijei o Cedric. - Harry engasgou na própria saliva.

- Isso daí já é perseguição, vocês querem me embebedar? - Perguntou, indignado.

- Calma, Potter, ainda não terminei. - Theodore rolou os olhos. - Eu nunca beijei o Cedric, mas vou fazer o possível pra mudar isso.

Os olhares arregalados de todos no grupo se voltaram para Cedric, que tinha o rosto corado e um sorrisinho convencido nos lábios.

O jogo seguiu com algumas frases comprometedoras ditas até que estivessem demasiado bêbados para continuar. Aí que a coisa desandou de vez. Os casais estavam espalhados por todo o lado, aos beijos. Harry se encontrava a um canto observando Theodore e Cedric praticamente chuparem a alma um do outro pela boca. Um sorrisinho atingiu seus lábios, era ótimo ver Cedric finalmente seguindo em frente.

Tudo estava muito bom até Harry lembrar que, ao menos por aquela noite, ele não tinha ninguém de quem chupar a alma pela boca. Mesmo tendo visto Draco no dia anterior, uma saudade fora do comum o invadiu. Ele deixou sua mente voltar para a noite de sexta e todos os momentos vividos com o loiro desde que os dois se acertaram. Estiveram pouquíssimo tempo juntos, não era o suficiente para compensar uma semana sem nem trocarem olhares direito.

Os olhos de Harry começavam a se encher de lágrimas ao lembrar-se de como os olhos do loiro brilhavam e como o sorriso dele era lindo. Sem aguentar mais, pegou o celular no bolso da calça, ele discou rapidamente o número 1 na discagem rápida, o nome de Draco piscou na tela. Duas chamadas depois ele atendia e Harry teve certeza de que o loiro estava sorrindo.

- Draco? – Perguntou com a voz fraca.

- Harry? Tudo bem? – A voz do loiro parecia bem mais séria e Harry quase pôde ver o cenho franzido em preocupação.

- Saudades. – Resmungou Harry, fazendo bico (e dando graças à Deus que Draco não podia vê-lo). – Por que você não tá aqui? – Sua voz soava confusa e as palavras se enrolavam umas nas outras. O loiro riu do outro lado da linha.

- Você está bêbado? – A risada soou novamente.

- Não! – Disse rápido demais.

- Não minta pra mim, Harry. – Censurou Draco, tentando manter-se sério.

- Não estou mentindo, estou com saudades! E você não respondeu minha pergunta! Quero você aqui, Draco! – Harry já estava praticamente gritando agora, sem nem perceber a risada do loiro e alguns olhares estranhos em sua direção. – Agora, de preferência.

- Onde você está?

- Sei lá! – Desta vez, o próprio Harry estava rindo.

- Como eu posso ir até aí pra ficar com você sem saber onde é?

- Dá um jeito! Só vem pra cá. – Fez bico novamente. – Preciso de você. – E desligou.

Harry andou até Ron e Hermione, sem se importar se atrapalharia alguma coisa. Ele pensou ter ouvido Theodore Nott xingar alto e um toque de celular em algum lugar ao longe, mas sua preocupação no momento era fazer os amigos o escutarem e pararem de se agarrar – tarefa não tão fácil.

Meia hora depois, Draco estava adentrando a sala de estar de Seamus. Harry, que falava animadamente com um Ron e uma Hermione muito mal humorados, se levantou num pulo e correu para abraçar o loiro.

- Draco! – Harry gritou, sorrindo. – Oh, eu não acredito que você está aqui. Eu senti tanto a sua falta.

Draco apenas riu, concordando, enquanto abraçava o namorado de volta e sentia o olhar de todos no cômodo sobre eles dois. Ao se afastar, Harry segurou o rosto do loiro entre as mãos e o observou com um ar pensativo.

- Você é tão lindo. – Ele suspirou. – Eu te amo tanto. Eu não sei o que eu fiz para merecer uma pessoa tão maravilhosa quanto você na minha vida, mas eu não poderia estar mais agradecido por você estar comigo agora. Olhe só pra você com esses lindos olhos cinza, me deixando mais apaixonado a cada minuto.

Era verdade que toda aquela conversa de Harry era bastante apreciada pelo ego de Draco, mas estar fazendo aquele pequeno espetáculo na frente de todos era extremamente desagradável. Pensando nisso, Draco abraçou o moreno novamente, tentando fazer com que ele se calasse, enquanto buscava Seamus com os olhos.

- Eu não posso levá-lo para casa desse jeito. Ele precisa de um banho frio e algumas horas de sono. Onde fica o banheiro?

- Meu quarto é o primeiro à esquerda no corredor. Pode usar meu banheiro e colocá-lo na minha cama depois. – Seamus disse.

- Certo. Granger... – Draco chamou olhando ao redor novamente. – Você está sóbria o suficiente para ser útil?

- Eu estou perfeitamente bem, Malfoy. – Hermione garantiu, rolando os olhos, e Draco acreditou.

- Será que você pode ligar para a mãe de Harry e dar uma desculpa?

- Que tipo de desculpa? – Ela levantou uma sobrancelha.

- Ah, sei lá, você que é a CDF aqui. Diz que precisou de uma carona até a biblioteca ou qualquer coisa assim. Só avisa que ele vai se atrasar para o jantar. – Então Draco olhou para pessoa ao lado de Hermione. – Weasley, você pode me ajudar a subir as escadas com ele?

Um silêncio se arrastou pela sala ao que todos esperavam a resposta de Ron. Por fim o ruivo assentiu e todos pareceram voltar a respirar. Harry estava murmurando algo contra o pescoço de Draco quando Ron pegou um de seus braços e passou pelos seus ombros enquanto o loiro fazia o mesmo com o outro, encaminhando-se para a escada em seguida.

- Ron, fala comigo. – Harry resmungou enquanto era arrastado escada à cima.

- O que foi, Harry? – O ruivo tinha um tom risonho em sua voz.

- Você não acha que o Draco é lindo? – Ele perguntou seriamente. – Ele é incrível.

- Er, claro. – O rosto de Ron ficou tão vermelho quanto seus cabelos de repente.

- Ah, e ele é tão gostoso. Provavelmente o garoto mais sexy que eu já vi. Você não acha? – O moreno esperou por uma resposta, mas essa não veio. Ron tinha os olhos arregalados e fixos nos degraus à sua frente. – Eu acho. A bunda dele é uma delícia. Não conta pra ele, mas eu fico encarando a bunda do Draco quando ele não está olhando.

- Harry, por favor, cala a boca. – Ron implorou.

- Pfft. – Harry riu alto. – Não fica com inveja, Ron. Você sabe que é verdade. Quero dizer, olha pra ele! O Draco parece um daqueles modelos de cueca... Se bem que eu o prefiro sem cueca.

- Malfoy, se você não fizer com que ele se cale agora mesmo, eu vou soltá-lo. – O ruivo ameaçou, seu rosto parecendo que iria explodir.

- Harry? – Draco chamou rindo do desespero de Ron. – Harry, por que você bebeu? Você sabe que não aguenta, seu idiota.

- Estávamos jogando! – O moreno disse como se explicasse tudo.

- Jogando? – Ele levantou uma sobrancelha para Ron.

- "Eu Nunca" – O ruivo explicou dando de ombros da melhor maneira que conseguiu.

- Esse jogo é uma droga! Vocês não sabem como se divertir. – Draco revirou os olhos.

Eles agora estavam em frente ao quarto de Seamus e Ron abriu a porta, ajudando Draco a levar Harry até o banheiro, colocando-o debaixo do chuveiro desligado. Assim que foi encostado a parede do box, o moreno fechou os olhos.

- Pode ir, Weasley, eu assumo agora. – Draco garantiu.

- Tem certeza? – O ruivo perguntou observando o amigo.

- Tenho, mas se você quiser ficar e me ajudar a tirar a roupa dele...

Antes mesmo que Draco pudesse terminar a frase, Ron já estava fora do quarto. O loiro riu e murmurou um "idiota" para o garoto que sumira.

- Harry? Está acordado?

A única resposta que o loiro recebeu foi um aceno de cabeça. Devagar ele começou tirando o casaco preto do moreno, desfazendo os três botões de sua camisa verde de malha e manga comprida em seguida, dobrando tudo e colocando sobre o balcão da pia do banheiro. Sua boca salivou em frente à pele bronzeada exposta, mas Draco manteve-se concentrado em sua tarefa. O loiro alcançou o zíper da calça jeans escura que Harry usava, mas antes que Draco pudesse desfazê-lo completamente, a mão do moreno fechou-se em seu pulso.

- O que você está fazendo? – Harry perguntou com a voz dura, mas seus olhos permaneciam fechados. – Não me toque, eu tenho namorado.

Draco não pôde evitar sorrir como um bobo diante às palavras de Harry.

- Harry? – O loiro chamou, tentando trazer o outro garoto de volta à consciência, o que deve ter funcionado, por que o moreno abriu os olhos.

- Draco. – Ele sorriu. – Está se aproveitando de mim, é?

- Claro. – Draco riu.

Ele voltou a realizar sua tarefa – despir Harry – mas dessa vez sob o olhar atento do garoto, que tinha um pequeno sorriso malicioso nos lábios finos. Draco ainda protelou sobre se devia deixa-lo de cueca, mas terminou por tirar a peça, não havia nada ali que ele já não houvesse visto e Harry também não protestou.

Assim que todas as peças de roupa do moreno estavam apropriadamente dobradas e seguras sobre o balcão, o loiro abriu a água fria. O moreno chiou, mas não tentou fugir.

Alguns minutos mais tarde Harry se aninhava na cama de Seamus sem fazer cerimônia. Draco puxou um cobertor e beijou o moreno quando este reclamou, dizendo que não dormiria sem um beijo de boa noite. O loiro duvidava disso, mas fez como ele pediu e esperou até que ele pegasse no sono – o que não demorou a acontecer.

Draco desceu para falar com Seamus novamente. Pediria uma aspirina e acesso à cozinha, pois em breve Harry acordaria com uma dor de cabeça dos infernos.

- Como ele está? – Cedric perguntou à Draco quando este esperava que Seamus voltasse com uma aspirina.

- Não é da sua conta, Diggory. – Ele respondeu mal-humorado.

- Ouça, Malfoy, eu acho que deveríamos deixar de lado todo esse ódio. – O mais alto sugeriu dando de ombros.

- Ah, você acha? – Draco cerrou os olhos para ele.

- Harry me tinha na palma de sua mão por muito tempo, Malfoy, mas mesmo assim ele quis você. Ele não vai voltar atrás agora. Eu também não estou tentando mais, está claro como ele gosta de você. – Cedric sorriu simpaticamente. – Ele tinha a nós dois e fez sua escolha há muito tempo.

O loiro analisou a girafa à sua frente por bons segundos, ainda com os olhos cerrados. Draco nunca admitira que ele estava certo, mas ele estava. Assim como Draco havia se entregue ao moreno, Harry era completamente seu. E não havia Diggory ou Greengrass que mudasse isso.


Obrigada Yann Riddle Black, Maru, Sonialeme, Ines G. Black, Sestini, Deryck Astaire, Pandora Beaumont, bvcsalvatore, MarciaBS, Giovana PMWS.

Gente, passamos de 10.000 hits nessa fic! MUITO OBRIGADA por isso. A você que está acompanhando sem comentar, a quem comenta, a quem indica e a cada um que faz parte desses hits.

Respondendo a pergunta de muitos de vocês: não, nós não planejamos fazer uma continuação para Invincible. Todos os planos e ideias que tínhamos para esta fic já está presente na história e não planejamos levá-la mais a diante.

Mas essa fic não vai ser a primeira e última que iremos postar. Eu e Carol estamos dividindo uma com a outra as ideias que temos para novas histórias, seja para escrevermos juntas ou separadas.

Nós já terminamos de escrevê-la na última terça-feira, dia 7, e como dito anteriormente, terá 22 capítulos mais o epílogo.

Mais uma vez obrigada, até próximo sábado!