Capítulo 21

Mandy olhou com curiosidade para Manoel e Raquel Cortez antes que Sawyer os apresentasse.

- Seu Manoel, dona Raquel, esta é a sardentinha...

- Pai!- a menina queixou-se porque ele a estava apresentando por seu apelido, não por seu nome. Não que isso a deixasse zangada, pelo contrário, era uma brincadeira particular entre pai e filha.

- Oh, digo, esta é a minha filha, Amanda Katherine Sawyer. Está melhor agora?- ele indagou à menina que deu um lindo sorriso.

- Olá, Amanda.- saudou Raquel.

- Meus amigos me chamam de Mandy.- ela corrigiu o pai mais uma vez.

- Olá, Mandy.- dessa vez, foi Manoel quem disse, segurando a mãozinha da menina.

- È um prazer.- Mandy respondeu educadamente à Manoel e Raquel ,segurando a mão do primeiro.

- Mas ela é uma gracinha.- elogiou Raquel. – Você gosta de suspiros, Mandy? Eu acabei de tirar uma bandeja do forno.

A menina lambeu os lábios.

- Suspiros são os meus preferidos.

Raquel estendeu sua mão para ela e a menina a acompanhou até a cozinha. Quando as duas se afastaram, Manoel comentou:

- Sua filha é linda, Sawyer. Sabe, quando eu vejo uma garotinha assim sinto saudades de quando Analulu era criança. Tenho muita vontade de ser avô, mas pelo jeito mi hija não está muito interessada em se casar agora, e eu confesso que não gosto muito daquele namorado dela.

Sawyer sorriu para Manoel.

- Ana-Lucia é uma mulher linda e inteligente, tenho certeza que se casará com um bom homem como o senhor deseja.

- Não sei não, meu amigo. Quanto ao fato dela ser linda e inteligente, eu concordo, ela puxou o meu tino para os negócios, mas tem um gênio do cão, não é meiga como a mãe dela, e isso me preocupa, sabe? Minha filha precisa de um homem que cuide dela, embora não admita isso.

- Falando de mim, papa?- Ana surgiu de repente, na sala.

Sawyer experimentou uma sensação de ansiedade na boca do estômago ao ouvir a voz dela, era sempre assim quando eles se encontravam. Observou-a rapidamente. Ana-Lucia usava uma roupa informal, camisa branca com botões na frente, jaqueta e calça jeans. Uma faixa de pele delicada ficava à mostra, assim como o umbigo pequeno que Sawyer achava tão sexy. Isso fazia lembrar-se do piercing que ela mandara colocar oito anos atrás somente para agradá-lo e ele não fora capaz de lhe dizer uma palavra de incentivo e carinho naquela época. Como tinha sido idiota!

- Bom dia, fad...digo, Srta. Cortez.- Sawyer cumprimentou, o mais formal que pôde.

- Bom dia, Sr. Sawyer.- ela cumprimentou de volta no mesmo tom, tentando ignorar o quanto ele estava sexy de camisa azul marinho e calça jeans escura, os cabelos loiros com uma mecha charmosa caindo por seu rosto. Era impressionante como aquele visual rebelde continuava combinando com ele oito anos depois.

Manoel olhou de um para o outro tentando entender toda aquela formalidade.

- Hey, por que estão se cumprimentando assim, niños?- ele indagou. – Até parece que não jantaram juntos aqui esta semana, que não são amigos.

- Amigos não, papa. Apenas conhecidos. – Ana corrigiu, ainda mantendo a formalidade. – E agora, nossa relação é unicamente de negócios. Estou aqui hoje a pedido da minha cliente, Kate Austen, para acompanhar a filha à visita com seu pai.

- O quê?- Manoel ficou surpreso. – Você é a advogada da ex-mulher do Sawyer?

- Sim, papa.- Ana respondeu sem emoção.

- Não posso acreditar!- ele olhou de um para o outro. – Se você é a advogada da ex-mulher dele, isso significa que já se viram antes. Por que mentiram para mim?- Manoel indagou, zangado.

- Não mentimos, papai. Nós omitimos o fato porque da última vez que nos encontramos não foi para falar de negócios, então...

- Sawyer disse que não via você há oito anos!- ele insistiu.

- Desculpe, Seu Manoel, quando eu disse isso quis dizer que não via Ana-Lucia há oito anos fora o fato dela ser advogada da Kate, eu devia ter explicado melhor...

- Essa história de vocês dois está muito estranha!- Manoel reclamou.

Ana-Lucia pigarreou e mudou de assunto:

– E então, Sr. Sawyer, o que agendou para hoje com sua filha? Está ciente de que irei acompanhá-los?

- Oh sim, completamente ciente.- ele respondeu com ar de deboche que não passou desapercebido à Ana-Lucia. Ele ficava realmente irritado quando ela tentava fingir que não havia nada entre eles, mesmo depois de terem feito amor selvagem na oficina do pai dela há poucos dias.

- E por que precisa acompanhá-lo num passeio com a filha, Analulu? Acha que o Sawyer representa algum risco para a menina?- Manoel indagou com incredulidade evidente na voz.

- È apenas uma solicitação da minha cliente, papa. Minha opinião pessoal não conta.

- È claro que não.- Sawyer comentou mantendo a postura cínica.

Mandy voltou à sala e sorriu ao ver Ana-Lucia porque já tinham sido apresentadas no jantar na casa de Jack Shephard.

- Olá, Ana. – a menina saudou, contente. – Você vai passear com a gente?

- Eu vou sim, querida.

- E para onde vamos?

Ana-Lucia olhou para Sawyer, que respondeu:

- Vamos ao parque de diversões, que tal?

A menina deu um gritinho de alegria em aprovação e correu para os braços do pai que a levantou e depois a abraçou ternamente, afastando-lhe os cachos castanhos rebeldes para beijar-lhe a face coberta de pequenas sardas.

- Pensei que nunca mais fosse te ver, papai.- a menina confessou, envolvendo seus magros bracinhos ao redor do pescoço de Sawyer.

- Ah, mas isso seria impossível, sabe por que?

- Por que?

- Porque eu pedi a uma fada que a trouxesse até aqui para nos vermos.

- Uma fada?- a menina retrucou.

- Sim.- Sawyer a colocou no chão e disse, olhando na direção de Ana-Lucia: - Uma linda fada.

Mandy voltou-se para Ana-Lucia, que estava de pé diante deles.

- Você é uma fada?- perguntou, fitando Ana com interesse.

- O quê?- Ana indagou sem entender.

Sawyer levou o dedo indicador à boca, pedindo segredo.

- Shiiiii...ninguém pode saber disso!

Mandy sorriu maravilhada e fez um sinal com o dedinho indicando que estava trancando o segredo em sua boca. Ana-Lucia não pôde deixar de sorrir com o gesto de Sawyer para com a filha, ele parecia ter muito jeito com a menina.

- Hola hija.- Raquel voltou à sala nesse momento.

- Hola, mama.- Ana respondeu, abraçando e beijando a mãe.

- Vai ficar para almoçar, cariño?

- Não, estou indo com o Sr. Sawyer e Mandy ao parque de diversões.

- Sr. Sawyer? Parque de diversões?- Raquel perguntou, intrigada.

- Depois eu te explico.- respondeu Manoel com expressão desconfiada.

- Vamos, fadinha!- Mandy disse, espontânea, pegando a mão de Ana e a do pai, ansiosa para ir ao parque de diversões.

Ana-Lucia aceitou a mão da criança e despediu-se dos pais, deixando a casa com Sawyer e Mandy.

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- Dois quilômetros.- disse Jack, compenetrado quando Kate perguntou pela milionésima vez quanto faltava para eles chegarem ao chalé que ele alugara para o fim de semana nas montanhas.

- Jack, faltava dois quilômetros há mais de uma hora. – ela queixou-se, cruzando os braços sobre o peito. Por que os homens eram tão incapazes de admitir quando estavam errados? Jack dissera a ela que já tinha se hospedado nas montanhas antes com sua família, mas isso já fazia muito tempo e ele nunca tinha ido sozinho.

Jack checou seu relógio de pulso. Kate tinha razão. Já era para eles terem chegado. Mas eles jamais admitiria que estava errado. Encontraria o caminho para o chalé sem nenhum problema.

Ele colocou a mão na coxa dela e apertou levemente, procurando acalmá-la. Kate estremeceu, seu corpo ainda estava sensível do amor que tinham feito no carro antes de pegarem a estrada.

- Vai ficar tudo bem, amor. Nós vamos chegar logo.- ele disse carinhoso e Kate assentiu com um sorriso, imaginando que se demorassem mais trinta minutos para chegar ao chalé teriam que telefonar para a guarda florestal para serem resgatados.

A temperatura nas montanhas, à medida que subiam, diminuía consideravelmente e mais algumas minutos depois, o frio se fazia sentir com as lufadas de vento que sopravam na direção do carro que tinha os vidros entreabertos.

Kate encolheu-se toda no banco da frente.

- Está com frio?- Jack indagou, preocupado.

- Um pouco.- Kate respondeu.

- Vou erguer totalmente os vidros do carro.- ele avisou.

Kate agradeceu com um sorriso.

- Mas não é só o frio que a está incomodando não é?

Ela ergueu uma sobrancelha, como Jack poderia conhecê-la tão bem?

- Diz pra mim, Kate, o que está havendo.

- Estou preocupada com a Mandy.- ela respondeu. – Estou adorando estar aqui com você, Jack, mas talvez eu não devesse ter deixado a Mandy...

- Kate, a Mandy vai ficar bem. Eu penso que esses dois dias longe de você só irá ajudá-la. Embora eu não goste do Sawyer, tenho que reconhecer a importância dele como pai na vida da Mandy. È muito difícil crescer sem um pai e esse tempo dela com ele vai lhe fazer bem.

Kate mordeu o lábio inferior sentindo necessidade novamente de contar tudo a Jack.

- Jack...

Ela começou a dizer, mas o restante de suas palavras foi interrompido por um baque surdo. Jack tinha acabado de passar com o carro por cima do tronco de uma árvore que estava parcialmente enterrado no chão.

- O que foi isso?- Kate indagou, assustada, se soltando do cinto de segurança que tinha impedido que ela fosse jogada contra o vidro. Mas a pancada tinha sido tão forte que Jack, mesmo usando o cinto de segurança, foi jogado para o lado e bateu a cabeça no vidro. – Jack, Jack!- Kate o sacudiu, tentando fazer com que ele voltasse a si.

Ele deu um gemido e abriu os olhos devagar. Kate acariciou-lhe o rosto e percebeu um filete de sangue escorrendo de um ferimento na testa dele.

- Jack, você está bem?

- Eu...estou.- ele respondeu, duvidoso, ainda estava um pouco zonzo.

- Batemos em alguma coisa...

- Preciso dar uma olhada...

Kate percebeu a confusão no olhar dele e disse, segurando-o pelos ombros:

- Jack, quantos dedos tem aqui?- ela mostrou quatro dedos.

- Vinte.- ele respondeu com um sorriso divertido e Kate deu um tapinha no ombro dele.

- Eu estou bem, Kate.- ele assegurou. – Mas preciso saber se o carro está.

Eles desceram do carro e foram checar os danos. Jack balançou a cabeça negativamente e praguejou quando viu os dois pneus da frente, completamente estourados e a parte da frente do carro completamente destroçada.

- Son of a bitch!

- Isso parece sério!- Kate comentou. – E agora, Jack, o que faremos?

Jack foi buscar o mapa no carro.

- Bem, não estamos muito longe do chalé e lá tem um rádio, podemos nos comunicar com a guarda florestal.

- Mas se não encontramos o chalé nem de carro, imagine a pé!

Jack deu um suspiro zangado.

- Eu já disse a você que sei para onde estamos indo.

- Sabia tanto que batemos nesse tronco!- ela retrucou.

Jack olhou para ela, aparentemente irritado e em seguida começou a rir. Kate o acompanhou no riso.

- Seja lá como for.- ela fitou o céu carregado de nuvens de chuva. – Deve chover logo e nós precisamos nos abrigar no chalé, e você está precisando de um curativo.

- Vamos andando então.- ele convidou, pegando as coisas deles no carro e estendendo sua mão para ela.

- Tem mesmo certeza do que está fazendo, Jack?- indagou ela, aceitando a mão dele.

- Que foi? Não gosta de aventura? Vamos subir a trilha e em menos de uma hora estaremos abrigados no chalé, abraçadinhos.

Kate gostou da idéia, embora as nuvens no céu parecessem muito ameaçadoras para eles ainda estarem desabrigados. Seguiram a trilha a pé, por mais de uma hora e nada de encontrarem o chalé. Kate estava ficando cada vez mais preocupada e cansada também. Seus sapatos de grife começaram a machucar-lhe os pés e ela se apoiou em Jack quando eles pararam em uma clareira.

- O que foi?- ele indagou, vendo a cara de dor dela.

- Meus pés estão me matando, Jack! Acho que nunca chegaremos a esse chalé, não antes que a tempestade nos pegue.

- Kate, estamos perto, o mapa diz isso... – ele começou a explicar, mas estava tão preocupado quanto ela em não encontrar o chalé. Porém, ele não pôde dizer mais nada porque ambos ouviram um estranho barulho de algo se aproximando.

Kate colou seu corpo ao de Jack, com medo. Jack abraçou-a, instintivamente protegendo-a com seu corpo.

- O que foi isso?- ela perguntou com temor evidente na voz.

- Não era você que não costumava ter medo de nada.- Jack gracejou.

Ela olhou feio para ele e cochichou:

- Seja lá o que for, está se aproximando de nós.

Jack segurou a mão dela e ambos deram um passo atrás. Um alce surgiu do meio dos arbustos, com expressão despreocupada. Mas Kate quase gritou quando o viu. O bicho era enorme.

- Vamos correr!- ela sussurrou, mas Jack a manteve quieta.

- Não, é melhor ficarmos parados, assim ele não nos verá e irá embora.

- Jack, ele não é um dinossauro.- Kate protestou.

O bicho começou a caminhar na direção deles. Kate prendeu a respiração.

- Jack...

O animal estava bem próximo, podia cheirá-los. Mas eles não se moveram. Jack segurava Kate firmemente para que ela ficasse quieta. O alce mostrou interesse na manga do casaco de Jack.

- Ele quer o seu casaco... – Kate disse, bem baixinho. – Dá pra ele!

- Mas é o meu casaco favorito!- Jack protestou.

O alce começou a comer a manga do casaco de Jack e Kate segurou um grito antes de dizer:

- Você tem que dar o seu casaco a ele, Jack, por favor!

Jack então deu um jeito de livrar-se do casaco e o jogou na cabeça do animal que ficou irritado e emitiu um som alto. Kate gritou e puxando Jack pela mão correram em disparada pela floresta.

Correram o máximo que suas pernas podiam agüentar, até que o vento frio lhes batesse no rosto e o ar nos pulmões faltasse. Pararam perto de um riacho, respirando com dificuldade.

Jack apoiou-se nos joelhos e reclamou:

- Não acredito que aquele maldito alce comeu meu casaco!

Kate recuperou o próprio fôlego e deu uma sonora gargalhada, fazendo Jack rir também.

- Oh, Jack, ele poderia ter feito coisa pior com a gente! Que bicho enorme!

Jack não conseguia parar de rir.

- Que ótimo, perdidos na floresta, a pé, ainda estou sangrando e um alce comeu meu melhor casaco!

Kate ria sem parar quando uma placa na trilha chamou-lhe à atenção. Ela cutucou o braço de Jack. Ele olhou para ela e em seguida para a placa, lendo:

- Chalé, 200 m à esquerda!

- Bendito alce!- Kate exclamou.

O vento ficou mais forte e chuviscos grossos caíram sobre eles, arrepiando-lhes a pele com o frio.

- Agora sabemos pra onde ir!- disse Jack, puxando Kate pela mão e correndo na direção que a placa indicava.

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Os gritos de felicidade de Mandy enchiam os ouvidos de Sawyer que não parava de sorrir ao ver a alegria da filha enquanto eles desciam na montanha russa. Ana-Lucia mantivera-se embaixo, esperando pelos dois. Não gostava muito de montanhas russas desde o acidente de carro que sofrera. Ficava muito enjoada se entrasse em brinquedos muito rápidos ou que balançassem demais.

Quando o brinquedo deu sua última volta, Ana-Lucia se encaminhou até o portão para esperar Sawyer e Mandy. Os dois saíram rindo do brinquedo.

- Você ia vomitar, pai, eu sei que ia!

- Não, você é que ia, sardentinha!- Sawyer rebateu. – Estava lá, gritando...

- Você gritou também!- Mandy disse, rindo.

- Hey!- disse Ana. – Pronta para ir, Mandy?

Já passavam do meio dia e Ana-Lucia tinha que levar Mandy de volta para a casa dos Shephard. Poderia marcar outro lugar para Sawyer levar a menina no domingo, mas Mandy não queria ir embora e agarrou-se às pernas do pai, dizendo:

- Não, papai, não quero mais voltar pra casa da tia Claire. Quero ficar com você!

- Mas meu docinho, a gente pode se ver amanhã...

A menina começou a chorar e abraçou-se ainda mais ao pai.

- Não, papai, não me deixa de novo! Não quero ficar com a minha mãe, ela não gosta de mim...

Ana-Lucia ficou quieta, não ousando interromper aquele momento entre pai e filha.

- Hey, baby, não diga isso nunca mais!- ele ralhou com ela, mas segurando-lhe o queixo com delicadeza. – Sua mãe ama você mais do que tudo, e ela já fez muitos sacrifícios por você. Ela só está um pouco nervosa agora porque estamos tendo problemas de adulto, mas logo vai ficar tudo bem, você vai ver.

- Ela me contou que vocês estão se separando... – Mandy começou a dizer e Ana-Lucia sentiu-se mal por estar ali ouvindo aquela conversa íntima.

- Eu vou dar uma volta enquanto vocês conversam e... – ela disse, mas Sawyer a cortou.

- Você pode ficar fadinha, não tenho segredos com você.

Ana ficou surpresa com a resposta e ficou parada no mesmo lugar.

- Princesa, eu e a mamãe estamos nos separando porque temos problemas e não podemos mais viver juntos, entende? Mas isso não significa que não te amemos mais. Você é e sempre será a sardentinha do papai, hã? Seja boazinha com a mamãe quando ela voltar, porque ela te ama também.

Mandy abraçou Sawyer, sufocando as próprias lágrimas e choramingou:

- Tá bom, pai, vou ser boazinha com a mamãe. Mas eu não quero ir embora, quero ficar com você até a mamãe voltar.

Sawyer olhou para Ana e colocou Mandy no colo. A menina entrelaçou suas pernas ao redor dos quadris dele e recostou a cabeça em seu ombro.

- Ana, será que nós não podíamos almoçar e passar a tarde juntos? O seu pai me deu folga hoje e eu...

Ana-Lucia pensou por alguns segundos se podia confiar em deixar Sawyer passar a tarde inteira sozinho com Mandy, tendo Kate pedido que ela ficasse responsável por sua filha durante todo o fim de semana.

- Sawyer, não foi isso que eu combinei com a Kate. – ela se desculpou, pesarosa.

- Mas eu estou chamando você pra almoçar também. Acredito que a Kate não vá se importar que eu leve a Mandy para almoçar e fique a tarde inteira com ela desde que você esteja conosco também.

- Por favor, fadinha!- a menina pediu, os olhinhos verdes implorando.

- Está bem!- respondeu Ana e Mandy desceu do colo do pai somente para abraçá-la, dizendo: - Gosto muito de você!

Ana ficou embaraçada e emocionada ao mesmo tempo com todo aquele carinho que a menina demonstrava por ela. Olhou para Sawyer de soslaio e viu que ele sorria triunfante. Mas dessa vez não sentiu raiva da expressão dele, ele tinha o direito de ficar feliz por conseguir permissão para passar um tempo com sua filha.

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A chuva caía torrencialmente sobre os prados e pinheiros que formavam a vegetação das montanhas, mas Jack e Kate finalmente conseguiram chegar ao chalé, ainda que ensopados.

Kate deu um gritinho de alegria quando avistaram o chalé de madeira convidando-os a entrarem e se aquecerem. Jack tirou a chave que estava no bolso e eles entraram depressa, evitando as lufadas de chuva enviadas pelo vento forte.

Quando entraram, Jack apressou-se em fechar a porta. Kate batia os dentes de frio e esfregava as mãos nos braços tentando aquecer-se. A casa estava escura, mas Jack não demorou a encontrar o interruptor geral e as luzes se acenderam.

- Uau!- Kate exclamou quando o ambiente maravilhoso se iluminou. O chalé era lindo e aconchegante, decorado em tons de amarelo claro e marrom, o ambiente romântico perfeito.

- Viu? Eu te prometi um fim de semana romântico.- Jack provocou com um sorriso.

Kate fitou a lareira, ainda tremendo de frio.

- Onde será que podemos encontrar madeira para acender a lareira?- ela perguntou.

Jack dirigiu-se até a lareira no centro da sala de estar e apertou um botão no canto esquerdo. O fogo acendeu-se no mesmo momento. Kate se se apressou em aquecer-se.

- Lareira elétrica?

- Aham.- ele respondeu.

- Uau!- Kate repetiu.

- Espero que continue dizendo "uau" pelo resto da noite. – ele se aproximou dela, beijando-lhe o pescoço. – Principalmente quando eu tirar as calças.

Kate riu e acariciou o rosto dele, mas um pouco de sangue ainda escorria da ferida na testa dele, ocasionada pela batida do carro.

- Oh Jack, você ainda está sangrando. Me deixa cuidar disso.

- È só um pouco de sangue, nada demais, eu vou ficar bem.

- Você é médico! Sabe que precisa de um curativo! Me diga onde posso encontrar uma caixa de primeiros socorros.

Ele tirou a camisa ensopada e ficou defronte para a lareira.

- No banheiro, naquela porta ali.- ele apontou o corredor e Kate apressou-se em ir buscar o kit de primeiros socorros.

Ela voltou cerca de dois minutos depois trazendo uma maleta branca com o símbolo de uma cruz vermelha na frente.

- Sente-se ali no sofá!- ela mais ordenou do que pediu.

Jack ia fazer uma piada sobre isso quando notou que ela tinha tirado a blusa e agora usava somente o sutiã rendado. Engoliu em seco. Não importava quantas vezes a visse nua, o desejo intenso era sempre o mesmo. Kate percebeu o olhar dele. Seus seios estavam túmidos de frio e praticamente furavam o tecido do sutiã.

- Hey, meus peitos não vão curar seu ferimento.- ela gracejou.

- Você que pensa!- ele retrucou. – Seus lindos seios são capazes de operar milagres em mim.

Kate riu e mandou que ele sentasse outra vez. Jack obedeceu e ela retirou anti-séptico da bolsa, junto com um chumaço de algodão. Embebeu o algodão e colocou sobre o ferimento dele.

- Au!- Jack queixou-se em alto e bom som, fazendo-a rir novamente.

- Ah, não está doendo tanto sim...

- Está doendo sim!- ele reiterou.

Kate sorriu e falou com voz doce:

- Oh, tadinho do meu amor. Quer que eu assopre?

Jack assentiu com cara de coitadinho e Kate assoprou levemente em cima do ferimento, antes de limpar o sangue que tinha escorrido.

- Pronto. O corte não foi fundo. Vai fechar logo e sem precisar de pontos.

- Que bom! Obrigado, doutora.

Ela se sentou no colo dele e beijou-lhe a boca. Parecia tão natural estar ali com ele, flertando, namorando, discutindo. Era como se estivessem juntos desde sempre. Ela não se lembrava de ter tido momentos assim com Sawyer.

- Hum, parece que você está toda molhada... – ele começou a dizer, acariciando a coxa dela por cima da calça jeans. Precisa tirar essas roupas, ou então ficará resfriada. – a mão dele foi subindo. – E eu estou dizendo isso como médico...

Kate mordeu o lábio inferior e deu um sorriso safado.

- Oh sim, eu estou muito molhada...e precisando ficar aquecida, então...

A mão dele acariciou o seio dela, fazendo-a dar um suspiro. Eles se beijaram e caíram no sofá. Kate por cima dele, rindo.

- Jack, cuidado para não bater a cabeça!- ela advertiu.

- È verdade, preciso ter cuidado! Por isso... – ele a afastou gentilmente de cima dele e levantou-se do sofá para em seguida pegá-la no colo. –... vamos para um lugar mais seguro, onde eu não bata a cabeça.

- E onde seria esse lugar?

Ele caminhou com ela nos braços para o quarto, e então para o banheiro da suíte. Era tão lindo quando o resto da casa, coberto com azulejos de motivos do mar, como sereias e cavalos marinhos, um espelho enorme na parede rodeado de luzes como a dos camarins de um artista e uma banheira redonda e espaçosa no centro.

Jack colocou Kate no chão e beijou-lhe os lábios antes de dizer:

- Que tal um banho bem demorado?

Ela sorriu e começou a despir-se enquanto Jack fazia o mesmo. Quando ela ficou só de calcinha e Jack estava a ponto de tirar a boxer, Kate parou para olhar para ele e assim que se viu livre da peça íntima, Jack ouviu Kate dizer:

- Uau!- ela admirava livremente o corpo masculino nu, os íntimos pêlos castanhos ao redor do membro ereto. Instintivamente, sua feminilidade pulsou de desejo.

- Se você disser "uau" mais uma vez, Kate, eu não respondo por mim!

- Uau!- ela repetiu por pura provocação e abaixou na frente dele, acariciando-o.

A respiração de Jack acelerou e ela adorou isso, deslizando sua mão para cima e para baixo nele antes de colocá-lo na boca e saboreá-lo. Jack a segurou pelos cabelos, trazendo-a para mais perto de si.

- Oh, Kate, baby!

Ela o provocou o máximo que pôde antes que Jack a parasse para que continuassem a brincadeira na banheira. Ele encheu a banheira depressa com água morna e colocou sais de banho. Kate tirou a calcinha e entrou com ele na banheira.

Jack a colocou sentada, de costas para ele, entre suas coxas e com uma esponja começou a massagear-lhe as costas. Kate gemeu baixinho e recostou-se aos pêlos castanhos macios do peito dele. Ele largou a esponja e usou as duas mãos para separar-lhe as coxas e colocá-la de um jeito que ela não pudesse fechar as pernas quando ele começasse a acariciá-la.

Kate percebeu o plano dele e por instinto tentou se livrar da armadilha, mas não pôde, pois Jack usou as próprias coxas para prendê-la. Então Kate ficou toda exposta, o botão de prazer inchado e palpitante, a espera da mágica das mãos dele. Jack o pressionou, com delicadeza a princípio, mas foi intensificando os movimentos aos poucos e Kate começou a buscar por ar, gemendo de prazer.

- Ahhhh Jack...Jack...bommmm...

Ele mordiscou a orelha dela e com a mão livre, passou espuma pelos seios dela, brincando com os mamilos, se deliciando com o contraste da espuma com o rosa do seio dela. Kate mexia os quadris, acompanhando os movimentos dos dedos dele dentro dela e gritou quando o orgasmo a atingiu, tremendo levemente e sorrindo.

Jack então, retirou sua mão do sexo dela e envolveu os seios dela com ambas as mãos.

- Erga os quadris Kate, quero te possuir...

De olhos fechados, ela ergueu-se de um jeito que o membro dele se encaixasse em suas coxas, à entrada de sua feminilidade coberta de espuma. Kate usou uma das mãos para afastar a espuma e guiá-lo para o corpo quente dela.

- Hummmm... – Jack gemeu, sentindo-se acalentado pelo corpo dela à medida que se inseria nela, devagar, a umidade do enlace o enlouquecendo.

Kate mexeu o corpo para frente e para trás e Jack a tomou mais profundo e mais rápido, os gemidos dos amantes ecoando pelas paredes azulejadas. Ele recuou no corpo dela e deu uma estocada vigorosa que explodiu o clímax para Kate e sem perceber, ela estava gritando e pronunciando palavras de amor.

- Jackkkk, eu te amoooo...te amoooo...

Jack chegou ao céu também e envolveu com força seus braços ao redor da cintura dela, surpreso com a declaração de amor tão apaixonada, mas feliz por ouvir aquelas palavras porque era exatamente como se sentia também e no calor do momento parecia tão simples pronunciá-las.

- Eu te amo, Kate. Também te amo.

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Sawyer colocou Mandy adormecida na cama e a cobriu, carinhoso. Ana-Lucia o observada da porta do quarto. Ele tocou os cabelos cacheados da filha e beijou-lhe com carinho a testa, dizendo:

- Sonhe com os anjinhos, pequena. Papai te ama.

Ele afastou-se da cama, ainda observando sua filha dormir, com um sorriso doce nos lábios, como se tivesse tendo um sonho bom, abraçada ao gato Félix que Sawyer ganhara para ela no tiro ao alvo no parque de diversões.

- Ela é tão linda, não é?- ele comentou quando deixou o quarto e fechou a porta, acompanhando Ana pelo corredor.

- Sim.- concordou Ana. – Linda como a mãe dela.

- Fadinha, obrigado por ter permitido que eu passasse o dia inteiro com a minha filha. Você é tão boa!- ele pegou a mão dela, acariciando, mas Ana puxou a mão de volta.

- De nada.

Claire apareceu no corredor, saindo do quarto de Aaron e sorriu para os dois.

- Mandy já está dormindo?

- Sim.- respondeu Sawyer. – Obrigado por me deixar colocá-la na cama.

- Tudo bem. Ela estava precisando muito de você. Eu fico feliz que queira colocá-la na cama.

- È que, eu costumava fazer isso todas as noites e sinto falta...

- Preciso ir andando.- disse Ana-Lucia.

- Eu levarei vocês até a porta.- disse Claire. – Kate deve ligar logo para saber da Mandy.

À porta, Sawyer e Ana se despediram de Claire e foram para o carro de Sawyer. O único bem que lhe havia restado além de algumas economias no banco, resultante de seus pequenos investimentos na bolsa de valores.

- Se importa de me dar uma carona?- Ana indagou. – Quero passar na casa dos meus pais antes de ir para casa.

- È claro.- ele respondeu e abriu a porta do carro para ela. Ana estranhou o galanteio, mas entrou no carro e colocou o cinto de segurança.

Fizeram o trajeto até a casa dos pais dela em silêncio. Ana-Lucia pensando no quanto tinha se divertido com Sawyer e Mandy o dia inteiro. Em alguns momentos permitiu-se fantasiar-se como sendo a mulher dele e Mandy a filha que queria ter tido. Mas logo recriminava a si mesma, porque a realidade estava longe disso.

Quando chegaram à casa dos Cortez, tudo estava muito quieto. Ana achou estranho pois ainda eram oito da noite. Desceu do carro e foi até a porta da frente, mas esta estava trancada. Sawyer encontrou um bilhete com o nome dele, preso em um lugar discreto, atrás de um vaso de planta.

"Sawyer, eu e doña Raquel saímos para dar um passeio esta noite. A chave está escondida no balancim e tem sorvete de baunilha na geladeira. Fique à vontade. Ass: M. Cortez."

- O que diz o bilhete?- Ana indagou.

- Que o patrão foi levar a patroa para um passeio.

- Ok, então eu vou telefonar e pedir um táxi para mim. Ligo pra você amanhã para combinarmos sobre Mandy.- ela disse com formalidade e já ia se afastando quando Sawyer a segurou pelo braço com delicadeza, enviando um choque elétrico pelo corpo de Ana.

- Não vai ainda não, fadinha. O bilhete também diz que tem sorvete de baunilha na geladeira. E eu sei que é o seu favorito!

- Ainda se lembra disso?- ela indagou, com uma sobrancelha erguida.

- Como eu poderia esquecer? Seu pai comprava sorvete de baunilha e você sempre guardava um pouco pra mim pra me dar no final do expediente...

- Eu vou indo.- ela repetiu, se afastando dele. – Tenho trabalho pra fazer.

- Nada que não possa esperar por uma taça de sorvete e aposto que tem calda de chocolate.- ele disse, sedutor.

Ana-Lucia acabou sorrindo e respondeu:

- Está bem! Mas só uma taça de sorvete e eu vou embora.

Sawyer sorriu satisfeito e procurou pela chave no balancim, abrindo a porta em seguida. Eles adentraram a casa e seguiram para a cozinha. Ana-Lucia acendeu a luz e procurou pelas taças de sorvete no armário enquanto Sawyer retirava o pote de sorvete da geladeira. Eles começaram a se servir.

- Você é muito bom com a Mandy.- Ana disse de repente.

- Eu a amo. Ela foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Ana abaixou a cabeça e sentiu os olhos marejarem quando ele disse isso. Por que a filha de Kate tinha sido mais importante do que o bebê que ela esperava e ele renegara? Simples, porque ele amava Kate e nunca a amou. Não se cansava de repetir isso a si mesma.

Sawyer notou que ela ficara triste e baixou sua colher na taça de sorvete. Erguendo o rosto de Ana pelo queixo.

- Hey, me desculpe. Não quis deixá-la triste.

- Eu estou bem.- ela tentou parecer fria. – Sempre estive bem.

- Eu sei disso.- Sawyer respondeu. – E a admiro demais por isso, porque fadinha, eu fui um canalha com você! Foi a pior coisa que eu já fiz! Eu devia ter ficado do seu lado naquela época, mas era tão inconseqüente, imaturo...

- Não quero falar sobre isso!- ela lutava contra as lágrimas.

- Mas eu acho que nós devemos falar sim! Porque isso nos machuca e nos impede de seguir em frente, entende?

- Você seguiu em frente!- ela gritou. – Você foi embora com a Kate, se casou com ela!

- Eu quis me casar com você! Te procurei no hospital!

- Porque sentia remorso pelo acidente de carro. E quer saber? A culpa foi toda sua!

- Sim, a culpa foi toda minha! Então me deixa consertar, Analulu, me deixa fazer tudo direito agora!

- Você jamais vai fazer alguma coisa direito! Kate me disse que queria se divorciar de você porque a traía!

- Não nego que eu a traí! Mas só fiz isso porque Kate não me deu escolha! Ela era fria comigo, como uma pedra de gelo! Sabe, a primeira vez que fizemos sexo, ela ficou imóvel na cama, nem se mexeu, me olhava de um jeito estranho e eu me senti tão mal...

- Não preciso saber da sua vida sexual com a Kate!

Mas Sawyer ignorou o protesto de Ana.

- Mas com você foi tão diferente. Você se entregou de verdade pra mim desde a primeira vez, de corpo e alma, você realmente me queria...

- Cale a boca, Sawyer!

- Ana, a Kate nunca me amou!- ele a segurou pelos ombros para que ela o fitasse nos olhos. -Eu só transei com ela pela primeira vez, muito tempo depois que deixei você.

Ana piscou os olhos, incrédula.

- Não sou mais uma adolescente, Sawyer. Não precisa mentir pra mim, vocês eram namorados...

- Eu pensava que éramos, mas ela me fazia de idiota, enquanto você era minha, fadinha.

- Pare com isso!

Ele a puxou para perto, acariciando-lhe os cabelos negros.

- Eu queria poder voltar no tempo e consertar tudo.- ele disse com sinceridade. – Se eu tivesse feito a coisa certa, teria um filho com você agora e estaríamos juntos e felizes...

- Não estaríamos não!- ela berrou. – Porque você não presta. Está dizendo tudo isso só porque quer que eu desista de ser advogada da Kate! Que é pra eu não ferrar você! Pra ficar com o dinheiro dela!

- Eu não dou mais a mínima pro dinheiro da Kate! O dinheiro dela nunca me fez feliz! Se não fosse pela Mandy, eu teria me separado dela há muito mais tempo.

- Eu não acredito em você!

- Gostaria que acreditasse... – ele desabafou. – Porque você fadinha, é muito especial pra mim. Jamais a esqueci e tê-la novamente nos meus braços nas últimas vezes, no hotel, no seu apartamento, na oficina foi a melhor coisa que me aconteceu pra me ajudar a esquecer o quanto eu me sinto fracassado enquanto homem pelo meu casamento ter dado errado, por ter feito você sofrer...eu a quero tanto, por favor me perdoe! Não consigo parar de querê-la, tentei sentir raiva de você quando descobri que era a advogada da Kate, mas não pude. Foi por isso que eu escrevi aquela carta, fadinha, porque serei para sempre seu...

Os lábios dele tremiam e os olhos dele estavam marejados. Ana sentiu as próprias lágrimas tomarem conta de seu rosto.

- Eu teria morrido se você tivesse morrido naquele acidente...

- Meu bebê morreu!- ela desabou. – E você não se importava... você me pediu pra abortar ele. Você não se importou!- os soluços invadiram-lhe a garganta e o corpo dela tremia com o choro.

Sawyer a abraçou forte, acalentando-a.

- Eu odeio você, Sawyer! Odeio!- ela dizia baixinho entre os soluços.

Sawyer beijou as lágrimas dela antes de baixar mais o rosto e tomar-lhe a boca num beijo intenso. Ana deixou-se beijar por alguns segundos, antes de se afastar e dizer:

- Quero tomar meu sorvete!

Ele a soltou e Ana começou a colocar várias colheradas de sorvete na boca como se quisesse esfriar o calor que o beijo dele tinha provocado nela. Em uma dessas colheradas, ela acabou melando a blusa e conseqüentemente o decote com calda de chocolate.

- Parece que você está suja aqui... – Sawyer comentou com voz enrouquecida.

Ana acabou sorrindo de leve, mergulhando nos olhos azuis dele que brilhavam de desejo. Sawyer abaixou-se e lambeu bem devagar o chocolate do decote dela, abrindo os botões da blusa e expondo o sutiã rendado. Recomeçando um jogo que eles haviam jogado há oito anos por muitas vezes.

- Não, Sawyer! Pare... - ela ainda tentou buscar alguma razão dentro de si, mas sua voz não parecia convicta.

E ele não parou, continuou desabotoando-lhe a blusa até que ela estivesse só de sutiã na cozinha. Isso a preocupou.

- Meus pais podem chegar...

- Vamos para o seu antigo quarto.- ele sugeriu, beijando-a na boca e carregando-a nos braços para o quarto. Ana-Lucia não o impediu.

Quando entrou com ela no quarto, Sawyer fechou a porta com o pé e a colocou sentada na cama, tirando rapidamente sua camisa e voltando a beijá-la. Ana o enlaçou pelo pescoço, puxando-o para mais perto dela e devorou-lhe a boca.

Sawyer tocou-lhe a cintura e acariciou-lhe a barriga, antes de voltar para o rosto dela, beijá-la novamente e emaranhar os dedos em seus cabelos.

- Nunca me esqueci do seu cheiro, fadinha...tão bom!

Ela também não tinha se esquecido do cheiro dele e enterrou o rosto no pescoço masculino para inalar profundamente. Sawyer afastou-se dela e viu que s olhos negros queimavam de desejo.

- Você esqueceu o sorvete e a calda de chocolate, Sawyer...

- Já volto!- ele prometeu.

Durante os segundos em que ele esteve fora do quarto, Ana mal podia agüentar o próprio desejo, seu corpo inteiro ardia em loucura e ele não a fez esperar muito. A visão de seu peito nu, o botão metálico da calça aberto, o sorriso safado no rosto, o pote de sorvete de baunilha o tubo de calda de chocolate nas mãos.

- Eu preciso saborear você inteira, fadinha... – ele disse e Ana deitou-se na cama, à mercê dele.

Sawyer tirou os sapatos, as calças e a cueca boxer. Ana não desviou os olhos dele um segundo, apreciando o nível de excitação dele.

- Você vai me lambuzar inteira?- ela indagou maliciosa. – E vamos fazer amor gostoso? De novo e de novo?- a voz dela não era mais que um gemido.

Ele sorriu e foi até ela na cama, beijando-a delicadamente antes de soltar o fecho frontal do sutiã branco rendado e expor os seios dela.

- Que coisa linda! Adoro seus seios! Você sempre foi tão gostosinha!- ele elogiou, passando as mãos por eles e apertando levemente os bicos escuros, fascinado pelo corpo curvilíneo dela. Ana sempre tivera aquele corpo glorioso, desde novinha e ele evitava olhá-la muito para que Seu Manoel nunca percebesse, mas era completamente ciente da beleza dela.

Sawyer pegou o pote de sorvete e encheu uma colher generosa, levando-a aos lábios de Ana. Ela riu e saboreou o creme gelado e doce, lambendo os lábios. Ele beijou os lábios dela e tremeu levemente ao senti-los frios por causa do sorvete.

Ana-Lucia lambuzou o dedo de sorvete e passou nos lábios dele, fazendo com que Sawyer sugasse seu dedo. Sawyer pegou o tubo de calda de chocolate que tinha colocado sobre a cômoda e despejou um pouco sobre os seios e a barriga dela, fazendo um coração ao redor do umbigo. Ana arqueou o corpo instintivamente, querendo que ele a tocasse e Sawyer riu da impaciência dela.

- Minha sa-fadinha...

Ele se abaixou e lambeu um mamilo besuntado com chocolate, colocando a auréola inteira do seio na boca e sugando.

- Hummmmmm... – Ana gemeu, de olhos fechados.

Sawyer repetiu o movimento no outro seio e desceu pelo corpo dela, lambendo todo o chocolate espalhado, dando atenção especial ao umbigo que penetrou com sua língua, fazendo-a arquejar.

Ana-Lucia pegou o tubo das mãos dele e espalhou chocolate sobre o peito masculino antes de dar uma generosa lambida. Sawyer gemeu. Ela continuou sua exploração besuntando a barriga dele de chocolate e descendo.

- Eu sempre soube que o chocolate combinava com tudo... – ela disse, enlouquecendo-o, lambendo calda de chocolate na parte mais íntima do corpo dele.

- Ai, meu Deus, Ana, você vai me matar!

Ela o lambeu até que o corpo dele estivesse livre do doce. Sawyer então a segurou pelos pulsos, com certa força, Ana gemeu:

- Adoro quando você me pega assim, meu mecânico delicioso!

Sawyer a beijou na boca, intensamente, sugando os lábios dela de tal forma que Ana não conseguiu respirar por alguns segundos. Quando ela sentiu que podia respirar, puxou o ar para dentro com força e se agarrou ao corpo dele.

- Adoro seu corpo no meu, Sawyer...

Ele besuntou os lábios dela com sorvete e eles voltaram a se beijar. Depois ele desceu novamente pelo pescoço, mordendo e sugando. Enterrou a cabeça nos seios e sentiu a maciez dos mamilos com a língua, arrancando gritinhos de prazer de Ana-Lucia. Quando ele chegou à junção entre as coxas, Sawyer melou a parte interna das coxas dela com chocolate. Ana sentiu o ventre pulsar e segurou na fronha do travesseiro, enterrando as unhas no colchão. Sawyer lambeu devagar o local onde tinha sujado. Foi lambendo até estar pertinho da intimidade dele. Ana podia sentir a respiração quente dele sobre si e sentiu que ficava mais molhada.

Sawyer ergueu o olhar para Ana e viu expectativa nos olhos dela, tesão, desejo, a respiração acelerada.

- O chocolate estava delicioso, mas sei que tem um doce mais saboroso aqui para eu experimentar... – ele disse, acariciando as coxas dela de cima a baixo.

Ana mordeu o lábio inferior e abriu as pernas num convite para que ele a provasse. Sawyer não hesitou e passou a língua entre os lábios do sexo dela, tocando, provando, explorando. Os dedos masculinos começaram a brincar com ela também ao mesmo tempo em que a língua se deliciava com as dobras femininas.

Ela mais uma vez estava em êxtase nos braços de Sawyer, esquecendo todo o passado somente para se sentir assim, tão completa outra vez. Sawyer se deliciou com ela por um longo tempo, dando a ela prazer ininterrupto até que a ereção começou a incomodá-lo demais, ele precisava estar dentro dela.

- Fadinha, eu preciso de você.

- Então vem, meu amor, me toma! Tudo o que eu quero é você dentro de mim!

Ele posicionou-se sobre ela, afastando-lhe as coxas com os joelhos, na posição mais clássica e romântica que existia e a penetrou num certeiro e lento golpe. Ana adorou aquela posição, não precisava de contorcionismos sexuais naquele momento, só queria se sentir desejada e amada pelo único homem que amou na vida.

Sawyer abraçou-a carinhosamente quando se sentiu todo dentro dela e sussurrou em seu ouvido:

- Para sempre seu...seja minha fadinha...

Ana não respondeu e Sawyer se retirou dela, voltando a investir com mais força.

- Ana, por favor diga que sim! Diga que me quer de volta!

As coxas dela se apertaram com força ao redor dos quadris dele e ela disse, entre gemidos de prazer:

- Ah, que se dane! Eu quero você! Sawyer eu o quero de volta! Não me deixe mais!

Sawyer ergueu os quadris e segurando as pernas dela a penetrou mais fundo fazendo-a suspirar. Uma de suas mãos desceu e acariciou-lhe o botão de prazer. Sorriu quando Ana deixou escapar um grito.

Tudo era maravilhoso naquele momento, naquele instante roubado de prazer. Não havia nenhum outro lugar onde Sawyer e Ana desejassem estar. Ele queria ser dela para sempre e Ana finalmente o aceitara de volta. Mas fora daquela cama, longe daquele momento mágico eles poderiam esquecer os erros do passado e finalmente viver juntos?

Continua...

Continua...