Capítulo 21

Naquela manhã ela pediu para ver as gralhas.

Ele levou-a a pé até ao local que ambos conheciam tão bem – junto a um pedestal em pedra, de base quadrada, que suportava a escultura de um enorme vaso – onde existia uma colónia no topo de algumas árvores.

Voltar ali não deixava de ser uma experiência de emoções mistas para ambos, apesar de tudo.

- Nesta altura os machos estão à procura do melhor local para nidificar. A época de acasalamento está a começar. – Informou William.

Victoria olhou para ele e sorriu. Eles também tinham acasalado, em sintonia com as gralhas.

Por entre os sons emitidos por um número elevado de aves, ele continuou a explicação:

- Em breve haverá nos ninhos três a cinco pequenos ovos com pintas e os machos alimentarão as fémeas enquanto elas os incubarem.

- E quando nascem os filhotes? – Victoria perguntou interessada.

- Passados 16 a 18 dias de incubação.

- Há algo de divino nos ciclos da natureza e em todas as novas pequenas criaturas que nascem… - Victoria observou olhando o comportamento dos pássaros.

William virou o rosto para olhar para ela, intuindo um significado subjacente no que ela acabara de afirmar. Concordou:

- É verdade, Victoria! Todas as pequenas criaturas que nascem são uma bênção divina…

- Vem aqui muitas vezes? – Ela perguntou.

- Desde que você aqui esteve a primeira vez é raro.

- Era difícil voltar aqui?

Ele deu-lhe as mãos e sentou-se na base do pedestal fazendo com que ela se sentasse ao seu lado.

- O que eu fiz naquele dia foi a coisa mais difícil que eu fiz na minha vida. Você, que eu amo até à exaustão, teve a coragem de vir aqui, tão determinada, tão convicta, dizer que me amava…. e eu ouvi a única coisa que podia desejar que me dissesse…e tive de arranjar coragem para vos mandar embora…

Ela levantou-se, colocou-se de frente para ele, envolve-lhe a cabeça e o pescoço com os braços e encostou-lhe a face contra a sua barriga.

Ele envolveu-a com os braços à altura das ancas.

- Meu querido William! – Disse ela, com as lágrimas a aflorarem-lhe nos olhos. – Agora eu estou aqui, sou sua e vou ficar aqui para sempre!

Victoria debruçou-se e beijou a cabeça dele.

- Eu sei. Você já disse isso antes, mais do que uma vez. Mas para si também não foi nada fácil, aquilo que eu fiz…

- Não, não foi. Eu saí daqui a chorar, embora não quisesse que você visse. Eu chorei todo o resto do dia em Buckingham, eu chorei nos dias seguintes… Mesmo quando as minhas lágrimas não caíam eu chorava por dentro. Achei que nunca mais seria feliz…Mas depois você mandou as orquídeas…A princípio eu vi-as como uma provocação…

Ele afastou-se e levantou a cabeça para olhar para ela.

Ela colocou as mãos nos ombros dele.

- Não! Eu queria compensá-la, queria dar-lhe algo bonito e a partir do qual percebesse que eu me importava convosco, que gostava muito de vós… - Ele explicou.

- Sim, depois eu percebi. A Emma ajudou, dizendo que você só reabrira as estufas por minha causa e que fazer crer que só se importava com a memória da sua mulher era apenas aquilo em que queria que eu acreditasse…

- No baile de máscaras eu tentei ser mais claro, mas eu também não podia ser demasiado concreto…

- Eu percebi… Sabe, de uma forma estranha, até a minha mãe ajudou a que eu compreendesse porque é que você não retribuía os meus sentimentos. Ela ficou muito triste quando Conroy foi para a Irlanda e eu disse-lhe que sabia que ela sentia a falta dele e que entendia, porque perder alguém com quem nos importamos é muito difícil e ela respondeu-me: "Nenhum homem iria desistir de você, Drina, a menos que ele sinta que esse era o dever dele." – Victoria contou.

- E ela tinha toda a razão…

- Ela deve ter intuído o que se passara, ela viu como eu chorava depois de ter regressado de Brocket Hall naquele dia…

- E depois desse dia, de facto, eu fiquei sem vontade de voltar aqui. Devo ter estado aqui duas vezes. Hum…! Sabe, é estranho…Eu estive aqui dessas vezes porque, no mais profundo de mim mesmo, desejava secretamente que você um dia voltasse e imaginava que se houvesse uma segunda oportunidade eu iria retribuir…Mas estava convicto que isso nunca aconteceria. – Explicou William.

- Mas aconteceu!

- Aconteceu? – Ele perguntou baralhado. – Você esteve aqui alguma vez que eu não a tivesse visto?

- Não, William! Aqui, neste local, não. Mas eu voltei a Brocket Hall! Naquele dia…

- Sim, claro, compreendo….E foi precisamente por eu me lembrar, nesse dia, do que tinha acontecido aqui no passado, quando eu fiquei a ver-vos ir embora, de costas para mim, sem que eu pudesse fazer nada, é que eu senti que não podia deixar que se repetisse, que não podia deixar que se fosse embora outra vez e que tinha de retribuir…

Victoria reparou novamente no som dos pássaros.

- Você disse-me neste local que as gralhas acasalam para a vida e que, tal como elas, você só tinha acasalado uma vez. Tendo em conta que acabou por se casar comigo isso foi apenas uma forma de, naquela altura, me manter afastada… - Ela observou à espera que ele especificasse.

- Naquele momento foi a melhor forma que eu encontrei de lhe mostrar que não podia retribuir os seus sentimentos sem ser brusco na minha negação. Tentei fazê-lo da maneira mais suave possível, embora soubesse que isso vos magoaria de qualquer das formas…

- Compreendo.

- Todavia, quando uma gralha fica viúva pode acasalar de novo para a vida! É o que algumas destas gralhas estão a faze que eu estou a fazer convosco. – William concluiu sorrindo.

Victoria riu e disse:

- Eu também!

Ele levantou-se e beijou-a.

Da parte da tarde foram montar a cavalo, atividade que era um prazer para ambos e que permitia dar conhecer a Victoria os limites da propriedade.

Atravessavam a ponte sobre o lago Broadwater quando William disse:

- Numa próxima oportunidade vou levá-la a Melbourne Hall.

- Ah, sim. Estou curiosa para conhecer essa sua outra propriedade. Aquela que está associada aos seus títulos de Visconde e de Conde.

- Também é uma propriedade muito bonita!

- Aliás, o seu título também designa a localidade de Melbourne na Nova Gales do Sul, fundada em 1835. – Victoria lembrou.

- Ideias do governador, Sir Richard Bourke, que me quis fazer essa homenagem no ano em que você subiu ao trono...Mas aquilo é só uma pequena povoação… - Ele desvalorizou.

- Vai ver que um dia ainda será uma grande cidade…

- Se o meu nome for associado a uma grande cidade o seu terá de designar um estado… Quem sabe poderá designar uma era…

Victoria riu e disse:

- Pois…quem sabe…

Ela avistou um aglomerado de árvores a alguma distância e apeteceu-lhe desafia-lo:

- Vamos ver quem é o primeiro a chegar às árvores?

Dito isto ela incitou o cavalo e partiu em corrida.

Ele foi apanhado desprevenido, mas reagiu de imediato.

O cavalo dele era maior e mais veloz do que a égua que ela montava e ele chegaria às árvores primeiro se quisesse. Mesmo tendo partido ligeiramente depois. Mas ele não iria exigir demais do cavalo. Tinha receio que na tentativa de ganhar ela se precipitasse e sofresse uma queda. E seria agradável para ela deixá-la ganhar! Esporou o cavalo apenas o suficiente para que ela o tivesse no encalce a uma distância que lhe estimulasse a adrenalina!

Victoria chegou primeiro e puxou as rédeas da égua rindo de felicidade por ter ganho a corrida.

Ele adorava vê-la rir assim! Só para ter o prazer de a ver rir daquela forma valia a pena perder a corrida.

- Ganhei! – Ela exclamou fazendo rodar a égua para se virar para ele.

- Eu acho que esta corrida não foi justa! Você partiu primeiro! – Ele reclamou sorrindo para ela.

William desceu do cavalo e veio ajudar Victoria a descer da égua. Depois prendeu os dois animais aos troncos de duas árvores. Quando estava a terminar ela agarrou-o por trás, enrolando-lhe os braços à volta da cintura, encostou o rosto às costas dele e disse:

- Às vezes parece um sonho que estejamos aqui os dois.

Ela largou-o e ele virou-se, agarrando-lhe os braços.

- Para mim é mesmo um sonho! Pode crer!

Victoria procurou o tronco de uma árvore próxima para se sentar no chão e se encostar. Ele seguia-a sentando-se do lado esquerdo dela, apoiado no mesmo tronco.

Que satisfação poder sentar-se assim no chão! E ter William ali ao lado na mesma informalidade! Poder ser apenas uma mulher e não ter de representar o papel de rainha. Se pudesse, viveria para sempre em Brocket Hall. Aquele espaço, além de tudo o que significava, representava liberdade!

- E os seus nervos do dia do casamento já passaram ou acha que vão voltar noutras situações? – Ela perguntou.

- Talvez eles voltem quando eu tiver de desempenhar publicamente o meu papel de marido da rainha… Vai ter de ser paciente comigo… - Ele disse sorrindo.

- Sempre! Tal como você foi comigo. O meu único objetivo, quase desde que vos conheci, sempre foi fazê-lo feliz… - Victoria disse olhando-o com carinho.

- E pode estar certa que já está a concretizá-lo. Mas às vezes eu também tenho alguns outros receios…

- E que receios são esses? – Ela quis saber, ligeiramente preocupada.

- Pergunto-me se eu vou, de facto, ser um bom marido, se vou corresponder às suas expectativas, se vos farei verdadeiramente feliz…

- William, por favor, nunca duvide disso! Basta continuar a ser aquilo que tem sido até aqui para que eu viva nas nuvens… Não preciso de mais nada além daquilo que me tem dado até agora.

- E também me pergunto se as coisas entre nós, daqui a meses ou anos, continuarão a funcionar, se este idílio vai permanecer… Não é a primeira vez que eu me caso, como sabe, eu já vi isto acontecer antes, no início tudo é maravilhoso, mas depois… - Ele expôs abertamente.

- Com certeza não teme que eu me comporte como a sua primeira mulher…- Victoria observou de forma um pouco brusca, arrependendo-se de imediato pelo que tinha dito! Ela não duvidava que ele pensava isso, a observação saiu-lhe, simplesmente.

- Não, Victoria, não é isso! Existem inúmeras razões para que um casamento não funcione. Até mesmo quando as pessoas se amam perdidamente. É possível amar alguém profundamente e, no entanto, tornar-se completamente impossível viver com essa pessoa…

Victoria não compreendeu como é que isso era possível…Mas, pelo menos em teoria, percebeu que ele falava de outros motivos que podiam levar um casamento à rutura, sem ser o adultério.

- Estou a ver… - Ela respondeu.

- Quando se teve uma má experiência é natural que estas questões se coloquem. Por vezes as pessoas têm hábitos, comportamentos, excessos, faltas…que tornam impossível a convivência diária ao outro membro do casal…mesmo que ambos se amem. E eu não tenho nenhuma dúvida sobre o nosso amor.

Victoria lembrou-se que Emily dissera que ela tinha de ser paciente, que ele fora muito ferido…Ela também sabia que isso era verdade…Mas ela não sabia nada sobre casamento. Só estava nessa condição havia dois dias. Mais uma vez ia ter de aprender depressa, agora a ser esposa. Ia ter de desenvolver a capacidade de perceber o que ele sentia nesta nova relação que agora tinham e teria de ser capaz de guiar o barco, pelos dois. Com certeza ele também faria isso. Ela sabia que sim.

- Então vamos ter de atuar os dois no sentido de articular da melhor forma a vida de ambos nesta nova condição de casados. O nosso relacionamento sempre teve uma variedade de facetas e nós sempre as gerimos sem nenhum problema, sem sequer nos apercebermos disso. Agora é só mais esta nova faceta para integrar. – Acabou por dizer Victoria.

- Eu lamentaria profundamente que por causa deste novo passo, o casamento, a nossa relação se alterasse. Sempre foi tão maravilhosa que seria terrível se deixasse de ser assim. Sabe que, por vezes, quanto mais se ama alguém e mais se quer estar junto dessa pessoa – fazendo a relação evoluir para um casamento, como nós fizemos – mais se conhecem aspetos do outro que nos começam a incomodar. Então as coisas começam a inverter-se, surge o distanciamento, a indiferença, a rutura…

Virando o corpo na direção dele ela colocou a mão direita suavemente na face esquerda de William e disse:

- Isso não vai acontecer!

Então ele afirmou:

- Você é a pessoa que eu mais amei em toda a minha vida!

William colocou os braços à volta da cintura da sua jovem esposa e beijou-a terna e suavemente.

Quando se separaram do abraço, Victoria olhou para o céu. As nuvens tinham-se tornado cada vez mais fechadas e algumas mais escurecidas ameaçavam chuva.

- Talvez devêssemos regressar. Parece que pode chover. – Ela observou.

Ele levantou-se do chão e deu-lhe as mãos para a ajudar a colocar de pé.

Victoria sacudiu a saia e foi ajudada a montar pelo marido, que de seguida montou o próprio cavalo.

Encaminharam-se na direção da casa, com Victoria à esquerda de William. A distância até lá não era demasiado longa, mas passado pouco tempo começaram a cair algumas gotas de chuva. Uma queda lenta e pulverizada, mas de grandes pingos de água. Todavia, rapidamente a queda lenta se tornou numa precipitação mais acelerada e mais concentrada que lhes começou a molhar mais seriamente a roupa que tinham vestido. Ambos esporaram os cavalos para chegar a casa mais rapidamente.

Skerrett, que sabia que eles tinham saído com os cavalos, observou de uma janela que a rainha e Lord Melbourne estavam de regresso. Correu para a porta, pois achou que Sua Majestade podia precisar de ajuda para se libertar da roupa molhada.

Quando chegaram à frente da casa, William desmontou rapidamente.

Victoria nunca vira nenhum outro homem desmontar com a agilidade e a elegância com que ele o fazia, passando a perna direita sobre o pescoço do cavalo e saltando de imediato para chão à esquerda do animal.

Ele agarrou-a com urgência para a tirar do cavalo, enquanto um cavalariço se aproximava para segurar as rédeas dos dois animais que encaminharia para os estábulos.

William deu a mão esquerda enluvada a Victoria e correu com ela para a entrada da casa.

A rainha entrou no hall enquanto tirava o chapéu e ria, divertida pelo imprevisto.

- Precisa de ajuda, Senhora? Vamos tirar essa roupa molhada? – Skerrett perguntou, demonstrando sincera preocupação pelo bem-estar da soberana.

Victoria olhou para William que acabara de tirar o chapéu alto que lhe protegera o cabelo, mas de onde escorriam algumas gotas de água nas pontas, e que sacudia pingos de chuva do casaco. Depois olhou para a camareira e disse:

- Obrigada Skerrett, mas acho que eu e Sua Alteza somos capazes de mudar de roupa sozinhos. Certifique-se apenas de que os chapéus podem secar.

A camareira fez uma vénia e, com os olhos no chão, não pode deixar de sorrir. Recebeu depois os chapéus das mãos de ambos.

Victoria deu a mão a William e subiram as escadas. Caminharam até ao quarto e fecharam a porta.

A lareira estava acesa, tal como todas as outras estruturas de aquecimento existentes nas divisões da casa que estavam a utilizar.

A circunstância impulsionou ambos a agir da mesma forma tirando as luvas e desabotoando e despindo os respetivos casacos.

Depois ele sentou-se numa cadeira e descalçou a botas de montar para a seguir poder despir as calças que tinham as pernas molhadas.

Ela despiu a saia e a camisa que apanhara água na zona do peito.

Ele tirou o colete.

Ela descalçou as botas e soltou o troço do cabelo que caiu em trança.

Victoria olhou para William.

William olhou para Victoria e caminhou até ela.

Ela colocou os braços à volta da sua cintura, enquanto ele lhe ajeitava algumas madeixas de cabelo que se tinham soltado dos lados, entre a testa e as orelhas, olhando-a com total veneração.

Ele adorava poder ficar apenas a observá-la e ela amava que ele a olhasse assim! Sentir que naquele momento ela era o único foco da sua atenção.

William agarrou o rosto de Victoria com ambas as mãos e beijou-a ternamente. Depois virou-a de costa para si, para lhe poder desapertar o corpete, enquanto ela própria levou os braços atrás para desatar a fita que prendia o saiote na cintura, o que fez a peça cair para o chão.

- Nunca percebi porque é que as mulheres insistem em usar tanta roupa. – Afirmou ele de forma provocatória enquanto lhe soltava os cordões do corpete.

- Os homens também não usam pouca roupa…

- Mas as mulheres vivem aprisionadas dentro destas coisas infernais…

- Mas isso só acontece porque nós temos de manter a elegância para agradar aos senhores nossos maridos! – Ela exclamou sorrindo, abrindo o corpete na frente e atirando-o para o chão.

Depois Victoria saiu de dentro o saiote que empurrou para o lado com o pé esquerdo e virou-se para ele.

Ele despiu a camisa ficando em tronco nu e ela fez o mesmo, revelando os seios.

Ele despiu as cuecas e descalçou as meias e Victoria repetiu os mesmos procedimentos.

Ficaram nus na frente um do outro.

A chuva lá fora tinha-se intensificado. Em consequência o dia tinha obscurecido, mas como ainda não era de noite não havia velas acesas no interior do quarto cuja luz ficara menos intensa do que era habitual àquela hora do dia.

William abraçou e beijou Victoria ternamente.

Encaminharam-se na direção da cama mantendo os corpos unidos.

Victoria sentiu o membro viril de William ereto de encontro à sua barriga e foi tentada a agarrá-lo enrolando os dedos à volta do eixo. Sentiu-o reagir na mão!

Oh, isto era excitante! Para ambos!

Chegados à cama, ela tentou, com a mão esquerda, puxar parcialmente a colcha para baixo, mas a pressão do corpo dele sobre ela fê-la deitar-se antes que esse intento fosse totalmente conseguido…

A chuva batia nos vidros da janela. O mundo parou. Deixou de girar. Ficaram isolados numa redoma onde o único ruído que se ouvia era o da chuva e dos ramos das árvores que se agitavam lá fora, com a força do vento que se formara, e os sons de prazer exalados por ambos.

Deitada de costas, era esplêndido sentir o volume do corpo dele entre as coxas, roçando-lhe na pele em cada arremesso dentro dela. Victoria envolveu o pescoço de William com as mãos e a sua cintura com as pernas.

Ele imaginara durante anos aquele toque de seda das pernas dela, rodeando-lhe o corpo numa carícia. Arrastou a mão direita ao longo do corpo dela desde o rosto, passando pelo ombro e depois pelo braço até ao cotovelo. Cintura e anca. Rodeou-lhe a nádega metendo-lhe a mão por baixo o que lhe permitiu enchê-la de carne firme, macia e voluptuosa.

Com a agitação a trança dela desmanchara-se e o cabelo espalhava-se sobre as almofadas.

Não havia nada mais confortante do que tê-lo encravado nela, ela queria que ele a usasse, que usufruísse dela, que a possuísse sem limites.

- Foda-me William!

Ele apertou-lhe a nádega esquerda e imprimiu velocidade à colisão contra ela.

Moviam-se em conjunto formando um mesmo mecanismo de peças acopladas. Uma máquina bem afinada cujo único fim era produzir prazer.

Como sempre, foi lindo de contemplar: Victoria atingir o êxtase, planar, encaixada nele!

Ela apreciou observar-lhe as veias do pescoço tornarem-se mais evidentes quando ele se estava a vir dentro dela e os sons que ele produziu, no arrebatamento do momento.

Terminara.

A chuva caía agora mais lentamente.

Depois de algum tempo deitados, agora já tapados com a roupa da cama, a chuva parou lá fora.

Victoria levantou-se e dirigiu-se ao cabide para tirar o robe.

Ele observou-a nua a deslocar-se pelo quarto. O cabelo caído até à cintura. Uma visão deslumbrante!

Ela vestiu o robe e foi até à janela, curiosa para observar o tempo no exterior. Havia uma sensação reconfortante por estar ali dentro daquele quarto, junto daquele homem que amava, enquanto lá fora o tempo se mostrara um pouco agreste.

William seguiu-lhe os passos. Vestiu o seu roupão e dirigiu-se à janela. Parou atrás dela, envolveu-lhe a cintura com os braços e colocou o queixo sobre o seu ombro direito.

A chuva e o vento tinham parado e o sol parecia querer voltar a despontar atrás das nuvens, apesar de já estar a entardecer. Mas as folhas das árvores ainda deixavam cair pingos de água para o chão. Um raio de sol cruzou o vidro e iluminou-os. Por uma qualquer razão misteriosa, parecia que o tempo se tinha transformado de modo a permitir-lhe um momento de isolamento e de amor. Agora que o instante de partilha tinha terminado, o sol voltara.

De repente ouviu-se um som familiar e um casal de gralhas cruzou o espaço entre as árvores.

Victoria virou o rosto para olhar para William.

Ele sorriu e beijou-lhe a testa.

Terceira noite em Brocket Hall.

William, de camisa de dormir, sentou-se recostado na cama.

Ela caminhou até ele, também de camisa de noite, subiu para cima da cama, debruçou-se sobre ele e abraçaram-se. Chegou-se mais ao calor que ele libertava através da finura do linho da camisa. Pousou a mão esquerda sobre o pescoço dele e subiu-lhe pela pele suave passando-lhe os dedos pelo maxilar e pelos lábios.

Ficaram ali, acarinhando-se mutuamente.

Beijaram-se.

Ele passou-lhe as mãos pelo corpo: costas, nádegas…

Ela achava adorável ficar assim, recostada no colo dele, estar em contacto com o peito dele, ter os braços dele na sua cintura, as mãos dele nas suas costas…

Ele começou a beijar-lhe o pescoço e a desnudar-lhe o ombro esquerdo e a beijá-lo…

- William…Importa-se se agora nós não…

Ele olhou nos olhos dela.

- Claro que não, minha querida. Nós estivemos juntos há poucas horas e nas 24h antecedentes nós fizemo-lo três vezes… - Ele observou.

- Eu gosto muito, você sabe…

- Oh, sim…Os meus ombros e as minhas costas sabem como você gosta… - Disse ele rindo.

Ela riu também.

- A julgar pela forma como você aperta os dedos e as unhas sobre elas…E outras partes de mim também sabem como você gosta… - Ele continuou num tom bem-humorado.

Ela continuava a rir, agora de forma mais audível, colocando o rosto no peito dele. Ele era desconcertante!

- Mas esta noite eu sinto-me cansada e com sono, preciso de dormir. – Victoria explicou.

Ele sorriu ternamente para ela e com a mão direita colocou o cabelo dela para trás da orelha esquerda afagando-lhe depois a cabeça.

- Na verdade, eu também preciso de dormir…- Ele admitiu.

Voltaram a rir na compreensão do significado do que ele dizia.

- Sabe que há muito tempo que eu não tinha este ritmo… E embora estejamos casados não temos que fazê-lo todos os dias…E fique tranquila porque a maioria dos casais dorme, na maioria das noites. O que não será o nosso caso! – William concluiu.

Escorregaram pela cabeceira da cama e deitaram-se abraçados.

No dia seguinte, o último em Brocket Hall, pediram que lhe servissem o almoço no exterior. Foi colocada uma mesa e duas cadeiras na zona onde a erva verde que rodeava a casa era mais baixa.

Um almoço arrastado, conversando durante horas, desejando que o dia não passasse. Mas o tempo escoava e em breve seria necessário voltar a Londres e enfrentar manobras políticas e compromissos oficiais.

Quando já estavam cansados de estar sentados, William pegou na mão de Victoria e começaram a passear de mão dada afastando-se da casa.

Tão bom! Estar ali naquele local, ter a mão dele na dela, desfrutar da presença dele a tempo inteiro, falar com ele durante dias e noites seguidas…

William não podia sentir-se mais feliz do que estava. Ela estava ali com ele, na casa dele, era a mulher dele! Sentia-se um jovem adolescente apaixonado, uma sensação de leveza e de impunidade que nunca pensara ser possível voltar a experimentar na vida.

Desceram pela erva verde até à margem do lago.

Aproximavam-se de uma zona que tinha alguns carvalhos.

Então ela ousou fazer o que lhe apetecera uma vez em Windsor quando tinham ido andar a cavalo na floresta. Largou a mão dele e, sem que ele esperasse, começou a correr pela erva a rir e virando-se para trás, desafiando-o para que ele a seguisse.

William riu. Ela parecia uma criança feliz! Teria de a seguir. Correu atrás dela.

Parte do penteado dela soltou-se e a parte de trás do cabelo caiu-lhe sobre as costas.

Quando, poucos metros depois, ela permitiu que ele a apanhasse, William agarrou-a pela cintura e derrubou-a na erva caindo sobre ela.

Ela continuava a rir.

Ele beijou-a como se não houvesse amanhã!

Ela colocou as mãos nos lados da cabeça dele, mas ele agarrou as mãos dela, empurrou-lhe os braços para trás até que ficassem sobre a erva, esticados, em paralelo com a cabeça dela, e agarrou-lhe os pulsos com firmeza, impedindo-a de se movimentar enquanto continuava a beijá-la.

Quando ela pôde falar, ainda ofegante e presa pelas mãos dele nos pulsos, disse:

- Você acha que isto é posição digna em que a rainha de Inglaterra seja vista?

- Na minha casa eu faço o que quero e a pessoa que está aqui debaixo de mim não é a rainha é a minha mulher!

- Quando lhe dá jeito que eu seja a rainha, sou a rainha, e quando lhe dá jeito que eu seja uma mulher comum, sou uma mulher comum.

- Você faz o mesmo e usa, conforme lhe apraz, cada uma das minhas identidades…

Ela riu.

Então ele ficou sério a olhar para ela. Mas uma seriedade que mostrava que alguma ideia lhe passava pela cabeça e que se preparava para fazer alguma coisa a seguir…

William largou os braços de Victoria e ela pode trazê-los para a frente de novo e colocar as mãos dos lados das costas dele.

- Eu desejo-vos! Quero-vos…aqui, agora. – Ele disse por fim.

Ela ficou meio apreensiva.

- Agora? Aqui? – Perguntou, levantando a cabeça e apoiando-se nos cotovelos.

- Estamos muito longe de casa. Não há mais ninguém na propriedade além dos criados que estão lá. As árvores encobrem-nos. E só temos que nos manter como estamos, vestidos. Basta um pequeno jeito e nós conseguimos.

Ela não disse que sim, mas pela expressão que se lhe formou no rosto ele percebeu que ela estava predisposta.

Beijou-a no pescoço e no peito.

Ela retribuiu agarrando o pescoço dele e beijando-lhe o rosto.

Ele puxou-lhe a saia do vestido e o saiote para cima e afastou a abertura central das cuecas que ela usava. Percorreu o corpo dela com as mãos enquanto se continuavam a beijar. Desabotoou as calças e introduziu-se dentro dela de forma agreste.

Ela gostava daquilo!

William voltou a agarrar os braços de Victoria e a colocá-los para cima. Com a mão esquerda prendeu-lhe os pulsos juntos com firmeza rente ao chão. Possui-a com intensidade! Ali, no meio da erva, à luz do dia, no contacto com a natureza.

Ele tinha feito aquilo uma vez com Caroline, alguns meses depois de estarem casados. Noutro local. Não o fazia com Victoria como memória dessa outra vez do passado, não por procurar nela qualquer ligação com Caro. Fê-lo apenas porque essa memória lhe passou pelo cérebro, porque a própria Victoria lhe trouxe esse episódio à memória, quando tinha fugido dele levando-o a agarrá-la e a derrubá-la no chão.

Ele era maravilhosamente terno e suave, mas ela gostava quando ele era brusco a possuí-la! E isso revelava-lhe o lado mais profundo e desconhecido dele! Victoria adorou! Por ter sido feito onde não era suposto, a agressividade dele, o facto de estar apertada dentro do espartilho e a circunstância de estar presa pelos pulsos e de não se poder mexer. Este homem era uma novidade todos os dias! Servia-lhe um menu de alternativas. Achou que nunca o casamento com Albert teria sido tão extasiante.

No final ele saiu de cima dela, ajeitou a roupa e deitou-se de costas à sua direita.

Victoria também recompôs a roupa.

Ficaram em silêncio, deitados ao lado um do outro, olhando a copa da árvore por cima de si e os pedaços de céu que espreitavam por entre os ramos.

Passados uns instantes ela perguntou:

- Estas coisas que você faz comigo... Você fazia o mesmo com as mulheres de má reputação?

Ele ficou surpreendido e incomodado pelo inesperado e pelo conteúdo da questão.

- Victoria, por favor! Que pergunta…

Ela virou o rosto para ele e levantou as sobrancelhas num gesto de insistência por uma resposta.

Ele pensou que era normal que ela perguntasse e só teria de responder com frontalidade, como sempre fizera. William suspirou e disse:

- Sim, Victoria, eu fazia o mesmo com essas mulheres de que você fala…Embora existam diferentes formas de o fazer, como você já pôde constatar, os procedimentos usados são os mesmos, independentemente da condição da mulher em causa…

- E eu sou tão boa como elas?

Agora ele estava perplexo com a pergunta! Como se pudesse haver comparação…

- Não. – Ele respondeu simplesmente e de forma inexpressiva.

- Não? – Ela perguntou com um ar preocupado, enquanto rodava o corpo para ele e se apoiava no cotovelo direito para poder encará-lo mais diretamente.

- Não, você é milhares de vezes melhor do que elas!

Ela riu em descompressão e percebendo que tinha sido humoristicamente enganada por ele.

Ele rodou o corpo para ela e explicou num tom de leve repreensão:

- Victoria! Essas mulheres só têm uma coisa para oferecer que é o corpo, prazer físico. E é apenas isso que os homens encontram num bordel, lá não há nenhum significado. – E depois continuou num tom mais terno: - Mas você representa tudo para mim! Aquilo que eu tenho consigo, além do prazer da carne, é um prazer emocional inexplicável por palavras. É forte, profundo, extenso e verdadeiro. E você é pura, delicada, doce… Você é incomparável! Eu sinto-me derreter cada vez que eu estou consigo!

Ela sorriu ternamente para ele e concluiu:

- Uma vez você disse que o que nós temos na cama não existe numa casa de mulheres…Era disto que você falava…

- Exatamente, Victoria.

Ela colocou o rosto sobre o peito dele e passou o braço esquerdo à volta da sua cintura.

William envolveu-a com os braços.

Ficaram em silêncio, mas passados uns minutos ele disse:

- Sabe, há uma história que se conta sobre esta árvore debaixo da qual estamos …

- Uma história? Qual é? – Ela perguntou curiosa, levantando o rosto para olhar para ele.

- De acordo com a memória que passou por várias gerações, a rainha Elisabeth costumava sentar-se debaixo deste carvalho quando visitava Brocket Hall…

Victoria perguntou surpresa:

- Oh! Isso é verdade William?

- Não sei, é uma história que se conta…Eu nem sei se alguma vez ela esteve em Brocket Hall…

- Por isso você disse que tinha outra coisa para me contar relacionada com Elisabeth…

- Era isto mesmo.

Ela sorriu e voltou a deitar o rosto no peito dele.