"A loucura de Temperance"

Os carros do FBI chegaram rapidamente ao apartamento de Booth. Temperance desceu do carro mas quando seguia para a entrada do prédio foi impedida pelo agente Baker.

_ Sinto muito, Dra. Brennan. A senhora fica aqui.

Ela ainda tentou argumentar.

_ Mas...eu posso ajudar !

_ Não. A senhora espera aqui. Não vou arriscar minha promoção levando uma civil em uma busca perigosa como essa !

Temperance hesitou, pois não queria prejudicar a carreira do rapaz. Ela concordou com a cabeça.

_Certo, eu fico...

Ele se virou, sacou a arma e rapidamente subiu as escadas junto com os outros agentes. Temperance não perdeu tempo, correu para os fundos do prédio onde ficava a escada de incêndio. Subiu o mais silenciosamente que pôde e suspirou de alívio ao encontrar a janela destrancada. Ela entrou no quarto de Booth e se esgueirou até a porta, tentando ouvir algum ruído. Ouviu a voz do homem vindo da sala.

_ Eu já me enchi, agente Booth ! Ou você me diz onde escondeu a fita, ou eu vou agora mesmo até a casa da sua namorada e a mato ! – ele se aproximou e arrancou a gravata que tinha usado para amordaçar Booth. – Mas não antes de usá-la um pouco... – ele sorriu maliciosamente. – Afinal desperdiçar uma mulher linda como ela seria um pecado !

Booth o encarou sentindo a raiva corroê-lo por dentro.

_ Se tocar nela, eu te mato ! – Booth gritou furioso.

O homem se aproximou novamente e o esmurrou. Booth sentiu o sangue escorrer pelo canto de sua boca e fechou os olhos. Precisava pensar em um jeito de distraí-lo o suficiente para se desamarrar.

_ Não se atreva a levantar a voz, pois se algum vizinho seu chamar a polícia, eu te mato antes deles chegarem aqui em cima, ouviu ?

Os agentes ouviam os sons abafados através da porta fechada. Pensavam em uma maneira de entrar sem fazer com que o homem atirasse no agente Booth.

Do outro lado do apartamento, no quarto, Temperance pensava no que fazer. Não podia ficar ouvindo sem fazer nada. Ela pensou um pouco, sabia que Booth tinha outra arma, mas não fazia idéia de onde ele a guardava. Resolveu procurar em silêncio. Os lugares mais prováveis seriam as mesinhas de cabeceira e o armário. Começou pelas mesas de cabeceira e não encontrou nada. Resolveu tentar o armário e estava revirando a parte de baixo quando se lembrou de Parker. Booth jamais deixaria uma arma numa altura que uma criança pudesse pegar, pois ele tinha um filho pequeno que passava bastante tempo com ele. Ela se esticou e começou a procurar na parte mais alta do armário. De repente suas mãos esbarraram em algo parecido com um estojo. Ela o puxou com cuidado, pois se o derrubasse e fizesse barulho, Booth e ela estariam perdidos. Apanhou o estojo e abriu, suspirando de alívio ao encontrar a pistola semi-automática. Conferiu e viu que estava carregada. Ela segurou a arma com força, agora só precisava de um plano.

Temperance se aproximou da porta do quarto e abriu-a com cuidado. Seguiu pelo corredor o mais silenciosamente que pôde e espiou. Viu Booth amarrado em uma cadeira e o homem de costas para ele, revirando a estante. Ambos estavam de costas para ela, e Temperance pensou que se conseguisse se aproximar o suficiente para apontar a arma bem próxima do homem, a arma dele estava voltada para o chão e talvez ele não tivesse tempo de reagir. Ela entrou na sala.

_ Parado aí se não quiser morrer ! – ela apontou a arma para a cabeça dele.

Booth ficou em choque. Ela devia mesmo ser maluca ! O homem ficou realmente surpreso e por um momento não reagiu. Mas logo se recuperou e apontou sua arma para a cabeça de Booth.

_ Você é quem sabe, quer arriscar e ver se é mais rápida do que eu ? – ele a encarou sorrindo.

_ Você ficou maluca ? – Booth a repreendeu sério.

Temperance hesitou. Não podia arriscar que ele atirasse no Booth. O homem a encarou.

_ Você se parece mesmo com seu pai, sabia ? – ela não respondeu e ele continuou. – Os mesmos olhos, e a mesma arrogância... ele nunca achava que se daria mal em alguma coisa.

Ele deu um passo à frente, se aproximando dela. Temperance não se mexeu, continuou apontando a arma para a cabeça dele. Booth ficou com medo. Ele não poderia defendê-la, amarrado como estava.

_ Vamos direto ao assunto. Você me entrega a fita que seu pai lhe deu, e eu solto seu namoradinho. Caso contrário, vocês dois morrem, que tal ?

Temperance pensou que bem que gostaria de estar com a tal fita. Mas não sabia sequer do que se tratava. Ele se aproximou mais. Booth resolveu agir antes que ele tocasse nela. O homem se distraiu e acabou baixando um pouco a arma. Booth notou que ele não apontava mais para sua cabeça. Ele ficou em pé mesmo com a cadeira em suas costas e se jogou contra o homem, fazendo com que ele se chocasse contra a estante, mas mesmo assim ele continuou segurando a arma. Temperance se afastou assustada. O barulho alertou os agentes do FBI que se apressaram em arrombar a porta. Quando o homem viu os agentes se apavorou e apontou a arma para Temperance e atirou. O tiro a atingiu no peito e ela caiu no chão, derrubando a arma longe de seu alcance. Booth gritou apavorado.

_ Não ! – ele conseguiu se livrar rapidamente das cordas frouxas e correu se ajoelhando ao lado dela.

Os agentes desarmaram o homem e o algemaram. Booth tocou o rosto dela com as mãos trêmulas. Isso não podia ter acontecido.

_ Temperance, fala comigo ! – ele acariciou seu rosto. – Por favor, fala comigo !

O agente Baker se aproximou dele.

_ Não se preocupe, agente Booth. Ela só está sem fôlego por causa do impacto. Ela está bem. Graças a uma coisa que eu emprestei.

Nisso ele viu que Temperance não estava desmaiada. Ela se sentou no chão devagar. Booth os encarou assustado, sem entender nada. Ela nem estava sangrando ! Ela respirou fundo para recuperar o fôlego e ergueu sua camiseta, mostrando o colete. O agente Baker a encarou sorrindo.

_ Do jeito que a senhora é maluca, acho bom ficar com ele. Pode ser útil no futuro. – ele se afastou balançando a cabeça.

Booth se sentou no chão. Depois de um susto com esse ele duvidava que suas pernas o sustentassem. Temperance tocou seu rosto com a mão.

_ Você está sangrando, Booth.

Ele sorriu sem vontade.

_ Eu devia estar furioso com você ! – ele suspirou. – Você podia ter morrido ! Quando vai aprender a pensar antes de agir ?

_ Ele estava com você, Booth ! Eu não podia ficar sem fazer nada ! – ela argumentou.

Booth a pegou pela nuca e encostou sua testa na dela.

_ Eu devia te dar umas palmadas, sabia ? Mas só o que eu consigo pensar em fazer é isso...

Ele a beijou como se não a visse há vários dias. Temperance o abraçou com força e correspondeu ao beijo com loucura. Quando se afastaram notaram que estavam sozinhos. Os agentes tinham se retirado. Temperance sorriu.

_ Parece que se beijar no chão na frente de agentes do FBI está se tornando um hábito...

Booth a encarou sério. Morreria se a perdesse, pois já não sabia mais viver sem ela há muito tempo.

_ Como você ficou sabendo ? O FBI te informou ?

Ela o encarou confusa.

_ Você me ligou, Booth ! No meu celular !

Ele sorriu e balançou a cabeça.

_ E eu achando que tinha ligado para a agência... Também, eu fiz a ligação com o celular nas costas. Desculpe ter te assustado !

_ Eu fiquei feliz que ligou pra mim... Estava achando que nunca mais ia olhar na minha cara...

Booth a puxou para seus braços.

_ Eu não conseguiria...

Ficaram abraçados por um longo tempo.

continua...