Septimus e Cedrella

Cedrella Black era uma mulher naturalmente reservada e cheia de segredos. Ela usava os cabelos negros e ondulados compridos e repartidos ao meio. Seus grandes olhos azuis pareciam eternamente desconfiados e um pouco tristes.

Era também uma pessoa rara e especial; elegante e inocente; romântica e meiga; Tudo a um só tempo. Desde que escolhera casar com Septimus e fora riscada da Árvore Genealógica da Família Black seu mundo girava em torno das duas pessoas que mais amava: Septimus e Alphard.

Ela vinha acompanhando a estória de Brianna e vendo o quanto a paixão por ela havia modificado Alphard para melhor. Quando Septimus chegou contando do modo como Alphard havia levado a moça ela aplaudiu alegremente a noticia.

— Mas Cedrella você não entende?

— Claro que entendo. — Ela disse impaciente.— Ele finalmente tomou uma atitude.

— Ela é mulher de Dumbledore, meu anjo. E nós tínhamos ordens de não sermos vistos por ela.

Ela se aproximou colando seu rosto ao dele ao abraçá-lo por trás. Os cabelos negros caindo em ondas sobre o marido. Dela emanava uma combinação tempestuosa de aromas que faziam com que o Sr. Weasley raciocinasse com menos clareza.

— Está certo, mas já foi feito. E agora você e eu vamos ajudar Alphard a tornar essa transição suave para Brianna.Vou convidá-los para jantar,fazer compras para Brianna,quem sabe levá-la ao Beco Diagonal,que acha deles morarem perto de nós? Será que os filhos deles herdarã a magia?..— Cedrella beijou o marido no pescoço enquanto falava sem parar sobre seus planos.Septimus Weasley resolveu não contrariar a esposa.

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Abeforth

Um homem usando vestes longas olhava para um atormentado Dumbledore. O cabelo ensebado caía da testa larga até a gola da camisa, seus olhos tão azuis quanto os de Albus pareciam zangados e irônicos. — Desapareceram completamente. —Ele tinha a voz áspera, endurecida pelo fumo e maus hábitos.

— Isto é ridículo! — explodiu Dumbledore. — O que você está dizendo? Que eles fugiram e você não pode dizer para onde foram? Não os seguiu? Não fez nada para impedir? —Houve um silêncio. Em algum lugar na vila adormecida um cachorro latiu.

— Exato.

— Não dá para acreditar! Você confiou o Brianna para aquele louco? Existem algas mais inteligentes do que você, irmãozinho.

— Eu cometi um erro. Já percebi. Peço desculpas.

Isso só deixou Dumbledore ainda mais bravo.

— Está bem, percebo o que aconteceu. Ela não fugiu com ele: ele a levou. Ele a forçou. — Dumbledore riu com ironia. —Acho que você gostou de me ver perdendo minha mulher.

— Digamos Albus... — o outro falou devagar — que as pessoas que você ama ficam mais seguras longe de sua proteção. — Isso foi dito em tom neutro como tudo o mais. —Gosto de Brianna e vou ajudar a protegê-la, mas vou também fazer o possível para afastá-la de você e de suas grandes ambições.

E então uma vergonha terrível caiu sobre Dumbledore. Em seu egoísmo, ele se alegrara ao pensar que Alphard tinha forçado Brianna, mesmo sabendo o que ele e Black haviam combinado ficava mais feliz ao pensar que Brianna estava com ele sob coação! Isso significava dizer que sua garota não o havia trocado pelo outro! Ela o amava!

Merlin!— ele pensou — como sou egoísta. É melhor para ela estar longe de mim e da obsessão de Gellert.— Ele cruzou os braços diante de si e, pousou a cabeça na mesa, tentando se recompor.

Quando ergueu a cabeça sorriu para o irmão e sua expressão era serena, seu rosto de rugas delicadas emoldurado pelos cabelos ruivos, parecia a expressão da certeza.

— Está tudo bem, Abe. Nós dois sabemos o que você sente a meu respeito. — Ele olhou para o irmão. — Agora quero que você continue vigiando os dois. Black e Brianna ainda não estão seguros. Gellert não conseguiu matar você — Pensava em algo que lhes acontecera anos antes. — mas vai se esforçar para fazer com que Black passe para o lado dele e temo imaginar o que faria com Brianna se a pegasse, pois ele me conhece o bastante para saber o quanto me importo.

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Brianna e Tolce

Agosto - 1939. Local - Londres, estação de Liverpool. Mais de uma centena de crianças amontoadas, com etiquetas presas em seu pescoço, desembarcam do trem, uma atrás da outra enquanto Brianna esperava.

As crianças sentaram-se em bancos de madeira. Os menores choravam amargamente procurando e chamando por suas mães.

Cada um dos passageiros do Kindertransport era chamado pelo nome e levado para aquele que seria o seu padrinho, aquele que salvara essa criança da morte. Brianna seria um desses protetores. Atendendo a um pedido de Tolce ela tinha, afinal, aceitado ajuda financeira de Dumbledore.

Estava atenta às crianças e tão concentrada que mal percebeu a chegada de Úrico. Ele tocou em seu ombro e ela virou-se sobressaltada.

— Sou eu, Brianna.

— Que susto Úrico.

— Black me disse que você estaria aqui e pediu para que eu viesse. Achei que devia proteger minha amiga teimosa.

— Eu não sou tão teimosa assim!

—-Não?A guerra já é um fato concreto...

—É eu sei! A frota britânica está mobilizada; A RAF começou a voar para a França, todos contam o tempo para uma declaração oficial de guerra.

— Sim Senhorita Thorne e no mundo bruxo a guerra já começou.

—Eu percebi Úrico, eu percebi. — Ela encolheu os ombros e fez uma careta. —Por isso estou aqui pra tentar ajudar de alguma forma.

—Você quase foi morta, por homens de Grindewald, e sai sozinha por aí quanto poderia ter a proteção de Alphard Black ou de Dumbledore? — Ele gargalhou e segurou a sua mão. —Tem razão Brianna você não é teimosa é muito teimosa.

—Nem tanto, nunca recuso a sua ajuda ou a de Abeforth.Eu te chamei não chamei?

— Sim chamou. — concedeu Tolce com um sorriso —Vamos buscar a sua nova hóspede antes que toda uma horda de bruxos se abata sobre nós, porque além de teimosa você é azarada.

— Por isso gosto de você, pelo seu senso de humor e porque não trata como uma inútil.

Um dos voluntários trazia Lory Epstein pela mão e a entregava sua madrinha.

Brianna a cumprimentou sem querer interferir ou se impor. A menina olhou assustada para o casal que sorria de forma amistosa. Ela tinha pele branca e longos cabelos escuros e enormes olhos azuis que lhe davam um ar de bichinho assustado.

Os três caminharam, até a saída da estação onde um carro emprestado pelo ministério da magia os levaria a um subúrbio de Londres.

Tolce falava em alemão e explicava a menina que Brianna seria de agora em diante responsável por ela e que por medida de segurança não usariam magia, para todos os efeitos ela era uma trouxa assim como Brianna e as outras crianças.

Mas para a surpresa de Brianna e Tolce ela respondeu em um inglês bem claro. — É porque sou uma bruxa que meu pai queria se livrar de mim, por isso queria me ver longe dele.