Capítulo 20 – O Coração dos Amantes.

Mais uma vez Tom se encontrava no escritório de Dippet. Os dois e mais Alexei estavam em silêncio havia alguns minutos. O diretor os olhava seriamente com os dedos cruzados em frente ao rosto.

Passado mais algum tempo, perguntou:

- E então? Ninguém vai explicar o que aconteceu? – como ninguém respondia, ele se virou para Tom. – E então, Tom? Novamente briga por causa de uma garota...espero que isso não esteja se tornando uma atração anual para Hogwarts.

- Sinto muito, senhor. Confesso que dessa vez a culpa é minha. – tinha pensado bem no que diria e achou melhor contar a verdade. – Fiquei fora de mim quando vi que ele batia na minha melhor amiga.

Alexei parecia prestes a ter um ataque cardíaco. Arregalou os olhos e gaguejou.

- I-isso...não é verdade. Eu jamais bateria em uma mulher...senhor.

- Tenho testemunhas que dizem o contrário, senhor Simmons. – Dippet falou com um semblante carrancudo.

- E-ela...me tirou do sério.

- Isso não justifica bater em uma dama! Os dois estavam errados e vão receber detenção. Assim que as aulas recomeçarem, eu os chamarei de voltar e cada um terá o seu castigo. Podem se retirar.

Alexei se levantou, mas Tom não.

- Diretor Dippet, posso falar em particular com o senhor?

- Isso não é justo! Ele o envenenará contra mim!

- Senhor Simmons...calado. Pode se retirar.

Contra a vontade, Alexei saiu e fechou a porta. Tom esperou para ter a certeza de que o menino tinha descido as escadas para que começasse:

- Eu quero pedir desculpas. Desde que Leah voltou à sua fisionomia original eu me sinto muito abalado porque ela me lembra muito a irmã... Erin morreu pelas mãos do namorado e quando vi Alexei batendo em Leah toda essa história se repetiu em minha cabeça. Sinto muito.

Dippet concordou com a cabeça e abaixou as mãos da posição inquiridora. Agora parecia mais compreensivo.

- Entendo, Tom. Deve ter sido terrível para você.

- E ainda está sendo, senhor. Eu gostava muito dela.

- Mas sabe que não posso deixar de castigá-lo...

- Oh, claro que não! E eu nem pediria isso! Eu errei e mereço o que vier...o que quero pedir é outra coisa.

- O que?

- Preciso visitar o túmulo de Erin. Esse acontecimento me fez ver o quanto sinto sua falta e como preciso me despedir definitivamente dela.

- Fez uma viagem a pouco tempo, Tom. Não permito que meus alunos fiquem saindo de Hogwarts.

- Sei disso, mas não seria um passeio... e também não perderia aula ou passaria muito tempo fora. Voltaria até no mesmo dia.

Ele pareceu pensar um pouco e concordou.

- Tudo bem. Quer ir essa semana?

- Se for possível, gostaria de passar meu aniversário com ela...

- Mas passará o Ano Novo longe das festividades, dos amigos e...da atual namorada?

- Não estou me sentindo muito festivo ultimamente e... – deu um sorriso que parecia triste. - ...depois de ontem acho que não tenho mais namorada.

- Bem, você que sabe. Esteja livre para ir quando bem entender, mas antes das aulas recomeçarem e que volte no mesmo dia.

- Obrigado, senhor. Com licença.


31 de dezembro de 1941

Finalmente chegou o dia. Passei a semana fazendo todos os preparativos e agora chegara a hora.

Sem ter que dar explicações a mais ninguém – Potter me evitou toda a semana, bem como Knight. Malfoy ficou tentando agradar a ambos então ficava parte do tempo comigo e outra parte com a Knight – peguei o Expresso Hogwarts e saltei em King's Cross. De lá fui para o Caldeirão Furado. Minha visita ao cemitério seria apenas de noite.

Esperei até o sol começar a se pôr e peguei o nôitebus andante até o cemitério da cidade onde Erin havia sido enterrada.

Cheguei já no escuro e entrei pelo gigante portão de ferro. Não havia uma viva alma...ou morta. Nem mesmo um guarda ou coveiro.

Procurei a lápide de Erin e quando encontrei, olhei novamente em volta para me certificar que ninguém me observava. Comecei a cavar e após uma hora já havia tirado os sete palmos de terra.

Puxei o caixão de Erin para fora com muita dificuldade, pois não podia usar magia fora de Hogwarts, e o abri. Os vermes comiam suas belas feições que ainda não tinham se desfeito e mesmo naquela podridão me senti atraído por ela.

Com uma faca fiz um corte em seu peito. Ele se abriu como uma flor desabrochando. Mais vermes e um cheiro pútrido saiu dali, mas o coração estava intacto. Apanhei-o e coloquei-o dentro de um saco e logo em seguida, dentro de minha mochila.

Antes de fechar o caixão abaixei-me diante daquele pedaço de madeira e sussurrei: "Adeus". Dei um beijo onde não havia bicho e voltei a enterrá-la.

Saí dali depressa e voltei para King's Cross. Peguei o trem de 21:30 e cheguei em Hogwarts às 23:00. Corri para o dormitório, que estava vazio – afinal todos aguardavam ansiosos a chegada do novo ano –, e após pegar o que queria fui para uma sala de aula vazia. Lá abri o pergaminho com as instruções e as segui.

Havia preparado a poção do amor logo no início da semana e a cobra também não foi difícil de arranjar. A Floresta Proibida está cheia delas e para um ofidioglota como eu, tudo ficou ainda mais simples.

Preparei tudo em um caldeirão e joguei o coração de Erin. O meu mesmo batia apressadamente com receio de que não desse certo, mas o líquido ficou vermelho e sorri.

Bebi e nos primeiros segundos nada senti. E então comecei a me sentir estranho...meu peito apertou. Não era uma dor física, mas uma dor emocional. Senti saudades de Erin e algo que nunca havia sentido na vida: arrependimento.

Não me envergonho de dizer que chorei como um bebê. Isso fazia parte do processo da poção. Chorei e me condenei e amaldiçoei e me bati por ter matado aquela garota que tanto amava. Desejei-a com toda a vontade e também que estivesse ali, que pudesse abraçá-la, beijá-la e sentir seu corpo junto ao meu como naquele Natal...

Tive que reunir todas as minhas forças para apanhar a varinha que havia caído para longe de mim e apontei para meu peito. Um corte começou a se abrir e gritei de dor. Gritei como nunca havia gritado. Ainda bem que havia me precavido e feito a sala ficar a prova de som. Agora era uma dor física. Aquela poção fazia com que eu sentisse todos os tipos de dores possíveis e imagináveis!

O coração saía lentamente. Eu praguejava: isso! Não quer sair mais devagar, seu desgraçado? Tenho todo o tempo do mundo com essa dor horrível...

Finalmente eu o vi. Vermelho, sangrando e pulsando bem à minha frente.

Toda a dor havia sumido: a física e a emocional. Não sentia mais nada. Pensava em Íris, Coline, Leah...Erin...mas nada modificava minha indiferença. E então comecei a gargalhar como louco. Quando finalmente parei, tranquei meu coração em uma caixa de Pandora nova que havia comprado. Essa seria reservada apenas para esse propósito.

Estava tudo tão tranquilo e quieto. Não só em Hogwarts, como em mim. Aquele era meu som predileto: o eco do vazio que o meu coração deixava em meu peito e, principalmente, o silêncio dos poucos sentimentos que um dia já tive indo embora para sempre.

Finalmente estava livre daquelas emoções mesquinhas e humanas. Eu agora era o monstro que nasci para ser. Era Lord Voldemort completo.

Aquele havia sido o melhor presente de aniversário da minha vida.

Deu meia-noite.


Olá! Resolvi postar hoje porque amanhã pretendo sair e não quero atrasar a postagem novamente.

Espero que tenham gostado do capítulo dessa semana :)

Eu coloquei a parte toda - desde a preparação até o final do feitiço - pela narração em primeira pessoa porque eu acho que daria uma descrição melhor dos acontecimentos. Nem mesmo um narrador onisciente e onipresente poderia descrever melhor uma dor psicológica e emocional tão profunda do que aquele que a sente, não é mesmo? Por isso é o Tom que conta o que aconteceu. Permiti ao Tom ter esse gostinho de poder contar o que aconteceu por ele mesmo rs

Ah, pra quem não notou o título dessa fic se dá justamente por causa desse capítulo.

Beijos e mandem reviews!