A mesma saudação de sempre marujos, POTC não me pertence, pertence a Disney...

Mas o Mickey deixa eu brincar com os personagens!


Cap. 21


Todos aplaudiam fervorosamente Lord Henry, que passava por todos, os cumprimentando.

Era como se uma grande onda de pesar tivesse varrido toda a alegria de Jack e Elizabeth. O mundo ficou sem cor ou som sumiu para eles durante alguns minutos.

Ela tremia e ele só resmungava maldições.

- Jack. – ela sussurrou nervosa. – Vamos sair daqui agora!

- Não podemos sair assim, agora... agora não... Nós não podemos agora. – ele gaguejou distante, perdido, ao olhar aquele homem que queria matá-lo.

- Mas...

- Ele não nos reconhecerá Elizabeth, fique tranqüila. – nem mesmo ele sabia o que fazer, estava sem chão, completamente atônito.

- Mesmo assim, essa festa perdeu a graça, eu quero ir-me embora. – ela se lamentou e fez bico.

- Nós vamos assim que a total atenção de todos recaia sobre ele. – Jack estava temeroso e respirava com certa dificuldade. – Sorria, pois ainda olham para nós. – ele a abraçou e cheirou seu pescoço. – Oh Bugger Lizzie, essa festa tinha tudo para ser perfeita.

- Eu sei Jack. – ela disse esboçando um sorriso sem graça. – Vou chamar a Betthy.

- Deixe ela se divertir com aquele rapaz. – Jack a soltou e apontou para uma Betthy que sorria maravilhada com tudo na companhia de Josh, o jardineiro.

- Vamos beber alguma coisa então. – ela disse e o puxou.

Chegando à mesa, Jack pôs uma grande dose de absinto numa taça de prata e engoliu tudo, de uma só fez. Suspirando depois, com os olhos cheios de lágrimas, porque aquela bebida era forte demais, até mesmo para os padrões Jack Sparrow. Elizabeth pegou pedaços de carne e foi comendo vorazmente, parecia que nunca tinha visto comida em sua vida. Ficaram lá por um bom tempo, até que finalmente a música recomeçou, desta vez uma valsa bem romântica.

- Va... vamos dançar Lizzie? – disse Jack já meio tonto por causa do absinto.

- Jack, você bebeu demais! Oh meu Deus! – ela se lamentou fazendo uma careta de decepção. – Você bebeu demais seu imbecil, e agora? – deu-lhe um tapa nas costas.

- Acalme-se, eu não estou bêbado... só estou meio tonto. – ele disse tentando parecer firme, mas tropeçou na toalha da mesa devido ao tapa e Elizabeth sentiu vontade de enfiar uma faca na barriga dele.

Tocavam VIVALDI Concerto No. 1 em E maior, Op. 8, RV 269, "La primavera".

Ele a agarrou e ficou abraçado a ela, dançando, apoiando seu peso todo nela.

- Eu mereço. – ela olhou para o teto e suspirou aborrecida enquanto tentava dançar com o trôpego Jack que enfiou o rosto no seu pescoço a cheirando, suspirando contente, a arrepiando com sua respiração bêbada e quente.

- Vamos procurar um quarto Elizabeth. – ele olhou nos olhos dela, sério, com os olhos brilhando pedindo, quase implorando por um sim.

- O quê?! – ela pendeu a cabeça para um lado e logo sentiu as mãos dele em suas costas, a acariciando. O salão estava precariamente iluminado agora, a luz dourada das velas deixava todos com uma aparência que lembrava estatuas de bronze.

- Vamos Lizzie?! Ontem na madrugada foi lindo, mas imagina quão excitante e emocionante será fazer amor no palácio do governador. – ele pôs os lábios próximos ao ouvido dela e cochichou. – Dois piratas malucos fazendo amor na cama de um governador inglês, como o maior comandante da Companhia das Índias Orientais no baile. Hummm?!

- Você realmente não tem juízo Jack. – ela teve que rir. Sussurrando no ouvido dele, ela destruiu as esperanças do bobo pirata bêbado e pervertido à sua frente. – Vamos voltar ao convento. Agora!

Agarrando-o pela cintura ela foi passando por todos que estavam no meio do salão dançando, ele estava irritado e se recusava a cooperar para que ela conseguisse levá-lo embora. Estava empacando e ela o beslicou forte. Ele estava com um bico enorme, parecia criança.

Elizabeth chamou Betthy, que imediatamente foi para junto dela.

- Já viu seu irmão?

- Ele não veio ao baile. Suponho que ele deve ter s atrasado por causa do tempo lá fora. Vai chover muito.

- Tudo bem. – suspirou. – Se você quiser, fique aqui com seu namoradinho esperando seu irmão. Nós vamos embora, o Jack exagerou no maldito absinto e está completamente bêbado.

- Eu já disse que não estou bêbado, maldição! Eu só estou tonto! – protestou ele que se desvencilhou dela. – Savvy? – ele tentou pôr as mãos na cintura, mas se desequilibrou e foi pendendo o corpo para trás, Elizabeth e Betthy correram para ampará-lo.

Mas já era tarde demais.

Ele caiu por cima de uma mesa cheia de louças de prata, acabando por chamar a atenção de dezenas de convidados com o estardalhaço que fez.

- Oh Bugger! – ele resmungou profundamente irritado.

Os que estavam mais próximos estranharam a gíria do homem que caíra.

- Aí estão vocês! – disse o governador Watson, chegando perto e ajudando Jack a levantar. – Oh senhor Smith, o senhor exagerou na dose huh?

- Eu estou bem. – disse Jack enojado por ser tocado por aquele homem que esticou os olhos em cima de sua fogosa Lizzie.

- Senhora. – disse se referindo a Elizabeth e rendendo-lhe uma reverência. – Quero apresentar-lhes um grande amigo meu, Lord Henry Beckett. Henry?! – ele falou bem alto.

Instantaneamente um pouco do efeito do álcool pareceu sumir do cérebro do pirata tamanho medo que se apossou de seu corpo moreno. Elizabeth respirou fundo, rezando baixinho para que Jack não fizesse nenhuma besteira e que não os reconhecessem. Betthy tremia e foi saindo de fininho, para pedir ajuda a Josh.

- Henry querido, venha aqui conhecer a dama da qual lhe falei! – chamou o governador mais uma vez.

- Estou indo! – disse Henry, que andava com dificuldade no meio de toda aquela gente que queria vê-lo. Finalmente chegando, as pupilas dele instantaneamente se dilataram tamanho assombro ao ver Elizabeth. Não a reconheceu por causa do véu, nem Jack, que estava longe de parecer aquele pirata insano cheio de quinquilharias nas roupas.

- Este é o senhor John Edward Smith e sua belíssima esposa, Anna. – apresentou-lhes o governador.

- Você realmente não exagerou como eu pensei Ferdinand! – sorriu Henry. – É um imenso prazer conhecê-la minha senhora. Vejo que realmente uma dama da sociedade fica muito bem como odalisca. Meu senhor. – se referiu ao sisudo Jack que escondia uma face contorcida de raiva embaixo da máscara.

Ela sorriu e não conseguiu pronunciar sequer um agradecimento. Jack, que piscava várias vezes, conseguiu se pôr na frente dela e estendeu a mão para Beckett.

O homem retribuiu o gesto e trocaram palavras de cortesia.

- É uma imensa honra conhecê-lo senhor. – Jack se forçou a dizer, por dentro, estava se mordendo de ódio.

- O prazer é meu. – disse Henry. – Devo dizê-lo senhor Smith, que o senhor é um homem de muita sorte!

- É mesmo? – Jack fez careta de aborrecimento. Elizabeth rodou os olhos, era só o que faltava mesmo.

- Oh sim, um homem na sua idade com tão bela dama, é realmente um prodígio!

Elizabeth e Ferdinand se entreolharam, assustados, pois sabiam muito bem o que um comentário daqueles, feito a um homem bêbado – no caso, Jack – teria um efeito, no mínimo, raivoso.

- Eu não sou velho! – Jack retirou a máscara instantaneamente. Estava respirando forte, Elizabeth agarrou-se ao braço dele com medo. – Sou só sou maduro! Savvy?!

- Savvy?! – estranhou Henry. – Que modo de falar esquisito! – Jack ficou de olhos arregalados. – Mas não fique bravo senhor. Isso é a mais pura verdade, não é?! – ele olhou para Elizabeth e Ferdinand, em busca de apoio, mas ambos estavam calados.

- Saiba que sou melhor do que qualquer moleque de 20 anos! Não é Lizzie?!

Elizabeth abriu a boca e perdeu o fôlego. Ele a chamou de Lizzie.

Quando Jack se deu conta da grande bobagem que falou já era tarde demais.

Henry ficou intrigado com o nome e logo disparou:

- O nome dela não é Anna?

- É... É claro! – disse Jack tentando contornar, estava nervoso.

- Então...? – o homem não reconheceu Jack, nem sequer se assombrou com o rosto bravo e temeroso que o pirata lhe demonstrava.

- O nome dela é Anna Liz. Por isso eu a chamei de Lizzie. E... Ora, eu a chamo como eu quiser, ela é minha mulher!

- Claro, o senhor é marido dela. – riu Henry. Ferdinand também riu. Jack estava bravo, e os almofadinhas pensaram que tudo se devia ao fato dele estar bêbado.

Elizabeth forçou um riso sem graça, mas que pareceu convencer os homens à sua frente. Jack ficou quieto, rezando para tudo acabar bem e logo.

- Espero que fiquem até o final da festa senhores! Perdoe-me pelos comentários, se eles os ofenderam senhor Smith! Por favor, peço que fiquem, pois tenho uma surpresa reservada para o final. – disse Ferdinand sorrindo para Henry. Eles planejavam uma grande queima de fogos à meia-noite.

- Ficaremos! – disse Jack dando um meio sorriso, recolocou a máscara, e puxou Elizabeth para longe. – Eu os perdôo. – falou alto para que eles os ouvissem

Henry e Ferdinand se viraram para vê-los e rindo, foram para perto dos músicos.


Jack suspirou aliviado, Elizabeth estava uma fera.

- Seu idiota! – ela deu-lhe um tapa no braço com muita força.

- Aiiiiiiiiiiiii! – ele gemeu acariciando o local que ela tinha batido.

- Você me chamou de Lizzie!

- Desculpe amor, saiu sem querer.

- Foi a maldita bebida. Eu disse para você não beber!

- Ah, por favor, eles não descobriram nada, já passou! – ele suspirou ainda um pouco embriagado e sorriu. – Passou Lizzie.

Ele envolveu seus braços ao redor dela e tentou beijá-la mesmo ele de máscara e ela com o véu.

- Vamos embora agora Jack. – ela disse resoluta, mortalmente séria.

- Está bem! Vamos. – ele disse a contra gosto, fazendo bico e saíram do palácio.

Passaram quase que despercebidos por todos, no jardim ficaram olhando a festa por um tempo, de longe e depois pensaram ter saído da propriedade do governador.

Andaram por quase uma hora, nada de carroças agora, teriam que voltar ao convento a pé. Nem sequer sair da propriedade do governador eles tinham saído. Parecia que estavam perdidos, mas Jack nem comentou esse fato com ela, já bastavam as besteiras que ele tinha aprontado no baile.

- Jack.

- O que foi?!

- Porquê essa cara de quem comeu e não gostou? – perguntou ela quando percebeu o semblante triste que ele demonstrava.

- Nós nem aproveitamos a festa. – ele fez aquele bico lindo de tristeza e dengo. – Eu estava planejando tanta coisa para fazermos lá. Nós dançaríamos, beberíamos, nós iríamos aprontar muita coisa naquele maldito baile, se não fosse o tal Beckett, aquele miserável não poderia ter chegado em pior hora!

- Não ligue para isso, ainda podemos aprontar muitas coisas. – ela sorriu e o agarrou, fazendo-o parar de andar. – Estamos sozinhos no meio do mato. Coisas podem acontecer. – ela ergueu as sobrancelhas.

Por incrível que possa parecer isso não animou o capitão.

- Vamos para o convento de uma vez. – ele a soltou e foi andando. Ela não entendeu nada.

- Qual é Jack? Me negando fogo?!

- Não é nada disso. – ele suspirou sem olhar para trás.

- O que há com você Capitão?! – ela o puxou para olhar em seus olhos.

Nesse exato momento um barulho infernal foi ouvido e logo o céu foi colorido de várias cores – a queima de fogos tinha começado.

Ambos sorriram. Ele abraçou Elizabeth fortemente, estava de repente com um grande peso no coração, como se algo de ruim fosse acontecer. Jack raramente previa acontecimentos, mas esse sentimento de medo mortal o dominou desde que viu Henry Beckett na festa. Era o mesmo sentimento que Jack tivera quando Will levou Elizabeth.

- Eu amo você Elizabeth. – ele disse quieto, com um nó na garganta.

Elizabeth se assustou.

- O que foi Jack?

- Nada.

- Você está esquisito. O que está acontec... – ela não teve tempo de responder, ele rasgou-lhe o véu e jogou a máscara nas plantas ao redor e a beijou profundamente. Sua língua estava desesperada pela dela, seu corpo clamava pelo dela. Mas todo o carinho dele tinha muita luxuria, desejo e ele estava desesperado, temeroso e cheio de uma paixão obscena, uma vontade louca de protegê-la do resto do mundo, de tê-la somente para si, de amá-la longe de tudo e de todos, de não deixar ninguém mais sequer olhar para ela, nem desejar o mal para ela – mas esse era um pensamento muito egoísta, e Jack sabia disso, isso parecia coisa de Will – e ele quebrou o beijo.

- Vamos voltar ao convento minha Rainha. – forçou um sorriso bobo. Estava fugindo do que sabia que ela iria perguntar.

- Vamos. – ela decidiu não discutir nem questionar nada, pelo menos não agora.


No baile...

Betthy estava conversando com Josh, contando dos últimos acontecimentos no convento e deixou escapar algumas coisas que marcariam sua vida e a vida de todos para sempre.

- E ela está lá? – perguntou Josh.

- Sim. A própria Rainha dos Piratas, Elizabeth Swann Sparrow!

Jeoffrey, um capanga de Beckett por azar do destino, estava próximo e ouvindo tudo.

- Sparrow?!

- É. Era aquela odalisca com aquele rei mascarado que me trouxe! Ali são Elizabeth Swann e o capitão Jack Sparrow. Aquele das historias! Eles são casados e ela vai ter um...

- Ora, ora, ora senhorita! – surpreendeu-os Jeoffrey. – Que tal contarmos essa historia ao governador e ao Lord Beckett?!

Josh gelou e Betthy desmaiou em seus braços.

Jack e Elizabeth corriam sérios perigos.