Oi, oi gente! Pois é, último capítulo, resta apenas o epílogo. Espero que todos tenham um lindo e maravilhoso natal, repleto de momentos felizes. Aproveitem o capítulo!

Dama Layla: Pois é, olha o que a pressa e o desespero não faz com as pessoas. Vamos ver o que acontecer..

: Rs, vamos ver se você tem razão. As coisas vão esquentar...

Daniela Snape: Aproveite o capítulo flor.

Sandra Longbottom: Pois é... você levantou muitas coisas interessantes, vamos ver o quanto acertou.

Lembre-se, comentar nunca é demais!

Bjs e uma boa leitura!


Onde estaria Carlinhos? Pensou Hermione, olhando por sobre o ombro. Tinha certeza absoluta de que ele a seguiria. Sem poder esperar, esporeou o cavalo e continuou a galope.

O sol já desaparecera, e a castanha semicerrou os olhos, buscando ver as luzes do orfanato. Ali! Por fim viu um brilho próximo à velha mansão. Era ainda o início da noite, porém a Sra. Giggleswick tinha ordens de pôr as crianças para dormir ao escurecer. Dentro de minutos, entrava pelos portões, em direção ao pátio.

Assim que saltou da sela, uma voz infantil a chamou.

—- Milady?

Parando, perscrutou a semiescuridão.

— Sim? Onde está você? — uma figura pequena a observava junto a uns arbustos — Willy! O que faz aqui fora? E...

Parou, atônita. Willy falara!

Por um momento a alegria invadiu seu coração. O menino voltara a falar! Willy se aproximou e sacudiu-lhe a manga do manto.

— O que quer me dizer, querido?

— O homem levou Laurie para o estábulo das vacas — Hermione tentou ver o local em meio às sombras da noite que avançava.

— Que homem, Willy? — voltou-se e não viu mais a criança — Willy? Venha aqui!

Mas só o silêncio respondeu.

A castanha ergueu as saias e correu para o estábulo, porém ao seu aproximar, o bom senso a fez parar. Tomou a pistola do bolso e avançou devagar. A porta estava semiaberta, e pareceu-lhe ouvir alguém respirando lá dentro.

Enfiou a cabeça pela abertura, torcendo o nariz ante o cheiro característico de estrume. Tudo estava envolto na escuridão.

— Laurie?

Um fraco gemido fez-se ouvir e, com cuidado, ela seguiu na direção do som, tateando o caminho. Seu pé encostou em algo macio, e agachou-se.

— Laurie? — sentiu com os dedos a maciez de uma pele jovem, e falou de novo — Laurie! — teria chegado tarde demais?

De repente, ouviu o ruído de dobradiças, e a porta se fechou com um repelão. Um odor forte invadiu suas narinas, e ela apertou a arma com força.

Entretanto, antes de saber o que acontecia, um corpo pesado caiu sobre o seu, derrubando-a em cima de uma pilha de feno. Dedos de aço apertaram-lhe os pulsos e atiraram a pistola para longe. Mãos como garras tatearam seu rosto, e quando abriu a boca para gritar, um pano foi enfiado ali, fazendo-a engasgar. Parecia que amarravam cordas em volta de seu corpo, e ela tentou recuperar o ar.

Ergueu o rosto e deparou, a poucos centímetros, com os olhos castanhos, frios e enlouquecidos, de Sir Remus Lupin.

— Meretriz! Demônio em forma de mulher! — sibilou ele, entre os lábios cheios de saliva, que caiu sobre o rosto de Hermione. Ela tentou virar-se, mas as mãos poderosas seguraram-lhe os cabelos.

— Por fim está sob o meu poder. Não voltará a tentar os homens.

A condessa forçou-se a respirar, o terror apertando-lhe o peito. Frenética, retorceu-se e chutou, mas Lupin nem pareceu notar. Com voz rouca, ele prosseguiu:

— Observei-a... Vi suas pernas brancas quando caiu da égua...

Começou a resfolegar, enquanto ela continuava a lutar, e em breve já não parecia vê-la, o branco dos olhos surgindo.

— Pernas bancas... Como as da outra... — outra? A quem estaria se referindo?

Como se lesse seus pensamentos, os olhos de Lupin voltaram a se focalizar no rosto pálido da castanha.

— Sim, a outra que tomei como esposa. Ela me tentou, mas eu resisti. Então ela caiu, mostrando as pernas brancas...

Como ele parecia divagar, Hermione pensou que houvesse baixado a guarda, e tentou empurrá-lo, mas foi um erro. O movimento brusco o fez voltar a atenção para ela.

— Mas fiz com que silenciasse para sempre...

Seus pensamentos de louco pareciam ter voltado a dominá-lo, e ela não ousou se mexer. Deus! Sua esposa morrera em um acidente de caça, lembrou. Mas a verdade era que Lupin devia tê-la matado! Desejou gritar por Severus, Carlinhos, qualquer pessoa! De súbito, as mãos de ferro do demente apertaram-lhe o rosto.

— Ela não quis aprender! — vociferou, batendo com a cabeça da castanha no feno — Não desejou ser como minha mãe — de novo o olhar se tornou embaçado e distante — Minha abençoada mãe... — voltou a fixar-se em Hermione — Ela aguentou os ataques daquele monstro do meu pai com dignidade... até que conseguiu afastá-lo. E depois me ensinou a afastar a besta maligna.

Os olhos castanhos e frios fitaram-na e, de repente, inclinou a cabeça para trás e uivou como um cão amaldiçoado. Aterrorizada, Hermione reconheceu o mesmo som que a atormentava no meio das noites frias.

— Você também não aprende, cheia de vaidade e arrogância, mas agora sou forte. Descobri meu poder e irei castigá-la — rugiu Lupin.

Ergueu-se, fazendo-a levantar também, como se fosse uma boneca de trapos. Com gesto rápido, encostou-a em um poste. A castanha tentou lutar, mas foi em vão, e o agressor amarrou-lhe os pulsos com cordas.

— Agora vou-lhe dar tempo para que seu medo cresça. Preciso limpar o mundo da abominação — sorriu de modo malévolo — A viúva Creevey tinha a marca do pecado no rosto, e mandei-lhe bilhetes anônimos, avisando que purificaria o mundo da sua presença. A Sra. Ribble também era defeituosa com o seu olhar de demônio, e precisava desaparecer, assim como a menina idiota — virou-se para o corpo semiconsciente de Laurie e brandiu uma faca — Esta criança de pernas tortas também desaparecerá, e em seguida será a sua vez, condessa orgulhosa e depravada!

*.*.*.*.*

O inquérito fora uma completa perda de tempo. De volta à casa, Snape se impacientava por não poder galopar mais depressa, já que Scrimgeour o seguia no seu modo lento. Um sexto sentido lhe dizia que as coisas não estavam bem em Wulfdale.

Chegaram às estribarias quando o sol já se punha, e o rapaz dos estábulos, conduziu os cavalos. Mas quando o conde e o detetive dirigiam-se à mansão, o rapaz voltou aos berros.

— Carlinhos está ferido!

O pânico apossou-se de Severus. Se o criado se encontrava na estrebaria, machucado, onde estaria Hermione? Correu como um raio e deparou com o rapaz segurando Carlinhos, que cambaleava. O ruivo balançava a cabeça sem parar, como se desejasse clarear as ideias, e segurava a nuca dolorida. Ao ver o amo, começou a falar como uma matraca.

— Ela partiu, senhor. Tentei detê-la, mas não quis me ouvir. O cão uivou, e a senhora disse que precisávamos ir, que o monstro mataria Laurie, mas eu sabia que milorde... A condessa tentou atrelar o cavalo. Não queria ajudá-la, mas ela não parou e...

Snape segurou-o pelos ombros e deu-lhe um safanão.

— Acalme-se, Charlie! Está sendo incoerente! Para onde foi lady Caldbeck?

— Para o orfanato. Oh, milorde! Se algo de mau lhe aconteceu, eu quero morrer!

Mas Severus já voltara a montar no cavalo e virou-se para Scrimgeour.

— Não posso esperá-lo. Venha o mais depressa que puder. Junte todos os homens que encontrar e venha!

Esporeou a montaria e saiu a galope como uma flecha. Pareceu-lhe uma eternidade até que seu cavalo, suado e resfolegando de cansaço, penetrou pelos portões do orfanato. Tudo estava silencioso, e seu olhar perscrutou a escuridão, detendo-se, por instinto, no estábulo das vacas, onde se distinguia uma luz muito fraca. Por quê? O gado já devia estar recolhido àquela hora.

Correu para lá e empurrou a porta trancada. A madeira antiga cedeu, e o conde entrou. Nunca, pelo resto de seus dias, esqueceria a cena que viu.

Hermione, o amor de sua vida, estava atada a um poste central. Diante dela, Remus Lupin se agachava, brandindo uma faca e com olhar desvairado.

— Lupin!

Ao ouvir o som, o louco se voltou, os dentes arreganhados, e fitou Snape, que se arremessou em sua direção. Remus tentou atingi-lo com a lanterna, mas o conde se afastou, e o objeto se espatifou de encontro à porta, partindo-se em pedaços. Labaredas começavam a surgir na madeira, porém Severus não se importou.

Erguendo a faca, Lupin tentou feri-lo, porém de novo Snape se desvencilhou do golpe letal e, com movimentos rápidos, postou-se entre o assassino e a castanha. Com o canto do olho, viu um ancinho apoiado em outro poste e, sem perda de tempo, agarrou-o, empunhando o longo cabo de madeira em direção ao inimigo.

Por um breve espaço de tempo ninguém se moveu, e só se ouviu o som da respiração entrecortada de Lupin, que fitava Severus com ódio.

O conde concentrou-se no criminoso, ciente de que o pedaço de madeira que segurava não era páreo para a lâmina de uma faca, e não poderia se permitir nenhuma falha.

Com um rugido, Lupin arremessou-se sobre Snape, brandindo a faca. O moreno deu um passo atrás, mirou a cabeça do assassino e o atingiu na têmpora. Surpreso, o louco caiu por terra.

Uma luz intensa distraiu Severus por um instante e, horrorizado, viu que a porta do estábulo se transformara em uma cortina de fogo. A súbita luminosidade revelou Laurie que, cambaleando, aproximava-se. Era preciso tirar todos dali imediatamente, pensou o conde.

Deixou cair o ancinho e agarrou a faca de Lupin, que não se moveu. Correu para o poste e desamarrou Hermione, sem perder o fogo de vista. Haveria uma outra saída dali? Se não agissem depressa, ficariam presos no incêndio.

Quando as cordas começaram a ceder, a castanha moveu a mão, apontando para as costas do marido, ainda sufocada pelo pano que lhe tampava a boca.

Com um grito animalesco, Remus atirou-se sobre o conde e lhe apertou o pescoço com um braço. A força do louco era imensa, e Snape sentiu que não conseguia respirar e que sua visão diminuía.

Impelido pelo desespero, esforçou-se para não sucumbir, enquanto, de modo vago, percebia Hermione que segurava o ancinho. Viu-a tentar chegar por trás de Lupin, porém o louco percebeu o movimento e, com um volteio rápido, fez Severus ficar na sua frente, detendo-a no exato momento em que ela ia desfechar um golpe com a arma improvisada. O conde tentou reagir, porém faltava-lhe o fôlego.

De repente, o braço de Lupin pendeu, afrouxando o aperto, e um grito horrível escapou-lhe da garganta.

Já livre, Snape voltou-se e viu-o cambalear em direção ao fogo, os dentes de ferro do ancinho surgindo de seu peito. Às suas costas, a menina Laurie, ainda segurando o instrumento com o olhar apalermado, debruçava-se sobre o cabo, colocando todo o peso de seu pequeno corpo nesse esforço.

— Laurie! Venha para cá!

Como se despertasse de um transe, a criança largou o ancinho e correu como podia na direção do moreno e Hermione, que se abaixou e tomou-a nos braços.

Enquanto observavam a cena, prendendo a respiração, os três viram Lupin parar de recuar, voltar-se para as chamas e abrir os braços, como se quisesse abençoá-las. Por fim, caiu por terra.

Voltando à realidade que os cercava, Snape procurou por uma saída, de modo desesperado, até que uma pequena mão agarrou-o pelo paletó.

— Milorde...

— O que é, Laurie?

— Existe uma outra porta.

— Onde?

A garota tomou a mão da castanha e conduziu-a para a parte de trás do estábulo, enquanto Severus relanceava olhares temerosos para a porta em chamas, sabendo que seus minutos estavam contados. A menina apontou para um pequeno alçapão no solo.

— O que é isso? — quis saber Hermione, já sem a mordaça.

— É para os cães — respondeu Laurie — As crianças brincam aqui.

Sem esperar, Snape deu um chute forte nas tábuas.

— Vá, Laurie! Depressa!

Mas a menina o fitou com olhar triste e balançou a cabeça em negativa.

— Que tolice é essa? Vá!

— Eu não posso engatinhar, milorde — murmurou, apontando para as pernas tortas — Vá o senhor com a senhora.

A castanha resolveu a situação.

— Irei na frente, Severus, e você a entregará para mim — caiu de quatro e penetrou na abertura, rasgando o vestido na passagem estreita. Em breve estendeu os braços.

— Vamos lá, Laurie — murmurou o moreno, agarrando a criança e fazendo-a entrar no buraco. O fogo já estava próximo de seus pés.

— Já segurei! — gritou Hermione.

Então foi a vez do conde penetrar pela estreita abertura, mas seus ombros eram muito largos e ficaram presos. Com os pés, começou a fazer força, enquanto os segundos passavam. Rangendo, a madeira velha cedeu, e sentindo o calor das chamas nas solas das botas, ele conseguiu passar, rolando para o frio bem-vindo da noite escura.

— Corram! — gritou para as duas, fazendo o mesmo.

A vários metros de distância, os três se voltaram e viram o estábulo totalmente envolvido pelo fogo. Quase ao mesmo tempo, Severus, Hermione e Laurie deixaram-se cair no chão. O conde abraçou a esposa.

— Está ferida?

Sem conseguir falar, ela acenou que não e fitou a menina ao seu lado.

— Laurie? — conseguiu chamar.

A criança sorriu de modo débil, murmurando:

— O homem mau não vai mais nos machucar — com um nó na garganta, o conde disse:

— Pensei que a tinha perdido para sempre, Mione.

Algo morno e úmido começou a rolar pelo rosto viril, e a castanha deslizou um dedo ali, de modo carinhoso.

Abraçou-o e começou a embalá-lo como uma criança, da forma como ele costumava acarinhá-la nos momentos de tristeza.

Então um soluço alto escapou dos lábios do conde de Caldbeck, e outro, e mais outro.

— Tudo bem, querido. Alivie seu coração. Os homens também têm direito de chorar.