Holla, sáslindas!
Olha eu aqui aparecendo, mais cedo do que imaginava! Novo capítulo prontinho para vocês. Vou logo avisando esse post de hoje tá ótimo para aquelas que são anti-Bella, viu? Preparem seus corações e a patadas (tanto nela quanto em mim) lá na review.
Por falar em review, eu sei que deveria ficar de castigo, afinal eu não pude responder nenhum dos comentários lindos que vocês sempre fazem. Eu podia me justificar dizendo que estou louca (como de fato, estou) com trabalho, casa, vida social e betar trocentas outras fics, mas acho que nada justifica isso, né? Só posso contar com a compreensão de vocês com essa autora doida que vos escreve.
Outra coisinha antes que eu me esqueça. Muitas de vocês não passaram ainda em Unknowing Shadows, fic onde estou postando os POV do Edward. Acho que vale a pena vocês darem uma conferida para saber o que se passa na mente dele, né não?
Ah, e não posso deixar de agradecer a Lu e a Rê por sofrerem por antecedência e pelas críticas perfeitas. Meninas, sem vocês #NCGYD não seria 30% do que é hoje!
Bem, vou deixar de blá-blá-blá e vamos simbora para o que interessa!
Boa leitura.
Um novo ano. Um novo começo.
Apesar de este ser um dos maiores clichês de toda humanidade, não podia esconder que era exatamente assim que me sentia ao voltar para Chicago naquela manhã de janeiro. Além das poucas bagagens que trazia de volta, carregava comigo o coração cheio de esperança de que dias melhores viriam a partir de agora. Se eu pudesse resumir todos os sentimentos dentro de mim, à uma única coisa, talvez a palavra que melhor definisse seria renovação.
Embora tentasse manter uma visão otimista em relação ao meu futuro, ainda era óbvio que tinha meus receios. Dentre eles, o que mais me assombrava era a ausência de Edward em minha vida. Não podia negar que meu coração se apertava quando recordava da conversa que havia posto um ponto final em nossa relação de tantos anos. Em parte, eu me sentia como se tivesse perdido uma parte de mim mesma; depois de tantos anos de companheirismo, tinha a impressão de que éramos uma unidade. Como se um não pudesse existir sem a preseelença do outro. E mesmo que os últimos meses de convivência tivessem sido um verdadeiro inferno, era difícil assimilar que Edward já não pertenceria mais a mim e vice e versa.
Sem contar que, de certa forma, eu ainda estava insegura quando ao novo emprego. Não pela atividade em si – afinal de contas, eu não era tão incompetente para não saber digitar algumas centenas de palavras no computador – mas meu maior receio era de que de alguma forma, não atendesse as expectativas que Rosalie tão benevolentemente havia depositado em mim. Espera de todo coração superar as suas expectativas e quem sabe, este acabasse se tornando o primeiro passo que eu necessitava para voltar a ter minha própria renda, após tantos anos sendo dependente.
Para completar, eu me sentia mais e mais ansiosa com a proximidade do parto. Agora era questão de poucas semanas para que Grace estivesse finalmente em meus braços. A mistura de receio, ânsia e expectativa eram dominantes em meu ser e pareciam aumentar exponencialmente a cada novo dia e, para suportar toda essa avalanche de emoções, eu tinha que respirar fundo algumas vezes, em busca de um pouco de concentração.
Como mãe de segunda viagem, eu esperava verdadeiramente não cometer os mesmos erros que eu fiz durante a criação de Richard. Porém, com a perspectiva de ser mãe de um bebê especial, eu não sabia bem o que esperar quando ela estivesse aqui comigo. Ou seja; mesmo que eu já fosse mãe, eu me sentia como se não tivesse tanta base assim para saber lidar com o que viria muito em breve.
Eu divagava sobre tudo isso durante o vôo de volta, enquanto Richard se distraia com um dos desenhos animados que era transmitido dentro da aeronave. A cada milha mais próxima de casa, mais me preocupava com tudo o que eu precisaria fazer a partir de agora. E como se não fosse o bastante, a primeira missão que eu teria naquela noite era dizer ao meu filho que seus pais já não estariam mais juntos de agora em diante. Apenas mais uma aflição, das tantas que já se cercavam ultimamente.
Quando foi anunciado o pouso, meu coração perdeu algumas batidas. Richie virou-se para mim com um sorriso amplo em sua face, mostrando o quanto estava feliz por finalmente voltar para casa. Aquele gesto tão simples dele, quase me desfez só de pensar em toda mágoa que iria infligir nele tão em breve. Por uma fração de segundo, cheguei a reconsiderar minha decisão, no entanto, bastou apenas que a memória de tudo o que Edward já havia dito para a própria filha para desapegar-me dessa ideia.
O terminal aeroviário estava um completo caos, provavelmente por conta de aquele ser o primeiro dia útil do ano. Não havia um táxi sequer e meu filho e eu tivemos que esperar uns bons 15 minutos por um carro, enfrentando o frio congelante que fazia em todo o estado de Illinois. Quando finalmente conseguimos embarcar em um dos famosos carros amarelos, os lábios do Richie estavam começando a se rachar e a ponta arrebitada de seu nariz estava extremamente vermelha.
Enrolei-o sobre um dos meus braços, com receio que ele acabasse ficando doente por ter ficado exposto a baixa temperatura além do que estava acostumado. O taxista fez a gentileza de deixar o aquecedor no nível máximo, contudo, isso não surtiu tanto efeito, uma vez que a voz de Richie saia tremida todas as vezes que em que ele tentava falar.
Depois de quase quarenta minutos de um trânsito bastante intenso, conseguimos finalmente chegar em casa. Paguei a corrida usando alguns dos poucos dólares que me restavam da venda do camafeu de minha mãe e virei-me para olhar para imponente mansão que fora meu lar por tanto tempo. Ao olhar para aquela casa, percebi que ela já não me transmitia mais a sensação de conforto e segurança como outrora. Pelo contrário; tinha o pressentimento de que a partir de agora, seria uma intrusa dentro daquelas paredes.
Ao entrar ladeada por Richie, a primeira coisa que eu notei foi que a temperatura ambiente estava muito mais confortável do que o clima invernal que fazia lá fora. Aquele simples detalhe me fez lembrar de que eu não era a única detentora das chaves de entrada e que provavelmente o verdadeiro dono disso tudo estivera aqui mais cedo, preparando tudo para a nossa chegada. Esse pequeno gesto fez com que um sorriso aparecesse em meu rosto, pois isso era uma prova de que apesar de tudo, Edward ainda se preocupava conosco.
Durante esse tempo em que estávamos afastados, Edward não deixara em nenhum momento, chegando a ser irritante toda a sua preocupação exacerbada. Talvez ele agisse assim por remorso, ou quem sabe fosse mesmo zelo por nós dois. Mas independente disso, eu precisava admitir que gostava do fato de conseguirmos ter uma conversa mais civilizada após o pedido de separação. Se bem que talvez, isso não passasse de uma artimanha dele; como se agindo de maneira mais doce, eu fosse capaz de mudar de opinião quando chegasse a Chicago.
Contudo, meu orgulho e teimosia não iriam fazer com que eu mudasse de opinião. Sabia que apesar de todo amor que eu sentia por aquele homem, as palavras dele havia me machucado demais e tais feridas não estavam nem perto de serem cicatrizadas. Não podia sequer cogitar o tempo que levaria até poder perdoar tudo o que foi dito e me permitir outra vez confiar nele. Isso é, se ele tivesse minimamente disposto a aceitar por fim a nossa filha da maneira que ela viria a esse mundo.
- Mamãe, corre aqui! Vem ver só uma coisa! – A voz de Richie disse animadamente da sala de estar, interrompendo os meus pensamentos.
Da maneira mais rápida que eu pude – já que estava cada vez mais difícil me locomover com agilidade – fui de encontro a ele e fiquei surpreendida assim que cheguei ao local. Um pinheirinho precariamente decorado estava próximo à lareira, exalando o odor fresco de um arbusto recém-cortado. Sob ele, haviam dois presentes; uma embalagem maior, recoberta por um papel-presente de motivo infantil e outra um bem menor, decorada por um lindo laço dourado.
Antes mesmo que eu me aproximasse por completo, Richie estendeu um pequeno bilhete em minha direção, onde eu pude reconhecer instantaneamente a caligrafia bem desenhada de Edward.
"Para duas pessoas mais importantes de minha vida, uma pequena lembrança apenas para desejar um Feliz Natal atrasado"
Mal acabei de ler a mensagem e Richie já estava rasgando o embrulho com fervor, seu sorriso crescendo gradativamente a medida que se revelava um pouco mais de seu presente. Por fim, ele soltou um grito animado e eu quase tive uma síncope ao ver a máquina mortífera de quatro rodinhas, também conhecida como skate. A sorte é que Edward não estava ali presente, ou então eu teria lhe sufocado, por mais uma vez acabar fazendo mais um dos caprichos do Richie. Tudo o que eu menos precisava agora era que um garoto travesso como meu filho ousasse se aventurar em um brinquedo que considerava perigoso demais para sua pouca idade.
- Richie, nós ainda vamos debater se você irá mesmo poder andar nessa coisa. – disse em um tom de aviso, não deixando que ele criasse falsas esperanças de que sairia escorregando por aí com total liberdade.
Ele rolou os olhos impaciente e empurrou o pacote menor em minha direção – Tá bom, mamãe. Agora abre o seu, vai!
A contragosto, peguei das mãos dele a pequena caixa, que aparentemente não parecia caber nada além de um par de brincos. Enquanto desfazia o laço, já elaborava a forma mais delicada de dizer para ele que não aceitaria mais nada, principalmente de valor, que viesse dele. No entanto, ao retirar a pequena tampa do presente, não pude deixar de ficar intrigada ao ver apenas uma chave singela ali dentro.
- Porque o papai ia te dar só isso? – meu filho inquiriu mais para si mesmo, retirando o objeto de dentro da caixa e aproximando-o dos olhos, como se aquilo pudesse lhe ajudar a desvendar o mistério.
- Eu não faço a mínima ideia, Richie – respondi, antes de receber que havia outro papel dobrado no fundo do presente.
"Primeiro andar, segunda porta à direita" Isso era tudo o que dizia a mensagem escrita com a mesma letra de Edward, me deixando ainda mais intrigada do que já estava anteriormente
Senti Richie olhando por cima do meu ombro e logo depois, ele indagar – É pra gente ir lá em cima, né?
- Eu acho que sim... – balbuciei capengamente.
- Vai ver que ele tá lá pra fazer surpresa! – concluiu empolgado, já abrindo um sorriso gigante e puxando minha mão em direção às escadas. – Vamos logo, mamãe! Vem ver se o papai tá mesmo lá em cima!
Fiz exatamente aquilo que meu filho exigia, mesmo que a contragosto. Edward e eu havíamos nos falados um pouco antes de nós embarcamos e ele prometera que não estaria mais em casa assim que chegássemos. Nós havíamos combinado que teríamos a conversa com Richie logo depois do jantar e durante esse meio tempo até que a noite chegasse, eu usaria já para preparar nosso filho psicologicamente para o que viria a partir de agora. Se ele estivesse mesmo lá em cima – o que explicava a temperatura tão agradável dentro de casa – só complicaria ainda mais as coisas. Afinal se nosso filho o visse ali naquele momento, ele com toda certeza iria criar falsas expectativas que só iriam magoá-lo depois.
Não deixava de ser irônico; em menos de cinco minutos de volta àquela casa e eu já estava começando a ficar estressada outra vez.
Richie subiu as escadas com bastante pressa, apesar de ter lhe dito claramente para que não fizesse isto. Ofegante, ele olhou para os dois lados do corredor e logo em seguida, voltou a me encarar com o cenho franzido. Como ainda estava na metade dos degraus, apontei-lhe a direção a seguir e ele o fez prontamente. Ao chegar finalmente ao andar superior, percebei que meu filho me encarava já impaciente, com os braços cruzados e batendo o pé insistentemente contra o assoalho.
- Eu não sou tão rápida quanto você, mocinho. – retruquei na medida em que me aproximava da pesada porta de madeira, onde ficava um de nossos quartos de hóspedes. No primeiro momento, não notei nenhuma sombra por baixo da fresta entre o chão e a porta, porém isso não significava absolutamente nada, já que os quartos eram bem amplos e ele poderia muito bem estar em qualquer outra parte lá dentro.
- Vai logo, mãe. Abre logo isso aí! – Richard pediu, demonstrando toda a sua impaciência.
Encarei a chave entre meus dedos uma última vez antes de finalmente ter coragem suficiente para fechadura e destravá-la. Tomei uma respiração profunda, tentando acalmar meus nervos para girar vagarosamente a maçaneta para revelar o que me aguardava lá dentro. No entanto, de forma alguma eu esperava encontrar o cenário que meus olhos se depararam ao finalmente abrir a porta daquele quarto.
Tudo estava absolutamente transformado; invés da confortável cama king-size, da poltrona e da cômoda feita de carvalho, tudo havia sido adaptado para a chegada de um bebê. A cor verde das paredes, havia sido substituído por tons de amarelo claro e lavanda, tendo motivo de pequenos patinhos ao redor
Mais especificamente para a chegada de uma bebezinha. A parte inferior das paredes havia sido pintada em suave tom de lavanda enquanto a de cima agora era branca e bem na divisão entre as duas cores, havia um adesivo cheio de violetas coloridas finalizando a decoração. No meio do quarto estava montado um belíssimo berço branco, já todo forrado com lençóis lilases e rosas e tendo bem acima dele um móbile cheio de florezinhas em forma de pelúcia. Completando o cenário, havia uma cadeira de amamentação branca em um canto e do lado oposto, encontrava-se o guarda-roupa e o trocador na mesma cor do berço.
Sem acreditar, dei um passo adentro ao mesmo tempo em que escutava o suspiro de admiração do Richie. Ao me aproximar do centro do quarto, percebi que no ar ainda havia resquícios do odor da tinta que fora usada na nova decoração. Toquei nas pequenas flores sorridentes de pelúcia e constatei a maciez e delicadeza de cada pequeno detalhe ali dentro. Fui até o armário e quando abri as portas, notei quase todas as peças de vestuário que havia comprado para Grace já estavam organizadas ali dentro, assim como no trocador, notei a presença de vários artigos como escova, pente, fraldas, perfume e sabonete... Tudo o que se devia ter quando se esperava uma nova criança dentro de casa.
Tudo absolutamente perfeito. E eu odiei cada milímetro dele.
Será que Edward acreditava que aquilo poderia me trazer de volta para os seus braços? Que por mais encantador que tudo estivesse, ele achava que eu era estúpida demais para não perceber quais eram suas verdadeiras intenções ao fazer aquilo tudo?
Eu sabia que ele tinha feito tudo isso para mim e não para a Grace. Durante nossas últimas conversas telefônicas, eu continuava percebendo a indiferença dele em relação a nossa filha, sempre comentando que seria capaz de aceitá-la se não desistisse de nosso casamento. Ele estava arrependido apenas pela forma como havia me tratado nos últimos meses, o que era algo incompleto. Como eu poderia aceitar de volta um homem que considerava o bebê que estava se gerando em meu ventre como um animalzinho doente que eu insistia em mantê-lo comigo. Acho que Edward nunca perceberia que Grace era também um ser humano, e mesmo que não tivesse nem sequer nascido ainda, sabia que ela seria milhões de vezes menos preconceituosa do que ele.
- Mamãe – Richie sibilou, cruzando as sobrancelhas em confusão – Você não gostou do quarto da Grace?
- Mais ou menos. – Foi tudo o que conseguir dizer enquanto pegava na sua mão e caminhávamos para fora dali.
- Já sei. Você queria mais rosinha, né? E cheio dessas coisinhas bobocas de princesa que as meninas gostam, né?
Eu ri alto por conta desse comentário dele, de repente me sentindo muito mais leve desde que chegara àquela casa. – Acho que sim, filhote.
Ele rolou os olhos, parecendo muito mais velho – Sabia que era isso. – disse, a medida que íamos em direção ao seu quarto. – A gente pode fazer um acordo, mamãe.
- E que acordo seria esse? – perguntei, erguendo uma sobrancelha em sua direção.
- Promete que vai deixar eu andar de skate que aí eu te ajudo a pintar o quarto da minha irmãzinha todo cor de rosa!
Balancei negativamente a cabeça. – Nem pensar, mocinho. Você ainda não tem idade o suficiente para sair por aí em cima de um troço como aquele.
Ele cruzou os braços sobre o peito; seu primeiro sinal para uma birra daquelas – Mas o papai me deu ele de presente!
- Sem o meu consentimento, Richie. – completei, arrastando-o até seu armário para que trocasse de roupa. - E ele e eu teremos uma conversinha sobre isso também.
No mesmo instante, o semblante de meu filho ficou triste – Vocês vão brigar de novo, né?
Apesar de sua suposição ter quase 100% de chance estar correta, não quis magoar ainda mais aquele menino, uma vez que ele passaria por algo bem pior assim que anoitecesse e Edward chegasse em casa para lhe falarmos sobre o divórcio. – Não, Richie. Dessa vez a mamãe promete que vai apenas falar com seu pai. Nada de brigas, está bem?
- Promete mesmo? – ele pediu ainda com incerteza em sua voz.
- Palavra de escoteiro – afirmei, fazendo o tão comum gesto da promessa. – Agora vamos; troque logo de roupa e vamos descer porque eu tenho várias coisas para fazer e eu preciso do meu ajudante número um para isso.
Ele fez uma careta mas não se opôs ao meu pedido, algo pelo que agradeci mentalmente. Eu esperava deixá-lo o mais relaxado possível, pois sabia que mais tarde o pequeno coração daquele garoto seria esmagado quando soubesse que seus pais já não iriam mais morar sob o mesmo teto. Isso seria algo que o machucaria por demais e eu me sentia péssima por não ser capaz de oferecer ao meu filho àquilo que tive a graça de ter desde sempre; pais unidos que apesar de tudo, permaneciam juntos em todas as situações.
[...]
O dia transcorreu bem mais rápido do que imaginei. Entre reorganizar as bagagens, ligar para meus pais dizendo que chegamos bem e não deixar que Richie saísse correndo sobre aquelas malditas quatro rodas por dentro de casa, a tarde para mim pareceu mais um borrão. O dia já estava escurecendo e tinha a impressão de que não tinha feito metade das coisas que deveria, desde que cheguei em Chicago.
Talvez, parte do meu atraso se devesse a pequena crise de choro que tive em meu quarto, quando comecei a colocar nos cabides as peças de roupas limpas que eu trouxera comigo de Forks. Ao abrir o closet e ver o lado do armário de Edward quase sem peça alguma, fui tomada por uma sensação de vazio que não esperava. Era como se a ausência de suas coisas ao lado das minhas me desse a certeza que já não éramos mais um casal. Ao invés de sentir alívio como imaginava, na verdade fui compelida por uma sensação de que nada disso fosse a coisa certa. Enquanto chorava, constatei que em momento algum eu deixei de amar Edward, apesar de tudo o que eu tinha sofrido.
Porém, eu tinha que manter em mente que existiam outras prioridades a partir de agora. Por mais profundo que fosse o sentimento que ainda existia dentro de mim por aquele homem, não podia negar que precisava pensar nos meus filhos e até mesmo em mim mesma. Precisava aprender a andar com meus próprios pés outra vez para que não fosse mais tão dependente de ninguém. A partir de agora tinha que me esforçar para que eu pudesse oferecer à Richard e Grace tudo aquilo que ambos mereciam, vindo através do meu próprio esforço.
Foi pensando nisso que consegui conter o choro e logo em seguida entrei em contanto com Rosalie para me informar sobre a entrevista na editora que eu teria amanhã bem cedo. Na verdade, o termo "entrevista" não era tão apropriado assim, uma vez que segunda ela, eu iria mesmo era fazer um teste, para saber se era apta mesmo a decifrar todos os garranchos do famoso autor, ver se eram tão indecifráveis assim como todos diziam. Lógico que estava apreensiva com a possibilidade de não entender absolutamente nada do que estava escrito, entretanto, se eu era capaz de lidar com a terrível caligrafia em construção do meu filho, acho que talvez eu possa me sair bem neste teste.
Às seis e meia, enquanto eu estava terminando de colocar o lombo dentro do forno, escutei o alerta de mensagem do meu telefone. Lavei as mãos e peguei o aparelho, e vi a mensagem de Edward, informando que tinha acabado de sair do escritório e já estava vindo para cá.
Tomei uma respiração profunda para tentar controlar meu coração que insistiu em martelar forte em meu peito. A hora "h" estava se aproximando e eu não fazia ideia de como lidar com aquilo. Mesmo que no dia anterior, nós dois tenhamos bolado pelo telefone um plano para dizer ao Richie sem que o mesmo não se sentisse tão triste e até mesmo culpado por nosso divórcio, nada podia me preparar para o peso daquele momento.
Marquei o temporizador e fui até Richie em seu quarto e notei que ele já estava terminando de se vestir. Fiquei da soleira da porta observando-o amarrar o cadarço de seu tênis e não pude deixar de ficar um pouquinho saudosa da época em que ele completamente dependente de mim. Era apenas uma coisa boba de mãe, porque na verdade, eu me sentia muito orgulhosa de ele agir dessa forma.
Só pude torcer que durante a conversa depois do jantar, ele pudesse se mostrar tão maduro ao ponto de aceitar que o melhor para a vida de todos agora, fosse a separação.
- Então, mocinho, deixou o banheiro arrumado? – perguntei enquanto ia até ele e tentava colocar um pouquinho de ordem em seu cabelo sempre revolto.
Ele assentiu e soltou outra pergunta de volta – Papai já tá vindo?
- Sim, filhote. Ele acabou de mandar uma mensagem dizendo que já saiu do escritório.
Richie abriu um sorriso em resposta. – Legal! A gente pode fingir que tava no cinema vendo uns filmes mais tarde, né?
Forcei um sorriso antes de responder – Amanhã você precisa ir pra escola, lembra? – ele fez um bico que eu simplesmente ignorei. – Por falar nisso, você já arrumou sua mochila?
- Eu faço isso mais tarde, mamãe – retrucou, tentando escapar do quarto.
- E porque você não faz isso agora, huh? – sibilei de volta ganhando a versão mirim de um olhar mortal de desgosto. – Faça isso enquanto arrumo a mesa. E lembre-se que eu irei me certificar se você me obedeceu ou não mais tarde, ok?
Ele bufou, mas foi justamente na direção em que seus livros do colégio ficavam na pequena estante que havia ali no quarto. Sorri internamente, sabendo que aquela pequena batalha eu havia vencido sem mais delongas, afinal, ser mãe de um garoto como Richie podia ser um tanto que extenuante já que ele, apesar de ainda ser pequeno, sabia todas as maneiras de argumentar contra alguém.
Voltei até o andar inferior e comecei a por a mesa como de costume e terminei os últimos detalhes para a refeição noturna. Assim que o alarme da cozinha disparou, escutei também a chegada do carro na garagem, o que provocou uma súbita onda de náuseas em mim. Apoie-me no balcão de mármore com as mãos espalmadas, fechando os olhos com força e tentando controlar minha respiração que saia em arfadas pesadas. Não sabia se havia algo errado com meu organismo ou se essa repentina onda de mal-estar era devido ao nervosismo que me acometia naquele momento.
- Você está bem? – A voz de veludo dele me perguntou, enquanto colocava uma das mãos sobre o meu ombro. Um arrepio se formou por todo meu corpo com seu toque e meu corpo inteiro se retesou devido a isto.
- Sim – consegui finalmente balbuciar e me desvencilhar dele. – Acho que é só o cansaço da viagem, eu acho.
- Tem certeza? – ele insistiu e mesmo de costa percebi ele tentado se reaproximar – Você me parece um pouco pálida e-
- Eu já estou bem, Edward – grunhi entredentes, finalmente me voltando para encará-lo pela primeira vez naquele ano. Apesar de não ser mais uma surpresa vê-lo com um ar tão exausto, não pude deixar de ficar chocada ao perceber o quão devastado ele parecia ultimamente.
- Desculpe. – Ele sibilou, seus ombros caindo a medida que ele falava – Acho que ainda não me acostumei a não poder tocar em você.
Não consegui encontrar palavras em minha mente para poder replicar o que ele dissera; nossos olhares ficaram presos um no outro e o ar pareceu ficar ausente em meus pulmões. Sabia todos os motivos para me sentir daquela forma na frente dele, no entanto, precisava manter em mente que além do amor que sentia por Edward, haviam motivos mais importantes que diziam que eu deveria ficar longe dele. Não acreditava em sua súbita mudança e tampouco tinha fé que tudo mudaria completamente tão rápido assim.
Nós traçamos um caminho que não tinha mais volta em nosso relacionamento. Apesar de ainda existir sentimentos, sabia que apenas um milagre poderia fazer com que nós ficássemos juntos outra vez.
- Papai! – Richie bradou animando, cortando finalmente a tensão evidente que existia ali. Ele se jogou no colo de Edward que instantaneamente retribuiu o gesto de afeto, apertando nosso filho com fervor em seus braços.
- Porra, eu estava morrendo de saudades de você, campeão! – ele murmurou, enterrando o rosto no cabelo de Richie.
Nosso filho soltou uma risada – Você falou palavrão! Tem que me dar cinco dólares por causa disso, agora.
Edward riu, colocando Richie de volta no chão e esfregando seu cabelo – Não se preocupe, carinha. Eu irei pagar minha dívida com você.
Senti o nó preso em minha garganta e precisei pigarrear antes de falar outra vez, –Bem, vamos comer? Eu já estou morrendo de fome...
- Ué? O papai não vai tomar banho primeiro? – Richie peguntou, olhando entre nós dois.
Edward riu, no entanto foi algo mais forçado – Você acha que eu estou tão sujo assim?
Em resposta, Richie corou e balançou a cabeça negativamente. – Eu a-acho que não...
– E sem contar que um verdadeiro cavalheiro nunca deve negar o pedido de uma dama – Edward completou, fazendo questão de olhar para mim com um de seus sorrisos tortos em sua face.
Apesar de meu coração dizer ao contrário – palpitando freneticamente em meu peito – me mantive o mais centrada possível, sem demonstrar qualquer reação as palavras recheadas de charme que ele me lançava.- Bem, então vamos comer.
Fomos até a sala de jantar e cada um de nós sentou no seu lugar de costume, como se não houvesse nada de errado ali. Edward e Richie dominaram a maioria da conversa, falando principalmente sobre o tempo que eles estavam separados, onde nosso filho o encheu de detalhes todos os acontecimentos que passamos nos últimos dias, incluindo a visita ao centro de crianças com Down em Port Angeles.
Quando Richie entrou nesse assunto, eu tive a estúpida reação de me engasgar, parecendo mais até uma daquelas cenas de filme, onde o suspeito sempre reagia dessa forma, quando era pego em flagrante. Embora aquele momento não houvesse nada de irreal; pois eu tinha plena consciência de que tudo o que eu vivi também acontecia ao redor do mundo todo. Às vezes, bem mais perto do que se podia imaginar.
- ... e aí, eu ajudei uma menininha a arrumar a árvore de Natal lá da escolinha dela. E por causa disso ela me deu um beijo na bochecha. – Richie balbuciou, enquanto tomava um gole do chá gelado – Foi meio esquisito por que eu acho as meninas nojentas, mas eu deixei porque eu não queria ser chato com ela, sabe?
Edward sorriu, mas percebi que não foi algo espontâneo; ele estava visivelmente tenso com aquela notícia, apesar de que não houvesse mais nada que ele pudesse fazer. Definitivamente, ter ido com Richie até a Nothing Can Get You Down foi a melhor coisa que eu fiz desse meio tempo de volta a minha cidade natal. A ida até lá valera muito mais do que horas lendo livros ou buscando informações na internet. Nunca aprendi tanto em tão pouco tempo, e ter proporcionado ao Richie essa experiência foi muito bom também.
- Você devia tá lá pra ver, pai! Eles só têm o rosto meio engraçado, mas são iguaizinhos a gente.
Edward limpou o canto da boca com o guardanapo, antes de olhar de volta para nosso filho e depois afirmar – Eu não sei se eles são totalmente iguais, carinha...
- E porque você acha isso, Edward? – argumentei, já me preparando para atacá-lo, caso ele viesse encher nossas mentes com seus preconceitos absurdos. – Em que exatamente você acha que a Grace será diferente do irmão mais velho dela? – Não ter o amor do pai dela?, tive vontade de acrescentar, porém milagrosamente consegui controlar minha língua.
Edward lançou um olhar magoado, no entanto respondeu o mais calmo possível – Você não pode negar que... Grace terá mais dificuldades em certos aspectos da vida dela.
- Sim, mas o fato de ela ter tais "problemas", - comentei fazendo aspas no ar – não significa que ela será diferente de ninguém. Não é verdade, Richie.
Para o meu orgulho, Richie assentiu veemente – Mamãe explicou que às vezes a gente vai ter que ter um pouquinho mais de paciência com ela. Que não sabe se ela vai poder ler, escrever e até mesmo andar. Mas, se a gente ficar ajudando ela, a Grace vai conseguir aprender algum dia.
Não pude resisti do orgulho que se encheu em meu peito por aquele menino. - É bem isso, docinho. – murmurei, deixando um beijo em sua testa.
- Agora a gente já pode comer a sobremesa? – ele inquiriu, me fitando com olhos esperançosos.
Assenti e pelo canto do olho notei Edward cabisbaixo, cutucando um pedaço perdido a carne em seu prato. Eu não fazia ideia do que se passava em sua cabeça depois de ter visto a forma semelhante que Richie e eu pensávamos. Talvez ele achasse que de alguma forma, eu tinha conseguido fazer uma lavagem cerebral em nosso filho ou quem sabe talvez, uma parte dele começasse a ver senso naquilo que eu acreditava. Mas se fosse ver todo o histórico, sabia que se seguisse por essa linha de pensamentos, eu provavelmente poderia acabar me decepcionando mais uma vez.
Fui até a cozinha e peguei na geladeira a mousse de chocolate que Richie tanto amava e quando voltei para a sala de jantar, pai e filho já haviam engatado uma nova conversa sobre os treinos de baseball que deveriam retornar a ativa na próxima primavera. Servi o doce para eles, mas me abstive pois depois do que ocorra na véspera do Natal, tomei consciência que não deveria ser tão descuidada com minha alimentação. Afinal, pressão arterial alta e excesso de peso não era uma combinação das melhores em uma gravidez.
Quando eles acabaram, senti meu estômago se revirando tamanho o nervosismo. A hora "da conversa" estava se aproximando e eu me sentia ainda mais insegura sobre o que eu iria contar para o Richie. Eu temia machuca-lo mais do que já havia feito, porém não existia uma forma indolor de fazer isso. Por isso, enquanto começava a organizar os pratos sujos e levar de volta para a cozinha, tentei me preparar mentalmente para tudo o que estava prestes a acontecer nos próximos minutos.
Quando arrumava a primeira leva de pratos para o lava-louças, escutei os passos pesados do mocassim de Edward sobre o ladrilho. Virei o rosto na direção dele e o vi trazendo o restante dos pratos sujos da mesa, deixando-os ao meu lado da pia.
- Obrigada – murmurei fracamente, me concentrando em não derrubar nada, já que minhas mãos tremiam.
- Quer ajuda?
Balancei a cabeça negativamente. – Só vou colocar tudo aqui dentro e estarei livre. Onde está o Richie?
- Foi até o quarto pegar o stake que eu lhe dei. – comentou, trocando o peso dos pés – Parece que ele não gostou muito da restrição que você colocou para ele.
- É, porque se eu me lembro bem, eu não tinha concordado em dar aquela máquina de quebrar ossos para ele. Você tem noção do quanto isso é perigoso para um garoto na idade dele?
Ele riu levemente e balançou a cabeça – Isso vai ajudar na coordenação motora dele, Bella. Sem contar que ele não herdou os seus dois pés esquerdos.
Ignorei sua piada sem graça e rebati enquanto fechava a máquina. – E você não acha que deveria ter me consultado primeiro?
Ele suspirou profundamente - Tudo bem, eu errei e peço desculpas por isso. Eu vou confiscar o presente até que você considere que ele já tem idade suficiente.
Bufei contrariada – E com isso fazer com que ele me odeie. Obrigada por mais essa!
Ele balançou a cabeça – Não foi essa minha intenção, Bella. Eu juro.
- Esse é seu grande problema. Você sempre acha que pode resolver tudo gastando algumas centenas de dólares conosco.
Edward respirou profundamente antes de sibilar – Pelo visto não foi apenas com o Richie que eu errei na escolha do presente.
- Nem queira discutir isso comigo, porque a última coisa que desejo é falar sobre isso agora, quando estamos a instantes de dizer ao Richie sobre o nosso divórcio. – afirmei, erguendo o queixo de forma desafiadora.
- Tudo bem, podemos conversar sobre isso depois. – murmurou, para depois inquirir de forma insegura. – Mas pelo menos você gostou da decoração?
- Nem um pouco. – Disparei atrevida e diante a sua cara de choque, não pude deixar de sorrir internamente – Roxo significa luto e isso é a última coisa que sinto em relação a minha filha.
Ele sorriu, mas não havia nenhum resquício de humor em sua voz - Ok, Bella, eu acho que já entendi o qual é a sua intenção dizendo tudo isso.
- Ah, sabe? – perguntei ao cruzar os braços sobre o peito.
- Você está tentando se vingar de todas as merdas que eu fiz, renegando qualquer coisa que eu faça com a melhor das intenções.
Eu fiquei boquiaberta que mal pude balbuciar, – C-como é?
- Não negue que você esteja adorando me ver humilhado desse jeito. – ele sibilou com certa amargura em sua voz – Eu vejo isso em seus olhos a todo instante desde que cheguei aqui. Você está me evitando, fazendo questão de me olhar cheia de presunção quando o Richie menciona qualquer coisa sobre o novo bebê. Nem sequer se importa se eu me arrependo ou não dos meus erros, apenas está se vangloriando pelo fato de que eu me sinto o pior dos homens, desde que deixei você sozinha nessa.
A certeza com que Edward dizia essas palavras enquanto me encarava profundamente, me deixou completamente paralisada. Talvez por que de fato, ele tinha certa razão no que dizia, uma vez que eu não podia negar que estava meio que gostando de ele estar se sentindo péssimo, assim como eu me sentira uma vez.
Tudo bem que ele havia feito duas coisas sem o meu conscientimento, porém eu julguei quais suas intenções sem nem mesmo me aprofundar no assunto. De repente, eu me senti como uma vilã naquela história, e aquilo não me dava satisfação alguma, como muitos poderiam imaginar.
Observei Edward passando a mão entre os fios de cabelo, puxando com força as mechas que ficavam em sua nuca – Nunca pensei que você fosse do tipo vingativa, Bella. E sinceramente não sei se posso suportar essa sua nova faceta.
Mas mesmo que eu estivesse me sentindo péssima, não conseguir deixar de dizer – Se eu estou agindo dessa maneira, é consequência do que você fez comigo.
- Eu sei. E talvez seja por isso que o melhor a se fazer mesmo seja a nossa separação. - Edward comentou soltando um suspiro pesado. – Você diz que não me conhece mais e bem... depois do que eu passei essa noite, devo dizer que eu também não mais lhe reconheço..A Bella com quem eu me casei não tinha o esse espírito de Edmond Dantès* – completou, citando o personagem mais vingativo de toda Literatura.
O silêncio pesou como uma bigorna na cozinha por um tempo indeterminado e só foi interrompido quando Richard nos chamou lá da sala de estar. Sem dizer mais nada, Edward seguiu em direção ao nosso filho enquanto eu ainda sentia o ardor de sua última frase em minha mente. Por um lado, eu queria dizer que ele estava errado, que ele era o único culpado por nossa separação, mas eu tinha plena consciência de que também tinha minha parcela de culpa nisso tudo.
Talvez, se eu tivesse sido mais insistente em relação a intolerância dele em relação a nossa filha. Invés de ter sido a passiva que escutava todas as palavras duras dirigidas a nós duas sem mal saber revidar, eu fosse alguém que tentasse abrir os olhos de Edward, mostrando-lhe que ter um bebê especial não era o fim do mundo.
Mas agora já não adiantava mais pensar em todas as possibilidades do que poderia ter ocorrido se não fossemos tão orgulhosos. A verdade é que nós nos desligamos quando necessitávamos estar mais perto um do outro, se apegando a convicção que apenas um de nós era o verdadeiro dono da razão.
Escutei a risada alta de Richie e um calafrio subiu por minha espinha. Em poucos minutos, eu seria a responsável por arrancar aquela alegria do meu garoto, sem saber quando é que eu a teria de volta. E foi por medo de qual seria a consequência do meu próprio organismo com aquele diálogo que resolvi tomar um dos calmantes receitados pela dra. Shelton. Tomei uma respiração profunda e finalmente decidir ir até a sala, onde encontrei meu filho mostrando para o pai, o skate que tinha ganhado.
- Você tem que prometer que só vai brincar com ele apenas quando eu ou sua mãe estivermos por perto - Edward disse, tirando a prancha a das mãos de Richard e colocando no canto da sala. – E precisaremos comprar um capacete e cotoveleiras antes de você começar a andar por aí.
- Tá, tá... – ele retrucou, me encarando com o canto do olho, sabendo que eu havia sido a culpada pelo corte de sua diversão como de fato eu era, – Mas você vai comprar esses trecos pra mim, né?
Antes que Edward pudesse dizer qualquer coisa, eu comecei. – Sim, ele vai. – os dois me olharam surpreendidos, no entanto revolvi ignorar aquilo e ir me sentar no sofá perto deles. – Mas mesmo assim, você só poderá andar de skate quando houver algum adulto por perto, entendeu?
Ele estalou a língua, como se desaprovasse o que eu havia feito, mas para nossa sorte, não comentou mais nada sobre isso, dando um ponto final naquela discussão. Logo o silêncio pairou sobre a sala e eu tentei da melhor forma possível iniciar o assunto e percebi que não tinha a mínima ideia de como fazê-lo. Olhei de relance para Edward, suplicando-lhe através do olhar que ele soubesse melhor do que eu, no entanto, tudo o que ele fez em resposta foi franzir o cenho, como se não entendesse a minha dificuldade naquela situação.
- O que é que vocês tão fazendo? - Richard perguntou com ar preocupado, variando seu olhar entre nós dois.
- Na verdade, Richie, nós queremos conversar com você. - Edward falou, batendo ao seu lado no sofá para que ele se aproximasse.
- Eu fiz besteira? – ele perguntou, indo com cautela até o lugar que o pai tinha sugerido, – Se é por conta da mochila, eu juro que eu ainda vou arrumar, mamãe!
Eu ri suavemente e me aconcheguei perto dele, tomando a sua mãozinha. – Não é nada disso, filhote. Mas seu pai e eu precisamos conversar algo sério com você.
Daí em diante, Edward tomou as rédeas da situação, explicando da melhor forma possível para uma criança da idade dele que nós estávamos nos separando. Lógico que nosso filho começou a chorar baixinho desde que a palavra divórcio foi pronunciada naquela noite, contudo apesar de toda dor explícita em seus olhos, Richie recebeu a novidade com muito mais maturidade do que nós dois esperávamos. Talvez, porque em momento algum durante aquele diálogo nós deixamos de afirmar que nunca deixaríamos de amá-lo, mesmo que estivéssemos vivendo em locais diferentes. Que ele seria para todo sempre nosso filho e não seria uma separação que faria com que ele deixasse de ser nossa prioridade em todos os sentidos.
Foram longos minutos debatendo como seriam as mudanças daqui para a frente, embora fosse doloroso vê-lo fungando em meu ombro enquanto Edward acariciava seus cabelos, tentando consolá-lo não pude deixar de me sentir aliviada por ele conseguir reagir sem nenhuma birra ou escândalo, como eu estava temendo. Isso provava que meu Richie estava amadurecendo e reconhecendo que talvez essa decisão tomada por nós dois acabasse sendo o melhor para todos nós.
Estava ficando tarde e como no dia seguinte ele tinha a volta para a escola logo cedo, sugeri-lo docemente que fosse dormir. Entretanto, agora que já sabia que o tempo com seu pai estava mais limitado, ele fez questão que Edward lhe colocasse na cama, como há muito tempo já não fazia. Ele fez questão de prontamente atender o pedido do filho, levando-o até o andar superior enquanto me mantive sentada no mesmo lugar, refletindo os últimos minutos.
Ao contarmos para o Richard sobre a separação, parecia que havia se desencadeado o primeiro grande passo para o início de minha vida sem Edward. E, por mais absurdo que isso fosse contraditório, eu me sentia bastante insegura em relação ao que fazer de agora em diante. Por mais complicado que se fosse - e que nunca eu fosse confessar isto para ele - eu me sentia como se parte de mim não estivesse completa sem ele. Acho que levaria muito tempo para me desapegar dessa imagem, afinal foram anos vivendo ao lado dele.
Se bem nem tão cedo eu deixaria de significar um fardo para Edward. Afinal, mesmo que eu conseguisse esse emprego, até quando ele duraria? Eu ainda moro sob o teto que era dele, necessitaria de sua ajuda financeira - por mais difícil que fosse aceitar isso - e gerava uma filha que era indesejada por ele.
O som de passos descendo a escada principal chamou de volta a minha atenção. Levantei-me do meu lugar e fui ao seu encontro, lhe perguntando em voz baixa. – Como foi?
Ele suspirou profundamente antes de responder – Ele chorou mais um pouco, mas creio que tinha mais a ver com o sono do que qualquer outra coisa. Quando eu saí do quarto, ele já estava dormindo.
Meneei a cabeça minimamente, enquanto mordia o lábio inferior. – Você acha que ele entendeu nossa decisão?
- Eu não sei, Bella. – Ele murmurou, olhando para o teto. – Tanto eu quanto você não tivemos o azar de vivermos com pais separados, por isso eu nem imagino o que ele está realmente sentindo. – aproveitando que eu não tinha comentado nada, ele continuou. – Ele está com medo de que eu possa abandoná-lo. Por isso eu lhe disse que estaria aqui na próxima quarta-feira; espero que não se importe.
– Não, tudo bem. Sem problemas – retruquei fitando o chão. – Obrigada.
– Eu tenho que ir. – ele disse, começando a caminhar devagar até cozinha enquanto eu acompanhava seus passos.– Se precisar de qualquer coisa, não hesite em me ligar. Eu estarei com o telefone ao meu lado o tempo todo.
Assenti brevemente e me permiti ser ousada e lhe perguntar. – Onde você vai ficar?
– Estou em um hotel a três quadras do escritório. – respondeu ao parar na porta da cozinha que dava acesso a garagem – Bem, eles não cozinham tão bem quanto você, mas dá para sobreviver.
Foi estranho porque apesar de sentir meus olhos se encherem de lágrimas, pude sentir o calor em minhas bochechas. Ele sorriu de canto e espalmou um lado de minha face, enquanto nos olhávamos por um momento que pareceu ser imensurável. Eu podia ver claramente a tristeza em seus olhos verdes, me fitando de maneira tão intensa que era como se ele pudesse ver minha alma.
– Eu preciso ir. – ele retrucou, quebrando o nosso contato ao buscar as chaves de seu carro no bolso. – Por favor, não esqueça ligar o alarme quando subir, ok?
– Ok. – foi tudo o que consegui sibilar pateticamente por conta do nó que havia em minha garganta. Precisei pigarrear algumas vezes para poder ser capaz de falar outra vez – Diriga com cuidado. Pode haver gelo na estrada até o centro.
Ele me lançou um curto sorriso como resposta e entrou no carro, dando partida imediatamente no veículo. A medida que ele fazia a ré para sair da garagem, senti meu coração diminuindo em meu peito de tal forma que ficou difícil para mim simplesmente o ato de respirar. Porém, somente depois que as portas automáticas da garagem se fecharam por completo, foi que me permitir soltar o primeiro soluço.
Por aquele breve momento, eu me permitir ser quem eu ainda era; uma mulher completamente apaixonada pelo marido, que não estava suportando a ideia de o ter afastado de sua vida. Não podia negar que ainda o amava demais e teria que aprender a viver com isso. Pois, por mais que existissem milhares de formar de amor diferentes, não havia nada maior e mais forte do que aquilo que eu sentia por ambos os meus filhos.
[...]
Minha manhã seguinte estava sendo péssima.
Não havia pregado os olhos durante toda a noite e ainda tive que lidar com Richie choramingando e um tanto que febril no meio da madrugada. Tinha plena certeza de que essa reação dele era muito mais emocional do que qualquer outra coisa, porém eu não podia simplesmente ignorar a temperatura de 38 C° que ele apresentava. Foram longas horas insones, as quais eu passei da forma mais estressante possível.
Depois de um descanso de apenas três horas, acordei com um salto ao notar a hora em meu despertador. Eu tinha apenas uma hora até o teste e não tinha mais tempo para levar Richard até a escola - isso, se ele pudesse ir até o colégio, uma vez que sua temperatura não havia diminuído muito. Tentei ligar para Rosalie, porém ela nada podia fazer para me auxiliar, uma vez que também precisava estar na editora naquela manhã. O telefone de Edward estava fora de cobertura e segundo Lauren, ele não havia dado sinais de vida no escritório ainda.
Então, antes que eu entrasse em desespero – algo que estava muito próximo para que acontecesse. – resolvi ser um tanto irresponsável e levar a tiracolo comigo o meu filho, mesmo que levemente adoentado. Provavelmente eu passaria uma ótima primeira impressão, no entanto, eu desejava mais do que tudo aquela oportunidade e não deixaria de forma alguma a oportunidade escapar de minhas mãos.
Mesmo chegando um pouquinho atrasada, fui muito bem recebida e preenchi alguns formulários acerca de mim mesma. Antes mesmo que eu começasse a preencher os primeiros papéis, Rose apareceu na recepção, para o meu completo alívio. Nós nos abraçamos rapidamente, porém por mais breve que fosse o gesto, já me sentia mais confortada por ele.
– Você quer conhecer a minha sala, Richie? – ela inquiriu, observando com cuidado o meu garoto retraído. – Lá tem um sofá bem confortável. Você pode descansar um pouquinho enquanto a mamãe responde essa papelada toda.
– Posso mesmo? – ele inquiriu, me observando através de seus olhos cansados.
Assenti, deixando um beijo rápido no topo de sua testa. – Pode ir sim, docinho. E obedeça a tia Rosalie, ok?
Os dois partiram na direção oposta onde eu estava, e finalmente eu pude me concentrar nos papéis à minha frente. Não eram nada demais, apenas algumas perguntas simples para saber se estava mesmo apta para o trabalho. Logo em seguida, fui levada para uma sala a parte, onde me foi entregue o manuscrito original de Mark J. Morgan, descrevendo um pequeno trecho de seu próximo livro. De fato, a letra dele era tão medonha quanto Rosalie tinha afirmado, porém não foi o fim do mundo; lógico que algumas vezes me confundi em uma palavra ou outra, mas bastava analisar todo o contexto que eu já conseguia decifrar corretamente qual seria a palavra descrita ali.
Quinze minutos depois, eu entreguei um arquivo com tudo o que havia descrito naquele que seria o primeiro parágrafo do provável novo best-seller. A senhora que estava cuidando da seleção prometeu que me ligaria ainda naquela tarde para me contar o resultado da seleção e eu concordei brevemente, já ansiosa para saber notícias sobre Richie. Perguntei onde ficava a sala da sra Cullen e ela gentilmente me informou, e prontamente disparei na direção que me foi indicada.
Ao abrir a porta percebi um pequeno sorriso nos lábios de Richie e aquilo me inundou de esperanças de que meu filho não tinha nada mais grave. Ao me aproximar, ambos sorriram para mim e eu retribui o gesto ternamente. Pousei a mão na testa e no pescoço dele e percebi que ele ainda estava um pouquinho quente e devido a isso, não devia mais demorar muito tempo por aqui.
– Obrigada por tudo, Rose. – disse, antes de deixar um beijo em sua bochecha.
– Não me agradeça. Afinal, você ainda precisa passar pelo teste, se bem que eu tenho certeza de que você se saiu muito bem.
Despedimos-nos e sem mais delongas partir de volta para casa, onde prepararia um banho quente para meu filho e lhe daria uma pequena dose de remédio para aquela febre. Eu não estava gostando nem um pouco disto, por isso queria estar precavida se ele piorasse de repente.
Sem contar que eu também estava ficando preocupada com o sumiço repentino de Edward. Ele ainda não havia retornado nenhuma de minhas chamadas até então e isso não era nada típico dele. Mesmo que ele estivesse preso em alguma reunião, como não era o caso, tinha certeza de que ele me ligaria antes de fazer qualquer coisa ao longo do dia. Era uma sensação horrível e por mais que não quisesse pensar nos piores cenários, minha mente insistia em cria-los, apenas para me atormentar.
Chegando em casa, fiz exatamente aquilo que pensei. Preparei uma dose de Tylenol e um banho quente para ele e logo em seguida o levei para o meu quarto para assistirmos um pouco de TV. Em menos de cinco minutos vendo algum desenho japonês bobo, Richie já estava apagado para o mundo, tendo seu corpinho aconchegado ao meu. Tentei seguir seu exemplo mas estava sendo impossível para mim conseguir desligar de tudo. Mesmo que estivesse me sentindo esgotada e fechasse os olhos para tentar dormir um pouco, não conseguia de forma alguma ser levada pelo sono.
Por isso, permaneci naquela mesma posição, tentando me distrair com algumas coisas bobas que passavam aleatoriamente nos canais, mas nada conseguia prender minha atenção por mais do que alguns minutos. Cheguei ao ponto de zapear todos os canais, sem ao menos me ater ao que de fato se passava ali. Por fim, decidi desligá-la e aproveitar um pouco do silêncio para continuar a ler alguns dos livros que tinha comprado recentemente.
No entanto, quando eu estava começando a me envolver com a leitura, o som da campainha chamou minha atenção. Retirei a cabeça de Richard do meu colo e me levantei com certo esforço, como acontecia geralmente. Imaginei que pudesse ser Edward, querendo se certificar se estava tudo bem, já que eu tinha passado boa parte da manhã tentando me comunicar com ele.
Mas de forma alguma, dentre todas as pessoas, nunca pensei que veria Lauren Marolly parada na minha varanda. Vestida em um de seus tailleurs escuros e impecáveis, ela me averiguou friamente enquanto meu coração disparava em um frenesi em meu peito.
- Aconteceu a-alguma coisa? - eu inquiri com a voz trêmula, sendo tomada por um pavor irracional com a presença daquela mulher em frente a minha casa.
- Acho melhor que eu entre, sra Masen. - disse, usando sua maneira ridícula de ser uma profissional perfeita em qualquer situação. - O que eu tenho a lhe dizer é muito importante e envolve totalmente não só o seu futuro, mas também o do seu marido.
* Edmond Dantè – Personagem literário de O Conde de Monte Cristo, escrito por Alexandre Dumas em 1844. De longe, um dos meus livros favoritos!
Deixa eu ir logo avisando... NÃO ME MATEM!
Agora quero todas vocês especulando sobre o que diabos aconteceu com o Edward e o que danado a Lauren tá fazendo na casa deles. Todo e qualquer comentário sobre isso é mais do que bem vindo!
Dúvidas, sugestões, reclamações e consultas ao SPC (mentchira!)? Formspring (linelinss) ou twitter (arroba)linelins
Ah, e se quiserem sugerir um trecho da fic para ser contato pelo Edward, é so me dizer também!
Agora espero anciosa pelo comentário de vocês!
Até a próxima!
