Capítulo 21 - A Honra de Um Hokage

Sakura demorou para entender como aqueles dois não tinham se matado. Menos ainda como Sasuke quase permitiu que Naruto acabasse com a vida dele. Naquele momento os integrantes do antigo time sete estavam compartilhando o mesmo quarto de hospital, em posições contrárias. Sakura estava profundamente irritada com a atitude dos dois e sua voz alterada não seria repreendida por ninguém.

- O que diabo vocês estavam pensando?

Sasuke e Naruto sequer desviaram o olhar perdido no teto do quarto. Isto pareceu enfurecer ainda mais a kunoichi:

- Eu desisto, dos dois, entenderam? Estou C-A-N-S-A-D-A! Agem como dois imbecis orgulhosos e quem fica sempre tentando apaziguar tudo, como uma retardada ainda maior, sou eu! Mas se tem uma coisa que aprendi com esta história toda é o fato de que os dois nunca foram amigos de verdade!

Isto parece ter retirado ambos do torpor forçado e ao mesmo tempo fitaram Sakura com certa raiva. Ela se revigorou por dentro, finalmente conseguiu uma reação. Sasuke nada disse, pois Naruto não o deixou falar:

- Sakura-chan, como pode dizer isto? Mais que qualquer outra pessoa no mundo, você sabe o quanto eu fui amigo desse teme! E olha como ele me retribuiu: Primeiro ficou noivo da mulher que amo, depois se aliou contra as Vilas para destruir Konoha!

A moça olhou frustrada para seu amado.

- Afinal, o que você foi fazer lá, se não contar-lhe a verdade?

Sasuke estava com sua aparência entediada de sempre:

- E ele me deixou falar? Não, nem uma palavra. E ainda por cima quebrou a kusanagi com aquele jutsu imbecil...

- Aquela espadinha de merda não agüentava nem meio rasengan, quanto mais um inteiro! – Bradou um furioso Naruto.

Sasuke a muito custo levantou-se e sentou na beirada da cama. Sakura iria obrigar que sentasse, mas reteve a ação quando ele esticou os braços para que não se aproximasse.

- Espadinha Idiota? Você tá maluco? Nem se você vivesse cem anos seria capaz de lutar com uma espada como aquela, seu dobe! Se ela quebrou, foi porque eu não tive tempo de me posicionar melhor, do contrário, teria cortado aquela bola de chakra estúpida e você teria sido cortado ao meio!

- Se não fez foi porque não tinha capacidade!

Sakura já estava cansada daquilo. Sem se importar com os ferimentos de Naruto, pegou-o pela orelha, muito forte, fazendo o mesmo com Sasuke. Os dois exprimiam certa cara de dor, até mesmo engraçada.

- Tá doendo, Sakura-chan! – Naruto mais parecia uma criança reclamona.

- Acabou a palhaçada! Naruto, você foi o imbecil de sempre ao não confiar no seu amigo, Sasuke-kun foi tão idiota quanto ao achar que podia fazer tudo sozinho e os dois caíram direitinho na conversa de Uchiha Madara! Fizeram exatamente o que ele queria!

O ninja hiperativo parou, sem reação.

- U... Uchi... Uchiha Madara? Quem é esse? – Olhos interrogativos finalmente encaravam Sasuke.

- É quem você pensa ser o meu irmão, Itachi. Madara assumiu o corpo dele logo depois que aconteceu o massacre do meu clã. Há quase dez anos ele planeja contra Konoha. E graças a você, agora sabe exatamente o que temos.

- Não diga isso, Sasuke-kun, porque não é verdade. Naruto nunca colocou a Vila em perigo... – Sakura viu-se obrigada a interceder pelo amigo.

Sasuke pegou Naruto pelos ombros, desvencilhando-se dela :

- Ele quer a Kyuubi, seu burro!

Sakura e Sasuke resumiram a história para um Naruto cada vez mais perdido.

- Sakura-chan... desde quando você sabe disso?

- Alguns dias... você ainda estava fora da Vila.

- Então quando nós viajamos e eu te pedi aquilo, você... – Naruto deixou sabiamente as palavras ao vento, sem completar. Uma Sakura visivelmente constrangida e corada estava tentando escolher as palavras:

- Deixa isso prá lá, porque nada daquilo foi preciso, certo? – Sasuke encarava os dois sem entender ou ter o que dizer.

- Então nessa história toda, eu fui o idiota? – O rapaz agora parecia ter transportado toda a raiva que sentia para a própria pessoa – Droga! Sempre o retardado tem que ser eu!

Sasuke segurou os ombros dele, em seus olhos e aparência já não estavam mais todo o pesar de antes. Uma mente mais astuta poderia até mesmo dizer que com certa paciência.

- Não diga isto. É como a Sakura falou, desta vez você foi o dobe e eu fui o teme... em partes iguais. E peço desculpas por não confiar em vocês dois, foi o meu maior erro. Só não quero ouvir novamente que não fui seu amigo. Se existem pessoas que quis preservar nesta história toda Naruto, foram Sakura e você.

O loiro não sabia o que dizer, limitou-se a abraçar Sasuke forçadamente, até demais para os ferimentos que o outro tinha. Recuando sem graça diante de uma careta de dor, quase sorriu, mas outro pensamento invadiu-lhe as idéias:

- E a Hinata-chan? Onde ela está? – Na verdade ele olhava para Sakura, como se tivesse uma resposta, mas ao ver a negativa da amiga, ele novamente estava em estado de desespero.

- Você a viu Sasuke... onde ela estava?!

- Gaara e eu a encontramos no meio da floresta e ela não quis ir conosco. Estava muito cansada e disse que iria nos atrasar. Marcamos o lugar e Gaara até deu a capa de Kazekage para que se protegesse do frio. Mas ao voltarmos, não estava mais lá. Encontramos apenas a capa arrumada, lembra-se?

O rapaz recordava a cena que antes tinha achado curiosa, mas que agora lhe dava medo.

- Então ela está perdida na floresta? Será que foi seqüestrada?

Desta vez foi Sakura quem interveio:

- Hinata é uma shinobi rastreadora. Mesmo sem o byakugan, acho impossível ficar perdida – Só depois se deu conta de que isto faria o amigo ficar ainda mais nervoso. E foi o que aconteceu. Naruto só não avançou porta afora porque uma nuvem branca de fumaça anunciou a entrada de certo jounin de cabelos prateados que segurava o rapaz fortemente pela gola da roupa.

- Onde pensa que vai?

Os olhos vermelhos de Naruto intimidariam muita s pessoas, porém não mais aqueles três.

- Vou procurar a Hinata, Kakashi-sensei! Não posso deixá-la sozinha!

Kakashi estava emburrado, por que todas as vezes que ele achava que chegaria com um anúncio novo, alguém se adiantava a ele?

- Yare, yare... Deixe disso. Eu sei onde a Hinata está, pode parar com a afobação.

A face de Naruto iluminou-se naquele momento. Estava até mesmo procurando por ela pelo quarto com os olhos.

- Onde, onde? Fale logo sensei.

- Se você ficar menos empolgado dá prá falar. A Hinata está perto, protegida. Mais que você ou eu. No momento, não posso falar mais, vai ter que acreditar em mim, certo? É para a segurança dela.

Sakura e Sasuke entendiam menos que o amigo, mas nada disseram. Naruto parecia ainda disposto a protestar, mas Sakura compreendeu que se o sensei falava, era porque realmente deveria ser verdade.

- É Naruto, estamos para entrar em guerra e a Hinata não está bem prá lutar, o ideal é que fique protegida, esperando isto tudo acabar, não? – Deu-lhe o melhor dos seus sorrisos, que pareceram finalmente convencê-lo.

- Certo... mas diga para quem está com ela, que cuide bem dela, tá?

Kakashi virou os olhos, mas foi gentil:

- Certo... agora vá para sua casa, coloque seu uniforme e vá até a sala de Tsunade-sama. Ela quer falar com você.

Naruto prontamente despediu-se de todos e foi fazer o ordenado, pouca coisa mais tranqüilo, pois agora sabia que Hinata estava bem. E uma sensação de adrenalina começava a invadi-lo, percebia a Vila se preparando para a maior das guerras que já tinha visto.

"Vou dar o meu melhor e vencer esta batalha! Este tal de Madara vai saber que não deve mexer com o futuro Hokage!"

No quarto do hospital, Sasuke voltava ao apoio da cama, com o auxílio de Sakura. Kakashi estava próximo para ver os machucados de seu ex-aluno.

- Ele não pegou leve... – Referindo-se a Naruto.

- Não está tão ruim assim... – Quem falou foi Sakura, que já estava emanando chakra medicinal para cuidar de Sasuke.

Um pequeno silêncio instaurou-se no local. Sasuke parecia concentrado, mas o que realmente acontecia era que estava taciturno à presença do outro shinobi ali.

- O que veio fazer aqui, realmente, Kakashi? – O tom na voz dele indicava que não aceitaria uma desculpa.

- Ainda não consigo enganar você, né? – Riu sem graça, assumindo um tom sério – A verdade é que Hinata está nas mãos do Madara...

Sakura revoltou-se com aquilo:

- Como pôde mentir para ele? Ele vai lutar pensando que está segura!

- E é exatamente isto que queremos. A última coisa que precisamos é do Naruto ficando nervoso e ajudando a libertar a Kyuubi. Sakura e Sasuke, a missão de vocês é proteger o Naruto, sem que ele saiba. Os três vão ficar com a responsabilidade de cuidar da Vila, auxiliando o Lee, mas na verdade saibam que estão apenas para protegê-lo. Se Madara passar por nós, vocês têm ordens para fugir, ouviram? Desapareçam para bem longe de Konoha.

Os dois estavam em choque. Fugir? Nunca passou pela cabeça dos dois aquela possibilidade... como então convencer Naruto? Lendo a mente previsível de seus pupilos, Kakashi adiantou-se:

- Não estou nem aí para como vão tirá-lo daqui. Apenas façam, estas são as ordens de vocês. Sasuke, recupere-se o mais rápido possível.

Kakashi desapareceu numa outra nuvem de fumaça, deixando os dois em estado de quase choque. Sakura continuava os cuidados nele, em silêncio. Alguns minutos depois, a mente deles trabalhavam rápido, formulando muitas teorias e possibilidades, até que Sasuke tomou o rosto de Sakura com uma das mãos, num carinho silencioso.

- Como ficaram as coisas por aqui?

Sakura deixou-se afagar por aquelas mãos, continuando com os cuidados dele, mas as mãos tremeram por um momento, que não passou despercebido por ele.

- Ficou tudo bem Sasuke-kun... agora fique quietinho, ta? – Mas ela não conseguia enganá-lo com aqueles sorrisos falsos.

- Eu não falei com você sobre ela... porque não achei necessário. Apenas fiz com que aqueles três pagassem o que devem à Konoha.

Sakura precisou de força sobre-humana para não desmontar. Tinha esquecido daquilo, parcialmente. E agora ele estava obrigando sua mente a voltar aqueles momentos.

- Sasuke-kun... deixe disso...

- Ela fez alguma coisa prá você? Onegai Sakura, não minta para mim.

O que ela fez? Por Kami-sama... ela tinha um filho dele... e como considerar aquilo uma maldade? Tinha jurado nada contar, mas imaginou se alguma coisa acontecesse com ela e com Karin... o menino estaria sozinho...

- Sasuke-kun... há algo que você preciso discutir com você...

Ele já estava preparado para aquilo, certamente Karin tinha falado do passado dos dois, que para ele resumia-se às noites em que o sono era tão agitado que não conseguia acalmar-se antes de atentar aos desejos que ele tinha por outra mulher, não aquela. Tinha sido errado, sabia daquilo, mesmo não estando com Sakura... teria de fazê-la entender que aquilo nunca mais aconteceu desde o momento em que foi embora.

- Não pense que aquilo voltou a acontecer. Não toquei nela nunca mais, me arrependo de muitas coisas, mas poucas como essa.

Aquilo doía em Sakura, sabia ser sincero o arrependimento dele, mas uma pequena parte de si ainda queria que o seu amor negasse aquilo, acreditaria nele se dissesse que nunca teve nada com ela, mesmo a semelhança do garotinho de olhos sinceros com o homem que tanto amava seria ignorada por completo.

Sakura abraçou-o fortemente, não interrompendo as lágrimas que caíam pesadas. Sasuke ficou sem saber o que fazer por alguns instantes, certo de que aquilo tinha machucado a mulher que amava muito mais que o previsto por ele. Depois de alguns segundos, permitiu-se tocá-la:

- Perdoe a minha tolice... mas hoje a única coisa que me basta é você.

As palavras doíam, muito, incontroladamente. Sakura não conseguiu refrear as palavras, que saíram também com o intuito de ferí-lo um pouco, tal qual seu coração naquele momento:

- Ela teve um filho seu!

OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoOoOo OoOoO

Naruto fez exatamente o que Kakashi disse, com exceção de uma pequena parada no Ichiraku. Há quase um mês não provava da delícia e o estômago roncava pesado. Estava no terceiro pote de ramén, quando sentiu um vulto conhecido aproximar-se.

- Onde está Hinata-sama?

Neji conseguia ser, aos olhos de Naruto, tão indiscreto quanto possível, mas desta vez compreendia o Hyuuga. Voltou-se para ele, o rosto já satisfeito pela comida e também pacificado pelas novidades:

- Está segura Neji.

Não satisfeito com as poucas palavras, Neji colocou-se entre Naruto e o pote de ramén afastado da mesa pelas mãos do shinobi.

- Segura em que lugar?

Medindo a distância para pegar a tigela ou sair do Ichiraku, Naruto resolveu não escolher:

- Pergunte ao Kakashi-sensei, ele disse que era melhor que eu não soubesse onde, acho que porque sabe que iria prá lá na mesma hora. Mas me garantiu que está segura e acredito nele.

Neji ponderou por alguns momentos. Se as palavras de Naruto eram verdadeiras, Hinata estaria a salvo e seria uma preocupação a menos para ele. O rapaz tinha uma pequena desconfiança quanto à veracidade das palavras, mas chegou à conclusão que desconfiar de outro companheiro não seria o certo, visto suas últimas ações. Meneou a cabeça, espantando os pensamentos. Repousou a mão no ombro do colega à sua frente, apenas por alguns instantes.

- Naruto, confio em você para cuidar dela. Se me diz que ela está em segurança, não há motivos para duvidar da sua palavra. Por favor, cuide sempre dela.

Naruto não estava entendendo as palavras dele, provavelmente a dúvida estava espantada em seu rosto. Neji limitou-se a um "Até Logo" atípico e foi-se, seguido então por uma legião de Hyuugas, nem mesmo Naruto sabia que existiam tantos assim. Espantado, pagou a conta e foi ter com a Godaime. Chegando lá, uma impaciente Tsunade andava de um lado para o outro:

- Naruto! Isso são horas? Já estou te esperando desde a manhã!

Completamente sem graça, Naruto colocou as mãos atrás da cabeça:

- Ah Vovó... estava com muita fome... não dá prá lutar de barriga vazia... – Ele resolveu ignorar mais uma vez a veia saltando na testa dela, era normal.

- Ai Naruto... – Tsunade respirou profundamente, mas acalmou a voz e o semblante – Senta aqui, quero falar com você.

Agora sim Naruto estava estranho, aquele não era um comportamento típico da Hokage, que sempre falava com ele no último volume. Ele sentou de frente para ela, que levantou da cadeira e foi até onde ele estava, sentando no braço da cadeira, com uma proximidade um tanto quanto materna:

- Você nos deu um enorme susto rapaz... por quê sumir da Vila daquela maneira? Se Gaara-sama e Sasuke não vão atrás da sua cabeça oca, sabe-se lá o que teria acontecido... muitas pessoas estão atrás de você.

- Por causa da Kyuubi... – As pessoas não o temiam ou respeitavam... apenas estavam fascinadas com o bijuu de 9 caldas que habitava o corpo do rapaz desde a tenra idade. Antigamente aquilo tinha sido motivo de revolta para ele, mas os anos se encarregaram de diminuir aquela dor incômoda.

- Konoha estava preocupada com seu futuro Rokudaime, não com o jinchuuriki – Ela falou calmamente, sabendo o impacto que as palavras causariam nele.

De preocupado, o rosto dele passou a extremamente feliz. Naruto levantou-se de um pulo, abraçando Tsunade com força, comemorando a conquista de sua vida.

- É verdade, Vovó? Eu vou ser Hokage? – Seu entusiasmo era grande, esquecera-se completamente do mundo ali fora. Tsunade observava o rapaz tão afobado quanto pensava que ficaria. Não deixou de sorrir, mesmo com tudo que tinha em sua mente. Sentou na cadeira que ele ocupava antes, acomodando-o no colo, como se fosse um menino. Ela sabia que Naruto era um homem já formado e sentia uma certa pontada de tristeza pelo fato de mesmo sentindo um enorme carinho pelo menino, nunca antes ter feito aquilo. O sorriso parecia não sair dos lábios de Naruto, que já se imaginava na capa de Hokage.

- Você será, mas não agora. Entenda Naruto, vamos enfrentar a maior guerra de todos os tempos. Konoha está praticamente sozinha, então lutaremos com tudo que temos. E como Hokage, estarei na frente da batalha. Já dei ordens ao conselho que depois de tudo, se Konoha resistir, você será nomeado o Sexto Hokage em meu lugar. A Vila vai precisar de alguém que se dedique de corpo e alma para reconstruí-la, não consigo imaginar outra pessoa capaz de fazer isto como você.

Ele ouvia atentamente as palavras dela. Várias imagens passavam em sua mente, mas nenhuma delas dizia respeito à uma Konoha despedaçada pela guerra.

- Nós não vamos cair Vovó! E você ainda vai me ver no dia da minha posse! Vai me ensinar tudo que sabe, para que eu seja o melhor Hokage de todos os tempos! Essa é uma promessa!

Mais uma vez o rapaz a abraçava com força e Tsunade precisou de coragem para segurar o choro. Com muito custo, separou-se dele.

- Escute bem, como vamos batalhar por um longo tempo, pode ser que eu fique incomunicável, portanto a responsabilidade da Vila será de Kakashi e Shikamaru. Nesse momento são os dois estrategistas e treinados para a situação. Suas ordens são de ficar dentro da Vila, protegendo os moradores, como um futuro Hokage.

Ela viu o desapontamento nos olhos dele pelo "pequeno papel" que teria na batalha. Ficaria sendo a última linha de defesa e tinha certeza que não teria a oportunidade de ter sequer uma luta decente, pois todos os bons adversários seriam derrotados por aqueles que ficassem na linha de frente. Lembrou-se de Neji e dos Hyuugas, certamente estavam indo ocupar um lugar que ele queria. A senhora rejuvenescida sabia exatamente o que se passava naquela cabeça de vento e adiantou-se:

- Como o futuro Hokage, você deve amar e proteger as pessoas da Vila. Protegê-los é a maior honra e o maior papel de sua vida. Nunca duvide disto, certo?

Alguns segundos de compreensão e então o rapaz balançou a cabeça, concordando, vibrante:

- Deixa só eu contar para o Teme, ele vai morrer de inveja! Provei que sou o mais forte! Hehehehe... O prazer nos olhos dele era quase infantil, arrancando boas risadas da loira.

- Você sempre foi o mais forte, porque acredita nas pessoas mais que elas mesmas. Se não fosse por Jiraya e você, hoje eu não teria a honra de defender nossa Vila. Naruto, vamos lutar com o coração e por todos que estão aqui. Lembre-se do sacrifício de seus pais: cada um à sua maneira protegeu as pessoas de sua Vila. Sua mãe salvou quatro pessoas, pode ser um número pequeno, mas se não o tivesse conseguido, hoje em dia sua tia não estaria nos ajudando a proteger a nossa Vila.

- O que a Tia Nayuri tem a ver com isso? Aliás, eu nem falei dela prá você... como sabe...?

- Ora, você acha que sou a Hokage à toa? As informações chegam privilegiadas – Devolveu-lhe um sorriso maroto – Nayuri-sama está do outro lado das linhas inimigas, encarregando-se de transmitir as ações antecipadamente para Kakashi. Está se arriscando muito, para proteger o lar que sua mãe escolheu para você. Faça valer o sacrifício de todas estas pessoas, certo?

"Quantas novidades", pensava Naruto. E tudo em tão pouco tempo. Respirou profundamente, antes de dar um beijo estalado na bochecha da mulher à sua frente, pulando num ímpeto próprio:

- Certo! Então vamos logo arrumar as coisas, temos que ensinar a esses malditos que não se mexe com Konoha!

Naruto saiu saltitando, feliz como apenas ele conseguia ficar, deixando o peito da Hokage mais calmo e satisfeito com a despedida dos dois. Tsunade voltou calmamente para sua cadeira de líder, abriu a primeira gaveta e de lá retirou a foto envelhecida de seu antigo time. Colocando o dedão sobre o rosto de Orochimaru, fitou Jiraya e Sarutobi-sensei sorrindo para ela. Uma garrafa de saquê rapidamente surgiu, enquanto ela sorvia goles direto da garrafa:

- Sensei, Jiraya... espero ter uma morte tão honrada quanto a de vocês, para ter o direito de descansar ao lado dos meus companheiros.

Shizune veio apressada, já estava tudo pronto no hospital e os relatórios da ANBU indicavam que a movimentação do inimigo já iniciara:

- Tsunade-sama... está na hora.

Tsunade deu um último e longo gole na garrafa, deixando-a semi-aberta sobre a mesa, a foto apoiada nela. Pegou a capa de líder da Vila que usara apenas no dia de sua posse e vestiu, com o semblante tão sério que Shizune não lembrava de outro momento tão compenetrado da mulher à sua frente.

- Espero contar com você no hospital. Ino está ajudando e por favor, não chamem Sakura para ajudar ninguém. Independente de quem seja. A missão dela já é das mais difíceis. Compreendeu?

A mulher estava tão espantada com a atitude de sua mestra que não limitou-se à reverência forma de sempre. Deu um abraço carinhoso na mulher que fora sua única companheira por anos, os olhos de ambos embargados, mas sem permitir as lágrimas.

- Foi uma honra, Tsunade-sama.

Antes que esta pudesse esboçar uma ação qualquer, Kakashi entrou apressadamente na sala:

- Tsunade-sama, acabei de receber um aviso de Nayuri-sama. A Névoa já está se movendo.