História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.

Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial

Capítulo – Kamus versus Milo

Ah, Aioria. Dessa vez você não vai se livrar tão fácil. Isso não vai ficar assim! Você vai morrer lentamente, bem na minha frente. E eu não terei peidade! NÃO! E logo depois será a sua vez, Kamus!

Como era possível que ele estivesse na casa de Kamus? Como foi que eles brigaram daquele jeito? Por que a discussão terminara com Kamus arrastando-o, jogando-o num quarto e batendo a porta? Maldição! E que amigos eram aqueles que o trataram como um saco de batatas? Um saco de batatas do qual precisavam se livrar. E como foi que se livraram? Empurrando-o para a casa do Kamus. E como foi que o Kamus reagira? Ficara de mau-humor, falara que não queria que Milo se mudasse para lá e brigara com ele. Positivamente, era MUITA humilhação!

Ah! Quando ele deixasse de ficar imobilizado ele iria matar um por um. UM POR UM! E Kamus seria o último. E definitivamente o que mais sofreria! Ele não teria misericórdia. E que saco! Sua perna, seu braço, suas costas... tudo parecia latejar! E por que ele estava com aquele imenso nó na garganta? Seria por saber que seus amigos o trataram como uma coisa incômoda? Seria por que ele queria sair dali o mais rápido possível? Ou seria por saber que Kamus não o queria?

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Afrodite, Aioria, Aldebaran, Marin, Mu, Shina e Shaka comemoravam! Eles estavam todos num pub, bebendo e comemorando o grande feito. Finalmente eles conseguiram que Milo fosse para a casa de Kamus. Certo que os métodos não foram nada ortodoxos. Ou discretos. Ou mesmo simpáticos. Mas eles conseguiram. Agora só restava um problema... Se isso não desse certo, com certeza todos perderiam a amizade de Kamus e de Milo. Mas, ainda assim, eles acharam que a ocasião deveria ser celebrada.

Após todos passarem a tarde na biblioteca, Aioria, do nada, recusara-se a levar Milo para casa sob a alegação de que ele iria se matar nas escadas. Afrodite, então, sugerira a casa de Kamus, que tinha elevador. Milo e Kamus olharam-se como se aquela idéia fosse invenção do próprio diabo e começaram a arranjar milhões de desculpas contra a idéia. Shaka defendera, com racionalidade, a idéia de Afrodite, sob os olhares assassinos de Kamus. Marin e Shina falaram com Milo que respondeu tão alto que todos foram expulsos da Biblioteca.

Então, Mú, com sua voz suave, falara com Milo, que, pelo menos parou de ameaçar Aioria de morte e foi atrás de Kamus. Enquanto isso, Afrodite e Aldebaran conversavam com Kamus, que berrou que a última coisa que queria era que Milo ficasse em sua casa. Infelizmente, Milo ouvira e se afastara humilhado. Kamus fora atrás dele e, enquanto isso, todos foram embora rapidamente.

Enfim, a execução da Parte I do plano fora péssima, mas funcionara. Verdade que Milo ficara com cara de quem mataria a todos. E que Kamus parecera querer pegar o primeiro foguete para Plutão, apesar deste haver perdido o status de planeta (que absurdo!). Mas, enfim, os dois ficariam juntos, na mesma casa. Eles acordariam juntos, viriam juntos para a faculdade, dormiriam juntos. Não era possível que depois disso eles ainda brigassem contra os próprios sentimentos...

- Gente, será que vai dar certo? Tenho a impressão de que quando o Milo melhorar ele vai enfiar uma faca no meu pescoço! Vocês não têm idéia do que ele me falou! – Aioria estava feliz, mas com um certo remorso pela execução do plano. A amizade de Milo era muito importante para ele.

- Arf! E o Kamus? Ele me puxou para o lado e falou um monte. Nunca havia ouvido o francês falar tanto de uma vez! Pena que o Milo ouviu uma parte... – Afrodite completou.

- Eu sei que as coisas podiam ter corrido melhor, mas os dois começaram a estressar tanto que foi o melhor que pudemos fazer. A parte II do plano será melhor executada. – Shaka ainda estava atônito com a explosão emocional que Kamus tivera.

- Cazzo! Será que vai dar mesmo tudo certo? Os dois estavam com cara de que iriam se enforcar pelo caminho! - Shina era contrária à execução racional que Shaka programara. Ela era partidária de planos emotivos, de modo que qualquer arroubo seria bem assimilado.

- Agora é com eles, pessoal. Se eles ficarem sozinhos tudo vai dar certo. – Mú, com seu jeito tranqüilo acalmou a todos.

- Bom, se tudo der errado ainda nos resta um barraco – é! Aldebaran era mesmo barraqueiro.

- Aioria, amor. Não fica assim. Vai dar certo. Para nós, deu certo – definitivamente aquele argumento acalmara Aioria. E ele abraçou Marin.

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Shura e MdM tinham MUITO o que fazer! O expediente estava quase terminando e eles tinham tido pouquíssimo tempo de organizar a balada indoors daquela noite! Oh, céus! Como era difícil organizar tudo, receber milhões de telefonemas de clientes e da matriz, ter reuniões com ... sabe-se lá quem, organizar bolão, organizar balada, tomar café, falar com todo mundo e manter o bom humor. Os dois quase entendiam o mau humor permanente de Saga. QUASE!

E eles ainda tinham que apresentar os bolões efetuados pelo novíssimo e revolucionário sistema MdM-Shura de bolões. Eles levariam as propostas, as apostas e anunciariam os vencedores. Depois disso, uma balada indoors rápida e visitar o Saga, já que no dia anterior não dera tempo.

- Hombre, te apura! Roda aí o relatório de bolões.

- Cazzo, Shura. Já vai. Tenho mais uns 27 e. mails para responder. Mas já mandei para a impressora. Pega lá!

- Para mim faltam ainda 3 relatórios de vendas para analisar. Mas vou pegar o relatório e depois continuo. – Como Saga conseguia fazer tudo, pensou Shura pela 17ª vez. E Shura deu uma última olhada no relatório de bolões e constatou que tão somente 5 bolões foram propostos desde 2ª. feira.

1.) Por que Saga se distraíra e caíra da escada? Fora devido ao stress? Fora devido ao excesso de sexo? Fora a escada que, melindrada pelo mau-humor de Saga, decidira se rebelar?

2.) MdM e Shura tornarão a decretação de falência da empresa uma realidade inafastável? Em quanto tempo? 15 dias? 30 dias? 45 dias?

3.) A recepção-bar será mantida sob a gestão de Saga? Ou Saga entrará pela porta na 4ª. feira e chutará a recepção e a recepcionista?

4.) Por que esses bolões não são tão engraçados sem a presença castradora de Saga na empresa? Devemos remeter cópias dos relatórios ao e. mail pessoal de Saga? Devemos torcer pela volta de Saga? Devemos investir num programa de capacitação de dominação da arte de subir escadas?

5.) Por que Saga faz tanta falta? Por que gostamos de encher Saga? Por que gostamos de Saga? Por que reconhecemos que Saga sabe administrar essa espelunca?

- MdM!

- O que, Shura?

- Dá uma olhada nos bolões propostos! – e Shura entregou o relatório a MdM.

- É, fratello1, parece que todo mundo está mesmo sentindo a falta do Saga!

- E eu também – disse Shura!

- Anche io2! – concordou Mdm

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Kamus estava nervoso como nunca. Ele andava a passos largos pela sala (sim, na sala da casa dele ele podia andar a passos largos!). Diabos, Milo! Como você pode me tratar assim? Como é possível que você seja tão burro? Como é possível que você seja tão ingrato, pensou Kamus. Ele o trouxera para a própria casa, já que onde Milo morava não havia elevador. TODOS os amigos concordaram que era perigoso para Milo subir e descer escadas de muleta! Claro que ele não quisera! Claro ele fora contrário à idéia. Ficar tão perto de Milo seria uma tortura. Ele tinha medo de não controlar seus sentimentos. Mas o que mais ele podia ter feito? Milo precisava de sua ajuda! Só que Milo era insuportável, para dizer o mínimo! Mas irresistível! Agora mesmo, no auge da discussão, ele quase (quase!) o beijara, só para ver se assim Milo ficava quieto e calava a boca. Mas ele não podia! Olha só o que a sua fraqueza causara a Milo!

Então, ele praticamente arrastara Milo para o quarto de hóspedes, jogara-o em sua cama e batera a porta. Foi aí que ele notou como Milo tinha emagrecido desde a última vez em que ele o tocara. Ah! Milo precisava de ajuda e ele brigara com Milo daquela forma. Ele era mesmo uma mula. Uma mula que fora com as quatro patas para cima de Milo. Mas por que Milo conseguia tirá-lo do sério daquela forma? Ele nunca se descontrolava. Ele nunca demonstrava seus sentimentos. Mas perto de Milo ele se transformava em um ser sentimental e descontrolado. O que ele podia fazer? E, o mais importante, o que ele fizera?

ooooooooooooooooooFlash back recenteooooooooooooooooooooooooo

Ah, não! De novo, não! Milo entrava em sua casa como naquele dia. Ele jurara que não ficaria nunca mais com Milo. E ele trouxera novamente Milo para sua casa. Mas durante todo o trajeto, Milo nada falara. Milo subira no elevador (motivo pelo qual ele estava ali) e nada falara. E agora Milo entrava em sua casa, sem nada falar e emburrado. Era o suficiente!

- Milo? Qu´est-ce que c´est le problème3?

- Nada!

- Por que você está assim? Qual o problema agora? – Kamus começava a se irritar. Isso fazia parte do "efeito-Milo", sem dúvida, pensou Kamus.

- Nenhum. Um saco de batatas não tem problema algum – pronto! A voz de Milo dava mostras de sua grande, imensa irritação!

- Saco de batatas?

- É! É o que vocês devem achar que eu sou!

- Vocês? E o que eu tenho a ver com isso? - Agora era a voz de Kamus que começava a dar sinais de irritação!

- Oras, foi você quem levou o saco de batatas. Elementar, não?

- E você acha que eu queria isso? - tão logo falara, Kamus se deu conta de seu erro!

- Claro que não, Kamus! Eu notei que a última coisa que você queria era ter que ficar comigo! – a voz de Milo subira já vários tons! É, Milo não iria esquecer tão cedo o que ouvira, pensou Kamus

- Isso é irrelevante, Milo. Você precisa que alguém fique com você!

- Não preciso. Eu vou para um hotel e vou ficar SOZINHO! Eu disse isso para o Aioira, para a Shina, para a Marin... Por que ninguém quer me ouvir?

Ah! Aquela foi a gota d'água. Sozinho! Como se ele pudesse! E era melhor ficar sozinho do que ficar com ele, Kamus? Era isso? Milo o odiava tanto assim que preferia ficar sozinho? Somente Milo conseguia realmente mudar a cor de seu mundo! E seu mundo passara a ser vermelho de forma repentina!

- Parece que você é stupide, Milo! É tão idiota que não admite que precisa que alguém cuide de você. Você NÃO tem condições de ficar sozinho!

- Chega, Kamus! Você não vai me ofender de novo! Eu não sei qual o seu jogo, mas já chega.

- Quoi?

- Chega, Kamus! Não quero mais ter essa conversa de maluco. Vê se me esquece. Fui. – e Milo pegou sua mochila e se virou para destrancar a porta! Finalmente Kamus notou que Milo falava sério.

- Milo, me ouve, s´il vous plaît! Você não está em condições de ficar sozinho. Fica aqui. Só esta noite! Por favor, Milo. – mas Milo o ignorava. E Kamus odiava ser ignorado.

Kamus sabia que Milo tinha todas as razões para estar nervoso. Afinal, ele estava todo arrebentado. Os amigos dos dois, numa espécie de complô, armaram de enviá-lo para a casa de Kamus. E, para finalizar, Kamus perdera o controle, brigara com Milo e deixara claro que não queria que ele estivesse ali. Mas Milo era realmente difícil. Difícil e infantil. Infantil e orgulhoso. Orgulhoso e insuportável. Mas tão, tão irresistível. E ele não podia ficar sozinho. Kamus bem que tentou chamar Milo de volta à razão. Mas era tarde demais! Milo destrancara a porta e saía de casa. Kamus, então, fez o que precisava ser feito. Puxou Milo para dentro, tirou suas muletas, jogou-as no meio da sala, trancou a porta, guardou a chave consigo e arrastou Milo pela cintura até o quarto de hóspedes. Lá ele praticamente jogou Milo em cima da cama e saiu batendo a porta. Os berros indignados de Milo, as atrapalhadas tentativas de resistência e o olhar assassino que recebeu demonstraram claramente a Kamus que se Milo pudesse, ele o mataria.

E Kamus, por sua vez, estava tão transtornado com o que fizera que fora para o chuveiro para tomar um banho gelado.

Oooooooooooooooooooooooofim do Flash back oooooooooooooooooooooooooooooo

Saga estava deitado, pensando no que Aioria lhe dissera. Milo ficaria fora até que tirasse as faixas do pé. No final, era melhor assim. Milo não estava bem para subir e descer escadas. E Saga sabia que Milo não gostaria de vê-lo até conseguir administrar os sentimentos que tinha para com Saga. Gratidão, sem dúvida. Revolta, era mais do que certo. Atração física, certamente. Quanto ao resto, Saga não sabia. Só o tempo diria. E assim ele também teria tempo para analisar o que sentia por Milo. Nisso, seu telefone celular tocou. Era o Dr. Shion.

- Dr. Shion?

- Saga! Você sempre me chamou de Shion, não foi?

- É, acho que sim.

- E como é que você está?

- Bem melhor. A cabeça parou de doer. Eu não estou mais confuso e amanhã volto a trabalhar. Só estou com sono. Muito sono.

- Isso deve explicar porque hoje você se esqueceu do médico, o Dr. Minos, não foi? – ah, cacete! Ele se esquecera! Será que Shion falaria algo com Milo? Afinal, essa era a ameaça, não era?

- Desculpe, Shion. Eu... me esqueci completamente. Acho que com tanta coisa...

- Eu desmarquei para você, Saga. Fica tranqüilo. - a voz de Shion soara diferente. Quente. Carinhosa.

- Obrigado, Shion.

- Mas eu quero te ver novamente, Saga! – Por que a impressão que Shion não disse isso como médico, pensou Saga.

- No hospital? – perguntou Saga com cautela. Ele nunca se sentira tão inseguro. Sozinho, sim. Inseguro, nunca.

- É no hospital que você quer me ver, Saga? – que raio de resposta é essa? E com certeza Shion está com aquele sorriso irritante, pensou Saga.

- Eu não sei, Shion! Onde VOCÊ quer me ver? – ah! A irritação de novo! Shion sempre conseguia irritá-lo.

- 6ª. feira eu te ligo novamente. Que tal assim?

- Tá ... OK!

- Ótimo, Saga. É sempre um prazer falar com você! Sempre tão senhor da situação – Saga apertou o telefone. Ele sabia que Shion estava gozando de si. Ele com certeza notara sua insegurança.

- O prazer foi meu, Shion. – pronto! A voz de Saga voltara a ser fria e orgulhosa.

- Até 6ª. feira, Saga. – agora a voz de Shion estava quase ... sedutora. O que seria aquilo?

- Até lá, Shion.

E Saga ficou segurando o telefone um bom tempo depois que Shion desligara. Afinal, que conversa fora aquela?

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Kamus bateu de leve na porta de Milo e não obteve resposta alguma. Então, ele entrou para encontrar Milo encostado na cabeceira da cama, com a perna flexionada, ouvindo MP-3, com a cabeça jogada para trás e os olhos fechados. A mera visão de Milo fez o coração de Kamus disparar. Tão lindo! Tão desprotegido! Tão alheio ao seu próprio encanto! Mas quando Kamus chegou ao lado da cama, ele notou que lágrimas escorriam pelo rosto de Milo. Aquilo doeu em seu coração. E o desespero o atingiu! Teria ele machucado Milo? Ah, que não fosse isso! E Kamus, sem ser notado, ajoelhou-se ao lado da cama, tomou o rosto de Milo em suas mãos e secou suas lágrimas. Milo se assustou e gritou algo em grego:

-Pardonnez-moi4, Milo! Dói em algum lugar?

- O que você quer agora, Kamus? Você se esqueceu de me xingar de mais alguma coisa?

- Je .. je voudrai5 te dar essas roupas – e Kamus apontou para a muda de roupas que trouxera – e... eu queria te pedir desculpas.

- Eu não quero suas roupas!

- É que eu achei que você não tinha roupas aqui...

- E como eu iria ter, Kamus? Você acha que eu sabia que nossos amigos iriam me empurrar para a sua casa? – a voz de Milo estava tremendamente agressiva.

- Milo, je sais6 que você está chateado, mas eu juro que também non esperava que eles fizessem isso. Mas eu quero que você fique aqui comigo, Milo. Quero muito. Por favor!

- Eu ouvi você dizendo para o Flor que essa era a última coisa que você queria, Kamus.

- É que o Fleur... Ele é meio ciumento, sabe? – a idéia acabara de ocorrer e Kamus, nem por um minuto, considerou que talvez não fosse boa!

- E eu com isso?

- Ele tem ciúmes de você, Milo. Por isso eu disse aquilo. Mas eu queria, queria muito, que você ficasse aqui. Fica aqui, Milo. S´il vous plaît!

- Não, Kamus! – Milo parecia uma criança birrenta. E Kamus o achava lindo assim.

- Só essa noite, Milo, s´il vous plaît. Até parar de doer. – e Kamus pegou novamente o rosto de Milo entre suas mãos.

O resultado foi imediato. Milo sentiu-se fraquejar. Por que ele reagia assim à proximidade de Kamus? Por quê? Ele queria odiá-lo. Ele tentava agredi-lo, brigar com ele. Mas quando Kamus ficava perto dele e o olhava assim, ele se sentia ... fraco. Querendo algo. Algo que lhe era negado. Céus! Ele queria, queria muito, não gostar de Kamus. Aliás o que ele mais desejava era nunca mais gostar de ninguém. Desde que ele chegara todos o usaram e o trataram como uma coisa. Até seus amigos o trataram como uma coisa, uma coisa incômoda. Até mesmo Aioira, seu amigo de mais de 20 anos, o tratara assim.

Mas enquanto ele assim pensava, Kamus segurava seu rosto e o olhava diretamente nos olhos. Milo respirou fundo. Ele precisava de ar. Os olhos de Kamus... ah! Lindos, confiáveis, verdadeiros. Claro que era só impressão. Afinal, ele sabia que Kamus era falso, frio, insensível. Ele tinha que se lembrar disso. Falso. Frio. Insensível. Mas que alternativa ele tinha? Ele estava trancado naquela casa. E Kamus resolvera pedir desculpas. E se ele ficasse lá ele não teria que olhar para Saga. Ele precisava se afastar de Saga até conseguir se controlar. Quem seria pior? Kamus? Saga?

- Eu tenho escolha, Kamus?

- Non, Milo. Não tem. Mas eu vou cuidar bem de você. Eu juro. – Kamus ainda segurava seu rosto. Milo chacoalhou a cabeça para se livrar daquele olhar magnético e da sensação de ... afinal, que sensação seria aquela?

- Me dá essa roupa e me diz onde eu tomo banho, Kamus. Se eu tomar banho de manhã eu atraso para a faculdade. Ah! E eu preciso de uns sacos plásticos. – Milo falou tudo de um fôlego só. Ele mesmo tinha medo de mudar de idéia.

- Vou pegar, Milo. – e logo Kamus voltou com as coisas e continuou falando, feliz - Et je va préparer7 o jantar para nós dois depois que você tomar banho. Aliás, você precisa de ajuda para tomar banho, Milo? – tão logo falou Kamus isso, ele se arrependeu. Por que quando Milo estava presente ele não pensava antes de falar?

- Não, Kamus! – Milo estava sem graça.

- Je... só disse parce que...

- Sem erro, Kamus. – e Milo se levantou, gemeu baixinho e se desequilibrou. Kamus o amparou, sentindo seu corpo todo reagir à proximidade de Milo.

- Onde dói, Milo?

- Pô, Kamus. Em todo lugar. Hoje eu parei de tomar o analgésico forte. Mas deve parar de doer logo. Eu tomei uns remédios antes de sairmos da faculdade e vou tomar outros depois do jantar.

- Você quer que eu ligue para o Dr. Shion?

- Não, Kamus. Não precisa.

- Pelo menos deixa eu te ajudar a se enrolar, Milo! – Milo até ia deixar, mas pensou melhor. Ele não iria conseguir tirar a roupa na frente de Kamus. Não depois de tudo!

- Pode deixar, Kamus. Vai fazer o jantar. – e Milo foi pulando até o banheiro, já que Kamus ainda não lhe devolvera suas muletas.

Kamus saiu feliz! Tudo bem que ele não podia ficar com Milo. Mas ele podia ser um bom amigo. Por que não? Será que Saga iria se opor a isso? Ah! Saga! O que ele estava fazendo? O que Saga acharia de Milo estar em sua casa? Será que ele iria se vingar de Milo novamente? Ah, deuses! E agora? Seria melhor que ele ligasse para Saga? Seria melhor que Milo ligasse para Saga? Seria melhor que ele falasse com Aioria para que Aioria explicasse a Saga? O que ele devia fazer? Mas Kamus foi fazer o jantar, arrumar a mesa e, é claro, escolher o vinho!

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O cheiro era mesmo maravilhoso. Seria a comida ou o fato dele estar com tanta fome? Milo ainda sentia raiva de Kamus, mas também sentia... outra coisa! Mas ele concordara em ficar (mesmo porque ele não tinha outra opção) e ele estava faminto. Que saco! Kamus mexia com ele muito mais do que ele mesmo queria admitir. Desde que Kamus entrara em sua vida, ele vivia abalado. E esse jogo de te quero, mas não quero estava lhe fazendo mal. Ele se sentia desprezado. E o desprezo, a dor, os remédios, o sentimento de impotência e o de ter sido usado acabavam por desestabilizá-lo. Ele tinha que sair daquela casa! O mais rápido possível. Mas ele também não poderia ir à casa de Saga. Para onde ele deveria ir? Um hotel? Para a Grécia? Só que ele precisava resolver várias pendências antes de poder voltar. Ah, céus! O que fazer? Mas Kamus falou com ele como se tudo estivesse na mais amena normalidade. Impressionante como ele era frio!

– Eu fiz um prato que você não precisa cortar, Milo. Eu notei que você não come nada só para não pedir para alguém cortar a comida para você. E você está emagrecendo, Milo. Isso não é bom! Senta na mesa e me espera. – aquilo surpreendeu Milo. Kamus parecia se importar com ele.

- Hã... Obrigado, Kamus. O que você fez? - e Kamus voltou com uma travessa.

- Risotto de maçãs com foie gras.

- Risotto? Mas isso é italiano!

- Ahá! Mas foie gras est trés français8! E eu não tive tempo de pensar em outra coisa, Milo. Desculpa! Amanhã eu penso em algo melhor! – amanhã, pensou Milo.

Mas Kamus não pareceu se dar conta do que falara. E Milo se serviu do risotto. Estava muito, muito bom! Aliás, desde que se mudara para Londres aquela era a melhor comida que provara. Londres não era exatamente conhecida pela boa cozinha! Verdade que ele estava com fome e tal, mas Kamus, sem dúvida, era um ótimo cozinheiro. Porém, quando Milo tentou se servir de vinho, Kamus não deixou.

- Non, Milo. Você está tomando um monte de remédios. Não vai beber!

- Mas, Kamus...

- Non, Milo. E não adianta me olhar com essa cara de criança abandonada!.

- Eu não te olhei assim!

- Ah! Olhou, sim! Sempre que eu faço algo que você não gosta, você me olha com essa cara. Mais aujourd'hui9 não vai funcionar, Milo.

- Kamus, você vive fazendo o que eu não gosto!

- É porque eu gosto da cara que você faz, Milo. Mas desta vez não vai funcionar.

- Mas Kamus...

- Non, Milo!

- Tá, tá OK! Então posso comer mais?

- Você gostou, Milo? – o orgulho na voz de Kamus era inegável.

- Kamus, este é o melhor jantar que eu tive desde que cheguei a Londres!

- Deve ser por causa da companhia, Milo! – ah! O orgulho ainda estava lá, pensou Milo, encantado.

- Ah! É só fazer um elogio que fica todo convencido! Francês é metido, mesmo!

- Non, Milo. Só reconhecemos nossas qualidades! – disse Kamus com um ar superior proposital.

- Todo engraçadinho, não é?

Impressionante como Milo fazia surgir seu lado brincalhão. Ele se sentia tão bem na companhia de Milo. Por que isso não podia ser eterno? Por que ele tinha que desistir do seu amor, da sua felicidade? Por quê? Será que todos tinham razão e só ele estava errado? Seria isso possível? Será que Saga realmente não jogara Milo escada abaixo? E Milo começou a tomar seus remédios.

- Milo? Você não tem que ligar para o Saga para avisar que está aqui?

- Não! Eu não quero falar com o Saga, Kamus.

- Mas você não quer nem mesmo saber como ele está?

- Não.

- Mas vocês não estavam juntos?

- Não! Desde sábado pela manhã. – Milo foi tão definitivo que Kamus não insistiu. Mas algo em seu interior se iluminou. Milo não queria mais falar com Saga! Nem saber como ele estava.

Os dois terminaram de jantar e, enquanto Kamus arrumava tudo, Milo foi ver TV. Logo, Kamus estava ao seu lado. A dor havia melhorado e a proximidade de Kamus o fazia se sentir extremamente bem. Em pouco tempo Milo dormia no sofá. E Kamus, tão logo notou que o sono de Milo estava pesado, o abraçou e deixou Milo se recostar em seu ombro. Pour Dieu! Por que aquilo não podia ser eterno? Foi quando Milo se mexeu fracamente, virou-se, abriu os olhos embaçados de sono e sorriu para Kamus. Mesmo com sono os olhos de Milo eram lindos. Mesmo com sono seu sorriso iluminava tudo ao seu redor. Kamus não conseguiu se conter e sorriu de volta:

- Kamus, me desculpa, por favor... – Kamus tinha dúvidas se Milo sabia o que estava falando. Ele claramente falava dormindo. E sorria. Ah! Como ele o amava!

- Pelo que, Milo?

- Eu... Eu tentei voltar para você, mas... eu desmaiei. – a voz de Milo tinha um quê de desespero que deixou Kamus transtornado.

- Eu sei, Milo. Tudo bem! – Kamus agradou os cabelos de Milo, para que ele se acalmasse.

- Foi por isso que eu te perdi, não foi? Porque... eu não voltei para você! – a voz de Milo agora refletia uma grande tristeza, e o coração de Kamus se apertou.

- Tudo está bem, Milo. Fica calmo e dorme, mon ange. – Milo sorriu fracamente. Seus olhos quase se fechavam de sono. Tanto sono devia ser devido aos remédios, pensou Kamus.

- Me perdoa, Kamus. Por favor! Eu... não queria te perder. – e Milo voltou a recostar a cabeça no ombro de Kamus, totalmente vencido pelo sono.

O coração de Kamus se apertou. Ele amava Milo. Milo o amava. Por que eles não podiam ficar juntos? E Kamus deu um leve beijo nos lábios de Milo e disse baixinho em seu ouvido:

- Você não me perdeu, mon ange. Eu vou dar um jeito da gente ficar junto. Eu prometo!

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Olá a todas! Pois é, capítulo sim, capítulo, não eu faço um capítulo gigante, pelo jeito. Desculpem novamente! Eu simplesmente não consigo manter um padrão de narração ou de tamanho. Eu sempre preciso mudar!

: Shaka, já que você é o cavaleiro de virgem, você não acha que essa tal de Virgo-chan devia tratar você como o protagonista desta história?

Shaka: Tá louco, Mú? Você está acompanhando como o Kamus e o Milo se ferram?

: Tem razão, Shaka. E assim sobra mais tempo para a gente fazer o que interessa.

Shaka: Gosto do jeito que você pensa, meu carneirinho!

Bom, gostaria de agradecer às reviews que recebi. São as reviews que me animam a continuar! Assim, agradeço a Hikaru, Princess Andrômeda, Tsuki-chan, Pure Petit Cat, Gigi, Haiku (desculpe, não tenho seu e. mail), Dionisiah, Litha-chan, Dark Ookami, Dana, Mey Lyen, Mussha, Chiharu (desculpe, não tenho seu e. mail), Sirrah e Nuriko-riki. Muito, muito obrigada! Fico feliz que vocês estejam gostando da minha fic.

E se mais alguém puder, por favor, me escreva reviews ou e. mails (virgo ponto 0909 arroba hotmail ponto com). Eu até que não sou totalmente antipática (se bem que é claro que posso melhorar!).

Beijos da

Virgo-chan

Out/06

1 irmão

2 Eu também

3 Qual o problema?

4 Me perdoa

5 Eu queria

6 Eu sei

7 Eu vou preparar

8 Mas fígado de ganso é muito francês!

9 Mas hoje