Ponteiros Desajustados
Capítulo 21
- E então? O que houve depois?
- Eu não consegui criar coragem para ir falar com ela naquela semana.
- Mas conseguiu depois?
- Bem, eu consegui me convencer a ir até a casa dela na semana seguinte, mas já era tarde. Nem a mãe dela estava lá... Havia dois caras. Me parece que um deles era o namorado novo da Sra. Feng, um maluco chamado Gai, muito enérgico se quer saber. E o outro era o filho dele. Ele disse que tinha sido adotado, mas eu digo que nunca vi pai e filho em melhor sintonia... E não sei se isso é bom, porque o tal de Lee era tão maluco quanto o pai.
- Sua memória me espanta...
- Eu nunca conseguiria esquecer aqueles dois, mesmo que quisesse muito.
- Bem, e ela não estava lá?
- Não, não estava. Eles estavam lá somente para fazer a mudança. Tenten estava na capital, passando por um tratamento psicológico. Lee me deu o telefone deles e me disse para ligar se quisesse conversar com ela, mas eu nunca liguei.
- Por que não?
- Ela estava no meio de um tratamento e, pelo que eu entendi, era intensivo. A diretora do colégio estava arcando com os custos e insistiu que Tenten deveria ter acesso ao melhor tratamento, para não sofrer mais nem um dia com, bem, aquele assunto. Então, eu decidi esperar uns meses, dar um tempo para ela se recuperar.
- Ligou depois?
- Não...
- Por quê?
- Porque eu sou um grande idiota!
-O que mudou para você ter deixado para lá?
- Na verdade, foi mesmo uma mudança: de endereço! Não é que eu não tenha ligado, mas mais uma vez o grande Neji Hyuuga fez seus cálculos brilhantes e se atrasou como sempre!
- Eles haviam se mudado?
- Sim. Uma moça me atendeu, seu nome era Kushina.
- Não deixo de me espantar com a sua memória...
- Bem, eu perguntei para ela sobre a Tenten ou sobre o Gai e Lee, mas ela me disse que ela e a família moravam ali há poucos mais de dois meses. Eu acho que estava desesperado, porque eu fui falando e falando coisas e, em algum momento, ela me pediu para ter calma. Ela foi bastante gentil... Contou que a casa era alugada, mas que o nome do proprietário não era Gai. Ela me deu o nome e telefone dele e me disse para tentar entrar em contato, pois talvez ele soubesse das pessoas que eu estava procurando.
- E ele não sabia, não é?
- Tudo que ele sabia não servia para eu achá-los. Parece que a casa era pequena, acomodava bem três pessoas, mas, com conforto, não mais do que isso. Eles se mudaram porque agora eram quatro pessoas e também porque, como disse o proprietário, as duas crianças da família estavam em idade de ir para a faculdade e, assim, eles foram para uma cidade mais perto do lugar onde eles estudariam.
- Não conseguiu achá-los depois disso?
- Não e tudo porque eu sou um grande idiota que fica adiando as coisas!
- Jovem Hyuuga, tem que parar de se menosprezar e tem que parar de se culpar. Precisa perdoar a si mesmo por tudo isso que te faz mal.
- Eu não quero o meu perdão! Eu quero o dela! – Ele gritou frustrado.
Ele a ouviu inspirar e expirar várias vezes antes de voltar a falar com ele:
- É só isso que o senhor precisa?
- O que?
- Para seguir em frente e voltar a ser quem era, a única coisa de que necessita é o perdão da sua amiga?
- Isso foi tudo que eu esperei desde o dia no lago. É o que eu espero até hoje.
- O senhor é pacienciosíssimo...
- Como se eu tivesse outra opção agora... Talvez eu tivesse no dia, talvez nos dias seguintes, mas não depois de todos esses anos. O que mais eu poderia fazer?!
- Esquecer?
- Nunca! – Ele foi firme.
- O que faria se pudesse vê-la novamente?
- Ora essa... Exatamente o que eu estou dizendo, claro: pediria perdão.
- Não acha que deveria se perdoar primeiro e depois buscar o perdão dela?
- Como eu posso me perdoar?! Eu nem sei se ela está bem! A senhora, digo, senhorita se perdoaria se soubesse que a vida inteira de uma pessoa foi um fracasso porque você tomou uma série de decisões erradas?
- E você acha que ela era esse tipo de pessoa?
- Não, mas... É que... Bem... Eu fiz uma pergunta primeiro!
Ela suspirou e ele ouviu o som da cadeira dela se arrastando. Ouviu o som dos passos dela se encaminhando até ele.
Neji suspendeu a respiração quando ela sentou-se à sua frente no divã:
- Está bem, você venceu então. Pode pedir perdão agora, Neji.
0
00
000
00
0
Olá, você!
Sinta-se bem-vindo ao penúltimo e curto capítulo de Ponteiros Desajustados. E a você que apostou que a Tenten era na verdade a psicóloga do Neji, apesar de eu ter mudado o sobrenome dela e outras mudanças, parabéns pelo palpite! Embora isso me faça repensar tremendamente a ideia, porque ser previsível é absolutamente detestável, mas eu acho que posso viver com isso.
Espero que a fanfic tenha sido minimamente proveitosa até aqui e que, após essa surpresa não surpreendente, você ainda esteja aí para o próximo e final capítulo.
Ah, comentários bobos e irrelevantes à parte, essa é a maior fanfic que escrevi/postei até agora e, apesar de que ela poderia ser melhor, estou muito orgulhosa de mim por estar terminando isso e muito feliz com a companhia de algumas pessoas. Obrigadíssima :3!
Enfim, a gente se vê na semana que vem, pessoa n.n.
Besitos!
