Personagens de Stephenie Meyer. História de Tessa Dare.
CAPÍTULO VINTE
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"Você disse que expectativas levam a decepções. Que se não esperarmos nada, somos sempre surpreendidos."
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Em algum lugar, um cachorro uivou durante a noite. Com um espasmo, Edward sentou no catre, tremendo e empapado de suor. Ele escancarou a porta do abrigo de pastores e inspirou profundamente o frio ar noturno. Quando sua pulsação acelerada começou a diminuir, ele apoiou a testa no pulso e xingou violentamente. Carícias suaves, calmantes, subiram e desceram por suas costas. O toque dela não fazia perguntas nem exigências. Ele simplesmente o fazia saber que não estava sozinho.
- Posso ajudar? - perguntou ela, afinal.
Ele balançou a cabeça.
- Não é nada de incomum. Só me pegou de surpresa. Nas últimas noites eu nem acordei. Comecei a pensar que...
- Que eu fosse a sua cura? - Ele sentiu um toque de ironia na voz dela. - Eu também esperava que fosse. Mas acho que foi uma expectativa boba.
- Nada disso. - Ele suspirou, passando as mãos pelo cabelo e procurando se recompor. - É só este lugar, eu acho.
- É muito pequeno e escuro. Podemos pegar nossos cobertores e nos deitar sob as estrelas. Ou podemos simplesmente desistir de dormir e caminhar na direção da estrada.
- Não, não. Ainda demora muito para o nascer do sol. Eu posso voltar a dormir, mas acho... - Ele procurou seu lenço, com o qual enxugou o suor da testa e do pescoço. - Eu acho que gostaria de conversar.
Essas palavras foram surpreendentes para os dois. Eles não fingiram que ele queria discutir o clima ou rotas de carruagem. Isabella soube, imediatamente, o que ele queria.
- É claro. - Ela sentou no catre. - Quer que eu acenda a lanterna?
- Não. Não precisa. - Com a porta aberta, um pouco do luar passava pela abertura. Edward conseguia distinguir o contorno prateado de sua silhueta e o brilho de preocupação em seus olhos escuros. Era o bastante.
Ele a fez deitar ao seu lado, e enfiou o nariz em seu cabelo espesso, com aroma de jasmim. Edward não sabia muito bem por onde começar. Ele nunca havia falado daquela noite com ninguém, não em detalhes. Mas os anos de silêncio não pareciam estar ajudando. Talvez fosse hora de tentar falar a respeito. Ele tinha que fazer algo, se quisesse deixar tudo aquilo para trás, assumir o controle de seus dias e suas noites, e criar uma aparência de vida normal e entediante. Ele queria aquele tipo de vida. E queria que Isabella fosse parte dela.
- Vai ser desagradável de ouvir. - ele a alertou. - Tem certeza de que não vai se importar?
Ela se ajeitou no peito dele.
- Você sobreviveu a isso, Edward. Posso reunir forças para ouvir a respeito.
- Talvez nós devêssemos esperar que o dia clareasse...
- Se você quiser esperar, nós podemos esperar. Mas estou pronta agora, se você também estiver.
Ele inspirou lenta e profundamente, e então começou a falar.
- Eu não tenho ideia do que o causou. O acidente, quero dizer. Estávamos voltando para casa de uma visita aos vizinhos. Não era um percurso longo. Não tínhamos criados conosco, apenas o condutor. Eu peguei no sono, no assento virado para trás. Meus pais estavam sentados juntos, de frente para mim. Lembro de ouvi-los falando e rindo de alguma coisa. Acho que minha mãe provocava meu pai por ele comer muito. Eu adormeci ao som de suas vozes. E acordei algum tempo depois... Com seus gritos.
Ela passou o braço pelo tronco dele.
- Você deve ter ficado tão confuso.
- Totalmente. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo. Estava escuro e nós saímos da estrada. Eu tinha caído do meu assento. Então percebi que a carruagem tinha virado e que eu estava sobre a porta. Eu cortei a cabeça na tranca.
- Aqui? - Ela sentiu a cicatriz na têmpora dele.
Edward aquiesceu.
- Fora isso, não parecia que eu tinha me machucado. Mas eu estava aterrorizado. A escuridão era total. Parecia que eu tinha uma venda nos olhos. E o cheiro de sangue... - Edward sentiu a barriga contrair, e ele parou para se recompor. - Era tão intenso. Sufocante. Eu chamei minha mãe, e ela respondeu. A voz dela estava fraca e estranha, mas ela ficava repetindo que tudo daria certo. Que eu precisava ser corajoso. Que certamente logo alguém apareceria para nos ajudar. Eu queria acreditar nela, mas sabia que ela não conseguia se mexer.
- Onde estava o condutor?
- Ele havia se machucado seriamente. Ele foi jogado de seu assento um pouco atrás, mas não soubemos disso no momento. Só conseguíamos ouvir a agonia dos cavalos. Foram deles os gritos que me acordaram.
- E seu pai?
- Morto.
- Você já sabia disso?
- Não, mas minha mãe sabia. Da forma como eles caíram... - Ele inspirou fundo. - Esta parte é desagradável, querida...
- Continue. - Ela tocou seu ombro. - Estou ouvindo.
- Havia um tipo de espeto. Até hoje não sei se era parte da carruagem ou algo na vala. Parte de uma cerca, talvez um galho..., mas eles foram atravessados por aquilo. Os dois. O espeto perfurou completamente o peito do meu pai e entrou no flanco da minha mãe.
Isabella estremeceu nos braços dele.
- Oh. Oh, Edward.
- Receio que a história fique pior. Enquanto minha mãe falava, eu sabia que ela estava viva. E mesmo quando não conseguiu mais falar, sua respiração difícil e alta me dizia que ela continuava viva. Mas quando até isso parou... eu fiquei totalmente descontrolado. Entrei em pânico. Eu queria sair. Eu gritei e bati nas paredes da carruagem até, acho, ficar inconsciente. E então... - Ele engasgou com a emoção. Edward havia chegado até ali. Ele precisava ir até o final. - E então os cachorros selvagens nos encontraram, atraídos pelo barulho e pelo cheiro de sangue. Eu passei metade da noite gritando porque queria sair, e a outra metade rezando para que eles não conseguissem entrar.
- Oh, Deus. - Ele sentiu as lágrimas dela, quentes e úmidas em sua pele.
- Sinto muito. - disse ele rapidamente, segurando-a bem perto. - Sinto muito.
Ele sabia que havia descrito uma cena perturbadora. E era exatamente por isso que nunca tinha falado sobre o assunto, com ninguém... Ele odiava ter impresso aquele quadro macabro na imaginação dela.
- Eu não devia ter contado para você.
- É claro que devia. - Fungando, ela ergueu a cabeça. - Você fez muito bem. E pensar que ficou guardando isso com você por todos esses anos? Sou eu quem deveria sentir muito. - Ela passou os braços pelo pescoço dele e o abraçou apertado. - Edward, sinto muito. Essas palavras são patéticas e insuficientes. Mas eu sinto muito, de verdade. Eu queria, de todo coração, que você não tivesse passado por isso. Mas estou contente que você tenha me contado tudo.
Ele enterrou o rosto no cabelo dela. Por um instante ele receou chorar. E então Edward percebeu que, se chorasse – mesmo que de modo ruidoso, descontrolado – ela não se afastaria dele. Ela até esperava que ele derramasse algumas lágrimas. Aqueles braços macios, delicadamente cheirosos, o envolveriam pelo tempo que ele precisasse. Então ele decidiu deixar as lágrimas rolar. E elas não vieram. Estranho... por quem ele deveria chorar? Por seus pais? Ele havia pranteado a perda dos dois. E continuava a sentir falta deles. Mas o luto só dura um certo tempo. Era o horror daquela noite que ainda persistia. O medo. E a vergonha. A vergonha profunda, enterrada, não manifesta.
- Durante anos... - disse ele em voz baixa. - Eu pensei que foi culpa minha. Que se eu não tivesse pegado no sono, não teria acontecido.
- Mas isso não faz sentido! - exclamou Isabella.
- Eu sei.
- É claro que não foi culpa sua.
- Eu sei disso.
- Você era uma criança. Não havia nada que você pudesse ter feito.
- Eu sei. E como adulto, eu entendo isso racionalmente. Mas... - Mas ele nunca conseguiu se livrar desse sentimento. Era como se ele precisasse que alguém mais confirmasse sua inocência. Alguém muito inteligente e lógico. Alguém em quem ele pudesse confiar que sempre lhe diria a verdade nua e crua. Alguém como Isabella. - Não foi minha culpa.
- Não. - confirmou ela. - Não mesmo.
Doce e querida Bella. Desde o início, foi disso que ele mais gostou nela. Sua certeza.
Ela deu um beijo em seu rosto. Ele inspirou profunda e vagarosamente. Era incrível como ele se sentia mais leve, e se ela não o estivesse segurando com seus braços, Edward sentia que poderia ir embora flutuando.
- Sabe de uma coisa? - perguntou ele, sonolento. - Eu sempre pensei que a morte dos meus pais era algo tirado de uma balada. Eles se amavam tanto. Mesmo sendo criança eu percebia isso. Parece quase correto que eles tenham tido um fim poético. Sempre juntos, unidos mesmo na morte. No que diz respeito a tragédias, você tem que admitir, foi uma morte bastante romântica.
Ela ficou em silêncio por muito tempo, mas Edward sabia que Isabella não estava dormindo. Seus dedos passeavam pelo cabelo dele. Edward estava quase adormecendo quando a ouviu responder.
- Se você escrever a letra, eu cantarei essa balada.
Isabella não conseguiu voltar a dormir. Seu coração e sua mente estavam cheios demais. E, de certa forma, ela sabia que Edward dormiria melhor se ela velasse por seu sono. Quando os primeiros raios do amanhecer se infiltraram na cabana, ela esticou o braço esquerdo. Primeiro acima da cabeça, para levar sangue aos dedos duros, dormentes. Então o hábito e a necessidade fizeram com esticasse o braço, tateando à procura de seus óculos.
Com um murmúrio incoerente, Edward se virou, ainda dormindo. Ele jogou um braço pesado sobre o tronco dela, e seus dedos procuraram o seio de Isabella. Oh, céus. Seu coração congelou por um momento, recusando-se a bater. Então ele passou por um descongelamento rápido, o que doeu – da mesma forma que sentimos pontadas em dedos dormentes de frio quando colocados em uma bacia de água quente. A respiração, de repente, começou a exigir um esforço consciente. A primeira coisa que ela fazia, todas as manhãs, era estender a mão para pegar seus óculos, porque o dia não fazia sentido sem eles.
Edward estendeu a mão para ela. Isabella não podia "curá-lo". Nenhuma mulher poderia. Eventos assim distantes no passado não podiam ser desfeitos. Mas talvez ele não precisasse de uma cura, mas... de uma lente. Alguém que o aceitasse como a pessoa imperfeita que ele é, para que assim pudesse ver o mundo com clareza. Da mesma forma que os óculos a ajudavam. Uma hora antes essa ideia teria parecido absurda. Mas aqueles primeiros raios mágicos da manhã perdoavam todo tipo de tolice. Então ela se permitiu sonhar, ainda que só por um instante. Ela se deixou imaginar como seria acordar todos os dias como naquele, sentindo-se essencial para ele. A última coisa que ele toca à noite, e a primeira pela manhã – por familiaridade e um desejo de se sentir inteiro.
Quando ele se mexeu, já acordado, dando beijos em sua bochecha, ela queria tanto aquilo, tão desesperadamente, que uma parte sensível e pulsante de seu coração já pranteava a decepção. Ela se virou para o lado oposto ao dele, deitando de lado – não querendo explicar como havia conseguido ficar tão extenuada antes mesmo do café da manhã. Ele se aninhou às costas de Isabella, embalando o corpo dela com o seu. A pose enfatizava todos os contrastes físicos entre eles. Os contornos rígidos do peito dele encostado nas costas de Bella. Os pelos das pernas de Edward tocando as coxas lisas dela. Por baixo do lençol, as mãos dele passeavam pelas curvas de Isabella com intenção sensual, possessiva.
Envolvendo a cintura dela com o braço, ele a puxou para perto. A excitação dele pulsou contra a região lombar dela.
- Bella... - ele suspirou, acariciando a curva de seu pescoço com o rosto. - Preciso de você outra vez. Você me quer?
Ela confirmou com a cabeça. Mas antes que pudesse se virar para ficar de frente, ele agarrou e ergueu sua perna, mudando de posição atrás dela. Sua dureza ficou entre as coxas dela. Ela ficou tensa, em dúvida.
- Está tudo bem. - Ele beijou o pescoço dela enquanto seus dedos desceram pela barriga dela, chegando até sua abertura. - Vou mostrar para você.
Ele acariciou sua intimidade com habilidade e paciência, até ela estar não só pronta, mas desesperada por ele.
- Me ame. - implorou Isabella. Porque ela podia falar essas palavras naquele momento, sem arriscar demais.
Ele pegou sua ereção com a mão, virou os quadris dela para o ângulo certo e deslizou para dentro. Ela estava dolorida por causa da noite anterior, mas ele foi delicado, segurando-a em seus braços e a amando com movimentos lentos e estudados. O calor doce entre eles cresceu e expandiu. Ela relaxou o corpo, ondulando com suas estocadas, de modo que se moviam como se fossem uma coisa só. Ele segurou seu seio e beliscou o mamilo. Então a mão dele deslizou pelo corpo dela. Isso. Mais baixo. Toque-me lá. Ele sabia o que ela queria. Edward pegou sua pérola com as pontas dos dedos e a massageou com círculos apertados, febris, até Isabella estremecer e gritar com prazer incomparável.
Quando o clímax dela diminuiu, ele saiu de dentro, e terminou com movimentos desesperados entre as coxas dela. Quando ele gozou, Isabella saboreou seu rugido baixo e selvagem.
- Bom dia. - Ela sentiu o sorriso dele em sua nuca.
- É mesmo?
O tom de voz dele mudou.
- Você acha que não? Preferia que nós não tivéssemos...
- Não. - Reunindo sua coragem, ela se virou para ficar de frente para Edward. - Eu não me arrependo. Não mesmo. Mas eu quero lhe garantir, caso isso precise ser dito... Eu não tenho expectativas. - Somente esperança. Esperanças tolas e ansiosas.
Ele piscou.
- Você não tem expectativas.
Ele devia entender o que ela estava querendo dizer.
- O que nós compartilhamos foi lindo. Mas eu não quero que você fique preocupado comigo, que eu esteja querendo mais.
- Ora! - disse ele secamente. - Quão generoso da sua parte!
- Você não está aliviado? - Ela não compreendia a contrariedade na voz dele.
Edward rolou, deitando de costas, e esfregou a ponta do nariz.
- Isabella, não consigo decidir qual de nós dois você está insultando mais. Depois da noite passada, você devia ter expectativas.
- Expectativas do quê? - ela engoliu em seco.
- De mim.
- Eu pensei que era você quem defendia que não devemos ter qualquer expectativa! Não é essa sua filosofia de vida? Você disse que expectativas levam a decepções. Que se não esperarmos nada, somos sempre surpreendidos.
A risada dele pareceu um latido.
- Nesse caso...
Ele se virou para ela. Seus olhos verdes brilharam intensa e perigosamente.
- Surpresa! - Ele beijou a ponta do nariz dela. - Você vai casar comigo!
Então, a Bella me surpreendeu por não querer cobrar nada dele, até mesmo porque ela já sabia onde estava se metendo, né não? Desculpem não responder as reviews hoje, mas estou numa correria danada em casa... Nos vemos no próximo sábado? Beijinhos!
