Olá amigos,

Em primeiro lugar gostaria de agradecer aqueles que mandaram suas reviews. É realmente gratificante ter um retorno de vocês. Agradeço também áqueles que por um motivo ou outro ainda não o fizeram, mas que sei que estão acompanhando a história, inclusive checando quase que diariamente se houve atualização. Falando em atualização, perdoem-me pela demora, mas é apenas para poder oferecer a vocês um texto no mínimo decente em atenção a sua fidelidade. E já que estamos chegando ao fim de nossa saga (ainda não é hoje, mas está perto) gostaria de fazer apenas um pedido: REVIEWS!

mais uma vez muito obrigada e vamos a Lothlórien.

...

21 – LOTHLORIEN

Após poucos dias de viagem, os olhos azuis de Haldir puderam finalmente contemplar a visão por ele tão desejada: as primeiras árvores da Floresta Dourada que despontavam no horizonte.

A viagem fora cansativa, dada a pressa do galadrim em retornar antes que a ira de Sauron caísse sobre Lothlorien, contudo a presença de Tempestade tornara o fardo leve para o elfo. Ela escutou com atenção cada detalhe das histórias que Haldir lhe ia contando pelo caminho: sobre como viviam os primogênitos, sobre seus dois amados irmãos, sobre seu ofício de guardião de Lórien... Entretanto, nada lhe chamou mais atenção do que o respeito, mais do que isso, do que a veneração que Haldir tinha por seus senhores, notadamente pela senhora Galadriel, cuja capacidade de conhecer o que se passava na mente das pessoas, deixou a mulher deveras preocupada.

'A Senhora jamais usa esse dom em proveito próprio ou interfere na vida de qualquer um que seja' foram as palavras dele. Apesar disso, Tempestade não conseguia se sentir tranqüila. Havia sombras demais em seu coração, em seu passado. Detalhes de sua vida que ela gostaria que permanecessem exatamente onde estavam: na escuridão do esquecimento. Haldir estava disposto a ignorar tais sombras e era paciente com ela em tudo, porém, não poderia lhe ser dada nenhuma garantia de que seus parentes agiriam da mesma forma. Por essas razões, ao contrário do rosto de Haldir, que se iluminava a medida que a Floresta Dourada ficava cada vez mais próxima, a face de Tempestade revelava mais e mais inquietação...

Verificando, contudo, que não conseguiriam chegar a seu destino antes do sol se pôr, Haldir resolveu acampar por mais uma noite antes de prosseguirem. Desde que partiram, Tempestade tinha noites de sono bastante inquietas. E por já estarem tão próximos, essa noite foi especialmente mais agitada. Imagens confusas brotavam em sua mente antes de tomarem a forma de um pesadelo.

...

Estava novamente de volta a Mordor, com sua família. A mãe, dentro do casebre simples que seu pai improvisara. O irmão ajudando o pai a cortar lenha. Ela costurava algo junto à porta. Aos poucos um burburinho se fez ouvir. O pai ergueu a cabeça, preocupado, tentando decifrar o que significariam tais ruídos. De repente, ele e o irmão de Tempestade se entreolharam. Chegaram juntos à mesma conclusão e desembainharam em uníssono as espadas que sempre traziam junto de si.

Não era incomum encontrarem orcs quando se aproximavam demais da fortaleza de Sauron, contudo, o lugar onde se estabeleceram ficava fora do raio que aquelas criaturas costumavam percorrer. Percebendo a atitude do pai e do irmão, Tempestade se levantou, ainda sem conseguir compreender o que estava acontecendo.

- Entre em casa! – ouviu a voz do pai ordenar - fique perto de sua mãe.

A menina hesitou um pouco, mas o olhar decidido do pai desencorajou qualquer argumentação. A mãe já estava à porta quando Tempestade decidiu seguir as ordens do homem. A mulher abraçou a filha junto ao corpo ao perceber o estado de alerta em que estavam o marido e o filho mais velho. Algumas flechas que atingiram a casa próximo de onde elas estavam trouxeram-lhes a certeza de que as criaturas das trevas estavam realmente bem perto. Mas não houve tempo para que as duas entrassem. As próximas flechas atingiram a mulher junto ao peito, rente a cabeça da menina.

- Mamãe – Tempestade tentou sustentar o corpo da mãe que em vão buscou dizer algo. O tiro fora certeiro e a mulher de cabelos cacheados caiu inerte junto à porta.

- Proteja sua irmã, leve-a daqui – ordenou o pai reprimindo a vontade que sentia de ir agarrar-se à esposa. Somente o amor pelos filhos e o desejo de protegê-los o impediu de cometer tal desatino. O rapaz hesitou por um instante em abandonar o pai, mas sabia que não havia outra chance para eles. Havia apenas uma montaria, que não poderia levar os três. O pai tentaria distrair as criaturas enquanto os filhos escapavam.

A menina relutava, abraçada ao corpo da mãe, resistindo ao irmão, que teve que arranca-la à força de onde estava.

- Não, mamãe, não! – gritava em vão.

Contudo, antes de conseguirem chegar onde estava o cavalo, os irmãos puderam ver a horda de orcs se aproximar do pai que sozinho, resistiu mais do que muitos julgariam ser possível, porém não o suficiente para dar aos filhos o tempo necessário para fugirem. Em pouco tempo, o rapaz também estava crivado de flechas. A menina foi agarrada e levada ao capitão da tropa.

- Interessante ... – comentou a criatura segurando o rosto da menina pelo queixo – exótica, tão nova ainda. Esta manteremos viva, pelo menos por enquanto. Concluiu com um riso sarcástico seguido pelo urro de seus comandados.

- Capitão – disse um orc vindo de dentro da casa – olhe isso! Sabe de que se trata?

- Não – respondeu o orc – mas uma peça dessas, sem dúvida despertará o interesse do mestre. Vamos levá-la. Com um presente desse porte – comentou olhando para Tempestade – certamente receberemos uma ótima recompensa!

Mais urros e grunhidos de satisfação se fizeram ouvir.

A corja iniciou sua caminhada de volta à fortaleza. A menina chorava copiosamente observando o pequeno casebre incendiado ao se afastar do lugar onde os corpos de seus amados se tornariam alimento para feras.

- Não chore por eles, pequenina – ouviu a voz do orc que parecia adivinhar seus pensamentos – em breve desejará ter tido o mesmo destino deles.

As lágrimas continuaram a escorrer pelo rosto da menina ainda mais abundantemente até chegarem ao seu destino. Tempestade foi deixada junto a outros edains que se amontoavam em uma espécie de jaula improvisada. Ao verem aquela menina, os outros prisioneiros soltaram suspiros, consternados.

- Pobrezinha...

- Coitadinha...

Pareciam saber o que já estava destinado a ela. Uma velha senhora aproximou-se.

- Calem-se – solicitou – não estão vendo que ela já está bastante assustada? – indagou trazendo a menina pra junto de si.

- Não seja tola, Yoleth, não vê que seria um ato de misericórdia se nós mesmos lhe tirássemos a vida?

- Agora chega! – retorquiu a senhora ao sentir o corpo da menina estremecer. Dessa vez as vozes se calaram. Não tanto pela solicitação da mulher, mas pelo temor que se apossara de todos por conta da aproximação de alguns orcs.

- Pegue os homens primeiro – ordenou um deles – vamos ver quanto tempo eles resistem aos wargs. Hoje eles estão especialmente famintos! – Concluiu rindo à vontade diante do terror nos olhos dos prisioneiros que foram levados quase que arrastados em uma tentativa inútil de resistência.

Quando se afastaram, a menina se dirigiu à gentil senhora que lhe veio em socorro e perguntou ingenuamente, enchendo de consternação o coração de Yoleth.

- O que vai acontecer?

- Infelizmente, minha criança – respondeu a senhora segurando o rosto de Tempestade – eles terão que lutar com os wargs – a mulher sabia que não havia tempo para amenizar a realidade – se vencerem serão poupados por hoje e amanhã lutarão novamente.

- Então alguns poderão retornar?

- Não, menina. Gostaria de poder lhe dar outra resposta, mas nunca há chance de vencer um warg.

- Nós vamos também? – indagou a menina com voz trêmula.

- Quem dera tivéssemos essa mesma sorte... – disse suspirando e fitando o chão – nós teremos que lutar, sim, mas com orcs. Se vencermos, nos mandarão de volta para cá até amanhã.

- E se não vencermos...

- Eles poderão fazer conosco o que quiserem...

A menina compreendeu.

Um tempo considerável precedeu o retorno das criaturas.

- Peguem as mulheres – a voz do orc interrompeu o silêncio – menos a menina e a velha, espero que nos proporcionem alguma diversão. Aqueles edains foram uma decepção hoje.

As mulheres, cuja maioria era recém chegada, foram levadas.

- Por que não nos levaram? – indagou a menina confusa.

- Estou velha demais para o gosto deles, minha querida. Eles me mantém aqui apenas para cuidar das outras quando voltarem. Querem mantê-las vivas o maior tempo possível. Há poucas mulheres para tantos orcs.

A menina continuou olhando para a velha senhora esperando o resto da resposta que a mulher relutava em dar.

- Quando chega aqui uma menina linda e jovem como você – disse Yoleth relutante – eles sempre planejam algo diferente. Sinto muito, minha querida. Gostaria de poder amenizar seu sofrimento e não precisar dizer tudo de forma tão direta, mas isso não ajudará em nada.

A menina voltou a derramar lágrimas.

- Você precisa ser forte, pequenina, muito forte. Eu estarei aqui para cuidar de você quando voltar.

As duas ficaram em silêncio durante algum tempo. Esperando. Até que ouviram quando os orcs retornaram trazendo as mulheres que sobreviveram. Eram pouco mais da metade das que foram levadas.

- É a sua vez, agora, pequenina! – disse o orc arrastando Tempestade pelos cabelos e deixando para trás uma Yoleth consternada cuidando das sobreviventes.

A menina foi atirada no meio de uma horda de orcs.

- Carne tão fresca assim – disse o comandante de tropa – é coisa rara. Já deve saber das regras, rameirazinha, então, não vamos perder tempo com isso não é? – Os orcs grunhiram de satisfação. – Lutará comigo e como não sou egoísta, compartilharei você com todos os que venceram alguma mulher esta noite!

A luta foi injusta. Não durou mais do que um minuto. A menina foi agarrada e forçada seguidamente como lhe fora prometido. O corpo que Yoleth recebeu em seus braços se assemelhava mais a uma carcaça. A gentil senhora fez o que pode rezando ao Único que poupasse aquela vida inocente.

Embora achasse que talvez fosse melhor que ele a levasse e a tirasse de vez daquele sofrimento.

Contudo, a senhora sentia que aquela menina ainda tinha muito a fazer.

...

Tempestade acordou sobressaltada. O corpo coberto de suor. Olhou de lado agradecendo ao Único por Haldir não haver acordado. Deitou-se novamente, mas não conseguiu dormir. Os fantasmas do passado lhe fizeram companhia durante o resto da noite.

Pela manhã, se puseram a caminho novamente, e em pouco tempo alcançaram seu destino.

- Chegamos, finalmente! – O elfo exultava com o retorno ao seu amado lar. Notando, contudo, que Tempestade parecia um pouco apreensiva, tentou lhe dirigir palavras de conforto:

- Não se perturbe, minha cara, essas fronteiras são muito bem protegidas.

A mulher nada disse. Não queria que ela própria estragasse a felicidade de Haldir com suas preocupações.

- Deseja parar para descansar um pouco? – indagou o elfo diante do silêncio de Tempestade.

- Não será necessário. – respondeu, dando a entender que gostaria apenas de ficar com seus pensamentos.

Haldir resolveu respeitar sua vontade. 'Ela deve estar ansiosa...', refletiu consigo mesmo.

O elfo desmontou do cavalo, no que foi seguido pela matadora de wargs.

- Creio que não estamos mais sozinhos... – disse Haldir quase murmurando.

Tempestade chegou a pegar no cabo da espada, porém teve sua mão segura pela mão do primogênito.

- Calma, não há perigo – disse o guardião tranqüilizando-a – não são orcs, são galadhrims. Creio que sei onde estão. Irei até lá para me certificar. Espere aqui, eu não demoro.

Haldir sumiu por alguns instantes apenas, entretanto, foi o bastante para deixar a mulher apreensiva. Tempestade olhava ao redor, aguçava o ouvido, até que sentiu algo surgir furtivamente pelas suas costas. Com a agilidade que conquistara graças aos anos vividos na Terra Negra, desembainhou a espada em direção aquilo que a ameaçava, apenas para encontrar uma flecha élfica apontando para ela enquanto a lâmina da espada distava não mais que alguns centímetros do rosto do primogênito. Tempestade pressentiu algo familiar naquele rosto. 'O que poderia ser?' perguntava-se, contudo as palavras do imortal interromperam seu raciocínio...

- Abaixe sua arma, mulher e não lhe faremos mal algum.

- Não antes que abaixe a sua, elfo – respondeu a mortal deixando o primogênito admirado com seu atrevimento.

O embate entre os dois parecia iminente, até Haldir retornar com um discreto sorriso nos lábios:

- Ora, ora... não a deixei sozinha mais do que um minuto e já está apontando a espada para alguém, minha cara? – disse parecendo se divertir com o já esperado estranhamento entre seu irmão e sua eleita. Entretanto, em vez de simpatia, atraiu sobre si os olhares reprovativos de ambos.

- Abaixem essas armas – continuou em um tom mais sério e conciliador, enquanto se colocava entre os dois – como creio que não tiveram a polidez de se apresentarem... Tempestade, este é um de meus irmãos, Rúmil. Irmão, esta é Tempestade, creio que já deve conhecer sua história pelos relatos daqueles que tiveram a ventura de sobreviver à batalha do Abismo.

' Seu irmão?', refletiu a mulher consigo mesma, 'ótimo começo, Tempestade...'

- Vejo que no pouco tempo em que estive fora você conseguiu se superar na arte de se ocultar, meu caro irmão. Enganou-me de forma primorosa.

- Ou talvez, sejam apenas seus sentidos que estejam alterados devido à sua nova condição, meu capitão – disse Rúmil com modos corteses, contudo a mágoa na voz e o discreto olhar dirigido a Tempestade deixaram claro que o elfo mais novo não estava totalmente satisfeito com a escolha feita por seu irmão – e para mim, tal fato é motivo de pesar.

- Entretanto – prosseguiu Haldir tentando contornar a situação, enquanto Tempestade apenas baixava um pouco o olhar – eu retornei são e salvo, ao contrário de muitos dos nossos... não poderia ser isso motivo de alegria? – concluiu colocando a mão no ombro do irmão.

Após um momento de hesitação, Rúmil, cedeu, correspondendo ao gesto. Amava e admirava Haldir e era realmente uma ventura tê-lo de volta, afinal, quando partiram quase não havia esperança de retorno.

- Sim, meu irmão – disse o mais novo correspondendo ao gesto – é uma grande alegria voltar a vê-lo.

- Penso que seria melhor irmos. Ainda nos restam algumas horas de viagem até que meu coração possa se alegrar com a visão de nossa amada Caras Galadhon.

- Eu irei com vocês – disse Rúmil – deixem-me apenas avisar aos outros – concluiu retirando-se.

Tempestade não ousava levantar os olhos. Como poderia viver dia-a-dia entre olhares semelhantes aos que o irmão de Haldir lhe lançara há alguns instantes?

- Tudo a seu tempo, minha cara – disse Haldir erguendo o queixo da mulher, antes de envolvê-la em um terno abraço – tudo a seu tempo.

...

Enquanto caminhavam, Haldir e Rúmil conversavam sobre diversos assuntos. Tempestade ora ouvia alguns trechos do diálogo entre os elfos, ora observava ao redor. A Floresta Dourada era realmente linda. Digna do amor que Haldir lhe devotava. Ele estava tão feliz. Tempestade podia sentir em suas veias a alegria no coração do elfo. E ele merecia isso. Merecia que ela engolisse seu orgulho e tentasse com todas as suas forças se adequar àquela nova vida. E além do mais, Haldir estaria junto a si e para a ex-escrava de Mordor isso era tudo o que importava.

Ao final do dia, avistaram Caras Galadhon. Os olhos de Haldir se iluminaram ainda mais. Os dois irmãos contemplavam a cidade com um olhar de veneração que deixou Tempestade sem palavras. Antes de qualquer coisa, foram se apresentar à Senhora Galadriel. O senhor Celeborn estava fora, em uma viagem à Floresta Negra a fim de discutir a melhor maneira de organizar as forças élficas contra a próxima investida de Sauron.

A cidade das árvores era linda. Tempestade nunca poderia sequer imaginar que existisse um lugar assim. Quase não percebeu os olhares discretos, porém desconfiados, de seus habitantes. Quase... O coração da Filha da Árvore Branca sentia medo diante dos elfos. Um medo tal que, por mais absurdo que pudesse parecer, se aproximava ao terror que sentira quando chegara a Mordor . Tinha ganas de voltar pelas mesmas trilhas que percorrera. Não sabia exatamente para onde iria. Não sentia que pertencia a lugar algum. Talvez Gondor, mas não! Isto seria impossível...

- Tranqüilize seu coração, Filha de Gondor. O único mal que deve temer é aquele que trouxer consigo. E este a seguirá para onde quer que você vá.

A mulher estancou. Que voz seria essa que ouvira tão claramente? Olhou para os lados, entretanto nada nem ninguém avistou que pudesse ter proferido tais palavras.

- O que houve, Tempestade? Está sentindo alguma coisa? – pergunto Haldir tomado pela preocupação.

- Não... eu acho... – respondeu – deve ser o cansaço. Não estou me sentindo muito bem. – despistou.

- Prometo que em breve teremos um merecido repouso – disse Haldir sorrindo – contudo é de suma importância que nos apresentemos à Senhora Galadriel antes de qualquer coisa.

- Entendo... - respondeu a mulher ao que continuaram a caminhar.

'Senhora Galadriel', recordou-se Tempestade, 'Teria sido sua a voz que ouvira?' Seu coração se inquietara não com a voz, na qual sentira bondade, e sim com as palavras.

Não demorou muito para que a filha da árvore branca pudesse dirimir sua dúvida. Após alguns minutos de caminhada, chegaram à sala de audiências da soberana de Lórien. Rúmil retirou-se discretamente. Quando a Senhora Galadriel surgiu diante dos olhares dos recém-chegados, Tempestade compreendeu por que ela era chamada de Senhora da Luz. A rainha irradiava a bondade e dignidade da raça dos primogênitos em toda sua plenitude. O coração de Tempestade, ainda envolto em sobras, temeu aquela presença.

- É bom tê-lo novamente entre nós, Haldir – disse a elfa, trazendo a Tempestade a certeza de que fora realmente sua voz que ouvira instantes atrás.

- Maior ventura é a minha, Senhora da Luz, em poder voltar a ver Lothlórien e colocar-me novamente a serviço de meus senhores.

- Infelizmente meu marido não está aqui para recebê-los. Ele e o Rei Thranduil estão muito preocupados. Não sabemos exatamente o que esperar de Mordor.

- A derrota sofrida por ele em Rohan deve ter inflamado ainda mais sua ira.

- Contudo – prosseguiu a soberana de Lórien lançando um discreto olhar para a mulher ao lado de Haldir – a ira, embora seja capaz de infligir muitos sofrimentos, não é garantia de vitória. Pelo contrário, aqueles que escolhem seguir esse perigoso caminho, encontram apenas confusão e desalento.

O silêncio reinou por alguns segundos enquanto as palavras cheias de significados de Galadriel caíam nos corações e nas mentes do casal, principalmente no coração de Tempestade, que compreendera perfeitamente a já tão familiar advertência.

- Contudo não é o momento para nos entregarmos a reflexões de guerra. Vejo que não retornou sozinho a Lothlórien e devo confessar que fico feliz, Haldir, que tenha encontrado alguém que o tenha cativado.

O galadhrim baixou os olhos por um instante diante do inesperado comentário. Ao erguer novamente os olhos, o capitão fez a esperada solicitação.

- E é de meu desejo, Senhora, com sua permissão, unir-me a ela. Creio que já sabe de minha nova condição que, ao contrário do que muitos devem estar intuindo, só me trouxe alegrias.

- Este é também o seu desejo, minha jovem? – indagou a Senhora da Luz pela primeira vez dirigindo-se diretamente à Tempestade.

- É – foi tudo que a mulher conseguiu responder. Sentia-se intimidada pela presença da Senhora Galadriel.

- Neste caso – prosseguiu – têm a minha bênção e as bênçãos dos elfos e de Lothlórien.

Haldir fez uma reverência e, segurando a mão de Tempestade, começou a se retirar. A mulher não compreendeu bem, mas o galadhrim sabia reconhecer as ordens silenciosas de sua Senhora.