N/A: Mais um. :)

Boa leitura!


CAPÍTULO VINTE

Bella estava em sua sala, resolvendo algumas pendências para o Chá de Alice. O evento aconteceria no próximo sábado e, apesar de tudo estar indo bem, ela sempre verificava o andamento dos detalhes para que não houvesse nenhuma surpresa desagradável.

O serviço de buffet havia confirmado todos os itens do cardápio que ela e Alice haviam montado; o serviço de decoração entregaria as peças na sexta-feira à noite; Angela já estava com todos os doces encaminhados; e a florista tinha feito mágica e conseguira camélias saudáveis em pleno verão.

No que dizia respeito ao Chá de Alice, tudo estava indo bem.

Descartando mais um item em sua lista, Bella recostou-se na cadeira e massageou as têmporas. Estava feliz com o trabalho, mas também estava exausta. Apesar de que sua rotina tivesse mudado um pouco, agora que ela se mudara para a casa de Edward, Bella não acreditava que esse fosse o motivo de seu cansaço. Ela estava preocupada e ansiosa com o casamento de Alice, que cada dia ficava mais próximo, e essa preocupação e ansiedade sempre a deixavam exausta. O tempo que passava com Edward e Anthony a ajudava a relaxar. Eles sempre faziam alguma coisa diferente todas as noites, depois das tarefas e do jantar, que ajudavam tanto ela quanto Edward a aliviarem o estresse de seus dias de trabalho.

Era uma rotina familiar, em que eles haviam mergulhado natural e inconscientemente. Era uma rotina que eles não conseguiam evitar.

Por mais que Bella dissesse a si mesma que só estava vivendo na mansão porque Edward queria garantir sua segurança, ela não conseguia evitar que uma chama de esperança se acendesse cada vez que ia para a mansão e passava seu tempo livre com Anthony, conversando ou brincando com ele, e com Edward, ajudando-o com o filho, conversando com ele sobre coisas bobas, ou perdendo-se nele quando faziam amor.

Ela estava mergulhando naquela rotina. Estava começando a acostumar-se com ela, a ansiá-la quando o estresse a dominava. Mas Bella sabia que não era prudente.

Podia estar mergulhando sozinha.

Edward, ela pensou, era um homem maravilhoso. Ele se importava com ela, ouvia o que ela dizia e era carinhoso. Mas, agora que vivia com ele, os segredos que ele ainda mantinha tornavam-se ainda mais evidentes.

Havia momentos em que o homem atencioso e carinhoso, que se mostrava para ela e para Anthony cada vez mais, dava lugar a um homem sério, distante e sombrio. E não havia muito que ela pudesse fazer para alcançá-lo nesses momentos.

Edward simplesmente não conversava com ela sobre o que ocasionava suas mudanças de comportamento. E, porque prometera esperar, ela não insistia.

Mas, agora que estava vivendo tão próxima a Edward, agora que viva e ouvia coisas, ela sabia que estava chegando ao próprio limite de tolerância.

A atitude de Edward mudava sempre quando Emmett, às vezes acompanhado de Rosalie ou de alguém que ela não conhecia, aparecia para reuniões de última hora na mansão. Como naquela noite em que Bela jantara na mansão e depois fora embora porque Edward tivera um assunto urgente para resolver. Ou mesmo na noite em que a Eclipse foi incendiada.

Após quase um mês vivendo na mansão, Bella acabou descobrindo que aquelas reuniões aconteciam com frequência. Ela ficava pensando o que era tão importante nos negócios de Edward que demandava tantas reuniões de última hora.

Por algum tempo, imaginou que podia estar havendo alguma crise nas empresas de Edward, mas logo ela descartou essa ideia, pois, entre um murmúrio e outro, ela ouviu alguém mencionar a Eclipse e a palavra assassinato relacionada à boate. Uma vez que sabia que o incêndio não tivera vítimas, só podia imaginar que, se houvera assassinato, ele fora anterior ao incêndio.

Ela não ouvia o suficiente para entender a situação por completo. E, embora fosse tentador, recusava-se a ouvir atrás da porta. Ela era melhor do que isso.

Mas o fato era que o que Edward tanto conversava com Emmett à portas fechadas não era nenhuma crise financeira, mas, sim, assassinato.

As dúvidas que Bella tinha por ficar ouvindo pedaços de conversas tornavam sua paciência mais curta e ela sabia que não aguentaria ficar no escuro por muito mais tempo.

Edward também sabia que ela estava muito perto de querer saber a verdade. Ele nunca conversava sobre suas reuniões com Emmett. Ela nunca comentava o que ouvia. Mas ambos tinham consciência de que estavam apenas fingindo ignorância — Edward, para ganhar tempo; Bella, porque prometera esperar que ele lhe contasse seus segredos.

Essa era a parte complicada do relacionamento deles, pensou Bella. E era uma com a qual teriam que lidar logo, pois ela não aguentava mais ficar do lado de fora daquela porta.

O telefone tocou, sobressaltando-a. Bella pigarreou e atendeu no segundo toque.

— Isabella Swan.

— Bella, sua cliente das quatro horas chegou. — informou Leah do outro lado da linha. — Posso mandá-la entrar?

— Sim, claro. Obrigada, Leah. — Bella encerrou a ligação e respirou fundo, trazendo a mente de volta para o trabalho e para a nova cliente. Consultando sua agenda, verificou o nome da noiva em potencial.

Miranda Russo.

Com um assentimento, Bella alisou vincos imaginários na saia de seu vestido e, endireitando a postura, providenciou uma expressão agradável. A senhorita Russo tinha remarcado o horário — o que, Bella lembrou, causara estranhamento e frustração em Leah. A secretária dissera à Bella que Miranda Russo tinha sido muito insistente para conseguir um horário. Leah não se conformara quando a mulher ligou para remarcar.

Bella achara graça disso. Esses episódios de escritório a divertiam.

Ela ouviu alguém bater à porta e disse à pessoa que entrasse. Um segundo depois, quando a cliente entrou em sua sala, levantou-se com um sorriso educado no rosto e a mão estendida.

— Senhorita Russo.

— Senhorita Swan. — A mulher aceitou a mão de Bella e retribuiu o sorriso dela com um breve curvar de lábios. — Você não faz ideia de como eu estava ansiosa para conhecê-la.

Bella apenas sorriu.

— Por favor, sente-se. Gostaria de alguma coisa para beber?

— Não, obrigada. — disse ela, ocupando uma cadeira enquanto Bella fazia o mesmo. — Eu não pretendo demorar muito. Sua secretária disse que seus horários estão apertados.

— O tempo que temos será mais que suficiente. — garantiu-lhe Bella, com simplicidade.

Miranda esboçou um sorriso enviesado, malicioso.

— Tenho certeza de que será.

Bella manteve uma expressão agradável, mas alguma coisa no olhar daquela mulher a estava deixando inquieta. O cinismo que via brilhar nos olhos azuis de Miranda parecia deliberado e, por um instante, Bella pensou, direcionado propositalmente a ela.

Mas isso era loucura, disse a si mesma. Bella nem sequer conhecia aquela mulher.

— Então, senhorita Russo, já tem alguma ideia sobre o seu casamento? — quis saber Bella, deixando suas inquietações de lado, mantendo um tom amigável.

Miranda a fitou com um sorriso cínico nos olhos.

— Não estou aqui para falar sobre casamento, senhorita Swan.

— Ah. — Bella assentiu. — Ok. Então, está pensando em fazer seu Chá de Panela conosco?

— Não, não é isso. — respondeu a mulher, ainda com um sorriso enviesado.

Aquele jogo de palavras começava a irritar Bella. Ela fez uma pausa, buscando calma. Sua inquietação começava a se transformar em alerta.

— Por que está aqui, senhorita Russo? — perguntou Bella, tentando um tom educado, mas o evidente cinismo da mulher tornou sua voz áspera nas bordas.

O sorriso de Miranda ampliou-se.

— Estou aqui para falar sobre Anthony.

— Como é?

— Você me ouviu. Estou aqui para falar sobre Anthony. — A mulher repetiu. — Afinal, eu sou a mãe dele.

Bella ficou em silêncio por um longo instante, apenas digerindo a informação.

— Deve haver algum mal entendido, senhorita Russo.

Miranda arqueou uma sobrancelha.

— Por quê? Por acaso Edward lhe contou que eu estou morta? Essa é a história oficial, você sabe.

Bella não sabia nada sobre "a história oficial". Na verdade, ainda estava esperando que Edward lhe contasse sobre a mãe de Anthony. E, ao que parecia, pensou, ela tinha esperado tempo demais para ele lhe contar.

Queria acreditar que aquela mulher estava brincando com ela, mas sua intuição lhe dizia que Miranda Russo não estava brincando.

— Na verdade — disse Bella, preparando-se. —, nós ainda não conversamos sobre… você.

— Oh. — Miranda inclinou a cabeça para o lado, a expressão falsamente intrigada. — Eu pensei que você fosse importante para Edward — o suficiente para fazê-lo se abrir.

— Ele não estava pronto.

— Se eu o conheço bem, ele nunca estará. — replicou Miranda, em um tom arrogante.

Novamente, Bella se sentiu alarmada. Lembrava-se claramente do dia anterior, quando recebera mais uma ligação anônima e o homem misterioso lhe dissera exatamente a mesma coisa que Miranda Russo dizia agora.

Isso não parecia coincidência.

— Edward gosta de manter segredos, sabe? — continuou Miranda, alheia aos pensamentos de Bella. — Acho que isso o faz se sentir no controle. Faz com que ele se sinta poderoso.

— Acho que nós duas temos visões diferentes sobre Edward.

— Ah, senhorita Swan, não tenho dúvidas disso. Eu o conheço. Conheço de verdade. Sei de todos os segredos dele e dos Cullen. Eu sei quem eles são. Você… Bem, você conhece a fantasia. A família rica, generosa e gentil, o empresário bem sucedido, com um filho adorável, e que está apaixonado por você. — Ela suspirou. — É uma visão melhor que a minha, admito. Mas não é a completa.

Bella crispou os lábios, odiando o ar de superioridade de Miranda Russo.

— O que eu não sei, Miranda?

A outra mulher esboçou um sorriso enviesado.

— Tem certeza de que quer saber? — perguntou. — Tem certeza de que não prefere ser tão inocente e encantada quanto Anthony?

— Diga logo. Nós duas sabemos que foi para isso que você veio aqui.

— Achei melhor dar a você a chance de escolher. — Ela deu de ombros. — A verdade, senhorita Swan, é que o homem com quem você se envolveu, com quem eu tive um filho, é um dos mafiosos mais importantes de Chicago.

Novamente, Bella ficou em silêncio, observando a mulher à sua frente e processando o que ela lhe dizia. Então, soltou uma risada baixa, na esperança de soar despreocupada, mas podia ouvir o nervosismo no som.

— Mafioso? — replicou Bella, arqueando uma sobrancelha, a expressão cética. — Onde você acha que está, Miranda? Isso não é um romance criminal, nem uma produção hollywoodiana da década de quarenta.

Miranda moveu os ombros.

— Estou dizendo a verdade a você, Isabella. Ao contrário de Edward.

Bella respirou fundo, impaciente.

— Quem mandou você aqui?

— Alguém do passado de Edward. — Foi a resposta de Miranda. — Ele atende pelo apelido de Russo agora. Mas isso é tudo que vou dizer a você, Isabella. E, devo acrescentar, não é muito. Edward já sabe o nome e não conseguiu nada sobre ele em lugar nenhum. — Ela sorriu, sentindo prazer em dizer aquilo. — Russo é simplesmente muito melhor que Edward. Em muitos aspectos.

Bella fez uma careta, enojada.

— Por que você está me dizendo a verdade? O que diabos você vai ganhar com isso?

— Isso é comigo. — replicou Miranda. — Tudo o que você precisa saber é que minha função aqui é informá-la do lado criminoso da família Cullen.

Uma ideia surgiu na mente de Bella, fazendo uma pontada de pânico atravessá-la.

— Você quer o Anthony?

Os olhos de Miranda brilharam, perigosos.

— Sim. — Ela disse. — Eu quero o meu filho. Sempre quis. Mas Edward o tirou de mim. Por isso, eu vou pegar Anthony de volta.

— Por que? Por que Edward o tirou de você? — quis saber Bella, observando as emoções que Miranda esboçava. Ela parecia furiosa, perigosa e magoada. Era o olhar que uma mãe separada do filho poderia expressar, pensou Bella e sentiu o coração pesado. Não poderia defender Edward se descobrisse que ele fora capaz de afastar Miranda e Anthony.

— Porque Edward é egoísta e, como eu disse, gosta de se sentir no poder. Ele não queria que Anthony crescesse sob a minha influência. Ele me obrigou a viver naquela casa, como uma prisioneira, e, quando meu filho nasceu, me mandou embora.

— Não. — Bella tinha dúvidas se a voz tremeu de fúria ou medo. — Edward não seria capaz de algo assim.

— Mas ele foi. — replicou Miranda. — Ele não tem coração. Se você achou que ele tinha, enganou-se. Diga-me, ele alguma vez falou sobre amor com você?

Bella sentiu aquela pontada de pânico de novo, o coração apertou-se, e tentou impedir que medo e mágoa a dominassem. Ela mudou de posição na cadeira. Detestava o fato de que Miranda parecesse saber e ler tantas coisas em relação ao comportamento de Edward.

— Meu relacionamento com Edward não é da sua conta. — disse Bella, com uma frieza e superioridade que estava longe de sentir. Queria poder enxotar aquela mulher de sua sala e esquecer essa conversa.

— Você não precisa ficar irritada, Isabella. Só estou aqui para ajudá-la. Sei que está curiosa sobre Edward e que vai ouvir o que ainda tenho a dizer. Ou melhor, sei que vai ver o que tenho a mostrar para você.

— E o que você tem para me mostrar?

— Um endereço. — Miranda ergueu um papel que estava em suas mãos, deslizou-o pela mesa na direção de Bella. — Um endereço onde você poderá confirmar o que eu disse sobre as atividades criminosas de Edward. Vá à esse lugar hoje, daqui mais ou menos meia hora, e você encontrará Edward lá. Procure um pequeno edifício de tijolos vermelhos, o único desse tipo na rua, e você verá que não estou mentindo.

Bella não queria aceitar aquela folha de papel. Não queria acreditar nas coisas que aquela mulher dizia. Queria poder voltar no tempo e impedir que esse dia acontecesse.

Mas ela não tinha, nem nunca tivera o poder de impedir que aquela conversa com Miranda Russo acontecesse.

Encarando seu destino, Bella aceitou o papel.

Tinha recebido a ajuda que não desejava.

— ~ —

Bella ainda ficou um tempo em sua sala, depois que Miranda Russo lhe deixou com um endereço e um milhão de suposições rondando-a. Então, leu o papel e descobriu que não fazia ideia de onde ficava o local sinalizado ali.

Fechando os olhos, ela inspirou e soltou o ar várias vezes.

Odiava o fato de que aquela mulher estivesse certa, mas estava curiosa demais para ignorar o simples pedaço de papel que tinha em mãos.

Decidida, Bella deixou as dependências da PW a passos apressados, dizendo à Leah que cancelasse todos os seus compromissos daquela tarde.

Ela encontrou Cyrus ao lado do carro, observando a movimentação da rua com um olhar aparentemente distraído.

Assim que ela se aproximou, porém, ele assumiu um ar completamente profissional.

— Senhorita Swan.

— Cyrus. — disse Bella e acrescentou: — Nós vamos sair.

— Para onde, senhorita?

— Preciso que você me leve a esse lugar. — disse ela, estendendo o papel com o endereço na direção de Cyrus.

O motorista franziu o cenho diante do tom ríspido, mas não fez nenhum comentário e aceitou a folha de papel.

Quando ele leu o endereço, arregalou os olhos, chocado. Essa era a primeira vez, em muito tempo, que reagia com parcialidade diante de algo fora da rotina.

— Senhorita Swan. — disse Cyrus, e até seu tom de voz estava diferente. — Eu não posso… Não posso levá-la a esse lugar.

Bella o encarou. Podia ser bem mais baixa que Cyrus, mesmo de salto, mas a determinação e o perigo em seus olhos não deixavam espaço para que fosse subestimada.

— Está bem. Eu pego um táxi. — replicou ela, virando-se e preparando-se para se afastar do carro.

— Não. Senhorita Swan… — Cyrus a chamou e esperou até ela voltar a fitá-lo. Sabia que não seria capaz de convencê-la a mudar de ideia. Também sabia que seria muito pior se permitisse que ela fosse de táxi. Edward Cullen podia respeitá-lo e estimá-lo por seu trabalho, mas nem ele sairia ileso se a deixasse ir sozinha. Mesmo com as próprias ressalvas, mesmo sabendo que qualquer que fosse sua decisão, ela não agradaria o patrão, Cyrus reassumiu o tom impassível, a pose disciplinada, tomou uma decisão e disse: — Meu trabalho é acompanhá-la, senhorita Swan. Então é isso que vou fazer.

Bella assentiu, soltando o ar que não percebera estar prendendo.

— Obrigada, Cyrus. — disse ela, sentindo-se aliviada. Estava mesmo disposta a ir de táxi, se Cyrus não quisesse acompanhá-la, mas alguma coisa lhe dizia que, para aquele passeio, seria melhor estar acompanhada de alguém como o motorista.

Cyrus abriu a porta para ela.

— Senhorita Swan. — O motorista a chamou, antes de ela embarcar, e continuou quando ela o fitou: — Por que quer ir a esse lugar?

Ela estava indo para obter respostas, confirmações, mas uma parte delas já estava estampada na expressão do motorista, assim como na relutância inicial dele em levá-la até aquele endereço.

Expressando uma confiança que estava longe de sentir, Bella encarou o motorista e respondeu:

— Você sabe por que, Cyrus.

— ~ —

Como sempre, o carro de Edward, o reconhecimento do que ele significava, manteve os problemas daquela rua decadente longe do veículo.

Bella não disse nada quando Cyrus entrou na rua perigosa e seguiu para um dos últimos edifícios baixos no fim da mesma. Ela apenas observava e sentia suas esperanças abandonarem-na a cada avanço que o carro fazia. Por um instante, ela quis acreditar que Miranda Russo tinha armado alguma coisa para ela e a fizera ir aquele lugar barra pesada apenas para ter problemas. Mas, então, essa esperança vã acabou quando ela percebeu que Cyrus dirigia com perícia, sem nunca consultar o endereço que ela lhe entregara, ou vacilar diante das estranhezas do bairro em que estavam.

Ele até podia ser um bom motorista, mas ela sabia que nem caminho, nem o que havia nele, eram novidade para Cyrus.

O motorista estacionou o veículo em frente a um prédio de tijolos, que era o mesmo da descrição de Miranda. O motorista saiu do carro e abriu a porta para Bella. Geralmente, ela não teria esperado até ele fazer isso para sair do carro. Mas ela estava nervosa e receosa demais para se importar em ser autossuficiente naquele momento.

Quando Bella saiu do carro, ela não percebeu a reação de surpresa nas expressões daqueles que ocupavam a calçada do outro lado da rua. Eram donos ou frequentadores dos estabelecimentos clandestinos, que funcionavam dentro das edificações aparentemente precárias daquela rua, mas todos ali não esperavam que uma mulher saísse daquele carro.

Ela não sabia, mas surpresa era a única reação que aquelas pessoas ousariam ter diante de sua presença ali. Se tivesse reparado nas pessoas, talvez ela fosse sentir receio. Mas o que ela também não sabia era que não havia nada a temer.

Afinal, ela tinha acabado de sair do carro de Edward Cullen.

Cyrus a levou até uma porta e digitou um código — não o mesmo de Edward, pois não tinha acesso a esse.

O código de Cyrus só lhe dava acesso a uma conversa pelo interfone, mas, após algumas palavras e gírias que Bella desconhecia, ela e o motorista foram admitidos no prédio.

Bella também não sabia, mas essa entrada facilitada não era algo comum no estabelecimento de Aro Volturi. O acesso à parte interna era concedido a apenas pouquíssimas pessoas. Nunca apenas a motoristas, seguranças ou subordinados. Muito menos sem aviso prévio, como era o caso daquela visita dela.

Mas, raridade ou não, o fato era que Bella e Cyrus entraram no lugar e encontraram o próprio Volturi esperando por eles no corredor que levava a área do bar.

— Senhorita Swan. — disse Aro, saudando-a com entusiasmo e camaradagem, como na noite do baile beneficente, fazendo parecer como se eles fossem conhecidos de longa data. — Devo dizer: estou surpreso por vê-la aqui.

Bella não gostava daquele homem. Não gostava da simpatia exagerada dele desde o baile. Gostava menos ainda agora, ao saber com o que ele estava associado. Tinha sentido um estranhamento em relação a Volturi e, percebeu, não estava errada quando sentira que não podia confiar nele.

Curioso que seu radar de desconfiança funcionara com Aro Volturi, mas não com Edward. Afinal, ao que tudo indicava, ambos faziam parte do mesmo mundo e, teoricamente, eram perigosos.

Com seu radar funcionando ou não, ela decidiu que, ao menos com Aro, retribuiria o ar amigável dele com distanciamento.

— Estou procurando por Edward, senhor Volturi. — Ela foi direto ao ponto, o tom distante, desencorajando qualquer tipo de camaradagem. — Fiquei sabendo que ele estaria aqui.

— Ah! — exclamou Aro, a frieza dela batendo nele e voltando, mas não sem tornar seu olhar mais escuro. Sua voz, porém, continuou alegre e amigável. — Temo que ele esteja atrasado. Nós temos uma reunião, que devia ter começado dez minutos atrás.

— Entendo. Você se importa se eu esperar?

Ele simulou uma expressão surpresa.

— Por que, senhorita Swan? Problemas no Paraíso? Você me parece um tanto… nervosa.

Bella o ignorou.

— Posso esperar por Edward aqui ou não, senhor Volturi?

Ele a encarou, os olhos tornando-se escuros e perigosos por um instante. Ela era tão arrogante e superior quanto Edward Cullen, pensou. E ela nem era uma Cullen ainda. Aro estava cansado da arrogância dos Cullen.

Mas seu tom agradavelmente falso permaneceu.

— É claro que pode esperar aqui, senhorita Swan. — Ele sorriu, tão cínico e malicioso quanto uma serpente. — Afinal, não é todo dia que conto com a presença da Primeira-Dama no meu estabelecimento.

— Meu nome é Isabella Swan, senhor Volturi. Não carrego nenhum título.

Aro riu baixinho, com deboche, mas não o manteve por muito tempo. Ele a observou, analisando-a com a mesma superioridade de Miranda Russo.

— Você ainda não sabe mesmo como isso aqui funciona, não é, senhorita Swan?

Bella estava cansada de perguntas retóricas e observações maliciosas sobre sua aparente inocência e falta de conhecimento.

— Sobre o que você está falando, senhor Volturi?

— Sobre a mesma coisa que a trouxe aqui, senhorita Swan. — replicou Aro e, porque reconhecia a tempestade nos olhos castanhos dela, resolveu recuar. Queria que toda aquela fúria fosse direcionada a Edward. E esperava que estivesse por perto para presenciar a cena. — Por favor, senhorita Swan, fique à vontade.

— Obrigada. — murmurou Bella, rigidamente, feliz por encerrarem aquela conversa entremeada de enigmas. Queria mesmo era conversar com Edward.

Ela ocupou lugar em uma mesa de canto.

Então, cruzando as mãos sobre a mesa, com Cyrus em pé, ao seu lado, ela esperou.

— ~ —

Porque sua conversa com Tanya Denali havia levado mais tempo do que ele esperava, Edward estava vinte minutos atrasado para uma reunião com Aro. Como resultado, estava aborrecido. Detestava atrasos, especialmente no que dizia respeito a um encontro com alguém como Volturi, mas tentava dizer a si mesmo que era por uma boa causa.

Edward tinha certeza de que Tanya não seria mais um problema. Sua ameaça tinha surtido efeito nela, apesar de que ela tivesse fingido superioridade e mantivesse uma expressão furiosa quando deixara seu escritório. Mas Edward não a temia. Ela era do tipo que planejava uma vingança sem considerar nenhuma variável e esse tipo de vingança sempre acabava destruída por alguém melhor.

Satisfeito, mas ainda aborrecido, ele entrou nas dependências do escritório de Aro e foi abordado pelo próprio ainda no corredor de entrada.

— Edward, eu sinto muito. — Aro veio dizendo, a expressão apologética, o olhar desolado. — Houve uma falha na segurança, mas quero assegurá-lo de que já me livrei dos incompetentes responsáveis por esse erro.

Edward franziu o cenho, o olhar impaciente.

— Do que você está falando, Aro?

— Bem, você sabe… — Ele faz um gesto de mãos.

Edward acompanhou o gesto, sua expressão impaciente de antes dando lugar a uma de completa perplexidade.

— Bella.

Ela sustentou seu olhar.

— Olá, Edward.


N/A: Parabéns para quem especulou e acertou. Vocês são divas. :) Por favor, comentem.

Ps.: Próximo post será em 22-07 (quarta-feira).

Ps².: Não sei quantos capítulos a história vai ter, mas pretendo terminá-la antes do fim desse mês.

Ps³.: Leitoras novas (e 'velhas' que ainda não sabem), eu posto avisos e prévias de capítulos no meu facebook. Quem quiser, o link está no meu perfil.