Ciúmes

— Harry!

Harry girou-se para ver a Hermione chegando até ele tomada da mão de seu apaixonado Blaise. Os três sorriram-se sem imaginar-se que adentro, ao escutar o grito da castanha, tanto Rum como Draco se separaram intempestivamente. O ruivo olhou angustiado ao outro garoto, enquanto se massageava a cabeça que resultou golpeada torpemente com a mesa, se entravam e os viam juntos e a sozinhas seguramente teriam que dar uma explicação que a ninguém convenceria, sobretudo se supostamente se odiavam.

Ron negou vigorosamente quando o loiro o instou a se esconder baixo a cama, mas a porta já se entreabria ainda que ainda não aparecia ninguém, devia tomar uma decisão rápida.

— Que passa, Hermione? —perguntou Harry.

— Só queria saber como estavas, ontem à noite não te vi chegar.

— É que regressei tarde da declaração no Ministério e teve outros assuntos que arranjar, mas tudo está bem, não se preocupem.

— Alegra-me… acompanhamos-te a ver a Draco?

— Claro!

Harry estava mais que feliz pela proposta de Hermione, assim evitaria estar a sozinhas com seu namorado. No interior da enfermaria, Rum conseguiu esconder-se baixo a cama justo a tempo, o orgulho ficava fora da jogada nesse momento. Draco tentou sorrir ao ver a seu namorado, ainda que os nervos que tinha lhe borbulhavam baixo a pele.

— Olá… como te sentes? —perguntou Harry acercando a um lado da cama. Embaixo dela, Ron olhava angustiado os pés de seu amigo demasiado perto.

Draco assentiu sorrindo-lhe, e quando Harry quis sentar em uma cadeira, de imediato reagiu alarmado movendo sua cabeça de um lado a outro. Pensava que se ocupava esse lugar podia chegar a ver algo baixo sua cama. Harry desistiu de sentar-se, intrigado pela peculiar atitude de seu noivo, e ao sentir-se observado com curiosidade, Draco forçou-se a seguir sorrindo, agora mais carinhosamente enquanto convidava a seu noivo a sentar a seu lado. Esperava que desde a cama não podia descobrir a presença de Ron baixo dela.

Harry ocupou seu lugar junto a seu namorado, mas não lhe abraçou como costumava fazer dantes, simplesmente ficou aí em silêncio, orando para que a Severus não se lhe ocorresse chegar a lhe vigiar. Por sua vez, Blaise olhava-os alternadamente, algo confuso pela frialdade de quem sempre fosse o par de namorados mais meloso do colégio.

— Estão enojados?

— Não. —respondeu Harry em seguida.

— Ah, é que, como nem se têm beijado… dantes se precisava uma bomba para o evitar.

— Também não é necessário andá-lo fazendo a todas horas e em frente a todo mundo. —pretexto Harry nervoso.

Draco notou como Blaise não se convencia da resposta e inclusive Hermione já os olhava intrigada, de modo que, esperando que Rum não se molestasse, sujeitou a Harry pelo queixo para beijar-lhe suavemente. O moreno empalideceu, não queria esse beijo, lhe tinha prometido a Severus que não teria nem um mais, mas não podia o recusar em frente a quem já lhe questionavam seu comportamento… de modo que simplesmente deixou que Draco o fizesse e se limitou a esperar a que não durasse demasiado.

A porta abriu-se e Harry separou-se de imediato, rogando para que sua sorte não fora tão má. Respirou aliviado ao ver que quem entrava era Poppy, ainda que ao recordar que a enfermeira já estava inteirada de sua relação com Severus, voltou a empalidecer a olhando suplicante.

— Onde está seu pai, Senhor Malfoy? —perguntou tentando não olhar ao moreno.

Draco encolheu-se de ombros, realmente não tinha ideia de onde podia estar metido seu pai. Poppy suspirou resignada e dirigiu finalmente sua mirada para Harry.

— Suponho que como seu parceiro formal, devo lhe informar também a você, senhor Potter.

— Passa algo? —perguntou Harry tentando não enrijecer.

— Nada mau, só que o jovem Malfoy pode abandonar a enfermaria de imediato.

— Mas… e seu afonia?

— Isso se curará com o tempo. Amanhã mesmo começará a terapia de recuperação para sua voz. Deverá guardar repouso e está isento de ir a classes, sem voz não pode pronunciar nenhum feitiço e poderia resultar perigoso.

— Está bem, lhe acompanharei a sua habitação.

— O jovem Malfoy não regressará à sala comum de Slytherin, o Professor Dumbledore tem disposto um par de habitações onde se guarecerá ele e seu pai baixo a proteção de Hogwarts. Esperem a que regresse o senhor Lucius para que seja ele mesmo quem os conduza até o lugar indicado.

Harry e Draco assentiram. O moreno aproveitou para levantar da cama e separar-se mais do loiro. Ao ver que Poppy se dirigia a seu despacho, se dispensou deixando a seu namorado conversar com Blaise para ir depois atrás da enfermeira.

— Que sucede, Potter? —perguntou Poppy e sua voz escutou-se em extremo dura.

— Faz favor, não lhe comente a Severus o que viu.

— Descuida, mas se estás-lhe jogando cambaio, asseguro-te que cedo te darás conta que o Professor Snape não tem só o afeto do senhor Diretor.

— Eu o amo, você sabe que o amo mais que a ninguém. —respondeu acariciando-se suavemente seu ventre.

— É seu?

— Claro que é dele! —exclamou franzindo o cenho ofendido.

– Bem, não devo intrometer em tua vida privada, Potter, mas não acho que o Professor Snape mereça que te ande de amassos com outros a suas costas. Deves sentir-te afortunado de que te permita estar a seu lado… ninguém mais que tu o conseguiu.

— Sei-o.

Poppy fez um sinal ao garoto para que se retirasse, e ao ficar sozinha suspirou fundo… Harry tinha uma sorte que ela tivesse desejado com toda a alma, no entanto, sabia que isso jamais poderia ser, seu amor se manteria calado por sempre.

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Quando Lucius chegou, Blaise e Hermione aproveitaram para se retirar. Harry olhou-lhes ir-se ainda tomados da mão e sentiu inveja, ele queria poder se marchar e regressar ao lado de Severus, no entanto, devia permanecer junto a Draco, mais agora que Lucius decidiu ir pedir as indicações diretamente da enfermeira.

Ao ficar sozinhos, Draco compreendeu que era sua oportunidade para salvar a Ron do atoleiro e fez umas senhas para que lhe trouxesse um pouco de água. Harry comprazeu-lhe, e rapidamente o loiro aproveitou para inclinar-se baixo a cama e fazer uma senha ao ruivo para que aproveitasse para sair.

Ron não pôde se ir sem lhe dar um rápido beijo que o garoto recebeu voluntariamente. Voltou a acomodar-se tranquilamente sobre sua cama quando Ron desaparecesse depois da porta, justo a tempo dantes de que Harry entrasse por outra levando uma bandeja com uma jarra de água fresca e copos limpos.

— Queres que te sirva um pouco?

Draco assentiu, pelo menos enquanto estivesse entretendo em algo não sentiria que tinha que seguir dissimulando ante Harry. Ambos continuaram em silêncio até que Lucius regressou levando consigo a muda de roupa para seu filho. Uns minutos depois, os três dirigiam-se às habitações que Dumbledore tinha separado para eles. Harry baixou a mirada quando em um dos corredores se toparam com Severus, sabia que ao Professor não lhe faria nada de graça o ver ajudando a Draco a caminhar.

— Parece que te sentes melhor, Draco. —comentou Severus acercando-lhes.

Draco assentiu sorrindo-lhe.

— Acompanhas-nos? —convidou-lhe Lucius. —Gostaria de falar contigo, se é que tens uns minutos livres.

— Tenho-os. Potter, faça a um lado, acho que eu poderei ajudar a Draco muito melhor que você.

Harry assentiu sem protestar e permitiu que fosse Severus quem sustentasse ao loiro até chegar às habitações. Ao chegar a estas se encontraram com dois quartos unidos por um pequeno salãozinho com lareira, era um lugar pequeno, mas muito confortável, seguramente os dois Malfoy estariam cômodos nesse lugar.

— Potter podes cuidar de Draco um momento enquanto falo com Severus?

Harry aceitou de imediato, mas de repente não gostava nada da ideia, e não precisamente por ficar encerrado com Draco e que Severus se sentisse incomodado por isso. Enviou uma mirada de advertência ao professor quando fechou a porta o deixando sozinho com Lucius… aquela amizade parecia ser demasiado próxima. Sacudiu a cabeça tentando recordar a relação de Lucius com Remus, mas mesmo assim, não confiava no loiro.

Draco notou a distração de Harry e tomando um pergaminho de uma mesa próxima, dispôs-se a escrever, ao terminar acercou-se ao moreno colocando o papel em frente a ele.

"Passa algo?" —leu Harry.

— Eh?... não, tudo está bem. —respondeu sorrindo-lhe. —Queres descansar?

Draco negou, estava farto da cama, de modo que tomou assento em um fofo cadeirão. Indeciso, Harry foi a sentar-se em frente a ele, enquanto tentava se esquecer do que passava na outra habitação.

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— Deves dar-lhe tempo. —assegurou Severus friamente. — É lógico que Lupin te julgue pelo que fizeste.

— Se supõe-se que me ama o lógico seria que quisesse lutar por nosso amor.

— É um ponto de vista egoísta, digna de um Malfoy por si só.

— Tu jamais me reprochaste nada. —disse baixando a voz quase até um sussurro.

— É diferente, não tinha outro sentimento que a amizade.

— Todo tivesse sido bem mais fácil se de quem me apaixonasse fosses tu.

— E assim queres recuperar a Lupin? —questionou arqueando uma sobrancelha ante a evidente intenção sedutora do loiro.

O loiro bufou aceitando a razão de Severus, mas é que lhe era tão difícil se comportar adequadamente, e mais quando recordava as acaloradas noites de paixão que alguma vez gozasse com o moreno.

— Tens alguma sugestão para fazer que meu lobinho me perdoe?

— Só que sigas insistindo. —respondeu tentando não fazer caso do apelido.

— Você é seu amigo, porque não me ajudas?

— Eu não sou amigo de Lupin, só somos parceiros de trabalho.

— Vais dizer-me que em todo este tempo segues o tratando como um estranho?

Severus não respondeu, sempre tinha visto a Lupin como um pouco menos que um zero à esquerda… sempre, até que o viu como um médio de se acercar a Harry, então se esqueceu de anos de frialdade para solicitar sua cooperação.

— De acordo, tentarei falar com ele. —aceitou frustrado por sua debilidade

Os olhos de Lucius brilharam intensamente, e de não recordar à cada momento que era um Malfoy, se teria arrojado aos braços de Severus lhe agradecendo efusivamente por suas palavras, no entanto, somente assentiu levemente.

Uns minutos depois, Severus decidiu que não se iria sem se levar a Harry daí, pelo que entrou à habitação de Draco lhe recordando que devia ir de imediato a suas detenções. Apesar de que o loiro já não se sentia tão cômodo com Harry, não pôde evitar franzir o cenho ao escutar a seu padrinho, lhe parecia completamente injusto que continuasse lhe castigando a todas horas. Quis intervir, mas foi-lhe impossível, simplesmente Snape levou-se a Harry sem dar-lhe tempo a nada.

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Harry e Severus caminhavam separados pelo corredor. O moreno ia cruzado de braços e seu semblante era tão sério como o do Professor. Qualquer que os visse jamais suspeitaria que entre eles a relação não era como aparentava, e uns garotos de terceiro até viam a Harry compassivamente pensando no mau que o passaria essa noite em sua detenção.

Para sua má sorte, quem apareceu foi Sirius. Ao vê-lo, ambos se detiveram de improviso, Harry tinha esquecido que o animago queria que jantasse com ele, e Severus, pensou que aquilo era uma broma macabra do destino, tivesse dado o que fosse para que seus olhos lhe estivessem traindo.

— Que demônios fazes tu aqui? —perguntou-lhe sem molestar-se em ocultar seu desagrado.

— Isso é algo que não te importas, Snivellius.

— Talvez ao Ministério lhe faria bem se dar uma volta por Hogwarts… ou pelo menos quiçá o Antirrábico possa fazer algo para acabar com as plagas de cães de rua.

Sirius deu um passo adiante olhando a Snape ameaçante, Harry apressou-se a interpor-se para evitar que aquilo pudesse terminar em uma briga, os cria capazes de tudo.

— Sirius, faz favor, tranquiliza-te e não me metas em problemas… aqui é Hogwarts, não Grimauld Place.

Sirius olhou a seu afilhado entornando os olhos, não tinha esperado um comentário assim por parte dele, ainda que o que mais lhe molestava era o médio sorriso zombador de Snape depois de Harry.

— A onde ias com "esse"? —perguntou tentando não lhe dar demasiada importância.

— Tenho detenção, de modo que não poderei jantar contigo.

— As detenções nunca abarcam a hora do jantar. —afirmou dirigindo a mirada a Snape—. E tu, Snivellius, seguramente te estás aproveitando de tua posição de Professor. Exijo uma explicação do porque estás privando a meu afilhado de seus alimentos.

— Eu não tenho porque te dar nenhuma explicação, imbecil.

— Talvez estás surdo?!... Harry é meu afilhado e sou seu tutor!

— Acho que o conceito não me fica claro, talvez deveria pedir ao Ministério uma carta onde isso fique assentado… então poderemos falar.

— Professor Snape, faz favor. —suplicou Harry ante a ameaça de Severus de delatar a sua padrinho.— Irei a sua detenção mas não imiscuía ao Ministério.

— Não tens porque lhe pedir nada a este, Harry. —interveio Sirius. — Agora mesmo falarei com Dumbledore para que aplique medidas em seu pessoal.

— Sirius, basta! —exigiu Harry já farto. — Te verei depois, irei agora com o Professor Snape e amanhã falaremos mais tranquilamente.

Harry prosseguiu seu caminho esperando que Snape fosse depois atrás dele. Por uns segundos temeu que não fosse assim ao não escutar seus passos, mas finalmente respirou fundo ao o sentir se acercar até o atingir para caminhar a seu lado, no entanto, nenhum dos dois disse nada nesse momento.

Depois de fechar a porta, Severus girou-se rapidamente colocando ambas mãos apoiadas sobre a madeira, cercando dessa maneira a cabeça de Harry… o garoto tremeu, seus rostos estavam demasiado perto para pensar em outra coisa que não fosse obter um ansiado beijo.

— Morro por dizer-lhe a esse imbecil que é meu, Potter, só assim poderei lhe calar a boca!

— Em algum dia falaremos com ele, agora o esquece, não tenho ânimo de discutir.

— Bem, como queiras, também não é um tema que me apaixone… mas tens que me prometer que serei eu quem lhe dirá que estás grávido e que o filho que esperas é meu.

— Tu queres o matar verdade?

— Isso seria um ganho extra… me conformo com o prazer de ver sua estúpida cara se retorcendo de raiva.

Harry conteve-se para não sorrir, também não queria lhe dar mais sensata para que continuasse brigando com Sirius, sonhava com que eles pudessem conviver pacificamente em algum dia. No entanto, em seguida recordou sua estância nas habitações dos Malfoy e seus lábios franziram-se com moléstia.

— Que fizeste com Malfoy?

— Que fizeste você com Malfoy? —respondeu-lhe Snape.

— Nada.

— Pois eu também não. E porque terias de ter-lhe você ciúmes a Malfoy se não é nada meu?

— Porque não sou cego, vejo que te come com os olhos.

— Mas não fizemos nada… me cries?

Harry olhou aos olhos de Severus, viu neles a sinceridade e sorriu tranquilo. Carinhosamente rondou-lhe o pescoço com seus braços unindo seu testa à do maior.

— Creio-te… perdoa-me. Sei que o único com direito a pedir explicações é você, por isso te juro que não deixei de pensar nem um segundo em ti, e que Draco já só importa-me como amigo.

— Eu também te creio.

Severus uniu seus lábios aos de Harry saboreando longamente de sua doce calidez, nada nem ninguém podia lhe provocar a felicidade de quando sentia ao garoto lhe demonstrando seu amor, aquilo era o melhor que podia passar em sua vida. Sustentou a Harry entre seus braços com facilidade, nenhum tinha ânimo de ir ao jantar, e se dirigiram à cama para se demonstrar que nem o oxigênio lhes era tão imprescindível quando estavam juntos… ainda que desta vez, por suposto que tomaram a precaução de que Harry bebesse da poção especial, dessa forma ao dia seguinte poderiam continuar com suas atividades normais.

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Quando Harry acordou e viu a decoração de seu quarto na torre de Gryffindor suspirou decepcionado, já queria que chegasse no dia em que a seu lado estivesse Severus ao levantar pelas manhãs. Por uns segundos resistiu-se a abandonar sua cama, sorriu para si recordando o feliz que tinha sido durante suas horas de Detenção.

— Também não hoje irás a classes? —perguntou Ron a seu lado ao vê-lo acomodar em seu leito. — Vês-te cansado, Harry, quiçá deverias falar com Dumbledore sobre essas detenções, parece-me que já são demasiadas.

— Não… ainda não. —disse sorrindo-lhe. — Sabes que Sirius está vivendo no castelo?

— Em sério? Não o vi.

— Chegou dantes de ontem à noite… mas não acho que seja boa ideia que fique.

— E isso? —perguntou intrigado. — Dantes tivesses gritado de alegria por tê-lo tão perto.

— Preocupo-me, é tudo. Segue brigando muito com Snape, e ontem à noite viu-me quando ia à detenção, discutiram e se ameaçaram… Não quero que em um dia as coisas passem a maiores e o ódio os cegue.

— E daí pensas fazer?

— Não tenho ideia. Pelo cedo espero que Remus saiba controlar a Sirius.

— E a Snape quem o controlará?

Harry enfatizou seu sorriso, morria por confessar-lhe a Ron sobre sua relação com Severus, mas justo quando abriu a boca para o dizer entraram seus demais parceiros e decidiu calar, quiçá assim era preferível. Pelo cedo melhor se meteria a banhar, já não queria faltar a classes, e ademais, essa manhã queria tempo para tomar café da manhã com Sirius.

Ao chegar ao comedor, Remus acercou-se até Harry enquanto, na mesa dos Professores, Snape não perdia detalhe do que passava. Ao ver que Remus se levava ao moreno, não o duvidou mais e foi depois de eles conseguindo lhes dar alcance no lobby.

— Posso saber a onde vão? —perguntou interpondo em seu caminho.

— Tomaremos café da mnhã em minhas habitações, há coisas do que Harry e eu temos que conversar. —respondeu Remus de imediato.

— Como de que?... Porque eu também preciso falar com ele de imediato.

— Snape, deixa de ser tão possesivo. —disse Remus sem poder evitar sorrir ante a estranha conduta do Professor. — Não lhe passará nada se passa uns minutos com outras pessoas.

— Mas… tu queres ir? —perguntou dirigindo-se a Harry, ansioso de uma resposta negativa.

— Preferiria ir contigo a qualquer lugar do mundo, Sev. —respondeu Harry depois de assegurar-se que não tivesse ninguém perto que os escutasse. — Mas agora devo falar com meu padrinho, nos veremos depois.

— Tentará pôr-te em meu contra. —assegurou franzindo o cenho.

— Sev, ele nem ideia tem do que passa entre nós, não sejas tão apreensivo. —respondeu Harry e Remus não pôde conter uma suave risadinha.

— Lupin, deixa de ser tão intrometido e cuida que não venha ninguém. —increpo Snape conseguindo que o licantropo suspirasse resignado e se girasse para não os ver enquanto vigiava que o lobby continuasse vazio.

Ao ver que já não eram observados, Severus rodeou a Harry pela cintura possessivamente. O garoto gemeu prazenteiramente ante essa sensação tão cálida de ter esses braços cercando-lhe e o rosto do Professor tão próximo do seu.

— Jura-me que não te deixarás influenciar por esse pulgoso.

— Sev, em primeiro lugar, deixa de chamar dessa forma. E em segundo, nada me separará de ti, diga o que diga Sirius.

— Amo-te, recorda-o sempre enquanto fales com esse cão sarnoso.

— Sev…

— Que? Já não lhe disse pulgoso!

— Se não fosse porque te amo tanto, tonto.

Harry acurtou a distância que os separava para beija-lo, queria deixar a Severus sem nenhuma inquietude enquanto ele se ia reunir com sua padrinho. Ao cabo de um par de minutos de beijar-se sem pressa, Remus teve que os interromper ao ver que alguns alunos saíam do comedor. Rapidamente o licantropo levou-se a Harry sem dar-lhe tempo a Severus de protestar mais.

O moreno de olhos verdes ainda levava um doce sorriso em sua cara quando entrou à habitação de Remus. Felizmente seu padrinho pensou que era pela felicidade do ver e o abraçou impetuosamente.

Uns minutos depois, os três saboreavam um delicioso doce de coco que Sirius tinha trazido consigo procedente de uma ilha que visitou em suas viagens e tudo com a intenção de que seu afilhado o desfrutasse. Harry comia-o sentindo-se algo culpado de comprovar que seu padrinho sempre pensava nele. Discretamente levou-se a mão ao ventre, doía-lhe saber que seguramente seu filho seria o causante de um tremendo desgosto para o animago.

— E porque esse grasiento tem-te castigado? —perguntou Sirius com moléstia.

— Porque não mostras um pouco mais de educação, Sirius? —lhe recrimino Remus notando a tristeza de Harry ao escutar como nomeavam ao homem que amava e não podia o defender. — Já não estamos no colégio para que andes brigando com Severus.

— E agora porque estás de seu lado?

— Não é que esteja de seu lado, mas se Severus aplica essas detenções a Harry terá suas razões.

— Bem, quero saber quais são essas razões… Harry?

— Eh?... pois, não sei, suponho que pelos ingredientes que feito a perder em classes.

— E por isso se enoja? Que consiga mais, esse é seu trabalho!

— Sirius, faz favor… —pediu Harry—… minha relação com Snape está em um ponto que não preciso de tua intervenção, deixa as coisas como estão, a mim não me molesta cumprir com essas detenções.

— Seguro que não te maltrata?

— Severus seria incapaz de fazer algo assim com um aluno. —interveio Remus.

— De acordo, confiarei em vocês. Mas Harry, qualquer coisa que te faça deves me dizer, não tenhas medo desse imbecil para nada. Agora melhor me fala de Draco. —pediu fazendo um beicinho de desgosto. — Em tuas cartas só me dizias que saías com ele, mas como foi que te apaixonaste de um Malfoy?

Harry suspirou, já não sabia se agradecer a mudança de tema ou não. Talvez em outro tempo teria estado gostado de falar maravilhas das qualidades de Draco até convencer a sua padrinho de que não tinha melhor partido para ele, mas agora, qualquer coisa que dissesse já lhe parecia traição a Severus.

— Estou muito apaixonado. —disse finalmente, mas em sua mente estava Severus, ninguém mais. — Não me importo se ao mundo inteiro não lhe pareça uma boa ideia, tenho encontrado ao homem com quem quero estar o resto de minha vida, jamais estive tão seguro de nada antes. Por isso te peço, Sirius, que tentes respeitar minha decisão e no dia que possa formalizar minha relação com ele, não te oponhas.

— Mas é um seguidor de Voldemort!

— Não o é… tem-me demonstrado, confio em sua lealdade e seu bom coração.

— Nunca entenderei teus gostos, Harry.

— Ainda que não o entendas… respeitarás o que eu queira fazer de minha vida?

Sirius exalou profundo dantes de assentir, odiava o fato de que Harry se relacionasse com o filho de um comensal, um menino esnobe que não tinha nada que contribuir a seu querido afilhado. No entanto, ainda lhe ficavam esperanças de que aparecesse alguém que fizesse que Harry se esquecesse do loiro.

Remus sorriu olhando a Harry, orgulhoso e divertido de ter sabido sortear as exigências de sua padrinho. Por sua vez, o moreno de olhos verdes só esperava que Sirius realmente não explodisse quando se inteirasse que o homem por quem morria era Severus Snape.

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Quando ao fim chegou o momento de se despedir, Harry se sentia feliz, tinha toda a intenção de ir buscar a Severus para lhe dar um beijo dantes de que começassem as classes. No entanto, ao abrir a porta, os três ficaram de pedra, em frente a eles se encontrava Lucius Malfoy a ponto de tocar… Remus empalideceu mais que ninguém, Sirius caçoando tinha passado um braço sobre seus ombros para despenar-lhe e conhecendo ao aristocrata Malfoy seguramente o brilho de seus olhos cinzas mostrava o mais feroz instinto assassino.

Continuará…

Próximo capitulo: Natal adiantado

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Notas finais:

Primeira vez que os temos aos três juntos, kyaaaa!

Veremos como reagem e se chegam a inteirar do papel que desempenham neste triángulo amoroso.

Ah, e daí opinam do atrativo de Severus? Poppy e Lucius também chegaram a pôr seus ojitos nele. je je. se Harry soubesse de tantas coisas ocultas!

Nota tradutor:

Finalmente mais um capitulo de corações!

Prometo que no próximo capitulo eu não demorarei nem um minuto a mais :p quero reviews

Então até breve!