Capítulo XXI

A Espada e Queda Divina

Forkres disparava flechas com velocidade contra Lyfnos, mas de cinco flechas que lançou, apenas uma acertou seu alvo e ele se aproximava em forma de sombra deixando impossível que qualquer flecha o acertasse.

Kold estava tendo mais sorte em sua luta contra Hiaryham, os dois travavam uma disputada luta de espadas, Kold o golpeou com sua espada negra, mas foi bloqueado pela espada de Hiaryham, logo em seguida lançou outro golpe com mais força e velocidade que não pôde ser defendido, ele cambaleou para trás com um corte superficial no tórax.

Sheik levantou-se lançando um último olhar a Colley e então foi ajudar Forkres, Lyfnos, como sombra, agarrara seu tornozelo com uma mão negra que saia de sua sombra no chão, ela forçava e chutava, mas não conseguia se desvencilhar:

– Te peguei como a uma rata! – Exclamou ele com outra mão saindo da sombra, essa com uma lança.

Sheik golpeou os dois pulsos com suas mãos nuas, Lyfnos soltou uma exclamação e largou-a.

Neste exato momento Zelda chegou e analisou a situação, Kold estava em uma boa luta, muito boa na verdade, estava com um pequeno corte no rosto e outro no braço, já Hiaryham estava sem um braço e perdia muito sangue dourado que já formava uma poça no chão.

– Você não deveria lutar contra seu mestre, Kold! Vai ser punido por isso! – Exclamou Hiaryham que recuava dentando se defender de Kold com apenas um braço.

– Você não é mestre nem de porcos! – Exclamou Kold em meio a um golpe frontal que perfurou o Hiaryham, ele girou a espada e degolou-o pondo um fim definitivo a sua vida.

A Terra das Deusas estivera um caos nos últimos anos, houve discórdia entre elas e Din exilou-se no mundo terreno, mas pouco a pouco elas voltavam a se entender, depois de uma batalha violenta entre Din e Farore no mundo terreno, Nayru acalmou as duas e as ajudava a se entenderem.

Ganondorf também fora contaminado por isso e logo voltou a ser o que originalmente era, fingindo ainda ser um bom ser esperando o momento certo.

Parecia que ele finalmente havia chegado: Din e Farore estavam ainda feridas por causa de sua batalha e Nayru estava igualmente cansada por ter de cuidar e acalmar as duas.

No início o que ele queria era a Triforce, mas depois desses seiscentos anos viu que poderia fazer algo muito maior e de muito mais impacto, com todo o poder que tinha agora ele podia matar as três deusas.

Esse seria o golpe aterrador para o mundo terreno, sem as deusas o caos iria se espalhar e ele poderia facilmente dominar tudo sem precisar da Triforce para isso.

Ele preparara uma lâmina para isso, forjada no calor da lava da montanha que fora o lar de Din, Banhou-a na seiva das árvores da floresta em que vivera Farore e mergulhou-a n água do lago em que morara Nayru.

Ganondorf sabia que todas estavam alojadas em uma caverna que ficava exatamente no centro daquele lugar estranho.

As deusas suspeitavam dele já há anos atrás, mas imaginavam que quando o feitiço de purificação delas se acabasse ele iria destruir tudo até conseguir voltar para Hyrule, mas jamais em nenhum momento suspeitou que ele teria a coragem e ousadia para arquitetar um plano para destruir as deusas.

Din e Farore estavam deitadas na caverna, preocupadas em gastar suas forças em manter o que construíram há tanto tempo atrás, Nayru dividia essa tarefa com a de alimentá-las com uma água enfeitiçada que curaria seus ferimentos.

Ocupadas, não notaram o vulto que se esgueirou para dentro da caverna, Nayru estava curvada sobre Din obrigando-a a beber a água esverdeada.

Farore então o viu erguendo a espada sobre as outras duas, mas estava sem forças e tudo que pode fazer foi soltar um som sem qualquer significado.

A espada atravessou as duas, somando ao golpe o poder da Triforce, elas não soltaram nenhum som, mas a caverna ficou impregnada por brilhos azul e vermelho, que foram diminuindo até virarem pequenas bolinhas brilhantes.

Farore não conseguiu se mexer quando o viu se aproximando, ele deu um golpe vertical e como as outras, virou uma bolinha verde brilhante.

As três grandes deusas de Hyrule foram reduzi.das em três pequenas bolinhas brilhantes coloridas que Ganondorf colocou no bolso, o que traria conseqüências catastróficas.

Com Hiaryham derrotado, Kold foi até Lyfnos, que estava se saindo muito bem contra Forkres e Sheik.

Ela deu um passo para trás e lançou uma flecha, que perfurou o coração dele.

Ele virou uma sombra e se materializou novamente totalmente reconstituído. Sheik golpeou sua nuca cós as mãos, mas ele simplesmente virou a lança para trás e rasgou a pele do braço do outro

Kold golpeou com sua espada e conseguiu decepar a mão de Lyfnos, mas novamente se tornou uma sombra e recuperou o membro perdido.

Ele parecia não poder ser derrotado por nada, a batalha continuou, com três contra um e o um vencendo.

– Adivinhem? – Exclamou Lyfnos sorridente. – Sabem qual é o único meio para me derrotar? – Os olhares de ódio dos quatro responderam sua pergunta. – Isso mesmo! Nenhum! Eu sou imortal! – Ele gargalhou alto.

A gargalhada foi morrendo no silêncio daquele lugar e exatamente quando ele se calou completamente seis luzes apareceram rodeando a batalha.

Os Sábios estavam todos reunidos lá, de Stenka a Saria e todos os encararam muito surpresos, Rauru começou a falar:

– Algo horrível aconteceu. – Disse ele com uma voz pesada vocês precisam voltar para Hyrule.

– Como? – Perguntou Zelda hesitante.

– Você precisa acordar o Kanenkai da Destruição e fazer com que ele destrua esse mundo completamente. – Disse Darunia. – Tenho certeza de que ele pode.

Isso era absurdo. Todos estavam pensando isso, menos Lyfnos que sabia que era verdade.

Zelda sabia que não era certo discutir, eles não tinham motivos para discutir, afinal eles não diriam aquilo se não fosse verdade.

Sem dizer nada ela começou a correr para o penhasco, onde Kanahyor ainda estava desacordado. Um pouco de magia seria necessária.

Ela ergueu a mão na direção dele e usou a Triforce, ela caiu de joelhos no chão e ele se mexeu.

Lyfnos a seguira como uma sombra e os outros o seguiram também, ele já os estava quase alcançando.

Ele sentou-se no chão e olhou para ela, que tentou explicar a situação em poucas palavras:

– Kanahyor! – Exclamou ela desesperada. – Precisamos de você! Descobrimos que o único meio de sair daqui é destruindo esse mundo inteiro e só você pode fazer isso!

Ele olhou em volta sem dar sinais de entendimento, mas Lyfnos se materializou atrás de Zelda e a puxou para trás, ele se levantou em um salto.

– Não adianta! – Disse Kold correndo na direção deles. – Ele não pode ser derrotado!

Mas ele já estava decidido, ergueu a mão para Lyfnos e ele simplesmente desapareceu.

Os outros três chegaram com olhares perplexos:

– O que você fez? – Perguntou Zelda.

– O Enviei para um lugar onde ninguém o encontrará. – Respondeu calmamente, os Sábios apareceram em seu círculo brilhante:

– Uma magia simples, muito bem. Mas agora precisamos de todo o seu poder e o da Triforce também. – Disse Rauru. – Você precisa destruir essa dimensão completamente. Ela não é maior do que Hyrule e é frágil, não será difícil. – Ele pausou olhando para o outro, sabia que era odiado e não se importava. – Quanto a vocês, – Disse virando-se para os quatro. – Vocês devem vir conosco, fiquem bem no centro do círculo.

– Então busque o Colley primeiro. – Disse Forkres para Kold. – Ele deve estar muito ferido e precisa de cuidados.

Kold começou a caminhar na direção de Colley, a atmosfera ficou pesada, ele notou isso em Sheik e Zelda. A cada passo que dava mais percebia o que encontraria no final, na metade do caminho, parou.

– Ele está morto. – Disse Sheik sombriamente. – Morreu lutando para salvar a Princesa. Sinto muito. – Acrescentou.

Kold ficou calado, mas se voltou para trás e foi até eles. Zelda se sentiu muito mal naquela hora, estava sentindo toda a culpa pesar sobre ela, não fora culpada, mas não conseguia afastar esse sentimento.

Todos, menos Kanahyor se posicionaram no centro do círculo que os Sábios formavam e com um brilho multicolorido foram para a Câmara dos Sábios.

Ele ficou parado por alguns segundos e depois foi em direção ao centro da depressão, onde estavam os corpos de Colley e Hiaryham.

Havia duas poças de sangue no chão, um dourado e o outro vermelho, Kanahyor ficou entre os dois e colocou uma mão em cada poça.

O chão começou a rachar e das rachaduras saia um brilho prateado, ele sentiu a dor de sua magia, mas tinha que se forçar a continuar. Começou a usar o poder da Triforce do Poder.

Pedras começavam a se levantar do chão e desapareciam em uma nuvem prateada, Kanahyor caiu de joelhos no chão tentando não desmaiar com a dor colossal que sentia agora. Pedras cada vez maiores, até que tudo se tornou uma luz prateada e ele caiu no meio dela.

– Há uma emergência, terrível! – Disse Saria. – Algo que jamais poderíamos prever! – Ela estava chorando.

Eles já haviam esquecido o problema dos Sábios, Kold também chorava silenciosamente, por outro motivo e todos sentiam a dor dele.

Nenhum dos seis ligava para a morte de Colley, não chegaram a conhecê-lo, tinham um problema muito maior:

– Eu sei que vocês têm seus próprios problemas. – Disse Stenka. – Mas a coisa mais terrível aconteceu, Zelda. As deusas estão mortas!

A frase não surtiu o efeito desejado, Zelda, Kold e Forkres não prestavam atenção neles e não ligaram ou entenderam o que ela disse.

– Vocês entenderam o que ela disse? – Exclamou Ruto, mas não obteve resposta. Ela chamou o nome de cada um gritando muitas vezes até que obteve a atenção deles.

– Farore, Din e Nayru foram destruídas! – Berrou Nabooru. – É difícil compreender isso?

As palavras dela entraram na cabeça de Zelda e ecoaram até ela conseguir assimilar o significado da frase:

– O que? – Exclamou ela em um, berro surpreso. – Como isso é possível?

– Elas não estão mortas, é verdade. – Disse Rauru em um tom urgente. – Mas elas não podem fazer nada e não estão cumprindo suas tarefas celestiais! Veja!

O símbolo da Triforce abaixo deles sumiu e no lugar apareceu um lugar que ela conhecia, a Montanha da Morte, havia muita fumaça sobre ela e rios de lava caiam em direção à Vila Kakariko.

A imagem mudou, uma praia, ondas violentas e gigantescas invadiam uma cidade litorânea e destruíam tudo, a imagem mudou novamente, uma floresta em chamas, queimando rapidamente, o Símbolo voltou, cessando as imagens.

Eles ainda encaravam o chão, chocados, Forkres foi a primeira a falar:

– Eu não conheço muito sobre essas Deusas, como isso aconteceu?

– Zelda já deve ter lido sobre Ganondorf, também conhecido como Novo Deus ou Rei do Mal. Há seiscentos anos atrás ele foi enfeitiçado pelas deusas e pelo poder da Triforce, acalmando sua maldade. – Saria falava com pesar. – Agora isso acabou, ele criou uma espada especial e atacou as três enquanto estavam vulneráveis. Ele está com o que restou delas. Vocês precisam recuperá-las!

Ao dizer isso Kanahyor apareceu caído no chão, Zelda foi até ele, mas os outros não deram a menor atenção.

Kold se sentiu tentado a pisar na cabeça dele, matá-lo, não culpava a Princesa pela morte de seu amigo e sim a ele. Sabia que se ele não estivesse Zelda e Colley podiam ter fugido, conteve sua raiva e tentou se concentrar no enorme problema que iriam ter.

– Ele está no topo do Palácio Agulha, é para lá que nos os enviaremos, mas antes vamos curar o Kanenkai da Destruição. Se ele puder salvar a todos será a prova definitiva de que estávamos errados.

– E ele vai. – Disse Zelda decidida. – Eu disse desde o início.

Os seis sábios emanaram uma luz multicolorida e os quatro começaram a subir.

– Uma última coisa. – Disse Rauru lá de baixo. – Estejam preparados para mais de uma batalha.

Eles chegaram, estavam sem dúvida no Palácio Agulha, a sala era estreita e as paredes curvas formavam um cone que se fechava no alto.

Kanahyor estava de pé e olhava para o quinto ocupante com um olhar que poderia ser de surpresa, no mesmo segundo todos repararam nele.

Ele era alto e tinha uma pele escura, olhos e cabelos alaranjados, vestia uma armadura negra e uma capa vermelha, mas o que chamou a atenção de todos foi sua mão direita, havia nela o símbolo da Triforce, completo.

Zelda reconheceu-o de uma das figuras do Livro, era Ganondorf.