Ouviu-se um engasgo do outro lado da linha, seguido de uma pancada.
— Querida, você está bem?! – Não houve resposta.
Sem pensar, ele saiu da van e adentrou a casa dela. Bella estava sentada no chão da cozinha, parecendo tonta.
— O que aconteceu?! — Edward se ajoelhou a seu lado.
— Eu... Não sei... O telefone saiu da parede.
Edward observou o aparelho no chão, desconectado.
— Tudo bem, querida. Vamos consertá-lo.
Com extremo cuidado, ele a ajudou a se erguer e a abraçou.
— Eu devia ter feito isso de um jeito diferente... — sussurrou contra os cabelos dela. — Champanhe, flores e um jantar à luz de velas, uma proposta tradicional e intima. Mas queria algo especial... Como você.
— Não sou especial.
— Não me venha com isso, moça, porque cativou meu coração desde o dia em que a conheci. E se eu não fizer amor com você logo, ficarei impossibilitado para sempre!
Bella respirou fundo, escondendo dele que estava secretamente felicíssima.
— Isso é apenas sexo...
— Não seja tola. Não estou falando de cama e sexo. Falo sobre viajar até o paraíso com você e jamais desistir desse amor.
Bella aconchegou o rosto no peito de Edward e sentiu a batida forte do coração dele.
Ainda havia muito a ser dito, mas precisava acalmar a adrenalina antes que pudesse raciocinar com coerência.
Edward beijou-lhe os cabelos, deslizou as mãos por suas costas, acariciando-a, numa tentativa de fazê-la parar de tremer.
— Sua família não gostou muito de mim, Edward. E isso conta. – Ele a encarou, atônito.
— Do que está falando? Eles a adoraram!
— Foram educados, só isso. Mas é óbvio que não lhes pertenço. Vocês são da alta sociedade e eu, uma pessoa comum.
— Céus! Alta sociedade? Sem chance! Somos pessoas comuns, Bella. Imigrantes irlandeses que chegaram a esse país sem nada. Quanto a você não nos pertencer... — Beijou a palma da mão dela. —... Mamãe já está olhando revistas de noiva e planejando o casamento. Acha que nós somos o casal mais doce do mundo e vai me deserdar se não nos casarmos.
Edward sorriu. — Tudo bem, ela não conhece sua teimosia ainda. Mas aposto que a aplaudirá.
— Não sou teimosa.
— Sim, certo. E eu sou o coelhinho da Páscoa.
Os olhos de Edward estavam tão cheios de amor que Bella se deu conta de que a escolha já estava feita. Aquele homem a conquistara sim, senhor. Se não o tivesse a seu lado, morreria um pouco a cada dia.
— A única pessoa de quem quero cuidar agora é você, Bella. Mesmo que seja a pessoa mais cabeça-dura, temperamental e impossível que já conheci.
— Não é politicamente correto dizer a uma mulher que você quer cuidar dela.
Foi então que Edward viu o sorriso nos lábios de Bella.
— O que posso fazer? Sou um sujeito do tempo das cavernas. É genético.
Bella acariciou o tórax dele.
— Que tal dizermos apenas que vamos cuidar um do outro? – Edward não podia imaginar nada melhor. Porque Bella era uma mulher que podia fazer tudo isso. Ser parceira, esposa, amiga, mãe de seus filhos... Amante. E estava ansiosíssimo pela parte da amante.
— Isso é perfeito, querida. Mas não há algo que você tem de me dizer? Alguma coisa importante que possa ter esquecido?
Bella franziu o nariz, confusa, e então sorriu.
— Sem dúvida! Eu te amo, Edward Cullen. Com tanta intensidade que me assusta. O melhor dia de minha vida foi aquele em que ganhei um tal concurso bobo...
Ele a puxou para si, sussurrando seu amor e escutando o doce retorno da respiração ofegante de sua amada.
Bella podia ter ganhado o concurso, mas foi ele quem ganhou o verdadeiro prêmio.
