Como não conseguia ter noites longas de sono, Sasuke levantou-se logo ao amanhecer. Quando foi á sala de jantar deparou-se com Daisuke que já tomava seu dejejum, ele sorriu ao ver o pai:

_Bom dia papai.

_Bom dia.

_O que podemos fazer hoje? –perguntou animado.

_Desculpe, tenho muito o que fazer. –o sorriso no rosto do pequeno sumiu, o Imperador então perguntou: _Daisuke, você sabe cavalgar?

_Não.

_Então é isso que vamos fazer. –respondeu simplesmente e o garoto abriu um lindo sorriso novamente.

Quando Sakura acordou, vestiu-se e foi até o quarto do filho e foi grande a sua surpresa quando viu que ele não se encontrava lá. Desceu as escadas aflita e encontrou o cunhado:

_Itachi! Você sabe onde Daisuke está?

_Ele foi aprender a andar á cavalo com Sasuke.

_Certo obrigada. –ela se surpreendeu com aquilo, tomara que o Uchiha não colocasse a vida do filho em risco.

Até iria lá certificar-se de que eles estavam bem quando se deparou com a última pessoa que queria ver naquele momento:

_Sakura, que prazer ver você por aqui depois de tanto tempo. –disse com um tom debochado e sua voz enjoada.

_Karin. Não posso dizer o mesmo ao seu respeito. –respondeu sincera.

_E o que a trouxe de volta?

_Meu filho com Sasuke. –disse seca, será que já não era óbvio que não queria conversa com aquela criatura?

_Ai que gracinha ele deve ser, se tiver puxado ao pai claro.

_Encoste essas suas mãos nojentas em um fio de cabelo do meu filho e eu quebro isso que você chama de cara. –a Imperatriz falou em um tom de ameaça explícita.

_Mãos nojentas é? Sasuke adora as minhas mãos e do que elas são capazes de fazer. –a ruiva riu.

_Poupe-me dos detalhes, eles de fato não me interessam em nada. Mas espero que não tenha vindo aqui só para me chatear.

_Minha presença te chateia tanto assim? Não foi o meu intuito. –falou cínica.

Daisuke olhava admirado ao belo cavalo negro do pai:

_Quando crescer poderá ter um desse, por enquanto aquele é o seu. –apontou para o pônei branco. –o menino fez uma cara emburrada e Sasuke afagou seus cabelos levemente.

Colocou-o sobre o pequeno animal e lhe deu as rédeas explicando o que fazer.

_Para que ele ande, bata os pés de leve nele ou bata as rédeas rapidamente.

O menino obedeceu, começou a bater os pezinhos no tronco do animal e as rédeas ao mesmo tempo. No começo o animal começou a andar devagar, depois começou um trote e quando deram conta estava correndo pelo campo verde gramado.

_AAH! –berrava aflito.

_PUXE AS RÉDEAS COM FORÇA DAISUKE! –gritava Sasuke correndo até eles com sua própria montaria.

E assim que o garoto o fez o pônei empinou-se com o ato e o Uchiha mais novo caiu para trás. O Imperador saltou do cavalo e foi até o filho, não devia ter se machucado já que o pônei era baixo.

_Você se machucou?

Ele começou a rir, uma gargalhada melodiosa de uma criança. Sasuke não pôde deixar de dar um pequeno sorriso, ajudou-o a se levantar, tinha apenas esfolado os cotovelos, talvez aparecesse um hematoma na pele clara de suas costas mais tarde, mas o menino parecia não se importar estava muito feliz.

Praticaram mais um pouco, Daisuke levava tudo na brincadeira e cada descoberta era como uma grande aventura para ele. Depois retornaram ao palácio, o pequeno segurando uma das mãos do Uchiha.

Adentraram dando de cara com Sakura e uma ruiva, o olhar que lançavam uma para outra não era nada amigável.

_Karin o que faz aqui? –perguntou o Uchiha com seu tom gélido habitual.

_Nossa seu filho é mesmo lindo! –ignorou tentando apertar as bochechas do menino quando Sakura o puxou para si:

_Lembre-se do que eu te avisei. -estreitou os olhos para Karin.

_Se você já terminou de se exibir pode ir embora. –o Imperador continuou.

_Então me dê ao menos um beijo de despedida. –disse agarrando o moreno.

_Já chega. Vá embora! –falou a empurrando.

A ruiva fez uma cara magoada e olhou furiosamente para a rosada que retribuiu o olhar, virou-se e com o nariz empinado foi embora.

_Mamãe, por que aquela mulher tentou beijar o papai?

_Ela... bem pobrezinha, é louca sabe? Por isso fique longe dela. –disse a mãe notando os pequenos machucados nos braços do filho. _Sasuke Uchiha o que aconteceu com meu filho?!

_Meninos caem e se machucam brincando, é natural. –explicou despreocupado subindo as escadas.

_Não foi culpa do papai. Foi tão legal mamãe! Ele me ensinou a andar á cavalo! –exclamou animado.

Sakura não pôde evitar sorrir, Daisuke estava mesmo adorando a companhia de Sasuke.

Durante o jantar estavam todos sentados á mesa: Sasuke na cabeceira por ser o Imperador, á sua esquerda Sakura e Daisuke, na sua direita Itachi e Ino, vendo assim até pensariam ser uma família feliz e perfeita.

Depois de comer, o pequeno resolveu quebrar o silêncio:

_Papai por que você e mamãe nunca se beijam? –nesse momento a Imperatriz arregalou os olhos, Ino começou a rir e Itachi se engasgou. _Tio Naruto e tia Hinata viviam se beijando.

Sakura sentiu sua face esquentar enquanto buscava palavras certas para aquela pergunta, mas foi surpreendida pela mão do Imperador em sua nuca a puxando para um beijo rápido fazendo com que o menino exibisse um sorriso de satisfação.

_Ino, será que pode levar Daisuke pra cama fazendo um favor?

_Claro. Vamos lá lindinho.

_Boa noite mamãe, papai e tio Itachi.-saiu dando as mãos para a loira.

_Acho que é melhor eu ir também. –o irmão mais velho se retirou deixando o casal a sós.

Permaneceram em silêncio até que Sakura resolveu quebrá-lo:

_Daisuke parece mesmo estar gostando da estadia e reconheço que me surpreendi com sua atitude de ensiná-lo a cavalgar hoje. –admitiu.

_Eu sei muito bem como é ser ignorado pelo pai e não quero cometer esse erro novamente. –falou com peso em sua voz, sabia que já havia feito aquilo com o filho.

_Até hoje eu não compreendo as razões pela decisão que fez.

_Não é nada que você deva saber. –cortou-a prontamente.

_E então, aquela vaca vermelha vai continuar vindo aqui sem respeitar nem a minha nem a presença do seu filho? –mudou de assunto.

_Karin não é mais necessária, já que está de volta.

_Ora seu! Como pode dizer coisas assim e não sentir vergonha?! –ergueu-se saindo quando sentiu seu braço sendo puxado, o Imperador agora também estava de pé.

_Não pode mentir pra si mesma. –seus olhos tinham um brilho diferente, sim ele a desejava.

_Me solte! E para sua informação, não sairá por aí novamente fazendo o que quiser de mim, não sou um objeto. –puxou seu braço de volta e saiu deixando um Uchiha agora totalmente sozinho para trás.

´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´Abriu a porta do quarto de Daisuke, este dormia serenamente ela sentou na beirada da cama e beijou sua testa.

Como não encontrou Ino foi direto ao seu quarto, a cada dia se detestava mais porque mesmo sabendo como Sasuke era uma parte dela tinha vontade de pular sobre ele e lhe encher de beijos. Mas seu lado forte também estava ali e a cada desaforo que ele dizia, essa resistência se tornava maior, pois era como se a certeza de que ele não a merecia só aumentava. Por mais que as atitudes dele com Daisuke tenham sido de se admirar, Sasuke havia praticamente abandonado o filho por cinco longos anos e isso não poderia deixar de ser levado em conta, além é claro do rombo que fez em seu coração a despachando daquela forma, sentiu-se mais usada e humilhada do que nunca e ainda se lembrava claramente de suas palavras.

Enfim, era como um cabo-de-guerra. E o que é o amor há não ser isso, um jogo entre se entregar ou ser forte. Uma dura batalha interna que ela enfrentaria todos os dias daqui pra frente...