Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Isadora, Mia, Donatelo e Cristina são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 21: Te amo.

I – Leão ou Rato.

Pode-se dizer que estava à espreita, observando-a de longe, apenas por precaução. Sabia que ela sentia sua presença e seus olhares, mas de maneira fria os ignorava, procurando distrair-se com outras coisas, simplesmente para não manda-lo para o Tártaro e era evidente que sabia disso; Aiolia pensou, dando um suspiro cansado.

Sentou-se num dos bancos da arquibancada, apoiando os braços sobre os joelhos. Viu a amazona do outro lado da arena treinando algumas amazona, mas em momento algum ela lhe dirigiu a palavra ou até mesmo um olhar sequer.

Queria conversar com ela, explicar que fora tudo um engano, mas como?-ele se perguntou.

-Eu se fosse você iria conversar com ela; alguém falou a seu lado.

Virou-se, reconhecendo de imediato a voz.

-Eros? –o leonino perguntou, surpreso ao vê-lo ali.

-Primeiro e único, jamais se disso; ele brincou. –Mas eu se fosse você conversaria com ela, mesmo correndo o risco de ser mandado para o Tártaro;

-Mas e se ela não me ouvir? –Aiolia perguntou, já contando com essa possibilidade.

-Você é um Leão ou um Rato? –o geminiano perguntou em tom de provocação, vendo-o serrar os orbes de maneira perigosa. –Então, já tem sua resposta;

-Puff! –ele resmungou.

-A não ser que prefere perder a Marin e deixar que outro lhe passe a frente; Eros comentou casualmente.

-Do que esta falando? –Aiolia perguntou, voltando-se para ele.

-Oras! Ruiva, olhos verdes e com todos os quesitos de uma nora perfeita, aposto que não vai faltar pretendentes pra lhe substituir; o geminiano falou com um sorriso maroto, apontando um grupo de aspirantes a cavaleiro na outra extremidade da arena, que olhavam de maneira bastante compenetrada para a amazona que dava instruções as pupilas.

-Eles não teriam coragem; o leonino falou, embora soubesse perfeitamente que sim.

-Se você se garante, ai é outro caso; Eros deu de ombros. –Mas...;

-É melhor falar logo com ela; Aiolia o cortou.

-Isso, garoto esperto; ele brincou, com um sorriso jocoso nos lábios.

-Ahn! A propósito, o que esta fazendo por aqui? –o cavaleiro perguntou, só agora reparando que ele estava vestido como os outros aspirantes, isso quer dizer que estava camuflado, pronto para aprontar alguma.

-Estou apenas dando uma volta. Agora que o papai esta mais concentrado na tia Aurora do que em mim e nos outros, da pra fugir pra cá um pouco; ele comentou, com um sorriso infantil.

-Olha lá o que você vai fazer hein, de preferência, não use nenhuma flecha não importa a circunstancia; Aiolia alertou.

-Não se preocupe; Eros respondeu, com um brilho azulado passando por seus orbes, denotando segundas, terceiras e possivelmente quartas intenções por trás disso.

-Bom, vou lá ver se consigo falar com ela agora; ele falou, vendo que a amazona suspendera os treinos e sentara-se para tomar água.

-Boa sorte; o geminiano desejou. –"Você vai precisar"; ele completou em pensamentos.

-Obrigado; Aiolia respondeu, levantando-se e indo até lá.

II – Entre Pai e Filha.

Nenhum dos dois desviava o olhar, ou emitia som algum, o que já estava se tornando algo perturbador. Shion sabia que isso definitivamente era uma provocação da jovem para que perdesse a calma, o que não estava muito longe de acontecer, mas até então, queria ter uma conversa tranqüila com ela.

-Então...; ele começou, fazendo uma longa pausa.

-Então? –a jovem perguntou, arqueando a sobrancelha. Cruzou as pernas, apoiando as mãos displicentes sobre o colo, numa pose altiva e irritante ao ver do pai.

-Precisamos conversar... "Ótimo idiota, agora você se superou"; Shion pensou, irritado consigo mesmo.

-Fique a vontade, sou toda ouvidos; Celina respondeu, numa calma inabalável, agradecendo mentalmente as aulas de ioga e taichi que fazia todos os dias antes do treinamento com o mestre.

-Você não esta ajudando desse jeito; o ariano reclamou.

-Ahn! E o senhor quer que eu faça exatamente o que, com relação a isso? –a jovem perguntou.

-Quero que me diga o que esta acontecendo com você; depois dessa poderia pular de Star Hill; ele pensou, vendo o olhar de certa forma espantado da jovem.

-Do que exatamente o senhor esta falando? –Celina perguntou, embora soubesse mais ou menos do que ele se referia, devido às cobranças da mãe.

-Sua mãe e eu, estamos muito preocupados com você Celina, você é ativa, sempre animada, mas de uns tempos para cá isso tem mudado e eu quero saber o porque? - Shion falou, fitando-a seriamente.

-Não é nada pai; ela respondeu, dando um suspiro cansado.

-Como não é nada? –ele insistiu.

-Não é nada; Celina repetiu. –Só ando pegando pesado demais nos treinamentos, detesto ficar desperdiçando tempo, embora o mestre Mú viva falando para eu ir com calma; ela comentou displicente.

-Deveria ouvi-lo, ficar se excedendo pode prejudicar sua saúde; o ariano falou, vendo-a assentir.

-Eu falei para mamãe, mas ela não me ouve; Celina reclamou, com ar indignado.

-É, Ilyria é extremamente teimosa quando contrariada; Shion falou com um meio sorriso. –Isso você puxou dela; ele completou.

-Não sou teimosa; ela falou, com os orbes serrados.

-Quer que eu cite alguns exemplos? –ele perguntou, arqueando a sobrancelha.

-Ahn! Melhor não; a jovem adiantou-se com a face rosada.

-Celina, somos seus pais, você pode contar com a gente, mas sabemos também que existem coisas que os pais são os últimos a saber; ele falou, calmamente. –Se não se sentir à vontade para conversar conosco sobre algo, pelo menos fale com Mú, ele vai poder lhe aconselhar e lhe ajudar, mas se isso não for suficiente não deixe de falar conosco, vamos dar um jeito; o cavaleiro completou.

-...; Celina assentiu, vendo-o se levantar. –Obrigada pai;

-Não precisa agradecer, só quero te ver bem; Shion falou, dando um beijo suave sobre a testa da jovem. –Mas me diz, não quer ir mesmo com gente? – o ariano perguntou, parando na porta.

-Não, vou aproveitar essa tarde de folga pra descansar um pouco; a jovem respondeu.

-Está certo, qualquer coisa nos chame; Shion avisou, despedindo-se e indo para a sala.

Celina acenou, vendo-o se afastar, antes de entrar novamente no quarto, fechando a porta. Encostou-se na mesma, deixando-se escorrer até o chão, dando um suspiro aliviado.

III – Não é o que você esta pensando.

Indicou-lhe o sofá da sala para que se sentasse, enquanto fechava a porta do ateliê só por garantia, não queria ninguém vendo aquele quadro antes da hora, muito menos ele.

Observou-a atentamente, a jovem tinha uma expressão carregada de visível desagrado e sua consciência fazia questão de gritar em seu ouvido, dizendo que a culpa era toda sua.

Viu-a sentar-se no sofá a sua frente, sendo apenas separados pela mesa de centro. Respirou fundo...

-Então? –Isadora perguntou, esperando acabar com aquele silencio aterrador.

-Ahn! Bem...; Afrodite começou, fitando-a de certa forma desesperado.

O que iria dizer, que não gostava daquela proximidade entre ela e o Escorpião, por isso surtara? Não, definitivamente essa não era a melhor forma de começar uma conversa. Alem do mais, eles não eram nada um do outro para cobrar algo da jovem; ele pensou, dando um suspiro frustrado. A idéia de sofrer com a ira de Aishi estava parecendo bem mais atraente agora.

-Me desculpe; ele falou num sussurro.

-...; Isadora arqueou a sobrancelha, será que estava realmente ouvindo o que pensava estar ouvindo? –ela se perguntou.

-Como você disse, não tenho o direito de me meter na vida de vocês, me desculpe; o cavaleiro falou.

-Realmente não tem, mesmo porque, não lhe dei confiança para tanto; Isadora falou, cruzando as pernas e recostando-se melhor no sofá, diante do olhar assombrado dele. –Mas a questão não é essa, e sim esses surtos patéticos que você tem toda vez que estou perto dele. Se você tem algum problema com ele, é com ele que você tem que resolver. Não vou ficar no meio de um fogo cruzado infantil como esse; ela falou, colocando as mãos sobre o colo.

Passara a noite toda pensando nisso e chegara apenas a uma conclusão, ele estava com ciúmes; Isadora falou, balançando a cabeça de maneira imperceptível. Ciúmes do Milo ainda, porque ela era apenas a amiga da Aaliah e possível troféu do Escorpião, então, se o surto era por ciúmes, certamente seria do amigo; a jovem concluiu.

-Bem...; Ele balbuciou, simplesmente não sabia o que falar.

-Alem do mais, se você conversasse com o Milo, creio que ele entenderia perfeitamente; a jovem falou, com um olhar compreensivo. –Você sabe, o Milo é eclético, não sei se pra isso também, mas enfim; ela falou, gesticulando displicente.

-Como? –Afrodite perguntou, confuso.

-Ah você não precisa se envergonhar. Não tenho preconceito algum quanto a isso; Isadora falou calmamente. –"Embora ache um desperdício"; ela completou em pensamentos, mas preferiu omitir essa parte.

-Ahn! Do que exatamente você esta falando? –o cavaleiro perguntou, intimamente temendo a resposta dela.

-Oras, é normal, você e o Milo se conhecem há tanto tempo. E ele bem, é um cara legal, bonito, simpático... Essas coisas, enfim, é normal você ter ciúme, mas não precisa se sentir ameaçado não, nós somos só amigos; a jovem explicou.

-Espera; Afrodite falou, ao entender o que ela estava falando. –Você não ta achando que eu ...; Ele começou, gesticulando nervosamente.

-Você ta com ciúme do Milo, mas nesse caso eu compreendo o porque dos surtos, não se preocupe, se quiser ajuda, você tem todo meu apoio, só quero ver o meu amigo feliz; ela falou, em tom de motivação.

-Isadora, você não esta entendo, eu não sou-...;

-Idiota; uma voz baixinha chegou a seus ouvidos.

-Idiota; ele completou, mas parou, vendo que não era bem isso que iria falar, voltou-se para Isadora que tinha o olhar cravado em uma porta, com a face rosada.

-Ahn! Me dá licença um pouquinho; Isadora falou, levantando-se. –"Droga, preciso tomar mais cuidado com o que falo perto desse papagaio";

-Pe-i-xe i-di-o-ta; a voz repetiu mais fraca e pausada agora.

-Como? – Afrodite perguntou, ao entender o que a 'voz' falara.

-Donatelo que coisa feia;

Viu Isadora entrar por uma porta anexa a sala, que antes estava fechada e falar com o lourinho.

–Quem mandou descer do poleiro? –ela perguntou, vendo o papagaio andar livremente sobre a palheta pisando em cima das tintas e espalhando por todo o ateliê.

-Algum problema? –Afrodite perguntou, aproximando-se dela.

-Não; a jovem falou prontamente, porém não teve tempo de voltar a porta, para impedi-lo de entrar.

-Nossa; o cavaleiro falou abismado ao ver o ateliê.

Em um canto estavam as telas recém pintadas, no outros alguns blocos de mármore que possivelmente virariam estatuas mais tarde, entre outras coisas, referente a outras artes, porém logo que pusera seus olhos ali, os mesmos prenderam-se sobre uma imensa tela sustentada por dois cavaletes no centro do ateliê.

-Donatelo, olha a sujeira; Isadora falou, pegando o papagaio e limpando as patinhas dele para coloca-lo de volta ao poleiro.

-Vale das Flores;

Estancou ao ouvir o cavaleiro falou. Sentiu as mãos tremerem, tendo de se apoiar no poleiro do papagaio. Ele não podia ter visto, como ia explicar agora a existência daquele quadro? –ela pensou desesperada.

Fitou atentamente a paisagem retratada ali naquele quadro e surpreendeu-se ao reconhece-la, mas porque ela estava pintando o Vale das Flores? –Afrodite se perguntou. Era como se pudesse vê-lo perfeitamente e não como apenas uma paisagem que tentava chegar o mais próximo do real. Embora ainda inacabada, era perfeita.

-Ahn! Afrodite; Isadora chamou hesitante.

-Uhn! –o cavaleiro murmurou virando-se para ela. De soslaio viu Donatelo andando de um lado para outro do poleiro tentando chamar a atenção, porém ele simplesmente não conseguia competir com o quadro. –Porque esta pintando o Vale das Flores? –ele perguntou, apontando para o quadro.

-Bem... Uhn! Porque...; a jovem começou, sem saber o que fazer.

-...; Afrodite assentiu, esperando-a continuar.

-Para dar de presente para a Aaliah, o aniversário dela esta chegando, então eu pensei que... Bem...; Isadora começou, dando na única desculpa que lhe veio a mente.

-Entendo; ele murmurou pensativo, voltando a observar a tela, que mal notou que encostara no carrinho onde estava a palheta, sujando a barra da camisa de tinta.

-Afrodite, cuid-...; Isadora não teve tempo de completar ao ver a camisa branca ser manchada de azul cobalto. Fez uma careta de desaprovação. Azul, vermelho e preto eram as piores cores de tinta óleo para se manchar uma roupa.

-Uhn! O que foi? –Afrodite perguntou, virando-se para ela novamente, vendo Isadora apontar a barra da camisa. –Tinta? –ele falou, vendo a mancha azul.

-Era só o que faltava, hoje definitivamente não é um bom dia para mexer com essas coisas; a jovem falou visivelmente aborrecida, aproximando-se dele, afastando o carinho com a palheta e pegando a barra da camisa. –É melhor tirar a camisa; ela falou, voltando-se para ele.

-Como? –Afrodite perguntou surpreso, recuando alguns passos. Ela não podia estar falando sério, podia?

-Se deixar isso secar, nunca mais sai; Isadora falou impassível. –Tira a camisa logo, assim da pra dar um jeito ainda; ela completou.

-Mas...;

-Vamos logo; ela falou, impaciente.

Engoliu em seco, definitivamente deveria ter ficado na cama, seria mais seguro; ele pensou, desviando o olhar da jovem, que virara-se para limpar a bagunça que Donatelo fizera, enquanto esperava-o.

Respirou fundo, sentindo as mãos tremulas ao abrir os botões da camisa, tomando o cuidado para não manchar ainda mais a mesma com a tinta saliente na peça.

-Pronto; Isadora falou suspirando, ao terminar de arrumar as coisas, virou-se para o cavaleiro e simplesmente precisou apoiar-se no carrinho da palheta para não escorregar. –"Adônis não morreu"; ela pensou, sentindo a face incendiar-se.

-Pronto; Afrodite falou, retirando completamente a camisa e voltou-se para a jovem.

-Ahn! Me da aqui, vou ali na lavanderia dar um jeito nisso; ela falou, quase arrancando a camisa das mãos dele e saindo dali correndo.

-Isadora não precisa, eu faço isso; ele falou a seguindo, porém a jovem não se preocupou em parar, era melhor terminar logo aquilo e devolver a peça o mais rápido possível para ele.

-"Que desperdício"; Isadora pensou, balançando a cabeça com pesar. Lembrou-se que Aaliah vivia reclamando que o pai precisava de uma namorada, mas agora entendia que a jovem se confundira um pouco.

Entrou na lavanderia, por sorte tinha uma secadora, assim poderia lavar a camisa e depois colocar para secar. Seria mais rápido; a jovem pensou, com uma gotinha escorrendo na testa.

-Isadora; Afrodite chamou, aproximando-se.

-Sim; ela murmurou, enquanto tentava tirar a mancha da camisa, sem voltar-se para o cavaleiro.

-Não precisa se incomodar; ele falou, parando atrás da jovem, colocando sua mão sobre a dela.

Hesitante, Isadora ergueu a cabeça, deparando-se com os orbes azuis intensos do cavaleiro, engoliu em seco.

-N-nã-o é in-co-mo-do al-gum; ela respondeu, com a voz mais tremula do que desejava.

-Mesmo assim; Afrodite insistiu, apoiando uma mão de cada lado da jovem, sobre o tanque, vendo a face dela incendiar-se.

-Ahn! Bem...; Isadora balbuciou.

Droga, quem conseguia pensar em alguma coisa daquele jeito? –ela pensou revoltada com o rumo de seus pensamentos. Ele ali, daquele jeito, aquele cheiro embriagante impregnando em todo o ambiente, aqueles olhos. Porém a idéia de que ele era, bem... Era decepcionante; ela pensou, balançando a cabeça de maneira imperceptível.

-Então, já pensou no que vai falar para ele? –Isadora perguntou, tentando ganhar tempo para se afastar dali.

-Falar o que? E para quem? –Afrodite perguntou fitando-a confuso, aproximando-se mais da jovem.

-Ahn! Pro Milo, não pensa em esconder isso dele, não é? –ela perguntou com uma gotinha de suor frio escorrendo na testa, tentou se afastar mais, porém o tanque a impedia.

-Do que você esta falando? –ele perguntou, deixando que uma das mãos tocasse levemente uma mecha de fios esverdeados que caia sobre o ombro da jovem.

-D-o qu-e...; Isadora começou, com a voz tremula. –Eu até entendo que sempre existe um certo preconceito, mas olha, você precisa contar para ele, o Milo vai entender perfeitamente; ela falou, colocando a mão sobre seu ombro, para recuar rapidamente ao dar-se conta do que estava fazendo.

-Isadora, você não esta achando que eu-...;

-Não se preocupe, isso fica só entre a gente; Isadora o cortou, afastando-se rapidamente, jogando a camisa para dentro da secadora.

-Não, você não entendeu; o cavaleiro falou assustado. Ela não poderia pensar aquilo dele.

-Quer um café, fiz agora de pouco? –Isadora perguntou, gesticulando nervosamente enquanto ia para a cozinha.

-Não obrigado, mas...;

-Isa, desculpa a demora; uma voz feminina falou vindo da sala.

Parou bruscamente chocando-se com a jovem, que estancara no meio do caminho para a cozinha. Segurou-se rapidamente na mesma antes que acabasse escorregando no tapete.

-Oi Cris; Isadora falou com um sorriso sem graça ao ver a jovem de melenas castanhas que acabara de chegar na sala.

Cristina ia a cada três dias em sua casa, colocar ordem na bagunça, já que não tinha tempo de ficar arrumando tudo devido ao fato de passar bastante tempo na floricultura. A jovem ainda cuidava de Donatelo nos dias que recebia as encomendas e tinha de ficar até mais tarde trabalhando.

-Oi; ela cumprimentou, deixando a bolsa em cima do sofá, mas estancou surpresa ao voltar-se para a jovem, vendo alguém atrás dela e que alguém...; Ela pensou com um sorriso nada decente. –Ahn! Desculpe, não queria atrapalhar;

-Não é o que esta pensando; Isadora falou com a face em brasas.

-Ahn! Se me dão licença eu vou subir e arrumar as coisas lá em cima, que pelo visto, deve estar realmente bagunçado; Cristina falou, com um sorriso malicioso, subindo as escadas rapidamente.

-Esper-...; A jovem não conseguiu impedi-la de ir, para que pudesse explicar que não era aquilo que ela estava pensando. –Droga; ela resmungou, dando um passo para trás, sentindo as costas chocarem-se com um corpo mui bem definido.

-Quem é ela? –Afrodite perguntou com ar inocente, enlaçando a jovem pela cintura com um dos braços, enquanto apoiava o queixo em seu ombro.

-E-el-a...; Isadora murmurou, engolindo em seco.

-...; O cavaleiro assentiu, displicente.

-Ela me ajuda a arrumar as coisas nos dias que tenho de trabalhar; a jovem respondeu, tentando se afastar.

-Entendo; ele murmurou, sentindo-a ficar mais tensa, um meio sorriso surgiu em seus lábios, só havia uma forma de mostrar a ela que ela estava enganada a seu respeito; ele pensou.

Um bip ecoou pela sala, chamando a atenção da jovem.

-A secadora parou; Isadora falou, desvencilhando-se rapidamente dos braços dele e voltando para a lavanderia.

Céus, sabia que não devia ter levantado da cama, o mundo literalmente estava de ponta cabeça e só ficara sabendo disso agora; ela pensou, enquanto abria a porta da secadora, retirando a camisa de lá.

-Ainda ficou um pouquinho; ela comentou, sentindo-o se aproximar.

-Está bom assim; Afrodite falou, vendo-a dar alguns passos para frente, afastando-se dele.

-Ahn! Só espera um pouquinho, é melhor passar antes de vestir; ela falou, indo até um canto da lavanderia onde estava uma taboa de passar roupas, ligando o ferro sobre ela, em seguida.

-...; Ele assentiu, vendo que não conseguira se aproximar dela tão cedo.

IV – Tempestade a Vista.

Aproximou-se cauteloso, vendo-a de costas para si passando algumas instruções para as pupilas. Respirou fundo, tinha de ser agora.

-Marin; Aiolia chamou, parando a alguns passos dela.

A amazona dispensou as pupilas, virando-se para ele com um olhar indiferente, que o fez tremer.

-O que quer?

-Ahn! Podemos conversar? –o leonino perguntou, engolindo em seco.

-Eu estou um pouco ocupada agora Aiolia; ela respondeu seca.

-Mas...;

-Senhorita Marin, esse senhor a esta incomodando? –um aprendiz a cavaleiro perguntou, aproximando-se com um ar arrogante.

-Senhor? –Aiolia perguntou, arqueando a sobrancelha, pronto pra acertar aquele fedelho petulante.

-Aiolia, por favor; Marin pediu, já imaginando o que ele ia fazer.

-Então Marin, podemos conversar? –ele insistiu, voltando-se para ela.

-Creio que se a senhorita Marin quisesse falar com o senhor, ela já teria ido; o garoto alfinetou.

-Vê se, se enxerga pirralho; Aiolia vociferou, irritado com o garoto intrometido.

-Oras, seu...; o garoto rebateu, pretendendo avançar sobre ele, porém uma mão firme fechou-se em seu ombro, o impedindo.

-Ô garoto, fica na sua; Guilherme falou, fitando-o com um olhar cortante.

-Mascara da Morte; o garoto falou tremendo, ficando tão branco quanto uma folha de papel sulfite.

-Vaza daqui, antes que eu recomece minha coleção com a sua cabeça; o canceriano falou, empurrando-o para longe da amazona.

Marin e Aiolia piscaram confusos, ao ver o que ele acabara de fazer, definitivamente ainda não estavam acostumados com esse novo Mascara da Morte.

-Agora vocês, por favor, parem de escândalo aqui e tomem uma atitude decente, vão conversar vai; ele falou, gesticulando impaciente, passando por eles, para ir até Yuuri, que observava tudo, sentada em um dos bancos da arquibancada.

Inconscientemente os dois assentiram. Ele era de dar medo quando agia como canceriano de verdade; eles pensaram.

-Ahn! Podemos? –o leonino perguntou hesitante, apontando a saída do Coliseu.

Respirou fundo, era melhor não ficar adiando aquilo por mais tempo; ela pensou, assentindo.

V – Sem comentários.

-Pronto; Isadora falou entregando a camisa ao cavaleiro, ao terminar de passar.

-Obrigado; ele agradeceu, a vestindo.

-Da licença um pouquinho; ela falou ao ouvir o telefone tocar, só esperava que não fosse quem ela estava pensando, se não, teria mais coisas a explicar. –Alô;

-Oi Isadora; a voz do virginiano soou do outro lado da linha.

-O-oi; Isadora respondeu com a voz tremula, ao ver Afrodite sentar-se no sofá do outro lado da mesa de centro.

-Algum problema? –Shaka perguntou, franzindo o cenho do outro lado da linha.

-Não; a jovem respondeu.

-Você não sabe mentir, mas se não quiser falar sobre isso tudo bem; o cavaleiro falou, vendo que ela parecia incomodada com algo. –Liguei para perguntar do quadro;

-Ah sim, mais algumas semanas e já estará pronto, não se preocupe; Isadora respondeu, observando o cavaleiro de soslaio.

-Está certo então, daqui a um mês estaremos de volta, por isso eu queria saber quanto tempo você ainda precisa; ele comentou.

-Não é muito; a jovem respondeu vagamente.

-Isadora, tem alguém ai? –Shaka perguntou, desconfiado.

-Ah sim, claro, mas não sei se vou ter tempo de aprontar aquele busto da Afrodite que você queria; ela desconversou.

-O Afrodite esta ai? –ele quase berrou;

-Cof! Cof! Cof! –Isadora fingiu uma tosse seca, para não chamar a atenção do cavaleiro. –Isso mesmo;

-Céus, ele viu?

-Exatamente; a jovem respondeu, veemente.

-E ele perguntou algo sobre o quadro? –Shaka perguntou desesperado.

-Certamente, mas não se preocupe quanto a isso, eu já dei um jeito; ela respondeu, tentando parecer convincente.

-O que você fez? –ele perguntou curioso.

-Bem, depois a gente se fala, tenho que ir para a floricultura agora, mas assim que possível eu volto a falar com você de novo; Isadora falou, dando a conversa por encerrada antes que Afrodite desconfiasse de algo.

-Ta certo, mas se acontecer algo me liga; ele pediu.

-Pode deixar, fique tranqüilo; ela falou, pacientemente.

-Até mais;

-Até; ela respondeu, desligando. Deu um baixo suspiro, só esperava que ele não desconfiasse de nada.

-Ainda vai abrir a floricultura hoje? –Afrodite perguntou, sentando-se ao lado dela agora.

-Uhn! -Isadora murmurou, voltando-se para ele, quase dando um pulo do sofá, não o sentira se aproximar.

-Perguntei se vai abrir a floricultura hoje? –ele repetiu.

-Vou; Isadora respondeu levantando-se. –Eu sempre abro mais tarde nas quartas; ela completou.

-Entendo; Afrodite falou, parando atrás dela, tencionando aproximar-se, porém a jovem esquivou-se. -Ahn! Acho melhor eu ir então, não quero lhe atrapalhar mais;

-Imagina; ela falou, com um sorriso nervoso, imediatamente abrindo a porta. –Mas quanto aquilo não se preocupe. Lembre-se, respire fundo e apenas fale a verdade; a jovem falou, acompanhando-o até o portão.

-Isadora; Afrodite falou, precisava explicar a ela, mas a jovem simplesmente parecia não querer ouvir.

-Tenha um bom dia; Isadora completou, literalmente o chutando portão fora.

-Mas...; Ele murmurou, virando-se para ela, porém a jovem já havia entrando. –"Droga";

Entrou rapidamente, encostando-se na porta. Passou a mão nervosamente entre os cabelos, precisava colocar a cabeça em ordem, não entendia mais nada. Ele era, ou não? –ela se perguntou. Isso lhe confundia, a forma como ele agia em dados momentos não condiziam com bem...; balançou a cabeça freneticamente tentando afastar seus pensamentos.

-Hei! Não precisava espantar o deus grego só por minha causa. Eu já disse, não queria interromper nada; Cristina falou, observando-a curiosamente, enquanto permanecia sentada em um dos degraus da escada.

-Como? –Isadora perguntou, voltando-se para ela, só agora a notando ali.

-...; A jovem balançou a cabeça levemente para os lados.

-Droga, sabia que não devia ter levantando da cama hoje; Isadora resmungou, indo sentar-se no sofá.

-Bem acompanhada desse jeito, nem eu. Não sairia do quarto por um bom tempo; Cristina brincou, vendo a face dela incendiar-se.

-Do que esta falando? –Isadora perguntou, vendo-a apenas abrir um largo sorriso malicioso. –Não precisa responder; resmungou, ficando emburrada. –Mas não é o que esta pensando;

-Como assim? O bonitão não dormiu aqui? –ela perguntou, com um olhar chocado.

-Não, claro que não; Isadora falou, balançando a cabeça freneticamente.

-Porque? –Cristina perguntou, com ar indignado.

-Oras; a jovem resmungou.

-Bem, você quer que eu pense o que, eu chego aqui a essa hora e te encontro com um deus grego numa situação difícil de ser explicada? –ela perguntou.

-Não tem que pensar nada; Isadora falou, ficando emburrada. –Ele é... Bem, está evidentemente interessado no Milo;

-O QUE? –Cristina berrou, quase caindo da escada, quando se levantara para ir sentar-se no sofá.

-Isso mesmo; ela respondeu, veemente.

-Mas...; A jovem falou, gesticulando nervosamente. –Não pode, é um grande desperdício

-É... Eu sei... Você sabe, mas ele não; Isadora completou, com um olhar vago.

Continua...


Domo pessoal

Sinceramente espero que tenham gostado do capitulo. Muitas coisas ainda vão acontecer e muitas saias justas vão surgir para o Afrodite XD. Flor de Gelo, espero que tenha gostado da 'perola' do Donatelo.

No mais, agradeço a todos pelos comentários super gentis e pelo grande apoio.

Valeu pessoal

Kisus

Já ne...