Notas:
Gente, eu estou aceitando capas para minhas fanfics se alguém tiver bom coração para fazer? xP
Comecei a postar outra fanfic recentemente. Uma Merthur (da série Merlin). Se alguém tiver interesse, dê uma passadinha lá! ;)
Autor: Matthew Black Potter Malfoy
Beta: Amy Lupin
Shipper: Peeta/Cato, Peetato, Potato(chame como quiser! *.*)
Disclaimer: Eu não tenho uma equipe de artistas e designers a minha disposição para fazer capas para os meus enredos! Y.Y
Haymitch gemeu, irritado, quando James retirou a agulha de seu braço e o torniquete, liberando a pressão.
"Vou ter que fazer isso todos os dias, agora?" Haymitch bufou, visivelmente insatisfeito.
Haymitch havia concordado em voltar ao hospital, após James pressioná-lo. Mas o conselho do hospital havia pedido que o homem parasse de beber. Como Haymitch não havia acatado a sugestão, eles então exigiram que ele fosse examinado todas as manhãs para constatar que não estava alcoolizado.
James não se deu ao trabalho de responder ao entregar a amostra à enfermeira que acompanhava a coleta e esperou que ela saísse da sala.
"Você se recusa a parar de beber e ir às reuniões do AA." James arqueou uma das sobrancelhas. "Não espera que deixemos você vir para o hospital embriagado para trabalhar, ou espera?"
Haymitch limitou-se a bufar em resposta.
"Você não tem que esperar aqui comigo." Haymitch girou os olhos. "Não vou roubar nenhum medicamento do armário, se é esse seu medo."
James girou os olhos também, incrédulo com o drama que o amigo estava fazendo.
"Tenho que esperar seus resultados para te liberar para consulta." Ele limitou-se a dizer.
Os dois encararam-se por alguns instantes antes de James se afastar, apoiando-se em uma maca que estava encostada na parede. Haymitch encarou seus sapatos.
A verdade era que nenhum dos dois estava confortável com a situação. Haymitch sentia-se humilhado por ter que fazer aquilo, enquanto James se culpava por ter colocado o amigo naquela posição. Entretanto, a Srta. Trinket e Atena haviam feito sua cabeça para que ele não voltasse atrás em sua decisão de reintegrar Haymitch ao hospital.
Já fazia quase dois anos que o médico não consultava nenhum paciente e James sabia o porquê. Todos eles sabiam.
Haymitch havia perdido uma paciente há quase dez anos atrás e nunca mais fora o mesmo homem. Pouco depois que eles haviam voltado à Panem, Maysilee Donner chegara às mãos de Haymitch com um diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático devido a um acidente de carro do qual ela fora a única sobrevivente. Não demorou muito para que eles pudessem perceber que a mulher tinha muito mais diagnósticos, subdiagnosticados pelos médicos que a haviam atendido anteriormente. Ela sofria de Transtorno de Pânico, Fobia Social e TAG (Transtorno Ansiolítico Generalizado), desencadeados pelo acidente.
Inicialmente, Haymitch havia descoberto muitas coisas que nenhum outro psiquiatra chegara perto de suspeitar. Um desses fatos era que Maysilee dera fim à vida do próprio marido, quando este, por não aguentar mais a dor que estava sofrendo devido aos seus múltiplos ferimentos, a suplicara que acabasse com aquilo.
Haymitch tentou explicar a Maysilee que o marido não teria sobrevivido, de qualquer forma. Mas a mulher nunca havia se perdoado e ainda acordava com pesadelos em que estava cercada pelos corpos de pessoas conhecidas, sem ninguém a quem pedir ajuda.
Com o tempo, as coisas melhoraram e todos estavam confiantes no prognóstico da mulher. Ela havia superado, na medida do possível, o Transtorno de Pânico e a Fobia Social e Haymitch acabara suspendendo algumas consultas, devido a melhora do quadro.
Os anos se passaram e aquele parecia ser um dos casos de maior sucesso do Dr. Abernarthy. Apesar disso, James era o único que sabia dos detalhes, visto que Haymitch estava preso pelo sigilo médico-paciente e só confidenciara ao amigo, em sigilo profissional.
Quando Maysilee apareceu no consultório com uma overdose de remédios, quem a atendeu foi James, mas não houve muito que ele pudesse fazer a respeito. Haymitch havia sido chamado assim que alguém da equipe se deu conta de que ela era uma de suas pacientes. Infelizmente, ele estava lá quando ela faleceu.
O homem começou a beber compulsivamente. E, apesar de continuar trabalhando, não era mais o mesmo. Muitos achavam que Haymitch havia se envolvido emocionalmente com a mulher para definhar daquela maneira. O único que sabia que as coisas não eram tão simples era James. Apesar disso, James sabia que Atena e a Srta. Trinket desconfiavam que havia algo mais por trás da história.
James voltou a encarar o amigo depois de longos minutos, antes de se pronunciar.
"Então…animado em voltar?" Ele perguntou, como se falasse sobre o clima.
"Você sabe que eu não estaria aqui se você não tivesse me obrigado." Haymitch devolveu, de maneira fria.
James suspirou.
"Como Peeta está encarando a mudança de colégio?" Ele tentou mudar de assunto.
Haymitch deu de ombros.
"Acho que vou pedir para Cato apresentá-lo para os amigos." James continuou, ignorando a falta de entusiasmo do amigo. "Assim ele pode…"
"Quando é que você vai parar de querer consertar tudo, James?" Haymitch explodiu. "Eu, seu filho e agora até mesmo Peeta." O homem levantou-se atirando o algodão no sexto de lixo ao seu lado. "Cristo! Às vezes parece até que você é o psiquiatra e não eu."
James arregalou os olhos, chocado pela reação do amigo.
"Olha, eu sei que você faz isso por bem." Haymitch passou uma mão pelo cabelo, bagunçando-o. "E de certa forma, devo agradecê-lo, e muito, por isso. Mas você tem que parar de tentar consertar todo mundo à sua volta. Eu tentei e olha onde isso me levou."
James não pôde impedir-se de abrandar sua expressão, subitamente compadecido pela dor do amigo.
"Não se atreva a fazer essa cara para mim!" Haymitch cuspiu. "Vamos!" Ele continuou irritado. "Vamos pegar logo o resultado desse exame para que eu possa desgrudar você do meu pé."
James acompanhou Haymitch para fora da sala. Era difícil admitir aquilo, mas, aparentemente, ele preferia o amigo bêbado.
-Potato-
Tresh entrou no Seneca Crane àquela tarde procurando pelos cabelos loiros de Peeta e encontrou-o atendendo uma das mesas próximas ao balcão. O moreno acenou em direção ao garoto, fazendo-se notar e Peeta logo estava caminhando em sua direção.
"Você chegou em um bom momento." Peeta disse, meio ofegante. "Isso aqui estava um caos há meia hora atrás."
"É volta às aulas." Tresh deu de ombros. "Os riquinhos sempre veem aqui nas segundas."
"Sente-se em uma mesa mais para o fundo." Peeta sugeriu. "Vou pedir para Portia me cobrir enquanto tiro meu intervalo."
Tresh caminhou até uma das mesas ao fundo, notando como recebia olhares desconfiados de algumas pessoas conhecidas ao passar. Eles obviamente estariam se perguntando o que estava fazendo ali, já que Tresh não era do tipo de garoto que frequentava uma lanchonete como aquela. Era mais fácil ser visto no McDonald's e olhe lá.
Peeta veio caminhando até sua mesa com duas taças de sundae na mão, algum tempo depois.
"Qual você vai querer?" O loiro perguntou, depositando as duas taças à frente de Tresh, antes de se sentar. "Fiz um de morango e um de chocolate, pois não sabia do que você queria."
Tresh encarou as taças por um instante, incomodado com a situação.
"Peeta, não tenho dinheiro para pagar por isso." Ele cochichou.
"Eu também não." Peeta girou os olhos, empurrando a taça de morango na direção do amigo. "Mas não pago as coisas que consumo aqui."
Tresh sabia que Peeta estava mentindo sobre não ter dinheiro para pagar aquilo, mas preferiu não discutir sobre o assunto. Afinal, fazia sentido o garoto ter direito a alguma refeição durante o trabalho.
"Seu namorado vai querer me bater de novo se souber que estou tomando sorvete com você." Tresh zombou, olhando em volta, mas ninguém prestava atenção aos dois.
Peeta fingiu não ter ouvido o que o moreno dizia, enquanto lambia sua colher de forma infantil.
"Não se faça de sonso, Mellark." Tresh insistiu. "Você disse que ia me contar o que está acontecendo. Então vá lá, me conte."
Peeta suspirou, antes de olhar em volta, certificando-se de que ninguém pudesse ouvi-los. E começou a dizer o que havia acontecido entre ele e Cato.
Ele disse que seus pais achavam que era melhor ele ir viver com Haymitch, seu padrinho, pois o homem tinha uma situação financeira mais favorável. Explicou como conhecera Cato, ali mesmo no Seneca Crane. Contou como o Dr. Hadley o havia atropelado e obrigara o filho a fazer companhia a Peeta. Disse que, a princípio, ele e Cato não se deram bem, mas que aos poucos eles foram se conhecendo melhor e que Cato até cuidara dele quando Peeta tivera febre, algumas semanas atrás.
"Ele cuidou de você?" Tresh não pôde impedir-se de soar chocado.
"Não me pergunte porque ele fez isso." Peeta deu de ombros.
Então ele continuou, dizendo como Cato mudara a partir de então, tornando-se menos arisco. Quando chegou ao episódio da cachoeira e o pseudo-encontro que tiveram, Peeta não pôde impedir-se de corar ao dizer como Cato havia o beijara dentro do carro.
"O quê?" Tresh engasgou-se com o sorvete, tendo que usar o guardanapo para se limpar, quando parte escorreu pelo seu queixo.
Peeta ignorou a reação do garoto e continuou seu monólogo, dizendo como Cato havia mudado quando os amigos voltaram de viagem e que ele até fora obrigado ver o outro garoto em um encontro com Glimmer.
Peeta parou nesse momento, esperando alguma reação do outro garoto, mas Tresh acenou, pedindo para que ele continuasse.
Então Peeta contou sobre o museu, sobre a conversa que tivera com a Sra. Hadley e sobre Cato cantando no baile do hospital.
"Eu não sabia que ele cantava." Tresh pensou alto, distraidamente. "Deve ser desafinado como uma porta empenada."
Peeta negou com a cabeça, rindo.
Então ele explicou como Cato acabara em sua casa naquela noite e que eles haviam passado a noite juntos.
"Vocês…?" Tresh perguntou, receoso.
"Não!" Peeta guinchou. "Não que ele não tenha tentado. Mas nós só pegamos no sono juntos."
Ele continuou dizendo como aceitara sair com Cato em um encontro e que Cato o havia levado até a estufa do avô. Explicou que Cato ficara com ciúmes de Tresh e acabara seguindo-o até a praia e que, depois que Tresh e Rue tinham ido embora, Peeta dissera que não queria mais nada com Cato.
"Nas duas últimas semanas eu não o vi." Peeta concluiu. "O resto da história você já sabe."
Tresh começou a gargalhar, o que fez com que Peeta corasse.
"Desculpe." Tresh pediu, recuperando o folego. "Mas é engraçado pensar em alguém finalmente dizendo não para aquele cara marrento."
"Não tem graça." Peeta fechou a cara.
Tresh encarou o garoto à sua frente, pensando exatamente no que diria.
"A meu ver, você mexeu com ele." Ele disse, afastando sua taça, já vazia. "Não sei se foi porque você deve ter sido a primeira pessoa a rejeitá-lo ou se foi sua graça única." Ele brincou, ao que Peeta girou os olhos. "Mas é inegável que ele sente algo por você, mesmo que seja apenas atração ou a vontade de ter algo que não pode ter."
"Isso não soluciona os meus problemas." Peeta encolheu os ombros.
"Não posso dizer o que você deve fazer." Tresh tentou soar o mais brando possível. "Você deve fazer o que acha que vai ser melhor para você."
Peeta suspirou, apoiando a cabeça no encosto atrás de si.
"Provavelmente você vai se machucar se decidir dar outra chance a ele. Isso é óbvio." Tresh continuou. "A questão é você saber se quer se arriscar nisso ou não."
"O que você faria?" Peeta perguntou, após um longo silêncio.
"Você gosta dele?" Tresh perguntou.
Peeta assentiu, corando.
"Nesse caso…me chame de burro, ou de romântico incurável. No final das contas dá no mesmo." Tresh suspirou. "Mas eu arriscaria."
Peeta encarou-o surpreso.
"Se tem uma coisa que aprendi com a morte dos meus pais é que conseguimos superar até as piores coisas que nos acontecem." Tresh parou para pensar. "Isso se tivermos bagagem para lidar com os nossos problemas."
Peeta encarou-o, momentaneamente surpreso.
"Eu não sabia…"
"Já faz muito tempo, de qualquer forma." Tresh deu de ombros. "Mas você é forte, Peeta. Mesmo que ele faça alguma merda e acabe te magoando, tenho certeza que você pode superar."
Peeta concordou, mesmo que não parecesse muito convicto.
"É claro que eu vou ter que ouvir você se lamuriando por alguns meses como uma garotinha." Tresh zombou. "Mas você vai acabar seguindo em frente."
"Ah! Cala a boca!" Peeta ameaçou um soco no ombro do maior, mas este desviou.
"Então…o que você vai fazer?" Tresh perguntou.
"Eu não sei." Peeta disse, escondendo o rosto entre as mãos e suspirando.
-Potato-
4 dias depois…
"Quero saber com que roupa você vai à festa para saber qual devo usar." Glimmer disse de maneira arisca.
"E o que uma coisa tem a ver com a outra?" Cato bufou, irritado.
"Se estamos indo como casal e você aparecer com uma camisa verde e eu estiver de vestido amarelo, imagina como seria ridículo nas fotos." A garota argumentou, como se fizesse todo o sentido do mundo.
Cato percebeu que não apenas ele, mas Clove e Marvel também estavam girando os olhos.
"Vocês poderiam dizer que simpatizam pela seleção brasileira de futebol, ou pela australiana." Clove zombou, arrancando sorrisos dos garotos e um olhar ameaçador de Glimmer.
"Ai…eu desisto de conversar com vocês." A garota levantou-se, irritada. "Vou para o meu treino." Ela finalizou, dando um selinho em Cato antes de sair.
"Por que vocês decidiram voltar?" Clove perguntou, quando Glimmer se afastou da arquibancada onde eles se alongavam. "Passam mais da metade do tempo brigando."
"O importante é o que eles fazem na outra metade do tempo." Marvel ofereceu presunçoso. "Uma namorada é uma foda garantida, Clove." Ele sentenciou, dando um soco no ombro de Cato.
Os dois garotos sorriram de modo arrogante um para o outro e Clove girou os olhos.
A garota olhou em direção a algo às costas de Cato, o que fez com que Cato virasse seu tronco na mesma direção. Peeta estava entrando no ginásio acompanhado de Tresh e de Rue. Cato bufou, irritado.
Aquilo havia se tornado algo comum nos últimos dias. Durante os intervalos e o almoço, todas as vezes que Cato vira Peeta, ele estava acompanhado do garoto negro do distrito onze.
"O que o viadinho está fazendo aqui?" Marvel perguntou, ao notar para onde os amigos olhavam.
"Ele provavelmente veio acompanhar o namorado." Cato zombou, desviando o olhar.
"Ou veio tentar uma vaga no time de ginástica." Marvel riu da própria piada. "Quem sabe se ele entrar no seu time você não consegue tirá-lo do lado rosa da força, Clove?" Ele arqueou uma sobrancelha de forma sugestiva.
"Se você não for agora vai se atrasar para o seu treino, Marvel." Clove dispensou o comentário do amigo.
Marvel verificou as horas no relógio de pulso, antes de se levantar e gritar em direção à equipe de football próxima a eles.
Cato viu pelo canto do olho quando Tresh seguiu os garotos e não pôde deixar de sorrir quando percebeu que Peeta ficara para trás.
"Então?" Clove disse de maneira despretensiosa. "Vocês não se falam mais?"
"Quem?" Cato perguntou, confuso.
"Você e Peeta." A garota deu de ombros.
"Nós nunca nos falamos, Clove." Cato disse, evasivo.
"Seus pais não te obrigaram a fazer companhia pra ele por algumas semanas nas férias?" A garota arqueou uma sobrancelha de forma presunçosa.
"Como…?" Ele começou a dizer, mas a garota o cortou.
"Tenho meus contatos."
Cato ignorou-a, mas ela continuou encarando-o daquela forma irritante que só ela conseguia fazer.
"Ele é um pirralho de quem eu tive que ser babá, Clove." Cato cuspiu. "Não é como se tivéssemos nos tornado amigos ou coisa do tipo."
"Não, claro que não." A garota riu, como se achasse graça da ideia. "Mas você poderia me arrumar um encontro com ele, não poderia?"
"O quê?" Cato irritou-se. "Ele é gay, Clove. Já te disse isso."
"Não me importo." Clove disse lançando um sorriso maroto, antes de se levantar. "Assim tem mais graça." Ela piscou, afastando-se em direção a equipe de ginástica.
A verdade é que Cato passara duas semanas pensando em como Peeta havia lhe dito que estava cansado dele. Em como o garoto olhara nos seus olhos e fizera o que nunca ninguém havia feito antes. Cato decidiu ignorar o outro quando voltasse ao colégio. Se Peeta não o queria, isso não importava, haviam milhares de garotas e vários garotos que quereriam.
Mas quando vira o pequeno garoto loiro com quem passara parte de suas férias, Cato não pôde mentir para si mesmo. E o pior, é que Peeta estava fazendo exatamente o que Cato pretendera fazer mas não conseguira. Peeta era muito melhor em ignorá-lo. E o fato de que agora o garoto estava andando para cima e para baixo na companhia de outro irritava Cato de uma forma que ele sequer imaginara ser possível.
Cato cerrou os dentes e respirou fundo, olhando para Peeta. O garoto estava olhando em sua direção e aquilo fez com que Cato destravasse o maxilar inconscientemente. Peeta corou, desviando o olhar na direção da equipe de ginástica, onde Rue estava na fila de pessoas que fariam o teste para entrar.
"Cato." Ele ouviu um dos garotos de seu time chamando. "Nós não vamos treinar hoje?"
"Cala a boca, Nugson." Ele disse, irritado. "Pelo que me lembre, eu sou o capitão do time."
Cato lançou um último olhar ao local onde Peeta estava na arquibancada, antes de caminhar até a quadra de vôlei, constatando que naquela semana, nada mudara: ele ainda queria o outro garoto.
-Potato-
"Então você não acha que ele irá parar de beber?" Atena perguntou, depositando sua xícara no pires à sua frente.
"Não pelo trabalho." Effie suspirou. "E depois de Maysilee, não acho que seria a melhor ideia."
"Nisso tenho que concordar." Atena virou-se em direção ao corredor, verificando se não ouvia passos antes de continuar. "Tem certeza que ele está dormindo a essa hora?"
"Absoluta." Effie girou os olhos. "Ele tomou um dos maiores porres ontem, quando chegou do trabalho."
Atena avaliou cuidadosamente a mulher à sua frente. Effie Trinket aparentava estar exausta.
"Ele tem dado muito trabalho?" A Sra. Hadley disse enquanto se inclinava para servir-se de mais um biscoito.
"Francamente, achei que seria muito pior." Effie expressou toda sua incredulidade. "Não achei que não passaria nem o primeiro dia antes que ele entornasse uma garrafa, mas aparentemente ele continua tendo a mesma ética profissional."
"Ah! Disso eu não tenho dúvidas." Atena sorriu de maneira orgulhosa. "Haymitch pode tentar esconder quem ele realmente é atrás de palavras duras e de toda a bebida, mas ele é um ótimo homem."
"Acho que o fato de que só estão passando-lhe casos simples e que ele não atenderá emergências também está ajudando."
"Dê um pouco de crédito a ele, Effie." Atena disse, risonha. "Você não acha que ele é um homem decente depois de todos esses anos?"
"Não quis dizer isso." Effie sobressaltou-se. "Ele passou por muita coisa, mas sei que ele é alguém pelo qual se vale a pena lutar."
Atena sorriu internamente ao ouvir exatamente o que estava tentando tirar da mulher, desde que chegara ali.
"Talvez então tenhamos que arrumar outra distração além do trabalho." Ela disse de maneira casual. "Algo que o faça ter um motivo a mais para ficar sóbrio."
Effie arqueou uma sobrancelha, afastando a xícara de seus lábios antes que tocasse os lábios.
"E o que faria tal proeza?" Ela disse com a xícara ainda à altura do rosto.
"Não sei." Atena suspirou de maneira pensativa.
Atena esperou que Effie bebesse de seu chá, antes de continuar.
"O que você acha de arrumarmos um encontro para ele?" Ela disse de maneira súbita, com falso entusiasmo, como se acabasse de pensar na ideia.
"O quê?" Effie guinchou.
"Você não acha que seria uma boa ideia?" Atena fingiu inocência.
"Eu…quer dizer…Dr. Abernarthy? Num encontro?" A mulher gaguejou.
"Sim. Por quê não?" Atena encarou a mulher à sua frente como se não entendesse seu espanto.
"Você não acha que alguma mulher estaria realmente interessada em sair com ele, acha?"
Atena teve que levar a sua xícara – que já estava vazia – aos lábios para esconder o sorriso. Effie começara a frase de maneira zombeteira, mas o final continha claramente uma nota de receio.
"Não deixe que James saiba que eu disse isso, muito menos Haymitch." Atena aproximou-se, como se confidenciasse um segredo. "Mas não acho que ele seja de se jogar fora. Parando para pensar agora, é incrível como ele conseguiu manter o corpo em forma com tanto álcool."
Atena fingiu não notar como Effie corou, levantando-se para desfazer a mesa.
"Quer dizer, conheço uma ou outra mulher que sairia com ele apenas pelo fato de Haymitch ser um médico." Atena continuou, levantando-se para ajudar a amiga.
"Não acho que seja uma boa ideia." Effie não conseguiu esconder seu desgosto dessa vez. "E se ele se envolver com alguma mulher e ela o magoar?" Ela continuou ao depositar as vasilhas sobre a pia. "Isso não pioraria a situação?"
"É por isso que nós mediaremos as coisas." Atena continuou, como se não notasse o desconforto da outra mulher, enquanto limpava a mesa com um pano úmido.
"Sra. Hadley, a senhora não precisa fazer isso." Effie adiantou-se para pegar o pano da mão da amiga.
"Não seja boba, Effie." Atena esquivou-se. "Eu cuidava do apartamento quando morava com Haymitch e James." Ela girou os olhos. "Não tenho medo de um pouquinho de sujeira."
Atena evitou voltar ao assunto enquanto as duas trabalhavam em conjunto, Effie lavando a louça e Atena secando e guardando.
"Então está combinado." Atena disse, alguns minutos depois, ao se despedir da amiga à porta da casa. "Vou ver com quem posso marcar um jantar e chamar algumas pessoas. Uma coisa íntima. Eu, James, Cato, você, Peeta, Haymitch e talvez Cinna possa levar aquela moça adorável com quem está saindo também. Para tornar as coisas mais casuais." Atena aproximou-se de Effie, beijando-lhe o rosto e ignorando o olhar chocado da mulher. "Vejo você depois, querida."
Atena só permitiu-se sorrir quando entrou em seu carro. Ela já havia pensado naquele jantar quando notou a afinidade entre Peeta e Aaron Price em sua primeira aula. Talvez ela pudesse abrir os olhos de mais alguém além de Cato durante o jantar.
-Potato-
Aquele havia sido o pior treino da história, provavelmente. Cato não conseguira se concentrar na primeira metade, pois Peeta ainda estava na arquibancada, do outro lado do ginásio, ignorando sua presença. Por conta disso, ele errara a maioria dos levantamentos, o que causou reclamações por parte dos colegas.
A verdade, era que Cato odiava aquela posição. Ele sempre jogava como Oposto ou como central, dependendo da disponibilidade da formação que escalava seu time. Mas como ele ficara sem muitas opções para levantador, depois que seus dois levantadores oficiais se formaram, no ano anterior, ele acabara decidindo assumir a função para que pudesse melhorar o rendimento do treino. Ele só não contava com Peeta para frustrar seus planos.
"Vamos jogar direito, porra!" Cato gritou com o líbero de seu lado da quadra. "Sem passe não tem vôlei."
"Eu passei a bola bem em cima de você, Hadley." O garoto bufou, irritado.
"Eu não estou falando sobre o ângulo, imbecil." Cato disse, sabendo que a culpa do treino estar sendo ruim era inteiramente sua. "Eu queria um levantamento para um ataque de meio. Você deveria ter me passado a bola mais rápido."
Quando enfim Peeta deixou a quadra, ao lado da garota saltitante que aparentemente tinha conseguido sua vaga na equipe de Clove, Cato informou ao time que o treino duraria mais uma hora.
Ele ignorou os resmungos que recebeu em troca e começou um rodízio em que ele mantinha-se fixo na posição de oposto – com a desculpa de que queria avaliar cada um na posição de levantador – e começou a descontar toda sua raiva nos ataques.
"Vou fazer uma seleção daqui duas semanas para vagas de líbero e levantador." Ele disse ao final do treino, quando todos se reuniram nas arquibancadas, exaustos. "Nossa defesa está péssima e sem isso não tem como jogar. Além disso, nenhum de vocês parece ser apto pra levantar uma bola."
Todos se distanciaram, alguns cabisbaixos, outros enraivecidos, mas nenhum deles teve coragem de enfrentar as palavras do capitão. Cato largou-se sobre a arquibancada, colocando seus fones de ouvido e perdendo-se em pensamentos.
Ele não queria tomar uma ducha agora, queria sentir toda a dor que seus músculos estavam lhe causando, como se estivessem protestando pelo seu abuso. Não demorou muito a cair no sono, ali mesmo, acordando horas depois, quando alguém lhe cutucou o ombro.
Ele abriu os olhos, focando o garoto parado à sua frente. Tresh estava em pé, um rodo em suas mãos, encarando-o de cima.
"O que você está fazendo aqui?" Cato cuspiu as palavras, colocando uma distância segura do outro ao se levantar.
"Acho que precisamos conversar." O garoto negro disse de maneira calma.
Cato sabia que qualquer coisa que pudesse vir daquela conversa não o agradaria.
