Leitoras lindas do meu coração, me desculpem mais uma vez pelo atraso. Eu sei, já perdi as contas de quantas vezes já me desculpei nessa fic, mas eu realmente sinto muito. Como já disse para a Darah-chan, o próximo capítulo já está quase pronto, então tenho esperança de postá-lo antes de 10 dias. Não fiquem muito tristes se isso não acontecer, mas prometer me esforçar ao máximo!

Bom, acho que mais cinco capítulos e essa fic conhecerá seu fim (: Espero que me acompanhem como sempre acompanharam até lá.

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi.


O Legado da Akatsuki

Capítulo XXI – Ninjas da Chuva

Como sempre acontecia, Tsuki acordou assim que o sol despontou seus primeiros raios no distante horizonte ao Leste. Entretanto, ele não se lembrava de já ter se sentido tão bem ao acordar pela manhã. Entre seus braços, com as costas coladas nele, estava Ningyo, dormindo tranquilamente, como se não houvesse nada no mundo que a pudesse preocupar o suficiente para lhe tirar o sono. Não havia nenhum tecido separando o contato entre suas peles, e Tsuki descobriu que achava aquela sensação absolutamente gloriosa.

Sem perceber, ele abriu um pequeno sorriso enquanto corria uma mão pelo longo e lindo cabelo loiro de Ningyo.

- É muito cedo. – ela murmurou, embora Tsuki tivesse certeza de que ela ainda não tinha acordado.

- Só para você. – ele riu.

Contra sua vontade, Ningyo abriu um olho para encará-lo.

- Umi também deve estar dormindo.

- Posso ouvi-los se movimentando na cozinha.

Ela suspirou.

- Mal amanheceu!

- E daí? – ele debochou, seu meio-sorriso arrogante espalhando-se por seu rosto.

- Tem dias que eu te odeio. – ela resmungou, puxando as cobertas para cima.

Tsuki riu.

- Preguiçosa.

- Cala a boca.

- Posso pensar em alguns jeitos de fazer isso.

Ningyo corou absurdamente. Os acontecimentos da noite anterior estavam bem marcados tanto em sua mente como em seu corpo.

- Eu também. – ela sorriu, as bochechas ainda vermelhas de vergonha.

Tsuki também sorriu e a beijou ardentemente.

Aproximando-se dele, Ningyosentiu algo que não estava em seus planos.

- Você acabou de acordar!

Ele deu de ombros.

- Acordei por inteiro.

O calor intensificou-se nas bochechas de Ningyo. Tsuki a puxou para si e pôs-se em cima dela, os olhos negros encarando-a cheios de vontade. Descendo as mãos pelo corpo de Ningyo e chegando ao centro de seu desejo, ele percebeu que ela queria aquilo tanto quanto ele.

- Não se vicie. – ela advertiu, sorrindo maliciosamente. – Não vai ser assim todas as manhãs.

Tsuki riu tão maliciosamente quanto ela.

- Vai ver que logo será você quem estará me implorando por isso.

Ningyo não teve tempo para responder.


- Finalmente. – Umi reclamou assim que Tsuki e Ningyo apareceram na cozinha. – Pensei que fossem ficar lá o dia inteiro.

Tsuki a ignorou e Ningyo escolheu fazer o mesmo. Se desse trela para Umi agora, como saber até onde a Hoozuki levaria aquele assunto?

- Alguma emergência? – a Haruno desconversou.

- A Samehada identificou muitas fontes de chakra nos arredores. – Kai respondeu.

- Por aqui? – Ningyo ergueu uma sobrancelha.

- Tem muitos ninjas passando. Desde cedo. – Umi disse.

Tsuki ouvia a tudo em silêncio.

- Foram verificar?

- Não, estávamos esperando vocês. – Kai respondeu.

O Uchiha assentiu distraidamente.

- Então, vamos.

Pegando suas capas e armas, os quatro saíram da mansão de Deidara e seguiram as reações da Samehada até o local com maior concentração de chakra: uma clareira na floresta. Não era uma clareira natural – os sinais de combate estavam bem impressos nas árvores caídas e também nas que permaneceram de pé. Kunais e shurikens estavam largadas para todo o lado da grama pisada.

- Interessante. – Tsuki comentou enquanto ativava o sharingan. – Sinais de chakra estão por toda parte.

Eles avançaram mais um pouco pela floresta por poucos minutos até que as chamas de um jutsu de fogo indicaram exatamente para onde deveriam ir para achar os ninjas que procuravam.

- Reconhece a assinatura, Ningyo? – Tsuki perguntou.

Ela fez que sim com a cabeça. Mal ou bem, um deles estava sempre lá.

- Também conheço as outras duas.

- Quem são? – Umi perguntou. – Por favor, diga que aquele seu ex-namorado pé no saco não é um deles.

Ningyo riu.

- Não. É Minato, Abi e Daisuke.

- Clãs? – Kai pediu que ela complementasse a informação.

- Hatake, Inuzuka e Shiranui.

Umi fez uma careta.

- Odeio cachorros.

- Suika não é um cachorro normal.

- Sério? E o nome dela é melancia? Quem diabos nomeia seu cachorro melancia?

- Cala a boca, Umi. – Ningyo deu língua para ela.

Como já anunciado, eram de fato Minato, Abi e Daisuke que lutavam, mas contra quem era uma pergunta que permanecia com uma resposta incerta. Os dois ninjas exibiam bandanas da Vila da Chuva; suas expressões e olhos vazios conferiam um solene ar de criaturas mortas. Por todo o rosto havia pinos pretos e as pupilas eram circundadas várias vezes por finas linhas pretas.

- Rinnegan. – Tsuki foi o primeiro a ousar afirmar.

- Como? Pain está morto.

- Tem certeza? – Kai perguntou. – Seu pai, o de Tsuki e meu tio também deveriam. Mas eles apareceram mesmo assim.

Ningyo escolheu deixar a resposta para depois e se aproximou de Minato num salto digno de um elegante felino selvagem.

- O que está acontecendo aqui? – ela perguntou silenciosamente.

Os três só não morreram de susto pois já haviam percebido o chakra explosivo da kunoichi, o qual ela não fizera a menor questão de disfarçar.

- Nos mandaram atrás de ninjas da Chuva. – Minato respondeu.

- Até aí, eles são ninjas da Chuva. – Daisuke ironizou.

- Ningyo, Naruto-sama te contou alguma coisa sobre a luta dele contra Pain? – o Hatake voltou a falar, ignorando completamente seu companheiro de time.

- Quase nada. – ela admitiu. – Nunca foi minha história preferida.

Daisuke não pôde deixar de rir.

- Okay, mas já que está aqui como seus outros Akatsuki, será que poderia nos ajudar, por favor?

Foi só depois desse ácido comentário do Shiranui que Ningyo reparou em duas coisas: a primeira, que eles vestiam uniformes da ANBU; a segunda, que os três estavam feridos, sendo Abi a mais prejudicada por um enorme corte no braço, o qual ela segurava como se tivesse medo que pudesse se descolar de seu corpo a qualquer momento.

- Abi, onde está Suika?

Abi encarou Ningyo, os olhos castanhos cheios de um arrependimento sentido.

- Era uma missão de espionagem. Nossos superiores acharam melhor que eu a deixasse com minha mãe.

Ningyo assentiu, compreendendo e voltou seus olhos para os dois ninjas da Chuva.

- Por que não atacam?

- Eles não dão o primeiro passo, nunca. – Minato explicou.

- Certo. Vamos usar isso a nosso favor.

Ningyo puxou Abi pelo braço bom para trás de algumas árvores e, enquanto o fazia, sinalizou com a cabeça para Tsuki e os outros. Com o sinal, eles imediatamente se juntaram aos shinobi da Folha.

- Deixe-me ver seu braço. – ela pediu.

Abi tentou esticá-lo, mas não conseguiu. Ningyo chegou mais perto. O ferimento era muito mais grave do que imaginara. Não era um simples corte, era um rasgo na carne feito por um osso partido e deslocado.

- Como está aguentando isso?

- Pílulas anti-dor. – a Inuzuka admitiu de cabeça baixa.

- Prometa que não vai mais tomar uma dessas coisas. Fraturas expostas precisam de tratamento imediato e não de analgésicos.

Abi assentiu.

- Eu sei, mas, Nyn-chan, não havia ninguém para me curar.

A Haruno deixou seu chakra fluir até suas mãos e liberou-o na ferida. Abi observou com olhos arregalados enquanto seu osso se remendava e sua pele era curada.

- Não sabia que você tinha aprendido.

Ningyo sorriu, mas tal sorriso logo morreu quando uma dor lancinante espalhou-se pelas palmas de suas mãos.

- O que houve? – Abi perguntou, preocupada.

A boneca da Akatsuki encarou suas mãos. As bocas estavam imóveis, sem demonstrar a nata disposição que tinham para agir sem seu comando.

- Não sei. – ela murmurou em resposta. – Não faço a menor ideia.

Logo à frente, a batalha já havia prosseguido. Abi olhou para Ningyo, como se tentando se certificar de que estava tudo bem com ela antes de perguntar:

- Alguma ideia do que fazer?

- Vamos instalar minas terrestres.

Ningyo abriu as bolsas laterais e deixou que as bocas de sua mão engolissem o máximo possível da argila especial. Feito isso, juntou as mãos em alguns ins e levou-as à terra.

Abi pôde sentir a enorme quantidade de chakra se espalhando debaixo da terra. Era impossível que tudo aquilo tivesse acabado de deixar Ningyo.

- A argila já tem naturalmente seu chakra. – ela observou.

- Sim. É assim que ela deve ser preparada para explodir.

Assim que toda a argila estava direcionada bem abaixo do lugar ondes os outros lutavam, Ningyo tirou as mãos da terra.

- Acha que já consegue voltar lá?

Abi fez que sim com a cabeça.

- Então, me ajude a avisá-los que as minas explodirão em um minuto.


Quando as minas explodiram, Minato achou que todos os seus problemas haviam acabado. No entanto, para sua total decepção, a enorme explosão pegou as duas estranhas criaturas, mas elas se levantaram – com as roupas e a pele em chamas – mas como se nada tivesse acabado de acontecer.

Ele viu ódio se espalhar pelo rosto de Ningyo e acabou sorrindo. Ninguém saía ileso de um ataque de suas bombas – e ela não permitiria que essa constante fosse alterada.

Infelizmente para eles, a situação só piorou. Mais cinco daquelas coisas não identificáveis apareceram como se estivessem estado lá o tempo todo. Quase uma para cada um deles, seria impossível lutar em tais condições.

Ao perceber que a explosão não fora efetiva, Uchiha Tsuki mudara seu sharingan para o Mangekyou e liberara as chamas negras do Amaterasu. O fogo manteve os inimigos distantes, mas não parecia poder pará-los. Cortes foram abertos e pele foi queimada, mas aquelas coisas não sangravam, nem demonstravam sentir dor.

- Esses malditos parecem zumbis! – Minato ouviu a companheira ruiva de Ningyo exclamar.

Zumbis? Parecia ridículo, mas... Seu pai comentara uma vez sobre os poderes da antiga Akatsuki. Por que aquela palavra, "zumbi", parecia encaixar-se tão bem com o que ouvira sobre Pain?

- Precisamos sair daqui e pedir reforços para Konoha. – ele anunciou.

Ningyo riu amargamente.

- Posso nos tirar todos daqui, mas essas coisas estão perto demais da minha casa. – sem mais explicações, ela se virou para Tsuki. – Recolha o Amaterasu e desative o sharingan agora.

Minato viu o olhar de fúria que o Uchiha lançou para ela, mas viu também algo que não reparara antes: sangue escorria dos olhos dele. Ele nunca vira isso acontecer com Kakashi, mas, também, seu pai não sabia como invocar as chamas do deus Amaterasu e Tsuki já as estava controlando há alguns minutos.

- Não estou brincando, Tsuki. – Ningyo disse duramente.

Para o espanto do Hatake, Tsuki a obedeceu. As chamas negras desapareceram e seus olhos voltaram ao negro puro normal.

Ningyo tirou um pedaço de pano de uma das bolsas que carregava no cinto e limpou delicadamente o sangue que escorreu para as bochechas e pescoço do Uchiha.

- Obrigado. – ele murmurou a contragosto.

Ningyo soltou um risinho e Minato arregalou os olhos, estupefato. O que acontecera com o Uchiha Tsuki frio, indiferente e voluntarioso que ele conhecera alguns meses antes?

- O Hatake tem razão. – Tsuki falou como se a conversa jamais tivesse sido interrompida. – Temos que sair daqui.

- Mas vão achar nossa casa.

- Barreira de genjutsu. Posso projetá-la enquanto voamos de volta. Hatake, acha que consegue controlar a escultura?

Minato assentiu.

- Ningyo me ensinou.

- Ótimo. Precisamos ser rápidos.

Toda essa conversa transcorreu enquanto os outros quatro tentavam distrair as sete criaturas do Rinnegan.

Tsuki avançou para a batalha e deixou Ningyo e Minato para trás. Planejava manter as criaturas afastadas com um jutsu simples de estilo Katon – apenas o tempo necessário para que todos pudessem subir nas aves de argila e fugir.

Ningyo fez duas grandes aves numa velocidade que assustou Minato. O fogo do Uchiha já começava a se alastrar pela floresta.

A Haruno estava pronta para mandar todos subirem quando a luz azulada de um jutsu elétrico atingiu Tsuki em cheio. Naquele milésimo de segundo que demorou para ele cair no chão, ela viu tudo numa excruciante câmera lenta.

Correu imediatamente até ele e trouxe-o de volta para as aves.

- Rápido! – ela gritou e todos subiram.

Enquanto levantavam voo, Ningyo trabalhou todo seu chakra para curar os danos internos causados em Tsuki. A dor que se espalhou por suas mãos foi infinitamente pior do que quando curara Abi.

- Ningyo! – Umi exclamou. – Suas mãos estão sangrando!

Mas já era tarde. O som pareceu longínquo para ela e sua visão começava a ficar embaçada. Apesar da dor, continuou a enviar seu chakra curativo para dentro do corpo de Tsuki.

Quando o negro finalmente se abriu mais uma vez para o mundo, o verde esmeralda se fechou.