Ela caminhava com certa insegurança apesar da sua típica impecável elegância. Era perigoso ela estar ali, mas o risco valia a pena. Aquele acidente em Bristol se tornara um fantasma, assombrava o relacionamento de pai e filha de uma maneira que nunca mais se tornou o mesmo. Mas Irene se esforçava pelo amor ao seu pai e, com o tempo, o coração de Marvin conseguiu retribuir à altura.

Era um apartamento simples que o pai morava agora. Ele havia conseguido voltar a trabalhar como contador e estava prestes a se aposentar. Irene tocou a campainha ao se posicionar em frente à porta.

Enquanto esperava ouviu o som inconfundível dos sabres de luz e os blasters explodindo. Distinguiu Rey e Finn conversando em meio ao caos. Marvin estava assistindo o Despertar da Força.

Mais um pouco se passou e ele atendeu a porta.

-Querida Irene-exclamou ele feliz, as rugas embaixo dos olhos e na testa se curvando-não esperava que me visitasse tão cedo.

-Eu precisava pai-falou ela com certa timidez-eu quis ter certeza que estava bem.

-Como pode ver eu estou-ele deu um risinho-mas o que a aflige? Parece preocupada. Não é a sua mãe novamente é?

Para Marvin, conforme Irene havia contado, ele conhecera a esposa Missy conversando com ela no meio da rua, viveram felizes por alguns anos, compartilhando o gosto por filmes e livros, até que uma doença quando Irene tinha 13 anos a levou embora. Mesmo nunca tendo isso esclarecido, ele sabia que havia algo mal resolvido entre Missy e Irene.

-Ela era um pouco difícil às vezes-a mulher deu de ombros e tentou se acalmar-mas não se preocupe pai, vou apenas deixar para lá e seguir em frente, não posso mais consertar o que já aconteceu. De qualquer forma, não vim até aqui pra falar da minha mãe.

-Então por que voltou tão rápido?-o pai ficou preocupado-James está bem?

-Sim, está, melhor impossível-explicou ela-eu só senti sua falta e vim lhe fazer um convite.

-Prometo não fazer mais perguntas-percebeu ele-só me diga o que é.

-Vamos ver Os Últimos Jedi?-Irene pediu se sentindo uma criança, lembrando-se das vezes que assistiu Star Wars com Marvin.

-Não acredito que gosta tanto de Star Wars como eu-Marvin sorriu-sim, sim, vamos minha querida.

-Foi você quem me ensinou a gostar-respondeu ela-então vamos.

-Deixe só eu regar as plantas e já estou indo-disse Marvin entusiasmado-não assisti o filme ainda, meio que estava esperando você.

Irene sorriu ao ver que seu pai aceitara o convite. Era maravilhoso vê-lo feliz e sem lembranças ruins.

Enquanto caminhavam lado a lado, ela olhou de relance as estrelas no céu noturno. As estrelas tinham trazido a felicidade à Marvin, mas também muito sofrimento. No fim, alguns males vieram para o bem e o homem que mais merecia ser feliz para Irene estava exatamente assim, independente das estrelas.