Quem não votou na enquete que eu fiz, ainda pode votar, ok? Falta um tantinho ainda pra eu escrever as Seccionais...

Bjs!


"Veste esse aqui pra gente ver." Pediu Santana, entregando a Rachel um vestido vermelho.

"Santana!" Reclamou Quinn. "Esse vestido é vulgar! Muito vulgar."

"Quinny, assim você ofende a Rachel. E a mim também... porque eu tenho um vestido igual."

"É claro que você tem." Bufou, Quinn. "Eu também tenho... porque a gente comprou esses vestidos pra usar naquele Halloween em que a gente se vestiu de vampiras de programa." As duas amigas riram da latina, que acabou rindo também, apesar de ter tentado manter o semblante aborrecido.

"Eu ainda gosto dele." Afirmou a latina, fazendo as outras duas balançarem a cabeça, em desaprovação, mas sorrindo.

"Vai ser o primeiro encontro da Rachel com o Finn, amiga. Ela não pode usar um vestido curto, decotado E vermelho." A loira afirmou, mais uma vez.

"Ok, eu já entendi, criatura!" Cruzou os braços na frente do corpo. "Mas também não sou a favor dessas COISAS que vocês separaram!"

"O que tem de errado com esses vestidos, Santy?" Perguntou Rachel. "Eu acho os três tão lindos." Observou, olhando um vestido azul clarinho, outro amarelo com flores da cor lilás, bem delicadas, e um xadrez em tons de amarelo e branco, que estavam esticados na cama.

"Não tem nada de errado... ERRADO. São bonitinhos." Não eram o estilo dela, mas ela estava sendo sincera quanto a não serem vestidos feios. "Só não são para um encontro numa sexta-feira à noite. São mais vestidos para ir ao parque... a uma reunião de família, aniversário de criança."

"Bom, então voltamos à estaca zero." Disse Rachel, desanimada. Elas já estavam procurando uma roupa para o primeiro encontro havia umas duas horas. "Talvez eu deva ir comprar algo amanhã." Concluiu, enchendo a mãos de pipoca e voltando a comer.

"Rach, você vai ficar com a mão toda suja!" Reclamou Quinn, delicadamente, mas Rachel encolheu os ombros. Não parecia haver nada em seu armário mesmo!

"Tem que ter alguma coisa aqui que vocês não achem vulgar, mas também não seja bonequinha demais." Santana falou, mexendo no armário de novo.

"Tem. É claro que tem. Eu não me visto igual boneca."

"Vocês são umas chatas!" Quinn choramingou e resolveu sentar e se servir de pipoca também.

"Esses vestidos são da Quinny, então?" Não era bem uma pergunta, Santie só queria confirmar e Rachel balançou a cabeça, afirmativamente. "Como eu não desconfiei?" Revirou os olhos. "Combinam com você, Barbie girl. E são lindos, eu admito." Disse, sorrindo para a amiga loira. "Só que não tem nada a ver com a Rachel."

"Eu usei nas vezes em que a gente resolveu sair, de última hora, e eu tava na casa dela. Acabaram ficando aqui."

"E eu vou levar de volta, já que não são apreciados." Quinn fez bico, fingindo-se de ofendida.

"Que tal?" Disse a srta. Lopez, depois de uns minutos de silêncio, mostrando um vestido pendurado em um cabide.

"Eu acho que gosto." Rachel disse.

"Sim! Se a gente colocar um cinto... e alguma coisa que não seja preta... acho que vai ficar bem Rachel Corcoran." Afirmou Quinn.

"E tem um decote legal... dá uma sensualidade." Falou Santie, fazendo pose.

"E é discreto, ao mesmo tempo. Não vai gritar que ele pode avançar o sinal." Quinny riu da própria brincadeira.

"É esse!" Rachel levantou, animada, indo em direção a Santana, tomando o vestido das mãos dela e tirando a roupa que usava, para experimentá-lo com acessórios.

O vestido caiu perfeitamente bem em Rachel, que sequer se lembrava de tê-lo comprado, alguns meses antes, em Nova York, quando ela e a mãe visitavam a cidade. A garota experimentou um cinto que formou uma combinação perfeita com o vestido e, por fim, escolheu um sapato peep toe, estiloso e altíssimo, uma vez que Finn era muito, muito alto, o que a encorajava a usar os saltos enormes pelos quais ela já era apaixonada por natureza.

"E quanto ao sábado? Ele me disse pra ir confortável, mas eu não quero estar menos perfeita por isso!"

"Rachel, ele te vê todos os dias na escola." Santana argumentou, meio irritada. Já estava na hora de as três começarem a se preparar para dormir.

"Eu te ajudo." Quinn se prontificou, pegando a mão de Rachel e voltando para frente do armário.

Depois de alguns minutos, a roupa estava escolhida. Rachel tinha uma porção de shorts, blusinhas, casaquinhos, sandálias, então a tarefa de achar a roupa de sábado foi bem mais fácil. Ela usaria um short jeans escuro de cintura alta com uma camiseta branca de alças finas, e uma sandália de salto Anabela, e levaria um casaquinho vermelho, para o caso de o tempo esfriar, com o cair da tarde.

As meninas foram dormir pouco depois, mas na verdade não se pode dizer que Rachel tenha realmente dormido logo. A morena demorou para pegar no sono, devido à ansiedade em relação ao programa do dia seguinte. Ficava se perguntando aonde Finn a levaria, se a roupa estaria mesmo adequada, se tudo sairia perfeito.

Não menos ansioso, Finn acabou tendo que dividir com Kurt as boas novas sobre ele e Rachel. Não houve como esconder do irmão, que o conhecia tão bem, a felicidade e a excitação, além do fato de que ele estava pesquisando coisas na Internet, com o intuito de preparar o encontro perfeito. Contudo, o garoto grandalhão fez o irmão baixinho prometer que não abriria a boca para tocar naquele assunto com nenhum dos colegas de escola e Kurt, por tudo que ele e Finn já tinham vivido, não trairia jamais sua confiança, ainda que amasse uma boa fofoca.

No dia seguinte, as horas pareceram se arrastar. As aulas e até a reunião do coral pareceram mais longas do que nunca. É claro que Rachel e Finn se viram, conversaram sem problemas, afinal tinham os mesmos amigos, e trocaram olhares e sorrisos, como sempre faziam, mesmo quando ela ainda estava namorando e eles nem sabiam por que estavam agindo daquele jeito. Porém, sempre que estavam na escola, era óbvio que eles queriam mais, que estavam sentindo falta um dos carinhos do outro, saudades dos beijos, dos abraços, de ficarem a sós. E, nesse momento em especial, havia, ainda, a expectativa pela primeira saída oficial, que fazia com que as primeiras dezenove horas daquele dia fossem como uma eternidade.

Às sete horas e quinze minutos da noite, Finn chegou à casa de Rachel. Apesar de estar quase surtando com os quinze minutos de atraso do garoto, ela se mantivera aguardando no quarto, no andar de cima, tendo pedido que Eugene a chamasse quando ele chegasse. Ela desceu as escadas e ele praticamente ficou sem respirar, por alguns segundos. Dizer que Rachel estava linda seria não dar a devida importância à imagem da menina à sua frente. Rachel era linda sempre e, naquele instante, estava radiante, maravilhosa, perfeita.

Ela também encontrou muita dificuldade em descer a escada com calma, sem perder o fôlego pela excitação, por querer se jogar em cima dele de uma vez, e por vê-lo tão lindo, com o ar de seriedade que lhe dava o paletó que estava usando, em contraste com o despojamento da calça jeans e dos sapatênis. Ele estava diferente do que estivera em qualquer outro momento em que ela o tinha visto e, mesmo assim, ainda tão Finn Hudson! Sem contar o fato de que, completando a recepção que a aguardava na sala, ele trazia nas mãos gérberas vermelhas, envoltas em celofane transparente, amarrado com um laço de fita dourado.

"Você tá..." ele suspirou e pensou em como encontrar um elogio à altura "...a coisa mais linda que eu já vi na minha vida!"

"E você tá um artista de cinema, Finny." Sorriu.

"Eu prefiro a indústria fonográfica, mas... eu entendo o que você quer dizer." Brincou, provocativamente.

"Você não perde uma, hein!" Ela riu, batendo levemente no braço dele, que deu seu característico sorriso torto, que a deixava sempre hipnotizada.

"São pra você." Ele afirmou, oferecendo-lhe as flores.

"São lindas! Obrigada." Ela sorriu, pegou as flores e se aproximou, dando um beijo sutil nos lábios dele. "Eu vou pedir a Eugene para colocá-las num vaso... volto num instante." Completou, indo em direção à cozinha.

Finn observou, por alguns minutos, os três porta-retratos que havia em um aparador, logo na entrada da casa. O primeiro deles mostrava um casal, que ele assumiu ser formado pela mãe e pelo padrasto de sua namorada, o segundo, Rachel alguns anos mais nova, com a mesma mulher, e o terceiro, a menina com o casal. As fotos somente reforçavam a ideia que Finn já tinha sobre o bom relacionamento de Rachel com a mãe e Clay, em razão das histórias que ela contava sobre os programas que os três costumavam fazer juntos, as viagens, as conversas, as comemorações.

O namorado estava sorrindo, quando ela voltou, pois observara o quanto sua garota se parecia com a mãe e, considerando tratar-se de uma bela mulher, de fisionomia bastante jovem para os seus quarenta e poucos anos, um pensamento sobre o futuro passou pela cabeça de Hudson, mesmo que a parte mais racional dele achasse quaisquer planos, projeções e espectativas em relação à nova namorada algo extremamente prematuro.

"Que bom que gostou das flores." Finn disse, já caminhando de mãos dadas com ela, em direção a seu carro. "Eu sei que você gosta de vermelho, porque você tem um monte de coisas vermelhas. E eu escolhi gérberas porque elas fogem daquela coisa óbvia das rosas e... elas chamam atenção, são vibrantes... assim como você." Haviam chegado ao carro, então ele abriu a porta para ela e lhe deu um beijo, mais demorado do que aquele que trocaram dentro de casa, mas ainda suave.

"Onde nós vamos?" Ela perguntou, quando os dois já ocupavam seus assentos e ele dava partida.

"A gente vai a dois lugares. Primeiro..." disse, abrindo o porta-luvas e pegando um envelope, que ofereceu a ela "...nesse. Temos que estar lá às oito... será que dá tempo?" Riu.

"Finn!" Exclamou, surpresa, ao ver o conteúdo do envelope. "É bom dar tempo, Finn Hudson... ou eu mato você, por seu atraso. Eu tava louca pra ver!"

Rachel se referia à encenação de O Doente Imaginário, de Moliére, o grande clássico do teatro que estava sendo apresentado por um grupo de artistas itinerantes em Lima, e para o qual ela tinha dois ingressos nas mãos. Finn percebeu logo que havia acertado e sorriu, rezando mentalmente para que não houvesse trânsito ou ele estaria totalmente encrencado. Tivera a ideia de levar a namorada ao teatro ao ver um cartaz da peça em um daqueles displays que ficam passando propagandas nos pontos de ônibus.

Ele não era muito ligado em espetáculos teatrais, mas sabia que sua baixinha adorava a chamada quinta arte, porque ela sempre comentava animadíssima sobre Shakespeare, Berthold Brecht, Cervantes, e até sobre clássicos gregos como Sófocles e Eurípides. Se ele conseguisse manter aquele sorriso estampado no rosto dela pelo resto da noite, ele veria a peça com prazer e, inclusive, prestaria bastante atenção, para depois poder conversar sobre os detalhes que ela considerasse importantes. Até porque, para alguém que seria artista no futuro, como ele, cultura nunca seria demais.

Felizmente, eles não chegaram atrasados. Conseguiram ver toda a encenação, de um ótimo lugar na plateia, de mãos dadas durante todo o tempo, sendo que, de vez em quando, ela ainda se recostava nele por alguns instantes ou ele movimentava o polegar, fazendo nela um pequeno, mas bem vindo, carinho. Ambos gostaram do texto de Moliére e ficaram bem impressionados com alguns dos atores, como comentariam um com o outro mais tarde, durante o jantar.

Jantar foi justamente o que eles foram fazer, logo depois de sair do teatro. O restaurante era o segundo lugar a que ele se referira, no carro, quando ela o questionara sobre o destino dos dois naquela noite. Finn tinha ficado na dúvida sobre que tipo de restaurante escolher: se fossem a um restaurante chique, seria menos provável encontrarem colegas do colégio, porém teriam que manter um comportamento mais formal, e, se fossem, por outro lado, a um lugar descontraído, onde pudessem agir como dois jovens namorados apaixonados e trocar alguns carinhos e beijos, haveria uma chance grande de encontrar alunos da escola em que estudavam.

O líder de coral acabou escolhendo a opção que os deixaria mais a vontade, mas, para minimizar os riscos, fez uma reserva em um dos restaurantes do bairro mais afastado possível. Deu bastante trabalho achar o local na Internet, foram algumas horas de pesquisa e avaliação. Porém qualquer esforço valia totalmente a pena, para ter Rachel sentada a seu lado, olhando o mesmo cardápio que ele, segurando a mão dele sobre o colo, e deitando a cabeça em seu ombro, enquanto um dos braços dele envolvia os ombros dela.

Os dois fizeram seus pedidos, aguardaram conversando e roubando beijos um do outro, comeram entrada, prato principal e uma enorme sobremesa, brincando um com o outro o tempo todo, e só foram embora, por volta de uma da manhã, porque, apesar de Rachel garantir a Finn que não tinha hora para chegar, ele não queria abusar e arriscar ser persona non grata para a família dela.

Além do mais, eles tinham um outro encontro no dia seguinte, que não precisaria nem ser tão bom quanto esse para ser perfeito.