N/A: Capítulo dedicado à Ab Winchester, Mayumi Shinomori, su-chan, , Isa Clearwater, Jo Harv., alice e Daaf-chan.

Gente, desculpe a demora, mas andei muito ocupada essa semana, e não tive tempo de postar aqui. Vou tentar postar mais rápido no próximo capítulo :D


Capítulo Vinte

Leah olhou assombrada aquela forma. Não emitiu nenhum som. Não podia. Voltou-se a olhar para Jacob.

Ele soltou uma imprecação entre dentes.

- Selene - disse.

- Oh, Meu Deus.

Leah levou as mãos às faces, e percebeu que estava tremendo.

Jacob havia dito exatamente o que ela estava pensando. Ele tirou o resto das pedras e limpou a entrada. Pôs uma mão sobre seu braço.

- Não sabemos com segurança.

Ele se deteve e a olhou.

- Eu sei. Quem ia ser?

- Não devemos alterar o corpo. Alguém será capaz de...

- Identificá-la? - perguntou ele. Depois assentiu, um pouco mais calmo - Sim. Tem razão. Não tocarei o corpo. Mas tenho que vê-lo.

Entrou com a lanterna na frente, a gatas. Leah o seguiu. Ele colocou a luz sobre o corpo.

Era uma mulher, e estava envolta como uma múmia em um tecido que se estava desfazendo. Tinha a cabeça e os ombros envoltos em outro tecido de cor branca, com manchas de cor marrom e amarelada. Leah se deu conta de que o tecido branco era, em realidade, uma combinação. Sob o tecido de gaze branca se apreciavam os rasgos enrugados de uma caveira que ainda conservava mechas de cabelo. Leah tomou ar bruscamente e, de repente, sentiu-se um pouco enjoada.

Afastou-se do corpo e fechou os olhos.

- É ela?

- Não estou seguro, mas, quem pode ser? - disse Jacob com um suspiro. Depois tomou a mão de Leah, a apertou suavemente e acrescentou - Devemos voltar para avisar a outros. Meu tio é o único que pode identificá-la.

Lah assentiu, olhando-o nos olhos.

- Sim, faremos isso, mas está bem?

jacob sorriu com tristeza. Levou a mão de Leah aos lábios e lhe deu um beijo nos nódulos.

- Sim. Faz muito tempo. E ao menos agora sei que não me abandonou.

Ele apoiou a fronte contra a de Leah durante um instante, e depois se afastou.

- Vamos procurar os outros.

Saíram novamente a gatas da cavidade e, com alívio, ficaram em pé no túnel. Leah olhou a seu redor.

- Saberemos encontrar o caminho de volta?

- Acho que sim, embora possa ser que demoremos um pouco. Deixaremos algumas coisas pelo caminho para nos assegurar de que podemos voltar até aqui.

Enquanto retrocediam, deixaram os laços que Leah levava no cabelo, as luvas, o relógio e os binóculos de Jacob nas voltas principais e nas bifurcações. Não tiveram que esperar muito até que ouviram vozes. Detiveram-se, escutaram, e Jacob gritou para chamar a atenção de outros.

Um momento depois ouviram a voz de um homem que se aproximava.

- Jacob?

- Jacob!

- Piers! - respondeu Jacob - Estamos aqui. Continuem avançando!

Houve um intercâmbio de gritos durante o qual, algumas vezes, os gritos se afastaram. Entretanto, por fim viram uma luz e, um momento depois apareceram três homens com faróis na curva de um túnel. Piers e o tio do Jacob foram primeiro, e depois Emmett.

Robert tinha uma expressão de angústia, e inclusive Piers estava preocupado. Só o duque mantinha sua costumeira calma.

- Graças a Deus, Jacob! - exclamou Piers - Estávamos muito preocupados. Onde estavam?

- Né... nos perdemos um pouco e depois encontramos algo.

Algo devia se refletir no rosto do Jacob, porque fosse o que fosse o que os outros homens iriam dizer ficou nos lábios. Emmett olhou ao Jacob e depois a Leah, e ela se deu conta do sujos e desarrumados que deviam estar.

- Mostrem-nos - disse Emmett.

Voltaram atrás, tomando o que tinham deixado marcando o rastro, até que chegaram à tumba uma vez mais. Leah observou como os outros homens se agachavam junto à entrada e olhavam dentro. Piers tomou ar com um ofego, e Robert empalideceu. Olhou a seu sobrinho com uma pergunta nos olhos.

Jacob sacudiu a cabeça.

- Não sei. Você é o único que nos pode dizer isso com segurança.

Robert voltou a olhar para a cavidade, e em seu rosto se refletiu tanta dor que Leah teve que afastar a vista. Jacob e ele entraram na tumba, e Emmett se voltou para ela.

- Selene? - perguntou-lhe.

- Acreditam nisso.

Piers os olhou com curiosidade, mas percebeu que aquele não era o melhor momento para pedir uma explicação. Jacob e Robert tinham chegado junto ao esqueleto. Ouviram uma exclamação afogada de lorde Robert. Depois disse em voz baixa:

- É uma camisola. Está envolta em uma camisola. Eu... não sei se era sua. Ajude-me.

Entre os dois afastaram o material, que ficou reduzido a pó e a farrapos.

- Oh, Deus - sussurrou Robert - Sua aliança. E isto, este broche. Eu o dei de presente. Deus Santo. É Selene. Selene.

Emmett ficou em pé.

- Lady Leah, me permita que a acompanhe de volta com as outras damas. Senhor Aldenham, se não se importa permanecer aqui com eles, eu enviarei ao chefe de estábulos de volta ao Radbourne Park para que traga uma carruagem imediatamente. Rosalie e Leah levarão a outros à casa, e eu voltarei para ajudar assim que tenha organizado tudo.

Piers assentiu.

- Esperarei.

- Está bem? – perguntou o duque a Leah enquanto se afastavam da tumba.

Ela assentiu.

- Sim. foi um descobrimento muito macabro, mas... - encolheu os ombros com um meio sorriso-, ninguém lhe dirá que sou uma mulher delicada.

- Graças a Deus - respondeu Emmett - Seria um pouco complicado ter que levar nos braços a uma mulher inconsciente por estes túneis. Ou a uma com um ataque de histeria.

Sorriu-lhe, e Leah ficou assombrada ao ver como o sorriso lhe iluminava o rosto, lhe proporcionando uma calidez a seu semblante que normalmente não tinha.

- Sim, imagino que seria difícil - concordou ela. Depois suspirou - Receio que será muito duro para o Jacob. Estava tentando assimilar a notícia de que sua mãe fugira com um amante, e agora descobre que foi assassinada. Suponho que não pode ser outra coisa que um assassinato, não acha?

- Sim - respondeu Emmett - A tia Jane me contou a história da tia Pansy, que lady Selene tinha fugido com seu amante. Suponho que lady Selene não pôde escrever uma carta explicando que partia e depois vir aqui para tirar a vida, embora não entendo por que fez acreditar a todo mundo que partira.

Entretanto, não acredito que pudesse suicidarse e depois envolvê-la cabeça com uma gaze.

- Não. Parecia como se... como se tivesse um lado fundo da cabeça.

- É um assunto horrível. Ao menos, Cecil está morto. Não terá que passar a agonia de um julgamento.

- Acha que foi o pai do Jacob quem a matou?

- Ele foi o único que leu a nota, se é que entendi corretamente a minhas tias avós. Acredito que devia ser ele, ou seu criado de quarto. Suponho que pôde lhe ordenar a seu homem de confiança que o fizesse.

Owenby lhe professava uma lealdade total.

- Mas por que levaram a Jacob?

- Isso não o entendo - admitiu Emmett - Ah, já chegamos à caverna principal.

- Está familiarizado com estas cavernas? - perguntou-lhe Leah.

Ele a olhou com surpresa.

- Não. Nunca tinha estado aqui.

- E por que conhecia tão bem o caminho de volta?

Emmett arqueou uma sobrancelha.

- Quando começamos a pensar que lorde Jacob e você tinham se perdido, ao menos durante mais tempo de que é normal em um casal recém comprometido, - explicou com um sorriso - marquei o caminho que tomamos para me assegurar de que não nos perdíamos todos.

- Claro - disse Leah, sorrindo para si. Entendia muito melhor os comentários de Rosalie sobre o duque.

- Milady! - exclamou o criado dos estábulos. Estava esperando na cavidade principal, com o senhor Surton, e ficou em pé de repente ao vê-los - Sua Senhoria...

- Lady Leah está bem - assegurou Emmett aos dois - Temo que lorde Jacob e ela se desorientaram, mas os encontramos. Necessitarei de sua ajuda, Barnes, se não se importa esperar um momento. Senhor Surton, posso lhe pedir que acompanhe de volta a casa às damas? Acredito que lady Leah deveria retornar quanto antes. Como podem ver, está um pouco afetada pelo acontecido.

O duque se voltou para ela e murmurou:

- Trate de parecer afetada.

Leah levou uma mão, fracamente, ao peito.

- Senhor Surton, não sei como agradecer. Sinto-me um pouco enjoada.

Surton se apressou a lhe oferecer o braço. O duque se dirigiu ao cavalariço e falou com ele em voz baixa. O cavalariço ficou assombrado, mas assentiu e saiu rapidamente a cumprir as ordens do Emmett. Assim que Leah e Surton saíram da caverna, Rosalie se aproximou.

- Leah! Está bem? Ocorreu algo? Onde estão os outros?

- Temo que devemos terminar com a excursão - disse o duque, saindo da gruta atrás deles - Lady Leah está bem, embora um pouco cansada. Lady Hale, posso falar com você?

Leah observou como o duque conduzia à parte a sua amiga e se inclinava para ela para lhe falar em voz baixa. Leah viu que Rosalie levava a mão ao pescoço com consternação, e Emmett ergueu o braço como se fosse lhe acariciar a mão, mas rapidamente se conteve. Limitou-se a fazer uma reverência e se virou para voltar para a caverna. Rosalie se aproximou correndo de Leah.

- Oh, vá, que bom, não sei como chamá-lo. Está bem, querida?

Leah assentiu.

- Sim, mas temos que levar a todo mundo de volta à casa e encontrar uma maneira de ocupá-los para que você e eu possamos explicar à família do Jacob o que aconteceu.

- Não se preocupe, me ocorrerá algo.

Rosalie pôs em marcha a todo mundo, e quando chegaram à casa, com ajuda do senhor Surton, organizou uma partida de cricket na grama do jardim. Enquanto outros se entretinham, Leah e Rosalie pediram ao mordomo que avisasse às mulheres da família. Elas duas entraram na biblioteca e se sentaram a esperar. Lady jane e sua irmã chegaram um momento depois, seguidas pela Lauren, que estava um pouco irritada.

- Rosalie? - disse lady Jame - O que significa isto? Por que enviou Horroughs para nos buscar? - então, sua expressão mudou. - Ocorreu algo ao Jacob?

- Não, lorde Jacob esta perfeito - lhes assegurou Rosalie, e depois olhou ao Leah.

Leah assentiu.

- O que ocorreu é que encontramos algo na caverna. É... me perdoe, lady Radbourne – disse à Pansy -, mas não me ocorre uma maneira fácil de dizer isto. Seu filho, lorde Robert, identificou o corpo de lady Selene.

Nem sequer lady Jane pôde dizer nada depois de saber a notícia. Depois de um momento de assombro, as mulheres começaram a fazer perguntas, mas Leah não podia respondê-las. assim, esperaram com ansiedade que retornassem os homens com o corpo.

Leah se levantou de um salto quando, por fim, ouviram o som das botas de montar no vestíbulo. Um momento depois se abriu a porta da biblioteca e entraram Robert, Jacob e Emmett. Leah olhou ao Jacob. Tinha o semblante grave e o olhar triste, e levava algo envolto em um tecido.

- Robert? - disse Pansy, que se levantou com as mãos trementes - É... é realmente Selene?

Seu filho assentiu.

- Sim. Estou certo. Este é o broche que ela levava tão freqüentemente, e esta é sua aliança.

- O que ocorreu? - perguntou Pansy - Como pôde ser?

- Perdeu-se? - inquiriu lady Jane - Caiu ou...?

Jacob a interrompeu bruscamente.

- Foi assassinada - disse, olhando a sua avó - Meu pai a matou.

Lady Pansy se desabou sobre o sofá.

- Não! Não é possível! Alguém deve tê-la levado, Seqüestrou-a em seu quarto e a levou a caverna.

- Mataram-na aqui - respondeu Jacob - encontramos isto em um canto da tumba.

Ele afastou o tecido e mostrou o objeto que tinha na mão. Era um pequeno relógio branco com uma mancha marrom, a mesma que sujava o tecido branco.

- Não! – gritou Pansy - Não pode ser!

- É seu relógio, não é assim? - perguntou-lhe jacob - O relógio de que nos falou sua criada. O relógio de lady Selene. Usaram-no para lhe quebrar a cabeça.

Pansy gritou e começou a soluçar.

- Basta - disse Robert, evitando olhar o que Jacob tinha na mão - É o relógio de Selene. Já lhe disse. Deixa em paz a mamãe. Ela não sabe nada do que ocorreu.

- Claro que não! - disse lady Jane, que estava tremendo – Nenhum de nós sabíamos. Algum louco deve ter entrado aqui e...

- Já é suficiente! - bradou Jacob - Já houve muitas mentiras e enganos. Meu pai a matou. Vou averiguar o que ocorreu exatamente!

Então se virou e saiu correndo da sala. Outros ficaram imóveis, envoltos em um silêncio que só alteravam os soluços de lady Pansy.

- Aonde demônios vai? - perguntou Emmett.

- A casa do Owenby - respondeu Robert - Irei atrás dele – acrescentou.

- Não, fica com sua mãe - disse o duque - Eu irei.

- Não sabe onde está a casa - protestou lorde Robert.

- Eu sim - disse Leah, já de caminho para a porta - Mostrarei a ele.

Emmett e ela pediram dois cavalos, que os cavalariços prepararam rapidamente, e saíram em busca do Jacob. Dado que ambos eram melhores cavaleiros que ele, conseguiram vê-lo justo quando desmontava frente à casa do velho criado, e entrava como uma ventania.

Leah e o duque o seguiram e desmontaram também. depois de atar as rédeas das montarias aos ramos de uma árvore, correram para a entrada da casinha. A criada saiu para recebê-los com cara de espanto, gritando.

- Detenham-no! O vai matar!

Encontraram ao Jacob na cozinha, onde parecia que tinha encurralado ao criado de seu pai. Owenby devia ter tentado fugir pela porta traseira, mas Jacob lhe tinha cortado a passagem. O ancião estava encolhido contra a parede, e Jacob o ameaçava com o atiçador da chaminé.

- Não o negue! Sei que alguém a matou! Você ou ele! Quem foi?

- Eu... eu...

- Diga-me - disse Jacob, e deu um terrível golpe com o atiçador no chão.

- Jacob, basta! - pediu-lhe Leah - Não pode responder-lhe porque o tem aterrorizado.

Jacob se virou, surpreso.

- Leah! Emmett! O que estão fazendo aqui?

- Acaso pensava que ia deixar que matasse o criado de quarto de seu pai em um ataque de ira? - respondeu Leah - Não tenho intenção de passar a noite de núpcias visitando-o no cárcere.

- Não seja boba. Não vou matá-lo.

- Claro que não - interveio Emmett. Aproximou-se do Jacob e lhe tirou o atiçador da mão.

Jacob o olhou com desgosto, e se voltou de novo para o Owenby.

- Ainda posso afogá-lo. E tenha por certo que não vou duvidar em fazê-lo se não começar a falar. E rapidamente.

- Estou certo de que... Owenby, verdade?, estará encantado de nos contar o que ocorreu a sua mãe - disse Emmett brandamente - Não é assim, Owenby?

- Eu não fiz nada. Eu não matei a lady Radbourne. Juro-o!

- Não acredito que o fizesse - lhe disse Jacob - Estou certo de que a matou meu pai. O que quero que me diga é o motivo. Me diga o que ocorreu.

- Não sei. Não sei! Não estava ali quando aconteceu. Lorde Cecil me disse... bom, eu ouvi um golpe. Estava esperando em seu quarto para ajudá-lo a despir-se. E os ouvi discutir.

- Sobre o que? - perguntou Leah.

- Não sei. É a verdade. Ouvia as vozes, mas não distinguia o que estavam dizendo. Salvo uma vez que ele gritou que tinha umas cartas. E quando eu entrei, mais tarde, havia papéis queimando-se na chaminé. Acredito que sua senhoria jogou as cartas ali.

- O que ocorreu? Não entrou quando ouviu o golpe?

- Não, milord. Não estava em situação de fazê-lo. Era algo entre marido e mulher.

- Assim não fez nada? - perguntou-lhe Jacob em tom de desprezo.

- Exato - respondeu Owenby desafiante - Esperei.

- E quando entrou no quarto? - perguntou-lhe Emmett, antes de que Jacob se lançasse sobre o homem.

- Bom, depois que ela gritou, eu ouvi que lhe dizia que nunca lhe permitiria partir. E então, ela gritou mais, algo como 'não!' ou 'vá!', e então houve um golpe, e depois, outros golpes e não sabia o que tinha ocorrido, assim me aproximei da porta e ele a abriu e me arrastou dentro. Vi lady Selene estendida no chão, com a cabeça cheia de sangue. Dava-me conta de que estava morta, porque tinha o olhar vítreo e perdido.

- Tinha-a golpeado com o relógio?

Owenby assentiu.

- Sim. Não era um relógio grande. Lorde Cecil deve ter agarrado-o e golpeou-lhe a cabeça com ele. E acho que depois que ela caiu no chão, golpeou-a mais vezes. Mas não foi culpa dele!

- Não? - estalou Jacob - A matou a golpes!

- Obrigou-o. Deixou-o louco de ciúmes. Ele sabia que se estava deitando com seu irmão, Oh sim, eu também sabia. Estava claro pelo modo em que se olhavam o um ao outro.

- Mas lorde Robert nem sequer estava aqui. - disse Leah – Partiu para o exército alguns meses antes.

- Acho que foram suas cartas o que enfureceu a lorde Cecil. Ele devia escrever à lady Selene, e lorde Cecil encontrou as cartas.

- Assim a matou? - perguntou Emmett, sem dar crédito.

- Ele não queria fazê-lo. Perdeu a cabeça. Disse-me que acreditava que a tinha matado, mas que não sabia como tinha ocorrido. Não queria fazê-lo.

- Bom, pois claramente pensou muito bem como ocultar seu crime -argumentou Jacob.

- Eu pensei nisso, senhor - disse Owenby com um deixe de orgulho - Sugeri-lhe que dissesse que lady Selene tinha fugido, mas ele pensava que seria um escândalo muito grande. Assim lhe disse que podíamos fingir que tinha havido um seqüestro. E isso foi o que fizemos. Eu a envolvi em sua camisola e lhe envolvi a cabeça com um par de combinações. Limpei todo o sangue do chão com outras combinações e depois envolvi o relógio com sua camisola. Levamos ela ao piso de baixo e eu a tirei da casa e a transladei às ruínas. Deixei o corpo ali, sob umas quantas pedras. Depois voltei pelo menino. Levei-o... o levei para um homem ao que conhecia.

- A Londres? - perguntou Jacob - Me levou a Londres?

- Não! Não até Londres. Só até o Chipping Camden. Ali havia um homem que ficava com os meninos que não queria ninguém.

Não olhou ao Jacob enquanto pronunciava aquelas palavras, como se pudesse separar a aquele menino do homem que tinha frente a si. Owenby encolheu os ombros.

- Depois voltei e fizemos o que tínhamos planejado. Lorde Cecil se comportou como se sua esposa e seu filho tivessem sido seqüestrados. E fingiu que me dava o colar para que eu o levasse aos seqüestradores. Entretanto, dirigi às ruínas, tomei o corpo e o levei a caverna. Ali o escondi atrás de um muro para que ninguém o encontrasse acidentalmente. E lorde Cecil proibiu às pessoas que voltassem a ir por ali.

Os três olhavam ao Owenby fixamente. Leah estava horrorizada pela narração objetiva que estava fazendo o antigo criado. Olhou ao Jacob, que parecia esgotado. Certamente sua fúria se dissipou ou se converteu em um desespero frio.

- Mas não tem sentido. - disse ao cabo de uns instantes - Por que teve que afastar ao Jacob de sua casa? Por que quis lorde Cecil desfazer-se de seu único filho e herdeiro?

- O menino o viu tudo. Despertou, suponho que pelos gritos. Seu quarto estava junto ao de sua mãe. E ele os surpreendeu discutindo. Viu como lorde Cecil golpeava a sua mãe. E começou a gritar também. Então lorde Cecil o deixou inconsciente de um golpe para que se calasse. Tinha medo de que pudesse despertar toda a casa. E quando eu voltei, o menino continuava inconsciente. Acredito que lorde Cecil lhe deu láudano para mantê-lo adormecido. Disse-me que me desfizesse do menino também por causa do que tinha visto. Não podia ficar na casa, onde possivelmente um dia decidisse contar o que tinha acontecido.

- Mas se era seu próprio filho! - exclamou Leah.

O criado a olhou com desprezo.

- Desde o dia em que se casaram, ela foi infiel. Seu irmão não foi o primeiro, só o último. Teve muitos amantes - disse, e cravou ao Jacob um olhar de ódio - Pensa que é importante, não é? Pois está equivocado. Não é ninguém. Não é o filho do conde.