Harry Potter e o Controle da Serpente
-Capítulo vinte-
Baile de InvernoMadame Pomfrey os liberou no dia seguinte, sexta de manhã, mas Rony ficaria até o domingo, tendo permissão apenas para ir ao baile (ele ameaçou se jogar da janela se não pudesse ir... Madame Pomfrey acreditou).
As aulas da sexta de manhã foram canceladas, os professores estavam muito envolvidos com a situação dos centauros, foi proibida a saída de alunos do castelo, e estavam proibidos de dar voltinhas por ele. Vários centauros que não haviam participado da "revolta" estavam furiosos, porque um dos centauros mortos fora Magoriano, um dos seus líderes, e agora eles corriam pelo pátio e atacavam as entradas do castelo, mas não tinham a menor chance contra a fortaleza.
Nem mesmo a fúria de Dumbledore conseguia se impor, Harry estava se sentindo meio culpado, mas os amigos alegavam que se não tivesse usado o difindarez provavelmente eles estariam mortos àquelas horas.
-Foi o professor Lupin que eu vi da janela? – perguntou Simas quando eles observavam os centauros da janela.
-Foi, por quê?
-O que ele estava fazendo aqui? – perguntou Dino, interessado.
-Não é da sua conta... ele tem assuntos com Dumbledore, não se metam nisso.
-Nossa, você é a melhor pessoa do mundo pra falar em intromissão... – disse Dino, maliciosamente – afinal, como foi que vocês mataram um daqueles bichos?
Harry olhou surpreso para as duas garotas; eles não deveriam saber que um dos grandeons fora morto. Mione explicou:
-A Gina... ela deve ter contado para o Neville, e daí a coisa se espalha...
-Por que vocês estão interessados em como matamos o grandeon? – perguntou.
-Que pergunta besta Harry!
Sorriu ironicamente:
-Eu me transformei num tigre e pulei no pescoço de um deles.
Os dois arregalaram os olhos enquanto as garotas deixavam o queixo cair.
-Fala sério!
-Fala logo Harry!
-Toquei um avada nele.
-Harry!!!
-Conjurei uma espada e cravei no peito dele...
-Ah, esquece! – os dois se afastaram irritados.
-Babacas... – riu, voltando a olhar para baixo (pela janela) – Ei Mione, é o Agouro!
A garota se levantou apressadamente da poltrona para olhar pela janela.
-Nossa, é mesmo! Ele não estava no ataque também?
-Estava? – perguntou confuso.
-Estava, você acertou um difindarez na cara dele, não está lembrado?
-Acertei?... eu atirei difindarez em cada bicho de quatro patas que eu via, se eu acertei ou não eu não sei...
-Como ele não morreu então? – perguntou Gina.
-Não devo ter atirado com força suficiente... – falou, voltando a olhar para baixo. O centauro negro empinava e batia com as patas dianteiras no corujal, as poucas corujas que estavam por ali voaram assustadas, vários centauros se juntaram a Agouro, Harry viu uma coruja branca subindo...
-Olha, é a Edwiges... – comentou Mione, nervosa – eles vão demolir o corujal... ah, isso vai dar encrenca... ela vai... AH, NÃO!
-EDWIGES!
Agouro ao ver as corujas se afastando empinara catando o arco-e-flecha e disparara uma flecha contra o céu... as corujas se desviaram agitadas, mas os outros centauros imitaram o primeiro, Edwiges desviara de algumas, mas fora atingida, caíra no chão, esvoaçando molemente, e um centauro castanho se dirigia para ela agora...
Sem pensar duas vezes catou a varinha e botou-a para fora da janela, berrou:
-Accio Edwiges!!!
Um segundo antes das patas do centauro atingi-la, a coruja branca foi puxada rapidamente para cima, algumas penas deixadas para trás, mais flechas em sua direção, nenhuma chegou a alcançá-la. Harry a acolheu com o braço quando ela chegou a altura da janela, Hermione saltitante de nervosismo ao seu lado, voltou para as poltronas, preocupado, vários alunos olhando, Lilá e Parvati lamentavam pela coruja.
-Eu vou buscar o quite de primeiros socorros! – esganiçou-se Hermione, fazendo menção de ir para o dormitório feminino.
-Já estou com ele aqui. – Moana voltou rápido com uma caixinha branca na mão.
-Não é melhor levar ela para os professores, Harry? – perguntou Mione, sentando-se nervosa ao seu lado.
Examinava, não entendia droga nenhuma de medicina, mas não era burro a ponto de não saber que aquela flecha era venenosa, era curta, uns trinta centímetros apenas, tinha um maço de penas roxas na ponta, atingira logo abaixo da asa da coruja, várias penas dali caíram, e a região ao redor da ponta da flecha estava arroxeando, veneno, mas a coruja ainda estava viva, arrancou a flecha, saiu inteira, alívio, Edwiges bateu as asas piando.
-Edwiges, pára! Não Mione, os professores estão muito ocupados, me ajuda, tem antídoto?
-Tem – Moana lhe passou um vidrinho, as pessoas em volta olhavam ansiosas, os garotos xingando os centauros e as garotas lamentando pela coruja "Coitadinha..." – veneno arborífico, dá para ela.
-Como? Enfio o vidro goela abaixo é? – mas ela estendera-lhe um canudinho com a ponta em forma de funil, teria que fazer a coruja beber – OK, me ajudem...
Dois seguravam a coruja e o outro derramava o antídoto, um minuto depois e o arroxeado, que já tomara parte do peito e a asa inteira, parara de crescer, foi mudando de cor, mas não pararam para ver, Bryan Grandon, o setimanista batedor, viera ajuda-los, contara que sabia como cuidar de ferimentos de corujas, ajudou-os a tampar a ferida (que não queria fechar nem com poção, nem com feitiço, suspeitavam que era por causa do veneno) e fazer um curativo razoavelmente decente, a essa altura o chão estava minado de penas, onde estivera roxo estava laranja e Edwiges não dava mais sinal de vida.
-Ela não morreu não é? – perguntou Mione, com os olhos brilhantes.
-Não... – Harry estava com ela no colo – está viva, agora temos que ver...
Mantiveram-se em silêncio por um tempo, era de tarde, e fazia um frio danado, Harry aninhou a coruja no colo, acariciando distraidamente sua cabeça, estava com um remorso pelas vezes em que fora grosseiro com a coruja, e se ela morresse? Estava preocupado sim, não era uma coruja normal, esperta demais, emotiva demais, subitamente teve vontade de lançar um avada em Agouro, centauro desgraçado...
-Eu juro que assim que eu encontrar Agouro de novo ele vai pagar! – falou com raiva.
-Eu ajudo a arrancar a cabeça dele, mas nem pense em sair passeando pela floresta procurando ele – falou Moana, calmamente.
-Eu tenho cara de retardado Moana? – irritou-se.
-Para que esse stress todo? – ela perguntou, irritando-se também – a Edwiges não vai morrer está bem? Fique tranqüilo.
-Afinal, Bryan, de onde você sabe cuidar de corujas? – perguntou Gina, pondo um final na discussão dos dois.
-Foi asssim que eu e o Mauro noss conhessemos – explicou – Erre atirrou uma preda numa corruja minha, eu pirei e fui parra cima delle... acabamos ficando amigos... fui eu que cuidei da corruja...
Ficaram o resto da tarde sentados nas poltronas, conversando, aos poucos a irritação de Harry foi passando, mas ainda manteve-se carrancudo, acabaram recebendo o jantar na sala mesmo, sem AD aproveitou para se deitar cedo, levando Edwiges junto, ela continuava desacordada, mas podia-se sentir respirando... assim que deitou, largando-a ao seu lado com cuidado, os dragões voaram ao redor da coruja, e ao reconhecerem-na e notarem que ela estava mal, deitaram-se junto dela ficando quietos, solidariedade...
Olhou para o pulso, irritado, o bulsoscópio não apertava mais na hora do perigo... Mione que o perdoasse, mas aquilo estava com problema, os ponteiros tinham travado, tirou do pulso, podia sentir uma magia estranha ao redor, magia negra talvez? Ergueu a mão para o objeto, concentrando-se brevemente, uma tênue luz vermelha brilhou em um flash, que fez estourarem pequenas explosões de luz negra, é... magia negra... os dragões ergueram a cabeça ao som das explosões, mas logo sossegaram novamente, os ponteiros voltaram a funcionar novamente, atrasados... ajustou o horário e colocou no pulso novamente, apreciando as engrenagens se moverem para se ajustar ao pulso, era excesso de magia negra em contato com o bulsoscópio... devia ser muito sensível à magia, Harry não se lembrava de ter tido muito contato com as artes das trevas ultimamente...
O sábado amanheceu nublado, com o terreno praticamente destruído, acordou com um pio fraco, olhou, Edwiges, com os olhos de âmbar abertos, encarava-o com um olhar sofrido, passou a mão na cabeça da coruja, que parecia tremer.
-Que foi?
Ela piscou. A asa que tinha tido a base ferida estava meio aberta, caída, a outra estava normalmente fechada. A falta de penas estava bastante visível: em algumas áreas ao redor da ferida havia uma rala penugem branca, assim como na maioria da asa ferida que ainda tinha algumas penas grandes, de vôo, mas que aparentavam que iriam cair em breve.
Resolveu se levantar, nenhum dos amigos esperara-o. Em um outro dia talvez tivesse se aborrecido com isso, mas hoje era O dia... embora lá no fundinho do estômago sentia-se meio arrependido de alguma coisa... ah, é... aquela discussão do dia anterior... agira como um idiota, novamente descarregando a raiva em quem não tinha culpa, olhou-se contrariado no espelho, não, não deixaria que o que acontecera no ano anterior voltasse a acontecer agora, mesmo com tantos problemas – a queimadura, a profecia, centauros traidores, Sirius morto (embora ele não conseguisse ter certeza de que o padrinho estava mesmo morto) e outros – ele estava feliz... não jogaria isso fora por causa de um mau comportamento.
Tentou dar a Edwiges um pouco de água, mas ela se recusou a tomar, então deixou servido um pouco de água e petiscos em dois potes perto da coruja, quando saiu ela lhe lançou um olhar suplicante para não ser abandonada, um olhar a toa.
O salão comunal estava pouco movimentado, era café da manhã, e a maioria do colégio tinha ido para o salão principal. Encontrou os amigos lá.
-Ficou sabendo? – falou Simas.
-Do que?
-Os centauros.
-Que é que tem os centauros?
-Eles não estão mais por aqui.
-E daí?
-Nem fala nada Simas! – Moana se sentou ao lado de Harry, animada – Dumbledore, as duas da manhã, ficou furioso com a persistência dos centauros, foi lá fora e... eu nunca vi tanto bicho voando!
-Deu uma surra nos centauros – falou Neville, sombriamente, passando manteiga numa torrada – um feitiço mais forte que o outro, abriu uma cratera no estádio...
Harry deixou a faca cair com estrépito.
-Uma cratera no estádio de quadribol???
Moana fez um gesto de pouca importância com a mão:
-Eles concertam, o próximo jogo e só depois do Natal, mas o que importa é que o Snape levou uma flechada de um dos centauros.
-Onde? – perguntou Harry, ansioso.
-No braço.
-Que pena... – lamentou. Todos riram...
-Harry! – ...menos Hermione.
Outros assuntos começaram a entreter os outros, aproveitou.
-Moana, eu queria pedir desculpas. – falou baixo.
-Pelo que? – ela o olhou sem entender.
-Por ontem, acho que eu fui meio grosseiro com você, por nada.
-Ah, que é isso... – ela fez um gesto de impaciência com a cabeça – qualquer um fica com raiva de vez em quando... e então? – ela sorriu marotamente – Hoje é o grande dia!
-É – ele sorriu também, passando a mão pela cintura dela e trazendo-a mais junto dele –
vamos começar? Você falou que era hoje.
-Não! – ela riu, afastando o rosto do dele – Hoje à noite!
-Por que você faz isso comigo?! - a soltou.
-Para ver se você é um bom garoto, se é obediente, se sabe esperar, se não é um canalha... por um monte de coisa...
-Mas você não pode adiantar umas doze horas??
-E por que eu faria isso?
-Ah, qual é... aposto como você adoraria uns beijinhos meus... – a abraçou de novo, ela deu soquinhos em seu peito, rindo.
-Convencido, me solta! Aqui no salão não! – a largou novamente.
-Lá fora então?
Ela revirou os olhos, voltando a comer.
Os alunos dos três primeiros anos estavam proibidos de saírem do castelo, por ainda não terem uma preparação defensiva adequada, mas os restantes podiam ir para o pátio, contanto que não se afastassem demais. Mas poucos alunos se atreviam a enfrentar o frio, mesmo que não estivesse ventando, havia tanta neve que era muito difícil andar.
Passaram a manhã na ala hospitalar, conversando com Rony, botando-o a par das notícias, ele não quis acreditar quando contaram que foi Harry que matou um dos grandeons ("Nãããão! O Harry, ta, e eu me transformo num macaco!"), tentaram convencer Madame Pomfrey a libera-lo durante à tarde, afinal ele já estava praticamente curado, embora fosse teimosia da enfermeira, ela não conseguia acreditar que alguém pudesse se recuperar tão depressa.
-É de família! – explicou Gina, impaciente, a enfermeira – Todos os membros da família Weasley, desde quatro gerações atrás, têm apresentado o dom de cura! Até eu tenho!
Foi a contra-gosto que ela o liberou, ele ainda precisou dar três voltas pela enfermaria pulando num pé só e sacudindo os braços para ela se convencer, foram dar uma volta pelo pátio, parando para apreciar o lago, que estava completamente congelado, mas tinha dois buracos na superfície, pouco maiores que o diâmetro de uma goles.
-São os aquamares?
Uma sombra azul passou rápido por baixo do gelo, e logo depois emergiu pelo buraco, um dos aquamares que tinham visto no início do ano nas aulas de Hagrid, e tinha algo na boca.
-É um peixe? – Gina apertou os olhos.
-Não, é um grindylow – reconheceu um dos bichinhos que tentara ataca-lo durante a segunda tarefa do Torneio Tribruxo, dois anos atrás. – Eca, isso deve ter um gosto ruim...
Outro aquamar emergiu de repente, quebrando um pouco de gelo com estrepito, formando outro buraco na camada de gelo. Foi andando desajeitadamente até o primeiro, roubou um pedaço do grindylow, o outro reclamou com um grasnado parecido com o de uma foca, mostrando os dentes afiados.
Ficaram observando os aquamares, mais dois surgiram, fêmeas, enquanto os outros estavam distraídos Harry se afastou, encheu a mão de neve, mirou e...
-HARRY SEU ANTA!!!
A neve escorria pelos cabelos castanho avermelhados dela, ela encheu a mão furiosamente também, tocou, ele se escapou, acabou sendo acertado por Rony, aí a guerra começou...
Estava indo muito bem até Gina levar uma bem no meio da cara e Neville sacar a varinha para se vingar... a única coisa que teve tempo de berrar foi "AVALANCHE!!!"... quando saiu da montanha de neve ainda engoliu mais um pouco de neve, obra de Moana... acabou fazendo-a engolir ainda mais neve... e continuaram, naquela brincadeira de criança, largando todos os problemas por alguns minutos, até uma cara barbuda aparecer e Harry por acidente encher a cara dele de neve...
-Ih, foi mal Hagrid!
-É, eu reparei... não engulo tanta neve com os olhos desde que seu pai estudava aqui... mas e então – ele se ergueu, parecia meio chateado e meio animado, estranho – o filhote de pastor belga chegou... querem dar uma olhada?
Aceitaram, usaram alguns feitiços para secar roupas (muito agradável que seria pegarem um resfriado justo naquele dia... e além disso Pomfrey iria mata-los) e foram com Hagrid até a cabana dele, logo que entraram se depararam com um filhote de cachorro, totalmente preto e com grandes olhos castanhos, típicos de filhote. Encarou-os entortando a cabeça e, fazendo a maior carinha de lelé possível, botou a língua pra fora, abanando o rabo.
-AI QUE FOFA!!!
Lá se foram as três garotas abraçar a cadelinha, que até ficou confusa, mas latiu alegremente e acabou mordendo os cabelos de Mione, Neville e Rony começaram a rir, mas Harry notou algo faltando na cabana do guarda-caça, até que caiu a ficha, uma surpresa meio desagradável.
-Hagrid... e o Canino?
As garotas o olharam espantadas, a cadelinha ainda puxando os cabelos de Hermione.
Hagrid fungou.
-Ele morreu. – Harry franziu a testa, as garotas olharam o meio gigante chocadas – Quinta, no ataque. Vocês não devem ter visto, estavam se defendendo, mas quando um daqueles grandeons pulou em mim o Canino viu e foi me defender. Claro, o grandeon atacou ele e ele não resistiu.
Os olhos do guarda-caça se encheram de lágrimas.
-Ora Hagrid – falou, como consolo – o Canino morreu como um herói. Antes assim do que sofrendo na idade em que ele tava. E, hum, - analisou os olhos negros do amigo, fáceis de traduzir - provavelmente ele não sentiu nada, a patada foi no pescoço.
Por um momento achou que tinha pisado na bola. Mas no outro teve certeza disso.
Hagrid o abraçara, aqueles abraços de urso que costumava dar quando estava emocionado. Se Hagrid falou alguma coisa, só o que ele ouviu foram seus ossos estalando, pediu socorro aos amigos pelo olhar.
-Vamos Hagrid! – disse Rony, animadamente – O Canino com certeza está roendo uns ossinhos onde quer que ele esteja, vamos curtir o cachorro novo! – Hagrid largou Harry, que imediatamente levou as mãos às costas como se tivesse torcicolo – Qual o nome dela?
-Eu ainda não dei nenhum – disse ele, observando com um sorriso a cadelinha pular tentando alcançar os cabelos de Mione. – Estava contando com o apoio de vocês pra isso.
E então começou a sessão de nomes. Desde os mais comuns, como Lilica, até os mais mirabolantes, como Clerisberta e Maquinalda, passando por Sacha, Russa, Xurá, Tornado, Tina, Ventania, Trevo, Faísca, Escuridão, Sombra, Dark, e até mesmo Fórceps.
-Credo Mione! Se é por isso chama logo a cadela de Cesariana!
Mione amarrou a cara. A essa altura eram quatro da tarde, estava Harry com a cadela de nome indefinido no colo, pela primeira vez sossegada, curtindo o cafuné.
-Pode ser Selda... – disse Moana, quando ninguém mais queria dar um nome que agradasse Hagrid.
Finalmente um nome que o meio-gigante aceitou, Selda, Moana acabou sendo a madrinha da cadelinha.
-E o Harry é o padrinho, visto que ela até dormiu no colo dele! – riu Rony.
-Meu Deus! – quase gritou Gina – Olha as horas! Temos que nos arrumar!!!
Em um segundo não tinha uma única garota ali no meio.
-Faltam ainda três horas e meia! – murmurou Rony, olhando no relógio, incrédulo – o que é que elas fazem nesse tempo todo?
Harry e Neville sacudiram os ombros, mas Hagrid riu. Continuaram conversando, quadribol, assassinatos, seqüestros, tragédias, desgraças... somente assuntos banais, banais porque até a Inglaterra estava ferrada no campeonato, Vítor voltara a jogar, a Bulgária já estava novamente em segundo, atrás da Polônia, a Inglaterra estava em décimo quinto, descendo direto... Rony se indignara e dissera que até Neville jogava melhor que o time inteiro inglês junto, o grifinório não gostou muito... mas não falou nada, afinal, se avançasse provavelmente seu namoro com Gina estava acabado... no final Harry acabou se divertindo.Voltaram para o castelo, Edwiges dormia, deu a ela um remédio que Bryan receitara, e outro antídoto, a asa ferida continuava caída e dessa vez sem nenhuma pena, acariciou-a até ela dormir, a comido que deixara pela manhã fora toda comida (pelos dragões... canalhas)... então se arrumaram...
-O que vocês acham, deixo o cabelo solto ou preso? – perguntou Rony, olhando o próprio cabelo no espelho, já estava quase no meio das costas.
-Eu gostei mais dele com o cabelo solto, parecia mais com a mãe dele. – disse Simas, com ar de provocação, olhando para Rony, enquanto botava a camisa.
-Por acaso você conhece a mãe do Rony? – perguntou Dino, sem camisa (Uh-hu!), em um tom fingido de curiosidade.
-Ah, eu não te contei que a mãe do Rony e eu tivemos um encontro ontem a noite? – Simas falou, convencidamente.
-Que papo é esse?! – rosnou Rony, olhando-o com desagrado. Mas Harry captou muito bem a brincadeira.
-Pô Simas, pra que falar assim da mãe do Rony, assim você me deixa nervoso e eu vou acabar não levando a sua mãe pro baile de inverno! Eu marquei com ela ontem, e ela é bem jeitosinha...
-Se manca Harry! – protestou Simas, Rony começou a achar graça.
-Jeitosinha uma ova, eu até emprestei umas giletes pra ela depilar aquelas pernas cabeludas! – murmurou Dino, que recebeu uma almofadada de Simas.
-Isso pra não falar nas coxas dela! – exclamou Rony, entrando no jogo. Recebeu uma almofada também.
-Se liga Rony, depois que a minha terminar de usar as giletes ela vai dar para a sua, para ela poder raspar aquelas costas horríveis! – foi Simas que recebeu as almofadas.
-E da mãe do Harry, ninguém fala nada? – perguntou Dino.
-Não me metam nisso! – ergueu os braços – Eu sou o único de nós quatro que não tem mãe, sou inocente!
-Ora, então nem precisamos de motivo para te atacar... – falou Simas, sorrindo feito um maníaco igual aos outros.
-Opa...
Foi preciso Neville chegar para ele ser salvo, os três tinham pulado em cima dele com as almofadas, um sufoco, mas quando voltou a respirar as piadas de mãe tinham acabado.
Rony foi a coisa mais vermelha que ele já vira na vida com aquela túnica, Simas e Dino estavam normais, vestes discretas marrom-cocô, Neville pegara uma azul marinho... Desceram para o salão comunal, atulhado de gente, as garotas com vestidos extravagantes, Cátia e Bryan se curtiam, Mauro conversava com uma garota setimanista, Gina estava muito bonita, cabelos alisados e um vestido prateado, Neville foi todo sorridente até ela, elogiando e tudo o mais, Dino iria com Padma, irmã de Parvati (ele estava desesperado...), que era de Corvinal, assim como Luna, par de Simas. Harry e Rony ficaram esperando Mione e Moana ansiosos, cinco minutos, dez minutos, quinze...
Já estava entediado quando finalmente... o queixo de Rony caiu. Se virou para olhar.
O seu queixo também caiu.
Impossível dizer qual das duas estava mais bonita, embora aos olhos de Harry Moana estivesse muito melhor, de vermelho, os cabelos amarrados num coque com compridas pontas de fora, o vestido vermelho num decote em V comportado, o colar de olhos-de-tigre e olho-de-gato que ele lhe dera no início do período letivo realçando os olhos dela, brincos de rubi e aquele sorriso que deixa o cara nas nuvens...
As duas desceram as escadas até eles, Mione deu um gritinho sufocado quando Rony pulou nela feito um maníaco beijando-a, Harry quase fez a mesma coisa, mas se controlou.
-Vamos descer? – perguntou ela – Já está começando.
Desceram os quatro, realmente o trânsito na sala comunal já tinha diminuído, Simas se extraviou do grupo, parecendo indo procurar Luna, entraram no salão, como no quarto ano, as mesinha circulares, o espaço para a dança, mas a decoração estava muito bonita, cristais de gelo com pequenas chamas dentro iluminavam o salão flutuando no lugar das velas, pequenas fadinhas brilhantes de múltiplas cores davam voltas pelo salão, parecendo vaga-lumes maiores do que o normal, um escurinho estranhamente romântico, e na frente de onde estaria a mesa dos professores o palco, onde tocariam as bandas. Escolheram uma mesa mais ao canto, sentaram-se.
-As Quimeras da Noite e as Corujas Dançantes vão tocar também! – disse Mione animada. – No total vai ser três bandas! Quatro horas de músicas! Só foram selecionadas as melhores!
-As Esquisitonas vão tocar também? – perguntou Moana, Hermione confirmou – Que bom, é a minha banda favorita! Quatro horas dançando ouviu Tigrão?
-Huumm, Tigrão? – perguntou Rony maliciosamente.
-Tá bem, Moa, mas não vá se arrepender depois! – falou em tom de ameaça (ele não sabia dançar...).
-Moa??? – perguntou Mione.
-O que tem demais Mioneti? E você Ronicote?
-Ah, esquece! – resmungou Rony, beijando Mione.
Aos poucos o salão foi enchendo, o ar foi aquecendo, o clima foi esquentando. Quando todos os pares pareciam ter chegado, Dumbledore se levantou, uma espécie de megafone na mão, todo o salão aquietou.
-Senhores, e senhoritas! Devido aos tempos difíceis, Hogwarts oferece com prazer este baile de inverno, com o objetivo de descontrair os casais, e, inclusive, formar outros! Então, como ninguém está com paciência para escutar este velho chato, vamos receber e curtir o som das Quimeras da Noite!
O salão explodiu em palmas, Dumbledore sentou-se, elevando-se do palco surgiu a banda, quatro homens, três mulheres, começaram iniciando uma música agitada, vários pares se levantaram indo para a pista de dança, inclusive Moana e Mione.
-Vamos Harry!
-Anda Rony!
-Mas é que...
-É que eu...
-Vamos!!! – as duas os arrastaram para a pista.
Se fosse outra garota provavelmente teria pisoteado-a de nervosismo, mas era tão calmo junto a ela que quando viu estava embalado no ritmo, e não estava fazendo feio. E foram assim, uma música, duas músicas, três, até iniciar uma lenta, excelente para dançar agarradinho.
-E então, estou indo bem? – perguntou, curtindo o fato de poder sentir o calor do corpo dela junto ao seu com a maior paz.
-Está indo muito bem… mas ainda falta muito... espero que você não perca o ritmo.
-Se eu puder ficar juntinho assim, não perco não.
-Safado... tigre safado...
Pouquíssimos casais não dançavam, a maioria estava embalada pelo ritmo calmo, e era tão bom ficar junto dela assim que beijos não era necessários.
-E o Simas, tentou alguma coisa?
-Não... nunca mais... ele se conformou com a morte dela. Por falar nisso, onde ele está?
-É mesmo... – viu Luna sentada num canto, sozinha. – Ele estava meio pálido quando nós estávamos vindo para cá, lembra?
-É... mas não vamos falar dele, está tão bom ficar aqui... – ela deitou a cabeça em seu ombro.
Passaram mais algumas músicas, Moana não o deixou parar, depois de vários sons um dos vocalistas falou ao megafone:
-Tá bom pessoal, vamos fazer uma pausa de quinze minutos, e depois voltaremos!
Tiveram alguns casais que protestaram, mas Harry até teve uma idéia. Puxou-a pelo braço, em direção a saída do salão.
-Aonde você está indo Harry?
Apenas sorriu, levou-a ao saguão, onde estava bem mais frio e mais quieto, vazio e escuro. Virou-se para ela.
-E então?
-E então o que? – Ela o abraçou, sorrindo.
-Já é de noite, estamos no baile, fui comportado, vamos começar? – sorriu.
-Vamos…
E se beijaram.
(N.da A.: AAALELUIA! AAALELUIA! ALELUIA! ALELUIA! ALEEELUUUIA!!!)
E o mundo parou, decididamente fora cem bilhões de vezes melhor que com Cho, ela largou os braços nos seus ombros, ele a abraçou pela cintura, e não foi curto não, mas como tudo que é bom dura pouco, palmas começaram a ecoar:
-Ae garanhão! – berrou Rony, batendo palmas junto com Mione, Neville e Gina, que riam loucamente.
-O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou, sem se soltarem.
-Ahhhh, mas você acha que nós íamos perder isso? – riu o ruivo.
-Caiam fora!!! – berraram os dois juntos, voltando a se beijar.
-Ihh, vamos sair mesmo, porque agora vai ser um grude só!
E o melhor era que não sentia vergonha como era com Cho ("Por que estou me lembrando daquela baranga agora?"), estavam os dois totalmente a vontades ("E o melhor de tudo é que ela beija bem!!!"), voltaram abraçados pro salão, sem conseguir tirar o sorriso besta da cara, voltaram a mesa que tinham escolhido no início, os quatro amigos estavam ali, conversando com Simas, que estava meio pálido ainda.
-Onde você estava Simas? – perguntou chegando no grupo, ainda foi zuado pelos que estavam em volta, olhou para Rony "Fofoqueiro de plantão...".
-Como assim? Eu quis chegar tarde, faziam parte dos meus planos! – exclamou o loiro, mas não convenceu ninguém.
-Sabemos, planos... – Rony riu, outros comentários idiotas foram feitos, Luna observava meramente interessada a conversa.
-Simas, diz aí quais eram os planos... – pediu, rindo.
-Ta bem... eu ia chegar elegantemente mais tarde mas me atrasei, o que eu perdi? Acho que me atrasei de... – mas ele foi interrompido pela explosão de comentários de descrença que houve.
-Dãããããããããããã!!! – exclamaram alguns.
-Maravilha de plano!
-Bah, só um gênio pra ter essa idéia!
-Que coisa idiota Simas!
-Você está olhando muito American Pie! – murmurou Hermione.
-Eu gosto do Finch, ta bem?! – defendeu-se o grifinório.
-Qualé, fala a verdade aí!
-Ééé... não colou... – ele deu um suspiro contrariado – algum "praguento" botou laxante de efeito prolongado no meu suco hoje no almoço – risadas... – quando eu tava vindo pra cá tive que ir no banheiro, fiquei lá até agora, mas Madame Pomfrey me garantiu que saiu tudo, o que é muito bom, estou puro como vim ao mundo...
Depois disso a conversa tomou um rumo chato, os dois acabaram escolhendo uma mesa mais afastada, queriam ficar sozinhos, compensar o tempo perdido, pediram vinho ("Tem certeza Harry?" "Claro!" "Mas... vinho?" "É um dia especial, Moa" "Ta bom, tinto e bem fino, por favor" "E ainda tem preferência?" "Claro, ou você prefere branco?" "Não, esquece..."), e ficaram se curtindo (N. da A.: Nem digo a vocês que esse "curtindo" era alguns amassos...), até os dois amigos virem pentelhar.
-Não podem nos dar privacidade?
-Não, queremos pegar no seu pé...
-Olha, as Quimeras da Noite voltaram a tocar!
Bela desculpa de Moana... Rony e Hermione ficaram chupando dedo enquanto os dois voltaram a dançar.
E que fôlego!
Não fazia a mínima idéia de quanto tempo já havia passado, só sabia que era bastante, as Quimeras desceram do palco sob aplausos, as Corujas Dançantes entraram logo arrebentando, mas, claro, outro empecilho para ficar agarradinho com ela.
-Aí Harry, quer trocar? – perguntou Simas, com Luna ao seu lado. Se entreolhou com Moana.
-Pode ser?
-Se você não se importar...
Trocaram.
-Mas não banque o tarado, ou você vai se ver comigo, ouviu bem Simas???
Luna estava bem bonitinha, o vestido amarelo reluzia na noite, e ela tinha prendido os cabelos num penteado elegante. Sentiu-se pouco a vontade com ela.
-E aí, o que o seu pai disse, depois do que aconteceu no ministério? – perguntou.
-Ah, ele não ficou zangado... ficou preocupado, mas quando eu disse que era para ajudar seu padrinho ele aceitou... – ela respondeu, tranqüilamente, observando os outros pares dançando. - E você, foram boas as suas férias?
-Hum... foram, mas eu já tive melhores.
-Eu também...
Olhou-a sem entender.
-Os comensais de Voldemort invadiram a minha casa em Agosto, machucaram bastante meu pai...
-E... ele está bem?
-Ah, está sim... ficou alguns dias no hospital, ficou chateado porque na invasão o bufador de chifre enrugado acabou fugindo.
-Vocês conseguiram capturar um bufador? – perguntou, considerando que era um ser alisutório.
-Conseguimos – ela se animou – Foi no dia dezessete de julho, nós estávamos em...
Umas das situações mais inesperadas, ele dançando com Luna conversando sobre a captura do bufador de chifre enrugado enquanto sua namorada dançava com um cara que já pedira para namorar com ela... Luna embarcou na história da captura, acabaram conversando sobre outros assuntos mais, só voltaram para os pares "oficias" quando As Esquisitonas começaram a tocar.
-O que o Simas falou com você? – perguntou, roubando um beijo dela.
-Um monte de coisa, falou que percebeu que estava errado quando me pediu em namoro, que estava tentando arranjar uma outra namorada ou pelo menos se animar de novo, que não tem chance nenhuma com Luna porque ela está interessada em outro, quem diria, que está se dedicando o melhor que pode no quadribol e que está fazendo uma vaquinha para comprar uma Firebolt, e mais um monte de coisa... e você e a Luna?
-Bastante coisa, mas não é isso que importa, fiquei com ciúmes sabe? – beijinho...
-Um namorado ciumento... maravilha... – beijo...
-Muito ciumento... melhor ir se preparando... – beijão...
-Apostando para ver quem beija mais? – perguntou Rony, passando por eles na pista.
-Não, recuperando o tempo perdido!
As Esquisitonas tocaram por mais tempo que as outras, e só pararam de dançar quando a fome bateu mais alto, três casais se beijando numa mesa, Rony, Mione, Neville e Gina pararam de dançar, mas Moana o arrastou novamente, não que ele tivesse resistido, curtiu, poderia estar cercado de comensais, se estivesse com ela, estava na paz (putz, rimou...)...
Era três da manhã quando As Esquisitonas tocaram a última música, elas se sentaram no palco, olhando para cima, assim como o resto do povo, o teto do salão estava decorado com um céu limpo e estrelado, e iniciou-se uma queima de fogos de artifício, dentro do salão.
Várias exclamações, "ohhh", muito bons os fogos mesmo, um estoque inteiro dos Weasley, a queima durou quase quarenta minutos, Harry ficou abraçado em Moana por trás, cabeça do lado da dela, viu pelo canto do olho Hermione olhando com um certo orgulho para os fogos, claro, a idéia fora dela...
Pegasus, unicórnios, hipógrifos e até quimeras cruzando o céu enquanto os fogos explodiam, tiveram que rir quando explodiu um em que dois hipogrifos acasalavam, Hermione levou a mão a boca chocada mas Rony ria, Gina sacudiu a cabeça com um sorriso nos lábios, "esses gêmeos..."...
Com certeza aquele baile deixaria saudades mais tarde, mas foi com prazer que subiu as escadas do dormitório após dar um beijo (e bota beijo naquilo) de despedida em Moana às quatro da manhã, se tacou na cama nas nuvens, sorrindo pateticamente para o dossel da cama, revivendo os momentos da noite... Rony até zoou com a cara dele, mas os demais dormiram na hora, disseram estarem cansados, mas eles nem dançaram a noite toda...
