Boa leitura!
Novamente vamos lembrar que eu não sou a Wikipédia em assuntos como AIDS, futebol americano e vestibular nos Estados Unidos. Tenham compreensão porque é muita coisa pra pesquisar, ok?
EPOV
Nada de sexo por, pelo menos, semanas. Foi nessa situação que eu me encontrei após o Baile de Primavera. Quando Bella propôs que nós transássemos, imaginei que meus dias de abstinência tinham chegado ao fim, e que agora nós poderíamos ter uma vida sexual ativa juntos. Porém, com toda a tragédia do hímen diferente e de meu cara grande demais para ela suportar, eu retornei a base um; mãos dadas, beijos discretos e só. Nada de amassos, nada de ver seus peitos que eu tanto amava ou de ter o mínimo de contato sexual com ela. E não era pra menos. Prometi que iria respeitar seu tempo e que nós iríamos transar quando ela estivesse pronta de verdade, mas ao relembrar que nós chegamos a iniciar o ato, só me deixava mais incontrolável ainda, porque queria senti-la daquela forma outra vez. Mas isso não seria tão cedo, eu sabia.
O que me ajudou a superar essa fase foi a final do campeonato de futebol e o termino do último ano da escola. Passei a treinar todos os dias da semana por quase cinco horas seguidas, já que o time Chenango Forks High School tinha ido para a final contra o Window Rock High School do Arizona. E assim, precisei conciliar essas horas extras no campo com as últimas provas para finalmente dar tchau a escola. Minha sorte era estudar com Bella e vê-la durante as aulas e almoço, porque eu não tinha mais tempo para nada quando entrava no treino às 15h e saía quase às 21h, e sendo assim, as nossas tardes em sua casa deixando de vez de existirem. Minhas folgas no final de semana eram gastas para descansar, ou seja, dormir o dia inteiro, acordar para comer e ver Bella – onde eu sempre acabava dormindo no colo dela enquanto assistíamos um filme qualquer na TV. Ainda bem que eu tinha uma namorada bastante compreensível nesse aspecto e que, às vezes, me mimava com um prato especial que ela preparava para eu não definhorar de tanto exercício.
Mas eu precisava ser impecável nos dois jogos da final porque certamente algum olheiro de faculdade estaria de olho no melhor quarterback do campeonato, que por acaso era eu. Tinha mandado minhas inscrições para todas as faculdades que me interessavam e as respostas já deveriam estar a caminho quando Maio chegou. Mas o maior interesse para mim era ter uma bolsa integral para jogar no time de uma delas e mais tarde seguir a carreira profissional como sonhava desde que segurei uma bola de futebol americano pela primeira vez. A pressão era enorme, eu sabia, porém também entendia que se eu conseguisse, seria a maior realização depois de anos de esforço para provar que eu poderia ser um atleta completo mesmo sendo soro positivo. Ninguém do time sabia disso, muito menos o treinador – e pelo que eu conhecia, iria me deixar no banco a partir do momento que soubesse que seu melhor jogador era limitado em alguns aspectos de saúde. Eu estava fazendo isso tudo por mim; para ter a sensação de que poderia conseguir qualquer coisa sem me importar com o vírus e todas as conseqüências dele.
A semana anterior ao primeiro jogo da final - que seria em Forks - foi sem dúvida a mais estressante para mim e conseqüentemente para Bella. Ela teve que me aturar nervoso, reclamando de tudo, só falando sobre o grande jogo e como eu precisava ser 100% nele. Todas as jogadas já haviam sido treinadas inúmeras vezes e o time inteiro já sabia o que deveria ser feito em campo, no entanto, minha mente só conseguia pensar em novas formas de aperfeiçoar as jogadas e ganhar com uma grande diferença para o segundo jogo ser sossegado. Eu sabia que estava me tornando um namorado insuportável, porém era mais forte do que eu; só pensava em futebol. Tanto era que eu nem estava tentando mostrar a Bella que ela poderia se sentir segura comigo, para começássemos a tentar fazer sexo novamente.
Por isso fui surpreendido na quinta à tarde quando ela me ligou dizendo que tinha uma surpresa para mim em sua casa e que eu deveria estar lá o mais rápido possível. O treinador tinha nos liberado para relaxar antes do jogo e pela primeira vez no último mês eu poderia ir pra casa logo após a escola para descansar depois de muito treino, mas mudei meus planos e me arrastei para a casa de Bella. Ela me cumprimentou com um beijo e tinha um sorriso travesso na face enquanto me conduzia até a sala com almofadas grandes no chão.
- Sente-se e me espere. - ela ordenou correndo até a cozinha.
Sentei no tapete e me recostei no sofá com uma almofada nas costas. Charlie só chegaria do trabalho depois das 18h e eu poderia ficar à vontade, até arranquei meu tênis para esticar meus pés cobertos pela meia e suspirei de cansaço, porque era só isso que eu senti nos últimos dias. Bella chegou poucos minutos depois carregando uma bandeja, colocando-a em minha frente quando se ajoelhou ao meu lado, me deixando ver um prato com três mini-sanduíches e um copão de suco.
- Pra mim? - perguntei surpreso.
- Você tem um grande jogo amanhã e está muito estressado, então eu imaginei que pudesse te dar uma tarde relaxante com sanduíches saudáveis e seu suco favorito; morango com laranja e hortelã. - ela explicou colocando o prato sobre o próprio colo e me entregando o copo de suco. - Eu preparei tudo antes da aula, pode ser que o de atum não esteja tão gostoso depois que ficou na geladeira e...
- Está perfeito.
- Você nem sequer provou.
- Só pelo simples fato de você ter feito pra mim já o torna perfeito. Vem cá...
Bella colocou novamente o prato na bandeja quando eu fiz o mesmo com o copo de suco. Ela sentou-se em meu colo, e a medida que eu abraçava sua cintura, ela laçava meu pescoço. Dei um beijo breve em seus lábios rosados e Bella me sorriu tão cheia de fofura que eu suspirei ao ver que a garota que eu amava era a que queria meu bem sempre, que preparava sanduíches só para me ver relaxado. Um gesto tão insignificante para alguns, mas que para mim já fez metade do estresse desaparecer.
- Eu queria te relaxar um pouco antes de amanhã porque odeio te ver tenso dessa forma. - ela murmurou alisando meu maxilar um pouco barbudo já que até preguiça para fazer a barba eu estava tendo. - E você tem pêlos demais para um garoto de 17 anos.
- Eu sei. - retruquei dando risada desse comentário. - Estar com você já me relaxa bastante.
- O que você fazia nos anos anteriores quando não tinha ninguém para te preparar sanduíches gostosos?
- Bem...
- O que?
- Esquece. - murmurei lembrando o que exatamente eu fiz na final do ano passado.
- Diz, Edward.
- Ok, eu digo. - suspirei buscando as palavras certas para explicar. - Eu tive uma recaída com Rose na final do ano passado e ela meio que me ajudou...
- Como? - Bella insistiu e eu me perguntei se ela era tão inocente assim para não captar de vez o que eu queria dizer.
- A gente passou a noite toda transando, foi isso.
- Oh... - ela murmurou desviando o olhar de mim. - Entendi...
- Esquece que eu disse isso, sério. Foi antes de te conhecer e eu era muito mais tarado do que sou hoje porque estava descobrindo como sexo é bom e... Argh, esquece tudo que eu disse antes de você sentar em meu colo, pronto!
- Eu não estou tão incomodada assim com o fato de você já ter feito isso antes, só que... Eu me sinto meio inútil agora, sabe? Sanduíche e sexo são coisas totalmente diferentes, principalmente em relação a relaxamento...
- Eu não me importo em esperar, Bella. De verdade.
- Eu queria não ter medo de tentar outra vez, mas...
- Mas deixa isso pra lá. - pedi segurando seu rosto com as duas mãos e fazendo carinho com os polegares em suas bochechas fofas. - A hora certa vai chegar e você não terá medo, então será perfeito como deveria ter sido desde o começo. Com calma, sem estresse, como você merece que seja sua primeira vez.
- Ok.
Ela fez um bico de frustração e eu sorri com sua expressão de cão abandonado na mudança, a beijando sem pressa. Mas a urgência logo chegou e eu senti a mão de Bella agarrar minha camisa com uma garra e meus dedos adentraram seus fios para prendê-la com mais força contra mim enquanto eu explorava sua boca quente. Precisávamos parar ali antes que eu ficasse duro e não pudesse aliviar, conseqüentemente ficando mais tenso, e no dia seguinte sendo capaz de arrancar a cabeça de alguém do outro time. Só que Bella queria mais, deu a entender isso quando se levantou de meu colo rapidamente para em seguida montar em mim com as pernas nas laterais de minhas coxas. Afastei nossos lábios para respirar fundo e ela atacou meu pescoço com beijos nervosos e com a língua tocando minha pele.
- O que... O que você está fazendo? - gaguejei tentando me controlar, mas ela estava incontrolável. - Bella...
- Apenas... tentando. - ela sussurrou levantando o rosto pra mim e me encarando com os lábios entreabertos e ofegante. - Se eu não conseguir a gente para, mas deixe-me tentar...
- Eu não quero apressar e tudo dar errado de novo.
- Shiii, não diga mais nada, Edward. Me beije, é só isso que eu quero.
Eu a beijei como ela quis e perdi o controle sobre meu corpo, ficando excitado e sentindo meu cara escondido na calça jeans roçando no meio das pernas de Bella, quando seu corpo se movimentou no ritmo de nosso beijo. A sensação mandou um arrepio intenso para minha coluna e eu gemi contra os lábios de Bella, a fazendo gemer em resposta e se movimentar outra vez contra mim. Agarrei sua bunda com uma mão e coordenei seu quadril quando ela fez de novo e de novo, começando a cavalgar em meu membro rígido e a ofegar contra meus lábios ainda tentando beijá-la. Ficou um pouco difícil manter o beijo quando agarrei sua nádega delicada e fechei os olhos ao sentir meu quadril querendo impulsionar no mesmo ritmo que Bella se roçava contra minha pélvis. Bella beijou novamente meu pescoço e eu joguei a cabeça para trás em busca de sanidade, controle físico, qualquer coisa que me deixasse em órbita, e não com aquela sensação insana de prazer.
Senti sua bochecha discretamente molhada de suor e eu não pensei duas vezes antes de levar minha mão para seu seio esquerdo e começar a acariciá-lo no mesmo ritmo que ela continuava a ir e vir em cima do meu cara. Bella não tinha pressa, ia lentamente e depois pressionava com um pouco mais de força arrancando um gemido de mim com a dor prazerosa que aquilo causava. Naquela situação eu esqueci que ela nunca tinha transado, que sua experiência sexual se resumia a uma tentativa frustrada e esqueci principalmente que ela tinha medo de tudo que envolvesse sexo. Ali, Bella era uma adolescente normal dando uns amassos com o namorado e praticamente transando sobre as roupas só porque teve vontade de se esfregar nele. Eu estava orgulhoso, extasiado, feliz por tê-la agindo como queria, não como deveria e aquela era minha garota. Corajosa para tomar a atitude de me dar um pouco de relaxamento antes de um jogo importante.
- Isso... - sussurrei apertando seu peito sem força quando ela começou a roçar contra uma parte específica e isso me deu muito mais prazer. - Aí... isso...
Busquei seus lábios com sede de sua língua e ela apoiou uma mão no sofá atrás de mim para continuar com o movimento de quadril enquanto eu segurava seu rosto e mordia sua boca com desejo. Uma onda de prazer veio e eu trinquei os dentes no lábio inferior de Bella com mais força, sentindo em seguida o gosto peculiar de sangue que arranquei dela sem querer, mas nenhum dos dois se importou com isso naquele momento. Meu sangue era seu sangue e nós dois éramos iguais naquele momento, enquanto ela me impregnava com sua respiração pesada e eu tinha todos os seus sabores na boca. Meu tesão aflorou quando senti sua mão delicada agarrar minha nuca e eu gozei sem pestanejar, o interior de minha cueca esquentando conforme eu relaxava.
Bella parou de movimentar quando eu estremeci e soltei um gemido equivalente a um rugido fraco de um leão, fechando meus olhos e soltando seu rosto. Por alguns segundos eu aproveitei apenas o prazer de um orgasmo e ela continuou em meu colo quieta, uma mão em meu peito e a outra em meu pescoço suado. Enfim abri os olhos e lá estava Bella, de bochechas coradas e suadas, de olhos curiosos e de lábio cortado por meus dentes indelicados envolvidos pelo momento. Dei uma risada frouxa e a beijei uma última vez antes de pousar minhas mãos em suas coxas e voltar a rir.
- Qual a graça? - ela perguntou com todo o direito.
- Eu acabei de gozar em minha calça, essa é a graça. - respondi a vendo juntar a sobrancelhas em curiosidade. - Foi muito bom... Excelente.
- Concordo. Não que eu tenha... gozado. - ela murmurou envergonhada. - Mas ainda assim foi muito bom.
- É assim que sexo deve ser. Prazeroso, sem pressa, deixando rolar.
- As preliminares são mais interessantes que o ato em si. Pelo menos para mim...
- Nós vamos descobrir uma forma de tornar o ato tão divertido quanto as preliminares pra você. Eu prometo.
Com um último beijo Bella levantou de meu colo e sentou ao meu lado no chão. Os sanduíches estavam intocados assim como o suco o qual ela esperava que eu comesse, assim como planejou nossa tarde. Mas uma coisa leva a outra e agora eu precisava de um banho e me livrar de uma cueca inutilizada. Mas por uma boa causa.
- Eu adoraria ficar e comer o lanche que você preparou, mas minha situação é um pouco desagradável...
- Tudo bem. - ela murmurou ficando de pé e pegando a bandeja. - Eu vou embalar os sanduíches para você comer depois.
- Obrigado.
Segui-a até a cozinha e discretamente ajeitei meu cara dentro da cueca o informando mentalmente que daqui a pouco ele teria um pouco de liberdade e ar puro para respirar em paz. Bella embalou os três sanduíches com papel alumínio e eu peguei o suco para tomar pelo menos um gole e assim o lanche da tarde não ficar totalmente perdido, sentindo que nossa brincadeira tinha derretido as pedras de gelo e o deixado um pouco mais quente, mas ainda assim do jeito que eu gostava. Ela me entregou o pacotinho de comida e me acompanhou até a porta, ficando na ponta dos pés para me dar um último beijo antes de se despedir de mim.
- Obrigado pela tarde de relaxamento. - sussurrei contra seus lábios.
- Espero que te ajude no jogo de amanhã.
- Se eu fizer um lançamento que dê em touchdown vou dedicar a você. - comentei e sua expressão já se modificou. - Tô brincando.
- Palhaço!
- Eu te amo, Bella.
- Eu também, Edward. - ela retrucou sorrindo e acariciando meu rosto. - Muito.
Eu sabia que ela me amava, dava para perceber no modo que seus olhos se apertavam e adquiriam um brilho particular, assim como os meus ficavam quando eu estava com ela. Bella - com esfregação no cara ou não - era perfeita pra mim e já me relaxava só de existir e ser minha, simples assim.
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BPOV
Da arquibancada eu já sentia toda a pressão daquele jogo importantíssimo para a escola e principalmente para Edward, talvez esse tenha sido o motivo que tenha me feito aceitar assistir ao primeiro jogo dele. Eu não entenderia metade das coisas que iriam acontecer no campo, mas Alice prometeu que tiraria minhas dúvidas se eu tivesse alguma e se ofereceu para ir me buscar, já que agora com carteira de motorista ela fazia questão de ir a qualquer lugar com Baby. Foi uma aventura cheia de adrenalina e eu consegui chegar viva e a tempo de ver a entrada das líderes de torcida da escola antes do jogo começar. Garotinhas saltando de minissaia para o delírio dos garotos presentes e eu agradeci o fato de meu garoto estar concentrado no vestiário naquele momento.
- Perceba como a Angela é a mais vadia de todas. - Alice murmurou para mim e eu analisei a morena jogando a perna para cima e gritando junto com as outras. - Aposto que se pudesse iria torcer sem calcinha ela iria, só pra se exibir para os garotos.
- Que horror, Alice! - comentei rindo e apertando meus joelhos de nervosismo.
- Relaxa, Bella. O jogo já está vencido, nosso time é muito melhor que o deles.
- Não estou preocupada com o resultado do jogo. Quer dizer, estou também porque isso será muito bom ou muito ruim para Edward, só que estou mais preocupada com aquilo. - respondi indicando o banco de reservas em nossa frente.
Os treinadores de ambos times conversavam com um homem alto de meia idade e eles apertaram sua mão agradecendo, e pelo o que eu pude perceber na hora, entendi que aquele era o olheiro de alguma faculdade. Ele era o homem que iria analisar cada passo de Edward no campo e, quem sabe, iria decidir seu futuro no próximo semestre, fatos que só me deixaram mais nervosa.
- O olheiro, entendi. - Alice murmurou assentindo. - É um jogo muito importante mesmo, mas vai dar tudo certo.
- Eu espero.
Nossa atenção foi chamada para o campo quando anunciaram a entrada dos times e a arquibancada inteira tremeu ficando de pé, gritando e torcendo por nosso time, porém permaneci sentada procurando com os olhos por Edward. Ele vinha logo atrás de Emmett e carregava o capacete no braço olhando para baixo enquanto andava, incrivelmente concentrado apesar do barulho que faziam. Eu pedi a Deus mentalmente para que tudo desse certo aquela noite. Logo em seguida, ele olhou para a arquibancada me procurando e quando me encontrou deu um sorriso de alívio, dizendo que me amava apesar de ser impossível escutar e eu aceitei aquilo como um sinal divino de que tudo iria ficar bem.
- Vai, momô! - Alice gritou mesmo depois que a maioria das pessoas já estivesse sentada e Jasper acenou para ela meio sem graça.
- Senta, Alice. - pedi a puxando pelo braço, mas ainda assim ela continuava quicando.
O juiz chamou os quarterbacks de lado e conversou alguma coisa, certamente sobre a importância daquele jogo e como queria fairplay dentro de campo. Edward assentiu o escutando falar e apertou a mão do quarterback de uniforme azul bebê, colocando o capacete para se juntar ao restante do time ao redor do treinador. Mais um pouco de conversa e eles deram aquele grito másculo de incentivo antes da primeira jogada ser feita e as primeiras jardas serem conquistadas. A hora de jogo deu início e minhas unhas iriam sofrer a cada segundo.
Ao final nós tínhamos vencidos por 25 a 14, um resultado bom porque nos deu a vitória, mas pela expressão dos jogadores não muito satisfatório. O treinador não parou de gritar e pediu os três time-outs que tinha direito para gritar mais um pouco com Edward e com outros dois jogadores, se bem que as broncas quase sempre eram direcionadas a Edward, o homem do lançamento que deveria realizar as jogadas de modo perfeito. Quando ele levou uma penalidade de 10 jardas ao lançar a bola assim que um jogador da defesa o agarrou pela cintura para jogá-lo no chão eu pensei que o treinador fosse ter um AVC de tão vermelho que ficou, e ele acabou jogando seu boné com força no chão. Porém, Edward soube reverter a situação ao lançar três bolas que Jasper recebeu e fez os três touchdowns no último tempo. No fim tudo deu certo e ele arrancou o capacete deixando os fios suados para todos os lados, mas sendo abordado pelo olheiro antes de chegar ao vestiário.
As pessoas já estavam deixando a arquibancada, mas permaneci em meu lugar enquanto observava o homem conversar por alguns minutos com Edward e ao final entregar um cartão para ele. Alice deveria estar assistindo também a cena, pois assim que viu um sorriso discreto nos lábios de Edward enquanto ele segurava o cartão agarrou meu braço e começou a soltar grunhidos de felicidade.
- Ele conseguiu! - ela gritou me abraçando pelo pescoço, só que eu ainda estava tensa.
- Será?
- O cara deu o cartão para ele, Bella. Edward vai jogar em alguma faculdade como ele sempre quis!
- Eu... nem sei o que dizer.
- Vamos esperar no estacionamento por ele.
Ela me arrastou para fora do campo e me deixou caminhar sozinha para o estacionamento quando encontrou suas amigas e começou a pular em comemoração pela vitória de nosso time e pela conquista de Edward. Mesmo não tendo mais unhas mordi a do polegar tentando relaxar e ter um pensamento positivo sobre o cartão que Edward recebeu, mas só voltei a respirar normalmente quando o vi se aproximando de seu carro no qual eu já estava encostada, sorrindo para mim. Seu olhar era de puro cansaço e tudo que eu queria era abraçá-lo, mas Alice foi mais rápida e pulou em seu colo enquanto o agarrava pelo pescoço.
- Nós vimos! - ela gritou voltando ao chão. - O olheiro te deu um cartão, não foi?
- Foi... - ele murmurou colocando a mochila sobre o capô e suspirando.
- O que ele disse? - murmurei perguntando.
- Que foi um jogo difícil, que o outro time surpreendeu na defesa quase impecável, mas que eu soube executar as jogadas de acordo com a necessidade do time nos dando a vitória.
- E o que mais? - Alice insistiu quase tremendo de ansiedade.
- Ele é de Yale e disse que minha vaga é quase garantida para jogar pela faculdade no próximo semestre. Eles me querem lá.
- Oh, irmãozão!
Alice o apertou pelo pescoço novamente e eu sorri de alívio agora que sabia que tudo deu certo e que Edward iria ser um profissional como sempre sonhou. Ele fez uma expressão engraçada como se tivesse sufocado pelo aperto da irmã, mas a deixou abraçá-lo com a força que quisesse, pois Alice foi uma das pessoas que acompanhou seu esforço desde o começo e estava tão feliz quanto ele, quanto eu, quanto Carlisle e Esme iria ficar quando soubessem.
- Você pode me soltar para eu comemorar com minha namorada? - Edward perguntou enquanto ainda era esmagado por alguém com metade de sua massa muscular.
- Desculpa. - ela disse o soltando e sustentando o sorrisão. - Eu só estou feliz demais por você, Edward. Você conseguiu!
- Eu sei.
- Parabéns. - sussurrei quando ele me abraçou e deixou quase todo o peso cair sobre mim, a cabeça em meu ombro e os braços sem força ao meu redor.
- Obrigado. - ele sussurrou de volta e eu senti sua respiração quente contra minha pele.
- Vou encontrar Jasper agora, ok?
- Esme sabe disso? - Edward perguntou a encarando rapidamente.
- Claro, duh. À meia noite estarei em casa.
- Nem um minuto a mais.
- Vocês não vão à festa na casa do Tyler?
- Não. - Edward respondeu me olhando e sabendo desde já que eu não curti a idéia. - Eu estou cansado demais para festas.
- Vocês que sabem. Até amanhã!
Alice correu para o outro lado do estacionamento e montou nas costas de Jasper quando o viu passar com os outros caras do time. Ele a segurou no colo e a beijou com fervor, um pouco demais para quem estava assistindo e Edward revirou os olhos antes de tirar a chave do Volvo do bolso da calça jeans.
- Eu te levo em casa. - comentou abrindo a porta para mim e me entregando a mochila.
O caminho até minha casa só não foi totalmente silencioso porque eu liguei seu iPod em uma lista de músicas clássicas e isso somado ao ronco do motor preencheu o interior do carro, porque eu não disse nada apesar de notar sua expressão de preocupação, mostrando-me que Edward estava concentrando em algum pensamento. Pousei minha mão sobre sua coxa e a acariciei até seu joelho o fazendo me encarar rapidamente ver um sorriso de quem dizia "eu estou aqui para tudo, pode contar comigo" e era verdade. Para tudo, eu estaria sempre ao seu lado, e então, quando ele estacionou atrás da viatura de Charlie eu achei que fosse um bom momento para conversar.
- Você não está feliz com o lance de Yale? - perguntei com cuidado com as palavras.
- Estou, muito. É um pouco estranho ver que finalmente deu certo, mas...
- Mas o que?
- Quando ele disse que Yale tem interesse em mim desde o começo do campeonato e que eles estavam esperando que eu chegasse à final inteiro para ter a certeza de que eu era um atleta de verdade eu me toquei de uma coisa.
- Que seria...
- Os exames de admissão para o time.
- Entendi... - murmurei assentindo e processando as informações.
- Jogar na escola é algo totalmente amador, ninguém se importa muito com sua saúde se você sobreviver a cada temporada, mas na faculdade é diferente. É uma prévia do profissional e os caras vasculham cada centímetro de seu corpo para saber que você é perfeito. E eu não sou.
- Não diga isso. - pedi tentando segurar sua mão, mas Edward agarrou o volante e bateu com a testa contra ele.
- Eles vão descobrir que eu sou soro positivo e vão me cortar no ato.
- Você não pode ter certeza disso.
- Eles não vão arriscar um time milionário só por causa de um quarterback que é bom na escola. Lá fora tem gente muito melhor do que eu e sem AIDS. Ninguém vai precisar de um atleta que é 90% quando se pode ter um que é 100%.
- De onde veio isso tudo, hein? - perguntei ultrajada com aquele discurso dele.
- O que?
- Esse pessimismo, essa falta de fé em seu talento. Esse não é o Edward Cullen que levou o time a vitória hoje e que fará a escola vencer pelo terceiro ano consecutivo o campeonato interescolar. Esse não é você.
- A ficha caiu agora que eu vi que realmente tenho chance de ser profissional e que tudo pode ser estragado por causa dessa merda de vírus que tenho.
- Que nós temos, Edward.
- Não é uma questão de "nós" nesse momento, Bella.
- É sim! Porque a partir do momento que você está achando que tudo está perdido por causa de nossa condição fisiológica, eu desisto de tudo também. De achar que eu posso ser normal como qualquer pessoa de 17 anos, que eu posso fazer o que eu queria sem que a AIDS me impeça, porque a pessoa que me fez acreditar nisso desistiu. E sabe o que é mais? Eu não quero desistir mais!
Eu estava berrando naquela parte da conversa, mas eu precisava gritar com ele para mostrar como era estúpido pensar daquela forma. Não dava para reconhecer Edward com todo aquele pessimismo o afundando e eu estava com raiva por vê-lo pensar daquela forma quando eu queria que ele estivesse gritando de felicidade por ter conseguido uma bolsa integral na faculdade.
- Não é tão simples assim. - ele murmurou fechando os olhos e soltando o ar pela boca. - Se eles descobrem sobre o vírus tudo está acabado pra mim...
- Eles podem te aceitar como você é!
- Mas podem não aceitar, Bella. Se eu vou ser profissional tenho que ser um exemplo de saúde, estar 100% sempre. É diferente para um atleta sem AIDS pega uma gripe e ficar uns dias sem treinar, mas se eu pego um resfriado vou parar no hospital e desfalco o time por semanas até...
- Magic Johnson! - gritei o interrompendo.
- O quê? - Edward retrucou sem entender porque eu tinha citado Magic Johnson no meio de uma conversa séria, mas ele iria entender.
- Magic Johnson tem AIDS há mais de 15 anos. Um médico comentou isso comigo uma vez, ele foi o primeiro atleta a assumir que era soro positivo e jogou pelo dream time na Olimpíada de 92 sendo que aquela era uma época muito mais complicada para quem tinha AIDS. Hoje em dia é mais fácil para alguém aceitar nossa condição e se Magic Johnson pôde ser um jogador de basquete com AIDS você pode ser um quarterback também, Edward.
Ele me encarou com uma expressão que perguntava se eu estava louca e tinha perdido de vez a cabeça, mas meu olhar era firme para lhe passar a segurança que ele precisava para acreditar que podia sim continuar com seu sonho. Insisti tanto através dos olhos que ele acreditasse em minhas palavras que Edward me abraçou de repente e me prendendo contra seu peito soltando um suspiro de muito cansaço do jogo e de tensão.
- Eu não sei o que seria de mim agora se você não estivesse me dando esse tapa de realidade. - ele murmurou pousando o queixo no alto de minha cabeça.
- Só estou fazendo o que você sempre fez comigo; me fazer acreditar que eu posso. E você pode, Edward.
- Eu sei, mas é foda achar que tudo pode não dar certo.
- Vai dar certo, acredite em mim.
- Obrigado.
Edward me beijou rapidamente antes que eu notasse a janela da sala acender e sentisse que Charlie iria pirar se nos visse às 22h na porta de casa sabe-se-lá-fazendo-o-que. Como pai, ele sempre poderia ver algo de errado e para evitar qualquer coisa, me despedi de Edward correndo para entrar. Charlie estava saindo da sala com uma cerveja na mão e me cumprimentou com um beijo no alto da cabeça como sempre fazia, perguntando como tinha sido o jogo. Resumi tudo dizendo que nós ganhamos e deixei meu casaco atrás da porta quando ele me chamou com um assovio para segui-lo até a sala.
- Tenho umas coisas pra te entregar. - disse deixando a cerveja na mesinha do telefone e pegando algo no sofá.
Dois envelopes grandes e dois envelopes menores em sua mão e eu congelei ao me tocar do que eles significavam, e o próprio olhar de Charlie também indicando que ele sabia. Peguei os envelopes com as mãos ligeiramente trêmulas a medida que ele esperava alguma reação minha, mas só consegui sussurrar que ia dormir porque estava cansada demais.
Só que não iria dormir nem tão cedo quando sentei em minha cama e ajeitei todos os envelopes das repostas das faculdades a minha frente, para finalmente ver de onde eram. Minhas mãos muito mais trêmulas agora rasgaram o primeiro envelope e conforme eu ia os abrindo, recebia as notícias de minhas prováveis admissões e do destino que poderia mudar minha vida.
Dartmouth... Aceita
Columbia... Aceita
Universidade de Washington... Aceita
Yale ... Negado.
- Merda...
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