Nota da Autora: Eu sei que iria postar daqui a duas semanas, mas tive um surto de inspiração e espero que esse surto continue.
Fechada
- Tem certeza que está em condição em viajar? – perguntou o senhor feudal a miko pela terceira vez naquela manhã deste que foi informado que eles iriam partir.
- Devemos continuar com a nossa busca. – disse InuYasha percebendo que Kagome continuava distante da conversa e talvez sequer percebera que o velho havia falado com ela de tão perdida entre seus pensamentos, mas um sutil sorriso apareceu lhe provando o contrário, mesmo sendo fingido. - Iremos caçar o responsável por tudo que aconteceu em suas terras.
Ela olhou para ele, igual o restante do grupo, confusos. Não era normal ele agir civilizadamente com outros. Mas logo Kagome deu de ombros, não lhe importava do porque o hanyou estava agindo assim. Pois nem todos estavam sendo eles mesmo, ela era prova disso. Agia como Kikyou nos primeiros dias andando nas terras dos vivos novamente.
Ela ficara assim deste que acordou na madrugada gritando por causa de um pesadelo e só voltou a dormir quando Sesshoumaru pareceu e ficou ao lado dela até que acalmasse e voltasse a dormir. InuYasha ficou surpreso ao ver a interação entre os dois, sempre viu hostilidade por parte de seu meio-irmão para os humanos, hanyou e youkais fracos, até imaginava que era assim também com os poucos mais forte do que ele. Mas vê-lo afagando o cabelo de Kagome era algo surreal.
- Então levem alguns suprimentos para ajuda-los em sua jornada. – o velho fez movimento com a mão para os criados da posada se aproximarem com cestos. – É o mínimo que eu posso oferecer depois que fizeram.
Kagome se afastou, não sabia o que pensar, só achou melhor se distanciar deles porque qualquer tipo de gentileza com pena, principalmente a pena, lhe incomodava e isso vinha de todos, dos amigos, filhos, das pessoas que abriam passagem para ela passar. Sequer percebera que estava olhando fixamente para o castelo do senhor feudal, parecia abandonado e o miasma que antes existia lá havia sumido. Tinham lhe dito que tinha criados e soldados começaram a reconstruir juntamente com alguma homenagem que não quisera saber e também soube que foi Miroku quem purificou e fizera cerimonias de velório para as crianças e para os guardas que morreram naquele castelo.
Até gostaria de ter participado, mas de certo modo também não queria.
- Miko-sama. - uma voz infantil lhe puxou de volta a realidade para lhe livrar dos pensamentos. Ajoelhou-se ao notar que era a menina que se aproximou dela no castelo.
- Oi pequena, como está?
- Estou bem, Miko-sama. - disse com um grande sorriso no rosto. Então esticou os braços para mostrar um pássaro feito de papel diante dos olhos azuis de Kagome. - Mamãe disse que quando faz mil Tsuru, os deuses me consideram um desejo.
- E qual desejo seria?
- É um segredo. - disse a menina com um sorriso sapeca. - Quero que leve esse com a senhora para se lembrar do que fez a nós. Não liga para aquelas mulheres, a senhora nos salvou e eu sempre irei me lembrar de você.
Ela entregou o pássaro de papel e deu um abraço antes de se afastar correndo para juntos de alguns adultos. Kagome ficou olhando para o origami, ela certamente não iria esquecer o que aconteceu no vilarejo levaria isso sempre consigo.
- Kagome.
Ela levantou e olhou para o dono da voz, deveria se sentir grata por ele ter lhe reconhecido como uma igual, afinal era isso que ela queria quando o pediu que começasse a chamá-la pelo o nome, já que o considera assim. Mas sequer conseguia ser ela mesma e tentava isso. Notou o pequeno fragmento em sua mão.
O havia sentido deste que acordara no dia anterior, mas sabia o quanto Sesshoumaru não gostava de poderes posteriores por acreditar ser falsa, por isso que o lorde não usava fragmentos da joia. Tendo essa razão em mente Kagome não tinha mencionado nada, pois também sabia que o pequeno pedaço estaria em segurança e seria devolvido a ela quando tivesse oportunidade.
Quando o tocou, o pedaço da joia purificou rapidamente, mesmo ela não usando o reiki.
- Obrigada por guardá-lo. - murmurou colocando o fragmento junto com outro.
A pérola já estava quase na metade, faltava pouco para terminar com as buscas e depois era só ir atrás de Naraku para conseguir o restante, do que provou ser uma tarefa difícil. Assim teria o fim de sua jornada.
Era onde estava a dúvida.
Pelo o que viu na visão de Kikyou, não tinha certeza o que seu futuro lhe guardaria quando finalmente terminasse. Não sabia se deixaria a sua vida na Era feudal para trás junto com a família maluca que adquiriu ou poderia ficar presa naquela Era sem poder rever a sua família. Isso era um mistério, entretanto, Kagome sabia que iria aceitá-lo de qualquer maneira. Porque a sua vida iria começar quando a joia estivesse destruída
- Miko-sama.
Virou-se para uma mulher de aparência humilde e a reconheceu de imediato. Era uma das mães que perderam o filho. De repente quaisquer palavras que poderia dizer sumiu e sua garganta ficou seca, não fazia ideia do que fazer, então apenas fez q única coisa que nem notara, a ficou encarando enquanto escutava o rosnado de Sesshoumaru ao seu lado.
Se o que Sesshoumaru queria era intimidar a mulher e a fazer pensar no pior, estava fazendo um ótimo trabalho já que a mulher se encolheu e deu alguns passos para trás. Visivelmente dava para perceber o quanto ela estava com medo.
- Q... queria me desculpar pela minha atitude. – gaguejou a mulher e se curvou rapidamente perante deles. - Você veio... nos ajudar e...
- Não precisa. - falou Kagome a interrompendo, não gostava quando as pessoas faziam reverência diante de si, sempre ficava incomodada por parecer que ela não era igual a eles. Ela era uma humana igual a eles. - E estavam certas, esse vilarejo foi atacado por minha causa. Fizeram seu filho parte de uma armadilha para mim e sinto muito por isso. Espero que algum dia possa me perdoar.
- O que você está fazendo com ela!? - InuYasha praticamente gritou repentinamente antes de se colocar entre Kagome e a mulher. Estava disposto a não permitir que qualquer um do vilarejo a machucasse como antes.
- Estamos apenas conversando InuYasha. - Kagome falou calmamente colocando a mão sobre o ombro do amigo para diminuir os ânimos dele. - Vamos embora.
Ela ajeitou a mochila e aljava junto com o arco nos ombros antes de tomar o caminho das ruelas sendo seguida pelos outros.
Tinha sido cinco longos dias deste que saíram do vilarejo, eram dias de um silencio ensurdecedor, principalmente por parte de Kagome. Isso incomodava bastante Sesshoumaru que liderava a caminhada deste que foram atacados por youkais da Terras do Sul. A miko não lutara como deveria, usava o arco e a katana sem reiki se transformando um estorvo na batalha. Depois que InuYasha gritara com ela, a mesma usava um pouco do reiki, mas ainda se recusava a treinar com ele ou com Kikyou.
O lorde havia se acostumado a tudo que o grupo estranho poderia oferecer para passar o tempo como os resmungos constantes de InuYasha sobre a sua presença, os jogos que a miko criara para entreter Shippou, Rin e Koraku, as reclamações de Jaken por ser o alvo das brincadeiras, as insinuações do monge sobre a exterminadora e as consequências dos atos dele.
Contudo, como um membro importante estava completamente distante a tudo e até mesmo as tentativas dos outros alegrá-la se tornavam fracassos após de alguns minutos, a viagem se tornava silenciosa enquanto ela voltava a se trancar em seus pensamentos, parecia que a vida dentro dela estava desvaindo e podiam ver isso nos olhos azuis.
Claro que sabiam do motivo, era algo além do que tinham visto porque Kagome aos longos dos anos batalhava contra youkais e contra os planos de Naraku, mas no fim ela conseguia sorriso novamente. Desta vez, a miko era assombrada pelos pesadelos noite após noite, chorava e se culpava, então Seesshoumaru permanecia próximo a ela até que conseguisse voltar a dormir, havia se tornado uma rotina noturna que não o incomodava quanto podia imaginar. Na verdade, descobriu que apreciava. Principalmente ao estar relacionado a ela.
Recordou-se das palavras do seu eu do futuro, ela havia o ensinado a ser um pouco mais tolerante nesse tempo. Se, por um acaso, quisesse ser "ele" no futuro, a miko quebrada seria o caminho.
Notou quando Kagome parou de andar de repente olhando para os lados expandindo o reiki, ela tentava decidir se o que estava vindo era amigável ou não, mas logo um suspiro de alívio escapou de seus lábios ao perceber de quem se tratava e sem querer deixou a informação escapar. Em poucos segundos, InuYasha estava na frente dela rosnando e praguejando sem parar, sabia o objetivo de ele estar se aproximando.
O redemoinho apareceu acima das copas das árvores e derrubou o hanyou no chão antes desaparecer completamente para mostrar o youkai lobo que não perdeu tempo para segurar as mãos de Kagome.
- Como a minha linda mulher estar? – perguntou Kouga ignorando os rosnados ao seu redor.
- Estou bem. - respondeu ela com um sorriso costumeiro, mas não passou despercebido para o grupo que era fingido, até mesmo para o Kouga, que podia sentir pelo o cheiro que ela emanava, a sua prometida não estava bem. E só tinha um culpado.
- O que você fez a minha mulher!? - gritou Kouga soltando as mãos de Kagome e se voltando pro InuYasha para logo o segurar pelo haori vermelho.
- O que faz pensar que foi eu?
- Porque é sempre você, vira-lata!
- Solte o InuYasha. - disse Kagome tentado separá-los.
- Não precisa protegê-lo, Kagome. Avisei para esse cão sarnento que se um dia a fizesse chorar eu acabaria com a sua raça.
- Não foi ele... Aconteceu algo nossas buscas... Por minha causa houve perdas.
- Kagome, você não teve culpa. - interrompeu Sango.
A miko nem tentou convencer o contrário, afinal elas tinham essa conversa todas as noites depois que acordava do pesadelo, já até conhecia suas palavras de tanto que ela repetia, do mesmo jeito era os outros. Apenas Sesshoumaru ficava em silêncio e ela apreciava isso. Não queria palavras de consolo, apenas precisava de colo ou de companhia que não lhe cobrasse mudança. Nem ela mesma sabia como poderia conseguir com o youkai frio.
Quando finalmente conseguiu separar os dois olhou para Sesshoumaru, estava com expressão fechada e com o cenho franzido enquanto o seu olhar era fixo em Kouga que gritava com InuYasha na típica rixa de ela ser ou não a sua prometida, ou outra coisa que ela não se importava. Rin se encontrava escondida atrás dele segurando sua mão, ela se encolheu os uivos distantes soaram. Se lembrou de uma conversa que tivera com a pequena de como conheceu Sesshoumaru antes de ser atacada e morta por lobos antes de se juntar a ele. Achou que foi por isso que o mesmo estava com cara de poucos amigos.
Foi em direção de Rin e ficou na sua altura.
- Não precisa temer, minha querida. Eles não irão tocar em você, eu lhe prometo isso. - disse afagando o cabelo negro da pequena.
A mesma assentiu, mas continuou segurando firmemente a mão do lorde enquanto via os companheiros de Kouga chegarem com os lobos cansados de tanto segui-lo. Kagome sugeriu pararem para um almoço, assim os lobos poderiam descansar antes de Kouga começar a correr novamente.
Separaram-se para encontrar galhos secos para a fogueira, InuYasha derrubava galhos maiores para servir de assento enquanto Kagome e Kikyou procuravam neve que seja limpa para poder usar no ramen já que estavam distantes de córrego. Em pouco tempo Sango e Miroku já estavam deixando Kouga e os outros a par da situação.
- Então é por isso que Kagome estar desse jeito? – questionou Kouga para si mesmo ao olhar para a miko que atiçava o fogo que Shippou causara na madeira. Havia mais um motivo para continuar com sua caça a Naraku, já não bastava o hanyou ter assassinado seus companheiros e acusar InuYasha para enganá-lo. Agora havia machucado a sua Kagome num nível que demoraria para ela voltar a ser o que era e duvidava disso cada vez que observava a interação dela com as crianças que lhe ajudava. Raiva se apossou, queria acabar com o ganhou imediatamente. – Quem Naraku pensa que é para machucar a minha mulher? Será um cara morto quando encontrá-lo.
- Isso se eu o encontrar primeiro. – disse InuYasha sentado num galho. Tinha deixado a rivalidade com o lobo de lado, enquanto Kagome estivesse fechada para tudo com o olhar sem esperança, o grupo não era o mesmo, mas ainda conseguia ver algum rastro da humana extrovertida e irritante dentro da mesma, só tinha que achar um jeito de trazê-la de volta.
- Da próxima vez eu estarei perto de você, mamãe. Eu irei protegê-la. - disse Shippou com convicção ao entregar os temperos para ela.
- Rin queria proteger a mamãe também. - disse Rin com pesar.
Os comentários puxaram Kagome dos pensamentos, só a ideia de eles estarem numa batalha lhe deixava sem chão. Não conseguia e nem queria imaginar a possibilidade de algo acontecer a eles.
- Não fiquem assim, minha querida. Até porque eu não permitirei que fizesse isso, nem mesmo você Shippou.
- Mas quem irá protegê-la?
- Eu mesma. - deu um sorriso gentil, claro que não ficara chateada por considerá-la fraca, porque não era aquilo que pensava, embora ela tenha provado isso algum dias. - Sem contar que não estarei sozinha.
- Isso mesmo, estaremos ajudando Kagome-sama para o que for. - completou Miroku ao lado de Sango que afirmou com a cabeça, mas logo ficou imóvel e deu um forte tapa na cara do monge antes de se afastar e praguejar sobre a mão errante. Miroku começou a massagear o rosto numa tentativa de diminuir o ardor, viu que a situação não provocara divertimento como antigamente. - Quando derrotamos Naraku, tudo voltará a ser como antes e poderemos seguir com a nossa vida.
- É isso que se engana. - disse Kagome. - Eu deveria ser a última pessoa da fase da terra a dizer e isso não irá mudar o que Naraku é, alguém horrível com sede insaciável de poder, prova disso foi ele ter amaldiçoado a sua família, Miroku. Mas o que estou tentando dizer, é que a mente e a alma dele já foram corrompidas ao ponto de ser manipulado pela a joia sem que notasse.
- Como sabe disso? - perguntou InuYasha.
- Quando morri, não fui para o paraíso ou o inferno, eu estive presa num lugar escuro e sem esperança de que eu poderia sair, por algum tempo pensei que fui para o inferno, mas Kikyou me informou como era estar dentro da joia. E eu estive lá, sentia o que aquele lugar é e o que a joia queria... Não quer ser purificada e deseja mais almas egoístas cheia de irá e sofrimento, mas quando sentiu o que um ser espiritual poderia ter esse tipo de sentimento. Quer mais. Por isso que manipula quem estiver em o seu poder. Como fico constantemente purificando os fragmentos não fui corrompida, ainda. - ela sussurrou a última parte, mas não deixa de ser notado para quem tivesse audição apurada. - Só a união de quatro almas que pode destruir a joia. Fazer o desejo correto... Não é mais por questão de culpa ou querer fazer a coisa certa que junto a joia, é por sobrevivência, minha sobrevivência.
Todos ficaram em silêncio dirigindo aquela nova informação. Sabiam que a Joia de Quatro Almas era poderosa, mas não daquela forma.
- Disse que quando morreu ficou presa na joia. - começou Ginta. - Como conseguiu sair de lá?
- Sesshoumaru-sama me tirou de lá usando Tenseiga para me ressuscitar e como uma parte de minha alma estava no mundo dos vivos, fui liberta facilmente.
De repente Kouga se levantou e ficou na frente de Sesshoumaru, que fez o mesmo levantar uma sobrancelha imaginando o que o lobo queria.
- Eu possuo um enorme débito com você por ter salvado a minha mulher. - disse Kouga arrogante com a cabeça erguida.
O lorde franziu o cenho, as palavras "minha mulher" o irritava e muito, deste da chegado do lobo ele tinha que constantemente reprimia o rosnado que subia no peito cada vez que Kouga insistia em chamar Kagome assim. Estava doido para destruir o lobo e faria isso caso repetisse novamente.
- Esse Sesshoumaru não fez por você, lobo, e a alma de Kagome é mais do que essencial.
Dito isso o lorde se afastou e sumiu entre as árvores deixando a maioria estático, principalmente Kagome, enquanto InuYasha se incomodava com as palavras do meio-irmão.
