Explicação de Um Youkai Apaixonado
Durante toda a manhã Rin e Sesshoumaru brincaram com os gêmeos. Tomaram o café juntos. E qual não foi a surpresa de Mizuki ao rever o youkai.
- Lorde Sesshoumaru? Ma-mas como é possível?
- Estou de volta. É o que importa! - respondeu o youkai.
Rin era só felicidade. Tudo estaria em paz agora. Mas uma coisa faltava. Conversar e foi isso que sugeriu a Sesshoumaru. Queria saber por onde ele andara este tempo todo.
- Podemos conversar?
- Podemos ter essa conversa no banho.
Eles subiram para o quarto.
- Só quero saber o que fez todo esse tempo.
- Eu sei.
- Mas... Sesshoumaru...
Ele a puxou pela mão até a banheira. Tirou o kimono e entrou dentro.
- Vem Rin. – a convidou estendendo a mão.
Ela não acreditava na atitude dele. Com tanta coisa para conversarem e ele a chamando para o banho. Se bem que ele dentro daquela banheira era uma tentação. Ela o olhava com desejo. Pegou na mão dele.
- Tire o kimono...
Obedeceu prontamente e entrou ficando de costas para ele. Deitou a cabeça em seu peito. Ele a abraçou e beijou seus cabelos.
- Pensei que nunca mais ficaria assim com você, Sesshoumaru...
- É...?
Ela virou de lado olhando para ele.
- Enquanto fazíamos amor, você disse que voltou de vez e que tudo seria diferente. Estava falando sério, não é mesmo?
- Eu falei muito sério, Rin.
- Não é isso. É que agora temos as crianças e eu voltei aqui para a corte...
- E acha que não considerei tudo o que vivemos e as consequências?
- Sesshoumaru! Agora tudo é diferente, aconteceu muita coisa! Eu mudei, você mudou e mmm...
Deu um beijo nela. A olhou sério.
- E você não me ama mais? Por que se for isso, não foi o que me pareceu quando a tomei em meus braços. Você estava tão desejosa de mim quanto eu de você, Rin.
- Não é nada disso! Continuo te amando desde o dia que saiu da minha vida.
- Então o que é?
Ela o abraçou.
- Tenho medo que me deixe de novo. Só que dessa vez eu não suportaria, eu passei por tanta coisa sozinha... não quero mais me sentir assim...
Ele acariciou o rosto dela.
- Depois que saiu de Shura, para onde foi?
- Não vim para a corte e tampouco para as terras do Oeste...
- Seu irmão Inuyasha esteve em Shura para saber como estávamos vivendo. Como você não mandou notícias acharam que tínhamos casado.
- Inuyasha? E o que disse a ele?
- Toda a verdade, menos a parte das crianças.
- Ele não sabe dos nossos filhos?
- Por um acaso veio a saber. Mas prometeu que não contaria nada para sua família para que sua mãe não viesse atrás de mim, e tirasse meus filhos assim que soubesse que você não estava comigo!
- Conheço minha mãe! Realmente teria ido atrás dos gêmeos!
- Eu não corri este risco... e então, para onde foi?
- Depois daquele dia em que nos vimos pela última vez, eu saí das terras de Shura e viajei pelo resto do Japão. Corri o país todo indo até as partes mais longínquas, visitando outras propriedades de meu pai e aumentado a minha riqueza em diversos negócios, ocupando a mente em outros assuntos. – ele a encarou – E não teve um só dia nesses quatro anos que eu não tenha me arrependido de tê-la deixado, Rin.
- E por que não voltou? Poderia ter feito isso a qualquer momento! Não entendo.
Ele deu um suspiro e recostou na banheira.
- Existe algo em nós, youkais, que em certos momentos da vida só nos atrapalham, Rin. É o maldito orgulho.
- Então por orgulho não quis voltar para mim?
- Sim...
Rin olhava para ele não acreditando na resposta.
- Poderíamos ter sido tão felizes... Orgulho! Por causa desse maldito orgulho não quis! Daichi e Sayuri poderiam ter tido a presença do pai nos primeiros anos de vida deles...
Ela secou uma lágrima.
- Me arrependo amargamente da decisão que fiz no dia que saí da sua vida. Se eu pudesse voltar no tempo...
- Ainda assim eu não entendo. Tinha acontecido tudo e...
- Tanto eu quanto você estávamos com nossos sentimentos feridos! Se eu ficasse eu lhe causaria mais dor. Não seriamos felizes não naquele momento!
- Mesmo sabendo que eu teria filhos seus, ainda teria ido embora?!
- Não.
- Então ficaria somente para arcar com a responsabilidade que surgiu?!
Ele não respondeu. Rin saiu da banheira, secou-se e pôs o kimono. Ele veio atrás dela.
- Rin.. eu... – ele sentou na cama.
- Por orgulho, Sesshoumaru! Por um simples e puro orgulho abriu mão de ser feliz comigo?!
- Também teve outro motivo...
- Mais?!
Ele se levantou da cama e ficou parado em frente à janela, sendo observado por ela.
- ... por que eu queria te esquecer, Rin!
Ela engoliu em seco e baixou a cabeça. Ele a olhou de relance.
- Depois que lutei com Tetsuo e fui até você, a minha vontade era de te abraçar, de dizer que estava tudo bem e que íamos ficar juntos...
- Então por que não fez isso, Sesshoumaru?
- Por que eu fiquei com raiva de você por ter ido a cachoeira sabendo o risco que corria!
- Mas eu estava entediada dentro daquela quarto, não aguentava mais!
Ficaram em silêncio.
- Rin... falar sobre o passado não nos levará a nada.
- De fato...
- Eu também viajei para fora do Japão Fui para o outro continente, um país do outro lado do mar chamado China. Um lugar muito bonito, que eles chamam de Cidade Proibida... para se protegerem dos inimigos construíram uma muralha enorme que corta boa parte do país... você iria gostar de lá...
- Se não tivesse ido embora o rumo de nossas vidas teria sido tão diferente, Sesshoumaru...
Conversar sobre o passado, o que poderiam ter feito, vivido. Decisões que fizeram a diferença na vida de ambos. Agora teriam que decidir que futuro ter, pois não estavam mais sozinhos, dois filhos. E Sesshoumaru não poderia abandonar Rin. E isto ele não faria.
Mas uma coisa o incomodava e ele precisava contar para ela. Se iria mesmo começar uma nova vida não poderia haver segredos entre eles. Mas ele tinha que saber como falar. Durante o tempo que ficou longe dela, se envolvera com outras mulheres e belas youkais que apareceram em sua cruzada pelo país e fora dele. Nada de especial. Com elas era só sexo. Amor de verdade, só ela tinha dele essa exclusividade. Só ela era a única dona do coração e da alma dele. E só dela era o amor dele. Quando esteve na cama com outras, era nela quem pensava. Não deixou de pensar nela um só dia que fosse. Mas ele foi tentado e não resistiu. Não era desculpa. Ele saiu da vida de Rin, tinha rompido com ela. Era livre para se envolver com quem quisesse. Mas temia pela reação dela. É claro que ela, como mulher não aceitaria. E com certeza essa revelação iria lhe ferir o orgulho. Ela sabe que tem o amor dele, mas imaginar que ele fora para cama com outras seria um pouco demais. Mas ele estava decidido a revelar tudo, sabendo a dor imensa que causará no coração dela.
[ ... ]
Rin se trocou e foi ver as crianças. Sesshoumaru resolveu visitar o imperador. Só que antes disso precisava oficializar sua união com Rin.
- Casarmos?!
- Não sei por quê o espanto!
- Bom eu não esperava...
- Rin, se vamos ficar juntos como uma família nada mais justo que você e as crianças tenham meu nome. Isso também é por direito, afinal de contas, vocês três são meus herdeiros.
- E onde vamos nos casar?
- Lembra-se do templo xintoísta na entrada da avenida principal da corte?
- Sim. Vai ser lá?
- Vai... quero que vá ao comércio com Mizuki e compre um lindo kimono para a ocasião. Também compre trajes para as crianças. Eu vou falar com o imperador quando saírem.
- Está bem. Vou chamar a Mizuki e as crianças.
[ ... ]
Todos saíram. Sesshoumaru foi com Jaken até a Casa Imperial.
Durante o percurso ele não parava de pensar em Rin em como ela reagiria depois que ele contasse sobre suas aventuras. Agora não era hora de pensar nisso. Adentrou a casa imperial e o conselheiro anunciou sua entrada ao imperador.
- Sesshoumaru! Você aqui?
- Sim majestade, como vai?
Eles conversaram a tarde toda. Sesshoumaru relatou ao imperador tudo e disse que se casaria com Rin no templo xintoísta. Shoko ficou feliz por eles.
- Já que vai oficializar sua união nada mais justo que tenham um padrinho. E serei eu ele!
- Vossa majestade?
- Sim... e me chame de você! Somos amigos! Tenho certeza que minha esposa a imperatriz não fará oposição!
- Será uma cerimônia simples.
- Tudo bem!
A tarde do outro dia Rin e Sesshoumaru uniram-se em matrimônio na presença do sacerdote que oficializou a união deles, tendo por testemunhas e padrinhos o casal de imperadores do Japão. Rin estava linda em seu traje de noiva. Após a cerimônia eles voltaram para o castelo. Celebraram entre eles mesmos com um jantar que Mizuki fez. Então teve inicio a vida nova da família Taisho.
