-Desculpe interromper! - disse o general do exército de mortos - Mas já estamos chegando...
O clima de suspense foi completamente transformado em pressa e raiva. Agora havia movimento pelo barco inteiro, onde os fantasmas tremeluziram e então ficaram completamente transparentes, dando a ideia estúpida de que os quatro estavam guiando aqueles barcos sozinhos. Aragorn, Legolas e Gimli abaixaram-se, mantendo seus corpos escondidos enquanto o porto de Gondor se aproximava. Sallen mergulhou nas águas sujas, nadando tão fundo quanto lhe era permitido. Podia sentir Sauron, sua primeira paixão, bem de perto, podia sentir aquele olhar penetrante e ardente, podia sentir a maldade...
E sentiu também o rancor: ele a deixara no meio da pedra maciça! Não o perdoaria por dar-lhe a claustrofobia como presente.E também podia ouvir o cantar dos nazguls: criações do senhor das Trevas em base do seu conhecimento em dragões. Quis destruir aquele homem que acabara com toda a sua família.
Viu uma luz verde correr por sobre a superfície. Era o sinal. Saltou de dentro d'água na forma de dragão, tão grande quanto um Elephanto. Mas sabia que sua batalha não era ali, nos portões de Gondor, e sim em Mordor, onde tentaria abater tantos Nazgul quantos possíveis. Lá embaixo, um mar verde se formava, cobrindo tudo e deixando um exército de cadáveres para traz. Não tardou para encontrar um Nazgûl que vinha as pressas na sua direção, contudo, o infeliz ao vê-la de longe, não se dera conta da real dimensão da adversária, que poderia esmagar facilmente sua montaria com as patas dianteiras. O projétil de dragão deu a volta rapidamente, mas suas pequenas asas não cobriram a distancia avançada por Sallen que chocou a ponta da cauda contra o pequeno oponente que caiu em direção ao vazio.
Quando Sallen se transformava, mudava tudo por fora e por dentro: sua visão do mundo se tornava especial. Os sons vinham com mais clareza, bem distribuídos e fáceis de se localizar a origem. As cores atingiam tons mais fortes, criando contrastes interessantes para seus olhos atentos acompanharem. Passava agora por cima dos portões de Mordor, uma salva de flechas foram disparadas contra a sua barriga negra, contudo Sallen havia reforçado toda a sua armadura escamosa depois da batalha no Abismo de Helm. Além do que, seu interesse não estava voltado para os orcs, e sim para a torre negra que se erguia bem na sua frente, com aquele olho ardente fixo nela, com a pupila contraída, feito uma fenda escuro por onde Sallen lançou seu corpo de dragão, passando por um portal.
Mal tocara o olho e se viu em um salão circular, com pilastras de desenhos rústicos, em pedra polida, porém escura, com pontas saindo de todos os lados até o teto. Haviam janelas finas deixando uma luz fraca entrar no aposento. Do lado oposto de onde Sallen estava, um trono cheio de entalhes complicados, desenhos curvos que deixavam a figura que ali sentava com um aspecto ainda mais poderoso e elegante: Sauron.
Seu cabelo era negro e picotado, espetando-se para todos os lados, as vezes cainda sobre seus olhos que naquele instante estavam fechados. A armadura fazia sua postura estar correta, sentado ali, com a perna direita cruzada por cima da esquerda, os dedos das mãos entrelaçados uns nos outros, tocando-lhe os lábios. E ele abriu os olhos.
Era como ver o incêndio irado e cruel que lambia sua alma: o amarelo, laranja e vermelho corriam de um lado para o outro, em um mar de cores quentes que só quebravam o padrão ao tocarem nas pupilas negras.
-Sallen – ele a cumprimentou, com um movimento saudoso da cabeça.
E ela retribui, disfarçando a surpresa e raiva ao vê-lo naquele estado tão elegante, tão intocado pelo tempo, tão indiferente ao que fizera no passado. Como deveria ser a imagem de Sauron para os homens comuns? Apostaria suas escamas que na cabeça de qualquer um deles a figura deveria ser tão bonita quanto aquela que estava diante dela.
-Já faz muito tempo, não é? – sua voz era sedutora.
-Para mim passou rápido. – respondeu ela, ficando meio humana, meio dragão. Suas garras ainda produziam sons estalados quando ela andava pelo chão de granito.
-Como escapou da montanha? – havia um ar divertido no sorriso que ele dera.
Sallen rosnou alto.
-A questão não é como sai de lá, e sim COMO FUI PARAR LÁ DENTRO! – a expressão dele não se alterou.
-Magia básica. Você mesma me ensinou.
Sallen tremia da cabeça até a ponta da cauda: Ele não podia tira-la do sério, ou já entraria em vantagem em uma luta que era certa de acontecer. Inspirou fundo, encolhendo-se até ter a forma de uma humana e o olhando de um ângulo inferior agora. Pode ver um brilho de raiva, talvez até de inveja, quando mudou de forma. O trono ficava a alguns degraus acima: tão típico dele construir um cenário como aquele que lhe desse a ideia de poder, de controle.
-Sim, ensinei – falou ela, com a voz calma, dando passos, seguindo o contorno circular do salão – E cometi um erro. Sabe, Sauron, aprendi que as criaturas vivas cedo ou tarde comentem erros muito críticos com as pessoas erradas: Você errou ao me colocar naquela montanha, eu errei por tê-lo ensinado como fazer isso, e agora você está errando por estar me olhando com essa cara de deboche, não me levando a sério.
-Eu não preciso leva-la a sério – ele se levantou. Sallen teria se alarmado se não soubesse que ele não iria machuca-la naquele momento.
Ainda iria se vangloriar.
-Sallen. – falou. Era mais alto de que a garota naquela forma, contudo ela podia resolver aquilo com uma simples mudança de forma – Sallen, Sallen, Sallen, Sallen, Sallen...Seu nome é delicioso de se pronunciar. Talvez tenha sido por isso que eu a tenha escolhido para me ensinar a magia do seu povo. Eu era um açougueiro solitário, e você um filhote faminto. Veio direto para minhas garras.
O polegar e indicador de sua mão esquerda apertaram o queixo da garota de leve. Agora seu rosto estava próximo.
-Tsc – ela olhou ao redor, com um sorriso torto nos lábios – Você constrói sua mentira com...mármore polido e cabelos bem feitos...Eu queria ver você lá fora, no meu mundo. Quanto esta usando de magia para manter sua cara assim? Por isso coloca aquele capacete escuro? Para esconder as rugas? Para esconder o efeito do tempo em você? Porque em mim ele não chega nem a encostar.
A pressão em seu queixo, para a satisfação dela, aumentou por poucos segundos, até ele recuperar a compostura.
-Não me provoque, Sallen. – seus dedos correram pelo rosto dela. Ela considerou por um segundo em morde-lo – Estive observando: Acho que vou ter que matar aquele elfo de um modo bem peculiar...Legolas Verdefolha.
Ele saltou para longe antes que as garras de Sallen cortassem seu rosto, o que fez um som terrível fatiar o ar. O acordo de trégua havia se rompido: sem discursos, sem provocações, dali em diante batalhariam em uma luta furiosa e decisiva.
Uma espada luziu nas mãos de Sauron, e já descia em direção ao ombro esquerdo da garota, que girou para o outro lado, sem ver que a lâmina a seguia em já um novo ataque. Sallen precisou saltar alto para conseguir fugir, e ainda assim recebeu um repentino chute bem no meio das costas. Caiu em direção ao chão, e antes de toca-lo, seu estomago ficou para traz, preso ao punho fechado de seu adversário. Ficou ali, olhando seu reflexo turvo no chão polido a poucos centímetros de seu rosto, sem acreditar que não estava conseguindo lidar com aquele sujeito. Havia algo limitando suas capacidades, mas a garota não conseguia desvendar o que era.
-Enquanto você se divertia com seus amigos de pernas curtas e orelhas pontudas, eu crescia, me fortalecia. Você aprendia sobre hortas com aquele velho caduco de Gandalf e eu estudava sobre as magias mais profundas do mundo. – ele deixou o corpo dela cair pesadamente no chão, fazendo um baque surdo ecoar pelas paredes – Não tente se comparar a mim: é humilhante.
A ponta de seu calçado explodiu em um chute no rosto de Sallen, deixando-na sem ar quando cada músculo do lado esquerdo do seu rosto rompia em dor e fisgadas terríveis. Por um segundo ficou cega, sem entender onde estava e o que havia acontecido, seus olhos estavam arregalados pelo choque. Rolou para o outro lado, o ar fugindo-lhe dos pulmões e uma dor de cabeça miserável arranhando sua cabeça. Quando olhou para o teto, a ponta da espada de Sauron roçava, fria e incomoda, em seu pescoço, enquanto na outra extremidade estava seu oponente, com uma ameaça de sorriso solene nos lábios.
-Você vai morrer, Sallen. A última metamorfomaga vai morrer, junto com toda a sua raça e história.
Uma lágrima quente escorreu pelo canto do rosto de Sallen, tocando o chão frio e polido.
-E depois de acabar com você...Vou matar aos outros. Ah – seu rosto se iluminou, cheio de alegria – Tem uma coisa que eu adoraria dizer antes de descer um pouco mais a lâmina da espada – se abaixou, até estar próximo ao rosto dela, a arma ainda encostada com precisão em sua garganta – Você me perguntou quanto de magia eu uso para sustentar essa linda ilusão? Eu vou contar meu segredinho sujo – seu dentes morderam de leve o lóbulo da orelha dela – No centro dessa montanha – ele gargalhou alto por uns quinze segundos até readquirir o controle. Sallen apenas via, seu cérebro ainda estava aturdido pelo chute e a lâmina estava perigosamente encostada no seu corpo – Bem no centro, tem um metamorfomago! Eu prendi um lá no meio! Na rocha sólida! Do mesmo jeito que fiz com você! – ria de um jeito doentio, e a magia que matinha seu rosto belo ficava dispersa, revelando as rugas, o suor, a feiúra de Sauron – Tranquei ele lá no meio! E fica me fornecendo magia! Eu venho drenando a magia dele por todos esses anos! HAHAHA...
Era quente, o sangue de Sauron. Talvez fosse a única coisa que lhe desse um aspecto humano, isso Sallen constatou enquanto ele pingava por sobe seu corpo enquanto grande parte escorria direto para o chão, formando uma grande sopa quente e vermelha que refletia de jeito horrível o teto sem fim daquele lugar. O riso foi murchando em seu rosto, perdendo a força, sendo substituído pela incredulidade e uma palidez morta. A ponta da cauda de Sallen girou, ainda atravessando o corpo forte de Sauron bem no centro: brilhava, parecendo metal, refletindo a expressão irada da garota, cujas pupilas estava finas feito agulhas. Ela arrancou a espada fora da mão do inimigo, deixando-na deslizar para longe de ambos os corpos. Sallen se levantou lentamente, até estar de pé em suas patas de dragão, mais alta do que Sauron agora, e retirou a cauda do corpo dele com um movimento brusco, podendo ver o chão do outro lado dele pelo buraco aberto: sangue gotejava ali dentro, alguns pedaços das costelas estavam a vista, músculo, e um movimento do lado esquerdo do peito (deveria ser o seu coração batendo, a única prova de que Sauron tinha um).
-Bastardo – a voz dela estava tremula, seus dentes afiados se revelavam quando seus lábios se contraiam em seu rosto contorcido de raiva – Canalha! Maldito! Me mate, mate aos homens da terra média! MAS NÃO OUSE FAZER MAL A UM IRMÃO MEU! - rosnou alto, enquanto golpeava o rosto dele, não com a palma da mão, mas com as garras que brotavam da ponta de seus cinco dedos.
Sallen estava possessa, duvidou muito que em algum outro momento da sua vida tivesse sentido tanta raiva quanto agora. Juntou os dedos da mão direita e atravessou o ombro de Sauron com facilidade, ouvindo o grito que escapara dos lábios dele como se fosse a canção mais linda de todos os tempos. O mesmo fez com o esquerdo, e sentou-se sobre o peito do inimigo, curvando-se até ficar cara a cara com aquele sujeito.
-Agora eu vou destruir tudo aquilo que é mais precioso! Do mesmo jeito que você fez comigo! – o acariciou no rosto com as unhas, criando cortes consideráveis na pele que antes era perfeita. E ele só fazia gritar – Você é um simples humano, Sauron, que foi abençoado com a sabedoria do meu povo. Quando chegou até nós, com aqueles olhos de fogo, não foi difícil sentir o cheiro da maldição em você. Você era um bastardinho abandonado que deu a sorte de encontrar pessoas tão bondosas como nós – ela tirou um pedaço da bochecha dele com lentidão, vendo a carne viva ali embaixo – Quer saber? Eu o amava, e você me deu um trauma, uma cicatriz em minha alma em troca disso. Matou minha família, amigos, meu mundo e agora descubro que mantém um dos meus servindo de maneira escrava pra você?
O corpo dele se arrepiou, Sallen sentiu. O anel estava ali, em algum lugar. A excitação de Sauron era quase palpável, ele devia estar tão louco para reaver o objeto quanto um moribundo para beber um copo d'água. Um olho dele pareceu estar coberto por uma espécie de névoa...Com certeza estava lá fora, queimando no topo da torre negra, caçando Frodo por suas terras.
-Bom, eu fico com isso, então – rápida feito uma cobra dando o bote, puxou o outro olho dele de uma vez. A bolinha de fogo se apagou na sua mão, tomando um aspecto repulsivo e esfarelado.
O grito não chegou a deixa-la surda, mas a fez passar a língua nos lábios: ainda teria várias horas de diversão com Sauron.
N.A.: Olá! Eu sei que levou muito, muito, muito tempo pra postar aqui, mas eu tinha 1 milhão de coisas pra fzer: foi meu aniversário, tive que ajeitar festas, trabalhos da escola, enfim...Bom, espero conseguir o pérdão de vocês =)
AHHHHHHHHHHHHHHHHH! RETA FINAL! Eu tava doida pra fazer Sallen dar um chute no traseiro de Sauron, anyway...Um grande abraço, e mais uma vez, desculpa!
