Pó de Chifre de Unicórnio

Título original: "Polvo de Cuerno de Unicornio"

Autora: Julieta Potter

Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich


Capítulo 21

A farsa em que ninguém acreditou

Harry estava seguro de que nada falharia desse momento em diante. Tinha todo o necessário para o seu plano: uma virgem disposta a dizer o que fosse e um caçador realmente obcecado por ela. O que poderia sair mal?

Ao terminar o jantar e todos os alunos se dispersarem rumo à suas respectivas Casas, o garoto observou Luna levantar-se e dirigir-se até eles. Divertido, escutou Rony suspirar e gemer de prazer ao vê-la vir.

Luna chegou à mesa de Grifinória ao tempo em que Harry, Rony e Neville se punham de pé. O garoto ruivo quase cai de tão rápido que o fez, mas se reincorporou como se nada tivesse acontecido, tudo isto sem desgrudar o olhar ansioso do rosto de Luna. Para Harry estava custando bastante trabalho segurar o riso ao ver seu amigo assim, e nem quis pensar nas conseqüências que teria que pagar quando Rony se recuperasse e soubesse o que o olhos verdes lhe havia feito.

Luna, que não estava acostumada a que a olhassem com tanta insistência, limpou-se o rosto com o dorso da mão, talvez pensando que tinha restos de comida na cara.

- O que tenho, Rony? Será o purê de batatas? É que acho que comi muito rápido...

O ruivo negou veementemente com a cabeça, ao tempo que dizia suspiroso:

- Não, Luna... eu justamente dizia a Harry que sempre pensei que você é muito bonita... E esta noite você se vê... realmente encantadora.

Harry ocultou um sorriso voltando-se para o outro lado, ao tempo em que Neville olhava-os desconcertado e Luna prorrompia uma sonora gargalhada.

- Ah...! – disse quando parou de rir, ante um Rony não menos enamorado. – Já compreendo... você está fingindo. Está ensaiando desde agora o seu papel de "apaixonado" por mim, não é?

Aparentemente Rony estava para negar o que a garota dizia, mas Harry pegou a ambos, cada um por um braço, e, dessa forma, no meio dos dois para evitar que seu companheiro fizesse algo perigoso, partiram os três para fora do refeitório. Neville desejou-lhes sorte, e Harry pode perceber de relance o olhar de Hermione, que, atônita, contemplava-o levando Luna e Rony pelos braços.

O garoto apressou o passo, temendo que a inteligente Monitora amarrasse os pontos e se desse conta que faltava uma garrafinha de poção de amor, e encontrasse o porquê da estranha atitude de Rony.

Saíram disparados para a sala de Snape, sem que o ruivo deixasse de olhar Luna e suspirasse profundamente de vez em quando. Luna parecia desfrutar de ser vítima de tão passionais atenções, já que se ruborizava mas sorria satisfeita.

Harry sentiu-se muito feliz de repente. Deu-se conta de que já faltava menos que pouco, quiçá uns quantos dias, para ter a poção em suas mãos, e, como conseqüência, a Hermione sã outra vez.

Ademais, aquela situação com Rony e Luna lhe parecia bastante incomum, mas tinha seu lado sentimental. Talvez, depois de tudo, não seria má idéia que seu amigo se apaixonasse por essa garota que sempre estivera tão interessada nele...

- Ninguém esquece de nada, não é? – perguntou a ambos, mas também foi olimpicamente ignorado pelos dois. Rony tratava de ver Luna por sobre a cabeça de Harry, e tentava adiantar-se para consegui-lo.

- Harry, não vá tão rápido! Você não me deixa ver Luna... – e como se de imediato se desse conta de algo, parou em seco a uns metros, antes de chegar à sala de Snape.

Harry se deteve também, andando um pouco para atrás ante a imprevista estancada que dera seu amigo.

Olhou Rony nos olhos e, assustado, viu fúria cintilando neles enquanto o rosto se contorcia. Ia perguntar-lhe se estava mal, quando bruscamente ele livrou-se de seu braço e lhe gritou, fora de si:

- PODERIA ME EXPLICAR, HARRY?! O que, DEMÔNIOS, faz levando pelo braço a garota pela qual EU estou apaixonado?!

Harry teve verdadeiro medo, e, apressado, largou o braço de Luna, que observava Rony abrindo mais os seus já grandes olhos.

- Raios, Rony... o quão bem você faz. Já pensou em dedicar-se profissionalmente à atuação? – perguntou-lhe ela ingenuamente.

- Espera, Rony! – pediu-lhe Harry, retrocedendo ao ver seu irritado amigo aproximar-se, ameaçador, até ele. – Luna e eu somos apenas amigos! Você sabe que eu quero a Hermione!

- Aiiii, que lindo dizer isso, Harry! - cantarolou Luna, sem dar-se conta de que Harry corria verdadeiro perigo.

Rony bufava e aproximava-se devagar de seu amigo, que estava considerando tirar sua varinha para proteger-se, quando repentinamente abriu-se a porta da sala de Snape e o professor assomou seu ganchudo nariz, seguramente para averiguar quem ousava gritar desse modo em frente à sua sala.

Harry, Rony e Luna ficaram paralisados ao vê-lo, e ele, depois de dirigir-lhes o olhar de ódio mais profundo de que foi capaz, indicou-lhes com um sinal que se acercassem. Os três garotos o fizeram, Harry cuidando de ficar fora do alcance de Rony.

O olhos verdes voltou a pôr-se nervoso quando, ao entrar na sala, descobriu que a professora McGonagall já estava ali, sentada diante da mesa do professor, e olhando-o com uma expressão muito rara.

Foi como se uma louça de uma tonelada caísse sobre o garoto de repente, ao captar em toda sua dimensão o problema no qual havia se metido. Deu-se conta de que havia se encerrado sozinho num beco sem saída.

Harry começou a suar, ao tempo em que tinha taquicardia. Por que a professora o olhava assim? Parecia, aparte a severidade usual nela, como se estivesse... decepcionada ou envergonhada?...

McGonagall sabe de tudo!, ocorreu a Harry de repente, e só de pensa-lo sentiu a iminência de sua expulsão pronta para a manhã seguinte.

- Professora! – sussurrou Harry, quase sem voz, enquanto Snape fechava a porta ao permitir a passagem de Luna e Rony.

- Boa noite Potter, Weasley... e senhorita Lovegood. – disse, olhando perspicaz a garota.

Um sentimento de grande culpa invadiu Harry, sobrepondo-se ao do medo. Se as coisas saíssem mal, não apenas o expulsariam, senão que também estava metendo Rony e Luna em problemas... arrependeu-se de todo coração de ter feito tão arriscado plano. Mas em que demônios eu estava pensando ao envolvê-los?, pensou, envergonhado. Como pode ter acreditado, por um segundo, que poderia enganar McGonagall e Snape?

Por alguns momentos ninguém disse nada. O único nervoso era Harry, mas cuidava em não demonstra-lo. Luna, em troca, estava tão despreocupada como sempre, desfrutando enormemente como se estivesse numa festa divertidíssima. E Rony.. bem, Rony não podia estar atuando melhor. Simplesmente estava com a boca aberta sem desgrudar os olhos da garota da Corvinal... apaixonado a toda léguas, com loucura e sem dissimulação.

Ambos professores trocaram severos olhares e, por fim, ela disse:

- Bem, Potter... o professor Snape me fez saber da nova imprudência do professor Slughorn, de enviar outra vez alunos para caçar unicórnios... Parece que não lhe bastou que uma vez tudo saísse mal... mas, bem, isso em breve falarei com ele. E, sinceramente, não entendo o que você faz aqui, se se supõe que agora os implicados são outros. – lhe disse, erguendo as sobrancelhas acima da altura dos óculos.

Harry quis falar, mas parecia ter ficado mudo do pavor que sentia. E antes que lograsse articular alguma palavra, a professora continuou dizendo-lhe:

- Embora a resposta seja óbvia... o senhor Weasley não está muito... normal, pelo que observo. – olhou Rony, depreciativa, este nem se imutou. – De modo que, senhorita Lovegood... é verdade que você acompanhou o senhor Weasley na caçada, por encargo do professor Slughorn?

- Na caçada? – perguntou Luna, como se saindo de um lindo sonho. – De fato, não professora... à excursão para encontrar Bufadores de Chifres Enru...

- Não, Luna! – interrompeu-a Harry, espantado. – A professora se refere ao Unicórnio, lembra? O que lhes fez o malefício...

-Ahhh, sim... – e olhando McGonagall lhe disse: - Sim, professora... eu fui como ele. Quer que lhe conte quando Rony tocou em meu...?

- Não, senhorita! – atalhou a professora de Transfiguração, a toda pressa. – Creia-me que esses detalhes... não me interessam. Apenas queria confirmar o dito por Potter ao professor Snape. – Harry esteve seguro ao dizer isto. - ela olhou-o de maneira acusadora. – Sentem-se os três, por favor.

- Posso sentar junto a você, Luna? – perguntou-lhe Rony, ofegante, enquanto aproximava sua cadeira o mais perto possível da dela.

Harry de novo teve que reprimir o riso ao ver seu amigo apoiar o queixo no braço de seu assento, enquanto suspirava profundamente e contemplava a garota, como se fosse a única coisa digna de se ver naquela sala, isto somado à expressão de estupefação de McGonagall e a de asco de punha Snape.

- O que se tem que ver... – murmurou este com repugnância, passando seu frio olhar de Rony para Harry.

O garoto sustentou o olhar com fúria, irritado pelo comentário que havia feito... depois de tudo, o que lhe interessava se Rony morria de amor por Luna?

- Eu tentei falar com o professor Slughorn no jantar, Minerva – disse Snape, dirigindo-se à professora, mas sem desgrudar seus negros olhos de Harry. – Porém, providencialmente para alguém, Horace parecia ter sofrido um ataque de surdez repentina... não ouviu palavra do que eu lhe disse, motivo pelo qual não pode responder. Mas haverá tempo de perguntar-lhe... amanhã, antes de eu começar a elaborar a poção.

Harry fez a anotação mental de falar com o professor muito cedo da manhã, ou, se possível, nesta mesma noite, antes que Snape descobrisse a trapaça... teria que acreditar que o professora de Poções não se importaria em mentir por ele.

- Não, Severus – disse a professora, surpreendendo a todos. – Eu o farei. Corresponde a mim esclarecer isso por ser a Diretora da Casa do garoto afetado.

- Tem certeza, Minerva? A mim realmente não me...

- Eu disse que o farei, Severus... E é minha última palavra. – Snape olhou-a desafiantemente, mas a professora não se perturbou. E acrescentou: - Então, esclarecido o assunto, podemos finalizar esta reunião?

- Nããão... tão cedo? – perguntou Luna, desiludida. – Mas se eu ainda não lhes contei o que fizemos Rony e eu na floresta, quando...

- Shhhhh, Luna... pare agora. – advertiu-a Harry, que estava começando a sentir-se gratamente aliviado.

McGonagall e Snape olharam Luna por um momento, como se não pudessem crer no que ouviam e talvez pensando que Luna estava mais afetada pelo ocorrido do que o próprio Rony.

- Eu sim, quero que me conte, Luna! – suplicou-lhe o ruivo embasbacado: - O que fizemos você e eu, que já não me lembro...?

Por sorte de Harry, os professores pareciam não escutar o último, já que estavam se levantando de suas cadeiras. Harry também levantou-se de um salto, sem poder crer que tudo estivesse saindo às mil maravilhas.

- Então – soltou amargamente Snape a McGonagall – Posso estar seguro de que não há dúvida que este – olhou Rony erguendo uma sobrancelha - aluno, esteja sob os poderes da maldição? Sinceramente, Minerva... tenho minhas sérias dúvidas a respeito.

Harry surpreendeu-se da obstinação de Snape, sentindo que o terror o invadia de novo. Mas, afortunadamente, a professora não parecia estar de acordo.

- Mas você não está vendo por si mesmo, Snape? – disse ela, impaciente. – Olha o garoto como está pela sua companheira! Parece... idiotizado!

- Falavam comigo? – murmurou Rony, voltando-se para McGonagall.

Ela ignorou-o e continuou dizendo a Snape:

- Isto é grave e você sabe, Severus. Não podemos nos dar ao luxo de esperar que a obsessão de Weasley se torne perigosa e tente atacar a senhorita Lovegood. Necessitamos que nos elabore a poção... o mais rápido possível.

Sim, sim! O mais rápido possível! Não a ouviu, amargurado? Harry teve vontade de gritar, mas se conteve fazendo um grande esforço. Era um prazer indizível olhar Snape colocar essa cara de fastio por ter que fazer algo que ele sabia, sem dúvida e acertadamente, que não era para curar Rony. Porém, para Harry não importava no que acreditava, conquanto lhe fizesse a poção e tudo resultasse bem...

- Tem razão, Minerva – disse Snape, com fúria contida. – Começarei sua elaboração hoje mesmo... Creio que em uns três ou quatro dias estará pronta.

- Bem. Então, se não há mais o que acrescentar... – a professora encaminhou-se para a porta. – Mandarei a senhorita Lovegood pega-la, para que a administrem ao senhor Weasley, o qual estará bem resguardado na enfermaria enquanto isso.

- Na enfermaria? – gemeu Harry, consternado. Isso não esperava.

- Sim, Potter. O que esperava? Que o deixemos solto para que continue e assedie a senhorita Lovegood?

- A mim não me incomoda, em verdade... – apressou-se a pontualizar Luna, mas McGonagall não fez caso e, abrindo a porta, disse:

- Retire-se para seu quarto, senhorita Lovegood. E você Potter, acompanhe-me a levar o senhor Weasley a Madame Pomfrey.

Harry levantou Rony puxando-o por um braço, e, sem voltar-se para ver Snape, saiu a toda pressa atrás de McGonagall, puxando seu amigo. Já fora, alcançaram ouvir Luna dizer a Snape:

- Professor... você não parece uma pessoa muito feliz. Está seguro de que não se meteram traças invisíveis pela...?

Harry teria pagado para ver a expressão de Snape nesse momento, mas teve que resignar-se e seguiu caminhando, atraindo Rony. Não se esqueceria de agradecer a Luna profusamente na manhã seguinte.

- Espera, Harry! – exclamou Rony. – Eu quero acompanhar Luna ao seu dormitório. E mais, quero dormir com ela!

- Weasley, não diga tolices. – repreendeu-o a professora.

Os dois garotos caminharam detrás dela, enquanto Rony suspirava e voltava-se, talvez com a esperança de ver Luna de novo. McGonagall não lhes voltou a dirigir a palavra até que chegaram à porta da enfermaria, já fechada devido a hora que era. Harry assombrou-se porque, imprevisivelmente, a professora girou sobre seus calcanhares para encarar os dois amigos e parecia muito irritada.

- Weasley... já pode deixar de atuar, por favor. E você, Potter... – parecia não encontrar as palavras, estava visivelmente irritada por algo. – Creio entender que haja preferido montar esta farsa atrás de obter a poção, já que Severus não é alguém que possa entender este tipo de coisas... mas, por Merlim... Como pode crer que nos enganaria?

Não é preciso dizer que Harry sentiu-se tão envergonhado que acreditou que se acenderia com o calor que sentia nas bochechas. Então, a professora sabia. E agora, o que aconteceria? Quedou-se mudo, esperando que ela dissesse algo mais.

- Potter... – disse ela, olhando-o nos olhos. – Eu falei com Horace antes da janta. Sei que ele não enviou ninguém mais atrás de unicórnios. Sei que essa história é conto seu, somente. Tenho que reconhecer que engenho lhe sobra, rapaz. Mas você precisa de algo mais que engenhosidade para tentar me enganar.

- Eu... – Harry não podia mexer a língua de tão seca que a tinha... Não entendia porque se a professora sabia a verdade, não o havia desmascarado diante de Snape. Em vez disso, o havia ajudado. Por quê...?

A professora continuava com os olhos fixos nele, mas Harry percebeu neles algo que já não era desgosto. Talvez, decepção... mas também havia compreensão. McGonagall suspirou fortemente antes de dizer-lhe:

- Harry... – ele se surpreendeu, pois rara vez o chamava por seu primeiro nome. – Entendo o que aconteceu entre a senhorita Granger e você... não sou estúpida, sabe?

Harry envergonhou-se e baixou o olhar... Pensou em Hermione... ela o mataria quando se inteirasse que um professor sabia seu segredo.

-Você sabe...? – gaguejou ele.

- Sim... sua história para obter a poção não fez mais que confirmar as suspeitas que eu já tinha a tempos atrás... Havia tentado falar com a senhorita Granger em uma das ocasiões, e em todas ela agiu de forma... diferente. Não era a mesma menina, e isso me fez pensar que já estava sob a maldição. E o evidente distanciamento entre você e ela, também me fazia duvidar. Ademais, o livro em minha sala... um belo dia estava numa página diferente da que eu havia deixado... alguém entrou e leu sobre a maldição... não é certo?

Harry continuou sem poder ver sua professora de forma direta. Sentia-se sumamente envergonhado de que ela soubesse aquilo, que ele evitara de todos os modos possíveis que alguém se inteirasse.

Porém, chegou à conclusão de que, provavelmente, ela os conhecia, a Hermione e ele, mais do que convinha a ambos. Frustrado, deu-se conta de que todo seu plano havia sido em vão.

Sem esperar resposta, a professora agregou:

- Mas tampouco sou tão antiquada como pareço... E cabe acrescentar que também fui jovem. Sei que se cometem erros – e para regozijo de Harry, que havia erguido a vista outra vez, ela sorriu com calidez ao acrescentar – E os erros cometidos por amor merecem ser perdoados.

- Professora... – atreveu-se a dizer Harry, esperançoso depois de uns segundos, enquanto segurava Rony por uma manga, pois este pugnava por sair fugindo dali, seguramente atrás de Luna. – Isso quer dizer que não nos expulsarão? Não dirá a Snape?

- Ao professor Snape? Oh, não... ele não entenderia. Certo é que necessitamos da poção para aliviar a senhorita Granger, e apenas Severus sabe elabora-la. Se soubesse a verdade faria todo o possível para expulsa-los antes de preparar a poção... Melhor deixarmos assim, Harry. Somente vou suplica-lo que tenha cuidado de hoje em diante... Sabe do que falo, não é? – perguntou, olhando sagaz o garoto.

- Claro, professora. – apressou-se a dizer Harry, embora não muito seguro de poder cumprir. – Conte com isso... – e adicionou, iludido: - Isso quer dizer que não nos castigará? Nem Rony e nem Luna?

A professora pareceu debater-se por uns momentos, mas indubitavelmente algo maior que a sua mania de cumprir regras se impôs, porque respondeu-lhe sorrindo:

- Não, Potter... – e disse, enquanto olhava Rony. – Por certo, que boa atuação, Weasley... por um momento quase me convence...

Rony olhou-a estranhado, sem entender do que falava, e então Harry recordou algo:

- Professora... é necessário deixar Rony na enfermaria? Digo, se você sabe que não está realmente enfeitiçado, para que serviria?

- Eu sinto, Potter... e Weasley. Mas se queremos que Snape prepare a poção sem fazer mais perguntas, necessitamos levar isto até as últimas conseqüências. Temo que ao senhor Weasley caberá a pior parte. O dia em que a poção estiver pronta, e a administrarmos à senhorita Granger, o senhor Weasley poderá sair, supostamente já aliviado.

Harry suspirou resignado, enquanto Rony não parecia dar-se conta do que estavam conversando. Estava disposto a introduzir-se na enfermaria com seu amigo, quando a professora o deteve.

- Um momento, Potter. Necessito perguntar-lhe algo. Você sabia que a poção, ao ser tomada pela senhorita Granger, a aliviará, mas terá um efeito secundário sobre ela?

- Efeito secundário? – a pele de Harry se eriçou-se de medo. De que falava a professora?

- Sim. Mas não se angustie, não é grave. E de fato, creio que é o melhor para ela. E creio que é importante que você esteja de sobreaviso...


Hermione permanecia sentada no Salão Comunal, já vazio a essa hora da noite. Olhava furiosa o fogo ainda vivo da chaminé, enquanto se perguntava se Harry e Rony já estariam em seu quarto, ou se ainda estavam fora. E se assim fosse, por que demoravam tanto a voltar? E, bom, não era que Rony lhe interessasse, mas bem era o mistério sobre o paradeiro de Harry o que a tinha fora da cama.

Havia interrogado a Neville ao terminar a ceia, mas o garoto não quis dizer nada. Entre gaguejos, seu amigo jurou-lhe que não sabia aonde haviam ido e nem o que estavam fazendo. Hermione não acreditara, claro.

A garota já vestia seu pijama e calçava umas pantufas, pois fizera o intento de dormir... mas somente a recordação de Harry sentado à mesa da Corvinal e coladinho a Luna, sorrindo-lhe entusiasmado, somada à imagem dele saindo do Salão Principal com ela, de braço, haviam-lhe impedido de conciliar o sono, ocasionando-lhe que tomasse a determinação de levantar-se e tentar averiguar se o garoto já havia voltado. Porém, não os viu regressar, e não se atreveu a entrar no dormitório dos meninos para certificar-se de que já estavam ali.

Desolada, lembrava que na última discussão que haviam mantido, Harry dissera-lhe que já não estava interessado nela, e que procuraria uma garota que valesse a pena. Acaso seria Luna essa garota?

Depois de tudo, era ela quem o jovem havia levado à festa de Natal de Slughorn, quando Hermione não aceitou ir com ele. Seria possível que Harry sentisse algo pela loira e que Hermione não houvesse notado? Somente o pensamento lhe queimava como brasas no estômago, embora não entendesse por que.

Ela já não o amava... disso sabia. Como poderia ama-lo depois do que Harry lhe dissera? Ele era um sem-vergonha, que havia-lhe mandado aquela carta horrível... e que havia se beijado com Gina quando ainda eram namorados. Era indigno do carinho de ninguém... merecia o que Hermione lhe fizera.

Harry era livre para fazer o que quisesse e andar com quem quisesse... e Luna, bem, somente se arriscava a andar com um safado como ele. Mas esse era problema dos dois, não devia lhe importar...

Então... Por que sentia esse vazio e essa dor, apenas de imaginar que ele estava com outra garota?

Imagens ferinas cruzavam-lhe a mente, imagens de Harry e Luna juntos... fazendo coisas que alguma vez eles fizeram. A garota castanha sacudiu a cabeça furiosa consigo mesma, por lastimar-se desse modo. Pretendia convencer-se de que isso não lhe importava no mínimo, que ela já não queria nada com ele... que já não o amava, que já não o desejava...

Recordou que quando Harry lhe dissera que já não a amava, ela não havia acredito... pensou que com uns olhares sugestivos e umas palavras sedutoras, voltaria a cair louco a seus pés como outrora... Mas não fora assim... o garoto a havia ignorado nos últimos dias, e agora...

Agora estava com ela.

Então, de verdade já não me ama!, pensou com dor. Bom, mas isso não devia importa-la, ou sim?

O problema será que agora não poderei dar-lhe o seu merecido... Hermione perguntava-se porque uma voz interna seguia lhe dizendo que devia castigar o garoto pelo dano que havia infligido à ela... Já não havia sido suficiente? Não deveria ter um pouco de orgulho e deixa-lo continuar com sua vida?

Um arrepio percorreu seu corpo só de pensar que já nada seria como antes... que havia perdido Harry para sempre. Que jamais seria nem sequer seu amigo. Nem Rony tampouco... e às vezes, sentia tanta falta de ambos...

Mas Hermione se recompôs imediatamente, já que um frio e conhecido sentimento de auto-suficiência voltou a invadir sua alma, e assim, desfez qualquer pensamento cálido que a houvesse embargado.

Não os necessito, a nenhum dos dois!, dizia-se a si mesma enquanto caminhava resoluta para as escadas do dormitório das garotas, disposta a tirar Harry de sua cabeça e dormir em paz.

A ponto de pôr um pé no primeiro degrau, o ruído do quadro abrindo-se sobressaltou-a. Pressentindo quem seria, deteve-se mas não olhou para trás.

Sentiu o garoto observa-la por um momento e que, de imediato, dirigia seus passos à escada do dormitório dos homens... Nem sequer me falou, pensou com aflição.

Por uns segundos debateu-se em uma luta interna entre seu orgulho e o interesse que tinha sobre ele. Deixando-se ganhar, girou sobre seus calcanhares e chamou-o, ansiosa:

- Harry!

Mal o alcançou... o garoto já estava para entrar em seu quarto, porém ao ouvi-la deteve-se em seco e olhou-a.

Hermione comprovou, com grande dor, que Harry parecia feliz, que seus olhos tinham um brilho peculiar... decerto acabava de passar um bom momento com Luna. Só o pensar nisso encheu-a de infelicidade.

- Sim? – perguntou ele indiferente, como se Hermione fosse uma... qualquer.

Ela não soube o que a feriu mais... se sua indolência ou o fato de saber que vinha de um encontro com outra garota. Não soube o que lhe responder.

- Eu... – balbuciou, totalmente desarmada emocionalmente. Algo, muito profundo em seu coração, pedia-lhe, num murmúrio pouco audível, que corresse até ele e pedisse-lhe perdão. Mas ela ignorou esse chamado.

- ... Eu... creio que você é um desavergonhado, Harry Potter. E patético, além do mais.

Não soube nem porque lhe disse aquilo... ele apenas olhou-a friamente. Por um momento, ela pensou ter visto surpresa e aflição no verde olhar, mas não estava segura. Poderiam ter sido as sombras da noite.

- Algo mais? – murmurou ele, com voz impassível.

Hermione sentiu-se derrotada... queria chamar sua atenção de qualquer maneira, mas não lograva obtê-la nem sequer insultando-o. Quisera que ele voltasse e a sacudisse e brigasse... mas não funcionou...

- Você está com Luna, não é? – lhe saiu sem poder evita-lo. Sua voz soava cheia de amargura. Mas necessitava sabe-lo... – Vem do encontro com ela, não é certo?

Harry olhou-a profundamente, como que sondando os motivos da garota para inquirir aquilo. Por um longo momento não respondeu nada, e esses segundos bastaram para que Hermione se arrependesse de ter perguntado. Vai acreditar que estou interessada nele, pensou.

Sem esperar resposta, voltou-se e começou a subir lentamente pela escada, num esforço de afastar-se da fonte de sua dor.

- Espera... – pediu-lhe ele, num murmúrio.

Quedou-se imóvel, com a sua alma aferrada a uma débil esperança. Escutou seus passos silenciosos aproximarem-se de si, até ele ficar às suas costas.

Umas mãos fortes e cálidas que ela conhecia muito bem, tomaram-na pelos braços, ao tempo em que a voz afetuosa de Harry sussurrava-lhe no ouvido, provocando-lhe um estremecimento total:

- ...Temos que falar.


Nota da Tradutora:

Ok, lamento pela demora. Tudo bem que eu venho dizendo que estou me dando um prazo de duas semanas para fazer as atualizações, mas eu mesma não gosto de passar tanto tempo assim. Mas geralmente quando eu demoro, é porque não tive tempo de traduzir/revisar um capítulo, por conta do trabalho, viagens, casa, uma indisposição básica, essas coisas.

Novamente, peço que me desculpem pelo erros gramaticais ou de digitação, caso existiam. Há muito que não tenho tido o tempo necessário para revisar os capítulos com mais cuidado – da forma como gosto.

Mas... então! – sorrisão engole brincos, de orelha a orelha – Vocês não fazem idéia sobre o que Harry e Hermione "falarão" no próximo capítulo, mwhauahauahua! ;-) Bueno, os mais antenados vão lembrar do que eu comentei no capítulo 17 sobre "uma grata surpresa... com Harry e Hermione... num lugar um tanto quanto inusitado." Pois bem, preparem-se para o próximo capítulo, niños e niñas, porque cenas lemon super quentes os aguardam. Só não direi aqui qual é o "lugar inusitado" em questão. ;-) Ah, como eu adoro a Julie! ;-)

Como sempre, obrigadão a todos vocês, leitores fiéis e incansáveis de PCU, em nome da autora e no meu! O alozão de hoje, vai para:

Pati.nha (Ah sim, a dupla Harry e Rony de PCU é hilária, o Rony idealizado pela Julie é uma graça, e neste capítulo está o cúmulo da piada, ahauahuahaua! Agora você não pode dizer que Rony não fez nada, porque passou o capítulo todo azarando a Luna, e o melhor: diante de uma estupefata MCGonagall e de um enojado Snape! Ah, como queria ter visto isso!, ahuaahuahaua! Mas não odeie o Rony, pelo menos não o Rony de PCU, criado pela Julie. Esse é bem diferente do Rony dos livros, ou seja, é uma versão melhorada. Abre parênteses: Quando li a frase "me valorize mais e que meu presente de natal seja maior!", eu ri e pensei "Rony na sua versão slash!, ahauahauahua!". Fecha parênteses.
Sobre a sua pergunta: Não foi preciso perguntar a Luna se ainda era virgem, acho que para Harry ela ainda "parece" ser virgem. Sabe como é, não namora – até porque é considerada um "bicho estranho" pela escola inteira -, tem poucos amigos –talvez só amigas, e por aí vai.
Então, para Harry – e certamente para Rony -, Luna ainda é virgem – tecnicamente falando. ;-) Agora se vai dar ou não problema depois, isso é uma coisa que você vai ter que descobrir lendo os próximos capítulos. ;-) E outra: Que bom que a tradução está agradando:-D Beijundão e até!);

A Pumpkin Pie Girl (Sua galera é do "mal", Suzanita, tipicamente Slytherin, ahauahauahua! Bueno, eu também sou Slytherin – vestindo a blusa preta com o brasão de Sonserina –, embora tenha um coração Gryffindor – contemplando a blusa branca, com o brasão de Grifinória. ;-) "Eu sonhei q eles iam usar a Luna!" E pelo jeito, você deve ter algum parentesco com a professora Trelawney, porque já está tendo sonhos proféticos! ;-) "na verdade eu naum chorei, eu fiz um escândalo" (um minuto de gargalhada... pausa para respirar). Claro, não ri da sua unha quebrada, mas imaginei a cena de uma forma mais hilária, do tipo que vejo em animes, ahauahauhaua! Mas, pense pelo lado bom: agora que as unhas estão 'proporcionais', você não correrá o risco de quebra-la ou... – olhando sugestivamente – roê-las. Bueno, ao menos por um tempo. ;-) Voltando a fic: É, até agora PARECE que as coisas estão dando certo. Harry obteve o apoio de McGonagall e Snape fará a poção, porém... a professora mencionou algo sobre "efeito secundário", não? Por aí, você já vê que a bola de neve ainda vai rolar por um tempo. ;-) E concordo com a visão de seu tio, devemos sempre estar preparados para o pior, porque caso ele aconteça o impacto não será tão grande. E se o pior não acontecer, ótimo, saímos no lucro de qualquer forma. Claro, "esperar pelo pior" não é a mesma coisa que "acreditar no pior". Uma coisa é ser prevenido, a outra é ser pessimista. Ser um realista-otimista é o que eu tento ser. ;-) Mas voltando a fic... o próximo capítulo será menos fatalista que os anteriores. Na verdade, cenas lemon a caminho, mwahauc-mwahauc-mwahuac! ;-) Beijundão e até!);

Valson (Val, você vai se frustrar agora com o que eu vou dizer, mas o fato é que aquela sua review em AdM não ficou nem um pouco horrível, e muito menos sem criatividade ou desinteressante. Pergunte pra mim se eu gostei? – embora eu mesma seja suspeita para falar. ;-) Voltando a PCU, é sempre muito bom saber que você e os demais review-sadores vêm gostando e aprovando o trabalho de tradução que eu tento fazer bem. Confesso que eu

também gostaria de traduzir algumas fics do inglês para o português, mas não domino tão bem a língua inglesa a ponto de fazer uma tradução de boa qualidade, como o leitor brasileiro merece e, claro, por respeito aos autores e a mim mesma. Voltando a PCU... ahauahauahua!, "combustível de churrasqueira" foi fantabuloso! Pois é, entre o R/H capenga e o H/G forçado de HBP, prefiro o H/H idealizado por bons fic-autores como Julieta Potter e Massafera, em Espada dos Deuses. Acho que em se tratando de qualidade, estamos muito bem com o que temos, obrigado. ;-) Beijundão e hasta! P.S.: Não contaram a você que reviews servem para, entre outras coisas, "encher lingüiça"? Ah, a maravilhosa arte do salcichão! Que a lingüiça esteja com você, padawan. ;-));

FranciGranger (ahauahauahuahau!, você se mijando de rir do Harry em apuros e eu rindo da sua mijação explosiva! ;-) E sim, acho que Harry vai conseguir chegar até o fim... de que mesmo? ;-) Ok, estou brincando, mas de qualquer forma... não agarantcho nada. – Inna dizendo nada com coisa nenhuma. ;-) "Eu adoro a Luna, pena que no sexto livro a JK não tenha aproveitado melhor ela". Concordo com você. Eu também sou uma que adora a Luna e que achou o fim da picada, Rowling não ter aproveitado a personagem no sexto livro. E assino embaixo do que você disse sobre Luna e Rony, acho os dois positivamente lindos juntos, tão harmoniosos quanto Harry e Hermione, enfim, o segundo casal perfeito da série. Quanto ao próximo capítulo, vou tentar encontrar tempo por aqui pra começar a traduzi-lo. Até lá, contente-se com os sonhos eróticos, porque o cap. 22 promete. Ah, como eu adoro a Julie! Mas isso eu já disse, não? ;-) Outra cafungada e hasta pronto! – assim espero.).

Próximo capítulo: "Nas escadas" (Que título mais sugestivo, não acham? ;-)

Hasta!

Inna