Capítulo Vinte e Um

Old Grudges

(Ressentimentos Antigos)

— Aí, aquele velhote invadiu minha casa, quase me matou de susto às cinco e meia da manhã do dia da lua cheia e exigiu... Pare de rir, Sirius, não é engraçado! E exigiu o café da manhã! — Padfoot não era o único rindo do coitado do Moony; Harry gargalhava, inclinado sobre seu prato; os óculos estavam perto de caírem de seu nariz e pousarem no seu purê de batatas.

É engraçado — Padfoot disse, secando as lágrimas de riso que escorreram por seu rosto. Harry pensou que era bacana vê-lo sorrindo novamente; ele estivera estranhamente desanimado ultimamente e, por mais que Moony lhe garantisse que era apenas o efeito da Poção do Dementador, Harry não estava convencido de que era apenas isso; Padfoot parecia pensativo, não deprimido, e passara a se sentar no escritório do térreo, enquanto olhava pela janela.

— Cale a boca e beba seu chocolate — Moony retorquiu. Os dois se olharam feio, antes de Padfoot torcer a boca.

— Tudo bem — disse. — Não é nem um pouco engraçado — Harry riu baixinho; achava que essa tinha sido uma das coisas mais engraçadas que já ouvira. — O que aconteceu depois?

— Olho-Tonto questionou todos os avanços das buscas do Malfoy por vocês dois — Moony suspirou, arrastando as ervilhas pelo prato. — Lembra da filha de Andy, Nymphadora?

— É claro — Padfoot respondeu com um revirar de olhos. — Andy é minha prima, sabe...

— Ela é uma recruta dos Aurores...

— O quê?! — Padfoot exclamou, derrubando o garfo na mesa. — Mas ela só tem dez... — parou de falar e começou a usar os dedos para contar. — Oh, Merlin.

— Ela terminou a escola em junho — Moony disse em voz baixa. — Por favor, beba seu chocolate.

Padfoot estremeceu e bebeu; tinham descoberto que os efeitos físicos da Poções do Dementador sumiam depois de uma semana com o cuidado certo, mas os efeitos eram persistentes e ressaltavam sentimentos como culpa, tristeza e nostalgia, enquanto abafavam o sentimento de felicidade. Ainda assim, isso era tudo baseado em observações; Padfoot não falava sobre isso.

— É estranho o jeito que o tempo passa quando estamos em Azkaban — Padfoot comentou. Colocou a xícara na mesa e conseguiu oferecer um sorriso fraco.

— Sim — Moony concordou secamente, depois de uma pausa tensa. — Imagino que tenha sido uma surpresa quando saiu e percebeu que o tempo não parou — Moony e Harry esperaram para ver como Padfoot responderia a isso. Uma sombra apareceu em seu rosto e ele ficou quieto por alguns momentos, antes de forçar uma risada.

— Então — disse com o que Harry achou ser um sorriso muito forçado —, o que Dora estava fazendo na sua casa?

— Ela vai se juntar às buscas de Malfoy — Moony disse.

— Olho-Tonto vai deixar que sua recruta vire amiga do Malfoy? — Padfoot perguntou, voltando a derrubar o garfo. Moony lhe deu um sorriso fraco.

— Nenhum deles disse isso, então estou apenas especulando, mas eu diria que Olho-Tonto não gosta do fato de que não há nenhuma influência dos Aurores nas buscas — parou de falar para mergulhar um pedaço de bife no molho, enquanto Padfoot assentia, pensativo. — Eles queriam que eu fizesse uma recomendação, dizer que ela é minha sobrinha ou algo do tipo, mas Malfoy está insatisfeito comigo depois de tudo o que eu disse em St. Mungo's e meu apoio provavelmente seria motivo para ele não a aceitar... Ela vai abordá-lo sozinha amanhã cedo.

— Aposto que o Olho-Tonto não fico feliz.

— Bem-feito por ter invadido minha casa — Moony disse, usando o garfo para perfurar seu bife. Harry e Padfoot trocaram um olhar, antes de voltarem aos seus pratos.

Terminaram de comer em silêncio — a expressão de Remus era cada vez mais dolorida e era fácil para Harry se lembrar que, em algumas horas, ele se transformaria em um lobo — e a expressão de Padfoot era cada vez mais séria, como se ele estivesse pensando em algo de grande importância. Harry cutucou sua batata.

— Ele está bem? — perguntou a Padfoot quando Moony sumiu na lareira depois do jantar.

— Ele sempre fica um pouco estranho um dia antes — Padfoot garantiu. — Mais chocolate quente, obrigado, Monstro — adicionou. Uma xícara fumegante flutuou até ele na mesma hora.

— Tem certeza de que deveria ir? — Harry perguntou.

— Hmm? — Padfoot resmungou um pouco distraído.

— Eu perguntei se você está bem para ir — Harry suspirou.

— Oh — Padfoot disse, voltando ao presente. — Sim, estou bem, garoto — sorriu como que para provar isso.

— E eu não posso ir? — Harry insistiu.

— Não — Padfoot respondeu num tom de quem não aceitaria ser contrariado. — Hoje será complicado o bastante sem um humano presente.

— Então, da próxima vez?

— Boa tentativa, garoto — Padfoot disse, bagunçando seu cabelo.

— Valeu a tentativa — Harry disse com um dar de ombros.

Padfoot balançou a cabeça, sorrindo.

— Você vai ficar bem? Eu nunca te deixei sozinho antes...

— Você me deixou sozinho depois da caverna — Harry lembrou.

Padfoot fez uma careta e gesticulou para que Harry o seguisse.

— Sim, e acabou passando uma semana em St. Mungo's.

— Não tem nenhum Inferi por aqui — Harry disse quando começaram a subir a escada principal. — Aquelas cabeças de elfos que ficavam penduradas por aqui eram assustadoras, mas nunca as vi atacar alguém.

Padfoot riu.

— Meu tio Alphard dizia que a mãe de Monstro era uma obra-prima.

— Qual que ela era? — perguntou quando passaram pela biblioteca.

— A que tinha as orelhas tortas.

Harry riu.

— Não, é sério.

— Estou falando sério — Padfoot respondeu com uma risada. — Em todos os sentidos.

Harry fez uma careta.

— Mas nenhuma das cabeças tinha orelhas tortas.

— Tinha, sim — Padfoot disse, abrindo a porta de seu quarto.

— Não tinha — Harry entrou atrás dele e jogou-se no pé da cama. Padfoot tirou uma mochila debaixo da cadeira e foi até o guarda-roupa.

Uma troca de roupa foi cuidadosamente dobrada e organizada ao gosto de Padfoot, antes de ele pegar um travesseiro e um cobertor do armário do canto — finalmente tinham encontrado um lugar para guarda as roupas de cama depois de Monstro ter tomado residência no armário do patamar. Padfoot dobrou os cobertores o melhor possível, encolheu o travesseiro, antes de sair do quarto para ir pegar sua escova de dentes.

Harry pegou o espelho de Padfoot no criado-mudo e murmurou:

— James Potter — o rosto risonho de James apareceu. — Oi — disse. James acenou e falou algo para alguém que Harry não conseguia ver. — Oi, mãe — adicionou, porque, ainda que não a visse, estava quase certo de que ela estava com James.

James sorriu.

"Padfoot me contou a história da Acromântula durante a lua cheia, pai" disse num tom tímido. "Achei engraçado, mas Moony disse que você ficou furiosa quando descobriu, mãe" James riu e falou algo sobre o ombro. "Hoje é noite de lua cheia"

— Está perdendo, Prongs — Padfoot disse quando voltou carregando sua escova e pasta de dentes, e a comida que obviamente roubara da cozinha. Ele guardou tudo na mochila.

— Tchau — Harry murmurou e passou o espelho para seu padrinho. James voltou a acenar.

— Eu tenho que ir, Prongs, não tenho tempo de conversar, mas sei que estará cuidando de nós de onde quer que está, então fique de olho no seu garoto — Padfoot sorriu para Harry — hoje. Faça com que ele se comporte e tudo o mais. Vou falar para o Moony que você disse oi, está bem? — a voz de Padfoot tremeu quase imperceptivelmente e ele murmurou uma despedida, antes de colocar o espelho no bolso. — Cale a boca — murmurou.

— O quê? — Harry perguntou.

— Nada, nada... Agora — Padfoot disse, colocando a mochila nos ombros. — Por favor, se comporte hoje. Nada de fazer poções. Pode praticar seus feitiços, mas só na sala de treino e não use nada inflamável nem explosivo, entendeu?

Harry revirou os olhos — os Dursley também tinham a impressão de que ele não podia ficar sozinho sem destruir alguma coisa —, mas assentiu. Parecia justo, especialmente porque Harry ainda tinha a tendência de colocar fogo nas coisas quando dormia; Padfoot tinha colocado um feitiço congelante em seu quarto.

— Fique com sua varinha o tempo todo e não abra a porta. Moony é o único que toca a campainha e ele estará indisposto hoje. Não saia da casa e se algo der errado, mande uma mensagem com Hedwig... Ela vai conseguir me alcançar em uma hora.

— Certo — Harry respondeu com um dar de ombros.

— Bom — Padfoot disse — Se ficar com fome, tem comida; se ficar entediado, temos livros ou pode convencer Monstro a jogar Snap Explosivo ou Pomo-e-Pega... — Harry descobrira que era assim que os bruxos chamavam "pega-pega". — Ou pode convencê-lo a te contar uma história ou...

— Padfoot — Harry interrompeu com uma risada. — Está tudo bem.

— Oh, e vá dormir num horário razoável. Monstro pode preparar o café da manhã se acordar cedo, mas eu devo chegar em casa por volta das sete...

— Padfoot — Harry disse.

— Eu sei que esqueci alguma coisa — Padfoot murmurou, passando pela porta.

— Esqueceu alguma coisa? — Harry repetiu, seguindo-o. — Acho que acabou de recitar todas as regras do manual dos pais!

Padfoot o ignorou e disse:

— Aha! Não chegue perto da lareira nem daquele maldito medalhão.

— Pode deixar — Harry garantiu. — Mande um oi para o Moony.

— Sim — Padfoot respondeu. E, então, quase como se estivesse falando sozinho: — Pronto. O que me diz dessa demonstração de responsabilidade?

— Surpreendentemente boa — Harry ofereceu.

— A gente se vê pela manhã — Padfoot disse com um sorriso arrogante.

-x-

Padfoot abriu o portão e caminhou lentamente pela trilha de pedras que levava à floresta. Uma brisa leve acariciava seu pelo e a sensação da grama sob suas patas era melhor do que poderia ter imaginado depois de tanto tempo do lado de dentro. Tinha sentido falta da simplicidade do mundo quando estava assim; ultimamente, tinha muita coisa na cabeça, mas nada disso parecia importar nesse momento. Era particularmente bom não sentir os efeitos da Poção do Dementador, que constantemente conversava com ele.

Soltou um suspiro canino feliz e continuou caminhando. Estava a alguns metros das árvores quando uma massa enorme e castanha apareceu rosnando baixinho. Padfoot latiu seu cumprimento, recusando-se a permitir que o resto da dor de Moony estragasse seu bom-humor, e as orelhas do lobo tremeram.

Ele deu um pulo para frente e cutucou o ombro de Padfoot com seu nariz gelado. Padfoot lambeu o pescoço do lobo e lhe deu uma mordida na orelha. Moony bufou. Padfoot recuou; Moony estava mais alto do que fora há alguns anos e provavelmente não estava mais acostumado à companhia.

Moony se aproximou para cheirá-lo mais uma vez, antes de erguer as orelhas e começar a balançar o rabo levemente; ele tinha reconhecido Padfoot e estava feliz por vê-lo. Padfoot conseguia sentir o cheiro. Moony saltitou para mais perto, empurrando-o com animação, antes de lhe dar uma mordida na orelha, como Padfoot tinha feito mais cedo. Padfoot latiu e Moony respondeu.

Moony continuou animado — ele perseguiu Padfoot, que o perseguiu por alguns minutos — até que ele parou de repente. Padfoot trombou com a lateral do corpo dele, mas ele não notou. Moony virou a cabeça enorme para olhar para Padfoot. Os olhos castanhos — que pareciam humanos — encontraram os acinzentados e Moony soltou um choramingo, antes de aproximar as orelhas da cabeça.

Padfoot recuou, reconhecendo os sinais de possível perigo tanto por instinto quanto por suas lembranças de luas cheias passadas. Mas Moony não atacou. Ele voltou a choramingar e olhou ao redor, abaixando o rabo. Só depois de Moony procurar várias vezes foi que Padfoot entendeu.

Ele estava procurando por Prongs.

Isso arruinou o bom-humor de Padfoot rapidamente, apesar de não ter ficado mal-humorado; só estava triste. Padfoot latiu baixinho uma vez e sentou-se, descansando a cabeça nas patas. Moony voltou a choramingar. Padfoot suspirou, antes de choramingar. Agora, o rabo de Moony já estava entre suas patas e seu corpo todo parecia ter murchado.

Ele se aproximou e cutucou a lateral do corpo de Padfoot com seu nariz, antes de jogar a cabeça para trás e uivar tristemente para a lua e para as estrelas, porque o cervo não estava lá, porque o cervo nunca voltaria.

Dessa vez, não havia raiva, como acontecera nas outras vezes que um deles não pudera acompanhá-lo. O lobo sabia que era diferente. Padfoot conseguia sentir no cheiro; o luto, o desejo e a dor. Moony voltou a uivar e Padfoot se levantou, caminhou até o lobo e juntou-se ao seu lamento.

Muito mais tarde, quando os uivos cessaram, o lobo voltou a olhar ao redor, dessa vez procurando perto das patas deles, ao invés de procurar na altura de suas cabeças. Ele estava procurando por Wormtail.

Padfoot deixou os dentes à mostra e rosnou longamente. Moony o observou com curiosidade, mas logo pareceu entender. Ele também mostrou os dentes — significativamente mais longos e afiados que os de Padfoot — e rosnou uma vez antes de se virar e entrar no matagal, o nariz perto no chão.

Ele estava procurando por Wormtail, o traidor. Por aquele que destruíra sua matilha. Padfoot o seguiu animadamente, ansioso pela possibilidade de uma caça, apesar de sua parte humana saber que o traidor não estava por perto. Continuou mostrando os dentes, pronto para destroçar o rato — ou qualquer outro rato que aparecesse.

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— Alguma novidade, Albus? — Minerva murmurou.

Dumbledore balançou a cabeça e Fawkes soltou um choro triste. Severus conseguiu não revirar os olhos, mas por pouco; fazia uma semana que o menino sumira de seu quarto em St. Mungo's. Severus achara que Lupin era o candidato perfeito para ter feito isso, contudo, quando Dumbledore o visitara cinco minutos depois do menino ter sumido; ele estivera em casa, limpando a cozinha depois de ter jantado, o que indicava que ele estivera em casa há um bom tempo e não no hospital, roubando o filho de James Potter.

Era enervante. Severus gostaria de ter a quem culpar pela constante preocupação de Dumbledore. A análise de resíduo mágico tinha sido inútil; as proteções de St. Mungo's tinham destruído o resíduo mágico, porque ele podia afetar os pacientes com doenças mágicas. Assim, não havia como saber quando ou como Potter escapara ou quem o ajudara.

Severus desistira de tentar entender como tinha acontecido e decidira que Black conseguira fazer algo supostamente impossível — como fugir de Azkaban — mais uma vez; que alguém tão medíocre quanto Black conseguira realizar algo tão... Não medíocre... Incomodava mais Severus do que ele queria admitir.

— Estou certo de que o menino está bem — Severus disse, impaciente. — Ele estava vivo há uma semana, o que indica que Black pode não estar tão determinado a matá-lo como achávamos.

Minerva o olhou de um jeito que sugeria que ele estava sendo lerdo de propósito.

— No tempo em que o conheço, Severus, você nunca teve algo positivo a dizer sobre Sirius Black — disse com a voz um pouco embolada. — E escolheu começar agora?

— Dificilmente é algo positivo — Severus respondeu, tenso. — Só estou cansado de ouvir notícias antigas serem ditas como se fossem novas.

Minerva enfureceu-se.

— Há uma criança desaparecida, Severus! Certamente você...

— Minerva — Dumbledore interrompeu em voz baixa, apesar de parecer perturbado.

Severus crispou os lábios. Não havia como tratar casualmente de algo como uma criança desaparecida, mesmo que dita criança parecesse ter o hábito de convenientemente desaparecer dos lugares onde devia estar. É um encrenqueiro como o miserável do pai, Severus pensou de maneira fulminante.

Ele tinha, é claro, considerado visitar Grimmauld Place. Era a atitude mais responsável, considerando as circunstâncias, mas três coisas tinham o impedido. Primeiro, Black e Potter — que estavam entre os dez primeiros da lista de pessoas mais odiavas por Severus (Pettigrew, Potter, Black, o Lorde das Trevas, Lupin, Tobias Snape, o menino Longbottom, Bellatrix, o filho de Potter e Petunia Evans) — moravam lá.

Segundo, não era da sua conta se o menino Potter estava seguro — por mais que a segurança fosse algo relativo com Black agindo como guardião. Não tinha nenhum motivo legítimo para visitá-los além de acalmar sua consciência, que vivia o lembrando da promessa que fizera a Dumbledore — e, mais tarde, ao túmulo de Lily Evans — de que protegeria o menino.

Terceiro, se algo estivesse errado e o menino Potter não estivesse lá ou estivesse ferido, ele passaria a ser um problema de Severus, pelo menos no futuro imediato. Isso também era inaceitável. Ele pode apodrecer, Severus pensou com irritação, enquanto Dumbledore e Minerva conversavam em voz baixa. Os dois podem.

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Harry tinha acabado de tirar os óculos para ir dormir quando o som da campainha ecoou pela casa. O retrato da senhora Black começou a reclamar de dentro do armário do patamar, mas parecia que ela tinha se acalmado desde que tinha ido para lá — ela só tinha contato com Monstro e isso parecia ser o bastante para ela —, porque Harry não a ouvira gritar desde que voltara de St. Mungo's.

Colocou os óculos, pegou sua varinha e sibilou:

— Monstro! — Monstro apareceu um momento depois no meio do quarto escuro de Harry. — Não atenda a porta — Harry lhe disse.

— Mestre Sirius deu suas ordens a Monstro — Monstro respondeu. — O mestre foi específico, como sempre — ele passou a murmurar (meio que falando sozinho e meio que falando com Harry) em um tom um tanto contrariado e um tanto admirado. — Tão específico, de fato, que Monstro nem pode ir ao térreo hoje, apesar de Monstro ter certeza de que o mestre teve seus motivos.

— Sim, ele tem — Harry garantiu ao elfo.

A campainha voltou a tocar e a senhora Black pediu que Monstro atendesse. Mostro se torceu, como se estivesse prestes a obedecer, antes de visivelmente se conter; ele só podia obedecer às ordens do retrato se tivesse autorização de Padfoot. A campainha tocou pela terceira vez. Monstro foi acalmar sua senhora e Harry foi até a janela para tentar ver quem era.

Apertou os olhos, tentando identificar a pessoa usando a luz da rua. Não conseguia ver se era um homem ou uma mulher, se era novo ou velho ou sua altura. Sequer conseguia ver o que estavam usando; a pessoa só parecia uma sombra. Deve ser algum vendedor muggle, pensou, tentando se acalmar.

É estranho virem a essa hora, mas tudo bem. A pessoa se mexeu, enquanto Harry a observava, e esticou um braço. Harry assumiu que era para tocar a campainha mais uma vez. Ela vai embora quando ninguém atender.

O som da porta sendo aberta e da tábua rangendo ao ser pisada chegou ao andar superior. Harry achou que ia vomitar. Segurou a varinha com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos e correu até o patamar; espiou por cima da grade de proteção. Olhou para a ponta do corredor do térreo, iluminado pelos lampiões que se acendiam sempre que alguém entrava na casa.

Uma figura entrou no seu campo de visão e espiou as escadas que levavam à cozinha, antes de começar a erguer a cabeça. Harry se jogou no chão. Sua existência devia ser escondida pelo feitiço Fidelius, mas não ia se arriscar. Contou até cinco, antes de engatinhar até a grande e espiar entre as barras, mas o intruso tinha sumido.

Os lampiões do andar debaixo se apagaram e a casa voltou a ser coberta pela escuridão. Alguém xingou baixinho nas escadas, antes de uma fraca luz aparecer no segundo andar.

Harry abriu a porta do armário de Monstro, pegou o elfo e sua única explicação foi:

— Shh! — antes de arrastá-lo até seu quarto. Encostou a porta sem efetivamente fechá-la, esperando que isso abafasse qualquer som (pensou Ostendere me omnia) antes de girar ao redor do próprio eixo.

Chegaram no escuro, mas o calor e o leve gotejar de água deixou que Harry soubesse que estavam no lugar certo. Monstro estalou os dedos e a pequena vela sobre a caldeira se acendeu.

— Há alguém na casa — Harry murmurou.

— Um intruso na casa dos Black! — Monstro grasnou, parecendo chocado. Ele voltou a estalar os dedos e uma pesada frigideira de cobre apareceu em suas mãos. Harry apenas o olhou. — Mestre Harry ficará em segurança aqui — disse.

— Aonde você vai? — Harry sussurrou. O brilho ameaçador nos olhos de Monstro foi resposta o bastante quando ele acenou uma mão para a porta, que se abriu. — Não pode ir sozinho! — disse, engatinhando para fora da antiga toca de Monstro. Ao contrário de Harry, Monstro não era protegido pelo feitiço Fidelius.

— Monstro é capaz de proteger seu lar e seu mestre — Monstro disse, erguendo a frigideira. Ele deu um passo na direção das escadas da cozinha e guinchou ruidosamente. Harry pulou e derrubou uma das cadeiras.

— O que aconteceu? — perguntou.

— Magia — Monstro grasnou. — Enviada para nos encontrar.

— Sabem que estamos aqui? — Harry perguntou, alarmado. — Mas o Fidel... — Monstro enrolou os dedos ossudos ao redor do antebraço de Harry e, então, estavam no quarto do garoto mais uma vez. Os lampiões na parede brilhavam alegremente. Harry estremeceu; o intruso devia tê-los deixado acessos. — Monstro, o que...? — sussurrou.

— Quieto, mestre Harry — Monstro disse, aproximando-se da porta. Harry caminhou atrás dele nas pontas dos pés e espiou o patamar. Estava vazio e os dois foram até o alto da escada. Uma sombra se moveu no terceiro andar, descendo. Monstro ergueu sua frigideira, determinado, e foi silenciosamente até as escadas. Harry o seguiu, a varinha abaixada.

Estavam se movendo mais rápido que o intruso, que parecia estar olhando em todos os cômodos conforme descia. Monstro parou no meio das escadas — Harry trombou nele com um "Ooof! Desculpe" baixinho — e olhou para o próximo lance de escadas.

O intruso era uma sombra no patamar do primeiro andar, enquanto olhava para a sala de visitas. Sem hesitar, Monstro estalou os dedos e o intruso caiu no chão com um baque. A varinha dele se apagou, fazendo com que o patamar fosse envolto pela escuridão.

— Você não o matou, né? — Harry sussurrou.

Monstro emitiu um som estranho, que poderia ter sido uma risada — apesar de Harry não ter certeza se elfos sabiam rir —, e aproximou-se para cutucar as costas da figura com o pé, parecendo satisfeito. De repente, a frigideira caiu. Ela pousou ameaçadoramente perto da cabeça do intruso e o baque da colisão foi abafado pelo tapete.

Monstro caiu com um gemido agudo e levou as mãos à cabeça, apertando-a. Harry deu um passo para frente, incerto do que estava acontecendo, pelo menos até o corpo tenso do intruso relaxar e ele se sentar com a varinha erguida.

Digitum Moverum! — Harry gritou e os dedos do intruso se torceram incontrolavelmente. A varinha caiu silenciosamente no tapete e Harry mergulhou para pegá-la, mas foi empurrado (com força) para longe dela. Não conseguia ver o intruso, cujas costas estavam viradas para si, mas conhecia um feitiço que podia ser efetivo: — Lumos maxima! — gritou.

A ponta de sua varinha acedeu, cegando-o, mas o efeito foi o mesmo para o intruso; ouviu um xingamento e o som de movimento atrás de si. Virou-se, pronto para usar outro feitiço, antes de sentir uma pressão no estômago e encontrou-se olhando para o tapete. Monstro ainda estava ajoelhado.

— Ninguém te ensinou que é falta de educação atacar um visitante? — uma voz perguntou num tom depreciativo. Os lampiões das paredes se acenderam e Harry viu-se olhando nos olhos de um Snape corado e irritado.

Harry não sabia se devia se sentir aliviado ou horrorizado.

— Nós... Er... Não temos muitos visitantes. Senhor — apressou-se a adicionar.

— Depois de ter sido recebido com tamanho entusiasmo, dá para entender o motivo — Snape respondeu com a voz cheia de sarcasmo. Harry ajeitou os óculos (a gravidade estava tentando tirá-los de seu rosto) e tentou parecer tão calmo quanto possível, considerando que estava erguido pelo tornozelo a dois metros do chão. Seu pé roçava o teto.

Não é exatamente educado simplesmente entrar na casa das pessoas, pensou, mas não se atreveu a verbalizar.

— Suponho que o troglodita do seu padrinho está escondido no próximo andar, esperando para me atacar? — Snape continuou, parecendo entediado.

— Er... Não — Harry prometeu, apesar de não ter a mínima ideia do que "troglodita" significava. — Seu feitiço teria o encontrado, não é? — Snape pareceu surpreso, antes de inclinar a cabeça. — Pode me soltar, por favor? Senhor — Snape parou para examinar a frigideira de cobre com a qual Monstro se armara, antes de se ajeitar para olhar nos olhos de Harry.

— Posso confiar que você e seu elfo não irão me atacar? — Harry olhou para Monstro; era claro que ele sentia dor, mas ele estava encolhido em silêncio.

— Sim — Snape acenou a varinha e Harry caiu no chão não tão gentilmente, mas não com a força que deveria ter caído. Apressou-se a ir para o lado de Monstro. — O que fez com ele? — quis saber.

— Nada — Snape respondeu, inexpressivo.

— Não foi nada! — Harry disse, observando Monstro mover os olhos sob as pálpebras, como se estivesse tendo um pesadelo particularmente cruel. O elfo choramingou. — Você o machucou! — Snape arregalou os olhos o bastante para que Harry notasse, mas ele logo estava no controle novamente.

— Não fiz nada disso.

Mentiroso, Harry pensou, olhando feio para ele. Apertou o braço de Monstro e o elfo abriu os olhos. Ele olhou para Harry antes de fechá-los novamente, mas dessa vez sua expressão era pacífica. Harry se certificou de que ele estava respirando, antes de relaxar. Voltou a olhar feio para Snape, cujo rosto era inexpressivo.

— Quero conversar com Black.

— Ele não está aqui — Harry disse. — Senhor.

— E onde ele está? — os olhos de Snape, negros e frios, prenderam-se nos de Harry.

— Saiu — respondeu, encontrando os olhos dele.

— Entendo — Snape disse, sua expressão deixando de ser levemente irritada e passando a ser furiosa. — E quando ele irá te agraciar com a presença dele?

— Pela manhã — disse.

Snape crispou os lábios.

— Ele te deixou sozinho pela noite?

— Estou com Monstro — Harry disse, defensivo. Snape olhou para o corpo mole de Monstro e não disse nada; Harry não sabia o que ele estava pensando.

Várias expressões passaram por seu rosto e, então, ele disse:

— Arrume uma mala.

— O quê? — Harry perguntou.

— Irá para Hogwarts comigo — Snape disse. — Eu te trarei de volta pela manhã, quando poderei falar com Black.

— Não posso ir para Hogwarts! — disse. — Não tenho idade e as pessoas vão me reconhecer! E se Padfoot voltar e eu não estiver aqui?! Eu...

— Não vou permitir que fique sozinho — Snape disse num tom que não dava espaço para discussões.

Mas Harry discutiu assim mesmo.

— Permitir? — perguntou, cerrando os olhos. Snape se encolheu; Harry se surpreendeu com isso, mas não falou nada. — Com todo o respeito, senhor, eu realmente não acho que essa é uma decisão sua — sua voz era o balanço perfeito do sarcasmo de Padfoot e a descrença educada de Moony. Harry se sentiu muito orgulhoso dele mesmo. — A ordem é que eu não saia da casa...

— Você tem nove anos. Não é velho o bastante para passar a noite sozinho.

— Eu tenho Monstro — Harry ralhou.

— Não mais.

E de quem é a culpa?, Harry pensou, irritado.

— Faça a mala — Snape repetiu.

— Você... Promete que me trará de volta pela manhã? — perguntou, hesitante.

— Parece que a estupidez de Black é contagiosa — Snape comentou, antes de falar num tom mais alto: — Eu já deixei isso claro, Potter.

— E o Monstro? — Harry perguntou, teimoso.

Snape olhou para a forma adormecida do elfo.

— Ele terá uma dor de cabeça quando acordar.

— Mas ele ficará bem? — Harry insistiu.

Snape o olhou de um jeito que fez Harry subir as escadas correndo para arrumar sua mochila.

-x-

— Achava que as crianças dormissem à noite — Snape comentou do seu canto.

Harry o olhou, cansado. Tinha usado o flu para ir direto aos cômodos de Snape nas masmorras de Hogwarts — a princípio, Harry achara que Snape o deixaria trancado a noite toda — há seis horas. Apesar de se sentir culpado por ter desobedecido as ordens de Padfoot, Harry conseguira chegar sem se perder nem se machucar.

Os cômodos de Snape eram escuros e simples; um tapete verde (que Harry cobrira de cinzas) cobria o chão e as paredes eram cinzentas; um armário ficava no canto. Havia outras duas portas — uma perto do armário e da mesa e a outra ao lado da prateleira embutida que formava um arco ao redor da porta — das quais Snape não falara e Harry sabia que não devia perguntar.

Snape conjurara uma cama de armar ao lado da porta do banheiro e mandara Harry se deitar, antes de ir se acomodar no sofá. Era claro que ele não tinha a menor intenção de dormir enquanto Harry estava ali, e o garoto sentia o mesmo.

Não conseguia imaginar nada pior do que ter um pesadelo e ter de explicar por que tinha colocado fogo em Snape ou acidentalmente acabar contando sobre as Horcruxes (seja lá o que fossem) ou ser acordado por Snape às seis e meia para ir para casa.

Harry brincou com os pedaços do quebra-cabeça de Regulus, satisfeito por ter pensado em trazê-lo, e disse:

— Não estou cansado — essa mentira podia ter enganado Snape (apesar de Harry duvidar disso), mas o bocejo que se seguiu o entregou completamente.

Guardou o quebra-cabeça na mochila e pegou o livro que trouxera para ter onde se esconder. Snape o olhou com desprezo, antes de se voltar para os trabalhos que estava corrigindo com uma expressão irritada.

— Diga-me, Potter — ele começou de repente. Harry se assustou (Snape quase não falara durante a noite) e ergueu os olhos —, quanto tempo demora para uma Poção Polissuco ficar pronta? — Harry piscou. Nunca ouvira falar dessa tal de Poção Poli-alguma coisa.

— Eu não sei, senhor — disse, espiando pelo topo do livro.

— Se eu te falar que é uma poção extremamente complexa e delicada... — Snape incentivou.

— Então eu acho que demora bastante — Harry disse, hesitante. Snape deu um sorriso cruel e marcou um "T" no pergaminho em suas mãos.

— Você tem nove anos, correto?

— Sim, senhor — Harry disse, nervoso. Snape adicionou um comentário e pegou outro pergaminho. Seus olhos foram de um lado para o outro por um momento, antes de marcar outro "T" no pergaminho com um floreio. — O que essas letras significam? — deixou escapar. — Eu nunca as vi sendo usadas como nota...

— Os bruxos têm um sistema de notas diferente dos muggles — Snape disse.

— Oh — isso fazia sentido. — O que elas significam?

— Ótimo, Excede as Expectativas, Aceitável, Péssimo, Deplorável e Trasgo.

— Trasgo? — Harry perguntou.

— É um sinônimo de Grifinória — Snape disse e escreveu alguma coisa no pergaminho que segurava.

Harry cerrou os olhos.

— Está dizendo que os Grifinórios são trasgos? — perguntou cuidadosamente. Snape marcou algo com um "A" antes de erguer os olhos.

— Não — disse lentamente e olhou para Harry de um jeito que o garoto não conseguiu identificar, mas ainda assim o fez sentir que estava sendo zombado. — Só estou dizendo que a habilidade deles na minha matéria é igual a uma criatura cujo cérebro é do tamanho do seu pulso.

Harry cerrou o pulso e olhou por alguns segundos, antes de dizer:

— Não podem ser tão ruins assim.

Snape crispou os lábios.

— Alunos talentosos em poções são raros e demoram a aparecer. Só conheci uma pessoa que tinha talento para poções e que era da Grifinória, e ela se formou antes de você nascer.

— Se os alunos são idiotas, por que dá aula? — Snape rabiscou outra nota (dessa vez, um "E") no trabalho. Harry esperou.

— Se espera que eu justifique minhas escolhas para você, Potter, é tão idiota quanto seu pai e padrinho — Harry franziu o cenho e voltou a olhar para seu livro; era sobre Dementadores, algo que Harry passara a ler para tentar encontrar uma solução que curasse Padfoot e que não fosse chocolate.

Snape o olhou com superioridade e pegou outro rolo de pergaminho. Depois de um momento, Harry voltou a erguer os olhos e olhou para Snape, pensativo.

— Sim, Potter? — Snape perguntou soando resignado. Harry corou e desviou os olhos.

— Nada.

— Você é igualzinho ao seu pai, Potter. Parece que seria uma perda de tempo estudar genética — Harry engoliu o comentário mal-educado.

— Desculpe — murmurou. Seus olhos foram para Snape mais uma vez.

— O quê? — Snape perguntou, irritado.

— Posso... Posso perguntar uma coisa?

— De fato, igualzinho ao seu pai — Snape zombou. — Sempre assumindo que eu não tenho nada melhor a fazer além de atender a cada vontadezinha... — Harry mordeu a língua para se impedir de mandar Snape calar a boca.

— Pode me falar sobre os Dementadores? — pediu. Snape ficou pálido.

— Como é? — perguntou, parecendo aturdido.

— Bem, estou lendo sobre eles, mas achei que se você pudesse explicar, eu conseguiria entender melhor... — sempre aprendia mais rápido quando tinha a chance de praticar (se fosse um feitiço ou uma poção) ou quando Padfoot lhe explicava. Tinha um pouco de inveja de Padfoot; ele sempre conseguia entender completamente de um assunto só por ler sobre ele. — E não posso pedir ao Padf... Sirius... — é claro que não podia mencionar Moony. — Então, pensei que talvez você...?

— Não há nada que eu possa te dizer que não encontrará no seu livro — Snape disse, tenso. — E quanto a perguntar a Black, não vejo por que não deveria. Ele certamente é um especialista no assunto — Harry franziu o cenho. — Mas, se me lembro bem, as habilidades de retenção de Black sempre foram... Ineficientes — essa foi a gota d'água.

— Por que é tão horrível com eles? — Harry perguntou. Não se lembrava de tê-la pegado, mas sua varinha estava em sua mão, soltando fagulhas. — Eu sei que você não se dava bem com meu pai e com o Padfoot na escola, mas...

— Que meigo — Snape disse suavemente. — O filho de James Potter assumiu o lugar de seu pai como o defensor de Black — Harry o olhou feio. Snape encontrou seus olhos, enrolou o pergaminho que estava lendo e deixou a pena de lado. Levantou-se, foi até a cama de armar de Harry e inclinou-se, de modo que ele e Harry estivessem na mesma altura. — Permita-me destruir essa ilusão que você tem, Potter. Black é um monstro. Ele era capaz de cometer assassinato aos dezesseis anos e seu precioso pai não era melhor.

— Padfoot não faria isso... — Harry protestou.

— Não faria? — Snape zombou, mostrando os dentes amarelados. — Black, Potter, Lupin, de quem você passou a gostar durante sua estadia em St. Mungo's, planejaram me matar durante nosso quinto ano. Eles deviam ter sido expulsos. Seu guardião pode ter sido preso sob uma acusação falsa com toda aquela história de Fiel do Segredo, mas não duvide de que ele merece estar na prisão.

— Está errado! — Harry disse, furioso. Engoliu a raiva com muito esforço. Não falta muito... Posso ir para casa em dez minutos. Só preciso ficar...

— Garanto que não estou — Snape lhe deu um sorriso cruel. — A verdade dói, não é, Potter — Snape se ajeitou e foi em direção ao sofá.

— Acho que você tem inveja — Harry retorquiu, olhando-o feio.

O olhar de desprezo de Snape sumiu por tempo o bastante para que Harry soubesse que tinha acertado.

— Obviamente. Como foi que descobriu que sempre quis ser um idiota insolente?

— Padfoot não é um idiota insolente! — Harry ralhou.

— Não estava falando do seu padrinho — Snape disse com outro sorriso.

— Meu pai também não era!

— Até onde eu sei, Potter, você nunca o conheceu. Estou certo de que não acha que o conhece melhor do que aqueles que tiveram o... Prazer... — Snape crispou os lábios — de conhecê-lo.

Mas... Mas o pai era bom. O pai era um membro da Ordem.

— Padfoot disse...

— O seu padrinho idolatrava o chão por onde o santo do seu pai passava — Snape continuou, sem dó. — Ele não conseguiria ver um defeito em James Potter nem se ele lhe acertasse na cabeça com um balaço.

— CALE A BOCA! — Harry gritou. Vários livros pesados explodiram nas prateleiras e a bandeira da Sonserina balançou com uma brisa que não estava ali. Os trabalhos que Snape estivera corrigindo se espalharam.

— O que... — o retrato de uma mulher de rosto fino exclamou de seu lugar sobre a mesa de Snape. Harry guardou o livro em sua mochila e levantou-se.

— Potter, o que... — Harry o ignorou, marchou até a lareira, pegou um punhado de pó de flu, e sumiu.

Continua.

N/T: Obrigada pelo comentário no capítulo anterior.

Não deixem de comentar, pois é a única maneira que posso saber se estão gostando e o que há a ser melhorado.

Até a próxima atualização!