Capítulo Vinte e Um
Shadowed Snowflakes
(Flocos de Neve Obscuros)
Scorpius se sentou no meio do chão de seu quarto, e cuidadosamente colocou o livro de Lily no meio de um papel de presente cheio de flocos de neve brilhantes. Cuidadosamente, dobrou o papel ao redor do livro, a ponta da língua aparecendo no canto de sua boca, e usou um rolo de celofane para fechá-lo. Virando o embrulho, prendeu uma etiqueta com o nome de Lily na frente, e passou uma fita ao redor dele, fazendo um laço elaborado.
Ergueu os olhos, sorrindo com satisfação para o embrulho cuidadosamente feito; o sorriso sumiu lentamente. Draco estava parado no corredor cheio de sombras, do lado de fora do quarto de Scorpius. Scorpius não tinha visto muito seu pai desde que chegara em casa, exceto durante o jantar. Ajeitou um pouco seu suéter, com um logo da Grifinória, e encontrou os olhos de seu pai. Draco piscou algumas vezes, e se balançou um pouco em indecisão, mas o hábito o fez caminhar pelo corredor gelado até seu quarto. Scorpius meramente deu de ombros em aceitação resignada, e pegou os presentes de James, Al e Lily, e os colocou no fundo do seu armário, antes de limpar os restos da sua maratona de embrulhar presentes.
Draco abriu uma gaveta de seu armário, e começou a procurar pelo frasco que escondera lá. Abriu o frasco e o levou à sua boca. Engoliu alguns goles de uísque e lentamente o baixou, usando a manga para secar a boca. Draco voltou a fechar o frasco e o colocou sob suas meias. Afastou-se lentamente, até que a parte de trás de seus joelhos batesse na ponta de sua cama, e se afundou, olhando feio para o armário. Ele sabia que o álcool tinha virado um apoio desde que seu pai morrera na última primavera. Ele ainda não tinha se afundado em um estupor alcoólico, como Lucius. Draco se confortava um pouco no fato de que ele não tinha chegado tão ao fundo do poço a ponto de beber uma garrafa de uísque por noite. Jogou-se na cama, olhando para o teto, sem realmente vê-lo.
Falar com seu filho não vinha naturalmente. Nunca o tinha. No ano anterior, Draco vira Harry levar seus dois filhos para o trem, e seu estômago se contorceu de inveja quando vira Harry conversar com seu menino mais novo, um sorriso reconfortante no rosto. Draco desejara muito ser capaz de fazer o mesmo com seu próprio filho, mas tudo o que conseguira fora lhe dar um sermão severo sobre honrar o nome da família Malfoy. Era o que o seu pai fizera, afinal. Mostrar afeição não era algo facilmente feito na casa dos Malfoy.
Mentalmente, Draco listara vários tópicos de conversas que podia abordar com Scorpius, e quase imediatamente os rejeitara durante o jantar dos últimos dias, resignando-se a pigarrear para esconder sua indecisão. Não podia evitar ver os ombros de Scorpius ficarem tensos todas as vezes. Mais cedo, ao subir as escadas, ouvira o farfalhar de papel, e ficou parado, escondido pelas sombras, observando seu filho embrulhar alguns presentes meticulosamente, cantarolando sob a respiração. Porém, no último, Scorpius tomara cuidado extra ao embrulhar. Draco dera um passo para frente, a pergunta de para quem era morrendo em seus lábios, antes mesmo de ela se formar.
Draco se encolheu em uma posição fetal no meio da cama, puxando os joelhos contra o peito. Fraco, zombou. Era uma acusação que seu pai lhe fizera inúmeras vezes, antes de Lucius ir para Azkaban.
Ele se perguntou quanto tempo demoraria até que se afundasse em ódio próprio e se afogasse.
Ele se perguntou se ele teria a coragem de continuar flutuando.
-x-
Scorpius pulou levemente no sofá de Andromeda, um pouco impaciente. Pegou outro biscoito, e o mordiscou distraidamente, suspirando explosivamente.
- Estamos o entediando? – Teddy perguntou, um brilho divertido em seus olhos.
- Não. – Scorpius respondeu honestamente. Era interessante ouvir histórias de como sua avó tinha sido quando ela tinha sua idade, mas ele estava ansioso para ir para Godric's Hollow para passar os últimos dias do feriado.
Teddy riu e se levantou.
- Vá pegar sua mala e seu agasalho. Eu prometi a Ginny que eu te levaria até lá antes do jantar. – Scorpius saiu correndo da sala de estar para pegar suas coisas na entrada. Quando ele voltou, seu agasalhou estava pendurado desajeitadamente ao redor de seus ombros.
Scorpius colocou sua mala no chão e passou os braços ao redor de sua mãe.
- Obrigado, mãe. Eu te mando uma coruja quando chegar na escola, segunda-feira.
Daphne retribuiu o abraço, lhe beijando a bochecha.
- Eu o verei na páscoa, querido.
Scorpius voltou sua atenção para Narcissa.
- Tchau, avó.
Narcissa bagunçou o cabelo de Scorpius.
- Não se meta em problemas. Eu não quero receber nenhuma carta de que você fez alguma coisa, como explodir as masmorras de Poções.
- Quero que saiba que eu só tiro Ótimos e Excede Expectativas em Poções. – ele fungou. – Mas não posso prometer que nada irá explodir perto de Fred, Jacob ou James. – disse, sorrindo imprudentemente. – Obrigado pelo chá, senhora... Erm... Tia...
- Apenas Andromeda. – Andromeda interrompeu gentilmente.
- Obrigado, Andromeda. – Scorpius disse, corando levemente. Olhou para Teddy. – Pronto?
- Absolutamente. Vamos. – Teddy se inclinou para beijar a bochecha de Andromeda. – Tchau, vó. Eu venho para o jantar amanhã. – ele e Scorpius foram para o jardim dos fundos. – Segure-se. – ele disse para Scorpius, que segurou a manga do agasalho de Teddy, e eles aparataram para Godric's Hollow.
Teddy guiou Scorpius até a porta da cozinha nos fundos da casa, chamando:
- Harry? Ginny? Chegamos!
Scorpius piscou na cozinha aquecida, preenchida pelo cheiro de canela e chocolate, seguindo Teddy até a sala de estar. Foi recebido pela visão de James e Al deitados de bruços perto do fogo, jogando algum tipo de jogo, murmurando algo sobre conservatórios e castiçais. Al ergueu os olhos e seu rosto se iluminou.
- Oi! Como foi seu natal? Ganhou alguma coisa boa esse ano? Recebeu o cachecol da minha mãe? Nós esperamos para tirar a foto para que você pudesse aparecer nela...
- Você vai deixar Scorpius responder ou vai fazê-lo esperar até você desmaiar por falta de oxigênio? – James interrompeu. – Não é como se você não o visse há meses, também.
- Cale a boca, James. – Al olhou feio para seu irmão. – Então? – perguntou, olhando para Scorpius com expectativa.
- O natal foi bom. Ganhei mais daqueles quadrinhos trouxas, e um livro sobre ervas mágicas escocesas e, sim, recebi o cachecol. – Scorpius puxou a ponta do cachecol vermelho de dentro de seu agasalho, balançando-o sobre a cabeça de Al. – Podemos fazer logo cedo, como ano passado?
O som de passos na escada fez Scorpius se virar. Lily tinha descido as escadas, mas parara no meio do caminho, abaixando a cabeça.
- Oi, Lily. – ele disse, sorrindo alegremente. Lily não respondeu, mas virou e subiu as escadas. Scorpius a observou com uma sobrancelha erguida. - O que foi isso?
Al e James trocaram um olhar e deram de ombros.
- Não sei. – James disse, recolhendo as peças do jogo e as guardando na caixa. – Ela está assim desde sábado. Um verdadeiro raio de sol durante o natal, se quer saber.
Scorpius tirou o agasalho e se acomodou no chão.
- O que aconteceu no sábado?
Al balançou a cabeça.
- Não sei. Ela e a mãe conversaram e, quando vimos, ela se trancou no quarto. Recusou a sair até irmos para A Toca no dia seguinte..
- Isso é estranho. – Teddy disse do sofá. Assustados, os três meninos viraram a cabeça para olhá-lo. Eles tinham se esquecido de que ele estava na sala. – Normalmente, Lily não vai pelo caminho silencioso.
- Nem brinca. – James murmurou.
- Oh! – Ginny saiu do escritório. – Quando vocês chegaram?
- Há cinco minutos. – Teddy respondeu, girando os olhos. – Você deve estar ficando surda na sua idade avançada.
Ginny cerrou os olhos para seu afilhado.
- Eu posso ter trinta e sete anos, mas ainda posso limpar o chão com seu traseiro. – ela retorquiu, lhe dando um tapa leve na parte de trás da cabeça. – Por que vocês três não levam essas coisa lá para cima e se preparam para o jantar? – disse para os meninos, apontando para a mala abandonada de Scorpius. – Harry. – chamou por sobre o ombro. – Teddy está aqui!
- Ow. – Teddy esfregou a cabeça, perto da orelha. – Você é terrivelmente barulhenta para alguém tão pequena.
- Você acha que Lily herdou isso de Harry? – Ginny zombou.
- Pode ser que sim. – Teddy sorriu para Ginny. – Você já o ouviu brigar com um grupo de treineiros por não trabalharem bem em grupo? Dá para ouvi-lo do outro lado do nível dois. Deixa todo mundo assustado. Ele é tão quieto normalmente.
- Vai ficar para o jantar, Teddy? – Harry perguntou, entrando na sala estar, um pedaço de pergaminho em suas mãos.
Teddy suspirou.
- Já falamos sobre isso, Harry. Eu não cozinho. Eu não sei cozinhar. A vovó tentou me ensinar. Molly tentou me ensinar. Você tentou. Ginny tentou. Fleur tentou. Até Ron tentou, depois de eu ter terminado a escola. Eu mal sei fazer torrada. Eu quase queimei o apartamento quando Vic foi jantar mês passado. E eu só estava tentando ferver a água do chá.
- Espero que ela saiba cozinhar. – Harry suspirou. – Caso contrário, é mais fácil vocês dois virem morar aqui, com Andromeda ou com Bill e Fleur. Se não, vão morrer de fome.
- Provavelmente. – Teddy concordou alegremente. – Mal consigo fazer sanduíches.
- Espere. – Ginny ergueu uma mão. – Explique isso.
- Ou eles ficam muito empapados, muito secos, têm coisas demais ou coisas de menos. – Teddy deu de ombros. – É um mistério total.
- É, nem mesmo o Departamento de Mistérios consegue resolver. – Harry foi até o pé das escadas. – Lily! Desça e coloque a mesa para o jantar.
Lily desceu as escadas e desapareceu na cozinha, sem sequer acenar para Teddy. Teddy indicou o lugar por onde Lily sumira.
- O que ela tem?
Harry passou um braço a redor da cintura de Ginny.
- Acabou de perceber que a vida não é como seus contos de fadas. – ele disse. – Ela vai mudar de ideia. – ele pausou. – Espero.
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Depois do jantar, Scorpius entregou os presentes de James, Al e Lily. Ele notou que, enquanto Al e James abriram os seus presentes animadamente, Lily aceitou o seu com um agradecimento indiferente, e o colocou em seu colo, sem fazer menção de abri-lo. A James, ele dera um par de luvas de Artilheiro — sem dedos, para maximizar a habilidade do jogador pegar a bola, mas enfeitiçada para impedir que a mão suasse. Elas também eram especialmente destinadas aos jogadores das escolas. As luvas iam crescer com James, e ele ainda conseguiria usá-las em seu sétimo ano. Para Al, Scorpius encontrara uma maquete de um campo de Quadribol com dois times minúsculos. Ele podia jogar sozinho, usando um time contra o outro, ou outra pessoa podia guiar um dos times.
Harry notou Lily, sentada quietamente, as mãos dobradas sobre o colo, o presente intocado.
- Lily? Não abrir o seu?
Lily deu de ombros.
- Abro mais tarde.
Era quase insolente, até onde Harry se importava. Ele olhou para Ginny e ela juntou os meninos, levando-os para tomar chocolate quente na cozinha. Harry chamou Lily.
- Lily, quando alguém lhe dá um presente, você tem que agradecer. Não é assim que se trata um convidado da nossa casa. – os olhos arregalados de Lily brilharam em rebeldia, mas Harry continuou. – Você precisa abrir esse presente, e agradecer Scorpius, mesmo que não goste do presente. Obviamente, ele gastou muito tempo e esforço para encontrar algo para você.
- Eu não quero abrir agora. – Lily protestou.
Harry se impediu de apertar a ponte do nariz para diminuir a dor de cabeça iminente.
- Então, você precisa ir para o seu quarto.
Lily pegou o embrulho e correu escadas acima. Ela não bateu a porta dessa vez, mas ainda assim a fechou um bang ruidoso.
Teddy se recostou nas almofadas do sofá. Lily estivera distante de Scorpius a noite toda, e Scorpius notara. Teddy não deixara de notar o leve brilho de confusão magoada quando Lily se recusara a abrir o presente. Não era condizente com a maneira que ele vira Lily tratar Scorpius durante o verão, quando ela fora a criança educada e alegre que ele conhecia, não essa sombra do que costumava ser. Era verdade que Lily tinha um temperamento, mas, como Ginny, ela estourava rápido, mas se acalmava igualmente rápido.
Teddy escorregou para fora do sofá, e caminhou na direção das escadas.
- Harry, você se importa...? – ele perguntou, gesticulando na direção do andar de cima, e subiu as escadas sem esperar que Harry respondesse.
James, Al e Scorpius voltara para a sala de estar em frente a Ginny, que levitava uma bandeja cheia de biscoitos e chocolate quente.
- Onde Lily está? – Scorpius perguntou.
- Lá em cima. – Harry disse. Scorpius apenas assentiu, seus olhos normalmente expressivos, fechados.
James e Al trocaram um olhar e correram atrás de Teddy.
- Vamos pegar aquele jogo que o tio George nos deu. – James avisou por sobre o ombro.
- Precisam ir os dois? – Ginny perguntou.
- Sim. – a resposta de Al soou pela escada.
Ginny fechou os olhos por um momento, antes de abri-los, sorrindo gentilmente para Scorpius, cujo rosto estava cuidadosamente inexpressivo. Era um ar que Ginny reconhecia da juventude de Harry.
- O que eu fiz? – ele perguntou quase lastimosamente.
Ela tocou seu ombro.
- Você não fez nada. – ela lhe disse firmemente. – É apenas algo que Lily precisa resolver.
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Teddy bateu na porta de Lily.
- Lily? – sem resposta. Ele bateu com mais força. – Lils?
- Vá embora. – ela disse tristemente.
- Sério, ela está assim a semana toda. – James disse de trás de Teddy.
Ele olhou para James e Al, parados no alto da escada.
- Caramba. – ele disse levemente. – Eu não esperava que ela ficasse toda hormonal comigo até ela ter a sua idade, James.
James ficou de boca aberta.
- Ei! – ele protestou. – Eu não sou tão ruim.
- É, ta bom. – Al zombou. – No verão antes de eu começar a escola, quando a mãe e o pai tiraram sua vassoura, você fez birra por dois dias.
- Não fiz, não!
- Fez, sim. – Al retorquiu.
- Podemos nos focar? – Teddy suspirou, interrompendo a briga de irmãos. – Vocês dois vão descer e entreter Scorpius. Lily e eu precisamos conversar.
- Certo. – James murmurou. – Vamos, Al. – ele disse, puxando o braço de Al. – Vamos mostrar a Scorpius o jogo que o tio George nos deu. – relutantemente, Al deixou James levá-lo para o andar de baixo.
Teddy esperou até o som de seus passos morrerem, e ouvir vozes animadas começarem a explicar como o jogo de assassinato misterioso funcionava.
- Lily? Eles se foram. Posso entrar? – tentou girar a maçaneta, e a porta se abriu. Lily estava sentada no parapeito da janela, torcendo a orelha de seu amado coelhinho de pelúcia. Teddy se sentou ao lado dela. – Ei, agora. Você não quer deixar Cadbury assimétrico, quer? – ela deu de ombros. Teddy franziu o cenho. Normalmente, Lily tinha uma personalidade tão vívida quanto seu cabelo. Essa não era a Lily que ele considerava sua irmãzinha. Ela torceu a orelha com mais força, e Teddy fez uma careta. Ele tinha lhe dado o coelho em seu aniversário de três anos. Ele colocou uma mão no pulso dela, e ela parou de girar a orelha em sua mão. Ele colocou Lily em seu colo, seu cabelo ficando em um tom claro de castanho. – O que foi, querida?
Lily balançou a cabeça, as pontas de suas tranças roçando as mãos de Teddy.
- Nada.
- Ei. – Teddy ergueu o queixo de Lily. – Você nunca tratou Scorpius dessa maneira antes. Foi rude, Lils.
Lily olhou feio para Teddy.
- Ele... – ela mordeu o lábio e soltou o ar, balançando a cabeça. – O avô dele fez algo cruel com a mamãe, quando ela estava na escola. – ela explicou com hesitação.
- Oh. – Teddy assentiu. – O diário?
- Como você sabe? – Lily olhou para Teddy, maravilhada.
- Meu pai tinha diários. – com a expressão confusa de Lily, ele elaborou. – É o que vocês, garotas, chamam de diário ¹. Ele deu aula de Defesas no ano depois disso acontecer, e sua mãe estava tendo dificuldades. Ele conseguiu fazê-la falar sobre o assunto. Estava afetando sua habilidade de se defender. Riddle entrou mesmo na cabeça dela. Ela demorou uns bons dois anos para superar.
"Enfim, eu encontrei todos os diários do meu pai no sótão da casa da minha avó quando eu tinha a idade de James. Eu pegava um, lia e o colocava de volta, antes de ler o outro." Teddy deu de ombros. "Mas eu ainda não entendo porque você está tão distante com Scorp."
- Foi o avô dele. – Lily repetiu, como se isso explicasse tudo. – Era como se ele não se importasse com o que poderia acontecer à mamãe.
Teddy suspirou.
- Lils, alguma vez Scop fez algo remotamente prejudicial para alguém dessa família?
- Não. – ela admitiu. – Mas ele é o parente de alguém que é tão... – Lily parou de falar, procurando por uma palavra. – Asqueroso. – ela terminou.
- Eu também. – Teddy disse quietamente. Os olhos de Lily se arregalaram em choque, e todo o ar em seus pulmões saiu com um whoosh ruidoso. Teddy sorriu sem humor. – É. Minha avó e a avó de Scorpius são irmãs. E uma das maiores seguidoras de Voldemort, ou Riddle, como queira, era a irmã mais velha delas. Ela fazia parte do seu círculo de confiança. Neville; seus pais morreram em St. Mungos uns dois anos depois de eu ter começado a escola. Eles foram torturados até a insanidade por ela. – Teddy engoliu. – Neville nunca teve rancor de mim por ser parente dela. – ele continuou suavemente. – Você ser parente de alguém não quer dizer que você divide as mesmas crenças.
Teddy parou para respirar fundo.
"Scorpius não merece que você seja tão hostil com ele. Ele tem tido uma vida difícil por causa das ações de seu pai e avô. Normalmente, você não me desaponta tanto, querida." Teddy beijou o topo da cabeça de Lily, suavizando um pouco suas palavras. Colocou Lily de volta na almofada sobre o parapeito da janela e saiu do quarto.
Lily olhou para o embrulho alegre que jogara no meio de sua cama. Ela o pegou, e correu um dedo sob a borda do papel de embrulho. Um livro caiu em suas mãos e ela o virou algumas vezes, antes de levá-lo até o parapeito da janela.
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Lily estava deitada na cama, olhando para o teto. Ela estava com fome. Ela tinha beliscado seu jantar e recusara a sobremesa. A casa estava parada e silenciosa. Afastou o cobertor e encontrou suas pantufas e roupão. Foi até a cozinha na ponta dos pés, e parou ao encontrar Scorpius sentado à mesa, uma xícara de chocolate quente a sua frente e um livro em suas mãos. Ele a olhou.
- Eu não sei o que eu fiz. – ele começou, incerto.
- Não foi você. – ela disse apenas.
- Então, por que está me ignorando?
- Não estou te ignorando!
- Oh, mesmo? – ele zombou. – Então, do que chama o que tem feito comigo desde que eu passei pela porta esta tarde?
- Eu não quero ficar brava com você. – Lily disse, indo até a jarra no balcão, e pegando um punhado de biscoito.
- Isso não faz sentido.
- Seu avô. – Lily quase cuspiu. – Ele machucou minha mãe.
- Oh. – Scorpius procurou por sua memória. – Eu não sabia... – ele murmurou.
Lágrimas correram pelo rosto de Lily.
- Eu não consigo evitar. Eu olho para você, mas tudo no que consigo pensar é... – ela se sentou em uma cadeia, do outro lado da mesa, e mastigou seus biscoitos. Eles ficaram em silêncio por vários minutos. Scorpius olhou para a mesma página, as palavras não mais fazendo sentido. Lily pigarreou. – Eu gostei do livro. – ofereceu. – É engraçado. – ela ficou em silêncio por um momento, e se levantou para pega outro punhado de biscoitos. – Obrigada. – ela colocou o punhado de biscoitos no meio da mesa, em uma oferta silenciosa.
Scorpius ergueu os olhos de seu livro.
- De nada. – ele respondeu quietamente, pegando um dos biscoitos.
Continua...
¹ honestamente, eu sei que não fez muito sentido esse trecho em português. Em inglês, o diário mantido por homens é chamado de "journal", enquanto o mantido por mulheres é "diary". Infelizmente, em português, as duas palavras possuem a mesma tradução, de modo que não há como traduzir e manter a diferença bem como o sentido.
