Capitulo XX
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Dez meses voaram por mim desde aquele dia.
O quebra-cabeças permanecia e com suspeitas que nunca iria ser resolvido. Eram tantas as perguntas e não existia quaisquer respostas. Talvez elas existissem, mas eu não sabia onde as procurar.
O sentimento quente que invadia o meu peito sempre que eu olhava a misteriosa rosa vermelha, agora guardada no meio das folhas da minha cópia de Romeu & Julieta. A tal sensação era tão estranha e inexplicável em palavras. Talvez fosse apenas a curiosidade que gritava dentro de mim, mas emocionalmente, eu sabia que aquilo significava algo mais. Simplesmente tinha.
Sempre que observava as pétalas encarnadas agora já secas, quando o sentimento dava sinal de vida, eu desejava profundamente que aquela flor falasse. Que respondesse todas as minhas dúvidas e tira-se a agonia que a falta de conhecimento me provocava.
Talvez, até eu descobrisse que a flor seria o alguém com quem eu podia falar sobre o que se passava com a minha alma. Mas o que uma simples e bela flor poderia me dizer? Eu sentia-me tão sozinha, mesmo com a presença das empregadas e os meus tios. O sentimento de abandono crescia cada vez mais. E, infelizmente, eu sentia que tinha tendência para crescer mais, ainda mais do que agora.
Penso que Heidi reparou na minha pré-depressão, devido aos sérios olhares que ela me transmitia. As investidas de James tinham ficado piores ao passar dos meses, apesar de eu, esperançosamente, desejar que depois de um tempo ele desistisse. Tinha quase a certeza que Heidi estava por detrás disso.
Nunca mais vi Carlisle.
O arrependimento por não o ter seguido, também estava presente. Misturado com os restantes.
A vida passava monótona. Se houve uma época da minha vida, em que todas as emoções, tinham sido elas más ou boas, gritavam no meu interior, agora eu parecia apenas uma boneca de pano sem emoção
As cartas que chegavam de Jacob, tinham um período de intervalo cada vez maior. Já se tinham passado 2 meses da última carta. A sensação que Jacob estava-se afastar de mim, também não ajudava no meu estado. As cartas, que anteriormente, eram compostas por várias folhas recheadas dos seus rabiscos, agora eram apenas 1 folha e 7 linhas que não tinham conteúdo nenhum.
O estado de boneca de pano sem vida, em que eu me encontrava era fruto disso tudo junto. Era apenas uma forma de guardar dentro de mim todas as dolorosas lágrimas e a mágoa que alastrava-se por todo o meu corpo.
Os meus desaveios foram interrompidos por ritmas batidas na porta do meu quarto.
- Sim? – perguntei fechando o livro de William Shakespeare que estava pousado no meu colo.
- Senhorita Isabella, dá-me licença? – perguntou Cathy, uma nova empregada que Heidi tinha contratado para ajudar Anne nas tarefas domésticas.
- Claro. – falei suspirando mergulhada no desejo de ficar sozinha para despejar todas as minhas emoções que estavam cruelmente escondidas. Senti-me culpada entretanto. Cathy não tinha culpa alguma por causa do meu passado e do presente. E, talvez, do meu futuro.
Cathy entrou lentamente com uma grande caixa nos seus braços, aproximou-se da minha cama e pousou-a sob ela, cuidadosamente.
- Senhorita Isabella, a sua tia mandou-lhe esse vestido. – apontando para a misteriosa caixa - Ela pediu-me para lhe informar que deve o usar e preparar-se para a ceia na habitação da família Wilson. Com licença. – fechou a porta atrás de si, deixando-me a fitar aquela caixa desconfiadamente.
Eu tinha um pressentimento que aquele jantar não iria ser muito agradável. Pelo menos para a minha pessoa.
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-… Porquê é que o cão atravessa a rua? – perguntou animado e excessivamente divertido Mr. Wilson. – Para passar para o outro lado! – exclamou, desmanchando-se em gargalhadas logo a seguir. Os restantes também deram risos baixos, talvez forçados.
Esta era uma faceta que eu desconhecia completamente de Mr. Wilson, sempre o achei assustador, tal como a sua esposa. Hoje, anormalmente, Mr. Wilson encontrava-se a contar piadas, algumas com um certo teor engraçado, outras nem por isso. Talvez devesse á significante quantidade de álcool que já tinha ingerido.
No entanto, Mrs. Wilson levantou-se da poltrona onde estava sentada, interrompendo o momento cómico do marido e chamou a atenção dos restantes.
- Bem, peço perdão por estar a interromper. Mas há algo mais importante para ser tratado. – disse com superioridade e orgulho notável na sua voz. Pelo canto do olho, vi Heidi a quicar de ansiedade no sofá onde estava sentada. Ignorei-a e continuei a olhar para Mrs. Wilson.
- James. – chamou-o e virei o meu olhar para ele. James sorria nervoso e as maças do seu rosto estavam avermelhadas. Ele levantou-se e aproximou-se da sua mãe, virando-se para o "público". - O James tem um assunto muito importante para vos falar. James. – sorriu-lhe.
- Er… E-eu… bem… Eu que-queria… - James gaguejou nervosamente enquanto os olhos moviam-se pelos rostos que o observavam. Cheguei a sentir pena dele quando vi a situação vulnerável em qual ele se encontrava enquanto observava a sua mãe dar-lhe uma cotovelada na barriga.
James respirou fundo, obviamente tentando acalmar-se.
- Mr. e Mrs. Miller. – dirigiu-se aos meus tios, chamando-os pelo seu apelido. – -E-eu queria dizer que tenho um grande afecto pela vossa sobrinha, Isabella. E na ausência de seu pai, eu gostaria de pedir a sua mão em casamento a si, Mr. Miller.
Como? Não! Os meus tios não podiam aceitar!
Olhei para eles em choque á procura de auxílio, mas logo todas as esperanças morreram.
Ambos estavam com um enorme sorriso no seu rosto. Eles não poderiam fazer-me isto.
Não, não podiam…
- Tem a minha bênção, James. – sorriu-lhe Robert orgulhoso. Oh Deus, eles podiam e estavam a faze-lo.
Eu queria fugir. Não acreditava que estavam me a obrigar a casar com James, alguém que eu não amava.
Olhei para a janela que ficava logo atrás de mim e deparei-me com a escuridão da noite. Eu não poderia fugir, era demasiado perigoso.
Respirei fundo, tentando parar as lágrimas de desespero e tentando engolir o horrendo bolo que estava preso na minha garganta. Tarde demais. As lágrimas já corriam sem qualquer impedimento pelo meu rosto.
Voltei o olhar para James sem me preocupar em limpar as gotas não obedientes. Este olhou-me sorridente e aproximou-se de mim.
- Oh Bella, eu também estou muito feliz. – comentou tocando-me na mão. Feliz? Eu queria morrer. Eu não poderia me casar com James, pois eu sabia no íntimo que nunca iria lhe pertencer. Aliás, eu nunca iria pertencer a homem nenhum. Fechei os olhos, esperando que este pesadelo acabasse.
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Novamente batidas na porta do meu quarto interromperam-me. Agora, o meu sono. A porta abriu-se sem eu sequer responder, dando lugar a Heidi que me fitava cautelosamente. Sentou-se na cama virada para mim, depois de ter fechado a porta.
- Bella, querida… - começou, não esperando ela terminar, virei-me de costas e ignorei-a. Eu ainda estava magoada com tudo. – Tenta compreender o meu lado, querida. Eu só estou a tentar fazer o que é melhor para ti.
Virei-me para ela, subitamente.
- E diga-me, minha tia, o que a senhora sabe sobre o que é melhor ou não para mim? – resmunguei por entre os dentes, encarando Heidi surpresa com a minha atitude rude. Ela suspirou e encarou as mãos no seu colo.
- Eu entendo que estejas magoada e zangada comigo. Mas querida, eu só quero que sejas feliz. E quando James me contou…
- Espere. – interrompi-a incrédula – Contou? Contou o quê? A senhora já sabia? – vi Heidi abaixar a cabeça e assentiu – Eu… Porque não me perguntou antes se era isso que eu realmente queria? – Heidi abriu a boca para me responder mas voltei a interrompe-la. – Oh, espere… Eu não quero saber. – disse enquanto tapava os meus ouvidos.
As mãos de Heidi agarraram firmemente os pulsos puxando-os para longe do meu rosto.
- Não foi por isso que eu vim aqui. Tens uma visita. – comentou olhando-me ainda cautelosamente.
- Se for James ou alguém da sua família, avise que eu não estou. – resmunguei.
- Bella, isso é má educação. Principalmente por ser a família do teu noivo. – repreendeu-me e só revirei os olhos quando as palavras "teu noivo" foram citadas. – Mas não. É uma senhora simpática. Ela de alguma forma parece-te conhecer e queria conversar contigo.
- Eu não sei quem é. – voltei a reclamar.
- Claro que não, ainda nem sequer a viste. Anda Bella, arruma-te. Ela está a tua espera lá na sala. – disse-me Heidi antes de sair do meu quarto.
Suspirei sabendo que não tinha qualquer escapatória. Eu esperava realmente que Heidi estivesse a dizer a verdade em não ser ninguém haver com James ou ele mesmo. Levantei-me preguiçosamente da cama e cobri-me com um vestido rosa claro. Por fim, apanhei os meus cabelos. Depois de verificar que estava apresentável desci para me encontrar com a tal senhora.
Ela estava sentada num dos confortáveis sofás numa postura rígida, como se tivesse incomodada com algo. Provavelmente devia ser mãe de alguma pretendente de James, pensei aborrecida.
Logo que cheguei os seus olhos fixaram-se em mim e o que me chamou atenção foi a tonalidade dourada da qual os seus olhos eram pintados. Eles pareciam-me vagamente familiares.
Aproximei-me da desconhecida que levantou-se para se apresentar.
- Olá Bella. Prazer em conhecer-te. – sorriu-me amorosamente, ao qual foi impossível não retribuir. – O meu nome é Esme.
- Olá senhora Esme. Prazer. – respondi-lhe ainda atrapalhada com tamanha simpatia.
- Só Esme, querida. – pediu-me ainda com o seu sorriso.
- Claro. – respondi apenas, sentando-me na poltrona ao lado do sofá, convidando-a a fazer o mesmo.
- Desculpe-me, mas eu acho que não a conheço. – disse-lhe envergonhada.
- Oh, é normal. De verdade, não me conheces. Mas é que já ouvi tanto sobre ti, que esqueço que nós nunca nos conhecemos. – respondeu simpaticamente e não me escapou o facto de ela falar comigo como fossemos velhas amigas. Mas quem é que teria falado tanto sobre mim?
- Sim, eu entendo. – tinha certa vergonha em perguntar sobre quem é que falava sobre mim, dado que deixei escapar isso – Mas o que lhe trás aqui?
- Venho em nome de uma pessoa que é muito querida. É sobre o teu noivado, minha querida.
- O-o que tem?
- Não o faças. – pediu-me agora séria, olhando-me nos olhos. – Não te cases com alguém que não amas.
- Como é que a senhora sabe que eu amo ou não… o meu noivo? – perguntei engasgando-me nas ultimas palavras.
- Porque eu sei quem amas. – observou olhando-me ternamente. – O meu filho.
- Eu não conheço o seu filho. Por isso não pode afirmar isso. – disse-lhe nervosa com o quanto esta estranha pensava que sabia sobre mim.
Ela levantou-se calmamente e estendeu-me a mãe.
- Então vem comigo. Eu irei-te apresentar o meu filho. – encarei a sua mão nervosa. Algo dentro de mim dizia que eu deveria aceitar, que eu deveria ir. E estranhamente, eu desejava fazer isso. Mas eu não a conhecia. – Podes confiar em mim. – sorriu-me amavelmente.
Livrando-me de todos os meus medos e pensamentos, agarrei a sua mão e deixei-a levar-me para onde ela desejasse.
Ok..
Eu sei que provalvemente vocês querem me matar.. E merecem... mas não o façam, porque senão é que não há capitulos mesmo :c
Como eu já tinha dito no penúltimo capitulo, a escolinha começou..
E embora eu venha de vez em quando aqui ao FF, é complicado.
A inspiração praticamente não existe. Ás vezes leio algumas histórias aqui para ressuscita-la.
Enfim... Consiste simplesmente eu a olhar para folha em branco no Word.. sem conseguir escrever nada.
A sorte: já tinha este meio acabado. :)
Peço imensas desculpas pela demora.
Eu não posso prometer que o proximo venha já-já, maas o Natal está a vir e isso é sinómimo de férias e isso é sinónimo de paz mental e isso é sinónimo de mais capitulos fresquinhos. :D
OBRIGADA A TODAS PESSOAS QUE DEIXARAM REVIEW!
Obrigada: lilaclilies - Aaah, eu fico tão feliz com essas perguntas, ê faz-me lembrar alguém.. Ah é a nossa Bella, rs.; marinapz4 - já somos duas :l ; natfurlan - obrigada querida, beijos :* ; Maria Clara Sifuentes - kk, tanta ansiedade... :o coitado com esse coração, beijos :* ; manucss - bem-vinda e obrigada :) ; Nathalia Anring - Obrigadaa :}.
Obrigada por tudo e perdão mais uma vez. Espero pela vossa resposta.
Bisôus,
Mackz.
