Capítulo 21

Eu acordei sentindo uma leve caricia na cabeça, era leve e um pouco desajeitada, incerta, mas eu sabia que era a maneira dele de me demonstrar carinho. Eu estava com a cabeça em seu peito e uma das pernas entre as dele, e ele se encontrava meio sentado, meio deitado, porém nada disso parecia importar para Sesshoumaru, e para ser sincera, nem para mim. Eu o acariciei no peito levemente, ele estava sem a parte de cima do kimono, o que me permitia sentir a pele dele. Eu estava muito feliz, porque ontem eu tive a confirmação de que algo acontecia entre nós, mais precisamente um relacionamento de verdade. E sabia que para ele, era algo muito complicado, porque eu sou uma humana... Coisa que ele mais diz odiar no mundo.

O afago de minha cabeça foi para as minhas costas. E eu continuava a acariciá-lo levemente no peito. Eu devo admitir, Kouga estava certo afinal de contas. Meu amor realmente se encontrava nessa Era, mas convenhamos, eu nunca pensaria em Sesshoumaru... Nem mesmo em meus sonhos! Entretanto, do fundo do meu coração eu estou muito feliz, porque talvez – somente talvez – eu poderia ter uma família e alguém que me ame... Mesmo nosso tempo de vida sendo diferente, a minha vida passando como um piscar de olhos comparada a dele, eu desejo viver com ele, e fazê-lo feliz, da maneira como eu posso, da maneira como se deve... Mesmo em minha curta vida como uma humana.

— No que tanto pensa? — A voz grave me retirou de meus devaneios. Eu abri os olhos, fitando a leve claridade que adentrava a cabana, ou o que conseguia dela. Olhei para o rosto dele e Sesshoumaru me observava, com os olhos levemente cerrados. Eu me apoiei no braço, ficando da altura de seus olhos — Estás agitada — ele disse me olhando melhor.

— Em nada... — eu disse dando um sorriso para ele, tentando fazê-lo deixar isso pra lá. Mas o olhar que ele me lançou, me fez mudar de idéia e falar para ele, afinal a última coisa que eu quero é ter Sesshoumaru zangado comigo — Não fique bravo — eu disse o olhando um pouco séria, mas suavizei o olhar, me sentando na cama de frente para ele. Sesshoumaru me imitou e se apoiou a parede — Sei que é cedo para se pensar nessas coisas — eu estava envergonhada, pensamentos bobos — Mas eu estava pensando no tempo de nossas vidas — Sesshoumaru pareceu um pouco chocado com meus pensamentos e depois franziu o cenho, como se tentasse entender, resolvi explicar — A minha passa como num piscar de olhos, comparada a sua.

— Não diga bobagens Kagome — ele disse me olhando irritado e sério, muito sério — Você e Rin ficam com esses pensamentos bobos.

— Mas não é bobo Sesshoumaru — eu disse dando um sorriso e lhe acariciando o rosto — Somos humanas e sabemos que temos uma vida curta, não há muita coisa que possa ser feita...

Ele segurou em minha mão, me olhando nos olhos. Sério — Não vou permitir — ele disse voltando a posição inicial, como se não houvesse acontecido nada — Esqueça isso.

Eu somente sorri. Sesshoumaru é tão acostumado a ser sozinho e a não ter contato com humanos, que se esquece da ordem da vida, mas não irei aborrecê-lo mais com isso, eu sei como isso vai acabar e aceito como deve ser. Ele parecia contrariado agora – muito contrariado -, mas eu sabia que ele deve estar pensando no que eu disse. Eu ajeitei meu kimono que estava levemente amassado, e dei um jeito no cabelo, os deixando soltos mesmo. Eu deixei Sesshoumaru no mundo dele, não disse mais nada, mas quando fui me levantar, ele me segurou na cintura — Não... — ele disse me trazendo para ele, apoiando minhas costas no peito dele e me sentando entre suas pernas.

Ele parecia estar agitado, eu sentia isso. No que será que ele estava pensando? Parecia deixá-lo aflito e frustrado. Eu fiquei ali com ele, somente sentindo a cabeça dele apoiada no meu ombro, sem dizer nada. Peguei uma mecha do cabelo dele e comecei a brincar com ela, o deixando pensar no que quer que fosse. Não sei quanto tempo ficamos assim, mas eu sentia que ele estava mais calmo.

— Eu preciso ir... — eu disse atraindo a atenção dele para mim — Tenho que ir até Takeo... — ele apertou em minha cintura levemente, e eu não entendi o que aquilo quis dizer — Preciso de Joyeuse, para irmos atrás de Yokoyama.

— Ele disse que a traria — Sesshoumaru disse somente. Eu entendia que ele queria ficar mais um tempo comigo, porque ele não gosta de mostrar afeição em publico e nem parecer idiota por ter se apaixonado por uma humana, na verdade, ele me fazia perceber que ele era muito carente. E que a barreira de frieza dele, parecia ceder um pouco quando estava comigo. No fundo eu sabia que ele se sentia muito solitário. Soltei-me do aperto dele, me virando de frente para ele – ajoelhada entre suas pernas – afaguei o rosto dele, e depois o beijei. Mostrando para ele que eu estava aqui, que ele podia contar comigo, e que eu o amo.

Eu me afastei dele, olhando naqueles âmbares que eu tanto amo, e sorri para ele — Logo poderemos ficar juntos todo o tempo que você quiser — eu disse acariciando o rosto dele novamente — Mas por enquanto precisamos derrotar Yokoyama... Ele não me deixará em paz... — eu disse um pouco sentida, ainda estava preocupada quanto a isso, aquele último ataque me deixou receosa — Por isso quanto antes nos livrarmos dele... — deixei a frase morrer ali.

— Não permitirei que ele a machuque novamente — ele disse acariciando meu rosto novamente — Esse Sesshoumaru promete — ele disse me dando um selinho, como se fosse um pacto, só nosso. Eu assenti a ele, me levantando em seguida. Ele vestiu a parte de cima do Kimono e colocou a estola novamente, me seguindo em direção ao vilarejo. Eu segurei na mão dele, e ele não se opôs. Muito pelo contrario, ele segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.

Quando chegamos ao vilarejo, muitos pares de olhos se voltaram para nós, e eu sabia que ele odiava isso, por este motivo eu fiz menção de soltar a mão dele quando o fiz, ele segurou um pouco mais forte, deixando claro que não queria. E o olhar de advertência me confirmou isso. Seguimos para a cabana da vovó Kaede, e de longe eu podia avistar todos os meus amigos do lado de fora, eles estavam sentados espalhados por ali, e próximo do lago Rin e Shippou brincavam. Kirara estava com eles, os observando.

Todos meus amigos se voltaram para mim e eu podia ver o quão chocados eles estavam. Menos Sango, essa estava dando um sorriso. Eu me aproximei com Sesshoumaru ao meu lado e ele ainda segurava em minha mão. — Olá pessoal — eu disse me sentando perto deles, e Sesshoumaru se afastou, se sentando próximo as crianças, as observando em seguida.

— Onde você estava? — Inu-yasha perguntou olhando de canto de olho para Sesshoumaru — Estávamos preocupados com você... — ele disse olhando para mim — Pensamos que tinha acontecido algo.

— Porém Sango disse que você estava bem — Miroku disse acariciando as costas dela — E parece que ela estava certa, não? — ele disse me olhando de forma como se sugerisse algo. Miroku sendo pervertido, como sempre.

— Eu estava bem mesmo, estava com Sesshoumaru — eu disse dando de ombros, para mim aquilo não era nada demais — Ele irá conosco agora, em busca de Yokoyama, quanto mais pessoas melhor — eu disse os olhando, e claro Inu-yasha protestou.

— Ele não precisa ir — ele disse irritado, Kikyou ao lado dele balançou a cabeça em negativa — Podemos chamar o Kouga! — ele disse apontando para uma direção qualquer, como se simbolizasse a tribo do leste.

— Não — eu disse séria e Sango concordou comigo — Kouga tem um filho pequeno, Takehiko não tem nem um ano ainda! — eu estava irritada, e muito — Não vou tirá-lo da família por seus caprichos Inu-yasha, você como futuro pai, deveria entendê-lo bem — eu disse o olhando brava. Nem morta eu pediria ajuda a Kouga, ele tem uma família a qual deve proteger!

— Kagome tem razão — Kikyou disse ao lado de Inu-yasha e fez o mesmo olhá-la incrédulo — Ele é pai agora, não vai abandonar a esposa e o filho para se pôr em perigo — ela deu um leve sorriso — eu mesma não irei dessa vez, é algo muito maior do que eu, sim é... — ela passou a mão levemente na barriga — Porém existe algo além de mim agora, e você precisa fazer de tudo para que nosso filho cresça num mundo seguro...

— E outra Sesshoumaru tem tanto interesse neles quanto nós — eu disse olhando para ele que se encontrava de olhos fechados, eu sabia que ele estava escutando tudo — Os próprios problemas dele — dei ênfase a ele, porque somente eu sabia que Yokoyama havia o ferido — Por isso, ele vai. Você querendo ou não... — eu o olhava séria.

— Com você o defendendo assim, até parece que vocês têm algo — Inu-yasha disse cruzando os braços, irritado — É engraçado de se ver — ele disse debochado.

— Mas temos algo Inu-yasha — eu disse o olhando e dando um sorriso, todos – menos Sango – arfaram surpresos — Estamos tendo sim um envolvimento e nada vai mudar isso — eu disse dando de ombros — Por isso eu digo que ele vai e ponto, se não vamos nós dois em busca Yokoyama, e quem mais quiser ir conosco — eu disse olhando para ele que me encarava incrédulo — Eu só acho que quanto mais pessoas ajudando melhor, já que Kikyou não pode ir conosco...

— Então acho que não tem muito a ser feito Inu-yasha — Miroku disse o olhando — Sesshoumaru irá conosco, como Kagome disse, quanto mais gente melhor — ele passou o braço pelos ombros de Sango — Ele não vai deixar Kagome sozinha, mesmo nós indo com ela e mesmo que ele não fale isso diretamente — Miroku olhou na direção de Sesshoumaru e eu o imitei. Ele estava com os olhos abertos e olhava para frente, parecia pensativo — Eu não deixaria Sango, mesmo ela não precisando de proteção.

Eu entendi o que Miroku quis dizer, mesmo Sesshoumaru tendo aquele jeito frio e quieto, essa era a maneira dele de dizer que se importava comigo e que me apoiava, independente de qualquer coisa. Eu estava tão alienada a conversa dos outros que só saí de meus devaneios quando escutei o grito de Shippou, levantei tão rápido que quando dei por mim já estava na frente dele e de Rin. Eles ainda brincavam perto do lago, mas não sei o que aconteceu, porque Shippou estava dentro da água com um corte no braço e Rin assustada na beirada.

— Kagome! — Shippou disse choroso, me estendo os braços. Eu o peguei no colo, o que fez com eu me molhasse inteira, mas não me importei — Eu caí e cortei numa pedra... — ele disse olhando para baixo. Eu me sentei no chão com ele em meu colo. Rin se aproximou de nós um pouco chorosa, assustada.

— A culpa foi minha — ela disse envergonhada e nervosa — eu estava brincando com ele quando tropecei e o empurrei por sem querer... — ela queria chorar, eu sabia.

— Não foi pequena... Isso foi somente um acidente — eu disse dando um sorriso a ela e Shippou assentiu, ainda choroso — Sente aqui do meu lado, eu vou te mostrar uma coisa — assim ela fez, se sentou ao meu lado. Eu usei meus poderes de sacerdotisa e curei o braço de Shippou, ele e Rin me olhavam com fascínio e eu gostava disso — Pronto, toda vez que se machucarem podem vir até mim que eu dou um jeito, aprendi com Takeo — eu disse dando um sorriso a eles.

— Mas Kagome — Rin começou envergonhada e eu a puxei para sentar em meu colo também, um em cada perna. Shippou a olhava curioso e eu também — Eu não moro aqui, lembra? Eu moro com o senhor Sesshoumaru — ela disse sentida, eu sabia que ela se sentia sozinha — E quando eu me machucar, não vou conseguir avisar...

Eu sorri para ela e me abaixei um pouco, próximo dos ouvidos deles — Posso contar um segredo a vocês? — eu disse sussurrando, ambos assentiram que sim — Eu estou namorando o senhor Sesshoumaru — eu disse os observando em seguida. As expressões deles eram engraçadas. Shippou me olhava divertido, ele estava andando demais com Miroku e Rin estava radiante, chorando enquanto sorria.

— Verdade? — ela disse me abraçando e me derrubando no processo. As duas crianças sobre mim estavam sorrindo, alegres. Sabia que eles estavam felizes. Seriam uma família de verdade — Seremos uma família? — eu assenti e ela me abraçou.

— Você não sabe se Sesshoumaru nos quer como família Rin — Shippou disse se levantando ao nosso lado, Rin ainda estava sobre mim, me impedindo de levantar. Eu o olhei curiosa, ele parecia triste. Rin também olhava para ele — Temos Kagome como mãe, e ela nos considera da mesma forma que filhos, fazendo assim uma família — ele deu um suspiro — porém Sesshoumaru te considera como filha, e você não sabe se ele considera Kagome como esposa e eu como filho — ele terminou dando de ombros. Parecia chateado.

Rin se sentou ao meu lado, deixando que eu me sentasse. Ela me olhou chateada, afinal aquilo que Shippou disse era verdade. Ela olhou para Sesshoumaru e eu a imitei, ele nos observava também e parecia gostar do que via. Eu desviei o olhar e olhei para o meu menino — Shippou — ele olhou para mim, ainda sentido — Dê um tempo a ele... Sesshoumaru não costuma demonstrar carinho, mas um dia ele pode vir a fazer — eu sorri para ele, acariciando os fios ruivos — Mas não quer dizer que ele não nos considere uma família.

— Eu te considero minha família Shippou — Rin disse envergonhada e depois sorriu — E Kagome também... — ele me abraçou de novo e Rin se sentou no meu colo de novo. Isso não estava muito bom, porque eu e Shippou estávamos molhados e Rin se molhou depois.

— Ei! — eu disse fazendo os dois me olharem um pouco assustados — Estamos todos molhados, vocês vão ficar doentes! — eu fiz os dois levantarem e os imitei — Vão pegar roupas limpas e secas, vamos tomar banho — eles saíram dali correndo para a cabana e eu fiquei para trás; Sesshoumaru se levantou e se aproximou de mim — Eu vou levá-los para tomarem banhos, eles estão molhados e eu também — eu mostrei minha roupa — Mas eu volto logo, quero sair ainda hoje.

— Hm — ele disse me analisando. Eu não entendi muito bem, até ele tirar um mato do meu cabelo — Esse Sesshoumaru gosta de te ver com Rin e Shippou — ele disse me olhando sério, mas eu sabia que ele estava sendo carinhoso. Eu sorri para ele e apoiei a mão no peito dele, dando um leve carinho ali. Não iria demonstrar mais afeição, ele não ia gostar. Eu acho...

— Eu volto logo — eu segui na direção da cabana, o deixando ali. Rin e Shippou me aguardavam com as coisas e com minha mochila, eu a peguei e coloquei nas costas e peguei as coisas deles também, quando estava indo ouvi Sango me chamar — Vou tomar banho, as crianças estão molhadas.

— Eu vou com você — ela disse entrando na cabana e pegando as coisas dela, as crianças iam andando mais a frente e Sango ao meu lado — Então, você e o Sesshoumaru estão num relacionamento? — ela perguntou curiosa.

— Estamos ele me disse ontem à noite — eu disse dando um sorriso — Mas eu entendo como ele é, e o respeito...

— Não irá forçá-lo a nada — ela completou o que eu parei de dizer — Mas fico feliz por você, afinal você merece — As crianças já tinham chegado à fonte e entrado na água, Sango e eu demos um sorriso — Tão apressados Kagome, seus filhos lhe darão trabalho.

Eu sorri — Eles não vão, só estão felizes — eu dei de ombros. Entramos na água e começamos a tomar banho — Como você e o Miroku estão? — eu perguntei depois de um tempo que estávamos em silêncio, Shippou e Rin brincavam um pouco mais afastados de nós.

— Estamos bem — ela disse dando um sorriso — esses dias ele teve uma crise de ciúmes — eu revirei os olhos, de novo? — E no fundo eu me senti feliz, porque eu senti que ele realmente me ama...

— Ué, e você ainda tinha dúvidas? — eu perguntei incrédula — Eu já tinha certeza disso... — e sorri em seguida, mas depois deixando meu sorriso morrer — Como você acha que vai ser quando encontrarmos o inimigo? — eu perguntei a olhando séria.

— Eu não sei... — ela disse chateada, apreensiva — Kohaku apareceu aqui ontem à noite enquanto você estava fora e disse que as coisas estão piorando ao sul, iremos seguir nessa direção — ela disse me olhando, tentando mostrar confiança — Miroku acha que Yokoyama está lá...

— Pode ser que ele esteja... — eu disse há olhando um pouco apreensiva — Eu estou com um mau pressentimento Sango — eu disse a olhando nos olhos — Algo muito ruim vai acontecer...

— Desde quando você está com esse pressentimento? — ela perguntou terminando de lavar os cabelos.

— Desde hoje cedo... — eu disse olhando para o meu reflexo na água. Eu estava preocupada, porém eu não podia deixar os outros preocupados também. Ela não disse mais nada, nem eu. Terminamos de nos banhar e nos trocamos, as crianças ainda fazendo brincadeiras — Calma, assim vão se sujar! — eu disse quando terminava de amarrar o kimono de Rin.

Eu não usava um kimono dessa vez, eu usava roupas da minha era. Eu estava com uma calça jeans preta e uma regata vermelha, calçando um all star. Um kimono numa luta como a que estava prestes a acontecer, só iria atrapalhar. — Vamos Kagome? — Sango disse me retirando de meus devaneios. Eu somente assenti.

As crianças iam caminhando mais a frente e Sango ia tão pensativa quanto eu ao meu lado. Eu sabia que ela estava tão preocupada quanto eu com o que estava por vir. Não seria algo fácil, mas iríamos lutar enquanto fosse possível. Quando estava me aproximando da cabana, eu senti algo se aproximando muito rápido, mas eu não conhecia aquela energia, ela era muito diferente, quase inexistente e mais ninguém parecia percebê-la. Em vista que Miroku, Inu-yasha e Sesshoumaru não se moveram. Só eu a sentia? Só eu estava ameaçada? Nem cheiro tinha?

— O que foi Kagome?! — Sango perguntou assustada ao meu lado, ela estava sentindo minha aflição e desespero. Eu estava me sentindo muito ameaçada. Rin e Shippou já estavam na cabana, e a pessoa se aproximava rapidamente de mim, e eu não tinha uma arma... Miroku estava com o bastão dele era o jeito.

— Não dá para explicar — eu disse jogando as coisas pra Sango muito rápido e a empurrei levemente — MIROKU, me jogue seu bastão, depressa! — ele se assustou com o meu grito, que chamou também a atenção dos outros, mas fez o que eu pedi, todos me olharam sem entender nada, até que ele surgiu do nada, usava uma capa de cor vermelha muito forte, que cobria todo o seu corpo, e deixava somente os olhos à mostra, me atacando com uma espada. Eu concentrei a força nas minhas pernas, e nos braços bloqueando o ataque da espada, mas a força dele era superior que a minha e ele me jogou um pouco para trás.

Porém isso não me impediu, no mesmo instante ele recuou e eu avancei o atacando, muito rápido. Quase não dando chance a ele de pensar. O bastão de Miroku era uma ótima arma afinal, era como se ele fosse meu. O ataquei novamente tentando acertá-lo e ele desviou de meu ataque, mas avançou novamente sobre mim, tentando me acertar. Eu conhecia aqueles movimentos, tinha certeza! Eu desviei da espada, dando uma invertida e parei com o bastão no pescoço dele, levantando a cabeça dele. Os olhos chocolate me olhavam divertidos, os outros se aproximavam já com as armas em mãos quando eu me pronunciei, divertida — Dá próxima vez que quiser me testar, e´só falar Takeo... — e tirei o capuz dele, mostrando o rosto sorridente e os cabelos azuis.

— Mestre Fujimoto pediu para ver se estava fazendo direito seu treinamento — ele disse risonho, me olhando como um sabe tudo — Só fiz o que ele mandou, sabe que não posso ir contra nenhuma ordem dele — Takeo disse dando ênfase a ele.

— Certo — eu disse me apoiando no bastão de Miroku e olhando para a arma na mão de Takeo, eu a reconheceria de longe. Ele seguiu meu olhar e balançou a cabeça me jogando a espada — Ta doido!? — eu perguntei pegando a espada de qualquer jeito. Quase me cortando.

— Quem mandou não estar esperta — ele disse dando de ombros, os outros se aproximaram receosos, exceto por Sesshoumaru. Acho que no fundo eles temem Takeo, mal sabem a ótima pessoa que ele é — Olá a todos — ele disse olhando para cada um e corando quando olhou para Sango e Kikyou, eu revirei os olhos. Tão tímido — Eu vim devolver Joyeuse, ela está inteira de novo...

— Kagome, meu bastão — Miroku disse estendendo a mão, mas Takeo o pegou antes, usando a energia dele para consertar o que ele havia danificado com a força desnecessária utilizada — Não havia reparado que você havia o entortado — Miroku arregalou os olhos. Eu sabia que o bastão nunca havia entortado, por isso o espanto dele.

— Me desculpe por isso, era pra Kagome me deter com as mãos dela — ele disse me olhando sério — Mas ela não o fez — Sesshoumaru se aproximou e parou ao meu lado, Takeo o olhou e deu um sorriso divertido — Ora, parece que alguém está realmente amando de novo... — ele disse me olhando sugestivo, eu corei... Porque veja bem, Takeo sabia de todas as vezes que eu disse que nunca mais iria me apaixonar na vida — Se ele soubesse o que você falava sobre sentimentos...

— Takeo, eu lhe ordeno a nunca falar sobre isso, com mais ninguém — eu disse o mostrando a pulseira em meu braço. Ele me olhou emburrado e deu de ombros, Sesshoumaru me olhou de canto de olho — Isso é passado — eu disse para ele, e ele não forçou mais o assunto.

— Youkai, você obedece ao que ela fala? — Inu-yasha perguntou debochado. Kikyou estava ao lado dele, agora ela parecia mais inteirada com o grupo, menos deslocada.

— Enquanto ela estiver com a pulseira à mostra — ele apontou para meu pulso, e ela ainda estava ali — Eu devo acatar tudo o que Kagome falar — ele deu de ombros.

— Até se ela te mandar ficar nu? — Miroku perguntou, sugestivo.

Takeo corou no mesmo instante e eu também. O youki de Sesshoumaru ao meu lado deu uma leve mudada, mas nada significativo — Bem, se ela mandar sim — ele colocou a mão tapando os olhos, envergonhado. As bochechas vermelhas também anunciavam isso.

Eu o olhei raivosa, eu estava muito irritada. Como ele faz uma pergunta daquelas? — Não fique pensando coisas pervertidas, seu monge de araque! — eu disse usando minha energia e forçando Miroku contra o chão, sem tocá-lo — Mais uma dessas e Sango estará procurando outro marido! — eu disse muito brava. Sesshoumaru ao meu lado segurou levemente em meu braço, como se pedisse para eu me acalmar. Ou simplesmente me impedir de algo que eu possa me arrepender depois.

— Youkai idiota — Inu-yasha disse olhando para Takeo, superior. Kikyou ao lado dele balançou a cabeça levemente, de forma divertida — Eu nunca obedeceria Kagome — ele disse dando um sorriso idiota.

Sesshoumaru ao meu lado deu um pequeno sorriso de lado – que eu só vi por estar próximo demais – e eu explodi. Takeo que também estava ao meu lado sorriu mostrando todos os dentes — Inu-yasha — as orelhinhas dele mexeram e ele me olhou sem entender — Senta! — e ele foi de cara ao chão. Eu me aproximei dele, a vontade que eu tinha era de matá-lo! — Você ainda possui o kotodama, por isso não se esqueça, ainda mando em você.

— Meio-youkai idiota, ela nunca faria isso comigo — Takeo disse dando de ombros. Ele olhou para mim e se aproximou – em vista que eu havia me afastado – parando ao meu lado — Kagome, você está sentindo também? — ele perguntou baixo, mas eu soube que Sesshoumaru também escutou.

— Vamos conversar em outro lugar? — eu disse o olhando nos olhos e ele assentiu. Senti Sesshoumaru se aproximar, e claro que ele participaria da conversa.

— Aonde vai Kagome? — Sango perguntou, ao lado de Miroku. Ele já havia se levantado e resmungava alguma coisa sobre somente ter curiosidade. Kikyou sorria e ajudava Inu-yasha se levantar, ele estava emburrado.

— Ela volta logo — Takeo disse por mim, eu nem tive tempo de pensar na resposta — Ah, eu também irei com vocês em busca de Yokoyama, meu mestre ordenou que eu estivesse com Kagome, para ajudá-la e ajudar vocês... — ele os olhou sério — Por causa dos meus poderes curativos, eu serei mais útil, caso alguma coisa muito grave aconteça — e deu de ombros. Inu-yasha resmungou "mais um", antes de sair andando na direção do vilarejo com Kikyou ao lado dele.

Takeo passou a andar na direção do poço e eu o seguia. Sesshoumaru passou a mão por minhas costas me passando conforto, ele sabia que eu estava com medo. Eu estava aterrorizada com a idéia de encontrar Ritsu de novo, medo de ele me ferir novamente. Mas eu sabia que para acabar com o mal de vez eu teria que enfrentá-lo. Sesshoumaru segurou em minha mão, me guiando. Eu estava tão avoada que estava tropeçando no caminho. Quando estávamos chegando ao poço eu soltei da mão dele, sabia que ele não ia gostar que Takeo visse.

Ele parou em frente ao poço e se sentou, apoiando-se nele. Eu me aproximei dele e me sentei de frente a ele, e Sesshoumaru ao meu lado. Eu sabia que Sesshoumaru preferia estar em outro lugar, mas se ele veio, algum interesse tem. — Kagome, você está muito nervosa... — Takeo disse me olhando de forma compreensiva — Sei que você também está sentindo essa energia...

Eu assenti levemente, eu sabia que tinha algo diferente em mim, desde cedo — Eu senti esse desconforto e estava com um mau pressentimento — eu disse olhando para ele — Mas eu não sabia que a magia de Ritsu poderia me encontrar assim — eu dei um suspiro, estava decepcionada comigo mesma.

— Significa que ele tem algo seu com ele — ele me olhou, sério — Um simples fio de cabelo resolve os problemas dele, foi assim com aquela barreira — ele disse pensativo — Por algum motivo maior, eles te querem... — ele me olhou muito rápido, seus olhos estavam arregalados — Eu sei o que se passa em sua cabeça e em seu coração, a pulseira ainda está aí — e no mesmo instante eu a fiz desaparecer — Não adianta mais...

— Eu sei você já viu — eu disse fechando os olhos e olhando para baixo, eu me sentia vulnerável — Pode perguntar...

— Porque não me contou que ele te queria Kagome? Por simples capricho... — Takeo me olhava eu sabia, mas eu não queria olhar para ele — Eu vi na sua mente como Ritsu te deu o recado... — eu levantei o olhar aflita, com medo de ele contar, mas ele entendeu que eu não contei a Sesshoumaru como o recado foi me dado — Sinceramente, você foi imprudente.

— Eu sei, e nada aconteceu — eu disse irritada — Mas para que me chamou?

— Para você pôr para fora esse seu medo de Ritsu e também para você não purificar a energia que te cerca, ela não vai embora... — ele disse me olhando sério, Sesshoumaru ao meu lado se mexeu, mas eu não o olhei — Você precisa deixar isso de lado, assim como foi com Toshiro... — ele me olhou, de forma gentil — Foi difícil e você superou, mesmo você ficando com uma marca...

— Eu vou me acalmar, não se preocupe — eu disse lhe dirigindo um sorriso. Takeo se levantou atraindo minha atenção, eu não queria que ele fosse — Aonde vai?

— Estarei te esperando na casa da senhora, sairemos daqui algumas horas... E também vou ver suas crianças — ele me olhou e sorriu — Eu gostei delas — e saiu, me deixando ali com Sesshoumaru, sozinhos.

Eu não me movi, nem olhei para ele. Eu não queria que ele soubesse que eu estava mexida pelo último ataque, a última coisa que eu queria era parecer fraca. E eu me sentia assim... E eu também não queria que ele soubesse que aquela energia me cercava, mesmo ela não estando diretamente em mim, eu não queria senti-la. Senti meu corpo ser sustentado e eu me assustei. Sesshoumaru me segurava pelas pernas e me apoiava nas costas — Não me ignore humana — ele disse irritado, eu não queria ignorá-lo. Na verdade eu pensei que ele fosse me ignorar. Ele caminhou comigo até a sombra de uma árvore e se sentou ali, comigo em seu colo. Eu sabia que ele estava tentando fazer com que eu me sentisse melhor.

Eu me encolhi no colo dele, abraçando minhas pernas e me apoiando no peito dele. Sesshoumaru não disse nada, somente afagou minhas costas levemente, talvez querendo me dar apoio... — Eu senti essa energia hoje cedo... — eu comecei sem olhar para ele — ela se prendeu em meu tornozelo e eu até consegui purificá-la, mas ela voltou depois de um tempo — eu dei um suspiro — Acho que eles querem que eu saiba onde eles estão e no fundo eu sei que ela vai me guiar até ele...

— Porque não falou antes? — eu o escutei perguntando, mas eu não queria olhar para ele.

— Não gosto de preocupar os outros, e muito menos parecer uma fraca — eu disse olhando para meus joelhos — Eu sempre soube que Yokoyama me queria, para os desejos pessoais dele e sei que vai muito além de meus deveres de sacerdotisa — eu apertei o tecido de minha calça, mas Sesshoumaru deveria saber, e por mim... — Yokoyama me quer para ele de forma definitiva... Ele me quer... — e deixei a frase morrer, eu sabia que ele havia entendido.

E tive a confirmação disso quando a energia maligna dele se alterou — Ele não vai ter você — Ele disse baixo e de forma pausada. Eu sabia que ele era possessivo e eu não quero deixá-lo com ciúmes, mas eu sabia que quando eu conhecesse Yokoyama ele iria citar sobre o que Ritsu me disse... Ele me fez olhar para ele, os âmbares pareciam estar sólidos, como se fosse duas pedras. — Você não vai ser dele.

— Eu nunca quis ter algo com ele, onde já se viu?! — eu disse irritada, Sesshoumaru está deixando o lado possessivo falar mais alto e não está pensando direito — Ele não é nada mais do que um inimigo para mim, eu nunca cederia às vontades dele — eu soltei minhas pernas e cruzei os braços — Prefiro perder minha vida, a fazer algo que ele queira!

Sesshoumaru me apoiou novamente ao peito dele e apoiou o queixo no topo de minha cabeça. A energia em meu tornozelo estava fraca, voltando novamente... Eu queria rompê-la novamente, mas aí voltaríamos à estaca zero, pois em algum momento ela iria voltar. Eu sabia que já estava na hora de voltar para a cabana, precisávamos partir. Yokoyama já estava nos aguardando... Ou não, talvez essa pulseira de energia maligna fosse somente uma forma de saber se estávamos ou não chegando!

— Sesshoumaru — eu disse chamando a atenção dele para mim, eu me afastei dele e o olhei — Eu sei por que estou com isso no meu tornozelo — ele fez um movimento com a cabeça como se perguntasse por que — Ele está vulnerável, deve ter acontecido algo do lado de lá, e ele mandou Ritsu nos vigiar... — ele pareceu começar entender a minha linha de raciocínio — Para saber quando estivéssemos próximos e não fosse pego de surpresa!

— Hm — ele disse, como se entendesse exatamente ao o que eu me referia — E como vamos enganá-lo?

— Eu faço uma barreira, onde eu o sinta, mas ele não me sinta... — eu disse o explicando. Assim seria mais fácil rastreá-lo, sem ele saber. Para ele eu somente posso ter purificado a energia que me cerca. Ele assentiu e eu sorri. Estava me sentindo confiante novamente. Senti meu corpo ser deitado bruscamente no chão, eu me assustei a principio, mas logo Sesshoumaru estava sobre mim — O que foi? — eu perguntei dando um sorriso. Ele me olhava sério, como se tentasse me ler...

— Hm — foi à única coisa que ele me disse antes de me beijar. Começou com um beijo na ponta do nariz, depois ele esfregou nossos narizes, sem parar de me olhar nos olhos e depois ele selou nossos lábios. Não foi um beijo longo, porque eu sentia alguém se aproximando. Sesshoumaru se levantou e eu também, logo Rin e Shippou apareceram sorrindo para nós, Takeo os seguia de perto. Ele realmente gostou de minhas crianças. Voltamos para a cabana da vovó, Takeo ia à frente com as crianças, brincando e sorrindo, eu e Sesshoumaru vínhamos um pouco mais atrás, de mãos dadas e observando as crianças. Quando chegamos à cabana, os outros já estavam prontos para partir. Eles estavam somente nos aguardando.

— Crianças, vocês não irão conosco dessa vez, ficarão com a vovó — eu disse abaixada na frente deles, os olhando nos olhos. Eu já estava com Joyeuse, o arco e a aljava e com a mochila, Sesshoumaru estava em pé atrás de mim — Voltaremos logo — eu disse os abraçando.

— Eu vou sentir saudades Kagome — Shippou disse um pouco choroso.

— Eu também Kagome — Rin disse chorando, me abraçando bem apertado — Do senhor também, Senhor Sesshoumaru — ela disse envergonhada. Sesshoumaru somente assentiu.

— Vamos logo — Inu-yasha disse depois de se despedir de Kikyou. Ele parecia de mau-humor, mas eu não ligo.

Passamos a andar na direção sul, local onde Kohaku havia dito achar que Yokoyama estava. E a direção que eu também achava que devia seguir.

2 dias depois.

Já estávamos próximos do local onde Yokoyama estava. Nesses dois dias paramos somente à noite para darmos um descanso e saímos logo cedo, Sesshoumaru ficou comigo o tempo todo, como se estivesse preocupado por causa da pulseira, mas ele não disse nada e nem eu perguntei. Takeo dormiu próximo de nós também, mas nos dando privacidade, éramos os mais afastados. Logo cedo, passamos a caminhar numa direção qualquer dentro da floresta.

A pulseira em meu tornozelo estava totalmente corrompida, ela parecia pulsar em volta de meu tornozelo, e estava me causando um grande desconforto. Inu-yasha ia andando a frente, pelo menos ele parecia atento a tudo a sua volta, ele ia seguindo o que eu falava, para onde eu apontava ser a direção, afinal havia locais em que a pulseira enfraquecia e locais que ela ficava mais forte, era para esses que seguíamos. Takeo e Sesshoumaru estavam ao meu lado, Sango e Miroku vinham um pouco atrás em Kirara. Estávamos todos em alerta, afinal eu sentia que a qualquer momento estaríamos frente a frente com o inimigo.

— Kagome — Sango chamou minha atenção, ela estava com Miroku e ambos estavam ao meu lado. Eu a olhei curiosa, porém a ardência em meu tornozelo estava quase insuportável — Vou olhar por cima, possa ser que eu enxergue algo de lá — ela olhou para Takeo — Se Kagome diz que é por aqui, de cima deve dar para ver.

— Só não deixe nada te ver e nem te sentir — Takeo disse enquanto parava e a olhava, Sango assentiu e sumiu de nossas vistas alguns instantes depois. Inu-yasha também parou, se aproximando de nós, entretanto eu sentia o desconforto dele, se sentindo deslocado, entre Takeo e Sesshoumaru. A dor em meu tornozelo piorou e eu sabia que realmente estávamos perto. Takeo se virou para mim, me olhando sério. — Kagome? — ele perguntou parando a minha frente.

Acontece que meu corpo estava sendo afetado pela energia maligna e estava tentando se purificar. Mesmo com a barreira a impedindo a energia maligna de fluir naturalmente, ela estava tentando sair e cumprir seu propósito... Avisar Yokoyama. Mas eu ainda não sabia se podia deixar a energia ser purificada, poderíamos precisar dela ainda e também eu estava sentindo dor, muita dor. Eu não estava mais agüentando e provavelmente Takeo sentiu o perigo que me ronda, afinal era essa a função de nosso acordo... Proteção.

— Humana? — Sesshoumaru perguntou me olhando também. Ele parecia tentar ler minhas feições, mas eu estava me controlando para não demonstrar que estava me sentindo afetada. Os âmbares me analisavam, pareciam querer entrar em minha mente. Eu queria respondê-lo, mas se eu o fizesse, eu iria demonstrar que eu estava sentindo muita dor.

Fui pega de surpresa quando fui derrubada com tudo no chão quando Takeo puxou minha perna direita, eu só consegui impedir minha cabeça de bater contra o chão. Sesshoumaru nos olhava de forma curiosa, assim como Inu-yasha — Aí! — eu exclamei com a queda, eu não estava preparada. Ele me olhou muito bravo, o lado youkai começando a surgir... Ele sentia meu corpo ameaçado e cumpria sua função de familiar.

— Desfaça a barreira — ele disse me olhando muito sério, os olhos chocolates estavam escuros e a energia dele densa, ele não veria como estava meu tornozelo enquanto eu estivesse envolta por ela. Inu-yasha estava confuso, ele queria perguntar, mas não falou nada. Sesshoumaru também estava confuso.

— Não posso, não sei se ele está perto — eu disse olhando para o outro lado, não queria mais encará-los... Eu sentia meu corpo doendo em outros locais, e eu sabia que precisava expulsar aquilo, mas ainda não, não quando estávamos tão perto! — Ele pode me sentir.

— Kagome — a voz de Sesshoumaru se fez presente, e eu o olhei. Ele estava sério, muito sério. Ele sabia que se Takeo estava agindo assim tinha algo. Algo muito sério. Eu não queria ser repreendida, eu queria ajudá-los...

— Feh, ela tem razão ele pode senti-la — Inu-yasha disse parado atrás de Takeo, se aproximando de nós — Espere Sango e Miroku voltarem, se eles avistarem algo, ela desfaz isso aí... — ele me olhou, mas parecia incerto de suas palavras. Sesshoumaru estava irritado e eu só queria levantar, mas era impossível de fazer, Takeo prendia minha perna de uma forma que me imobilizava.

— Não posso demorar mais — ele disse com sua voz mudando um pouco, o lado de youkai quase desperto, e ele sabia que se demorasse mais meu corpo não agüentaria. Takeo forçou minha barreira a se desfazer, mas eu insistia em mantê-la, ele não podia dar fim ao meu esforço, somente eu poderia pôr fim nisso! — Você vai ser corrompida Kagome! — ele exclamou irritado sua voz totalmente mudada, o que fez com que eu perdesse a concentração e a barreira se desfez instantaneamente. A grande quantidade de energia maligna que saiu de minha barreira foi contida na barreira de Takeo, ainda assim Yokoyama não poderia nos sentir. Eu acabei arfando de dor, quando ele mexeu os dedos em torno de meu tornozelo. Inu-yasha e Sesshoumaru também estavam dentro da barreira — Olha isso! — Ele puxou minha calça e viu que a parte onde a energia se concentrava estava preta. Minha pele estava necrosando aos poucos e eu estava sentindo dor por isso.

— Hm — Foi o que eu disse olhando para cima, mas na direção contraria a de Sesshoumaru. Eu não iria chorar, nem demonstrar mais que eu estava sentindo dor, aquilo já estava muito ruim. Eu sabia que seria repreendida.

— Realmente, imprudente! — ele disse purificando a energia de Yokoyama que estava dentro da barreira e curando a parte que estava ferida, a energia dele estava mais quente que de costume, mas era por causa do seu lado youkai que estava desperto — Não faça mais isso! Nunca mais!

— Kagome! — Sango desceu com Kirara, Takeo já havia desfeito a barreira, estavam os três em pé e eu no chão — Tem um castelo mais a frente, mas ele parece estar habitado por pessoas normais... — ela disse me olhando de forma curiosa parando próxima de mim — A propósito, o que faz no chão?

— Nada — eu disse me levantando. Sesshoumaru e Takeo não disseram nada, mas eu ainda seria repreendida depois, eu sabia. Como se fosse somente por um segundo eu senti a presença de Ritsu, longe, mas senti. Eles estavam aqui e não esperavam ser pego de surpresas, por isso não se preocupavam com barreiras para escondê-los — Vamos, eles estão lá — eu disse seguindo na direção de Sango. Ela havia começado a seguir na direção do castelo que ela havia visto, e eu comecei a correr ao lado dela.

— Como tem tanta certeza? — Inu-yasha perguntou. Os outros já nos seguiam. Estávamos muito perto deles, eu sabia.

— Só tenho — eu disse dando de ombros. Dessa vez eu ia correndo ao lado de Kirara. Eu sabia que ele estava lá, e seria ali que tudo se acabaria de vez, ou somente seria o inicio de alguma coisa. Um castelo apareceu em nosso campo de visão, ele era grande, deveria ser de algum senhor feudal importante. Eu sentia pessoas lá dentro, mas algo me impedia de senti-los de verdade. Entramos no castelo e não havia ninguém a vista, como pode um grupo desses entrar aqui e ninguém ver?

— Tem certeza de que tinha gente aqui, Sango? — Inu-yasha perguntou de forma debochada.

— Havia algumas mulheres por ali Inu-yasha — Miroku disse de forma ofendida. Eu os olhei, mas algo chamou minha atenção. Um homem vinha andando de forma desleixada na varanda do castelo, havia acabado de fazer a curva, estava distraído olhando para suas mãos. Os cabelos negros estavam molhados e os fios mais desleixados do que nunca, a pele rosada possuía algumas escoriações no rosto e nos braços – que eram visíveis – e os olhos azuis mostravam confusão. Estava com suas roupas usuais de guerra e usava um kimono preto com detalhes azuis claros... Será que sempre estava preparado para lutar?

Ele levantou o olhar e nos viu, seus olhos mostraram a surpresa ao nos ver ali — Kagome? — Ritsu perguntou confuso, me analisando um pouco incerto. Sesshoumaru ao meu lado, trocou a posição das pernas, e eu sabia o porquê daquilo, sabia que por causa deles, ele ficou ferido daquela forma. Ritsu deu um sorriso debochado, voltando à postura de sempre — Ora, ora... Você está de parabéns Kagome! — ele olhou algo em seu pulso e balançou a cabeça — Não havia percebido que você tinha desfeito meu feitiço.

— Acontece com todos — eu disse dando de ombros, o vendo retirar um fio de cabelo que estava enrolado ali, então ele realmente tinha um fio de cabelo meu... Mas como ele o conseguiu?

— Vejo que estão todos aqui — ele disse olhando para todos, e parando os olhos em Sesshoumaru e sua expressão mudou levemente, parecia irado — Até mesmo você, Ses-shou-ma-ru... — ele disse de forma espaçada e dando ênfase ao nome dele. Sesshoumaru o olhou um pouco irritado, mas não disse nada. Nem mesmo um "hm" como de costume.

— Bah vocês falam demais! — Inu-yasha disse sacando Tessaiga e atacando Ritsu com a ferida do vento, como sempre impulsivo. Ritsu desviou facilmente e Inu-yasha acabou destruindo parte da varanda. Ritsu fez uma lança surgir e ele se preparava para o ataque. Alguns youkais, aproximadamente uns cinqüenta, surgiram de uma das salas. E eu sabia que ainda teria mais, assim como foi comigo daquela vez... Mesmo despreparados eles estavam com uma reserva de youkais, revirei os olhos.

— Esse meio-youkai é impaciente, não? — ele perguntou para o nada, e balançou a cabeça em forma de reprimenda — Nem espera terminamos de conversar... — ele apoiou a lança no chão. Os youkais ainda não atacavam, Sango e Miroku já haviam descido de Kirara e estavam preparados, assim como Sesshoumaru, Takeo e eu estávamos somente esperando, mesmo sem termos sacado nossas armas, fora Inu-yasha que já havia feito o primeiro ataque. — Já que estão todos aqui, vamos ao que interessa, não? Quero brincar um pouquinho!

— Você sempre fala demais não acha? — Inu-yasha perguntou impaciente e eu quis sorrir, mas guardei isso para mim — Vamos ao o que interessa...! — ele disse, mas na verdade só repetiu o que Ritsu disse.

— Na verdade, vocês só adiantaram nossos planos em um dia — Ritsu disse apontando com a lança na direção de Inu-yasha, Sango e Miroku. Os youkais avançaram sobre eles, e acabamos nos separando. Sesshoumaru afastou um youkai que veio para cima de nós e eu e Takeo nos afastamos. Rapidamente, Ritsu veio para cima de Sesshoumaru com a lança apontada na direção dele, mas Sesshoumaru o parou com Bakusaiga — Lembra do nosso último encontro? — Ritsu perguntou para Sesshoumaru, um youkai veio para cima de mim e Takeo, mas ele o eliminou. Sesshoumaru o olhou de forma desinteressada — Você me deve algo...

Eu procurei entender do que se tratava, mas algo atraiu minha atenção. Uma energia muito poderosa, que estava na porta que eu estava na direção, ela parecia me atrair para ela, me puxar, como se eu devesse seguir até lá, mas eu não faria. — Kagome? — Takeo me chamou, eu o olhei confusa — Vamos a nossa formação? — ele perguntou dando um sorriso de canto.

Eu assenti e fiz a pulseira de energia aparecer — Oh familiar que me cedeu parte de seu domínio, ordeno-lhe agora que lute ao meu lado. Você será meu escudo, será minha arma, assim como eu serei os seus. Nossas mentes, nossos corpos e nossas almas se tornarão um, para que não haja ressentimento e incertezas em nossos ataques — e fiz o movimento de mão necessário para ativar a ordem. Eu e Takeo entramos em ressonância, era como se eu estivesse na mente de Takeo e ele na minha, pensávamos em conjunto e poderíamos formar estratégias separadamente, muito mais pratico em uma luta, seria agora que partiríamos ao ataque contra Ritsu e os youkais... Seria, se eu não tivesse escutado aquela voz, fria e carregada de poder se pronunciar e me fazendo congelar no lugar.

— O que está acontecendo aqui?

No capítulo 21 Sobre Sesshoumaru ter ficado um pouco vulnerável, não quero que me crucifiquem, nem que digam que eu o estou usando errado. Somente quero que vocês vejam – e entendam – que não é só porque o personagem é frio e fechado, que ele não pode ter seus momentos de fraqueza. Ele já sabe dos sentimentos dele por Kagome, e sobre os sentimentos em relação à Rin também. Por isso, ele se sentiu vulnerável, que justamente quando ele decide amar alguém, a vida dessa pessoa não é nada comparada a dele u-u