Chapter 21 - Fingir que nunca aconteceu.

– Que tal aquela cena que ela fala do nome e da rosa? – Sam sugeriu, olhando para seu caderno.

– Falar da grandeza? – Dean perguntou e o moreno confirmou com a cabeça – Acho que a grandeza não resume toda a obra, só algumas partes – O loiro passou a mão pelos cabelos, pensativo.

– Dean...

– O que, Sam? – Ele olhou para Winchester, esperando uma resposta, mas o moreno apenas o olhava.

– Me conta o que aconteceu naquela noite.

– Eu já te disse, Sam. E você não pareceu acreditar – Dean revirou os olhos e voltou a encarar seu caderno.

– Me conta como aconteceu, por favor – Os olhos claros de Winchester estavam fixos no loiro e Dean conseguia sentir o peso de seu olhar em sua pele.

– Tudo bem, Sam – Warner fechou seu caderno e se ajeitou na cama para ficar de frente para ele – Você quer o resumo, ou tudo?

– Tudo, se não for muita coisa – Sam fechou seu caderno também e continuou o encarando.

– Ok... Eu estava na festa da Emily e resolvi sair, andar pela praia para tomar um ar. Você apareceu e me viu, andou até mim e praticamente desabou no meu colo. Aí eu perguntei o quanto você tinha bebido e você disse que foi o bastante para não lembrar nem do próprio nome. Depois, você se sentou e tirou os meus óculos e... – Dean parou de falar. Já estava ficando vermelho e não tinha mais coragem para olhá-lo nos olhos.

– E o quê, Dean?

– Você me disse que eu não deveria usar óculos, porque eu tinha olhos bonitos.

Ele realmente tem olhos bonitos, Sam pensou. Nossa, Sam. Você consegue ser mais gay? Credo.

– E você foi chegando mais perto... E me beijou – Dean limpou a garganta e voltou a olhar nos olhos do moreno – Então, desmaiou no meu colo. Eu te carreguei de volta para a festa e te deitei na cama de Emily. Você não parecia nada bem, então eu peguei um pano úmido e tentei fazer você me obedecer, mas você é um saco quando está bêbado.

– É, eu sei, me desculpe – Sam riu. Seu rosto estava vermelho, claramente envergonhado.

– Depois de muita teimosia, você acabou deitado no meu colo de novo e disse que eu sempre cuidava de você e me beijou de novo e desmaiou de novo. Eu não podia simplesmente deixar você lá e você disse que não queria ir para casa. Então eu trouxe você para cá, troquei a sua camisa que estava suada e o resto é resto – Dean falava baixo, como se estivesse com vergonha, o que, de fato, estava.

– Entendi... – Sam tentou sorrir, mas não deu muito certo – Posso te fazer uma pergunta?

– Claro.

– Por que eu não levei um soco? A maioria dos caras não me deixaria fazer o que eu fiz, ou não deixariam pra lá – Sam lembrava que Dean havia retribuído ao beijo, mas tinha que ter certeza de que não foi sua imaginação lhe pregando uma peça.

– Você estava bêbado, Sam – Dean mentiu – Não havia motivos para ficar bravo com você.

– Me desculpe, ok? – Winchester disse, depois de um tempo em silencio – pelos beijos e por ser um idiota.

– Eu te desculpo pelos beijos – Dean sorriu.

– E por ser um idiota?

– Ainda não. Mas continue tentando, quem sabe um dia, não é? – O loiro abriu seu caderno novamente – Onde paramos?

Sam sorriu, encarando o edredom. Ele merecia, certo?

– Você estava dizendo que a grandeza não justifica a obra toda...

–- *** -

– Vamos fingir que aquilo nunca aconteceu, ok? – Dean sugeriu, enquanto abria a porta para o Winchester ir embora.

– Tudo bem – Sam sorriu e saiu da casa – Nos vemos amanhã.

O moreno estendeu uma mão para cumprimentar o mais baixo, mas quando Dean foi pegar em sua mão, Sam puxou seu braço, aproximando-se, ficando apenas há alguns centímetros do rosto do loiro, e depositou um beijo leve na bochecha quente de Dean.

– Vamos fingir que nunca aconteceu, então – Antes que Dean pudesse responder ou fazer alguma coisa, Winchester riu e se virou, andando em direção à rua – Até amanhã, Dean.

– Tchau.

Dean fechou a porta, sem acreditar no que acabou de acontecer. Ele estava tão perto, realmente pensou que o Winchester fosse beijá-lo. Mas Sam não é gay, não é? Não teria motivos para ele pensar isso.

Subiu as escadas, entrou em seu quarto e trancou a porta. A dor de cabeça voltou e ele teve que se sentar para se acostumar com a tontura.

"Ele está fazendo isso de propósito, só para ferrar com a minha cabeça, não é possível. Droga, meu coração está acelerado, aposto que estou vermelho também. Eu não posso ficar assim todas as vezes que ele vem aqui. E que porra foi aquela lá na porta? Por que ele me faria pensar que ele me beijaria? Que eu saiba ele não é gay... Ah, que seja. Não posso perder meu tempo pensando nisso. Não vale a pena", Dean pensou consigo mesmo antes de se deitar em sua cama e cair no sono.

–- *** -

"Ok, agora estou confuso. Tanto comigo mesmo, quanto com ele. Eu lembro de tê-lo beijado naquela noite e tenho quase certeza de que ele retribuiu, não estou ficando louco. Ou talvez esteja, porque esse não sou eu. Eu não sou o tipo de cara que beija outro cara quando estou bêbado, não sou esse tipo de cara que fica nervoso quando está perto de alguém. Não sou quem eu sou perto de Dean... Pelo menos acho que não sou. Mas eu estava bêbado! Eu não sabia o que estava fazendo, não é? Só não sei porque estou com vontade de fazer isso de novo", Sam pensou, no caminho de volta para casa.

– Que porra está acontecendo comigo? – Ele falou sozinho.

Continua...